sexta-feira, 27 de maio de 2011

GALERIA SERTANEJA - MEIO ÉTICA, MEIO CALABRESA

Pago impostos em dia, cumpro as obrigações de cidadã.
Almoço no restaurante de minha filha e peço nota fiscal.
Não existe essa história de se ser mais ou menos ético. Ou se é ético ou não se é.
(Luiza Trajano)

Amigas e Amigos,

              Nossos ilustres representantes legitimamente eleitos, com a sabedoria costumeiramente constatada, estão prestes a desenvolver a “criatura meio-ética”. Possivelmente, encontraram essa necessidade na constatação da impossibilidade de um indivíduo exercer um mandato público e, além disso, preocupar-se com ética.

              Não me resta qualquer dúvida sobre a intenção norteadora da proposta desenvolvida a partir dessa necessidade: a vontade que os nobres representantes têm de “trabalhar” na defesa dos interesses (se alguém tiver idéia do que sejam esses interesses, poderá compartilhar e enriquecer muito este texto) que lhes permitiram chegar até os cargos que hoje ocupam.

              Toda a percepção acima pode ser mais bem entendida a partir de matéria do portal Terra (www.terra.com.br), de hoje, comentando que:
O plenário da Câmara dos Deputados aprovou, na sessão desta quinta-feira, uma proposta que modifica o Código de Ética da Casa. A principal mudança permite uma gradação da pena aplicada a parlamentares. Agora, em vez de decidir apenas pela absolvição ou cassação do parlamentar, o Conselho poderá aplicar uma pena mais branda, como suspensão temporária de até seis meses, censura escrita ou verbal. A modificação pode beneficiar parlamentares que respondem a processo de cassação no colegiado, como a deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF), investigada, no processo disciplinar, por ter recebido dinheiro de Durval Barbosa, operador e delator do esquema de corrupção conhecido como mensalão do DEM. A deputada e seu marido foram filmados recebendo recursos que, segundo ela, seriam doações não contabilizadas de sua campanha a deputada distrital, em 2006. Outra mudança no Conselho é que os prazos passarão a ser contados em dias úteis, em vez de sessões. O tempo para apresentação da defesa, em caso de suspensão ou perda de mandato, passará de cinco sessões ordinárias para dez dias úteis. Desse modo, o andamento dos processos será menos prejudicado por recessos parlamentares.

              Ontem, esse mesmo portal Terra já apresentara uma notícia que poderia mostrar como esse tal Código de Ética daquela importante casa se mostra “ultrapassado” ao almejar que ilustres deputados submetam suas ações à camisa de força imposta por uma conduta ilibada. Na matéria de ontem, o “conselheiro” instrui seu “protegido” a aparentar bom comportamento com seus pares e (pseudos-) antagonistas, independente da forma utilizada para seu enriquecimento – o que deve ser com o tempo esquecido. É um claro exemplo do que poderá ser considerada uma atitude meio-ética, conforme publicado:
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em conversa reservada na quarta-feira com o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci (PT), avisou o companheiro de partido das insatisfações e ameaças da base governista no Congresso: ou Palocci atendia os parlamentares ou até mesmo aliados poderiam endossar uma CPI contra o ministro no Senado. "Você tome cuidado porque sua situação no Congresso não é boa. Todo mundo está insatisfeito com sua conduta", disse Lula a Palocci, de acordo com senadores que ouviram o relato de Lula sobre o diálogo. Palocci é acusado de aumentar seu patrimônio em 20 vezes nos últimos quatro anos e de fazer tráfico de influência por meio da empresa de consultoria Projeto. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. Na tentativa de evitar a CPI, Palocci passou a telefonar para os senadores e pedir apoio, dizendo ser vítima de uma "campanha de difamação" e se prontificando a marcar conversas privadas com os parlamentares. Lula teria cobrado de Palocci e da presidente Dilma Rousseff mudanças urgentes na articulação política do governo, para atender os aliados na montagem do segundo escalão. Para o ex-presidente, se o governo não agir rápido para conter os dissidentes da base aliada e estancar a crise, a CPI no Senado pode sair. Após ouvir as queixas dos líderes da base aliada, Lula assumiu as rédeas da coordenação política do governo, pedindo um "voto de confiança" em Palocci e argumentando que o alvo da oposição é o governo Dilma.
              A preocupação com a CPI deve ser para dar uma idéia de que a conversa é "muito séria", pois até onde se percebe, final de CPI é sempre em pizzaria (ou será que acabou a calabresa?). 



              Os textos acima misturaram falta de ética no exercício de cargo público, fazendo lembrar uma “oportuna” negociação, em Brasília, com um bezerro como nunca se viu antes na história deste país.  Por conta disso, segue abaixo, a letra da música “Vaca Estrela e Boi Fubá”, do Patativa do Assaré, com uma lírica simplicidade caipira.

