sexta-feira, 22 de junho de 2012

FOGÃO DE LENHA – RABADA COM POLENTA

O prazer da comida é o único que,
desfrutado com moderação, não acaba por cansar.
(Jean-Anthelme Brillat-Savarin)



Amigas e Amigos,




Antes de tratar da receita de hoje, considerada por tanta gente como um prato “pesado”, abordo uma notícia de hoje sobre a tentativa de liminar que os advogados estão buscando para Cláudio Monteiro, ex-chefe de gabinete do governador Agnelo, suspeito de envolvimento em uma ligação que haveria entre o governo do DF e o “zoo-empresário” Cachoeira. Os advogados do senhor Monteiro querem garantir para seu cliente a possibilidade de ficar em silêncio, em determinadas circunstâncias, no encontro que terá com integrantes da CPI Mista do Cachoeira, na próxima semana.

Na edição de hoje do Estadão pode-se encontrar que:
Os advogados de Cláudio Monteiro, ex-chefe de gabinete do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), entraram com um pedido de habeas-corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir o direito de seu cliente de ficar calado na CPI Mista do Cachoeira, na próxima quinta-feira, 28, se for questionado por fatos fora do objeto da investigação parlamentar. Ele quer garantir também o direito de consultar seus defensores, durante o depoimento. O pedido foi distribuído para o ministro Cezar Peluso decidir. Segundo o advogado Sandro Rogério Monteiro, a intenção de Cláudio é responder a todas as perguntas sobre o suposto envolvimento dele com pessoas ligadas ao esquema do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Cláudio Monteiro pediu demissão do cargo no dia 10 de abril, depois de divulgadas conversas gravadas pela Polícia Federal, nas quais o araponga Idalberto Matias, o Dadá, pede ao ex-diretor da Delta Construções Cláudio Abreu, o pagamento de propina a Cláudio Monteiro para indicar uma pessoa do grupo para o cargo de diretor do Serviço de Limpeza Urbana (SLU), estatal que cuida do lixo na capital. A Delta é detentora do contrato. À Agência Estado, o advogado de Cláudio Monteiro negou todas as acusações referentes ao seu cliente. "Ocorreram citações indevidas ao nome do senhor Cláudio Monteiro", afirmou. O defensor disse que Monteiro jamais recebeu propina, colocou seus sigilos bancário, fiscal e telefônico à disposição do Ministério Público, não tratou de indicações para cargos no governo do DF e tampouco recebeu um Nextel para falar com o grupo. Afirmou ainda que Dadá, Cláudio Abreu e o delegado responsável pela investigação, Matheus Mella Rodrigues, foram interpelados judicialmente para explicar declarações desfavoráveis ao ex-chefe de gabinete. Sandro Rogério disse que, em apenas uma ocasião, Monteiro recebeu Cláudio Abreu "oficialmente", como representante da Delta, para tratar de uma reclamação referente a um aterro sanitário. Segundo o advogado, o ex-chefe de gabinete está "super tranquilo". "Além de não temer nenhuma investigação, ele quer a investigação. E a CPI será uma oportunidade para ele esclarecer os fatos e resgatar a sua honra", afirmou, ressaltando que, a princípio, Monteiro está disposto a esclarecer todos os fatos referentes a ele.

Um consagrado dito popular português afirma que “quem não deve não teme”. A versão “tropicalizada” deste dito parece ser mais audaciosa, pelo que se observa na CPI e nos julgamento de figurões, permitindo imaginar que nestas terras do pau-brasil “quem deve também não teme”. Pois ainda assim, o auto-intitulado inocente Cláudio Monteiro está com medo de falar na CPI.

A falácia mais comum nos últimos dias tem sido a de dispensar o sigilo bancário. Como se o dinheiro sujo do crime organizado tivesse necessidade de transitar por alguma conta para chegar ao seu destino. Nesse enroscado escopo, existe muito dinheiro que precisa ser lavado, mas tem muito dinheiro que é “investido nas lavanderias”.  O senhor Monteiro, a exemplo de seu ex-chefe, abre mão de seu sigilo bancário, mas isso pouco significa nesse mundo da contravenção.

O senhor Monteiro, segundo a notícia, não teme qualquer investigação e quer que a investigação aconteça. Ele acredita que a CPI é o momento para esclarecimentos e para resgatar a sua honra. Além disso, está propenso a prestar todos os esclarecimentos, desde que possa fazer tudo isso sem falar qualquer coisa.

E segue a brincadeira de investigação dos deputados e senadores...



Pois a sugestão de hoje é uma rabada preparada com agrião e polenta, que pode ser servida acompanhada por arroz branco ou por um pão francês. Garanto que é bem menos pesado do que, imagino, muitas consciências de pessoas em evidência na notícia de hoje.


