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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

ORATÓRIO CAMPEIRO – A GANÂNCIA DE ALGUNS E O SANTO DE MUITOS


A ganância do ter não só engoliu o ser e a convivência pacífica,
mas até privou a maior parte dos homens do ter indispensável,
para acumular nas mãos de uns poucos o que a todos pertence.
(Dom Paulo Evaristo Arns)



Amigas e Amigos,



No começo de mais uma semana, encontrei na página Auto Esporte, do portal G1, ontem, que o especialista em BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), Kenneth Rapoza, da revista Forbes, publicou em sua coluna, no último sábado que o consumidor brasileiro, na busca de status, confunde o preço com a qualidade dos carros. Ele criticou, ainda, os valores praticados pelo comércio do setor automotivo, classificando como “ridículos” os valores dos carros no Brasil.  
  
Na matéria da Auto Esporte pode-se ler o que Rapoza colocou em sua coluna:
"Desculpem, brazukas... não existe status em um Toyota Corolla, Honda Civic, Jeep Grand [Cherokee] ou Dodge Durango", escreveu. "Não se deixem enganar pelo preço. Vocês estão sendo roubados." Para fazer a comparação de preços com os praticados nos EUA, Rapoza utilizou-se de dois modelos da americana Chrysler. Ele lembra que os impostos e outras taxas fazem com que um Jeep Grand Cherokee custe até 3 vezes mais no Brasil do que em Miami. Afirma que o modelo 2013 custará US$ 28 mil nos EUA, mas, no Brasil, o carro atual sai por US$ 89.500 (R$ 179 mil). Outro exemplo citado é o do Dodge Durango, que a Chrysler lançará no próximo Salão de SP, em outubro, por, segundo Rapoza, R$ 190.000 (US$ 95.000). "Nos EUA, custa US$ 28.500. Um professor de pública escola primária do Bronx consegue comprar um. OK, talvez não um novinho, mas com 1 ou 2 anos de uso... com certeza." "Não há outra razão [para os preços do Brasil] a não ser a taxação excessiva, de mais de 50% [do preço do carro], e a ingenuidade do consumidor que pensa que dá na mesma pagar por um Cherokee o valor de um BMW X5", critica. O colunista também cita produtos brasileiros de relativo sucesso no exterior, chinelos Havaianas e cachaças, para explicar a "exploração" do consumidor no país. "Pense como seria se um amigo americano dissesse a vocè que acabou de comprar um par de Havaianas por US$ 150. Claro que esses chinelos são sexy, chiques e estão na moda, mas não valem US$ 150", exemplifica. "Quando se trata de status oferecido por carros no Brasil, a elite está servindo capirinha com Pitu e 51 pensando que é bebida de primeira."

Boa parte dos altos valores de comercialização de carros no Brasil pode ser atribuída aos impostos, responsáveis por mais de 30% do preço final do veículo. Mas se forem retirados os impostos embutidos no valor de comercialização, ainda teremos aqui os carros mais caros. Logo, pode-se observar que o Governo brasileiro não está sozinho nessa manifestação clara de ganância.

Se por um lado, o Governo necessita dessa arrecadação toda para garantir escritórios inchados por empregados que garantem retorno em tempos eleitorais – sem esquecer que os mensalões e seus derivados consomem, e muito, desse quinhão – por outro lado, as montadoras instaladas no Brasil têm registrado seus maiores índices de lucratividade nas filiais brasileiras. Poder-se-ia imaginar o surgimento de uma nova parceria público privada do tipo: toma lá muito; dá cá bastante. E que venha o próximo exercício fiscal...

Sobre isso, em 2009, o portal G1 publicou uma reportagem indicando que os impostos correspondiam, em média, a 30,4% do valor final de um carro comercializado aqui no Brasil. Fazendo referência a essa reportagem, o citado portal, ontem, complementou:
“Este mesmo valor para outros países é bem menor. Na Espanha, por exemplo, representa 13,8%; na Itália, 16,7% e nos Estados Unidos, 6,1%”, afirmou, na época, a vice-presidente da consultoria Booz & Company, Letícia Costa. Fora isso, entram na conta outros aspectos como os custos de produção ("custo Brasil"), que abrangem desde o valor da mão-de-obra até o desembaraço alfandegário, no caso da importação de produtos e peças, e os gastos com logística, além da escala de produção, menor no Brasil se comparada com a de EUA, China e Japão, por exemplo.

