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sexta-feira, 29 de junho de 2012

GALERIA SERTANEJA – AUÊ UÊ UÊ Ê BOI!


O homem poderoso que junta a eloquência à audácia
torna-se num cidadão perigoso quando lhe falta bom senso.
(Eurípedes)



Amigas e Amigos,


O controle de salários da classe política brasileira lembra a fábula portuguesa sobre a raposa no galinheiro. Como a remuneração é definida pelos próprios beneficiados, é humanamente explicável a tentação imposta a esses setores pela própria circunstância. Isso é motivo para mais um aumento esdrúxulo proporcionado em benefício próprio pelos vereadores da cidade de Cravinhos-SP.





É interessante pensar sobre o salário médio dos professores do ensino fundamental de Cravinhos, como na maioria das cidades brasileiras, deve estar por volta de R$ 1.500,00. Se os professores pensarem em um aumento de 1% (R$ 15,00) ou 2% (R$ 30,00), provavelmente nenhum dos vereadores de Cravinhos ficará sensibilizado com essa ideia. Os professores, conforme temos visto em situações semelhantes, entrarão em greve, que somente terminará quando eles não aguentarem mais tanta indiferença e voltarão para o trabalho com algumas promessas e sem nada de concreto.

Assim como os professores, nenhuma classe trabalhadora pode definir seus aumentos salariais. Isso deveria ser estendido para todos os que são remunerados, principalmente para os que recebem a partir de verbas públicas, para se evitar notícias pouco agradável como a publicada pelo portal Folha.com, nesta quinta-feira, informando que:
A Câmara de Cravinhos (292 km de São Paulo) aprovou nesta quarta-feira (27) um reajuste salarial de 44% nos salários dos vereadores para o próximo mandato, passando dos atuais R$ 4.147 para R$ 6.000.O projeto de lei que estabeleceu o aumento foi protocolado na segunda-feira (25) e votado dois dias depois. De acordo com o presidente do Legislativo, Éder Agrella Alves (PSDB), a proposta foi aprovada por unanimidade.Segundo Alves, o índice foi discutido antes de o projeto ser apresentado, sendo estabelecido um consenso entre os nove parlamentares. "Todos concordaram com o novo valor", disse. Para justificar o aumento, ele afirma que os vereadores não tiveram reajustes na atual legislatura. "Se dividir esse reajuste aprovado [de 44%], dá 11% ao ano, que é um bom índice." Alves disse não considerar a decisão abusiva. "É justo sim. Trabalhamos muito, dia e noite. É uma atuação de responsabilidade e merece essa remuneração", afirmou.Em 2010, os vereadores de Cravinhos já haviam aumentado o número de vagas na Câmara para a próxima legislatura, de nove para 13 cadeiras. Reajustes de salários e do número de vereadores causaram polêmicas em outras Câmaras da região de Ribeirão Preto. Houve recuo em decisões tomadas em Ribeirão Preto, Jaboticabal, Franca, Araraquara, Bebedouro e Guariba.


Além do abuso – ou mau uso – de verbas públicas, as justificativas apresentadas parecem navegar entre o deboche e o cinismo. A aprovação por unanimidade, a concordância de todos os beneficiados com o novo valor e a explicação econômica para explicar como o índice de quase 50% não foi abusivo são verdadeiras pérolas, presentes em tantas situações semelhantes. Agora o trabalhar muito – dia e noite – extrapola qualquer texto que pudesse ser pensado para um roteiro cômico de sucesso.


Com essa carga de informações, lembrei de um personagem de uma música do saudoso compositor paulista Teddy Vieira (de Azevedo). E essa história, de um boiadeiro, penso que deixaria muitos que afirmam trabalhar muito - dia e noite - envergonhados (se ainda souberem o que significa vergonha). Para conferir, a letra está publicada abaixo.

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BOIADEIRO ERRANTE
                                  Teddy Vieira

Eu venho vindo de uma querência distante.
Sou um boiadeiro errante,
Que nasceu naquela serra.
O meu cavalo corre mais que o pensamento,
Ele vem no passo lento
Porque ninguém me espera!


Tocando a boiada – Auê  uê uê ê boi! –
Eu vou cortando estrada – Uê boi!
Tocando a boiada – Auê-uê-uê-ê boi! –
Eu vou cortando estrada!

Toque o berrante com capricho, Zé Vicente,
Mostre para essa gente
O clarim das alterosas.
Pegue no laço, não se entregue companheiro,
Chame o cachorro campeiro
Que essa rês é perigosa!

Olhe na janela – Auê uê uê ê boi! –
Que linda donzela – Uê boi!
Olhe na janela - Auê uê uê ê boi! -
Que linda donzela!

Sou boiadeiro, minha gente o que é que há?
Deixe o meu gado passar,
Vou cumprir com a minha sina.
Lá na baixada quero ouvir a siriema,
Prá lembrar de uma pequena
Que eu deixei lá em Minas!

Ela é culpada – Auê  uê uê ê boi! –
De eu viver nas estradas – Uê boi!
Ela é culpada – Auê  uê uê ê boi! –
De eu viver nas estradas!

O rio tá calmo e a boiada vai nadando.
Olhe aquele boi berrando,
Chico Bento corre lá!
Lace o mestiço, salve ele das piranhas,
Tire o gado da campanha
Pra viagem continuar!

