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segunda-feira, 26 de março de 2012

PROSA DE DOMINGO - CHICO ANYSIO, A SAUDADE NÃO SERÁ "VAPT-VUPT".


O que me levou a esta atividade foi o fato de gostar de contar histórias,
pois antes de tudo, o que eu faço de melhor é exatamente contar uma história.
(Chico Anysio)



Amigas e Amigos,

No próximo dia 12 de abril, ele acrescentaria mais um aniversário aos oitenta que teve oportunidade de festejar. Mas sua passagem aqui pela terra foi interrompida para o Céu ficar mais animado. Morreu Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho, um marco do humor conhecido, e reconhecido, com Chico Anysio.

E o Brasil – que segundo Chico só tinha três problemas: o café, o almoço e o jantar – perdeu uma de suas principais alavancas para alguns momentos de alegria no meio de toda a corrupção e impunidade consentida, que tanto entristece aos que acreditam em um país melhor.

          A morte de Chico Anysio deixa o Brasil com sentimento de pesar, ainda que somente o Ceará (onde nasceu) e o Rio de Janeiro (para onde se mudou aos seis anos) tenham decretado luto oficial de três dias, pois durante os períodos em que esteve hospitalizado ficava sempre a expectativa de sua cura e de um retorno do seu bom humor, sempre reinventado e renovado.



          Mas desta vez, ele não voltou e fiquei imaginando a expressão de São Pedro ao chamar “- O próximo é... Chico Anysio.” e ao levantar os olhos perceber que Chico Anysio não era apenas o próximo, mas os 209 próximos. Entre os 209 estava Professor Raimundo, esperando, até o fim, um salário melhor que não pode receber por haver muitas “licitações” e muitos políticos sustentados pelo desperdiçado dinheiro público.

          Lembrei-me de Chico Anysio sendo aguardado aos domingos no Fantástico, onde fazia um momento de diversão para as famílias, com um humor jamais substituído. Era um quadro com conteúdo, dinâmica e alegria, que não precisava qualquer rótulo, sendo simplesmente o Chico no show da vida. Com o passar do tempo, o que ele fazia desde os anos 70 passou a ser conhecido como stand up comedy, como se alguém tivesse inventado um novo jeito de fazer as pessoas rirem. Foi nesse quadro que surgiram personagens de Chico e, talvez o mais marcante, tenha sido o malandro Azambuja que, por volta de 1975, ganhou vida e chegou a ter um programa só seu.

          Nestas últimas horas, foram muitas homenagens. O futebol, uma paixão de Chico marcada pelo personagem Coalhada, também abriu espaço para exaltá-lo, e, no “melhor estilo”, seus times em São Paulo – Palmeiras – e no Rio – Vasco, sua grande paixão – entraram em campo com nomes de seus personagens nas camisas dos jogadores, fazendo “graça”: o Palmeiras perdeu e o Vasco só conseguiu um suado empate. Ainda bem que Chico foi homenageado também em outros campeonatos por todo o Brasil.

          Na última sexta-feira, fui assistir a peça “A mecânica das borboletas”, de Walter Daguerre, com direção de Paulo Moraes, no Centro Cultural Banco do Brasil, aqui em Brasília. No elenco, Ana Kutner, Otto Júnior, Suzana Faini e Eriberto Leão que, ao final do espetáculo pediu uma salva de palmas para homenagear Chico Anysio. Foi emocionante ver toda a plateia, em pé, aplaudir durante um bom tempo.
          O velório de Chico Anysio, sábado, foi no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e nessa sua última passagem por esse templo da arte foi marcada por aplausos de tantos quantos por lá passaram. Maior ainda, acredito, foi o aplauso silencioso no coração de tantos que admiraram esse artista tão importante para arte brasileira e notadamente para o humor dessa nossa terra.

          Chico foi humorista, ator, dublador, escritor, compositor e pintor brasileiro. Nos anos 70, formou com o saudoso Arnaud Rodrigues (Antônio Arnaud Rodrigues) o grupo “Baiano & Os Novos Caetanos”, do qual fazia parte, também, Renato Piau (Renato Costa Ferreira). Do primeiro LP do grupo, onde Chico era o “Baiano” e Arnaud, o “Paulinho Boca de Profeta”, escolhi para esta homenagem a música “Selva de Feras”, de Arnaud Rodrigues e Orlandino.

   

          Um grande abraço para todos!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

PROSA DE DOMINGO - A SAGA MINISTERIAL, NOVELA SEM FIM...



Os mentirosos são sempre pródigos em juras.
(Pierre Corneille)



Amigas e Amigos,

Aparentemente, 2012 está muito igual a 2011 lá pelas bandas do planalto central do Brasil. Aqui da capital portenha – após passear pelo Caminito, ao som de tangos e milongas, jantar na Recoleta e participar da missa na Iglesia Nuestra Señora da La Consolación – a única diferença percebida em relação aos ministérios brasileiros é a data, pois o novo ano traz denúncia contra o ministro Fernando Bezerra Coelho sobre privilégios concedidos ao seu estado natal – Pernambuco – na distribuição de verbas das chuvas. Parece que Pernambuco recebeu mais verbas para enchentes do que o Rio de Janeiro, que tanto sofreu com esse tipo de calamidade em 2011.