Nessa mesma linha, o portal d’O Estado de São Paulo publicou em 22/09/2011 que, mesmo sem a incidência de IPI, ICMS e PIS/Cofins, veículos nacionais custariam mais do que os estrangeiros. À época, foi dito pelo Estadão que:
O Chevrolet Malibu, por exemplo, custa a partir de R$ 89.900 no Brasil. Tirando IPI, ICMS e PIS/Cofins, o valor poderia cair para R$ 57.176. Mesmo assim, estaria mais caro do que nos Estados Unidos, onde carro sai por R$ 42.300 com impostos para o consumidor de Nova York.  O Ford Focus Sedan está em situação semelhante. Sem impostos, o preço poderia cair de R$ 56.830 para R$ 39.554 no Brasil. Porém, em nova York esse veículo custa R$ 30.743 com tributação.  Entre as montadoras com sede na Europa, o carro sem impostos aqui seria mais barato do que o com impostos lá. Mas, ao retirar a tributação no Brasil e na matriz, o preço por aqui ainda é mais alto. [...] Especialistas dividem-se sobre qual seria o outro fator, além dos impostos, que explica o alto preço do carro no Brasil. Uns culpam o chamado "custo Brasil"; outros, o "lucro Brasil". Essa dúvida existe porque as montadoras não divulgam detalhes sobre lucros e custos. [...] Para o economista Julio Gomes de Almeida, do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), o preço alto do carro brasileiro é explicado pelo custo Brasil e pela baixa produtividade no País. Ele diz que para comparar com outros países, seria necessário considerar também os impostos que incidem sobre as matérias-primas dos carros. [...] Para Alcides Leite, professor da Trevisan Escola de Negócios, "a postura das montadoras, de evitar a divulgação do seu custo de produção, corrobora a suspeita" de que a margem de lucro no Brasil possa ser "muito superior" à de países desenvolvidos. Ele afirma, ainda, que a mão de obra no Brasil é mais barata do que na Europa e nos EUA.

Para mudar essa conversa sobre a ganância de governo e empresários, recordo que hoje é a festa de São Maximiliano Maria Kolbe, franciscano da Ordem dos Frades Menores Conventuais e fundador do apostolado mariano “Milícia da Imaculada”, a quem o Papa João Paulo II se referiu como o “Padroeiro do nosso difícil século XX”. São Maximiliano Kolbe (que foi batizado como Rajmund, ou Raimundo) era de uma família pobre repleta de religiosidade.

São Maximiliano Maria Kolbe

As realizações do frei Maximiliano Maria Kolbe, frutos do seu carisma do apostolado, fundado no amor infinito a Maria Santíssima e pela palavra (tanto impressa quanto falada), seriam suficientes para ser um exemplo para todos nós que continuamos nossa caminhada terrena. Para ele, porém, esse exemplo era insignificante, o que pode ser constatado a partir do depoimento feito, na Polônia, no dia 8/01/2004 – data que assinalou os 110 anos do nascimento de São Maximiliano Maria Kolbe – por Micherdzirski, ex-prisioneiro, junto com frei Kolbe, no campo de concentração de Auschwitz. Esse depoimento está disponível no portal Milícia da Imaculada e se pode encontrar ali que em:
30/07/1941 as 19h15, foi o momento que Padre Kolbe saiu da fila, do dia 29/07 ao 30/07 ficamos no pátio em pé sem comer, sem dormir, a noite era muito fria, e durante o dia muito calor. Os soldados colocavam a comida na nossa frente, e jogavam no chão, muitos não agüentavam, não tendo mais força e acabavam morrendo. Eu, Padre Kolbe e Francisco estávamos na mesma fila, na 5º ou 6° fila. Fritz andava entre as filas, e quando parava na frente de um prisioneiro significava que era seu fim, era condenado, quando Fritz se aproximou de mim, me sumiu a visão, tremia minhas pernas, meu único desejo era de viver, minha oração era “Deus não deixe ele tocar em mim”. Naquele momento não podíamos ter nenhum tipo de reação, não podia manifestar nem mesmo uma expressão, porque seria o suficiente para morrer. Quando tudo acabou foi um alivio, mas de repente se percebe que alguém sai do lugar, naquele momento o silêncio reinava, só se ouvia os passos daquele homem, Padre Kolbe. Ele calmamente se aproximou de Fritz e disse: “Quero morrer no lugar desse homem”. Em um lugar onde milhões morriam, morrer por um não significava nada. Fritz perguntou: “Quem é o senhor?”.Calmamente Padre Kolbe responde: “Sou um Polaco sacerdote católico”. Sete milhões de prisioneiros passaram por lá, essa foi a primeira vez que Fritz chamava um prisioneiro de senhor, éramos sempre chamados de porcos, besta e outros nomes terríveis. Padre Kolbe disse simplesmente: “Porque ele tem mulher e filhos” ela salvava o valor do sacramento matrimonial e a paternidade. O que mais impressionou, não foi o fato que ele morria por alguém, isso era normal em um lugar como aquele, mas naquele dia os Tedescos perderam a guerra, era inacreditável Fritz falar com um prisioneiro, e ter aceitado a troca, ele podia simplesmente atirar em Padre Kolbe e nos outros, ou então soltar os cachorros neles. No campo de concentração era inaceitável gesto de martírio, os Tedescos não admitiam, os prisioneiros só podiam morrer, por suas mãos. Padre kolbe morreu para salvar um único prisioneiro, mas naquele dia ele trouxe a Auchwitz a esperança e o amor. Foram 386 horas de sofrimento, e de fome. A Imaculada fez com Padre Kolbe tudo aquilo que desejava, fez dele um grande dom. Humanamente era difícil entender aquele ato, aquele momento marcou a história de Auschwtiz, a história de cada prisioneiro, ele trouxe a cada um de nós a dignidade e a vontade de viver.

A oração para esta semana é uma consagração composta por São Maximiliano Maria Kolbe.