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VACA ESTRELA E BOI FUBÁ
Patativa do Assaré

Seu doutô, me dê licença / Pra minha história contá

Hoje eu tô em terra estranha / É bem triste o meu pená
Eu já fui muito feliz / Vivendo no meu lugá
Eu tinha cavalo bão / Gostava de campeá
Todo dia eu aboiava / Na porteira do curral


Êeeeiaaaa / Êeee vaca Estrela / Ôoooo boi Fubá

Eu sô filho do Nordeste / Não nego meu naturá

Mas uma seca medonha / Me tangeu de lá prá cá
Lá eu tinha o meu gadinho / Não é bão nem imaginá
Minha linda vaca Estrela / E o meu belo boi Fubá
Quando era de tardinha / Eu começava aboiá


Êeeeiaaaa / Êeee vaca Estrela / Ôoooo boi Fubá

Aquela seca medonha / Fez tudo se atrapaiá

Não nasceu capim no campo / Para o gado sustentá
O sertão se esturricô / Fez o açude secá
Morreu minha vaca Estrela / Se acabô meu Boi Fubá
Perdi tudo quanto eu tinha / Nunca mais pude aboiá


Êeeeiaaaa / Êeee vaca Estrela / Ôoooo boi Fubá

Hoje nas terra do Sul / Longe do torrão natal

Quando vejo em minha frente / Uma boiada a passá
As águas corre nos óio / Começo logo a chorá
Me lembro a vaca Estrela / Me lembro meu boi Fubá
Com sodade do Nordeste / Dá vontade de aboiá


Êeeeiaaaa / Êeee vaca Estrela / Ôoooo boi Fubá

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              A interpretação da música escolhida hoje é da saudosa dupla Pena Branca & Xavantinho.


              Um grande abraço para todos,

Wilmar Machado

quarta-feira, 25 de maio de 2011

TERTÚLIA NATIVA - ERAM OS DEUSES DESEMBARGADORES?

Sábio é aquele que conhece os limites da própria ignorância.

Amigas e Amigos,

                O escritor suíço Erich von Däniken, em livro de 1968, perguntava se “Eram os Deuses Astronautas?” para tentar justificar a inteligência de antigas civilizações. Supondo uma resposta negativa para a questão proposta pelo escritor, pode-se perguntar se seriam desembargadores?

                O dicionário Aulete diz ser desembargador o “juiz de Tribunal de Justiça ou de Tribunal de Apelação, cuja função é suspender o embargo de alguma coisa”. Conforme o dicionário, embargo é o “instituto jurídico que trata de impedir a conquista de algum direito”.

                Ex positis (Isto posto) – como algum jurisconsulto latinado poderia utilizar com muito mais propriedade do que eu –, comento outra “ex”, que se tornara um embargo na vida de um desembargador em Minas Gerais e que foi de maneira criativa desembargada pelo próprio desembargador, talvez em conluio com alguns parceiros. Matéria do jornal Estado de Minas (www.em.com.br), publicada hoje, diz que:
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) instaurou procedimento disciplinar para apurar a nomeação, pelo desembargador de Minas Elpídio Donizetti – diretor da Associação Nacional dos Magistrados Estaduais (Anamagis) –, de sua ex-mulher, servidora do Tribunal de Justiça, para um cargo de assessora, em troca do pagamento da pensão alimentícia. [...] e acordo com os documentos, o desembargador atirou no próprio pé ao tentar fazer sua defesa. A representação contra o magistrado foi feita pelo Sindicato dos Servidores do Tribunal de Justiça, em razão da prática de nepotismo. Para afastar a acusação, Donizetti informou que não estava mais casado com a servidora, portanto, não havia favorecimento de parentes. Para a comprovação, o CNJ solicitou a documentação referente à separação do casal. A surpresa veio na análise pelo CNJ no termo de acordo de separação homologado pelos dois. Nele, fica claro que o cargo comissionado entrou na barganha, já que Elpídio Donizetti ficaria isento do pagamento de ajuda financeira enquanto a ex-mulher ocupasse o cobiçado cargo de assessor no Judiciário. [...] O desembargador confirmou também que nomeou a ex-mulher para seu gabinete, no fim do ano passado, mas não viu impedimento nisso, já que estavam separadas. “Minha mulher é uma pessoa altamente qualificada e seria nomeada por qualquer desembargador que tivesse uma vaga em razão de seu currículo. Acontece que me dispus a fazê-lo”, diz. Ele explicou ainda que, em outubro do ano passado, a ex-companheira trabalhava para um desembargador que morreu e, portanto, ele viu aí a oportunidade de ter uma funcionária qualificada. “Me surpreendeu essa interpretação do CNJ do meu acordo, mas com a instauração do processo disciplinar vou ter oportunidade de provar que não agi de má-fé. Não tenho vergonha de minha vida”, conclui. [...] Essa não é a primeira vez que o desembargador sai em defesa de parentes no serviço público. Em 2005, quando presidia a Anamagis, Donizetti propôs ação direta de inconstitucionalidade (Adin) junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a Resolução 7 do CNJ, que proíbe o nepotismo (emprego de parentes) no Judiciário.

