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domingo, 5 de agosto de 2012

COM O PÉ NO ESTRIBO – COMEMORAÇÕES E ENROLAÇÕES


Três coisas devem ser feitas por um juiz:
ouvir atentamente, considerar sobriamente e decidir imparcialmente.
(Sócrates)




Amigas e Amigos,


Conforme abordei na Tertúlia Nativa desta semana, começou o julgamento dos mensaleiros denunciados – provavelmente a lista de corruptos é bem maior dos que os 38 réus arrolados no processo – e alguns fatos associados a esses primeiros momentos são objetos de mais uma postagem.

No primeiro dia do julgamento desse escândalo que se apresenta como um dos maiores da história desse país – “nunca antes na história deste país se viu tanta corrupção” – os ministros do STF já deram início a rusgas que se apresentam como candidatas a constantes nos próximos passos. Por mais que se imaginasse grupos de magistrados cheios de “gratidão-quase-amor” ao ex-presidente, é pouco provável alguém já estar imaginando as primeiras manifestações claras desse sentimento aparecendo escancaradamente no primeiro dia.

Sobre o debate acalorado entre os ministros do STF, quando uma manobra do ex-ministro da Justiça foi rejeitada, o portal do Correio Braziliense informou que:
Começou com bate-boca o julgamento histórico do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), numa demonstração de que cada detalhe da Ação Penal 470 despertará debates acalorados. A briga deixou em lados opostos o relator, Joaquim Barbosa, e o revisor, Ricardo Lewandowski. Em tese, são os dois ministros que mais conhecem o processo. O motivo da discórdia, o pedido de desmembramento da causa, de forma que apenas os réus com foro especial fossem julgados no STF, foi suscitado pelo ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, advogado de José Roberto Salgado, ex-diretor do Banco Rural. Lewandowski apresentou um voto, preparado previamente, em que defendeu por uma hora e 20 minutos a divisão do processo, medida que beneficiaria 35 dos 38 acusados. Caso fosse aprovado o pedido, apenas três réus, os deputados João Paulo Cunha (PT-SP), Pedro Henry (PP-MT) e Valdemar Costa Neto (PR-SP), aqueles que têm foro no STF para ações criminais, continuariam a ser julgados pelos 11 ministros. A decisão reduziria a importância do julgamento no STF e poderia atrasar ainda mais o desfecho do caso, sete anos depois que o escândalo do mensalão veio à tona. [...] Apenas o ministro Marco Aurélio Mello seguiu o voto sustentado por Lewandowski. Nas argumentações, os ministros ressaltavam que o tema já havia sido analisado. [...] O ministro Joaquim Barbosa disse, em nota, que não fez ataques pessoais ao colega Ricardo Lewandowski. “Apenas externei minha perplexidade com o comportamento do revisor, que após manifestar-se três vezes contra o desmembramento, mudou subitamente de posição, justamente na hora do julgamento, surpreendendo a todos, quase criando um impasse que desmoralizaria o tribunal”, destacou.

A condução do processo já havia sido debatida e decidida e, ainda assim, a inoportuna intervenção do ex-ministro se tornou objeto de novo debate. Quem já havia se manifestado contra o desmembramento do processo tinha um voto, agora favorável, escrito previamente como se existisse um conluio articulado com antecedência entre defesa e júri.

Com a encenação, ou o que quer que seja, com a participação de Thomaz Bastos e Lewandowski se perdeu um dia de julgamento. E para os que pensam que foi somente um dia, o caderno Poder da Folha de São Paulo, estampava como manchete uma análise de petistas avaliando terem saído na frente, o que mereceu até comemoração. Diz a matéria da Folha que:
Alvo principal da ação do mensalão, o PT terminou o primeiro dia de julgamento com um sentimento de ter largado na frente. Em seus gabinetes, havia um certo clima de comemoração pelo desempenho protelatório de Ricardo Lewandowski e os embates com Joaquim Barbosa. A repetição desse cenário resultaria em sucesso numa das estratégias dos advogados: evitar o voto de Cezar Peluso, dado como contrário aos réus, já que ele tem de se aposentar até o fim do mês. [...] Lewandowski gastou mais de uma hora para votar pelo desmembramento da ação.Resultado: toda primeira etapa do julgamento, das 14h30 às 18h, foi consumida para derrubar a proposta do advogado Márcio Thomaz Bastos, que defende o Banco Rural. A atuação de Lewandowski, que levou Barbosa a sair do sério e até deixar o plenário, segue a linha esperada por alguns de seus colegas e agrada em cheio os petistas. Não só por atrasar os trabalhos como também por provocar uma tensão no STF. Na tática e nos sonhos do PT, o ideal é que seja criado um ambiente de divisão no Supremo. De preferência com ministros assumindo posições favoráveis às teses do partido. A expectativa entre petistas é que Lewandowski, indicado pelo ex-presidente Lula e amigo da ex-primeira-dama Marisa Letícia, seja um dos a assumir este papel.

Os sentimentos e as comemorações do Partido dos Trabalhadores podem passar uma ideia de estar o partido pouco preocupado com justiça. As citadas teses do partido parecem estar acima da ética e da moral, pois a uma vontade explicita de fazer de conta que não existe um foco de corrupção é maior do que a vontade de colocar eventuais párias da sociedade em lugares condizentes com suas mazelas.

Espero não pensar que o Circo Tihany Spetacular – armado na Esplanada dos Ministérios – possa estar relacionado ao julgamento do mensalão. Que o primeiro dia desse julgamento sirva para que os responsáveis pelo mesmo não se deixem envolver por artimanhas preparadas por pessoas que desejam permanecer recebendo benefícios indevidos a custa de dinheiro público. E que o PT possa se livrar de suas fétidas feridas para voltar a ser o partido que soube construir seu espaço combatendo a corrupção.

Para fechar a semana, na expectativa de melhores dias na próxima, fica a música “A la pucha, Tchê”, do Iedo Silva, interpretada pelo autour no DVD “Iedo Silva - 35 Anos de Carreira”, produzido pela gravadora Usadiscos .



          Um grande abraço e até a próxima!

sábado, 10 de março de 2012

COM O PÉ NO ESTRIBO - UTI NEONATAL DE CANGUÇU. DESCASO?



A saúde depende mais das precauções que dos médicos.
(Jacques Bénigne Bossuet)


Amigas e Amigos,

          Ouvindo o canto dos pássaros que vem do quintal de minha casa e tomando um chimarrão na varanda, na expectativa de uma chuva que parece já cair nas proximidades de Brasília, li o jornal “Zero Hora”, no portal do ClicRBS e chamou minha atenção a manchete sobre falta de médicos que, com o alto número de morte de bebês, provocou o fechamento da UTI Neonatal de Canguçu-RS.

         Além do fato, normalmente associado ao descaso de nossos governos com saúde pública, o meu interesse na matéria foi provocado pela lembrança de que nos distantes anos de 1974/75 tive oportunidade de trabalhar nessa cidade do interior do Rio Grande do Sul.