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CONSAGRAÇÃO A NOSSA SENHORA

Ó Imaculada,
Rainha do Céu e da Terra,
Refúgio dos pecadores e Nossa Mãe amantíssima,
A quem Deus quis confiar toda a Ordem da misericórdia!
Eu, indigno pecador, me prostro aos vossos pés,
Suplicando-vos com insistência:
Dignai-vos aceitar-me por completo,
Como coisa e propriedade vossa;
Fazei o que quiserdes de mim,
De todas as faculdades da minha alma e do meu corpo,
De toda a minha vida, da minha morte,
Da minha eternidade.
Dispõe de mim totalmente como vos agradar,
Para que se cumpra o que está dito de vós:
“Ela esmagará a cabeça da serpente”,
E também:
“Só vós destruístes todas as heresias no mundo inteiro”.
Que em vossas mãos,
Imaculadas e misericordiosíssimas,
Eu seja um instrumento que vos serve a introduzir
E a aumentar o mais possível de vossa glória
Em tantas almas desgarradas e tíbias.
Assim se estenderá cada vez mais
O Reino Bendito do Santíssimo Coração de Jesus.
Pois onde entrais,
Conseguis a graça da conversão e santificação,
Já que é do Sacratíssimo Coração de Jesus
Que todas as graças chegam para nós
Por vossas mãos.
Dai-me a graça de vos louvar ó Virgem Santíssima.
Dai-me força contra vossos inimigos.

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Neste mês vocacional de agosto, a música escolhida para acompanhar este Oratório, lembrando da vocação de São Maximiliano Maria Kolbe, é “Águia Pequena”, do Padre Zezinho, interpretada pelo próprio Padre Zezinho.

  

Um grande abraço e que a Paz de Cristo permaneça conosco!

terça-feira, 7 de agosto de 2012

ORATÓRIO CAMPEIRO – SÃO CAETANO, A COVARDIA E A INJUSTIÇA

Quanto aos covardes,
 infiéis, corruptos, assassinos, devassos, feiticeiros, idólatras e todos os mentirosos,
o lugar deles é o lago ardente de fogo e enxofre, ou seja, a segunda morte.
(Apocalipse 21,8)





Amigas e Amigos,

O Oratório Campeiro desta 18ª Semana do Tempo Comum nos lembra de que hoje festejamos São Caetano de Thiene, o fundador da Ordem dos Clérigos Regulares, conhecidos como Teatinos. Essa Ordem dos Teatinos Regulares surgiu pela vontade de fomentar uma renovação do clero, no tempo da reforma propiciada por Lutero.

Antes do Papa Clemente VII aprovar o plano de fundação do Instituto dos Teatinos, São Caetano participou, em 1522, da fundação do Hospital dos Incuráveis, na Itália. Sobre esse Santo, o portal das Paulinas diz que “desde muito jovem mostrava grande preocupação e zelo pelos pobres, abrindo asilos para os idosos e muitos hospitais para os doentes”.

Essa ligação do Santo do dia de hoje com esses pobres e enfermos faz recordar o estudantes de desenho industrial Vítor Cunha, de 22 anos, que foi espancado por cinco rapazes, em fevereiro deste ano, quando tentou impedir a agressão a um mendigo na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro. Segundo o portal do Estadão, a denúncia do Ministério Público, no dia 27 de fevereiro, da tentativa de homicídio – caracterizado inclusive pelas seqüelas deixadas no estudante, que teve 20 fraturas no crânio e um braço quebrado; colocou 63 parafusos, oito placas e duas telas de titânio na cabeça, além de receber um enxerto ósseo e se submeter a uma cirurgia de reconstituição facial – foi acompanhada pela requisição de conversão da prisão temporária em prisão preventiva. Disse o referido portal, no dia 28/02 que:
De acordo com a denúncia,  Tadeu Assad Farelli Ferreira, William Bonfim Nobre Freitas, Fellipe de Melo Santos e Edson Luis dos Santos Junior desferiram socos e chutes no corpo e na cabeça da vítima, de forma cruel e em superioridade numérica, com o objetivo de matá-lo. O quinto denunciado, Rafael Zanini Maiolino, participou da tentativa de homicídio ao impedir que um amigo da vítima interferisse, contribuindo para que o grupo continuasse as agressões, mesmo com a vítima já desacordada e indefesa, caída no chão. Os acusados vão responder por tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe, tortura ou meio insidioso ou cruel e, também, por utilizarem recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

O assunto dessa agressão voltou às manchetes com uma nova decisão do juiz Kieling, da 3ª Vara Criminal do Rio que, segundo a edição do Estadão do dia 3/08:
determinou, na sexta-feira passada, 27, o cancelamento da prisão preventiva dos acusados, abrandando também a natureza do crime,  que passou de tentativa de homicídio qualificado para lesão corporal. Além de serem soltos, os agressores serão julgados agora por um único juiz, em vez de um júri popular, o que costuma tornar mais fácil a absolvição.