                Nós, sem alcançarmos a “justiça” dessas divindades desembargatórias, ficamos sem entender porque os “pobres mortais” são obrigados a ajudar esses deuses – com impostos cada vez mais vorazes – a pagar suas pensões. Como estamos diante de uma situação em que a pensão é paga por meio de arrecadação de dinheiro público, daqui a pouco poderemos ser condenados – como contribuintes – pela interrupção do pagamento do salário-pensão da “ex” do “justo” desembargador.



                Como o desembargador de Minas, quem também não tinha vergonha da própria vida era “tio Afonso”, personagem de um causo do livro “Na sombra da Figueira Grande” (Martins Livreiro Editor, 1994), de Luiz Gonzaga Soares do Nascimento, que transcrevo abaixo.

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O PALA
                                                            Luiz Gonzaga Soares do Nascimento

                Em Tupanciretã, ao tempo deste causo, o comerciante mais forte, mais conhecido e, creio, de maior freguesia, era o senhor Orlando Becker. Dele, quase em geral, se sortiam os fazendeiros da região.


                Meu avô, freguês e amigo particular do comerciante, mandava suas carretas de carga com antecedência para efetuar seu sortimento de sal, farinha, açúcar e outros gêneros e miudezas indispensáveis para quem vive na campanha. No dia do carregamento ele chegava em seu carro (espécie de diligência ou cabriolé) ou a cavalo. Ultimava as compras, providenciava a arrumação das mercadorias nas carretas e pagava o comerciante – Essa era a praxe.

                De uma feita, numa dessas jornadas às compras, o tio Afonso pegou carona.

                Enquanto minha avó comprava miudezas e meu avô chimarreava aguardando o momento da partida, o tio Afonso manuseava e admirava, deslumbrado, um vistoso pala de lã.
Como bom vendeiro, o dono da loja aproximou-se do tio Afonso e perguntou-lhe:

                – Gostou do pala, seu Afonso?

                – Sim, muito. – respondeu o velhote.

                – Pois, então, experimente-o e, se lhe servir, leve-o.

                – Não, não posso, estou sem prata!

                – Ora... Ora, o irmão do coronel Aníbal tem carta branca na minha loja! Leve-o e me pague quando quiser, quando puder!

                Sempre sorrindo e olhando para o lojista, o pícaro tio Afonso, por certo já de plano traçado, convenceu-se de imediato.

                – Se é assim... Para pagar quando quiser ou quando puder... Eu levo!

                Muito tempo depois, como várias vezes o tio Afonso já tivesse voltado na loja e nunca fizesse menção sobre a aquisição efetuada a crédito, o comerciante resolveu rememorar-lhe:

                – Seu Afonso... E o pala?

                – Ah!... O pala... Muito bom, excelente, seu Orlando!

                – Não é bem isso, seu Afonso... O que me interessa mesmo, é saber quando é que o senhor vai me pagar?

                Aparentando espanto e surpresa, de olhos muito abertos, o tio Afonso inocentemente indagou:

                – Mas, seu Orlando, eu estou pelo nosso trato... O senhor não me propôs de que eu pagasse quando quisesse ou quando pudesse???

                – Sim, e daí?...

                – Daí que hoje eu queria lhe pagar, mas não tenho dinheiro; portanto, não posso faze-lo. Dias atrás, eu tinha uns trocados, podia pagar-lhe, mas não quis faze-lo. Enfim... Como estamos tratados, vamos ficar pelo nosso trato!

                E dessa forma, o tio Afonso jamais pagou o pala tão gentilmente vendido. Tendo descoberto a capetagem do irmão, meu avô terminou com a estória pagando para o comerciante a mercadoria em questão.

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                Depois das "sem-vergonhices" apresentadas, a música de hoje é a toada de lamento “Justiça Social”, de Téo Azevedo e Valente, na interpretação do próprio Téo Azevedo, violeiro, compositor, cantador e folclorista de Alto Belo, norte de Minas Gerais, próximo ao Vale do Jequitinhonha.



                Enquanto a letra da música retrata a realidade cheia de indecisões, a justiça para o desembargador também poderá ser “duríssima”: ele será absolvido, continuará trabalhando – pois foi entendido que não há do que se envergonhar mesmo – e recebendo seu bem remunerado salário (pago pelos contribuintes) ou ele será condenado, afastado de suas funções, aposentado precocemente e continuará recebendo seu bem remunerado salário (pago pelos contribuintes).

                Até o próximo e um grande abraço!

Wilmar Machado

terça-feira, 24 de maio de 2011

ABRINDO A PORTEIRA - A PROFESSORA E OS "LIVRO"

O Homem que se esforça para atingir o ideal
assemelha-se ao viajante que, ao entardecer, sobe a colina:
lá no cimo, não está mais perto das estrelas, mas vê melhor.