Além disso, o ministro foi acusado de favorecer seu filho, que é deputado federal, e de atuar para manter o seu irmão como presidente da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba). Sábado, no portal G1 (http://g1.globo.com), podia se encontrar que:
Na terça (10), há possibilidade de o ministro comparecer ao Congresso. O PPS pediu ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), a convocação da Comissão Representativa do Congresso Nacional para discutir as denúncias relacionadas ao Ministério da Integração Nacional. A comissão é composta por oito senadores e 17 deputados e pode ser convocada durante os períodos de recesso parlamentar. Bezerra se colocou à disposição para comparecer ao Congresso e dar explicações. "Eu estarei à disposição para visitar a comissão no Congresso na terça-feira, às 10h, para poder responder às dúvidas ou indagações do requerimento e outras tantas dúvidas que, porventura, os parlamentares possam ter em relação à política de aplicação de recursos do Ministério da Integração no que toca à defesa civil", afirmou o ministro nesta sexta. Bezerra nega ter privilegiado Pernambuco, seu estado natal, na distribuição das verbas para prevenção a desastres naturais. Em nota, o ministério contestou reportagem publicada na quinta pelo jornal "O Globo", que informa que, no Orçamento de 2012, Pernambuco foi o estado com a maior previsão de verbas da Integração no Programa de Gestão de Riscos e Resposta a Desastres. Segundo a publicação, o estado receberia R$ 81,4 milhões, cerca de 11,6% do total do programa sob gestão da pasta. A Integração afirmou que a maior parte dos recursos foi incluída por parlamentares através de emendas durante a tramitação da lei orçamentária. Inicialmente, informa, a previsão enviada pelo Executivo era de R$ 67,6 milhões, complementados com R$ 634 milhões de emendas parlamentares. Em entrevista nesta sexta à Agência Brasil, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, defendeu o ministro da Integração. Ela disse que não houve irregularidades na utilização de créditos extraordinários para investimentos na construção de barragens em Pernambuco. Segundo a ministra, em 2010, o governo pediu um estudo sobre obras para se evitar a repetição das tragédias das chuvs que, naquele ano, atingiram Pernambuco e Alagoas. “Quando a solução foi identificada, não tínhamos dotação específica para 2011. Por isso, o ministro da Integração usou a dotação de crédito extraordinário. Não há nenhuma irregularidade nisso. É dinheiro de defesa civil utilizado em uma obra de defesa civil”, afirmou a ministra à agência. O jornal "Folha de S.Paulo" afirmou na edição deste sábado (7) que o filho do ministro, deputado Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), foi o único parlamentar que conseguiu obter o empenho (compromisso de pagamento) de todas as emendas que apresentou para obras do ministério. De acordo com o jornal, o ministério respondeu em nota que o ministro não beneficiou o filho. Segundo a nota, o deputado conseguiu a liberação de cerca de 80% dos pedidos em anos anteriores, quando o pai não era ministro. Segundo "O Estado de S. Paulo", o ministro agiu para manter durante um ano o irmão, Clementino Coelho, na presidência da Codevasf. Coelho assumiu após a exoneração do antecessor, Orlando Cézar da Costa Castro. Pelo estatuto da Codevasf e por orientação da Controladoria-Geral da União (CGU), na ausência do presidente, o diretor mais antigo - no caso, Coelho - assume a presidência até a nomeação do novo titular do cargo. Nesta sexta, a Casa Civil da Presidência da República divulgou nota informando que, "há cerca de 50 dias", Fernando Bezerra fez o pedido para que Guilherme Almeida, que também é diretor da empresa, seja nomeado novo presidente da Codevasf. "Em que pese Almeida já ocupar o cargo de diretor da estatal, a assunção à presidência do órgão exige novas consultas, conforme determina a legislação. Cabe, porém, destacar que, tendo sido concluídas as consultas, Guilherme Almeida será nomeado nos próximos dias", informou a nota da Casa Civil.

          Salvo engano, 2011 terminou com ministros sendo denunciados, negando falcatruas, sendo defendidos por alguma fonte oficial, e caindo fora antes que seus malfeitos (apelido oficial – apreciado pela presidente e seu séquito – para prevaricação) fossem efetivamente esmiuçados, pois acredito que a inhaca tenderia ao insuportável.



Como políticos têm certeza que nós temos curta memória, saem do “palco” temporariamente, já preparando um breve retorno como tantas “figurinhas carimbadas” que achincalham nossa política. Não será de estranhar que mais um ministro caia antes da protelada reforma (ou limpeza) ministerial. Acho melhor reforma, por que pelas últimas substituições fica difícil imaginar limpeza.

Para que possamos ter uma boa semana, separei uma belíssima moda do amigo Chico Lobo, interpretada por ele mesmo, que tem por título “Beira de Mato”, do CD “No braço desta viola”. E assim a gente esquece um pouco destes políticos que só lembram da gente quando precisam de nossos votos para se elegerem.  


          Um grande abraço e uma semana maravilhosa para nós!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

PROSA DE DOMINGO - UMA ARROGANTE CONSULESA



A soberba nunca desce de onde sobe,
mas cai sempre de onde subiu.
(Francisco Quevedo)

Amigas e Amigos,

          Hoje não teve o programa Canto da Terra, que volta no próximo domingo, das 10 horas até ao meio-dia, pelo Sistema Nova Aliança de Comunicação. Por conta disso, pude assistir o “Viola, Minha Viola”, com apresentação  de Inezita Barroso, esse ícone da música caipira, e as participações de Neymar Dias, Altemar Dutra Jr. e a dupla Mococa & Paraíso.