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RABADA COM AGRIÃO E POLENTA

Ingredientes:

1 e ½ quilos de rabada, cortada pelas juntas


Suco de um limão


3 colheres (sopa) de azeite de oliva


1 xícara (chá) de vinho tinto seco


5 dentes de alho picados


5 tomates, sem pele e sem sementes, picados


100 gramas de bacon picado


2 cebolas grandes picadas


2 folhas de louro


½ xícara (chá) de salsinha picada


½ xícara (chá) de cebolinha em anéis finos


Sal e pimenta do reino a gosto


1 colher (chá) de açafrão


1 maço de agrião lavado e grosseiramente picado

1 litro de água

Polenta mole:

½ quilo de fubá

Sal e pimenta-do-reino a gosto

2 colheres de (sopa) de óleo

1 litro de água


Ingredientes para a polenta:

½ quilo de fubá

Sal e pimenta-do-reino a gosto

2 colheres de (sopa) de óleo

1 litro de água



Modo de preparar:

Lavar a rabada.


Colocar em uma panela, e cobrir com água.


Acrescentar o suco de limão e levar ao fogo.


Ferver, escorrer e reservar.


Em uma panela grande quente colocar o azeite.


Colocar o bacon e fritá-lo.


Acrescentar a cebola e, em seguida, o alho.


Deixar dourar e acrescentar o açafrão.


Dispor os tomates e misturar bem.


Adicionar a rabada, mexendo bem.


Cobrir com o vinho.


Temperar com sal e pimenta do reino.


Acrescentar o louro e cobrir com água.


Ir colocando água até a carne ficar cozida.


O caldo deverá estar bem denso e abundante.


Acerte o sal e a pimenta do reino, se necessário.


Adicionar a salsa e a cebolinha e misturar ligeiramente.


Acrescentar as folhas de agrião cru.



Modo de preparar a polenta:

Misture bem o fubá com a água e o óleo.


Acrescente o sal e a pimenta.


Leve então ao fogo alto por 15 minutos, mexendo sempre.


Servir a rabada com polenta (arroz branco é opcional).

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         A música deste Fogão de Lenha é "O Drama da Dieta", de Zé Mulato e Cassiano, com a dupla, da Zona da Mata Mineira e radicada aqui em Brasília-DF, Zé Mulato (José das Dores Fernandes) e Cassiano (João Monteiro da Costa Neto).

 


         Um grande abraço, bom apetite e até o próximo encontro,

quarta-feira, 20 de junho de 2012

TERTÚLIA NATIVA – CONCHAVOS E PAGODE EM BRASÍLIA


Porque quando alguém, meu caro, vangloria-se
de ser um homem honrado, depois de dar
a sua palavra, esta deve ser sagrada.
E mesmo que a estrada seja longa, feia ou bela,
custe o que custar, nem que ele tenha de ser morto,
mas a sua palavra deve ser mantida.
(C. Pascarella)



Amigas e Amigos,



Notícias da capital de todos os brasileiros podem levar a um entendimento de que a colaboração das delegacias de polícia de Brasília para o sucesso das PPP é extremamente significativa. Na edição desta quarta-feira do jornal Correio Braziliense, encontram-se duas matérias que podem levar ao entendimento apresentado aqui.

Fonte: Dave Brown IN http://www.englishblog.com 


A primeira matéria trata de condenações do delegado da Polícia Civil do Distrito Federal, João Kleiber Ésper, que está preso no Complexo Penitenciário da Papuda e poderá cumprir penas que somariam 4 anos. Diz a matéria que:
Condenado em 2010 pelos crimes de prevaricação e ocultação de documento ao omitir depoimento que prejudicaria o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), ele era um foragido procurado até pela Interpol. Acabou detido por ex-colegas de instituição, apoiados por policiais federais, na noite da última segunda-feira, no Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, ao desembarcar de uma viagem aos Estados Unidos. Transferido para a Papuda, ele vai cumprir as penas impostas pela 2ª Turma Criminal do Tribunal de Justiça do DF em dezembro de 2010: seis meses por prevaricação — retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício — e três anos e seis meses por ocultar documento. As condenações se referem a falhas cometidas no depoimento do advogado Bruno de Miranda Ribeiro, em 2007, contra Renan Calheiros, então presidente do Senado. Bruno acusou o ex-sogro, o empresário Luiz Carlos Garcia, de montar esquema de arrecadação de dinheiro para Renan nos ministérios chefiados pelo PMDB. O depoimento ficou sete meses parado na mesa do delegado João Kleiber, então chefe da 30ª Delegacia de Polícia (São Sebastião). O caso veio à tona em 2007, no auge do escândalo em que o senador foi acusado de receber dinheiro da Mendes Júnior para pagar pensão à filha que teve com a jornalista Mônica Veloso. Acusado de quebra de decoro, Renan escapou da cassação no Senado.