Não é possível avaliar quais motivações levaram o juiz Kieling a liberar os acusados e abrandar a natureza do crime. Mas, para reflexão, temos concretamente um jovem que, aparentemente de forma muito covarde, foi espancado – e quase morreu – e um grupo de jovens acusados, sem questionamentos, de serem autores da inconseqüente ação. Existem, ainda, outras circunstâncias a serem observadas, conforme matéria sobre ser o jovem Vitor refém do medo, do Jornal do Brasil, também do último dia 3/08, que informa:
Vitor Suarez Cunha, de 22 anos, é um estudante que não estuda. Um trabalhador que não trabalha. [...] "O juiz (Murilo Kieling, da 3ª Vara Criminal) deu apenas uma pena de prisão domiciliar(das 20 às 06h) para os meus agressores, enquanto eu tenho que passar todo dia em um lugar diferente. Não posso mais sair de noite nem voltar para a Ilha do Governador. Parece que eu sou o criminoso. E os meus agressores, alguns com reicindência, estão por aí, livres. É um absurdo", dispara Cunha. [...] O estudante ainda conta detalhes assombrosos do encontro com os agressores na audiência de semana passada, ao ser perguntado sobre um improvável reencontro: "Minha mãe foi chamada de palhaça pela família deles. Mesmo algemados, me olhavam em sinal de desafio, fazendo sinais com a cabeça como que se me chamassem para a briga. Isso tudo dentro de um Tribunal de Justiça". [...] O jovem define a luta por justiça como um propósito maior em sua vida. "Acho que depois disso ganhei milhões de motivos para viver. Nada vem por acaso. Eu tinha duas opções: ou desistia ou lutava, e eu vou continuar lutando. Se nós aceitarmos as coisas erradas que ocorrem em nossas vidas, elas vão se perpetuar. Tudo o que eu quero é justiça. Não só no meu caso, mas para todos que passaram pelo que eu tive de passar", concluiu.
Parece-me oportuno sugerir para esta semana a Oração ao Santo venerado no dia de hoje, quando podemos pedir luz para os juízes serem justos acima de interesses pessoais; discernimento para entendermos as decisões judiciais; e força para as vítimas tantas vezes desamparadas por aqueles que deveriam ser responsáveis por ampará-las.

 
                                                                          "San Cayetano”, óleo sobre tela por Goya

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PRECE A SÃO CAETANO

Ó São Caetano,
Que conhecestes a fraqueza da Igreja
Principalmente em seus membros mais responsáveis,
E que trabalhastes pela reforma da vida
E dos costumes dos cristãos,

Olhai com muito amor e compaixão
Para as nossas famílias e comunidades. 
Lançai vossa mão poderosa
A fim de que reine entre nós
O espírito de fé, de amor e de justiça,
Segundo a vontade de Cristo.

Fazei que cada um de nós
Assuma suas obrigações,
Pois Cristo espera de cada um de seus seguidores
A fidelidade, o serviço
E a dedicação em favor dos irmãos.

Amém!

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A música para tornar nossa semana mais calma por meio deste Oratório é "Virgem do Silêncio", de Judson Nunes, com o grupo Cantores de Deus.



Um grande abraço e que a Paz de Cristo permaneça conosco!

quarta-feira, 4 de julho de 2012

ORATÓRIO CAMPEIRO – NEM VENDO SE ACREDITA NISSO, SÃO TOMÉ!


Depois disse a Tomé:
“Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos.
Estende a tua mão e coloca-a no meu lado e não sejas incrédulo, mas crê!”
Tomé respondeu: “Meu Senhor e meu Deus!”  
Jesus lhe disse: “Creste porque me viste? Bem-aventurados os que não viram, e creram!”
(São João 20,27-29)




Amigas e Amigos,


Inicio este Oratório Campeiro – pedindo licença para São Tomé, ontem festejado – com uma matéria sobre um escândalo envolvendo vereadores de São Paulo, que marcam presença no painel do plenário, mesmo ausentes, chegando a participar de votações, conforme denúncias da Agência Estado.

As contravenções políticas e morais desses vereadores foram referidas em diversos meios de comunicação e começo destacando a abordagem do jornal O Estado de São Paulo que, em seu portal no dia 1º/07, destacou:
Os nomes de vereadores registrados no painel eletrônico da Câmara Municipal durante as sessões em plenário não batem com as listas de presença publicadas na internet. Nas últimas três semanas, a reportagem flagrou distorções entre as marcações em "tempo real" e as divulgadas posteriormente, no site da Casa. A diferença é sempre positiva, ou seja, quem não tem o nome assinalado durante a sessão recebe o benefício depois, e fica livre da falta que gera desconto de R$ 465 na folha de pagamento. [...] O controle oficial das presenças na internet é feito pelo mesmo grupo de servidores que ajudam vereadores a fraudá-las. Ontem, o Estado revelou que parlamentares ausentes nas sessões têm burlado o painel eletrônico com o auxílio de funcionários da Mesa Diretora. O grupo é formado por pelo menos quatro pessoas, que têm acesso a senhas pessoais de vereadores para entrar no sistema e marcar presença e, teoricamente, até o voto. [...] Na Câmara, a presença em um das sessões, mesmo que fraudada, anula a falta na sessão seguinte. É por isso que, mesmo com as cadeiras do plenário vazias, os vereadores da capital não têm descontos no holerite. Quem vai à sessão ordinária ou tem a presença marcada pelos servidores da Mesa Diretora e fica ausente na extraordinária tem a presença no dia assegurada no "relatório consolidado".  No dia 19 de junho, por exemplo, a lista online na sessão ordinária apontou 38 nomes. A extraordinária, 47. Mas, no relatório consolidado, o total chegou a 52.

