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segunda-feira, 14 de maio de 2012

ABRINDO A PORTEIRA – AMANHÃ PODE NÃO SER LEGAL


Roube ainda hoje! Amanhã pode ser ilegal.
(Millôr Fernandes)





Amigas e Amigos,

Ao começar o dia hoje, preparado para abrir a porteira para mais uma semana neste mês de maio – das mães e de Maria –, deparo-me, no portal G1, com uma notícia procedente do Triângulo Mineiro sobre um projeto aprovado pela Câmara de Uberaba-MG, ainda não regulamentado, que poderá provocar o fechamento de locais que vendam produtos roubados.



Antes de qualquer comentário, reproduzo a matéria do G1 com o seguinte teor:
Os estabelecimentos comerciais em Uberaba, no Triângulo Mineiro, que forem flagrados vendendo produtos roubados ou até mesmo drogas podem ser fechados. A 'lei da receptação', como é chamada, foi proposta pela Prefeitura e aprovada pela Câmara Municipal por 11 votos a um na última sexta-feira (11), mas ainda depende da regulamentação da Prefeitura, que tem 90 dias. Serão punidos todos os tipos de estabelecimentos que forem flagrados incentivando a atividade ilícita. Se constatada a irregularidade pela fiscalização municipal, um relatório deverá ser encaminhado ao Órgão de Segurança Pública para apuração. A proposta prevê um prazo mínimo de 90 dias de interdição. O secretário do Conselho Municipal de Segurança, Wellington Cardoso, afirmou que será aberto um processo administrativo para cassação do alvará de funcionamento e haverá possibilidade de defesa. "A ideia é realmente dificultar a comercialização de produtos furtados porque obviamente tudo que é furtado volta para o mercado, a menos que seja algo de consumo imediato, e também evitar o tráfico de drogas", explicou o secretário. O secretário também reconheceu que faltam fiscais. Hoje são apenas 32. Wellington disse que conta com o apoio da Polícia Militar e da população para chegar a esse comércio ilegal. "Muitos estabelecimentos funcionam sem o alvará, mas a partir do momento em que se constatar uma irregularidade, que seja caracterizada como crime, é mais um motivo para a Prefeitura agir de imediato para o fechamento do local", contou Wellington. O trabalho da Polícia Militar praticamente não vai mudar. A partir da regulamentação da lei, o comércio que for envolvido em uma em ação criminosa terá o caso investigado pela Prefeitura. "Será feito um atendimento da ocorrência e o encaminhamento para os demais órgãos. Vai nos dar uma segurança maior visto que esse comércio provavelmente não voltará a funcionar", disse o tenente da PM, Ricardo Dolenski. O presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), Fúlvio Ferreira, aprovou a nova lei. Mas para ele, o projeto só vai funcionar se houver fiscalização. "Acreditamos que quando a lei for cumprida aí sim teremos mais segurança, tanto para os comerciantes que cumprem todas as obrigações quanto para os clientes que vão ter mais segurança ao comprar".

Alguém poderia estar pensando, agora, o que eu poderia ter contra uma proposta para acabar – ou diminuir – a quantidade de locais onde possam ser desovados produtos furtados. E a minha resposta é: “Nada”. Não tenho nada contra a intenção dessa lei que tramita entre os poderes de Uberaba.

Ainda que, conforme afirmei acima, não tenha qualquer objeção às intenções do projeto aprovado em Uberaba, fico preocupado, como cidadão brasileiro, com as demais localidades desse nosso continental país, pois os estabelecimentos comerciais que vendem objetos furtados ou drogas fora de Uberaba permanecerão abertos ao público.

Será esse tipo de ilícito permitido no Brasil pelo Código Penal? Há jurisprudência que permita punir estabelecimentos que se dediquem a atividades ilegais como as previstas no projeto uberabense?

Se as respostas para as duas questões acima forem “sim” e “não” respectivamente, então os poderes da citada cidade do Triângulo Mineiro estarão de parabéns pela iniciativa. Qualquer resposta diferente para alguma das questões poderá ocasionar uma reflexão sobre desperdício de dinheiro público.

De qualquer forma, a motivação para a criação da lei é, conforme a matéria do G1, “dificultar a comercialização de produtos furtados” e “evitar o tráfico de drogas”. Para isso, bastaria que fosse aplicada a legislação vigente, que prevê punições no Código Penal para as duas situações. Pode parecer, então, que por não serem cumpridas as leis – por motivos que podem ser apenas os citados na matéria – esteja sendo criada mais uma lei que, dado os antecedentes, também não deverá ser cumprida.

Será o pensamento do Millôr, na abertura deste post, é mais real do que se poderia imaginar? Com essa dúvida,  vamos ouvir a música escolhida para esta semana que tem por título "Roubaram meu Frischtick", de Bruno Neher, com o grupo "Os Três Xirús".