Considerando que o senador Calheiros se mantém legislador, sem qualquer arranhão aparente; que o delegado aposentado está preso para cumprir pena de 4 anos, que rapidamente poderão ser permutados por alguma pena alternativa (que geralmente são mais alternativas do que penas); que o PMDB nem se abalou; e que o(s) empresário(s) continuam empresário(s), fica a impressão de que essa parceria entre as partes conhecidas foi exitosa e o dinheiro arrecadado foi aplicado nas contas dos envolvidos.

Outra matéria informa que a delegada Martha Vargas, acusada de falsidade ideológica “y otras cositas mas”, foi afastada de suas funções pela Polícia Civil. Na reportagem, consta que:
A direção-geral da Polícia Civil do Distrito Federal afastou do serviço a delegada Martha Vargas, lotada na 10ª Delegacia de Polícia, no Lago Sul, por ter usado de forma inusitada uma vidente para apontar supostas provas, além dos assassinos do advogado José Guilherme Villela, da mulher dele, Maria Villela, e da empregada do casal, Francisca Nascimento da Silva. Martha é acusada de falsidade ideológica, fraude processual, denunciação caluniosa, violação de sigilo funcional e tortura com o objetivo de obter uma confissão falsa durante a condução de um dos inquéritos mais conturbados da história policial da capital do país. [...] Além de Martha Vargas, o agente José Augusto Alves foi afastado do serviço. Ele responde por fraude processual, denunciação caluniosa e tortura. Os dois ficarão longe da delegacia, mas durante esse período receberão salários. Como titular da 1ª Delegacia de Polícia, na Asa Sul, Martha teria produzido provas ilegais e plantado evidências a fim de incriminar três pessoas. [...] As chaves supostamente encontradas na casa de dois suspeitos e apresentadas pela delegada como prova de que havia desvendado o crime, na verdade, foram levadas por policiais civis da própria casa dos Villela, segundo aponta o MPDFT. Constam em fotos registradas no apartamento, mas não haviam sido incluídas nos autos de apreensão. [...] a policial civil trocou informações com a vidente Rosa Maria Jaques e o marido dela, João Tocchetto de Oliveira, sobre o inquérito do triplo homicídio ocorrido na 113 Sul. Mesmo sendo um caso tão intricado e de difícil solução, a delegada compartilhou dados secretos com a profissional que cobra para ter visões.

Da presente matéria, pode-se depreender que a parceria entre o público (delegada e agente) e o privado (vidente e outros interessados na fantasiosa versão) só não foi um completo sucesso porque o Ministério Público atrapalhou o grupo. Mesmo com essa atitude o MPDFT, ainda é possível acreditar no sucesso da parceria, pois a delegada e o agente continuam recebendo seus salários – sem trabalhar – e, com um bom programa de marketing, a vidente pode explorar suas previsões – com auxílio tecnológico – para futuros contratos.

Como se não bastasse tudo isso, um dos senadores de Brasília resolveu fazer autopromoção na televisão e se apresenta como grande benemérito da capital, que – segundo seu entendimento – está sendo beneficiada por seus maravilhosos projetos. O mais chocante é ouvi-lo falar de seu “trabalho sério” e se intitular “o seu senador”. Com certeza não é “meu” e será muito difícil ser de alguém, pois sequer foi eleito – era suplente de Roriz, que renunciou para não ser cassado – e foi empossado antes da Lei da Ficha Limpa ser aprovada. Sobre o trabalho sério, consta no portal da revista “Isto é”, de 23/12/2009, que o mencionado senador:
responde a processo no STF por lavagem de dinheiro, crimes contra o patrimônio, apropriação indébita, ocultação de bens, peculato e corrupção passiva. O processo tramita em segredo de Justiça, e não se conhece em detalhes o teor da acusação sobre operações financeiras que Argello não conseguiu identificar. O senador do PTB também foi acusado de envolvimento num esquema de mudança de destinação de lotes na Câmara Distrital. Pelo esquema, áreas rurais desvalorizadas são transformadas em áreas residenciais e áreas para restaurantes viram disputados lotes para postos de gasolina. Esse esquema também teria funcionado nos condomínios de Brasília, pendentes de legalização.

Para não deixar que tanto desnorteamento na capital altere significativamente o nosso humor, o causo escolhido para hoje – que tive oportunidade de apresentar no programa Chimarreando com Deus, na Rádio Aliança FM, de Porto Alegre-RS, no início do mês de março do ano de 1996 – é do livro “Causos da Querência: literatura oral”, da Editora da Universidade de Caxias do Sul (1985), do contista de Quaraí-RS, Sejanes Dornelles.


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COSTUMES DE ANTIGAMENTE
                                       Sejanes Dornelles

Lá pelos idos de mil e novecentos e dezoito, quando eu tinha seis anos, começaram a aparecer, no Alegrete, os primeiros fordecos de “bigode”, os chamados “modelo T”.

Naquelas recuadas épocas, posto de gasolina era manga de colete.

Havia coisas que hoje causam espanto às gerações novas. O sanitário nas residências, nas cidades da fronteira, e até nas escolas, era uma simples depressão no terreno ou então uma casinha mambembe, no fundo do quintal.