         À noite, lendo a revista Veja, na Internet, encontrei que a consulesa de Honduras em Belo Horizonte, conforme informação de Polícia Militar, ameaçou atear fogo em um morador de rua que dormia próximo ao prédio onde ela mora. Como parece que diplomacia em Honduras tem significado distinto do que se imagina por aqui, a distinta senhora está sendo acusada, também, de agredir o citado morador de rua. O portal da revista registra que:
A mulher do cônsul honorário de Honduras em Belo Horizonte, Marília Rodrigues de Pineda, foi acusada de agredir um morador de rua que há alguns dias dorme ao lado do prédio onde ela mora em Belo Horizonte com o marido, Héctor Nery Pineda Mendoza. Segundo a Polícia Militar, a consulesa também teria ameaçado atear fogo na vítima. Ainda de acordo com a PM, a agressão ocorreu no início da noite de sábado, no bairro Funcionários, área nobre da região centro-sul da capital mineira. O morador de rua José Rubens da Silva estaria dormindo há pouco mais de uma semana no local, próximo ao edifício onde vive a família do diplomata. Pela ocorrência, encaminhada à Polícia Federal, a consulesa teria xingado e agredido Silva com a coronha de uma arma. Ela ainda teria ameaçado a vítima para que ela deixasse o local. Segundo a PM, Silva sofreu ferimentos leves. No fim da tarde deste domingo foi feito contato com o Consulado Honorário de Honduras e com a residência do cônsul, mas ninguém atendeu. Na embaixada de Honduras, em Brasília, um funcionário informou que ainda não havia chegado nenhuma notificação sobre o caso. 
         Como a relação de nosso país com Honduras é “regada” a trapalhadas, conforme os desconfortos diplomáticos patrocinados pelo então presidente Lula ao conceder abrigo a Manuel Zelaya – presidente hondurenho destituído em junho de 2009 – na embaixada brasileira em Tegucigalpa, durante mais de quatro meses.

         Outro fato marcante dessa relação diplomática desastrosa foi o incidente envolvendo a consulesa brasileira Francisca Francinete de Melo, que foi barrada no aeroporto Toncontín, da capital Tegucigalpa, em um voo comercial saído de Miami-EUA. Como esse tipo de acidente sempre pode piorar, a consulesa brasileira acabou sendo deportada para os Estados Unidos. 

          Não é difícil imaginar que daqui a pouco se escute – ou se leia em algum rótulo – o Ministério da Saúde advertindo que “relações diplomáticas com Honduras fazem mal a saúde – consuma com moderação”. Fica a dúvida sobre a continuidade da investigação da “tortuosa relação entre a consulesa e o morador de rua que, provavelmente, roncava tão alto que perturbava o descanso da nobre consulesa. Enquanto isso, o Natal está se aproximando...

          Para concluir a prosa de domingo de hoje, escolhi – lembrando da ilustre “dama” hondurenha – a música “A enxada e a caneta”, de Teddy Vieira e Capitão Barduíno, interpreta pela dupla Zico & Zeca, Irmãos de Liu e Léu e primos de Vieira e Vieirinha.




          Um grande abraço e uma ótima semana.


Wilmar Machado



segunda-feira, 8 de agosto de 2011

PROSA DE DOMINGO - A GREVE QUE ESCANDALIZA

Convencidos da vida há-os, afinal, por toda a parte, em todos (e por todos) os meios.
 Eles estão convictos da sua excelência,
da excelência das suas obras e manobras (as obras justificam as manobras),
de que podem ser, se ainda não são, os melhores, os mais em vista.
(Alexandre O'Neill)

Amigas e Amigos,

               Na Prosa de hoje, recupero uma notícia da última sexta-feira da página de Notícias do Portal UOL (http://noticias.uol.com.br),  sobre a ameaça de greve feita pela associação de juízes com o objetivo de reivindicar o aumento de salário de magistrados.

               A matéria do UOL inicia com o seguinte teor:
A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) manifestou hoje (5), por meio de nota, o descontentamento com a posição do governo de não autorizar, este ano, reajuste dos salários dos magistrados. De acordo com o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), a Casa não irá votar o aumento de 14,79% encaminhado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cezar Peluso. “A posição do governo pode, lamentavelmente, precipitar uma nova paralisação ou greve geral da categoria”, alertou o presidente da Ajufe, Gabirel Wedy. A entidade fará assembleia no dia 17 de agosto para decidir o que fazer diante da posição da liderança do governo. Em abril, a Ajufe organizou um dia de paralisação e, agora, já considera promover pelo menos uma semana de greve em setembro.

               Fico pensando se a sociedade chegará a perceber uma semana de paralisação de quem, invariavelmente, produz muito pouco. Não estou dizendo que essa classe que ameaça a paralisação trabalhe pouco, porque acredito que muitos trabalhem muito. Falo de produção, o que necessariamente não está associado a muito trabalho, mas a trabalho bem planejado e bem executado – pelo menos.



               Na seqüência da matéria, pode-se encontrar:
Para Wedy, a alegação de falta de recursos é improcedente porque, segundo ele, a Justiça Federal é superavitária em R$ 4 bilhões. “Os juízes federais arrecadam nas varas de execução fiscal R$ 11 bilhões por ano. O custo total do Judiciário Federal, incluindo salários e infraestrutura, é R$ 6,3 bilhões”. A entidade já ajuizou duas ações no STF para que a Corte determine ao Congresso Nacional a votação imediata da proposta de aumento dos salários.