         A matéria do Estadão, conforme o excerto acima, complementava uma denúncia do mesmo jornal que, no dia anterior, já havia chamado a atenção para projeto de lei aprovado por quórum fantasma. O citado jornal informou que:
A prática de marcar a presença no início da sessão e deixar o plenário em seguida não serve apenas para evitar descontos no salário, mas também para alcançar quórum suficiente para a aprovação de projetos de lei na Câmara. É o que acontece quando a votação é simbólica e vale a opinião da maioria na Casa. No dia 20 de junho, por exemplo, Netinho de Paula e Jamil Murad, ambos do PCdoB, deixaram o plenário minutos após a votação do segundo projeto do Executivo que, naquele dia, exigia voto nominal. Em menos de cinco minutos, porém, a Mesa Diretora abriu nova votação, dessa vez simbólica, e aprovou 18 propostas de autoria de vereadores. Oficialmente, os dois parlamentares participaram do quórum no momento em que se reuniam com a liderança do partido para decidir pelo apoio à candidatura de Fernando Haddad (PT) à Prefeitura de São Paulo. [...] A prática de garantir a participação fantasma nas sessões, porém, pode tornar nulas as lei aprovadas diante de quórum fraudado. Pelo princípio da publicidade determinado pela Constituição Federal, a posição dos vereadores deve ser tomada em público, em local conhecido e aberto à sociedade.  Resolução da própria Mesa Diretora da Câmara de 2003 determina ainda que “fraudar, por qualquer meio ou forma, o registro de presença às sessões, ou às reuniões de comissões”, é considerado infração à ética parlamentar. A irregularidade, caso comprovada pela Justiça, pode render perda de direitos políticos e cassação do mandato.
            
Em não havendo parlamentares ubíquos na Câmara paulistana, torna-se extremamente difícil – só não impossível pelas imaginosas mentes de determinados advogados especialistas em afrouxar rabos presos – a explicação de presença simultânea em votação e em reunião de apoio a prefeito, na mesma data, no mesmo horário e em locais diferentes.

Para resolver o problema acima, foi noticiado que apareceu um novo personagem nessa história: o Zé Careca, servidor daquela casa legislativa que percebe nababesco salário mensal para utilizar senhas exclusivas dos vereadores e realizar tarefas restritas aos parlamentares.  Como já não consegue dar conta de todas as atividades que lhe são demandadas por telefone ou SMS, dizem que Zé Careca já tem até equipe de funcionários à sua disposição.

Notícia do portal Estadão do último dia 30/06 informa que:
A rotina na Câmara Municipal é a mesma toda terça, quarta e quinta-feira, quando a capital ganha seu 56.º vereador. O parlamentar extra é o assessor José Luiz dos Santos, o Zé Careca, apontado como “chefe” do esquema que frauda o painel eletrônico. Sentado a cerca de 2 metros do presidente da Casa, José Police Neto (PSD), ele acessa o sistema com senhas pessoais de vereadores, garante o número necessário de presenças para abrir sessões e pode até votar. Careca lidera uma equipe de pelo menos outros três fraudadores, que mantêm o controle das marcações em listas feitas à mão. Fotos feitas pelo Estado mostram que o grupo recebe a ordem para cometer a irregularidade por telefone ou SMS. Celulares ficam sobre a mesa e basta um toque para mais um nome surgir no painel, sem que ninguém entre no plenário. Em outros casos, servidores telefonam aos gabinetes em busca de autorização para marcar a presença. Funcionário da Câmara há mais de 30 anos, o assessor trabalha no plenário desde 1994, quando entrou para a lista de homens de confiança dos parlamentares. A qualquer momento, mesmo em fins de semana e feriados, Careca está disposto a resolver “pepinos de vereadores”. Seu salário é de cerca de R$ 23 mil.

Na continuação dessa história – sem jeito de ser o final da macabra novela – o portal da Folha de São Paulo, hoje, informa que aconteceu uma estranha troca de aparelhos de votação. Diz a Folha que:
Equipamentos da Mesa Diretora da Câmara de São Paulo utilizados para registrar a presença de vereadores foram trocados antes de o sistema ser exibido a jornalistas anteontem pelo presidente da Casa, José Police Neto (PSD). Sindicância concluída ontem apontou que o servidor José Luiz dos Santos foi o responsável pela troca. A descoberta deixou em alerta a direção da Câmara, que vem negando qualquer irregularidade desde a veiculação, esta semana, de reportagens pelo jornal "O Estado de S. Paulo". O temor é que o gesto tenha sido uma tentativa de acobertar alguma fraude. A mesa tem dois terminais: um, biométrico, só pode ser acionado pelo vereador por meio de toque; o outro permite o uso de senha para marcar presença e até votar. O servidor, que é operador-mestre do sistema, tem uma senha para registrar presença, mas não para votar. Ele geralmente faz o registro a pedido de vereador que está na Casa, mas não no plenário. Quando foi flagrado registrando presenças, o aparelho com senha estava em uma plataforma retrátil, abaixo da superfície da mesa, o que o deixava pouco visível. O outro ficava sobre a mesa. Anteontem, não só estavam em posições trocadas, como haviam sido fixados no móvel. A troca constrangeu Police e o diretor do CTI (Centro de Tecnologia da Informação), Eduardo Miyashiro, chefe de Santos, que explicavam o sistema – Police mandou abrir uma investigação. Santos, que está de férias, não foi ouvido na sindicância, que colheu depoimentos de outros servidores do CTI.