          Bem mais preocupante que a manchete é o conteúdo da matéria, de onde separei uma parte, conforme abaixo:
Canguçu, município com 53 mil habitantes na Metade Sul do Estado, está em choque. A UTI Neonatal do Hospital de Caridade do município — um sonho acalentado há anos pela comunidade — foi fechada após apenas três meses de funcionamento pela Secretaria Estadual de Saúde (SES). As razões: falta de médicos suficientes para manter a unidade criada para ser referência regional e uma mortalidade de bebês bem acima do usual. Nos 90 dias de funcionamento, morreram no local 12 bebês dos 45 atendidos. Conforme a Secretaria Estadual de Saúde (SES), a proporção na casa de saúde de Canguçu foi de 80 óbitos para cada mil nascimentos no hospital, no primeiro mês de vida. A média nas UTIs neonatais gaúchas, segundo a secretaria, é de 13 mortes para cada mil nascimentos. […] A unidade de Canguçu começou a funcionar com apenas dois médicos e, depois de algum tempo, contava com quatro — quando o número exigido pela Anvisa seria oito médicos para cuidar de 10 pacientes (a capacidade da unidade). Ciro Simoni relata que, para obter a autorização para o funcionamento da unidade, o hospital mostrou contratos firmados com uma empresa que empregaria os médicos na instituição […] A comoção causada em Canguçu gerou uma sessão especial da Câmara de Vereadores, promovida pelo vereador Ubiratan Rodrigues (PP), e um inquérito aberto pelo Ministério Público Estadual para investigar as mortes. Quem conduz o procedimento éa promotora Camile Balzano de Mattos, que ontem recebeu o levantamento fotógrafico da UTI. Estão sob análise as condições médico-sanitárias, higiene, espaço físico, material e equipamentos utilizados, tecnologia para diagnóstico e tratamento, além da performance da equipe de assistência médica e enfermagem e sua qualificação. Apesar das investigações, o secretário Ciro Simoni não tem dúvidas de que a unidade Neonatal será reaberta...
          Sempre que vejo esses reflexos da negligência de nossa amodorística administração pública, fico imaginando se ainda está muito distante o tempo em que descasos como esse exigirão respostas contundentes dos responsáveis por tantos desmandos.

          Não é concebível que uma unidade de saúde que necessita de, no mínimo, 8 médicos (conforme determinação da Anvisa), comece a funcionar com apenas 2. Nas desculpas preparadas para o “jogo de empurra” de responsabilidades, já foi informado que havia contratos firmados com uma empresa para empregar os médicos e que só por isso foi emitida a autorização de funcionamento.

          A existência desse citado contrato leva a imaginar que a empresa responsável por ele já tenha sido acionada judicialmente por descumprimento do mesmo. Sobre isso, não há qualquer comentário. Pode ser que o contrato não estivesse bem redigido o que implicaria em facilidades para a empresa não atendê-lo. Nesse caso, os responsáveis pela redação, aprovação e assinatura, bem como os que o validaram nas instâncias superiores, já deveriam estar respondendo a processos administrativos. Mas sobre isso, também não vi qualquer referência.

          Como sempre acontece nesses casos, não faltam políticos e advogados para buscarem alguma “promoção” pessoal em cima dos efeitos sem grande preocupação com as causas. Apesar de tudo isso, o secretário estadual de Saúde não tem dúvidas de que a unidade Neonatal de Canguçu será reaberta. Faltou dizer, apenas, em que condições.

          Essas condições não tem qualquer relação com as condições do prédio que abriga a unidade, pois ela está localizada em um tradicional hospital, mas com a forma como será conduzida a contratação de médicos.

Vale lembrar que essa unidade Neonatal ficou parada – depois de concluída as obras no hospital – por 9 meses. Foi inaugurada, as pressas, após um drama protagonizado por uma funcionária pública de Santa Vitória do Palmar-RS que precisou fazer uma viagem de 500 km para dar à luz filhos gêmeos. Esse episódio, em outubro de 2011, mostrou claramente a deficiência de leitos no Estado e acabou com um entrave burocrático de 9 meses, provavelmente, de forma precipitada – talvez, até com “dedos cruzados” para que nada desse errado. Mas deu, e aí o que se vê são como replays de filmes tantas vezes exibidos. 

A música escolhida para encerrar esta semana, desejando que o hospitaleiro povo de Canguçu logo veja superada essa confusão da área de Saúde, é “Leito de Hospital”, de Léo Canhoto e Sebastião Victor, com Tião Carreiro & Pardinho.   

 


Até a próxima e um grande abraço para todos! 
     

domingo, 4 de março de 2012

COM O PÉ NO ESTRIBO - COM 15 SALÁRIOS E DE PAPO PRO AR



Um homem não é infeliz porque tem ambições, mas porque elas o devoram.
(Barão de Montesquieu)




Amigas e Amigos,

          A segunda página da edição de hoje do jornal “Correio Braziliense” chama a atenção dos leitores para a renda extra dos senadores que escapa do Leão, pois os parlamentares não têm Imposto de Renda descontado dos seus polpudos 14º e 15º salários. Diz o referido jornal que:
A farra das remunerações extras para deputados e senadores com dinheiro do contribuinte, mostrada pelo Correio, ganhou um novo capítulo ontem. Os 81 senadores, que recebem os chamados 14º e 15º todos os anos, não sofrem qualquer desconto no Imposto de Renda. A regalia faz com que a Receita Federal deixe de arrecadar R$ 8,4 milhões, considerando os oito anos de mandato de cada político. Com a verba, o governo federal, por exemplo, poderia construir 105 casas populares pelo Programa Minha Casa, Minha Vida. Por ano, cada senador deixa de pagar ao Fisco R$ 12,94 mil. No fim do mandato, ele embolsa R$ 103,58 mil. A informação foi confirmada ontem, pela assessoria de imprensa do Senado.

          Uma forma de acabar com essa bandalheira seria a suspensão desse desperdício do dinheiro público gasto com esses salários extraordinários. Para tornar a remuneração desses senhores um pouco mais justa, seria muito interessante que fosse instituída uma forma de remuneração proporcional às horas trabalhadas – bem entendido que “conversar ao celular”, “bocejar ou dormir” e “ficar de ti-ti-ti” não caracterizam trabalho.

          Tanto a chamada para essa notícia, na primeira folha do jornal, quanto o conteúdo da mesma na página 2 deve ter sido percebido pelos leitores que o assunto era muito sério. Mas, para que nossa preocupação não fosse excessiva, um senador resolveu divertir todo povo, conforme pode se ver na continuidade da matéria do Correio, onde “o Senador Ivo Cassol (PP-RO), um dos poucos que aceitou falar, defendeu o benefício e afirmou que os senadores ganham muito pouco. De acordo com o político, grande parte do rendimento é gasto com medidas assistencialistas”.