Quanto ao material de limpeza, nem se fala. Pra lavar a cabeça, sabão preto feito em casa. Papel higiênico era desconhecido. Quando entrou na região, veio nos trens de passageiros. O pessoal chamava de “papel de trem”.

Na campanha, então era tudo mais precário. A latrina, na maioria das casas, era atrás da mangueira.

O índio velho se apertava ou chegava nas casas meio mal da barriga e já ia dando uma olhada pro lado da mangueira, geralmente de pedra, oferecendo um tapume perfeito.

De uma feita, um caxeiro viajante se mandou por aqueles pagos, num dos primeiros fordecos de “bigode”. No Alegrete, conseguiu uma lata de gasolina, que o estoque estava mais curto do que coice de porco.

O nosso homem se largou do Alegrete, rumo a São Chico de Assis. Lá fez a praça e se mandou em direção a Santiago do Boqueirão.

Mas, como ia dizendo, o taura se tocou, como quem vai pras pitangas, sem atinar que naquelas localidades, não havia chegado o progresso do auto. Ao entrar o sol, o fordeco deu umas duas ou três tossidas fortes e empacou. Foi aí que o nosso viajante atinou com a causa. Faltou “nasta” como dizem os castelhanos.

O vivente se viu perdido naqueles cafundós à boca da noite. Deu uma olhada pra frente e pra trás, nem viva alma na estrada. Olhou para os campos. Lá na encosta de um serro, divisou um rancho, fumaceando como um sinal de vida. Tirou uma mala do fordeco e se botou a pé em direção à morada.

Quando chegou, os cuscos deram o aviso. Saiu o dono do rancho. Era um posteiro da estância da Tuna.

– Chegue-se no mais paisano, os cuscos não mordem.

Explicando o motivo, o viajante pediu pousada.

– O rancho é de pobre, mas sempre tem lugar.

Veio o mate, que não há outra maneira de receber na campanha. A siá Libinda, mulher do posteiro, se foi ao galinheiro. No escuro mesmo, pelo tanteio no mais, pescoceou a carijó mais gorda que havia.

Foi um zás, enquanto os dois homens proseavam, ela aprontou a galinha com arroz.

O viajante, com a promessa de no outro dia irem rebocar o auto, foi dormir. O Jango arrumou um catre num canto da pecinha de chão batido. E recomendou:

– Qualqué coisa que o sinhô percisá é só me chamá que eu atendo. Durmo aqui de lado.

– Não vai ser preciso amigo, vá descansar.

– Não vá sofre percisão, qualqué coisa... me chame...

O viajante dormiu logo. Lá pelas tantas, por ter dormido de estômago cheio, teve um pesadelo. Ele tinha mania de jogar na loteria. Tudo que é número que via, assim meio estranho, tomava nota. Chegando na cidade comprava o bilhete. Já tinha tirado lascas na “grande”, acertando aproximações.

Como disse, sonhou que apareceu um anjo, todo luminoso e escreveu na parede do rancho, 12.942.

Viu bem aquele número. Deu um salto no escuro. Lascou os fósforos. Acendeu o candieiro. Mexeu na maleta. Achou o lápis, com a preocupação de não perder o número, remexeu procurando onde anotar...

O posteiro escutou o ruído. Viu o clarão do candieiro...

– O que que hai seu moço?

O viajante aflito, pensando no número...

– Me arrume um pedaço de papel, ligeiro.

O posteiro, pensando em outra coisa, mandou a resposta:

– Não é perciso... atrás da mangueira tem sabugo!...


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         Para animar um pouco mais a Tertúlia de hoje, fica a música "Pagode em Brasília", composta em 1959 por Teddy Vieira e Lourival dos Santos, interpretada pela dupla que consagrou o pagode sertanejo Tião Carreiro e Pardinho.

 


         Um grande abraço e até a próxima!

terça-feira, 19 de junho de 2012

ABRINDO A PORTEIRA – DESCASO COM A EDUCAÇÃO INFANTIL


A boa educação da juventude é a prenda mais segura da felicidade de um Estado.
(Axel Oxenstiern)





Amigas e Amigos,


Em uma semana que inicia com dúvidas sobre a redação do texto da Rio+20, pela falta de acordo entre os países participantes, e com o Tribunal Regional Federal da 1ª Região decidindo que os grampos da PF no caso Cachoeira são legais, vou abrindo a porteira para uma matéria do portal UOL relacionada a “agilidade” dos nossos governantes quando o assunto é educação. Na página sobre Cotidiano do citado portal é destacado que a maioria das 40 escolas de Pernambuco, que foram destruídas pelas enchentes de 2010, ainda não foi reconstruída e os alunos, com todo esse descaso, chegam a participar de aulas debaixo do forte sol nordestino.