               Parece que a idéia da Ajufe é algo além de “participação nos lucros”, pois o entendimento aparente é de que a arrecadação propiciada pelos juízes federais é para ser repartida entre os ilustres magistrados. E se alguém pensar que a arrecadação governamental deveria ser aplicada em educação, saúde e segurança pública, penso que pode repensar, pois se todas as classes responsáveis por arrecadação utilizarem a mesma fórmula (válida para juízes federais), tudo o que for arrecadado será repartido entre os “arrecadadores”.

               Para uma boa reflexão, vale à pena verificar quanto estão recebendo os juízes federais, por mês, para trabalhar em horários com certa liberdade e com vários recessos anuais, além de férias e facilidades para algumas outras atividades – por exemplo, nas áreas de educação e comunicação (com remuneração adicional). Será que esses salários recebidos por esses magistrados suportam uma comparação com semelhantes de outros países, talvez até com justiça menos lenta? Comparar esses salários (que devem ultrapassar a faixa dos R$ 20 mil/mês) com o salário de professores (que, ao contrário dos magistrados, cumprem metas e não deixam acumular aprovação ou reprovação de alunos para o próximo período letivo) poderá parecer brincadeira de mau gosto.

               Enquanto a justiça dos homens, por aqui, tarda e falha, a música para a Prosa de Domingo é de autoria de Geraldinho e Léu, com a dupla Liu & Léu, “O Juiz e o Réu”, do “vinil” de 1983 “O Ipê Florido”.


               Um grande abraço e que tenhamos uma agradável segunda-feira!

Wilmar Machado

domingo, 31 de julho de 2011

PROSA DE DOMINGO - FESTIVAL DO BODE

Era desses caras que cruzam cabra com periscópio
pra ver se conseguem um bode expiatório.
(Stanislaw Ponte Preta)

Amigas e Amigos,

               Está terminando mais um domingo e no interior do Ceará chega ao fim uma festa em homenagem ao bode, conforme noticiado pelo portal G1(http://g1.globo.com). A 10ª Tejubode começou na última sexta-feira, no parque de exposições da cidade de Tejuçuoca, distante 142 km de Fortaleza.

(Foto: Giselle Dutra/ G1 CE)

               Segundo o portal, esse Festival que está terminando hoje tem como grande atração uma feira para mostrar o que pode ser feito a partir de bodes, como comidas, artesanato, livros, chaveiros, bolsas e até lingerie com detalhes em couro do animal. O pessoal da região aproveita a festa para melhorar um pouco a renda familiar, conforme noticiado no G1:
A artesã Edmir da Cruz, 41 anos, vende peças decorativas na feira e produziu um pequeno bode para a festa. Ela cobra R$ 6,00 pela obra e acredita terá bom lucro na feira. José Neto, 54 anos, "o baixinho do couro", faz questão de dizer que fabricou as bolsas  para as placas do evento a serem entregues às autoridades. Na feira, ele vende bolsas e sandálias feitas de couro de bode. [...] O festival gastronômico é dos principais atrativos da feira. Em um dos primeiros estandes, pode-se encontrar um cardápio variado feito a base de bode: churrasco no espeto, buchada e linguiça são alguns dos itens mais pedidos. […] O agricultor Carlos Alberto Farias Duarte, 48 anos, é um deles. Dono de um pequeno rebanho de 20 bodes e 60 ovelhas, durante o ano, ele vende carne e derivados dos caprinos para ser usados no lanche das crianças das escolas municipais. E quando chega o Tejubode, a expectativa é de aumentar em 25% a renda familiar. Segundo o secretário de Desenvolvimento Rural e Meio Ambiente de Tejuçuoca, Paulo César Uchoa Braga, desde o primeiro Tejubode, em 2001, a economia do município começou a mudar. Naquele ano, o rebanho de ovinos e caprinos em todo o município era de cerca de 5 mil cabeças. Hoje, afirma o secretário, esse número chega a 17 mil cabeças. 

               Na continuação da matéria, o portal comenta a má fama do bode que fazem com que os criadores tenham de, frequentemente, pedir desculpas aos donos de pastos vizinhos, pois os bodes não “respeitam” as cercas que delimitam as propriedades. Na festa, tem até aquela fotografia clássica de criança montada em pônei artificial, mas em Tejuçuoca o pônei dá lugar a um bode confeccionado em fibra. Nas escolas do município, as crianças começam cedo a assimilar a cultura do bode, com livros infantis – como o “Bode Chico e Chico Homem” – e com a participação no cortejo que abre o evento.

               Para encerrar essa Prosa de Domingo, escolhi a música “Ladrão de Bode”, de Rui Morais e Silva, interpretada pelo saudoso mestre Luiz Gonzaga.


               Um grande abraço e que tenhamos uma bela segunda-feira!

Wilmar Machado

domingo, 24 de julho de 2011

PROSA DE DOMINGO - TEM MUITA SUJEIRA DEBAIXO DESSE TAPETE

A honestidade é própria das classes médias.
As de baixo não a ignoram, mas não sabem para que serve.
As de cima não a ignoram, mas não sabem para que ainda serve.
(Vergílio António Ferreira)


Amigas e Amigos,

               Inicio esta Prosa lembrando a declaração da presidente Dilma para o jornal Folha de São Paulo (http://www.folha.uol.com.br) sobre as recentes denúncias contra os dirigentes da área de transporte do governo. Conforme a Folha:
"Sairão todos os integrantes do Dnit e da Valec", disse nesta sexta-feira (22) a presidente Dilma Rousseff, referindo-se aos dirigentes que comandam essas duas instituições. [...] A ideia de Dilma é fazer uma reestruturação do setor de transportes. Daí disse ter entendido ser necessário trocar todos os diretores do Dnit e da Valec. A informação foi dada ontem durante uma conversa no Palácio do Planalto com repórteres de cinco publicações da mídia impressa, incluindo a Folha.