Com destino a Goiás – Auê  uê uê ê boi! –
Deixei Minas Gerais – Uê boi!
Com destino a Goiás – Auê  uê uê ê boi! –
Deixei Minas Gerais – Uê boi!


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Na Galeria Sertaneja de hoje, a interpretação de “Boiadeiro Errante” é da dupla que gravou essa música em 1959, os irmão Liu e Léu.


         

 Um grande abraço e até a próxima!

sábado, 2 de junho de 2012

GALERIA SERTANEJA – PROPAGANDA ELEITORAL. FORTUITA?



O que me impressiona, à vista de um macaco, não é que ele tenha sido nosso passado:
é este pressentimento de que ele venha a ser nosso futuro.
(Mário Quintana)




Amigas e Amigos,


Se na última semana fomos levados a refletir sobre os atentados ao estado democrático de direito levados a termo, conforme foi noticiado, pelo ex-presidente Lula em seu amigável encontro com o ministro Gilmar Mendes, essa semana parece trazer uma situação mais grave ainda. Falo aqui do aparente desafio à própria justiça com a repetição de personagem.



O portal Folha.com, publicou ontem que uma matéria sobre a transformação do Programa do Ratinho em um palanque para o candidato Haddad, em um momento em que ainda não é permitida a propaganda eleitoral. Diz o portal que:
A participação do ex-presidente Lula no "Programa do Ratinho", do SBT, se transformou em um palanque eleitoral para o pré-candidato petista em São Paulo, Fernando Haddad. "São Paulo preciesa ter alguém que tenha o entusiasmo que ele teve quando era ministro", disse o ex-presidente, ao explicar porque indicou Haddad. Em sua primeira aparição em um programa de televisão após a descoberta do câncer na laringe, Lula ficou no ar por mais de 40 minutos. [...] Na metade da participação, Haddad foi convidado por Ratinho a subir ao palco para falar. "A população votará no novo porque a população de São Paulo quer mudança", disse o ex-ministro, que ainda falou de sua gestão na Educação. O começo do programa, porém, foi marcado por uma gafe de Lula. Ao fazer referência a Haddad, Lula disse que o ex-ministro deve ser torcedor do Santos. O pré-candidato respondeu que seu time do coração, na verdade, é o São Paulo. [...] O ex-presidente afirmou que foi ao programa por conta da amizade que tem com o apresentador. "Perguntam por que escolheu o Ratinho. Porque já comi rabada na casa dele e ele na Granja do Torto", disse Lula.

          Provavelmente, sem um estudo mais detalhado e aprofundado, poucos conseguirão justificativa melhor para escolher um programa – de rádio ou televisão – do que a degustação de uma rabada. Dispensando maiores considerações sobre a “embasada” justificativa e o atentado contra a Lei eleitoral, fica a dúvida sobre a opção do candidato Haddad de recordar a sua desastrosa atuação – coroada pelas confusões no Enem (Exame Nacional de Ensino Médio) – como gestor da educação, enquanto esteve ministro. Seria propaganda ou “tiro no pé” do candidato?

Por conta do conluio entre Lula e Ratinho (não se trata de antropomorfismo), o PPS vai recorrer a Justiça Eleitoral, conforme noticiado ontem pelo Valor Econômico, que informou:
O diretório estadual do PPS em São Paulo vai recorrer à Justiça Eleitoral contra a exibição da entrevista do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva e do pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, para "Programa do Ratinho", do SBT. O partido alega que na entrevista, realizada na quinta-feira, ficou caracterizada a propaganda eleitoral antecipada. Em nota, o presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire (SP), afirmou que Lula dá uma demonstração "de seu total desprezo pelas leis e pelo Estado de Direito". Freire diz que Lula não tentou "fingir seu claro propósito" de fazer propaganda eleitoral antecipada em favor de Haddad. "O diretório do PPS de São Paulo está ingressando com medida judicial no TRE para que mais uma desfaçatez do ex-presidente Lula seja exemplarmente punida. A igualdade entre os candidatos a prefeito está ameaçada. Esperamos que a Justiça Eleitoral cumpra o seu papel com o rigor que o caso exige", declarou Freire no texto. "O que o ex-presidente e seu candidato - com o auxílio do SBT - fizeram é um ilícito eleitoral. A lei não permite que um pré-candidato, acompanhado de seu principal cabo eleitoral, transforme um programa de televisão em um palanque de campanha", continuou. O parlamentar também faz críticas ao dono da emissora, Silvio Santos, "pelo favor prestado ao PT". O presidente do PPS ressaltou o fato de a entrevista ter sido transmitida em um canal aberto de televisão - uma concessão pública. "Nunca é demais lembrar, e por isso é tudo tão previsível, que o senhor Sílvio Santos - o célebre dono do canal de televisão em tela ex-controlador do Banco Panamericano - quisesse agraciar o ex-presidente que tanto o ajudou", disse. Freire fez referência à crise desencadeada em 2010 com as notícias de que o Banco Panamericano vendeu carteiras de crédito para outras instituições financeiras, mas continuou contabilizando esses recursos como parte do seu patrimônio. O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) do governo cobriu à época parte do rombo do Panamericano e viabilizou sua venda para o BTG Pactual.