      Na reportagem do UOL, pode-se perceber a falta de preocupação de nosso país com a educação de nossas crianças. A imagem que fica disso tudo é a lembrança associada ao dissimulado pensamento coronelista de acreditar ser o ignorante mais útil como cidadão por ser mais fácil comutar seus votos por insignificantes agrados. Pelo excerto abaixo da referida matéria, é possível perceber a indiferença das autoridades com essa    sofrida população:
Dois anos após a tragédia, a maioria delas não teve sequer a obra iniciada, e, para não ficar sem aulas, os estudantes são obrigados a enfrentar um rotina de desafios, que inclui sol no rosto, bancas coladas umas às outras e barulho causado pela falta de divisão adequada das salas. Em duas das cidades visitadas pelo UOL, as obras das novas escolas não haviam sequer começado. Em Água Preta (132 km do Recife), onde mais da metade da população da zona urbana foi atingida pelo transbordamento do rio Una, três escolas foram totalmente destruídas em junho de 2010, prejudicando mais de 3.000 estudantes. Entre os prédios levados pela água estava a maior das escolas municipais, a Padre Francisco, que tem 2.700 alunos matriculados. [...] Atualmente o município tem cinco prédios de escolas em funcionamento, mas que não suportam a demanda dos alunos. [...] O UOL visitou o clube de Água Preta, onde estudam alunos da quinta à oitava série. No local foram improvisados tablados de madeira, que servem como divisórias das salas. Por não terem proteções laterais adequadas, o sol atinge diretamente os alunos de duas salas. [...] Outra parte dos alunos da escola está no antigo restaurante Cabana, que chegou a ser alagado durante a enchente de junho de 2010, mas foi reformado para abrigar provisoriamente as aulas. Com oito salas, o problema do local é o aperto. As bancas ficam praticamente umas coladas nas outras. Em Barreiros (108 km do Recife), que também foi devastada pela cheia em 2010, as escolas funcionam da mesma forma improvisada. A escola Luiz Bezerra de Melo está funcionando há quase dois anos em um galpão. No local, a acústica inadequada dificulta o aprendizado dos alunos.  [...] Sobre as escolas destruídas (oito estaduais e 32 municipais), a Seplag se limitou a dizer que elas “serão realocadas para outros terrenos e reconstruídas até outubro de 2013”. [...] Sobre os locais improvisados de aulas, a secretaria informou que eles foram escolhidos pelo município, "em conformidade com a comunidade". 

Dois anos já seria um tempo excessivo para esperar pela conclusão de uma obra de grande necessidade, mas deixar passar mais de dois anos sem qualquer iniciativa para reconstituir as escolas destruídas pelas cheias seria, em qualquer lugar que demonstrasse alguma preocupação com sua cultura, um caso de desrespeito para seus cidadãos. O portal Folha.com, do dia 24/03/2011, abordou o espanto provocando em boa parte do mundo pela agilidade de recuperação do Japão, onde uma estrada destruída por tremor  foi completamente recuperada em apenas 6 dias. Foi noticiado pelo portal que:
Após quase 10 mil mortos pelo tremor e tsunami que devastaram o país e causaram ainda um desastre nuclear na usina de Fukushima Nº1, o Japão demonstrou nesta quarta-feira uma capacidade notável de recuperação ao reparar em apenas seis dias uma cratera numa rodovia na cidade de Naka, na região de Ibaraki. As imagens mostram as condições em que a autoestrada Great Kanto ficou após a tragédia no dia 11 de março, e como foi entregue de volta à população na noite de ontem (23), destaca o jornal britânico "Daily Mail". As obras no local, que fica numa das regiões mais afetadas pela tragédia, começaram no dia 17 de março, e seis dias depois, na noite do dia 23, já haviam sido finalizadas.


       Em 6 dias - não meses ou anos - e um trecho de estrada completamente destruído estava recuperado no Japão. Por aqui, 2 anos após a enchente, não foi feito qualquer movimento para recuperação de escolas destruídas. O único movimento que se pode esperar é, com certeza, as vazias promessas que acompanharão as próximas eleições. Sem que nada aconteça após a efetivação de cada candidato, as escolas - como tantas obras fundamentalmente necessárias - serão novamente lembradas em futuras campanhas eleitorais.

A música escolhida para abrir a porteira nesta semana é "A mim me basta", de Lauri Lopes e Cristiano Vieira, com a interpretação de Aninha Pires.

 

Um grande abraço e até a próxima!

quinta-feira, 14 de junho de 2012

TERTÚLIA NATIVA – TREM ESQUISITO: DORMIU LEGAL; ACORDOU ILEGAL


É tal a falibilidade dos juízos humanos,
que muitas vezes os caminhos por onde esperamos chegar à felicidade
conduzem-nos à miséria e à desgraça.
(Marquês de Maricá)




Amigas e Amigos,



Parece que a cachoeira da corrupção tem mais vazão do que poderia ser imaginável. Notícias sobre novos rumos para as gravações que envolvem o empresário zoofílico Carlinhos Cachoeira podem levar ao relaxamento de sua prisão.