Um grande abraço e até a próxima!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

GALERIA SERTANEJA – O ALEMÃO, O DELEGADO E A PATUSCADA



 

A desordem é sinal de ausência de autoridade.
(Santo Atanásio)


Amigas e Amigos,

O portal G1 (http://g1.globo.com) publicou hoje, no início da tarde, mais uma notícia sobre o churrasco regado a cerveja, com muita música e banhos de piscina, promovidos por detentos da carceragem de uma delegacia do norte do estado do Paraná, no mês de dezembro de 2011.

         No momento em que essa balbúrdia foi divulgada pela RPC TV, no dia 8 de fevereiro, o delegado responsável pela carceragem, Alessandro Luz, disse não ter conhecimento da festa e que abriria um inquérito para apurar se houve ou não falhas de conduta por parte dos funcionários da delegacia. Notícias do dia 10 de fevereiro informaram que o referido delegado fora afastado de suas funções pela Secretária de Segurança Pública do estado.

         Na matéria do G1, hoje, pode-se ter uma idéia um pouco melhor da farra dos marginais realizadas na delegacia de Bandeirantes-PR com dinheiro público, dentro de uma carceragem onde os presos usam aparelhos celulares sem qualquer repressão e onde os responsáveis pelo xilindró não vêem o que acontece, não sabem o que se passa e, mesmo trabalhando, são surpreendidos por notícias televisivas sobre seu ambiente de trabalho. Só está faltando alguém denunciar que o assador e os garçons eram funcionários da delegacia. Diz o citado portal que:
De acordo com a Corregedoria, a piscina que aparece nas imagens foi usada mais de uma vez. Um dos presos disse em depoimento que ela foi comprada pela filha dele. A mangueira que encheu a piscina também entrou clandestinamente na delegacia. A corregedoria disse ainda que a festa mostrada nas imagens foi registrada na véspera do Natal. A cerveja que os presos consumiram entrou escondida em caixas de leite. Agora, a Corregedoria quer desvendar se houve falha dos carcereiros durante a revista das visitas ou se houve facilitação para que todo o material pudesse entrar na cadeia.
         Eu fico imaginando o tamanho da possível falha, investigada pela Corregedoria, conforme a notícia, que permite a entrada em uma prisão de uma piscina de 2 mil litros, de um rolo de mangueira para encher a piscina, de cerveja para uma farra, de aparelho de som (porque festa sem música é muito sem graça), de churrasqueira, carvão e carne para o churrasco e  de celulares para os detentos. E nenhum funcionário percebeu qualquer patuscada até virar notícia em um telejornal.



Nesta Galeria, a letra e música de “O Alemão e o Delegado”, de Luiz de Lara e Bruno Neher, para mostrar que uma delegacia pode ser mais inocente – sem deixar de ser divertida – do que a de Bandeirantes.

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O ALEMÃO E O DELEGADO
Luiz de Lara e Bruno Neher

Delegado de polícia conhecia a profissão
Prá ele não existia um caso sem solução
Até que um certo dia na delegacia entrou
Um alemão bem nervoso e desse jeito falou :

- Eu vim fazer um queixa, acabo de ser roubado
Só quem pode me ajudar é o senhor seu delegado
Enquanto eu trabalhava veja que um tipo qualquer
Entrou lá no meu casa e roubou o meu mulher

O delegado sorriu, desse jeito respondeu:
- Parece até uma piada todo esse problema seu
O senhor deve ser louco, nunca vi ninguém mais bobo
Quando que roubar mulher foi considerado roubo ?

- Oba oba! para ali uma veiz, espera ali seu doutor
É melhor olhar direito nesses livro do senhor
Pois eu não pode entender porque motivo e razon
Quem roubou o meu mulher não possa ir prá prison

Delegado disse assim: Vou explicar a verdade
Saiba que sua mulher não é sua propriedade
Veja se entende bem esta minha explicação
Quem roubou sua mulher, prá lei não é um ladrão

- Oba oba! Já pode parar já de novo
Me responda seu doutor,
De quem é esse relógio aí no pulso do senhor ?
É um relógio bonito muito dinheiro valeu
Como é que o senhor me prova que esse relógio é seu?

O delegado irritado já saindo do normal
Disse: O relógio é meu tenho aqui nota fiscal!
- Há há há bichon! Muito bem seu delegado,
O senhor chegou no ponto que eu queria ter chegado

Eu tenho junto comigo certidão de casamento
Vale mais que essa nota, é um grande documento
Assinada pelo juiz com a benção do vigário
Com diversas testemunhas e registrada em cartório

Aonde o meu mulher jurou comigo ficar
Até o dia em que a morte viesse nos separar
Mas como eu não morri e nem ela está morta
Se vire seu delegado, que eu quero ela de volta!

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A interpretação é do Grupo “Os Três Xirús”.


Um grande abraço e até a próxima!