Amigas e Amigos,

                Abro a porteira para mais uma semana, trazendo para este espaço um pouco da repercussão do depoimento da professora Amanda Gurgel (foto abaixo) na Audiência Pública sobre o cenário atual da educação no Rio Grande do Norte. A professora Amanda utilizou cerca de 8 minutos para apresentar o descaso para com a educação no estado onde trabalha. Pela importância percebida através da disseminação do depoimento – e das entrevistas com a professora pós-depoimento, inclusive ontem no Domingão do Faustão, na Rede Globo –, penso que a situação apresentada pela professora não se restringe ao RN, mas faz parte da realidade da educação pública brasileira.



                Para mostrar um pouco da falta de preocupação governamental com educação – já comentei anteriormente que a única preocupação existente é na hora de “trocar” por voto e dura até o anúncio do resultado da eleição – e pensar se não existe inclusive uma espécie de desleixo institucionalizado, recorro a coluna do Augusto Nunes, na revista Veja (http://veja.abril.com.br), de 13.05.2011, conforme o excerto abaixo:




...os autores do livro didático “Por uma vida melhor”, chancelado pelo MEC, decerto se inspiraram na oratória indigente do Exterminador do Plural para a escolha de exemplos que ajudem a ensinar aos alunos do curso fundamental que  o s no fim das palavras é tão dispensável quanto um apêndice supurado. O certo é falar errado, sustenta o papelório inverossímil. A lição que convida ao extermínio da sinuosa consoante é um dos muitos momentos cafajestes dessa abjeta louvação da “norma popular da língua portuguesa”. Não é preciso aplicar a norma culta a concordâncias, aprendem os estudantes, porque “o fato de haver a palavra os (plural) já indica que se trata de mais de um livro”. Assim, continuam os exemplos, merece nota 10 quem achar que “nós pega o peixe”. E só podem espantar-se com um medonho “Os menino pega o peixe” os elitistas incorrigíveis. “Muita gente diz o que se deve e o que não se deve falar e escrever tomando as regras estabelecidas para norma culta como padrão de correção de todas as formas linguísticas”, lamenta um trecho da obra. Por isso, o estudante que fala errado com bastante fluência “corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico”. A isso foram reduzidos pelo Brasil de Lula e Dilma os professores que efetivamente educam: não passam de “preconceituosos linguísticos”. [...] O Brasil vem afundando há oito anos num oceano de estupidez. Mas é a primeira vez que o governo se atreve a usar uma obra supostamente didática para difundi-la.  [...] A Era da Mediocridade já foi longe demais.


                Inúmeros comentários em jornais e blogs na região Nordeste se entusiasmam com a possibilidade de estar surgindo, na figura da professora Amanda, uma “candidata” equilibrada – pelo depoimento não há como discordar – para futuras eleições. Se por um lado, Amanda solucionaria seu problema de salário – R$ 930, conforme o início do seu depoimento –, por outro lado penso que a eleição desse novo ícone de defesa da educação pode ser o fim dessa própria defesa. Guardada as proporções, já vimos partidos pautados pela ética, enquanto oposição, se entregarem a nababesca vida proporcionada pela corrupção institucionalizada, ao se tornarem “poder”.

                Hoje, acredito que a professora não hesitaria em condenar o folhetinesco livro, objeto da chancela do MEC, para educação de jovens e adultos. E não gostaria de fazer qualquer previsão sobre seu posicionamento se convidada para integrar a equipe ministerial responsável – ou não – pela educação. Prefiro acreditar que, um dia não muito longe, a máquina inoperante instituída dará lugar a pessoas capacitadas para um Brasil melhor – não apenas em discursos ufanistas (sem qualquer relação com patriotismo) e ultrapassados – para todos os brasileiros.

                A música para buscarmos algum entendimento desses acontecimentos no decorrer deste mês é de Almir Sater e Paulo Simões, interpretada por Almir Sater, e tem por título “Mês de maio”.



                Por hoje, fico por aqui e deixo um grande abraço para todos!

Wilmar Machado

sábado, 21 de maio de 2011

FOGÃO DE LENHA - ANJO BOM DA BAHIA, BEM-AVENTURADA

Sempre que puder, fale de amor e com amor para alguém.
Faz bem aos ouvidos de quem ouve e à alma de quem fala.
(Irmã Dulce)