          Depois desse “elucidador” depoimento do senador, acredito que todos possam dizer que, sensibilizados, entendem o quanto deve ser dura a vida de um senador que, além de ganhar pouco, ainda se dedica a medidas assistencialistas. E a cara de pau é tanta fazem (se efetivamente o fazem) assistencialismo com dinheiro dos outros – ou seja, com nosso dinheiro, que o senador afirma (pasmem) ser dele.

          Como sugestão, se estiver muito complicado a correção dessa balbúrdia no Senado, quem sabe os salários extraordinários (14º e 15º) pudessem ser estendidos para todos os trabalhadores (e sem desconto de Imposto de Renda, é claro).



         Para fechar a semana, sem a ganância cada vez mais acentuada de boa parte de nossos legisladores, deixo a simplicidade da música “De papo pro ar”, de Joubert de Carvalho, interpretada por Inezita Barroso, acompanhada por Roberto Correa.

  


Um grande abraço e até a próxima!


domingo, 19 de fevereiro de 2012

COM O PÉ NO ESTRIBO - BILHETE PREMIADO E FESTA NA ROÇA




À minha volta, reprovava-se a mentira, mas fugia-se cuidadosamente da verdade.
(Simone de Beauvoir)



Amigas e Amigos,

          Neste sábado de Carnaval, uma senhora idosa é envolvida pelo conto do bilhete premiado e só não teve um grande prejuízo por o gerente de seu banco suspeitou do golpe e acionou, rapidamente, a polícia que acabou prendendo as marginais que tentavam aplicar o golpe.

          O jornal O Estado de São Paulo publicou sobre a tentativa de golpe acima que:
Uma aposentada, de 80 anos, foi vítima do golpe do "bilhete premiado", no bairro de Vila Formosa, na zona leste de São Paulo, mas foi salva pelo gerente do banco. A idosa foi a uma agência bancária na Vila Formosa e solicitou um saque de R$ 25 mil da poupança. O gerente desconfiou de que a senhora estava sendo vítima de um golpe e perguntou o motivo da retirada. A cliente respondeu que era para comprar um "bilhete premiado", em valor bem mais alto, de R$ 440 mil. Ela explicou que duas mulheres, que a esperavam na porta do banco, lhe ofereceram o bilhete da loteria federal - ela daria os R$ 24 mil para uma das mulheres e repartiria o "prêmio" do bilhete com a outra. O gerente chamou a Polícia Militar, que, já sabendo as características físicas das suspeitas e o tipo de roupa que usavam, deteve duas mulheres, uma delas também idosa, de 64 anos, que esperavam a senhora na porta do banco. Com elas foram apreendidos o falso bilhete premiado, moedas estrangeiras (10 mil ienes e US$ 134) e R$ 245. As duas foram autuadas em flagrante por estelionato e levadas para uma carceragem feminina, à disposição da Justiça.
Fonte: site da Rádio Araguaia 970AM

          Se até o motoboy que matou a namorada adolescente – após monstruosas atrocidades transmitidas pelos meios de comunicação - conseguiu advogado para chamá-lo, carinhosamente, de menino, acredito que essas duas – com alguns trocados que tinham no bolso – não terão dificuldades para encontrarem um defensor na porta da cadeia que até possa chamar uma das meliantes de “simpática vovozinha”.

          Penso, ainda, que enquanto tivermos suaves leis para punir bandidos e magistrados arrogantes deixando esse tipo de gente convivendo com a sociedade – e aprontando um golpe atrás de outro – estimularemos o crescimento de vidas marginais. As únicas certezas que os marginais – e candidatos a marginais – tem hoje é que passarão pouco tempo em uma carceragem e que no tempo em que estiverem presos poderão desfrutar do dinheiro público sem precisar trabalhar.

         Como estamos em tempo de festa, vamos ouvir "Festa na Roça", de Tonico e Nadir, com Tonico & Tinoco.

 

Um forte abraço e até o próximo encontro!

sábado, 16 de julho de 2011

COM O PÉ NO ESTRIBO - MERENDA, QUE EXEMPLO...

A fome não é exigente: basta contentá-la; como, não importa.
(Sêneca)

Amigas e Amigos,
               
               Na hora de colocar o pé no estribo para me despedir de mais uma semana, encontro, hoje, na página de Notícias do portal Terra (http://noticias.terra.com.br), uma notícia para enaltecer o trabalho de alguns brasileiros, conforme transcrevo parte, abaixo:
Em parceria com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) vai promover um curso para fortalecer as políticas e programas de alimentação escolar em cinco países da América Latina: Bolívia, Nicarágua, Guatemala, El Salvador e Honduras. Voltada para gestores e técnicos estrangeiros que trabalham com alimentação escolar, a capacitação terá um total de 200 horas, sendo 160 horas de estudo a distância e 40 horas de forma presencial. Para ministrar os cursos, a FAO e o FNDE realizarão, de segunda-feira até quinta, em Brasília, uma capacitação para os coordenadores nacionais de cada um dos cinco países envolvidos. "A intenção é partir da experiência brasileira, que é um exemplo mundial de boa prática na alimentação escolar, refletir sobre as próprias políticas e apontar caminhos a seguir", afirma Juarez Calil, consultor do projeto FNDE/FAO.

               Ainda assimilando o efeito da frase do consultor Calil sobre o exemplo mundial da experiência brasileira com alimentação escolar, li uma notícia que teria relação com esta, segundo o mesmo portal. Foi uma matéria sobre a merenda escolar no estado da Bahia, de onde tirei o excerto abaixo:
O retorno das férias nas escolas municipais do Subúrbio Ferroviário de Salvador (BA) evidenciou um problema que ocorre, pelo menos, desde abril desse ano: a falta de merenda. Para tentar suprir a falta de alimentos os professores acabam organizando "vaquinhas". Sem condições de dar segmento às aulas, algumas escolas chegam a liberar os estudantes mais cedo. [...] O retorno das férias nas escolas municipais do Subúrbio Ferroviário de Salvador (BA) evidenciou um problema que ocorre, pelo menos, desde abril desse ano: a falta de merenda. Para tentar suprir a falta de alimentos os professores acabam organizando "vaquinhas". Sem condições de dar segmento às aulas, algumas escolas chegam a liberar os estudantes mais cedo. A secretaria reconhece que não tem controle sobre os prazos de entrega dos fornecedores, problema causado por um modelo falho de gestão descentralizada da alimentação escolar. [...] Diretora da Escola Municipal Olga Metting, Ana Lúcia Silva, explica que desde março a secretaria fala em um novo modelo de gestão. Enquanto o problema não é solucionado, na unidade que administra, a gestora já chegou a pedir "contribuição voluntária" de alunos. "Pedimos, em reunião com os pais, que aqueles que quisessem colaborar trouxessem um tomate, uma cebola, um alho, enfim, algum item de hortifruti".