Pois não é, São Tomé? Parece que nesta ferida ninguém está muito a fim de colocar o dedo para comprovar a extensão do processo inflamatório. A resolução da Mesa Diretora da Câmara de 2003 sobre infração à ética parlamentar pode, a partir dos fatos denunciados, virar mais uma balela. Ou alguém ainda acredita que algum dos parlamentares envolvidos poderá perder seus direitos políticos ou ter seu mandato cassado? Enquanto outros podem necessitar de algum tipo de chapéu para se proteger, na Câmara a proteção é descalvada mesmo.
  


Esta terça-feira, 3/07, marcou a festa do apóstolo São Tomé. Esse Santo nos remete a incredulidade por duvidar da ressurreição de Cristo e experimentar a comprovação da presença desse mesmo Cristo em sua vida. São Tomé é citado em mais dois momentos nos Evangelhos, mas ficou reconhecido pelo “ver para crer”. Acredito que mesmo vendo, tem-se dificuldade de acreditar no que está acontecendo na Câmara de Vereadores de São Paulo.

A oração sugerida para esta semana é clamando pela intercessão de São Tomé, para nos acompanhar em nossas dúvidas, mesmo quando conhecemos a Verdade.
        
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ORAÇÃO A SÃO TOMÉ

Ó Senhor!

Peço-Vos perdão
Por todas as vezes em que fui incrédulo
E não permiti que Vossa mão poderosa
Conduzisse minha vida.

Agora, meu Jesus,
Pelo exemplo de São Tomé,
Coloco-me aos Vossos pés
E clamo com todo o meu amor e devoção:
“Meu Senhor e meu Deus”!

São Tomé,
Rogai por mim, agora e sempre.

Amém!

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A música escolhida para este Oratório é "Falando com Deus", do saudoso Peão Carreiro em parceria com Benedito Seviéro, na interpretação da dupla Peão Carreiro e Zé Paulo.

  

Um grande abraço para todos e que a Paz de Cristo permaneça conosco!

quarta-feira, 27 de junho de 2012

ORATÓRIO CAMPEIRO – JOSEMARÍA E JOSÉ MARIA, SANTOS!


Depois de três dias, o encontraram no templo, sentado entre os mestres,
ouvindo-os e fazendo-lhes perguntas.
Todos aqueles que ouviam o menino
ficavam maravilhados com sua inteligência e suas respostas.
(São Lucas 2,46-47)





Amigas e Amigos,

Esta terça-feira de festas juninas traz uma agradável notícia para a educação brasileira, com a criação de 77 mil cargos em universidades e institutos federais. Desses cargos, mais da metade são para professores.

A Lei 12.677, sancionada hoje pelo governo, que cria 77.178 cargos efetivos, cargos de direção e funções gratificadas para o Ministério da Educação é objeto de matéria no portal G1, que informa:
As vagas são destinadas às universidades e aos institutos federais de ensino e foram publicadas na edição desta terça do "Diário Oficial da União". Do total, 56% das novas vagas são para docentes: 19.569 são cargos de professor de terceiro grau, que integram a carreira do magistério superior, e 24.306 são cargos efetivos de professor do ensino básico, técnico e tecnológico. A lei criou ainda 27.714 cargos de técnicos administrativos, além de 1.608 cargos de direção, em quatro categorias diferentes, e 3.981 funções gratificadas em três categorias. No texto assinado pela presidente Dilma Rousseff, ficam extintos 2.751 cargos de técnicos-administrativos e 2.013 funções gratificadas de categorias inferiores às criadas nesta terça. [...] Além disso, a criação de novas unidades e das vagas "dependerá da existência de instalações adequadas e de recursos financeiros necessários ao seu funcionamento". Segundo o texto, "os cargos e funções criados por esta lei destinam-se às instituições federais de ensino superior, institutos federais de educação, ciência e tecnologia, ao Instituto Nacional de Educação de Surdos, ao Instituto Benjamim Constant, às escolas técnicas e colégios de aplicação vinculados às instituições de ensino superior, aos centros federais de educação tecnológica e ao Colégio Pedro II".  

As alvíssaras para essa boa nova se revestem de alguma obscuridade pelo aparente descaso dedicado pelo mesmo governo que cria os cargos para com os que ocupam cargos semelhantes nas instituições de ensino superior. Essa desconsideração fica evidente na notícia do mesmo portal G1, do último dia 18, quando foi publicado que:
A reunião que estava programada para esta terça-feira (19) entre o secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça, e representantes dos professores e servidores para discutir a greve nas universidades federais foi adiada. [...] A assessoria da secretaria do ministério confirmou o adiamento e alegou envolvimento do ministério com outras questões de governo esta semana. Além disso, houve pouco tempo desde a última reunião para definir uma proposta consolidada para os professores que estão em greve há pouco mais de um mês que agregue vários setores do governo, como o Ministério da Educação, a Casa Civil e o Ministério da Fazenda. [...] A greve dos professores das universidades federais completou um mês neste domingo (17). O movimento começou em 17 de maio e, segundo o sindicato nacional (Andes), atualmente professores de 54 instituições federais de ensino superior paralisaram as atividades: 49 universidades (cerca de 90% do total) e cinco dos 40 institutos ou centros federais de educação tecnológica estão parcial ou totalmente parados. Estudantes de pelo menos 19 das 46 universidades também entraram em greve para pedir melhores condições de ensino. Segundo a Andes, a greve afeta mais de 1 milhão de alunos.