Amigas e Amigos,

                O Fogão de Lenha abre espaço, antes da receita de hoje, para um destaque muito especial para os brasileiros: a beatificação no próximo domingo de Irmã Dulce, o Anjo Bom da Bahia – e, também, do Brasil e do Mundo. Segundo a agência Zenit (www.zenit.org), que apresenta “o mundo visto de Roma”, Irmã Dulce:
foi postulada ao prêmio Nobel da Paz em 1988 pelo governo brasileiro. Recebeu visitas de João Paulo II em 1980 e 1991, um ano antes da sua morte. A Irmã Dulce Lopes Pontes será beatificada neste domingo, em Salvador da Bahia, em uma cerimônia celebrada pelo seu arcebispo emérito, cardeal Geraldo Majella Agnelo, em representação do Papa Bento XVI. [...] Pelo seu trabalho incansável com os pobres, mendigos e desamparados, o jornal O Estado de São Paulo a nomeou a mulher mais admirada da história do Brasil. Seu nome era Maria Rita e ela nasceu em 1914. Tinha 6 anos quando sua mãe morreu, e suas tias se encarregaram da sua criação. Aos 13 anos, uma delas a levou para conhecer as regiões mais pobres da sua cidade, fato de despertou nela uma grande sensibilidade. Assim, aos 18 anos, começou a fazer parte da Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, onde começou a chamar-se Irmã Dulce. Uma das inspirações para o discernimento da sua vocação foi a vida de Santa Teresa do Menino Jesus: “Acho que sou como o pequeno amor do meu pequeno coração, que, por mais que tenha, é pouco para um Deus tão grande”, escrevia a Irmã Dulce quando entrou no convento. [...] morreu em 13 de março de 1992. Milhares de homens e mulheres em condições de extrema pobreza se reuniram para dar-lhe o último adeus, diante dos seus restos mortais. [... ] O milagre para a sua beatificação ocorreu em 2001, quando Cláudia Cristiane Santos, hoje com 42 anos, sobreviveu a uma hemorragia incontrolável logo após dar à luz. O sangramento não cessava, apesar das três cirurgias que lhe foram feitas. Os médicos haviam perdido toda esperança de que sobrevivesse e, quando seus pais pediram a intercessão da Irmã Dulce, em uma corrente de oração liderada pelo Pe. José Almí de Menezes, a hemorragia parou imediatamente.
                Conforme a página da Bahia, no portal G1 (http://g1.globo.com/bahia), a celebração de beatificação iniciará com uma missa, às 17h, neste domingo, que precederá o:
roteiro litúrgico do Rito de Beatificação do Vaticano. A cerimônia, que contará com a participação de mais de 500 religiosos – entre padres, arcebispos, bispos, diáconos e seminaristas de todo o Brasil. [...] O rito que consagrará Irmã Dulce como Bem-aventurada começará com um pedido do arcebispo de Salvador, Dom Murilo Krieger, solicitando ao Santo Padre que inscreva, na lista dos santos e beatos da Igreja, o nome da religiosa baiana. Em seguida, o cardeal Dom Geraldo pedirá, em nome do Papa, que seja lida a biografia de Irmã Dulce. Terminado o relato de sua trajetória, será lido o decreto apostólico do Papa Bento XVI inscrevendo Irmã Dulce na lista dos santos e beatos da Igreja Católica, propondo-a como exemplo cristão para todos os fiéis. Neste momento, será anunciada também a data de celebração da sua festa litúrgica: 13de agosto.

                A produtora Iafa Britz (Nosso Lar) se prepara para filmar, em 2012, em Salvador, a história da vida de Irmã Dulce. Segundo a produtora, esse projeto já está em “fase embrionária”, mas já estão sendo buscados nomes para direção, roteiro e composição do elenco. Iafa e o distribuidor Bruno Wainer acertaram os direitos de produção com Maria Rita, sobrinha e sucessora de Irmã Dulce na condução das obras sociais criadas pelo Anjo Bom.


                O filme sobre a futura Bem-aventurada é para o próximo ano. Para o próximo fim de semana, fica a sugestão de prato para o jantar de sábado ou de domingo: um risoto com jeito de comida campeira.

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RISOTO SERTANEJO

Ingredientes:

½ xíc. (chá) de cebolas em rodelas finas

3 xíc. (chá) de arroz para risoto

¼ xíc. (chá) de azeite

½ xíc. (chá) de pinga

300 (aproximadamente) gramas de abóbora (cortada em cubos)

500 gramas de carne seca (dessalgada,, cozida e desfiada)

2 tabletes de caldo de carne

150 gramas de couve (cortada bem fininha)

2 colheres (sopa) de manteiga.

Pimenta-do-reino a gosto

1 litro de água fervente.

Queijo parmesão ralado.



Modo de preparar:

Dissolver os tabletes de caldo de carne na água fervente.

Em outra panela, aquecer o azeite e dourar a cebola.

Juntar o arroz, misturando com a cebola, e refogar rapidamente.

Acrescentar a pinga.

Colocar a abóbora e um pouco do caldo de carne.

Misturar bem.

Sempre que começar a secar, adicionar mais caldo mexer bem.

Quando o arroz estiver "al dente", juntar a carne desfiada e a couve.

Temperar com pimenta.

Acrescentar a manteiga.

Misturar bem e polvilhar o queijo ralado.
Servir em seguida.

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                A música para hoje é "Isso aqui tá bom demias", de Dominguinhos e Nando Cordel, na interpretação de Dominguinhos que, além de acompanhar bem o prato sugerido aqui, ainda traduz o sentimento da comunidade de Salvador com a solenidade de beatificação prevista para domingo.