               Pode-se perceber que as atitudes da presidente são bem diferentes das que observávamos no governo anterior, onde sobraram vistas grossas para situações semelhantes a essa dos transportes (e até para outras com mais evidências).



               Mas nesse caso, acredito que a presidente não conseguirá efetuar a “limpeza”, mais do que necessária, pois parece que os interesses escusos extrapolam o Dnit e a Valec. Comento isso pela matéria do portal G1 (http://g1.globo.com/politica), sobre o “forte interesse” do Congresso em “tocar” obras irregulares. Diz o portal que:
O Congresso descumpriu uma recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU) e liberou R$ 175 milhões para obras do Departamento Nacional de Infraestrutura dos Transportes (Dnit) , suspeitas de superfaturamento e de uma série de outras irregularidades. São obras do Dnit com indícios de desvios graves. O Tribunal de Contas da União fez auditorias e concluiu que as rodovias não deveriam nem receber dinheiro público. Mesmo assim, o Congresso aceitou os argumentos do Dnit. […] A conclusão dos fiscais do TCU é que pelo menos R$ 78.612.226,00 estão sendo pagos de forma indevida Às empreiteiras. A fatia reservada ao Dnit no orçamento geral da União para essas obras dói de quase R$ 486 milhões.  Por causa do prejuízo aos cofres públicos, o Tribunal de Contas da União já recomendou a paralisação imediata das obras. O levantamento do Tribunal ainda precisa ser analisado pelo Congresso Nacional. Só depois disso, e se o Congresso determinar, é que poderá haver a suspensão dos repasses de recursos para as empreiteiras responsáveis pelas obras.
               A presidente está fazendo a parte dela, ao buscar uma  “limpeza” em áreas obscuras. Cabe a nós limparmos o restante, pensando bem em quem votar nas próximas eleições e deixando de reeleger esses senhores que, sabe-se lá com que motivação,  fazem pouco caso de recomendações – a partir de graves problemas – de auditorias do TCU.

               Para terminar esse domingo um pouco mais animado, a música de hoje é “Gaitaço”, de Jayme Caetano Braun e Nilo Padilha, com o Gaúcho da Fronteira.


               Um grande abraço e uma boa semana para nós,

Wilmar Machado

domingo, 10 de julho de 2011

PROSA DE DOMINGO - O DIÁRIO DA PRESIDENTE

Onde não há amor, põe amor e tirarás amor.
(S. João da Cruz)

Amigas e Amigos,

               Mais um domingo. Dia de descanso e de uma prosa mais leve. Começo falando do próprio programa Canto da Terra, que no próximo mês de agosto completará 8 anos no ar nas rádios Nova Aliança, de Brasília. Com alegria, a cada domingo se identificam ouvintes de lugares mais distantes que acompanham o programa pela Internet (http://www.novaalianca.org.br). Nos últimos programas, tenho recebido telefonemas, e-mails (cantodaterra@gmail.com), manifestações no Facebook (http://facebook.com/wilmar.machado) e no Twitter (http://twitter.com/cantodaterra) do Rio Grande do Sul, do Paraná, de São Paulo, de Goiás, de Minas Gerais, do Espírito Santo, da Bahia e do Rio Grande do Norte.

               Nessa prosa leve, lembro das postagens do deputado Romário (PSB-RJ) após recusar fazer o teste do bafômetro quando parado em uma blitz nesta madrugada no Rio de Janeiro. A prosa é leve, mas o que o deputado “baixinho” escreveu espalhou odores mais fortes do que “peixe” podre. Se entre os mais de 200 mil seguidores dele estiverem seus eleitores, vai ser difícil emplacar a prefeitura do Rio com tanta baixaria.

               Outra situação agradável e leve para este domingo é a forma como o humor se aproveita bem da imagem de nossos presidentes da República, provavelmente desde que existe a República. Antes, os imperadores também foram bem explorados para geração de boas risadas.

               Sobre a exploração da imagem da presidente atual, lembro do programa “Zorra Total”, onde tem um Bonde Brasil (ou coisa parecida) que, mesmo me parecendo uma boa idéia a Dilmaquinista, não consegue me entusiasmar.