Voltando apenas sessenta dias, pode ser encontrado no portal da revista Época, do dia 13/04/20012, notícias sobre a legalidade das escutas contra o senador Demóstenes e Carlinhos Cachoeira. A revista noticiou que:
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, negou o pedido feito pelos advogados do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) para desconsiderar as gravações telefônicas feitas pela Polícia Federal na operação Monte Carlo, informa o jornal O Globo. As gravações mostram a ligação entre o senador com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. [...] O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, também argumentou nesta sexta-feira (13) que as escutas feitas pela Polícia Federal são legais. Segundo Gurgel, não era necessária autorização especial do STF, porque o alvo inicial das escutas era Carlinhos Cachoeira. O senador Demóstenes jamais foi alvo das interceptações telefônicas. “As interceptações tinham por alvo Cachoeira e outras pessoas não detentoras de prerrogativa de foro e por isso podiam ser, como foram, autorizadas pela Justiça Federal em Goiás", disse. Segundo Gurgel, a descoberta da relação entre Cachoeira e Demóstenes foi um "achado fortuito".


Com toda a coerência que se observa no tratamento dado pelos homens da justiça para qualquer assunto, o portal R7 informou, no último dia 12/06 que o relator do processo na Justiça Federal pode tirar o bicheiro da prisão por considerar ilegal as gravações do Cachoeira. Informa o referido portal que:
O desembargador Tourinho Neto, da 3ª Turma do TRF (Tribunal Regional Federal) da 1ª Região, considerou nesta terça-feira (12) que são ilegais as gravações feitas pela PF (Polícia Federal) que servem como prova contra o contraventor Carlinhos Cachoeira. O magistrado sugeriu ainda que as escutas sejam retiradas dos autos do processo. [...]  No voto, o relator do processo, juiz Tourinho Neto, afirmou que o direito à privacidade, que inclui o sigilo de comunicações telefônicas, é garantia constitucional pétrea, que estabelece que a interceptação telefônica só é admissível por exceção, “em situações que não estão caracterizadas no caso sob análise”. Não há prazo para o TRF-1 decidir o habeas corpus. A terceira turma se reúne semanalmente, às segundas-feiras, e, quinzenalmente, às terças-feiras, mas o desembargador Ribeiro não é obrigado a retomar o caso na próxima semana, e sim quando tiver seu voto pronto. Caso a tese de Tourinho Neto prevaleça, a interceptação telefônica contra Cachoeira será declarada nula e as provas dela derivadas, ilegais. A decisão, se confirmada, significará a liberdade imediata para o bicheiro e o enfraquecimento das acusações que há contra ele.


Acredito que, como diz um provérbio português, “muita água passará debaixo da ponte”, pois aparentemente a cachoeira não parará de “verter” tão cedo. E sabe-se lá o que anda correndo nesses rios (mas deve ser muito!).

Junte-se a isso, o verdadeiro passatempo de senadores e deputados, conhecido como CPI, que consegue transformar nosso Congresso em algo próximo a um grande teatro de araque, com produções mal ensaiadas e interpretações de sofríveis canastrões. Os conluios com os governadores Marcondes e Agnelo deram o tom dos últimos dias, comprovando a idéia do Gran Circo, onde cada um deles compareceu com sua claque. E foi feita a festa...

Pensando nessa “evolução espontânea” da justiça, na avaliação das gravações – a contravenção, a apropriação de dinheiro público, o envolvimento de políticos e outros tantos – lembrei de um causo do livro “Causos de Fronteira”, do escritor e  professor uruguaianense Luís Alberto Ibarra, que transcrevo abaixo pelo medo que determinadas “evoluções” provocam em algumas pessoas.  


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O TREM
                        Luís Alberto Ibarra

O Juca era um guri criado na campanha, que não conhecia o “povo”, isto é, a cidade.

O pai era invernador e certa feita negociou uma ponta de bois com a Cooperativa. Como Juca já estava taludinho, decidiu confiar ao filho a tarefa de tropear o gado, junto com alguns peões da estância.

Mas fez uma recomendação muito importante: cuidado quando tiver que passa os trilhos. É muito perigoso. Antes de atravessar tem que olhar bem para os dois lados.

No dia marcado, lá se foi o Juca e a peonada, tropeando as 200 cabeças, rumo ao frigorífico da Cooperativa.

Bueno, mas quando o “velho” foi acertar as contas na Cooperativa, em lugar de 200 bois, só constava 180.

Chamou o filho e perguntou:

– Mas não eram 200 cabeças, Juca?

– Eram, pai, mas aconteceu o seguinte: na hora de cruzar os trilhos, cuidei, cuidei e como não vinha nada, mandei tocar a tropa. Quando estava bem no meio apareceu aquele baita bicho, bufando, e atropelou 20 bois. E a sorte que o bicho veio de frente, porque se vem de lado, eram um tendal, matava toda a tropa.