               O que me surpreendeu é a quantidade de dias decorridos entre uma notícia e a outra: dez dias. Será que o consultor Calil, pelo efeito de sua frase proferida, é da mesma escola do “nunca-antes-na-história-desse-país”. Mas, como hoje é sábado, procurarei mais detalhes durante a próxima semana, porque amanhã, a partir das 10 horas – até o meio-dia – estarei apresentando mais um programa Canto da Terra, ao vivo. Por hoje, vamos curtir o violeiro de Minas Gerais, Chico Lobo interpretando, de sua autoria, “Beira de Mato”.


               Um grande abraço e bom fim de semana!

Wilmar Machado

domingo, 10 de julho de 2011

COM O PÉ NO ESTRIBO - O MENSALÃO NA "ETAPA FINAL"

Três coisas devem ser feitas por um juiz:
 ouvir atentamente, considerar sobriamente e decidir imparcialmente.
(Sócrates)



Amigas e Amigos,



               Terminando mais uma semana e, parece, que a novela Mensalão – cujo roteiro e escolha dos personagens foram atribuição do governo passado – aguarda, ainda, o seu final por esquecimento. Mesmo assim, voltou a ser notícia nesta semana, por conta da manifestação do procurador-geral da República, conforme noticiado pelo portal G1 (http://g1.globo.com):
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou nas alegações finais do processo do mensalão que o esquema se trata da “mais grave agressão” aos valores democráticos do país. Nas 390 páginas que compõem as alegações finais, o procurador-geral manteve as acusações contra 36 dos 40 réus em julgamento no STF. Para o procurador, não há provas contra dois réus, outro fechou acordo com a promotoria e um quarto já morreu. [...] Entre réus que o procurador manteve as acusações estão o ex-chefe da Casa Civil, José Dirceu, os deputados federais João Paulo Cunha (PT), presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, e Valdemar Costa Neto, secretário-geral do PR, o ex-deputado federal Roberto Jefferson, presidente do PTB, Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, e o publicitário Marcos Valério.



               Apesar do bombástico adjetivo utilizado pelo procurador – grave agressão – essa semana está terminando no início do mês de julho de 2011, quando a novela Mensalão está contemplando seis anos. Haja paciência. E não apenas para agüentar a morosidade do judiciário, mas para “digerir” o séquito que se formou ao longo desses 6 anos.


               Aparentemente, o pensamento inspirador para as séries – criadas a partir da grande novela – Mensalão do DEM, em Brasília, e Mensalão do PR, no Ministério dos Transportes, é pautado na certeza de que “tudo podemos porque a justiça não nos atrapalhará”. Basta entender o que os envolvidos – cada qual mais atolado em matéria pastosa com forte  inhaca – estão fazendo e acredito que a maioria, senão todos, continuam usufruindo de dinheiro público para esconsos interesses.


               Em outra matéria do portal G1, aparece que o processo do mensalão chega à etapa final  no Supremo Tribunal Federal – que não me atrevo a tentar entender o significado disso – com a seguinte informação:
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa fixou 30 dias de prazo para o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e outros 30 dias para os réus no caso do mensalão fazerem suas alegações finais. No processo, 38 pessoas são acusadas de participação no suposto esquema, denunciado em 2005, pelo qual parlamentares receberiam dinheiro em troca de apoio político ao governo. [...] Terminado o prazo, o relator vai elaborar o voto e liberar o processo para ser colocado em pauta no plenário. O relator afirmou não ter previsão do tempo que levará para concluir o voto. A ação penal tramita no Supremo desde 2007.

               Quando digo que não consigo entender o significado de “etapa final” para os caminhos percorridos na justiça, encontro uma explicação para aumentar minha confusão, também, no Correio Braziliense (http://www.correiobraziliense.com.br), de hoje, que traz na capa a manchete “Mensalão corre risco de nunca ser julgado”. No conteúdo da matéria, na página 8 do jornal impresso, pode se encontrar que:
O ministro relator do mensalão, Joaquim Barbosa, vem defendendo que o processo não deixe o STF em nenhuma hipótese. Uma das armas usadas por ele é uma decisão da própria Corte, que em outubro do ano passado entendeu que a renúncia ao mandato não retira a competência dos ministros para julgar a ação. Na ocasião, o deputado federal Natan Donadon (PMDB-RO) renunciou ao cargo de deputado federal às vésperas do julgamento, no qual acabou condenado por formação de quadrilha e peculato.


               E dessa forma, nada atrapalharia essa “etapa final”. Ledo engano, amigos e amigas! Apesar da decisão sobre a competência diante de artifícios que podem ser utilizados pelos ilustres representantes do povo, parece que essa decisão não deixa confortável alguns – ou muitos, pois não sei quantos – ministros que, aparentemente, imaginam não haver meios de “livrar a cara” de seus “parceiros” de governo, conforme outro trecho da matéria:


Três ministros ouvidos pelo Correio dizem que o maior temor gira em torno da possibilidade de os dois acusados com mandatos parlamentares — os deputados federais Valdemar Costa Neto (PR-SP) e João Paulo Cunha (PT-SP)— renunciarem ao cargo, forçando o envio do processo para a primeira instância e condenando o caso à prescrição. Para o ministro da Corte, Marco Aurélio Mello, há uma ameaça real de prescrição, inclusive no que se refere à acusação pelo crime de formação de quadrilha, atribuído a 22 pessoas, cuja possibilidade de punição acaba no mês que vem. Se os dois parlamentares renunciarem, o ministro acredita que seria difícil manter o caso nas mãos do Supremo. “Esse processo deveria ser desmembrado, mas não foi. Só aqueles que detêm a prerrogativa são julgados pelo STF. Seria forçar uma barra muito grande julgarmos o processo sem que houvesse detentores da prerrogativa de foro. O Supremo é um tribunal compromissado com princípios”, diz ele. Para outro integrante da Corte, o problema está na atual legislação, que ainda permite as idas e vindas de processos a depender da aquisição ou não da prerrogativa de foro privilegiado. “O jeito será encontrarmos interpretações para evitar que esses casos sejam enviados para as instâncias inferiores, se esses parlamentares deixarem seus mandatos. Aí, sim, seria a impunidade oficializada. Torcemos para que isso não aconteça, mas admitimos que esse risco existe”, afirma o magistrado.


               E haja impostos estratosféricos para garantir o pagamento dos compromissos de desvios passados e dos novos desvios que, com conivência de diversas áreas, perpetuam-se por nossos poderes constituídos.




               Para colocar o pé no estribo e se despedir de mais uma semana, convido para escutar “Meu Ranchinho”, de Sebastião Vitor e Dino Franco, com (Lincoln Paulino da Costa) Liu & Léu (Walter Paulino da Costa), dupla da pequena cidade de Itajobi-SP.







               Até a próxima e um grande abraço para todos!