 
                Um grande abraço para vocês, amigas e amigos leitores deste Blog!

Wilmar Machado

sexta-feira, 20 de maio de 2011

GALERIA SERTANEJA - MINISTRO NO ROTEIRO DE NOVELA

As Vezes construímos sonhos em cima de grandes pessoas...
O tempo passa... e descobrimos que grandes mesmo eram os sonhos
e as pessoas pequenas demais para torná-los reais!
(Bob Marley)


Amigas e Amigos,

                 No último domingo (15/05), a Folha de São Paulo (http://www.folha.uol.com.br) apresentou uma matéria em que mostrava a “multiplicação” dos bens do atual ministro Palocci. De 2006 a 2010 – período em que foi deputado pelo PT –, segundo a reportagem, o valor dos bens do ministro se multiplicaram por 20, o que lhe permitiu comprar um apartamento (mais de 500 metros quadrados, nos Jardins!) por R$ 6,6 milhões e um escritório por R$ 882 mil, entre os anos de 2009 e 2010, quitados pela empresa de consultoria Projeto, mantida pelo próprio Palocci.

                 Hoje, na Folha, Clóvis Rossi, escreveu que:
Quando Lula montava seu ministério, no finzinho de 2002, Ricardo Kotscho, assessor de imprensa e, mais que isso, amigo íntimo, cobrou: "Você tem que nomear o Palocci". Lula quis saber a razão, e Kotscho explicou direitinho: "Porque ele é muito divertido". Premonitório meu amigo Kotscho: Palocci se divertiu à beça, como ele próprio confessa agora candidamente (ou cinicamente, a seu gosto, leitor). Usou seus anos de ministério para construir os alicerces de um apartamento de R$ 6,6 milhões, comprado praticamente à vista.

                 Supondo que tenha sido, de fato, a motivação acima responsável pela indicação de um ministro, pode-se tentar, mas dificilmente entender, as “motivações” (ou falta delas) consideradas no preenchimento dos demais escalões. Talvez insatisfeito com a “diversão” citada pelo Rossi, no parágrafo anterior, o ministro resolveu se divertir com seus “amigos” e apresentou uma “pérola” para a imprensa em forma de comunicado para congressistas, conforme Gabriela Guerreiro e Larissa Guimarães escreveram, na Folha, ontem (18/05):
Em mensagem enviada ontem a deputados e senadores, a Casa Civil justificou o aumento do patrimônio do ministro Antonio Palocci lembrando ex-ministros da Fazenda e ex-presidentes do Banco Central que se tornaram "banqueiros" e "consultores de prestígio" depois de passar pelo governo. O texto diz que a passagem por esses cargos proporciona "uma experiência única que dá enorme valor a esses profissionais no mercado", na tentativa de mostrar que o caso de Palocci não é incomum. Em seguida, lista ex-presidentes do BC e do BNDES como Pérsio Arida e André Lara Resende e ex-ministros da Fazenda como Pedro Malan e Mailson da Nóbrega, ressaltando que eles "se tornaram em poucos anos" bem-sucedidos no setor privado. Resende, Arida e Malan foram do governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002); Mailson foi ministro de José Sarney (1985-1990). A nota afirma que nada impedia Palocci de manter a consultoria Projeto durante seu mandato de deputado e lembra que pelo menos 273 deputados e senadores hoje são sócios de empresas.

                 Depois da “mordida” aplicada pelo ministro Palocci em integrantes de governos anteriores, Clóvis Rossi, na continuação do trecho apresentado acima, publicou na Folha:
Ingênuo e purista que sou, não gosto de que se coloque etiqueta de preço em seres humanos, ainda mais em servidores públicos. Mas não sou tão ingênuo a ponto de ignorar que Palocci disse a verdade, parte da verdade ao menos. A parte que ocultou é a seguinte: a passagem por esses postos -ou outros- dá a quem a fez conhecimento das entranhas e engrenagens do poder, o que facilita abordagens do setor privado que quer ou precisa fazer negócios com o Estado, em qualquer de suas esferas. Em linguagem clara, o mecanismo chama-se tráfico de influência. Não sei se Palocci o praticou, mas é evidente que as empresas que contrataram a sua consultoria estavam de olho nessa possibilidade. Só não sabia que esse, digamos, trânsito dava tanto dinheiro assim. Como é ilógico supor que uma eventual queda de Palocci seria um desastre (se não o foi em 2006, menos ainda o seria agora), resta suspeitar que a blindagem que até a oposição oferece ao ministro deve-se à expectativa de usar, hoje ou no futuro, a "experiência única" que tanto gozo deu a Palocci.