Daí uns dias, o Juca foi ao “povo” e quando passou frente a uma loja viu um trenzinho andando numa linha de trilhos circular. Não se conteve. Entrou e pisoteou o trenzinho, destruindo-o completamente, ante a surpresa geral.

– Mas o que é isso? – perguntou o proprietário espantado.

– Esse bichinho tem que matar quando pequeno, porque depois que cresce, causa um baita estrago – respondeu o Juca.

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         Para animar a Tertúlia de hoje, deixo a música "Trem do Pantanal", de Paulo Simões e Geraldo Roca, na interpretação de Almir Sater.



         Um grande abraço e até a próxima!

quarta-feira, 13 de junho de 2012

ORATÓRIO CAMPEIRO – SANTO ANTÔNIO E A CORRUPÇÃO


Quando te sorriem prosperidade mundana e prazeres,
não te deixes encantar; não te apegues a eles;
brandamente entram em nós,
mas quando os temos dentro de nós, nos mordem como serpentes.
(Santo Antônio)






Amigas e Amigos,



Este Oratório Campeiro, neste Dia dos Namorados, é dedicado a todas e a todos que vivem um agradável relacionamento com a pessoa amada. E como amanhã é Dia de Santo Antônio, que por aqui carrega a fama de casamenteiro, a homenagem é feita com a lembrança especial deste Santo.



Santo Antônio é invocado com tanta devoção por todo mundo, conhecido em Portugal como Santo Antônio de Lisboa – cidade portuguesa onde nasceu – e na maior parte do mundo como Santo Antônio de Pádua – localidade da Itália onde morreu.

O portal das Paulinas, ao apresentar um resumo da vida de Santo Antônio, destaca que ele “pregava contra as novas formas de corrupção nascidas do luxo e da avareza dos ricos e poderosos das cidades”.

Santo Antônio, que foi batizado Fernando de Bulhões e Taveira de Azevedo em 1195 e viveu até 1231, talvez hoje cansasse de pregar nesta terra do pau-brasil onde indícios de corrupção, a cada novo dia, brotam mais do que chuchu na serra. O jornal Folha de São Paulo, nesta terça-feira trouxe uma matéria sobre a opinião de um dos réus do mensalão, Delúbio Soares, que acredita que a imprensa já condenou o PT e defende sua ideia com “argumentos” que poderiam convencer cegos, surdos e esquecidos – desde que acumulassem os três problemas. Diz a Folha que:
O ex-tesoureiro do Diretório Nacional do PT Delúbio Soares disse ontem que a imprensa já condenou os réus do partido no julgamento do mensalão. "Estamos condenados pela imprensa, mas não podemos baixar a cabeça. A denúncia, com todo o respeito ao Procurador-Geral da República, foi uma fantasia", disse Delúbio em reunião com um grupo de aliados em Morrinhos (GO). "Quem for candidato do PT tem que se vacinar. Esse negócio do mensalão vai sair na mídia todo dia: 'Dirceu é ladrão, Delúbio é ladrão'. E os adversários vão pegar esse embalo", afirmou. Na reunião em Morrinhos estavam presentes cerca de 30 integrantes do partido, entre eles possíveis candidatos nas próximas eleições. Delúbio Soares é um dos 38 réus no processo do mensalão, cujo julgamento deve ter início no dia 1º de agosto no STF (Supremo Tribunal Federal). Ex-dirigente da sigla, Delúbio é acusado pelo Ministério Público Federal de integrar o núcleo político do esquema, revelado em 2005. Ele responde por crimes de corrupção e formação de quadrilha pelo suposto envolvimento no esquema de compra de parlamentares da base do governo ocorrido no primeiro mandato do ex-presidente Lula. Delúbio diz que o julgamento vai prejudicar os partidos da base aliada nas próximas eleições, em outubro: "Julgando agora, ou daqui a dois meses, ou três meses, o processo está entrando em fase de maturação para ser julgado. Não tenho medo para ser julgado agora em agosto, mas acho vai prejudicar as campanhas eleitorais dos partidos aliados", afirmou. A apresentação de Delúbio em Morrinhos faz parte de uma caravana promovida pelo ex-tesoureiro diversas cidades do interior do país. Com foco no interior, Delúbio vem intensificando essas "palestras", sempre repetindo o discurso de que o mensalão foi "uma fantasia".


Talvez o mensalão não tenha sido apenas uma fantasia, mas um verdadeiro desfile de fantasias onde poderia se encontrar grandes destaques como “A Maleta Recheada”, “A Cueca Endinheirada”, “O Banco da Esperança”, “O Político Adulterado”, “O Gestor Alienado” e tantas outras. Como destaque, tinha até uma fantasia de personagem de histórias em quadrinhos: o “Pinduca” (criado por Carl Anderson em 1932, conhecido também como o Carequinha, considerado o maior clássico do chamado “quadrinho pantomímico”).