Wilmar Machado

sábado, 2 de julho de 2011

COM O PÉ NO ESTRIBO - NARA LEÃO SEM FRONTEIRAS

A maior prisão que podemos ter na vida é aquela quando
a gente descobre que estamos sendo não aquilo que somos,
mas o que o outro gostaria que fôssemos."
(Pe. Fábio de Melo)

Amigas e Amigos,

                Mais um sábado e vou encerrando mais uma semana aqui no Blog. Antes da música escolhida para hoje, publico alguns trechos da matéria publicada no portal G1 (http://g1.globo.com), de ontem, dia 1º de julho, sobre a manifestação do Dr. Roberto da Silva – 52 anos, professor, mestre, doutor, pesquisador da área de educação no sistema prisional e ex-detento – que discorda da utilização de horas freqüentadas por detentos para remição de suas penas, conforme nova legislação.

                Dr. Roberto deixa clara sua preocupação com um possível desvio dos objetivos de estudar, como já ocorreu com o trabalho dentro dos presídios. Na matéria do portal G1, pode-se ler que:
Uma alteração na Lei de Execução Penal publicada nesta quinta-feira (30) no Diário Oficial da União aponta que cada um dia de condenação poderá ser trocado por 12 horas de freqüência escolar. Assinada pela presidente Dilma Rousseff e pelos ministros da Justiça e da Educação, a medida vale tanto para condenados em regime fechado ou semiaberto. Para o professor Silva, se o governo quer introduzir a educação como política pública, é preciso conciliar os objetivos. "Rejeitamos tentar atribuir à educação um papel que é de outras instâncias da sociedade. A educação não pode assumir a tarefa de diminuir a lotação do presídio ou diminuir reincidência criminal, ou ainda, a violência e fugas dentro das prisões", afirma. [...] O especialista acredita que a educação possa ser utilizada no processo de abatimento da pena de maneira diferente da prevista em lei. Silva propõe que haja a remição a partir do cumprimento de objetivos e metas usando como referências às diretrizes curriculares das várias modalidades de ensino. [...] O professor diz que as necessidades educacionais de homens e mulheres presas não se resumem à elevação da escolaridade ou à redução da defasagem na relação idade-série. "Os alunos de modo geral não são premiados por horas de estudo ou tarefas feitas, e sim, pela conclusão dos ciclos. A educação não pode ser vulgarizada na prisão como foi o trabalho", diz. Silva acredita que a remição por tempo de trabalho - a cada três dias trabalhados é abatido um dia de pena - não ajudou a criar uma cultura pelo trabalho dentro da prisão. [...] Corpo docente desqualificado e material inadequado também contribuem para a baixa procura dos detentos pelas salas de aula, de acordo com o professor. [...] Quando foi preso por furto e roubo, em 1979, aos 20 anos, Silva tinha estudado até a 5ª série do ensino fundamental. "Fui preso porque vivia nas ruas e tudo que se faz nas ruas é passível de prisão", disse. Havia parado de estudar aos 15 anos, na Febem (atual Fundação Casa), onde viveu dos dois aos 18 anos. Na época, a Febem também funcionava como abrigo para órfãos e crianças afastadas dos pais pela Justiça, como foi o caso de Silva. Já adulto, passou dez anos detido e, como na época não havia oferta de educação nos presídios, voltou à escola somente após cumprir pena. Concluiu os ensinos fundamental e médio em curso supletivo e em seguida, aos 33 anos, ingressou no curso de pedagogia da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT). Após o término do curso, voltou a São Paulo onde concluiu mestrado, doutorado e livre docência em educação pela USP. Hoje Silva integra o corpo docente do curso de pedagogia da universidade.

                Como a gestão pública não nos permite, na maioria da vezes, perceber qualquer indicativo de gestão e, na quase totalidade das vezes, não caminha junto com transparência para os cidadãos, não há clareza nos objetivos da troca de horas (fazendo de conta) que estudam por diminuição de pena para detentos. Fica a sensação de que está sendo procurada uma forma de diminuir a superlotação dos presídios, ainda que coloque meliantes no dia-a-dia das populações brasileiras. 

                Esse amontoado de leis a que somos submetidos dá ideia de que legislar é ter "sacadas geniais", colocar no papel e usar o próprio país como laboratório. Algumas vezes pode dar certo. Na história recente, tivemos o Plano Real, que trouxe um pouco "dignidade" à nossa moeda - tão achincalhada naqueles tempos.

                Lembro do Plano Real para registrar a despedida a Itamar Augusto Cautiero Franco (morreu hoje, aos 81 anos), em cuja gestão como presidente da República foi implantado esse Plano, com medidas que garantiram a estabilidade econômica e o controle da inflação. Os governos posteriores puderam colher frutos daquelas medidas, fazendo de conta que geriram o país, mas sem recordar muito o Plano porque acabaria com muita fanfarrice governamental.




                Mesmo preocupado com mais bandidos na rua e com um sábado marcado pelo falecimento de Itamar, fica sempre a vontade de que o Brasil continue maior do que seus personagens - e suas, nem tão infrequentes, bobagens. A música de hoje derruba nossas fronteiras internas e parece propor uma integração maior através da música. A grande representante da Bossa Nova, a saudosa Nara Leão, canta de José Fogaça e Kledir Ramil a música "Hei de voltar pro Sul".


                Um grande abraço e até a próxima,

Wilmar Machado


sábado, 19 de março de 2011

COM O PÉ NO ESTRIBO - PRESENÇA FEMININA NA FESTA DE SÃO JOSÉ

Amigas e Amigos!

            Coloco o pé no estribo para fechar mais uma semana, em que o assunto que me chamou atenção – pela personagem e pela sensibilidade do texto – foi o artigo da Profª Maria Clara Bengimer, com o título “Maurina ou A Coragem da Inocência”, que li na página do jornal Extra (http://extra.globo.com) falando sobre a Irmã franciscana Maurina Borges da Silveira, que morreu no último dia 12 de março, em São Paulo, aos 87 anos.