Fica parecendo – como não existe certeza sobre o adiamento do mensalão, apesar de todas e desesperadas tentativas que estão sendo buscadas de formas com licitude, pelo menos, duvidosa – que já existe alguma preocupação com o impacto que o resultado daquele julgamento poderá provocar nas campanhas dos candidatos relacionados aos réus que porventura venham a ser condenados.

Como nem sempre as vozes do poder nos permitem entender o que se fala nesses meios, essa Galeria Sertaneja traz “Vozes Rurais”, sempre mais diretas e sinceras do que outras vozes citadas. “Vozes Rurais” é uma composição de João de Almeida de Neto.



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VOZES RURAIS
                                  João de Almeida Neto


Cada vez que um campeiro abre o peito
Num galpão interior que ele traz
Quem não quer o Rio Grande cantando
Com razões sem sentidos desfaz


Mas no meio de tantos estranhos

Momentistas e circunstanciais
Surge o forte refrão das campanhas
Entoado por vozes rurais



Dê-lhe boca essas bocas cantoras

Redentora da voz dos galpões
Dê-lhe pata e desata esse brado
Dos sagrados rituais dos fogões



E entre cantos que negam e fogem

Aos atávicos tons musicais
Estão eles de bota e bombacha
Sustentando os padrões culturais



Que não falte coragem a esses homens

Contra o tempo agüentando o repuxo
E que a estranhas tendências imponham
O autêntico canto gaúcho


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         Na Galeria Sertaneja de hoje, vamos ouvir “Vozes Rurais” com o seu autor, João de Almeida Neto.

 

         Um grande abraço e até a próxima!

sexta-feira, 18 de maio de 2012

GALERIA SERTANEJA – TEM BOI NA LINHA...



Quem não tem vergonha não tem consciência.
(Thomas Fuller)






Amigas e Amigos,



Hoje, ao acessar o portal G1, encontrei que a CPI da moda, a do Cachoeira, aprovou a quebra de sigilos da construtora Delta somente para o Centro-Oeste e o Tocantins, ainda que a construtora tenha atuado – e ainda atue, sendo a grande parceira do PAC – em outros estados.


A matéria do G1 diz que:
A Comissão Parlamentar de Inquérito criada para apurar o elo do bicheiro Carlinhos Cachoeira com políticos e empresários aprovou nesta quinta-feira (17) a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico da construtora Delta. Serão investigados dados das filiais da empresa em Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal. Segundo investigação da Polícia Federal, a Delta, uma das empresas com mais contratos com o governo federal, repassou dinheiro para empresas fantasmas que abasteciam o grupo de Cachoeira. [...] Outras empresas citadas nas investigações da PF também tiveram os sigilos quebrados. Durante a votação do requerimento, deputados e senadores da oposição defenderam que a CPI quebrasse os sigilos da empresa Delta em todo o país, não apenas das filiais da empresa no Centro-Oeste e Tocantins. Essa proposta ainda vai a votação. “A gente vai separar o que a gente acha que tem indício e deixar de investigar a empresa no restante do país? A Controladoria Geral da Uinião indicou 60 contratos da Delta sob investigação por superfaturamento”, argumentou o deputado Fernando Francischini (PSDB-DF). Já o relator da CPI, Odair Cunha, defendeu que apenas a Delta Centro-Oeste, que foi comandada por Claudio Abreu, tivesse o sigilo quebrado.

Sempre que ouço falar em instauração de CPI, imagino que os membros do poder legislativo que a conduzirão estão em um momento de marasmo, necessitando criar um passatempo para fazerem de conta que estão preocupados com alguma coisa. E essa, dá ainda mais a impressão, pelos vícios apresentados em seu início, que não terá andamento diferente das anteriores, talvez com o agravante de seus integrantes aparentarem estar ainda mais preocupados com qualquer possibilidade de investigação séria. Poderá até ser tornar conhecida como a CPI dos rabos presos.

O portal do Estadão, também hoje, tratou desse assunto, reforçando a ideia acima do passatempo de parlamentares, mostrando que fortes indícios de irregularidades não serão considerados quando envolver “parceiros” fiéis. Diz o Estadão que:
A comissão, porém, não colocou em votação os requerimentos para convocar os governadores Sérgio Cabral (PMDB-RJ), Marconi Perillo (PSDB-GO) e Agnelo Queiroz (PT-DF), o que levantou protestos da oposição. [...]  Parlamentares também criticaram a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico da Delta Construções restrita às filiais da empreiteira localizadas na região Centro-Oeste. Com a decisão, a medida abrangerá as regionais da Delta em Tocantins, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal. Foi firmado um compromisso para votar a quebra ampliada apenas no dia 5 de junho.   O relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), disse que não há indícios para propor uma quebra de sigilo "ampla, geral e irrestrita" da empreiteira. Para ele, a ligação da Delta com o contraventor Carlinhos Cachoeira, até o momento, era feita apenas pelo ex-diretor da região Cláudio Abreu.

Enquanto nossos simpáticos representantes deixam o tempo passar trocando sustentáveis teorias do tipo “eu acho que sim” e “eu acho que não”, o “rolo” vai, cada vez mais, se anuviando. Parecendo ser insuficiente a ponta do iceberg de lama já aparente, a transação envolvendo a construtora com um frigorífico, e um noticiado envolvimento do BNDES-Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, parece não exalar um cheiro que possa ser classificado como bom.