               Por outro lado, a revista “piauí" (http://www.revistapiaui.com.br), traz a cada número uma página com o título “o diário da Dilma”, que vale a pena conferir. No número 58, deste mês de julho, na página 33, aparece o diário de junho do qual transcrevo abaixo alguns dias:
1º DE JUNHO_Dizem que junho não é um bom mês para sagitarianos. Com ascendente em Escorpião, então, nem se fala. Já deixei dois recados com a minha astróloga. Deve ter alguma coisa encalacrada no meu mapa. Palocci e pneumonia ninguém merece. Minha tia queria trazer um pai de santo muito bom aqui da Ceilândia, para tirar o mau-olhado. Começo hoje uma trezena de santo Antônio. Não aguentei e li meu horóscopo on-line: “Sua Lua está apontada para Vênus. É tempo de mudança. Renove os ares antes que seja tarde.” Tomei um Rivotril.2 DE JUNHO_Pedi para o Luiz Sérgio gravar Guerra dos Tronos. Vi uma chamada e fiquei curiosa. A verdade é que, com tanta amolação por causa do Palocci, nem consigo mais seguir Cordel Encantado. Tão fofinha, a novela. […] Coloquei o DVD que o Luiz Sérgio gravou, e surpresa: um show da Cher em Las Vegas. O que é isso? [...]6 DE JUNHO_ [...] Fiquei arrepiada quando o Chávez disse que me achou inteligente e interessante logo na primeira vez que me viu. Mas não dei bandeira: em terra de sapo, mosca não dá rasante. Não sentia uma emoção tão grande desde que pegamos aquele cofre do Ademar. O Lobão estava por perto e acho que ouviu. Bem feito! É para ele parar de se achar. Patriota ligou: “Ollanta Humala foi eleito presidente do Peru.” Já ia passando um pito por causa dessa mania dele de fazer trocadilho idiota, quando a Ideli Salvatti, que estava por perto, me cochichou que esse era mesmo o nome do homem. Esperta essa Ideli, vou pedir para ela gravarGuerra dos Tronos. O Franklin Martins apareceu em casa. Achei ele a cara do Gregory Peck. Deve ser o Rivotril. [...]10 DE JUNHO_João Santana deixou no gabinete uma carta cumprimentando o Fernando Henrique pelos 80 anos. Tinha um post-it em cima: “Presidenta, fume o cachimbo da paz com o FHC. Vai por mim. Todos os colunistas tucanos (releve a tautologia) vão elogiá-la e, por tabela, ainda enfraquecemos o Serra.” O texto já veio em papel timbrado e com a minha assinatura no final. Êita marqueteiro eficiente! Mas, cá entre nós, querido diário, “releve a tautologia” é coisa de baiano com complexo de Rui Barbosa. Adorei os comentários de que a Gleisi é a “Dilma da Dilma”. Ai, se eu tivesse aquele narizinho... [...]14 DE JUNHO_O Haddad me manda um e-mail com uma nova sugestão para o vídeo contra a homofobia: duas amigas que acabam se apaixonando. O título? “Eduarda e Mônica”. Como diria o Robin: “Santa Herança do Lula!” [...]27 DE JUNHO_Marieta Severo para interpretar Dilminha no cinema? Sei não. Adoro a dona Nenê, mas a Paola Oliveira não é mais parecida? Ela está ótima em Insensato Coração. E quem fará o papel do Lobão? Será que o Antonio Banderas esteve no Brasil para isso?
               O diário completo está na revista que chegou hoje às bancas e, em minha opinião, vale à pena conferir. Para manter a prosa leve, a música escolhida para hoje é “Nóis e Jéca, mais é Jóia”, de Juraildes da Cruz, compositor tocantinense, gravada por Xangai, cantor baiano.


               Um grande abraço e uma ótima semana!

Wilmar Machado

domingo, 19 de junho de 2011

PROSA DE DOMINGO - E AS LEIS ESCORREM PELOS RALOS...

Um sistema de legislação é sempre impotente se, paralelamente, não se criar um sistema de educação.
(Jules Michelet)


Amigas e Amigos,

               Abro a Prosa de Domingo com uma grande dúvida pessoal: o desperdício de dinheiro público em nosso país é devido a nossa irresponsabilidade na hora de elegermos os candidatos aos diversos cargos nos executivos e nos legislativos?


               
               Essa dúvida passou a me incomodar mais intensamente, hoje, com a publicação de uma matéria no jornal O Globo (www.oglobo.globo.com), sobre a quantidade de leis criadas no Brasil, por dia. São 18 leis por dia, das quais a maioria vai para o lixo. Transcrevo, a seguir, um excerto da citada matéria:
"Dá-me os fatos e te darei as leis", diz a máxima sobre o trabalho de um juiz. Pois os juízes brasileiros tiveram de lidar com muitas na última década: de 2000 a 2010, o país criou 75.517 leis, somando legislações ordinárias e complementares estaduais e federais, além de decretos federais. Isso dá 6.865 leis por ano - o que significa que foram criadas 18 leis a cada dia, desde 2000. Mas, em vez de contribuir para a aplicação do Direito, boa parte dessa produção só serviu para agravar os problemas da máquina judiciária. A maioria das leis é considerada inconstitucional e acaba ocupando ainda mais os tribunais com a rotina de descartá-las. Outras, mesmo legítimas, viram letra morta, pois o juiz as desconhece ou prefere simplesmente ignorá-las. E outras têm a relevância de, por exemplo, criar o Dia da Joia Folheada ou a Semana do Bebê. Embora as mazelas da Justiça sejam, muitas vezes, associadas à falta de leis apropriadas, é justamente o excesso delas um dos fatores que emperram o Judiciário. Outro motivo seria a baixa qualidade da produção legislativa - uma lei que não se liga à realidade social, ou outra que não se baseia em princípios constitucionais.[...] Das 75.517 leis criadas entre 2000 e 2010, 68.956 são estaduais e 6.561, federais. Minas Gerais foi o maior legislador do período: criou 6.038 leis. Em seguida, Bahia, criadora de 4.467 leis; Rio Grande do Sul, com 4.281; Santa Catarina, com 4.114; e São Paulo, com 4.111. O Rio de Janeiro criou 2.554 leis nesse período. Esse total de 75 mil leis nem leva em conta as municipais - o que faria subir consideravelmente esse número, já que, segundo a Confederação Nacional dos Municípios, existem atualmente no país 5.500 Câmaras municipais e 55 mil vereadores. A inconstitucionalidade é um dos principais problemas na qualidade das leis, sobretudo as estaduais e municipais; uma lei tem sua constitucionalidade questionada por meio de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin). De 2000 a 2010, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou 2.752 Adins, relativas a leis federais e estaduais; de 1988 até agora, 20,5% dessas foram julgadas inconstitucionais. Nos estados, só o Tribunal de Justiça de São Paulo, por exemplo, julgou, em 2010, 338 Adins questionando leis estaduais e municipais. Da lei que institui o Dia do Motoboy no estado à que exige times femininos jogando nas preliminares das rodadas decisivas do campeonato estadual de futebol, 80% das leis que chegam para a sanção do governador Sérgio Cabral são consideradas inconstitucionais pela Procuradoria Geral do Estado. Especialistas estimam que esse percentual médio se repita em outros estados. […] O jurista Hélio Bicudo acrescenta outro complicador para a qualidade da produção legislativa brasileira: a baixa autonomia do Legislativo, principalmente o federal: - Essa tripartição de poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), na prática, não vale nada. Quem dá a orientação sobre o que o Congresso vai votar ou não é o Executivo. É uma ditadura do Executivo.
               Esse desperdício é todo por nossa conta. Mas, somos nós que pedimos essa conta para pagamento no ato sempre que desperdiçamos nossos votos, não raras vezes com a intenção de algum tipo de protesto contra a ordem instituída. Nesses momentos de “revolta inconseqüente” podemos eleger pessoas completamente despreparadas para o exercício de algum tipo de mandato.