            A Profª Maria Clara conta que Irmã Maurina foi a única freira presa e tortura pela ditadura militar brasileira, em 1969, quando tinha 43 anos e era diretora do Orfanato Lar Santana, em Ribeirão Preto, que abrigava estudantes militantes de um grupo guerrilheiro. Diz o artigo que:
Durante cinco meses a frágil mulher foi interrogada e barbaramente torturada: levou choques, foi pendurada no pau-de-arara e obrigada a assinar falsas confissões de ser amante de um dos militares. Ouviu insultos, calúnias, ameaças de morte, gritos. [...] O caso de Irmã Maurina – totalmente inocente - inspirou pessoas como dom Paulo Evaristo Arns, na época bispo auxiliar e depois cardeal e arcebispo de São Paulo, a se engajar na luta social. O Brasil inteiro recorda com admiração a coragem do cardeal paulista em denunciar e combater as torturas e violações aos direitos humanos que aconteciam nos cárceres brasileiros.
            Após um período no exílio, a Irmã Maurina voltou ao Brasil e a autora do artigo diz que ela afirmava sempre não sentir ódio ou rancor de seus detratores e torturadores e termina com uma verdadeira homenagem as mulheres:
Num momento em que as mulheres estão em alta no Brasil, vivendo a novidade de sua primeira presidente mulher, uma figura como a de Madre Maurina é digna de ser olhada com respeito e admiração. Sua coragem e fé inabalável diante das torturas, da prisão, do exílio varrem para bem longe o estigma de "sexo frágil" que pesa sobre a mulher em tom despectivo. A inocência e a fragilidade de Maurina foram transfiguradas em força pela graça d'Aquele a quem entregou sua vida. Agora, ressuscitada, ela o contempla sem véus nem parcialidades. Que interceda por nós, a fim de que possamos fazer um Brasil melhor para nossos filhos e netos.
            Hoje, já passados onze dias do Dia Internacional da Mulher, é um dia com uma lembrança muito forte das mulheres através de uma mulher que mudou o destino da humanidade com uma prova de confiança em Deus. Falo de Maria Santíssima, pois hoje é dia de São José, seu esposo, um santo de muita devoção – chega a ter duas festas: uma hoje e outra no dia 1º de maio, com o título de S. José Operário – cuja imagem está sempre muito associada à Sagrada Família. Na Sagrada Família, São José acompanha Maria e Jesus, mas aqui no Canto da Terra, Rodrigo Mattos se faz acompanhar de sua viola (e dos músicos que participam do CD “Brasil com S”) para cantar, de Téo Azevedo, a moda “Milagre de São José”.



            Agora, coloco meu pé no estribo para a saída de mais uma semana e deixo um grande abraço.

Wilmar Machado

sábado, 19 de fevereiro de 2011

COM O PÉ NO ESTRIBO - PROBRES, RICOS E CONVERSA MOLE...

Amigas e Amigos!

          A semana encerra com a notícia do encontro dos ministros de finanças do G20 (grupo de países ricos e dos principais emergentes) na França para adoção de indicadores que permitam avaliar os desequilíbrios globais. Na página de Economia do portal G1 (http://g1.globo.com/) tem uma matéria, informando que:
A reunião, que teve início na véspera com uma recepção e um discurso oferecido pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, deve finalizar no meio da tarde com um comunicado que deve indicar o grau de aproximação produzido na questão dos indicadores, assunto que a delegação alemã demonstrou otimismo neste sábado. [...] O representante chinês, Xie Xuren, mostrou sua oposição que, entre os indicadores para avaliar os desequilíbrios globais, se incluam as taxas de câmbio e as reservas de divisas. [...] O ministro brasileiro, Guido Mantega, concordou com seu colega chinês em opor-se a limitação das reservas de câmbio, pelo menos enquanto persistir o atual sistema monetário internacional onde o dólar segue monopolizando o espaço. [...] Para o titular brasileiro também não é interessante utilizar como indicador dos desequilíbrios a balança de conta corrente, já que como os chineses estimam que os intercâmbios de serviços e os fluxos de capitais são elementos que podem distorcer o fundamental, os saldos comerciais.

          É interessante perceber o interesse do "grupo de poderosos (ainda que alguns não muito)" em diminuir desequilíbrios globais. Difícil é entender a defesa dessa "bandeira" ao pensar que o mesmo ministro que defende essas idéias, após ter o seu salário majorado (com aumento sem qualquer explicação convincente), defendeu o valor mais baixo para o salário mínimo (não faço aqui qualquer juízo de valor sobre se esse seria ou não o melhor valor para o referido salário mínimo), com pressão sobre os parlamentares.



          Essas coisas que acontecem por aqui, de repente não tem nada a ver com "desequilíbrio global", mas acredito que fomentam o "desequilíbrio nacional", onde o rico está cada vez mais rico e o pobre cada vez mais pobre (mesmo com a infinidade de bolsas eleitoreiras que são distribuídas).

          Aí, para manter o ritmo do Com o Pé no Estribo de hoje, convido a ouvirmos Luís Goiano & Girsel da Viola com a múscia "O Pobre e o Rico". 


          Por ora, para terminar a semana, coloco o pé no estribo e deixo um grande abraço. Até a próxima.

Wilmar Machado

sábado, 15 de janeiro de 2011

COM O PÉ NO ESTRIBO - ENCHENTES E "CARA-DE-PAU"

Amigas e Amigos!

          A tragédia que toma conta do Rio de Janeiro nos chama, com certeza, a solidariedade sem questionamentos. A dor da perda de bens materiais, frutos de trabalho por muito tempo, e a dor imensurável da perda de parentes e amigos serão de difícil superação. Mas, dentro de nossas possibilidades é momento de encaminharmos nossas contribuições para amenizar sofrimentos que tem marcas maiores que as cicatrizes que imaginarmos. As contribuições devem ser materiais pois fome e doenças precisam ser superadas, mas não podemos esquecer que esses sobriventes estão necessitando saber que ainda existe amor. Cabe a nós mostrar-lhes que o amor continua.


 
          Mas a notícia que hoje li no UOL (http://www.uol.com.br/) - matéria da Folha de São Paulo -, sobre esse desastre na região serrana do Rio de Janeiro, é de difícil "digestão". Está publicado no refirido portal que:
Um estudo encomendado pelo próprio Estado do Rio de Janeiro já alertava, desde novembro de 2008, sobre o risco de uma tragédia na região serrana fluminense --como a que ocorreu na última segunda-feira e que já deixou ao menos 547 mortos [...] A situação mais grave, segundo o relatório, era exatamente em Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, os municípios mais devastados pelas chuvas e que registram o maior número de mortes. [...] O estudo apontou a necessidade do mapeamento de áreas de risco e sugeriu medidas como a recuperação da vegetação, principalmente em Nova Friburgo, que tem maior extensão de florestas. Quanto a Petrópolis e Teresópolis, o estudo informou que as cidades convivem com vários fatores de risco diferentes --boa parte da área urbana em montanhas e planícies fluviais-- e podem ser atingidas por desastres "capazes de gerar efeitos de grande magnitude".
          No final da matéria, é apresentada a declaração do governo sobre o assunto, com a seguinte "pérola":
O secretário do Ambiente do Rio, Carlos Minc, disse que o mapeamento de áreas de risco foi feito, faltando "apenas" a retirada dos moradores, e que os parques florestais da região também foram ampliados.

          O estudo é de 2008 - e nós estamos em 2011 - e a declaração do secretário dá idéia de que está tudo sobre controle. Não sei como vocês, minhas amigas e meus amigos, estão se sentido. Eu estou enjoado e cada vez mais acreditando que para nossos políticos pessoas importam muito quando se "transformam" em votos. Em entressafra de eleíções, nos brindam com preciosidades como essa acima.

          Para não inundar mais, convido vocês a ouvirem a bonita interpretação de Tonico & Tinoco para a música "Pingo d'água", de Raul Torres e João Pacífico.
 