Em outra matéria do Estadão, é noticiado o inquérito civil público que foi aberto pelo procurador da República Edson Abdon para investigar a venda da Delta ao grupo J&F Participações. Esse grupo é dono do frigorífico JBS, que tem 31,4% das suas ações controladas pelo BNDES. O Estadão, hoje, também diz que:

O objetivo da investigação, pedida na semana passada pelo procurador regional da República no Rio de Janeiro, Nivio de Freitas Silva Filho, é evitar que os controladores da construtora - mais de 80% são propriedade do empresário Fernando Cavendish - fujam ao pagamento de eventuais prejuízos causados por supostas irregularidades cometidas pela empresa. [...] A venda da Delta, anunciada na semana passada, foi recebida com estranheza pelo mercado. Não houve, segundo anunciado, desembolso de dinheiro. Os novos controladores terão dois meses para administrar a empreiteira e examinar sua contabilidade e compromissos, para então anunciar se vão realmente comprá-la. Cavendish, que se afastara do Conselho de Administração da empreiteira, não teria alternativa - a outra seria aceitar a falência, já que a perda de credibilidade lhe fechou portas de financiamentos pelos bancos. Integrante da área de Patrimônio Público da Divisão de Tutela Coletiva do Ministério Público Federal no Rio, Abdon oficiou ao BNDES para que explique sua eventual participação no negócio. O banco nega ter tido influência na compra e afirma que é somente sócio de uma controlada do J&F, sem influência na holding - embora a maior delas. O procurador também pediu informações sobre a venda à própria Delta e à J&F. Há suspeita de influência política no negócio, já que interessaria ao governo que a Delta, detentora de muitos contratos de obras federais, não falisse, e teme-se que recursos públicos acabem injetados na empreiteira. O Palácio do Planalto nega ter influenciado no caso e afirma que a empreiteira poderá ser declarada inidônea.


Todo esse “jogo de empurra" parece confirmar a impressão que tive quando disse que se o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) fosse um rio, teria uma “cachoeira” em seu “delta”. A partir dos novos desdobramentos e das mal explicadas histórias do frigorífico e a construtora, passo a pensar que o PAC está mais para uma “Maria Fumaça” que não consegue andar porque “tem boi na linha”.

         Esse intrigante caso da venda da Delta fez com que escolhesse, para esta Galeria, uma música de Adalto Ezequiel (o Carreirinho), Isaltino Gonçalves de Paula e Pedro Lopes de Oliveira, com o título de “Boi Soberano”, com a letra abaixo.

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BOI SOBERANO

                                   Carreirinho, Isaltino de Paula e Pedro L. de Oliveira



Me alembro e tenho saudade do tempo que vai ficando
Do tempo de boiadeiro que eu vivia viajando
Eu nunca tinha tristeza vivia sempre cantando
Mês e mês cortando estrada no meu cavalo rumando.
Sempre lidando com gado, desde a idade de 15 anos
Não me esqueço de um transporte, seiscentos bois cuiabanos
No meio tinha um boi preto por nome de Soberano!


Na hora da despedida o fazendeiro foi falando
Cuidado com esse boi que nas guampas é leviano
Esse boi é criminoso já me fez diversos danos
Tocamos pela estrada naquilo sempre pensando
Na cidade de Barretos, na hora que eu fui chegando.
A boiada estourou ai, só via gente gritando.
Foi mesmo uma tirania, na frente ia o Soberano.


O comércio da cidade as portas foram fechando
Na rua tinha um menino de certo estava brincando
Quando ele viu que morria de susto foi desmaiando
Coitadinho debruçou na frente do Soberano
O Soberano parou ai, em cima ficou bufando.
Rebatendo com o chifre, os bois que vinham passando.
Naquilo o pai da criança de longe vinha gritando!


Se esse boi matar meu filho eu mato quem vai tocando
E quando viu seu filho vivo e o boi por ele velando
Caiu de joelho por terra e para Deus foi implorando
Salvai meu anjo da guarda desse momento tirano
Quando passou a boiada, o boi foi se retirando
Veio o pai dessa criança e comprou o Soberano
Esse boi salvou meu filho, ninguém mata o Soberano!



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         A interpretação hoje é da dupla Tião Carreiro e Pardinho.

   

         Um grande abraço e até a próxima!



sábado, 12 de maio de 2012

GALERIA SERTANEJA – RIO DE LÁGRIMAS... E VERBAS PERDIDAS


É mais fácil encontrar quem chore com as nossas tristezas
que quem rejubile com as nossas alegrias.
(Jacinto Benavente y Martinez)






Amigas e Amigos,

Já havia escolhido a música – “Rio de Lágrimas” – para esta Galeria Sertaneja, quando escutei na rádio CBN que o deputado Acelino Popó Freitas usou o seu gabinete político para promoção de um evento pessoal. Fica a impressão de que o mau uso da máquina pública transborda mais do que o rio de Piracicaba.

Esse – talvez não raro – uso indevido do gabinete ficou patente no e-mail oficial do deputado, convidando para a luta de sua  despedida do pugilismo, que acontecerá no cassino Conrad, em Punta Del Este (Uruguai), no próximo dia 2 de junho.