A publicação acima dá idéia de que os ministérios do governo que cria cargos têm “questões de governo” tão importantes que tornam insignificantes a paralisação dos ocupantes de cargos semelhantes aos criados por um período que ultrapassa um mês. Para não parecer que o pouco-caso é direcionado para os educadores, novas evidências surgem para demonstrar que a indiferença é com a educação no sentido amplo. Os estudantes entram em greve por melhores condições de ensino e, em momento seguinte, os servidores de universidades federais também aderem ao movimento por melhores condições de trabalho.

Fica a percepção de que educação é importante para “fazer pose”, mas a intenção dos que deveriam ser responsáveis pela consolidação dessa eterna “promessa de campanha” é eternizá-la como promessa, cada vez mais. O lado melancolicamente jocoso dessa situação está representado no gracejo de estudantes de universidades públicas que afirmam saber a data de início de seus cursos, mas que a conclusão – independente de aprovações em todas as disciplinas – é sempre uma equação, onde uma incógnita (maior do que 1) é multiplicada pelo número de semestres do curso.

Neste Oratório Campeiro, lembramos de dois Santos, fundadores de obras para as quais conseguiram incontáveis seguidores a partir da educação pelo exemplo de suas vidas. Falo de São Josemaría Escrivá e de São José Maria Hurtado.



São Josemaria Escrivá de Balaguer e São José Maria Hobles Hurtado


São Josemaría Escrivá de Balaguer nasceu em Barbastro, Huesca, na Espanha, no dia 9 de janeiro de 1902. Com autorização do seu bispo, em 1927 foi para Madri, com o objetivo de formar-se em Direito. Um ano depois, durante um retiro espiritual, pediu a Deus para mostrar-lhe com clareza o que precisava ser feito e fundou a Opus Dei, um caminho moderno de evangelização para a Igreja. A missão da Opus Dei é a de promover entre os fiéis cristãos de qualquer condição social uma vida plenamente coerente com a fé no meio do mundo e contribuir, assim, para a evangelização de todos os ambientes da sociedade. Josemaría morreu em consequência de uma parada cardíaca, no dia 26 de junho de 1975, em seu quarto de trabalho e aos pés de um quadro de Nossa Senhora, a quem lançou o seu último olhar. Foi Beatificado no dia 17 de maio de 1992 e foi canonizado em 6 de outubro de 2002 pelo papa João Paulo II na praça de São Pedro em Roma.

A condição da Igreja no México foi muito difícil desde que entrou em vigor, em 5 de fevereiro de 1917, a Constituição anticlerical e antirreligiosa, depois do longo período de ditadura que a antecedeu. Dentre os mártires desse período, encontramos padre José Maria Robles Hurtado, que nasceu em Mascota, Jalisco, no dia 3 de maio de 1888. Foi pároco de Tecolotlán, em Jalisco, onde difundia a fervorosa devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Amado e querido pelo seu rebanho, constituído de camponeses pobres e muito carentes. Para melhor atendê-los, fundou a Congregação das "Irmãs do Coração de Jesus Sacramentado". No dia 26 de junho de 1927, o padre José Maria foi amarrado numa árvore, na serra da Quila, em Jalisco, e mantido assim até morrer. O grupo de vinte e cinco mártires mexicanos no qual estava incluso foi beatificado, em 1992, pelo papa João Paulo II. Mais tarde, o mesmo pontífice, no ano de 2000, canonizou todos eles.

Como sugestão deste Oratório, fica uma oração escrita por São Josemaría, pedindo a intercessão de Maria Santíssima, a quem podemos nos dirigir para que a responsável pela educação de Cristo interceda pela educação em nosso país.
        
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ORAÇÃO DE SÃO JOSEMARÍA ESCRIVÁ

Maria, Mãe de Jesus,
Que O criou, O educou e O acompanhou
Durante a Sua vida terrena
E que agora está junto d’Ele nos céus,
Nos ajudará a reconhecer Jesus
Que passa ao nosso lado,
Que se faz presente
Nas necessidades dos nossos irmãos, os homens.

Santa Maria, esperança nossa,
Escrava do Senhor,
Sede de Sabedoria,
Roga por nós!
Amém!

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         A música escolhida para este Oratório é do Padre José Fernandes de Oliveira, o Pe. Zezinho, interpretada por ele mesmo, e tem por título "Águia Pequena". 




Um grande abraço e que a Paz de Cristo permaneça conosco!

quarta-feira, 6 de junho de 2012

ORATÓRIO CAMPEIRO – O PÃO DO CÉU E A FOME DA TERRA

Quando tinha esbanjado tudo o que possuía,
chegou uma grande fome àquela região, e ele começou a passar necessidade.
Então, foi pedir trabalho a um homem do lugar, que o mandou para seu sítio cuidar dos porcos.
Ele queria matar a fome com a comida que os porcos comiam, mas nem isto lhe davam.
(São Lucas 15,14-16)








Amigas e Amigos,


No Oratório Campeiro de hoje – dia de São Bonifácio, o Apóstolo da Alemanha – tem-se forte a lembrança da marcante festa da próxima quinta-feira, dia 7/06. A Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, ou Festa de Corpus Christi, comemora a instituição do Santíssimo Sacramento da Eucaristia.