          E por aqui, vou colocando meu pé no estribo, deixando um grande abraço para todos!
 
Wilmar Machado

sábado, 4 de dezembro de 2010

COM O PÉ NO ESTRIBO - ZÉ MULATO & CASSIANO

Amigas e Amigos!

          Mais uma semana que termina e amanhã, pela manhã, teremos mais um programa Canto da Terra, ao vivo, de 10h até o meio-dia, pelas Rádios Nova Aliança (de Brasília), 710 AM e 103,3 FM, e na página do Sistema Nova Aliança de Comunicação, http://www.novaalianca.org.br/, na Internet.

          No decorrer desta semana, recebi, no e-mail do programa (cantodaterra@gmail.com), correspondência do meu amigo Volmi Batista, da VBS Produções e Eventos, a agenda até o próximo dia 10 do mes de dezembro dos amigos Zé Mulato & Cassiano, uma dupla de irmãos violeiros, cantores e compositores da cidade de Patos de Minas-MG. A respeito de Zé Mulatao & Cassiano, pode-se encontrar no Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira que eles:
Retornaram às gravações, em 1997, pelas mãos da dupla Pena Branca e Xavantinho, que os levou ao compositor Vitor Martins, da gravadora Velas. No mesmo ano, gravaram o LP "Meu céu", com direção musical de Roberto Corrêa. Nesse disco, que contou com a participação de Roberto Corrêa, tocando viola em duas faixas, e mais os músicos Alex Queiroz, no contra-baixo acústico, Alencar 7 Cordas no violão de sete cordas, e Jamara Campos na rabeca, foram interpretadas o pagode-de-viola "Minha prisão", a guarânia "Estrela da manhã", a querumana "Coração vadio", as modas-de-viola "Caipira de gravata", "Violeiro" e "Campeão do espaço", e o cateretê "Recanto sagrado", todas de Zé Mulato; a toada "Meu céu", de Zé Mulato e Xavantinho; o batuque "O homem e a espingarda", de Zé Mulato e Churrasco; o samba-choro "Direito de cantar"; o cururu "Proparoesquisítono", e o cateretê "João Ninguém sem Terra", de Zé Mulato e Cassiano; o batuque "Lembrança de carreiro", de Antônio Vitor e a guarânia "Vale verde", de Daniel Fernandes. Receberam por este CD o Prêmio Sharp de melhor CD de música regional daquele ano.

          Para divulgação, publico abaixo a agenda que recebi e quem desejar maiores informações pode ligar para a VBS, nos telefone (61) 3301-1267:

EVENTO: VIOLAS E PONTEIOS
DATA: 05 de Dezembro
LOCAL: Praça Pública de Salto - SP
HORÁRIO: 21:00h

EVENTO: Aniversário da Cidade de Mauá -SP
DATA: 08 de Novembro
LOCAL: Teatro Municipal de Mauá - SP
HORÁRIO: 19:00h

EVENTO: FESTIVAL VOA VIOLA
DATA: 09 de Dezembro
LOCAL: SESC de Pinheiros - SP
ATRAÇÕES: Paulo Freire (SP), Mônica Salmaso (SP) e Zé Mulato & Cassiano.

          Para fechar bem essa nossa semana, vamos ouvir do CD "Meu céu", mencionado acima, o pagode de viola "Minha prisão", na interpretação desse dupla que tanto sucesso faz por onde se apresenta, contando muitos causos, cantando e tocando muita moda boa.



          Espero que tenha gostado da música de hoje e aguardo seus comentarios logo abaixo. Não se acanhe, nos dê o prazer de sua manifestação para continuarmos procurando melhorar sempre.

           Um grande abraço e até o próximo fim-de-semana!

Wilmar Machado

sábado, 27 de novembro de 2010

COM O PÉ NO ESTRIBO - A Arte da Guerra (no Morro)!

  Amigas e Amigos!

        Acompanhando pela televisão a ação policial no Rio de Janeiro contra a ocupaçao de alguns morros por traficantes, lembrei-me de uma citação:
Em operações militares, o terreno é um aliado importante do comandante. Avaliar, corretamente, a situação do inimigo, criando condições favoráveis para a vitória, e analisar os tipos de terreno e distâncias com muito cuidado, são os deveres básicos de um comandante sábio. Aquele que avalia corretamente esses aspectos e sabe aplicá-los, vencerá; aquele que é ignorante nestas normas e não sabe como empregá-las em guerra, será derrotado.
        Esse texto é do capítulo 10, do livro "A Arte da Guerra", de Sun Tzu, um general chinês que viveu por volta do século IV, a.C. Fiquei intrigado ao ver a quantidade de pessoas que fugiram, conforme mostravam as imagens da cobertura televisiva, sem que os policiais conseguissem interceptá-las. Para mim, estava claro que nem a situação do inimigo fora corretamente avaliada nem fora analisado o tipo de terreno.
  
         Minha idéias eram reforçadas pela entrevista do professor Paulo Sérgio Pinheiro, um dos autores do livro "Violência Urbana", à Livraria da Folha (http://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha), falando da política bélica reativa do Estado do Rio de Janeiro, dizia achar uma situação estranha a PM não ter conseguido interceptar os criminosos saindo por uma rota de fuga que deveria ter sido prevista.

        Preocupado com isso, comentei hoje com o Léo (Peter), meu filho e parcerio na produção do programa Canto da Terra e ele me trouxe um dado que eu não havia considerado: a principal rota de fuga deixada levava ao morro do Alemão, outro complexo habitacional dominado por traficantes. Cercar esta rota traria, pelo menos, dois incovenientes: a) a ação da polícia poderia ficar entre fogo cruzado dos que fugiam e dos que dominam o outro morro; e b) poderia levar a uma dispersão dos que ocupavam o morro do Alemão.

        A ação policial conduzida como foi permite que, agora à noite, as forças policiais cerquerm e atuem no morro do Alemão onde diversas facções (ou que nome se dê a esse tipo de coisa) estão concentradas. Essa análise me fez pensar que, de repente, o melhor lugar para a passagem do Ano Novo volte a ser a praia de Copacabana, em um Rio de Janeiro onde as pessoas se encantem de novo com a Cidade Maravilhosa.
        Espero, então, que essa "Tropa de Elite 3", ao vivo, tenha um final feliz para a população do Rio de Janeiro, como a maioria das produções cinematográficas, salientando que essa tem o cenário mais bonito do que qualquer outra: a própria cidade.

        E para homenagear a Maravilhosa Cidade do Rio de Janeiro de São Sebastião, vamos ouvir Renato Teixeira, cantando uma homenagem na história de "A primeira vez que fui ao Rio".

 

         E por aqui, vou colocando meu pé no estribo para encerrar esta semana. Até o próximo.

        Um grande abraço!