               Surge-me, então, mais um questionamento: Como indivíduos que mal sabem escrever podem carregar a responsabilidade de escrever leis? Já ouvi algumas respostas dirigindo essa responsabilidade para os cabides de emprego assessores. Mas eu não me lembro de qualquer eleição em que votei em algum assessor.

               Com a exagerada quantidade de leis que surgem dentro da inconstitucionalidade, conforme a matéria, fico em dúvida até sobre a qualidade da assessoria. Na matéria completa é possível se encontrar algumas leis destinadas a homenagens que parecem  mais um momento surrealista, como a exigência de times femininos disputando preliminares de jogos de campeonato estadual ou com o Dia da Jóia Folheada – essas duas “leis” aparecem na matéria.

               Para encerrar a nossa Prosa, convido para ouvir Milionário e José Rico cantando “O Último Julgamento”, música de Léo Canhoto.


               Até a próxima e um grande abraço para todos.

Wilmar Machado 

domingo, 10 de abril de 2011

PROSA DE DOMINGO – O RANÇO DA DITADURA

Amigas e Amigos,

                  Neste domingo, com muito sol e muita (mas muita, mesmo) chuva em Brasília-DF, apresentei o programa Canto da Terra, pela manhã, nas Rádios Nova Aliança (http://www.novaalianca.org.br) e, no período da tarde, após o futebol na televisão, encontro uma matéria, pelo menos, instigante. Pareceu-me que ainda existem muitas “viúvas” da ditadura militar, que sobrevivem com o vazio psicológico provocado pela ausência do poder absoluto experimentado.

                  Não tenho nada contra (e também não lembro nada muito a favor) de novelas televisivas. Como toda a expressão que envolve arte, acredito existirem novelas bem feitas e outras de duvidosa elaboração, mas nem sempre esses critérios impactam diretamente o sucesso ou insucesso da obra. Não penso, agora, em qualquer reflexão sobre novelas, autores, produtores, diretores, técnica ou atores, nem sobre o “aproveitamento” dado pelas emissoras a esses espaços, com propagandas ou apresentações de idéias, nem sempre bem entendidas. Penso sempre que a audiência pode levar emissoras e patrocinadores a algum tipo de reflexão.



 
                  Fazendo um elo entre os parágrafos acima, reproduzo a matéria publicada na página “Na Telinha”, do portal UOL (http//www.uol.com.br), sobre um abaixo-assinado (nem tudo está tao perdido, pois o número de adesões é muito baixo) que o portal militar promove para cancelar a novela “Amor e Revolução”, do SBT, que, segundo o portal Terra (http://www.terra.com.br) “tem boa história e nenhuma dramaturgia”. Diz o “Na Telinha” que:
Desta vez, um portal militar resolveu fazer um abaixo-assinado contra a novela de Tiago Santiago, que aborda o período da ditadura militar no Brasil. Os donos do site querem que a trama seja proibida de ir ao ar no SBT. No texto, os autores dizem que "é óbvio que o governo federal através da comissão da verdade, recém criada, está participando do acordo em exibir a novela Amor e Revolução no SBT. Parece-nos que se trata de um acordo firmado com o empresário Silvio Santos, visando o saneamento do Banco Panamericano do próprio empresário. As forças armadas não devem permitir, dentro da legalidade, que tal novela seja exibida, pelos motivos óbvios abaixo declarados. Convém salientar que as forças armadas já se manifestaram negativamente a respeito da novela Amor e Revolução". E completam: "sendo assim, o efetivo da forças armadas, tanto da ativa como inativos e pensionistas, vêm respeitosamente através desse abaixo assinado, como um instrumento democrático, solicitar do digno Ministério Público Federal, representado acima, providências em defesa da normalidade constitucional, vista o cumprimento da lei de anistia existente, conforme já decidiu o Supremo Tribunal Federal. Nestes termos pede deferimento em caráter urgentíssimo". Procurado pelo NaTelinha, o novelista Tiago Santiago falou sobre o protesto: [...] “achei uma iniciativa despropositada, que interessa apenas aos criminosos, torturadores e assassinos, que violaram as Convenções de Genebra, nos chamados ’anos de chumbo’ da ditadura militar". A colaboradora de Tiago Santiago em "Amor e Revolução", Renata Dias Gomes, também falou com o NaTelinha. Ela comentou que "felizmente a ditadura e a censura acabaram e hoje a gente pode contar uma história sem medo. Ou deveria poder".