Cartaz da Festa de Corpus Christi, em Brasília.

Esse tempo de preparação para a festa do pão e do vinho trouxe uma inquietude a partir de notícia publicada no último dia 30/05, no portal G1 sobre um estudo da ONU sobre a desnutrição no mundo. Diz a matéria do mencionado portal que:
Um ser humano em cada sete é vítima da desnutrição, informa o diretor geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) em um relatório preparatório para a cúpula sobre Desenvolvimento Sustentável, a ser realizada de 20 a 22 de junho no Rio de Janeiro. [...] O relatório, com o título "Rumo ao futuro que queremos: acabar com a fome e realizar a transição para uma agricultura sustentável e sistemas alimentares duráveis", exorta os governos a incorporar em seus programas incentivos para o consumo e produção sustentável; promover o bom funcionamento e a equidade dos mercados agrícolas e alimentares e investir recursos públicos em inovação e infraestrutura. Segundo o relatório, 75% dos pobres e daqueles que sofrem de fome no mundo vivem em áreas rurais, e a maioria deles depende da agricultura e atividades relacionadas para viver. Além disso, 40% das terras degradadas no mundo estão em áreas afetadas por altas taxas de pobreza. [...] A FAO estima que o desperdício de alimentos no mundo alcança 1,3 bilhão de tonelada por ano, o equivalente a mais de 10% das calorias globais.

Um contraste para as informações acima pode ser obtido no artigo do professor de sociologia James Petras (com tradução de Margarida Ferreira) para o portal Adital, onde ele afirma – conforme excerto abaixo – que:
Os EUA têm a maior parte dos multimilionários do mundo (413), mais de um terço do total, a maior proporção entre os grandes países do mundo. Um olhar mais de perto também revela que, entre os 200 multimilionários do topo (os que têm 5,2 mil milhões de dólares ou mais), 57 são dos EUA (29%). Mais de um terço fez fortuna através da atividade especulativa, da predação da economia produtiva e da exploração do mercado imobiliário e de ações. [...] Os principais países capitalistas emergentes, Brasil, Rússia, Índia e China (BRIC), elogiados pelos meios de comunicação pelo seu rápido crescimento na última década, estão a produzir multimilionários a um ritmo mais rápido do que qualquer bloco de países do mundo. [...] A classe multimilionária do Brasil aumentou rapidamente, em particular sob a direção do Partido dos Trabalhadores, para 29, acima do número de um só dígito uma década antes. Hoje, mais de dois terços dos multimilionários da América Latina são brasileiros. A peça central da riqueza dos super ricos do Brasil é o sector finanças-banca que se beneficiou fortemente das políticas monetária, fiscal e neoliberal do regime de Lula da Silva. Os banqueiros multimilionários têm sido os principais beneficiários da economia de exportação agro-mineral que floresceu na última década, à custa do sector de manufaturas.

Com essas matérias sobre a intensidade da fome no mundo e a indecente concentração de riqueza nas mãos de poucos, parece claro que resolver, ou pelo menos amenizar o problema, está sob domínio dos que pouco interesse, ou nenhum, tem em solucionar tal aberração. O Portal Claretiano do Brasil, ao refletir sobre as leituras bíblicas propostas para o dia da Festa de Corpus Christi, apresenta um texto bem completo, de onde se pode destacar que:
Quando Paulo, por exigência de seu trabalho missionário, saiu de Corinto, surgiu no interior da comunidade uma verdadeira luta de classes que se manifestava vergonhosamente na celebração da Eucaristia. Os novos cristãos, ricos e pobres, livres e escravos, conviviam, porém não partilhavam, não eram solidários. Na hora de celebrar a Eucaristia (naquela época, era uma simples refeição lembrando o gesto de Jesus), todos se reuniam, porém cada um formava um grupo com os de sua classe social, de modo que “enquanto uns passavam fome, outros se embebedavam” (1Cor 11,17ss). (Como tudo isso é atual!).

A afirmação final do texto acima – “Como tudo isso é atual” – deixa transparecer que, após mais de 2000 anos de tentativas de ensinar, não aparecem evidências de um entendimento claro do que foi pregado.

A oração desta semana é do Tríduo de Preparação para a Festa de Corpus Christi, do Blog da Catequese, da Editora Vozes, para a preparação para a grande Solenidade.
      
  
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ORAÇÃO DE CORPUS CHRISTI


Senhor Jesus Cristo,

Neste admirável Sacramento

Nos deixastes o memorial da vossa paixão.



Dai-nos venerar com tão grande amor

O mistério do vosso Corpo e do vosso Sangue,

Que possamos colher continuamente

Os frutos da vossa redenção.



Vós que viveis e reinais para sempre.

Amém!

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         A música escolhida para este Oratório é "Elegia pela Terra Ferida", do Padre Zezinho, interpretada por ele e pelo Trio Ir ao Povo.

 

Um grande abraço e que a Paz de Cristo permaneça conosco!