Wilmar Machado

sábado, 13 de novembro de 2010

COM O PÉ NO ESTRIBO - Patrimônio Histórico

      Na coluna desta semana do jornalista Ricardo Boechat, na revista "Isto É", pode-se encontrar que:
Segue a toque de caixa a reforma do Hotel Glória, no Rio de Janeiro, ­adquirido por Eike Batista. Ocorre que, com as obras, o local perde sua história. Após a derrubada do tradicional teatro e do quarto onde Einstein concluiu o manuscrito da comunicação científica sobre a teoria da luz (1925), sob golpes de marreta caiu a suíte presidencial onde Getúlio Vargas morou. Lembranças do ex-presidente agora só no memorial em frente, na praia do Russel, erguido pela Prefeitura do Rio, ou no Palácio do Catete, um pouco adiante, no bairro do Flamengo.
      Pensar que tratamos nossa história de forma tão leviana deve ser motivo para, pelo menos, refletirmos sobre o que podemos esperar de nosso futuro se nos presente não aprendemos com nosso passado. Preocupante é ver que alguns comentários a essa nota dão conta de que a modernização ou a preparação para a próxima Copa do Mundo de Futebol ou, ainda, a acomodação "confortável" de turistas nas Olimpíadas justificam plenamente as reformas da forma que estão sendo conduzidas. Outra justificativa que não acompanho a magnitude do pensamento fica por conta do "crescimento" econômico.

      Por outro lado, vale a pena um "passeio" por alguns lugares do mundo, através de algumas publicações. Vamos começar esse nosso passeio pela wikipedia, que diz sobre o Palácio de Versailles:
O Palácio de Versalhes (em francês: Château de Versailles) é um château real localizado na cidade de Versalhes, uma aldeia rural à época de sua construção, mas actualmente um subúrbio de Paris. Desde 1682, quando Luís XIV se mudou de Paris, até a família Real ser forçada a voltar à capital em 1789, a Corte de Versalhes foi o centro do poder do Antigo Regime na França. Em 1660, de acordo com os poderes reais dos conselheiros que governaram a França durante a menoridade de Luís XIV,[3] foi procurado um local próximo de Paris mas suficientemente afastado dos tumultos e doenças da cidade apinhada.
      Ainda nessa mesma enciclopédia virtual, encontramos sobre o Museu do Prado, em Madri:
Quando o rei Carlos III regressou de Nápoles à sua cidade natal, apercebeu-se de que Madrid não havia melhorado em nada desde que de lá tinha saído: Madrid continuava aquele lugar que, convertido repentinamente em capital por obra e graça de Filipe II, cresceu precipitada e desordenadamente e de um modo pouco consistente. Decidiu assim encarregar Juan de Villanueva, o arquitecto real, de projectar um edifício destinado às Ciências e que pudesse albergar o Gabinete de História Natural. [...] As obras de construção do museu prolongaram-se por muitos anos, ao largo de todo o reinado de Carlos IV. Porém, a chegada dos franceses a Espanha e a Guerra da Independência, interromperam-nas. Foi então utilizado para fins militares, tendo-se aqui estabelecido um quartel militar. Neste momento começou a deterioração do edifício, que se notava cada vez mais, à medida que os anos avançavam. Aborrecidos, Fernando VII e a sua esposa, Maria Isabel de Bragança, puseram fim a tal situação, impedindo que o museu chegasse à ruína total e recuperando-o. Isabel foi a grande impulsionadora deste projecto e é a ela que se deve o êxito final, mesmo que não tenha vivido para saboreá-lo, pois morreu um ano antes da grande inauguração do museu, a 19 de Novembro de 1819.
      É importante lembrar aqui o que o Guia da Cidade, de Lisboa, diz sobre o Mosteiro dos Jerônimos, construído próximo ao local de onde sairam as grandes expedições que propiciaram tantas conquistas e o próprio Descobrimento do Brasil:
Obra fundamental da arquitectura Manuelina, o Mosteiro dos Jerónimos foi encomendado pelo rei D. Manuel I, pouco depois de Vasco da Gama ter regressado da sua viagem à Índia. A obra iniciou-se em 1502 com vários arquitectos e construtores, entre eles Diogo Boitaca (plano inicial e parte da execução) e João de Castilho (abóbodas das naves e do transepto, pilares, porta sul, sacristia e fachada). No reinado de D. João III foi acrescentado o coro alto. O seu nome deriva do facto de ter sido entregue à Ordem de São Jerónimo, nele estabelecida até 1834. Sobreviveu ao sismo de 1755 mas foi danificado pelas tropas invasoras francesas enviadas por Napoleão Bonaparte no início do século XIX. Inclui, entre outros, os túmulos dos reis D. Manuel I e sua mulher, D. Maria, D. João III e sua mulher D. Catarina, D. Sebastião e D. Henrique e ainda os de Vasco da Gama, de Luís Vaz de Camões, de Alexandre Herculano e de Fernando Pessoa. Os elementos decorativos são repletos de símbolos da arte da navegação e de esculturas de plantas e animais exóticos.
      E quando se visita a Europa, lá estão os Palácios e o Museus que nos propiciam, conforme o professor Matias Pereira, da Universidade de Brasília, com sua sabedoria, comenta com seu alunos emocionado "uma oportunidade de pisarmos em nossa história". Se o franceses, os espanhóis e os portugueses tivessem o pensamento voltado para o lucro e o crescimento econômico, acima de tudo, provavelmente, teríamos grande dificuldades de experimentarmos tantas emoções como as que nos são permitididas por essas visitas.

       Entre o que podemos perder com a modernização do Hotel Glória, sem a preocupação fundamental com sua restauração, estão tópicos descritos no próprio site do hotel que diz:
O Hotel Glória, inaugurado em 1922, foi o primeiro hotel 5 estrelas do Brasil. Construído a pedido do presidente da República Epitácio Pessoa para sediar o Primeiro Centenário da Independência do Brasil, o luxuoso e ousado projeto arquitetônico foi desenvolvido pelo arquiteto francês Joseph Gire e representou um marco da hotelaria no Brasil e na América do Sul durante décadas, com algumas características, tais como: Primeiro prédio em concreto armado do Brasil; Primeiro hotel com banheiros e telefones em todos os 180 quartos iniciais; Primeiro hotel com heliponto no Rio de Janeiro; Uma das primeiras piscinas em hotéis do Rio de Janeiro; A primeira sauna; Primeiro hotel com central telefônica com tarifador automático;  Primeiro hotel com sala e equipamentos para videoconferência.
      Mas, sempre resta o consolo de que, quando sentirmos necessidade de revisitarmos a história, a Europa pode nos acolher e muito bem. Por aqui, cultura é coisa de gabinete ou... Vou parar por aqui, que já está batendo uma saudade de nossos prédios tão bonitos e tão pouco considerados. Convido vocês para escutarmos, juntos, Renato Teixeira cantando a belíssima "Saudade".



        E por aqui, vou colocando meu pé no estribo para encerrar esta semana. Até o próximo.

       Um grande abraço!

Wilmar Machado