Na página de CBN, na Internet, foi publicado o e-mail enviado às 16h33, do ontem, pelo ex-pugilista e deputado, com o seguinte título: “Dep. POPÓ convida para sua Luta de Despedida”. Abaixo, segue a transcrição do teor do convite (que foi encaminhado com o cartaz do evento):
Olá Amigo,Tenho o prazer de encaminhar o CONVITE ESPECIAL para minha luta de despedida do boxe. Muito me honraria a sua presença.Informo que o meu gabinete estará dando suporte para os interessados em participar do evento. Peço a gentileza de entrar em contato com Wendell ou Alessandra pelos ramais 52576/51576.Gostaria de destacar que à empresa All in Tour é a única responsável pelas hospedagens dentro do próprio CONRAD e estará devidamente preparada para lhe atender.

Acredito que o uso indevido de crase seja o menor problema dentre os que se evidenciam com esse e-mail. Mesmo com toda a informalidade proporcionada pela Internet, um e-mail oficial de um deputado federal tem um apelo mais significativo do que seria conseguido com um e-mail pessoal.

Além disso, o fato dos dois funcionários que, prestando serviços ao gabinete e sendo remunerados com verbas públicas, estarão dando suporte pode significar – pelo extenso período que estarão a disposição do evento pessoal do deputado – que tenhamos nos gabinetes pessoal sem trabalho e ocupando vagas.

Mas a grande preocupação é com a propaganda da empresa de turismo, que foi feita de forma oficial pelo deputado para os que eventualmente queiram acompanhá-lo nessa despedida dos ringues. Segundo informação da própria CBN a empresa não seria a “única responsável pelas hospedagens dentro do próprio CONRAD” como constou no e-mail.

No cartaz da luta que acompanha o convite, aparece uma declaração de Popó, onde a sua luta de despedida é dedicada a “todo o povo brasileiro, que precisa de um ídolo, uma referência”. Mas será que esse ídolo, ou essa referência, que o povo brasileiro precisa pode ser alguém que faz esse tipo de uso do erário?


          A despedida do desportista não mereceria a mancha provocada pelo mau exercício do cargo público, mas as “tentações” propiciadas pelas certezas de impunidade para tais delitos devem ter sido difíceis de resistir.

          A música de hoje, “Rio de Lágrimas”, foi composta nos anos 60 por Lourival dos Santos (1917-1997), Tião Carreiro (1934-1993) e Piraci (1917-1974). Segundo dizia Lourival dos Santos, a inspiração para essa música foi “Marrequinha da Lagoa”, música cantada por Isaurinha Garcia.

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RIO DE LÁGRIMAS
                                  Lourival do Santos, Tião Carreiro e Piraci


O rio de Piracicaba vai jogar água pra fora
Quando chegar a água dos olhos de alguém que chora.

La na rua onde eu moro só existe uma nascente
A nascente dos meus olhos já formou água corrente
Pertinho da minha casa já formou uma lagoa
Com lagrima dos meus olhos por causa de uma pessoa.

O rio de Piracicaba vai jogar água pra fora
Quando chegar a água dos olhos de alguém que chora.

Eu quero apanhar uma rosa, minha mão já não alcança
Eu choro desesperado igualzinho a uma criança
Duvido alguém que não chore pela dor de uma saudade
Quero ver quem que não chora quando amar de verdade.

O rio de Piracicaba vai jogar água pra fora
Quando chegar a água dos olhos de alguém que chora.



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         Para encerrar a Galeria Sertaneja de hoje, fica a interpretação de “Rio de Lágrimas” com a dupla responsável pela primeira gravação (considerado o maior sucesso deles): Tião Carreiro e Pardinho.





         Um grande abraço e até a próxima!

quinta-feira, 10 de maio de 2012

TERTÚLIA NATIVA – PREFEITO DE ARAQUE


Quando vemos um gigante, temos primeiro de examinar a posição do sol
e observar para termos certeza de que não é a sombra de um pigmeu.
(Friedrich Von Hardenberg Novalis)



Amigas e Amigos,

Notícia de ontem, do portal G1, sobre a aplicação de golpes de um “falso” prefeito que teria aplicado golpe em empresários merece uma reflexão. Não penso que, no contexto apresentado, o crime de estelionato ou a assunção de cargo de maneira fraudulenta possam ser a grande inquietação.


 