A oração desta semana junina (disponível na página da Paróquia Nossa Senhora das Mercês, de Curitiba-PR – http://www.ocapuchinho.com.br) é para o taumaturgo Santo Antônio, nesses tempos em que sinais de corrupção e, consequente, violência se espalham pelo Brasil.


        

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ORAÇÃO CONTRA A CORRUPÇÃO E A VIOLÊNCIA NO BRASIL




Pai Celeste, 

Por vosso imenso amor criastes os homens e as mulheres

E todo o universo para que vivam segundo os vossos desígnios

E tenham vida plena e felicidade.


Abençoastes o nosso Brasil com riquezas naturais

E abundância de recursos humanos

Para serem utilizados para a vossa glória

E para o bem estar de todos os que aqui vivem.


Estamos profundamente amargurados

Pelo mau uso que fazemos dos vossos dons

E da vossa generosidade,

Provocando injustiças e corrupção,

E fazendo com que muitos de nossos irmãos

Sofram fome e doenças, vivam na ignorância

E sejam vítimas da violência.


Pai, somente vós podeis salvar a nossa nação deste flagelo.


Transformai as nossas vidas,

Convertei nossos corações e de nossos governantes,

De modo que todos se conscientizem

Do mal causado pela corrupção e pela violência

E possamos lutar com todas as nossas forças para eliminá-las.


Ajudai-nos a não cair nessas tentações

E dai-nos forças para construir um mundo novo

Baseado no amor recíproco.

Suscitai em nosso país um povo que vos ame

E governantes comprometidos com o bem comum,

Guiando nossos passos pelos caminhos

Da justiça, da paz e da prosperidade.


Isto vos pedimos por Jesus Cristo, nosso Senhor.


Amém!


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         A música para marcar este Oratório é a marchinha “Isto é lá com Santo Antônio”, de Lamartine Babo, com Carmen Miranda e Mário Reis, em uma gravação de 1934.


 

         Um grande abraço e que a Paz de Cristo permaneça conosco!

segunda-feira, 11 de junho de 2012

ABRINDO A PORTEIRA – DOCE FENADOCE

Os melhores petiscos são aqueles que não podem ser comprado
 - por muito dinheiro ou amor que se tenha –
mas somente adquiridos por ter nascido e vivido num determinado lugar;
por ser filho, sobrinho ou compadre de determinadas pessoas.
(Miguel Esteves Cardoso)





Amigas e Amigos,


Nesta semana, o destaque para seu início aqui no Blog, fica com a matéria do portal G1 sobre a 20ª Fenadoce (Feira Nacional do Doce), que começou no último dia 30 de maio e terminará no próximo dia 17 de junho, em Pelotas-RS, e que já vendeu mais de 1 milhão e 200 mil doces. A organização do evento estimou em 370 mil os doces vendidos somente no último fim de semana.





Alguns exemplos dessas guloseimas aparecem na foto acima – o Bem Casado, a Panela de Coco, o Pastel de Santa Clara, o Camafeu, o Quindim e o Olho de Sogra – e se você já experimentou alguma “cópia” delas, pode ter certeza que a fama dos originais é merecida e só experimentando para comprovar. Para conhecer um pouco mais da história desses e dos demais doces de Pelotas é só acessar a página http://www.fenadoce.com.br.

Para as doceiras da cidade, um momento importante no decorrer desta 20ª Feira foi a identificação de procedência dos doces de Pelotas, que possuem agora um Selo de Autenticidade como diferencial de mercado e com proteção contra imitações. Os doces de Pelotas fazem parte, agora, do grupo em que se encontram os charutos de Cuba, os espumantes de Champagne e os vinhos do Porto, produtos com garantia de qualidade reconhecida e procedência específica.

Sobre a certificação, o portal G1 noticiou, no último dia 4 de junho, que:
Os doces de Pelotas, no Rio Grande do Sul, receberam o Selo de Indicação Geográfica durante a realização da Fenadoce, Feira Nacional dos Doces. A certificação foi autorizada pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial, que reconheceu a qualidade e a tradição das quitandas do município. Não se sabe exatamente desde quando a produção de doces virou tradição em Pelotas, município localizado no sul gaúcho. Mas sabe-se que as delícias de influência portuguesa existem pela região há mais de 150 anos. Em agosto de 2011, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial concedeu o Selo de Indicação Geográfica a 14 variedades de doces. As fábricas passaram por uma inspeção do conselho regulador da associação, que avaliaram documentação, higiene das instalações, qualidade dos ingredientes e características dos doces. A partir de agora, identificar os doces tradicionais de Pelotas ficou fácil. Além do selo, eles são embalados com uma renda, que é padrão e deve ser usada por todas as doceiras autorizadas a usar a identificação geográfica.

A música de hoje para abrir a porteira para mais uma semana é “Pelotas”, de Kleiton Ramil e Kledir Ramil, com interpretação dos autores e imagens da minha cidade natal.

Um grande abraço e até a próxima!