                  É interessante observar o perfil (poder-se-ia considerar doentio?) semelhante aos dos personagens dos Anos de Cumbo, ao imaginarem – com duvidosa criatividade – situações que, rapidamente, viram verdades em “cérebros pouco privilegiados”. Visitei o portal militar e essas verdadeiras “preciosidades” me chamaram a atenção: o “é óbvio” seguido de uma bobagem como se fosse uma verdade; e o citado “acordo firmado” é tão perceptível como “chifre em cabeça de cavalo”. Mas o ranço ditatorial fica evidente ao se evidenciar a “normalidade constitucional” para tentar uma violência bárbara contra a própria constituição.

                  Não vi nenhum capítulo dessa novela e nem estou defendendo a história retratada, até por desconhecê-la completamente. Mas penso que a liberdade de expressão deve estar acima das baboseiras que tanto nos privaram em um período recente de nossa história – ainda bem que, a inteligência de nossos artistas conseguiram inúmeras vezes burlar a ignorante censura de alguns ignorantes. E só assim, poderemos garantir o direito de criar – assistir ou não é decisão de cada um.

                  Para concluir esta Prosa com muita esperança de que o Brasil coloque esse abaixo-assinado em seu lugar devido – que pode ser abaixo da terra, devidamente enterrado na mesma cova da ditadura que alguns ainda tentam ressuscitar –, sugiro a música “Brasil Poeira”, de Almir Sater e Renato Teixeira, na interpretação de Almir Sater, com sua inconfundível viola.


                  Até a próxima Prosa, aqui no Canto da Terra, e um grande abraço!

Wilmar Machado

segunda-feira, 28 de março de 2011

PROSA DE DOMINGO - ELIS ALÉM DO TEMPO

Amigas e Amigos,

            Para quem, como eu, acredita que nossa cultura, tão pouco valorizada ou incentivada por nossos governantes e políticos, é de interesse da maioria dos brasileiros, o portal ClicRbs (http://www.clicrbs.com.br), no caderno Donna, traz uma auspiciosa notícia. A material desperta a atenção dos ouvintes para o redescobrimento, no Brasil, da obra de Elis Regina.


 
            Inicialmente, a matéria diz que não se trata de uma iniciativa “amarrada”, mas de um conjunto de iniciativas isoladas que se aproximam, dando idéia de fazerem parte de uma estratégia orquestrada. Sobre a primeira iniciativa, diz a matéria que:
Em conversas com João Marcello Bôscoli, produtor musical e um dos filhos da cantora, a gravadora Universal já tem acertado para 2012 o relançamento dos 21 álbuns que Elis gravou pela companhia. Eles sairão em CDs individuais remasterizados e em duas caixas de luxo, com mais um CD de raridades cada.

 
            A referência feita na matéria a segunda iniciativa, traz o seguinte conteúdo:
Uma 'operação Elis', com um documentário de seis horas de duração, exposição, biografia e shows da filha de Elis, Maria Rita, por cinco cidades do País, compõem um projeto maior, chamado "Redescobrindo Elis". Uma captação aprovada pelo Ministério da Cultura permite a João Marcello captar até R$ 5,8 milhões com patrocinadores para as investidas, programadas para o segundo semestre de 2012.

 
            Em seguida, a matéria destaca que:
O fotógrafo Paulo Kawall, 'apadrinhado' por Elis aos 21 anos e que se tornou uma espécie de retratista oficial da cantora, anda por São Paulo com dois livros pesados em busca de patrocínio. São fotos exclusivas que Paulo tirou da artista, muitas vezes a pedido da própria, entre 1976 e 1982, em formatos gigantes para os padrões de livros assim - 30 cm por 40 cm.

 
            E, nessas iniciativas que parecem combinadas entre si, a matéria ainda traz mais uma iniciativa:
O mergulho mais profundo de "Redescobrindo" Elis está nas mãos do paulista Allen Guimarães, 44 anos. Em 2005, o então estudante de cinema em Uberlândia passou a seguir os rastros de quem quer que tivesse algo interessante a dizer sobre Elis Regina. Entrevistou quase 50 pessoas, dentre elas Gal Costa, Gilberto Gil, Marília Pera, André Midani, Milton Nascimento, Nelson Motta e Jair Rodrigues. Uma cena retirada daqui, uma fala a menos ali, e restaram ainda seis horas de imagens, [...] sua exibição será apenas durante a exposição de Elis, em local ainda não definido. Dividido em seis partes de uma hora cada, o documentário não faz buscas na vida particular de Elis, a não ser nos momentos citados pelos próprios entrevistados. Mas uma das 'Elises' que ele traz é surpreendente.
            Elis foi, e é, maravilhosa para a Música Brasileira. Essa homenagem, praticamente coordenada pelo João Marcelo, é uma forma de dizermos obrigado por tudo que a “pimentinha” fez pela música com tanta paixão. Acima de tudo, pode-se afirmar que os grandes beneficiados pelas iniciativas que acontecerão seremos nós mesmos, tendo à disposição uma obra com conteúdo riquíssimo.

            Uma das músicas mais tocada no programa Canto da Terra é Romaria, que mereceu tantas regravações, mas hoje, aqui, nós vamos ouvir a primeira gravação, que foi feita por Elis Regina.


             Um grande abraço para todos!

Wilmar Machado