                 Diante do problema que poderia criar, e se valendo de experiência anterior onde o confronto não apresentou bons resultados políticos (bem verdade que imediatos), o ministro Palocci resolveu recuperar a própria imagem junto a seus “amiguinhos”. Renata Lo Prete, na Folha, hoje, comentou como o ministro “assoprou” a “mordida” aplicada:
Antonio Palocci entrou em campo ontem na tentativa de desfazer o mal-estar causado pela divulgação, na véspera, de texto elaborado pela Casa Civil no qual se procura justificar o salto patrimonial do ministro citando integrantes de governos anteriores que se tornaram profissionais bem-sucedidos no setor privado. Palocci telefonou para os quatro mencionados - os ex-ministros da Fazenda Pedro Malan e Mailson da Nóbrega, o ex-presidente do Banco Central Pérsio Arida e o ex-presidente do BNDES André Lara Resende - e apresentou desculpas pelo constrangimento causado. Consta que as reações foram elegantes.



                 Fica aparente a “punição” imposta ao responsável pelo “caseirogate”, que lhe facilitou o ato de “encher as burras de dinheiro”, enquanto o Francenildo Costa – o caseiro responsável pela denúncia  vai sendo apagado da memória nacional. Afinal de contas, há muito tempo que a política desse país tem grande dificuldade de “administrar” lampejos de honestidade. Enquanto o ministro "morde e assopra" (como a novela da Rede Globo), Antônio Gringo – músico, cantor e compositor, de Rodeio Bonito-RS – tem entre seus maiores sucessos a música “Cativeiros”, que nos últimos 20 anos se fez presente em todos os seus shows.  

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CATIVEIROS
                                          Antônio Gringo

Ouvi um pássaro cantar no cativeiro.
Nesse instante não contive a emoção
Em saber que a beleza de seu canto
Condenou-o a viver numa prisão.

Se por cantares, hoje vives prisioneiro,
Somos iguais neste ofício de cantor.
Pra dar ao mundo mais poesia e ternura
Em liberdade, cantar a vida e o amor.

/Não tem preço a liberdade não tem dono
Só quem é livre e sente o prazer de cantar
Se um passarinho canta mais quando está preso
É num desejo de um espaço pra cantar./

Quantos homens nas gaiolas desta vida
Aprisionados pela empáfia do poder.
São como pássaros, cativos da injustiça,
Morrendo aos poucos na prisão do mal viver.

Quero ver pássaros e homens livremente
Romper na vida toda forma de prisão.
Que só o amor e liberdade nos cativem,
Aprisionando-se em cada coração

/Não tem preço a liberdade não tem dono
Só quem é livre e sente o prazer de cantar
Se um passarinho canta mais quando está preso
É num desejo de um espaço pra cantar./

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                 A interpretação de “Cativeiros” é do próprio autor, acompanhado pelo Conjunto Os 4 Ventos.

  

                 Até a próxima e um grande abraço,

Wilmar Machado

quarta-feira, 18 de maio de 2011

TERTÚLIA NATIVA - TRISTE PARTIDA E NÃO MENOS TRISTE KIT

Quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da criação,
seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seus semelhantes.

Amigas e Amigos,

                Em nota no “Cotidiano”, na Folha de São Paulo (http://www.folha.uol.com.br), hoje, aparecem fortes indícios do envolvimento do MEC na distribuição de um kit pornográfico, com oportunista razão de ser anti-homofobia, para as escolas. O ministro Fernando Haddad, da Educação, nega – na mesma linha de um outro governante com o qual trabalhou e que sempre se deu bem, negando até mesmo quando as evidências não permitiam – que o MEC seja responsável pela distribuição do referido kit.

                Na matéria da Folha, tem-se que:
Se aprovado pelo ministério, o Kit ( três vídeos sobre transexualidade, bissexualidade e meninas lésbicas) poderá ser repassado para estudantes do ensino médio das escolas públicas. Segundo o ministro, o kit foi entregue ontem a pasta e será avaliado pela comissão de publicação do órgão, que vai ouvir secretários estaduais e municipais sobre o conteúdo. Também serão chamados para discutir o kit deputados da bancada evangélica, católica e da frente parlamentar de defesa da família. O ministro foi chamado hoje às pressas para explicar o kit para as bancadas religiosas da Câmara que haviam anunciado ontem que "não votariam" nenhuma matéria caso o material não fosse recolhido. Parlamentares da bancada evangélica sustentam que o material já está sendo divulgado. Haddad disse que o MEC não distribuiu o material, mas não quis apontar o vazamento. Deputados que participaram da reunião disseram que no encontro o ministro atribuiu a divulgação do Kit, que não estaria pronto, à empresa responsável pela produção. O ministro disse à Folha que o material que não seria do MEC contém cenas de sexo explícito. Na reunião, deputados mostraram uma cartilha que tem o símbolo do MEC que fala, por exemplo, de masturbação e ainda uma cartilha com símbolo do Ministério da Saúde com ilustrações com cenas de sexo entre dois homens.

                A partir da ação atabalhoada do ministro, ficou-me a questão sobre até que ponto o tal kit pode ser relacionado à educação, ou mais especificamente, à formação dos alunos. Ensina-los respeito e ética, e torna-los agentes de inclusão, passa por um trabalho muito além de demagógicas campanhas.