Antes de continuarmos as considerações sobre essa temática, penso ser interessante publicar a informação do G1:
O homem, suspeito de aplicar golpes em empresários se passando por prefeito de várias cidades, preso nesta quarta-feira (09) em Bauru, SP, tem uma ficha criminal de mais de 10 metros. Ele já havia sido preso pelo mesmo tipo de golpe em 2006 e respondia em regime aberto quando foi flagrado cometendo o mesmo crime. O homem, de 61 anos, se apresentava como prefeito para donos de construtoras e empresas de pavimentação asfáltica. O golpista mostrava interesse em contratar os serviços, mas, em contrapartida, pedia doações em dinheiro para reformar escolas e creches. “Mas, tudo não passava de um golpe muito bem articulado. Ele sempre pedia para os empresários ligarem no celular dele porque ele estaria em viagem ou compromissos fora, para assim a pessoa não ligar da prefeitura e constatar que era um golpe e não estava realmente falando com o prefeito”, explica o delegado Jader Biazon. Imagens gravadas pela polícia durante as investigações mostram o golpista e seus comparsas sacando, no banco, o dinheiro depositado pelas vítimas. Segundo a polícia, pelo menos 50 empresários de São Paulo, Minas Gerais e Paraná caíram no golpe e doaram entre R$2 mil e R$25 mil. O golpista escolhia empresas que já tinham prestado serviços às prefeituras de grandes cidades, e se passava por prefeito de municípios vizinhos. O mapa feito pela polícia mostra a extensão alcançada pelos golpistas. Na região Centro-Oeste, eles conseguiram tirar dinheiro de empresários de Ourinhos, Marília, Assis e Agudos. Além do golpista que se passava por prefeito, mais três pessoas que faziam parte do esquema foram presas em Bauru e Agudos. Os quatro tiveram a prisão temporária decretada pela Justiça e foram encaminhados para Penitenciária de Pirajuí e vão responder pelo crime de estelionato.

Continuando essa avaliação dos fatos, chama à atenção, em primeiro lugar, a forma dos contatos iniciais com as futuras vítimas. O suspeito, ao se apresentar como prefeito mostrava interesse em contratar as empresas para obras públicas e já sinalizava com a necessidade de alguns “adiantamentos” para reformas na “sua jurisdição”.

Em segundo lugar, a escolha das vítimas, onde eram selecionadas empresas prestadoras de serviços a outras prefeituras, o que aparentemente os suspeitos consideravam com maior probabilidade de “novas oportunidades” serem bem acolhidas.

Como último ponto desta análise, a quantidade de golpes com “sucesso” não foi, aparentemente, muito pequena e a extensa delimitação geográfica de atuação do grupo (os estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná). Esses três estados já foram mapeados, mas podem surgir vítimas de outras regiões no decorrer do processo.

Com todos os fatos considerados, pode-se pensar – com preocupação – sobre a maneira das empresas acostumadas a negociar com prefeituras, no caso as escolhidas pelos suspeitos, “abraçarem” as causas do “pseudoprefeito” como uma prática natural para todos os envolvidos. A equipe das “falsas prefeituras” foi desbaratada (pelo menos até que alguma liminar os coloque novamente na ativa), mas a grande questão é se as “prefeituras de grandes cidades”, conforme aparece na notícia do G1, não mereceriam algum tipo de atenção investigativa a partir do comportamento natural das empresas com essa espécie de propina. Não parece estranho?
Com tanta possibilidade de possíveis ilícitos, a Tertúlia de hoje traz a poesia “Contrabando”, do saudoso poeta e escritor gaúcho Apparício Silva Rillo, onde Nico, um antigo contrabandista – talvez menos perigoso que alguns dos envolvidos nas situações que apareceram acima –, teve um final dramático.

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CONTRABANDO
                                  Apparício Silva Rillo


Vai a barca de farinha
cruzando o velho Uruguai.

Vaqueano dessas cruzadas
vem na popa um índio moço
manejando o varejão.

Vem atento e vem pensando:
Vou deixar do contrabando,
não é vida pra um cristão.
Hoje eu vim porque o menino
deu sumiço na chupeta
e aquele piá trompeta
saiu louco de chorão...

Sorri o moço da popa
porque no bolso da roupa
traz o bico pro piá.

Ouve um tiro, de repente,
vindo da banda de lá!
Foi tiro de sinal.

Já no mais o tiroteio
se acendeu no macegal,
pipocando seco e feio
como entrechoque de guampas
no entrevero do rodeio
no dia em que se dá sal.

Mala suerte!
O barco vinha chegando,
e a carga do contrabando
com mais dez braças de rio,
tinha subido a picada,
da picada pra carreta,
e dai pro caminhão.

Ouve um grito de: – Lá fresca,
o Nico se lastimou!
Mas ninguém botou tenência
no sentido deste grito,
porque a coisa vinha preta
sob o tendal de balaços
que a guarda ajena estendeu.

Cada bala que cruzava
debochava de assobio!

Quando o barco deu no porto
no lado de cá do rio,
o pessoal ganhou o mato,
na picada se sumiu.
O barco ficou sozinho
na madrugada e no rio.

Digo mal: ficou o Nico
sobre um saco de farinha
que um balaço espedaçou.
Tinha um lenço maragato
na brancura da farinha
onde o índio se apoiou.
Foi quando a manhã surgiu,
mostrando o sangue do Nico
pingando dentro do rio...

Menino, cala esta boca,
não demora chega o Nico,
vai-te trazer outro bico
que é pra tu não chorar mais.

Veio a manhã, veio a tarde,
veio a boieira luzir.
Veio a noite grande e morta,
A china veio pra porta,
E nada do Nico vir!

Veio um dia,
mais um dia,
veio outro dia depois.

Ao pé de uma lamparina
vela em silêncio uma china
que de chorar se cansou.
Numa cama de pelego
choraminga sem sossego
um piazito babão.

Choraminga! Choraminga!
...porque o pai não trouxe o bico,
e o que tinha se extraviou...

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         Para encerrar esta Tertúlia Nativa, do saudoso poeta e compositor Luiz Menezes, com Dante Ramon Ledesma - cantor nascido na Argentina e naturalizado brasileiro desde 1978 -, "Milonga do Contrabando".





         Um grande abraço e até a próxima!

sexta-feira, 4 de maio de 2012

GALERIA SERTANEJA – ACABOU-SE O SOM DA VIOLA



Um artista é um sonhador que consente em sonhar o mundo real.
(Jorge Santayana)




Amigas e Amigos,

Na madrugada de hoje, 4/05, aos 91 anos, morreu José Perez, o Tinoco da dupla de irmãos Tonico & Tinoco, cuja trajetória profissional começou em 1935 com nome artístico de “Trio da Roça” (com a participação de um primo), fazendo show na Festa de Aparecida de São Miguel. No final dos anos 30, passaram a se apresentar na Rádio Clube, de São Manuel-SP.

No início dos anos 40, passaram a ser conhecidos como “Irmãos Perez”, contratados pela Rádio Difusora (depois Tupi FM) para participar do programa “Arraial da Curva Torta”, apresentado pelo Capitão Furtado, que durante um ensaio do programa disse que a dupla não combinava com aquele nome espanhol e os batizou como Tonico & Tinoco. A partir daí, escreveram juntos uma história de muito sucesso, com a gravação do primeiro disco em 1944, com apenas uma música.




Já em 1946, alcançaram o sucesso com a música “Chico Mineiro”, que consta no disco como de autoria de Tonico e Francisco Ribeiro. Essa música consagrou a dupla como a mais famosa do Brasil, tornando, mais tarde, os irmãos Perez apresentadores do programa “Na Beira da Tuia”, da Rádio Bandeirantes, até o início dos anos 80, quando migraram para a televisão, com programa com o mesmo nome na Band.

Ao longo dessa belíssima carreira artística – interrompida bruscamente em 1994 com a morte de João Salvador Perez, o Tonico, que caiu de uma escada no prédio onde residia –, a dupla vendeu mais de 150 milhões de cópias de seus mais de 80 discos, e realizaram cerca de 40 mil apresentações.

Essa homenagem a Tinoco se vale da música “Chico Mineiro”, cuja letra e interpretação seguem abaixo. Tonico, conforme citado acima fez essa música em parceria com Francisco Ribeiro. E para conhecer um pouco mais desse parceiro de Tonico, encontrei no blog “Música & Poesia” (http://musicpoesia.blogspot.com.br), uma postagem de janeiro de 2008, citando um relato de Tinoco, com o seguinte teor:
Em Julho de 1946, quando o Tonico e eu chegávamos para fazer o Programa na Rádio Difusora de São Paulo, fomos chamados pelo porteiro da emissora, o senhor Francisco Ribeiro, que contou-nos uma história de dois irmãos. Um saiu pelo mundo e virou peão (Chico), o segundo (Zé Mendes) tornou-se dono de tropa. Quis o destino que se encontrassem. Pôr muitos anos trabalharam juntos, e só com a morte do Chico é que veio a revelação do parentesco entre eles. Na década de 90, fui (Tinoco) até Goiás Velho (Antiga Capital de Goiás), onde existia na época alguns pertences, uma capela e a lenda do Chico Mineiro que vivia na lembrança de muitos moradores. Outro detalhe que não está revelado na letra, é que Chico (O mais velho), sabia que era irmão de Zé Mendes (O mais novo) e sempre procurou defende-lo em muitas dificuldades. Escrevemos a história numa folha de pão (que existia nas padarias), e virou um dos maiores sucessos de Tonico e Tinoco.

         Juntos novamente, Tonico & Tinoco devem estar começando nova carreira artística na eternidade, ainda mais marcante do que a conhecida por toda a obra que nos deixaram. E não deverá faltar, lá também, pedidos para que toquem novamente “Chico Mineiro”, cuja letra está a seguir.

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CHICO MINEIRO
                                  Tonico e Francisco Ribeiro

Cada vez que me alembro
Do amigo Chico Mineiro,
Das viage que nois fazia
Era ele meu companheiro.
Sinto uma tristeza,
Uma vontade de chorar,
Alembrando daqueles tempos
Que não mais 
hai de voltar.
Apesar de ser patrão,
Eu tinha no coração
O amigo Chico Mineiro,
Caboclo bom decidido,
Na viola era delorido
E era o peão dos boiadeiro.
Hoje, porém, com tristeza,
Recordando das proeza
Da nossa viagem e motins,
Viajemo mais de dez anos,
Vendendo boiada e comprando
Por esse rincão sem-fim
Caboco de nada temia.
Mas porém, chegou o dia
Que Chico apartou-se de mim.

Fizemos a última viagem
Foi lá pro sertão de Goiás
Fui eu e o Chico Mineiro
Também foi o capataz.

Viajemos muitos dias
Pra chegar em Ouro Fino
Aonde passamos a noite
Numa festa do Divino.

A festa estava tão boa,
Mas antes não tivesse ido
O Chico foi baleado
Por um homem desconhecido.

Larguei de comprar boiada
Mataram meu companheiro
Acabou-se o som da viola
Acabou-se o Chico Mineiro.

Depois daquela tragédia
Fiquei mais aborrecido
Não sabia da nossa amizade
Porque nos dois era unido.

Quando vi seu documento
Me cortou o coração
Vi saber que o Chico Mineiro
Era meu legítimo irmão.


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         Na saudosa Galeria Sertaneja de hoje, a interpretação de “Chico Mineiro” é com a dupla que lançou essa música: os eternos Tonico & Tinoco.



         Um grande abraço e até a próxima!

sexta-feira, 27 de abril de 2012

GALERIA SERTANEJA – UMA LAMBANÇA E A ÚLTIMA LEMBRANÇA



Não existe outra via para a solidariedade humana

senão a procura e o respeito da dignidade individual.

(Pierre Lecomte Du Nouy)





Amigas e Amigos,


A bandidagem começa a ultrapassar todos os limites imagináveis. Ou talvez a máxima de que ladrão não rouba ladrão esteja sendo respeitada em toda sua amplitude, pois como entre os ricos está cada vez mais difícil identificar quem não esteja envolvido em algum “esquema”, os bandidos, na dúvida, estão buscando vítimas entre os mais pobres.


A matéria do portal G1 sobre um assalto a garis, no horário de trabalho, na Bahia é, no mínimo, chocante. Diz a notícia que:
Três garis que faziam a coleta de lixo na noite de quinta-feira (26) na cidade de Feira de Santana, a cerca de 100 km de Salvador, foram roubados por homens armados que cercaram o caminhão de lixo. Os suspeitos levaram dinheiro e pertences dos garis e do motorista do caminhão. O assalto ocorreu no Conjunto Feira Nove. De acordo com testemunhas, seis homens armados cercaram o caminhão de lixo e saquearam os garis. “Quando o condutor estava parado e os coletores estavam coletando o lixo, apareceram os bandidos do nada, eram seis bandidos fortemente armados, tinha um com escopeta, dois com um 38 [revólver], tinham dois com pistola”, afirmou uma testemunha que prefere não ser identificada. Segundo o delegado Ricardo Brito, chefe da Polícia Civil em Feira de Santana, o caso foi registrado na Delegacia de Furtos e Roubos da cidade. Por causa do assalto, parte da coleta não pôde ser feita na quinta-feira. O gerente operacional da empresa de coleta disse nesta sexta-feira (27) que os funcionários estão receosos de trabalhar nos bairros onde a violência é maior, e que já pediu providências à prefeitura da cidade. “Pra gente acionar toda vez que for necessário, a Guarda Municipal e a Polícia Militar para proteger os nossos funcionários”, disse Rodrigo Lopes, gerente da empresa de coleta de lixo de Feira de Santana. Segundo a Secretaria de Serviços Públicos do município, esta não foi a primeira vez que uma equipe de agentes de limpeza foi agredida. Em 2012, outras quatro situações de violência já foram registradas contra agentes durante o trabalho. A comunidade ficou assustada. “Eu acho um absurdo, nem os garis mais estão se livrando”, afirma a manicure Sandra Silva.



         Fico imaginando como os seis marginais repartiram a “féria” arrecadada junto a três empregados encarregados da coleta de lixo em Feira de Santana. Faz-se cada vez mais urgente uma resposta de quando este país deixará de tratar bandidos com tantas regalias, pois para esses tipos a grande motivação para o crime está na impunidade ou na certeza de que, mesmo recebendo pena máxima, passarão pouco tempo detidos, e, nesses períodos, serão sustentados pelos exagerados impostos cobrados de cada cidadão brasileiro.

          Como essa postagem é de Galeria Sertaneja, é necessário que, mesmo pensando nas “facilidades” oferecidas para a bandidagem, se separe um momento para um bom momento poético e musical. Para isso, a música escolhida hoje é de Luiz Meneses – poeta, autor, radialista, produtor e apresentador de TV, que nasceu em Quaraí-RS e morreu em 2005 – e tem por título “Última Lembrança”, com a letra logo abaixo.


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ÚLTIMA LEMBRANÇA

                                  Luiz Meneses


Eu hei de amar-te sempre, sempre além da vida


Eu hei de amar-te muito além do nosso adeus


Eu hei de amar-te com a esperança já extinguida


De que meus lábios possam ter os lábios teus.



Quando eu morrer permita deus que nesta hora


Ouças ao longe o cantar da cotovia


Será minh'alma que num canto triste chora


E nessa mágoa o teu nome pronuncia.



Eu viverei eternamente nos cantares


Dos pobres loucos que dos versos fazem o ninho


Eu viverei para a glória dos pesares


Onde quase sucumbi nos teus carinhos.



Eu viverei no violão que a noite tomba


Ante a janela da silente madrugada


Eu viverei como uma sombra em tua sombra


Como poesia em teu caminho derramada.



Eu viverei eternamente nos cantares


Dos pobres loucos que dos versos fazem o ninho


Eu viverei para a glória dos pesares


Onde quase sucumbi nos teus carinhos.



Nem mesmo o tempo apagará nossos amores


Que floresceram de uma ilusão febril e mansa


Eu viverei como uma sombra em tua sombra


Mas te levando em minha última lembrança.



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Nessa Galeria, a interpretação dessa valsa de Luiz Meneses é do grupo Os Fagundes, com destaques para as vozes de Neto Fagundes e Ernesto Fagundes.



         Um grande abraço e até a próxima!