                Um projeto sério para a educação no país e pessoas comprometidas – sem demagogias – com uma mudança cultural, pode levar a um renovado país em que a partida de uma comunidade pobre, de uma região discriminada, não seja tão triste como a apresentada por Antônio Gonçalves da Silva – o Patativa do Assaré – na poesia abaixo, que virou música na voz e sanfona de Luiz Gonzaga, o mestre Lua.

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TRISTE PARTIDA
                                              Patativa do Assaré

Meu Deus, meu Deus...


Setembro passou / Outubro e Novembro 
Já tamo em Dezembro / Meu Deus, que é de nós, 
Meu Deus, meu Deus / Assim fala o pobre 
Do seco Nordeste / Com medo da peste 
Da fome feroz / Ai, ai, ai, ai...


A treze do mês / Ele fez experiência 

Perdeu sua crença / Nas pedras de sal, 
Meu Deus, meu Deus / Mas noutra esperança 
Com gosto se agarra / Pensando na barra 
Do alegre Natal / Ai, ai, ai, ai...


Rompeu-se o Natal / Porém barra não veio 

O sol bem vermeio / Nasceu muito além 
Meu Deus, meu Deus / Na copa da mata 
Buzina a cigarra / Ninguém vê a barra 
Pois a barra não tem / Ai, ai, ai, ai...


Sem chuva na terra / Descamba Janeiro, 

Depois fevereiro / E o mesmo verão 
Meu Deus, meu Deus / Entonce o nortista 
Pensando consigo / Diz: "isso é castigo 
não chove mais não" / Ai, ai, ai, ai


Apela pra Março / Que é o mês preferido 

Do santo querido / Senhor São José 
Meu Deus, meu Deus / Mas nada de chuva 
Tá tudo sem jeito / Lhe foge do peito 
O resto da fé / Ai, ai, ai, ai...


Agora pensando / Ele segue outra tria 

Chamando a famia / Começa a dizer 
Meu Deus, meu Deus / Eu vendo meu burro 
Meu jegue e o cavalo / Nós vamos a São Paulo 
Viver ou morrer / Ai, ai, ai, ai...


Nós vamos a São Paulo / Que a coisa tá feia 

Por terras alheia / Nós vamos vagar 
Meu Deus, meu Deus / Se o nosso destino 
Não for tão mesquinho / Cá e pro mesmo cantinho 
Nós torna a voltar / Ai, ai, ai, ai...


E vende seu burro / Jumento e o cavalo 

Inté mesmo o galo / Venderam também 
Meu Deus, meu Deus / Pois logo aparece 
Feliz fazendeiro / Por pouco dinheiro 
Lhe compra o que tem / Ai, ai, ai, ai...


Em um caminhão / Ele joga a famia 

Chegou o triste dia / Já vai viajar 
Meu Deus, meu Deus / A seca terrível 
Que tudo devora / Lhe bota pra fora 
Da terra natá / Ai, ai, ai, ai...


O carro já corre / No topo da serra 

Oiando pra terra / Seu berço, seu lar 
Meu Deus, meu Deus / Aquele nortista 
Partido de pena / De longe acena 
Adeus meu lugar / Ai, ai, ai, ai...


No dia seguinte / Já tudo enfadado 

E o carro embalado / Veloz a correr 
Meu Deus, meu Deus / Tão triste, coitado 
Falando saudoso / Seu filho choroso 
Exclama a dizer / Ai, ai, ai, ai...


De pena e saudade / Papai sei que morro 

Meu pobre cachorro / Quem dá de comer? 
Meu Deus, meu Deus / Já outro pergunta 
Mãezinha, e meu gato? / Com fome, sem trato 
Mimi vai morrer / Ai, ai, ai, ai


E a linda pequena / Tremendo de medo 

"Mamãe, meus brinquedo / Meu pé de fulô?" 
Meu Deus, meu Deus / Meu pé de roseira 
Coitado, ele seca / E minha boneca 
Também lá ficou / Ai, ai, ai, ai


E assim vão deixando / Com choro e gemido 

Do berço querido / Céu lindo azul 
Meu Deus, meu Deus / O pai, pesaroso 
Nos filho pensando / E o carro rodando 
Na estrada do Sul / Ai, ai, ai, ai...


Chegaram em São Paulo / Sem cobre quebrado 

E o pobre acanhado / Procura um patrão 
Meu Deus, meu Deus / Só vê cara estranha 
De estranha gente / Tudo é diferente 
Do caro torrão / Ai, ai, ai, ai...


Trabaia dois ano, / Três ano e mais ano 

E sempre nos prano / De um dia vortar 
Meu Deus, meu Deus / Mas nunca ele pode 
Só vive devendo / E assim vai sofrendo 
É sofrer sem parar / Ai, ai, ai, ai...


Se arguma notícia / Das banda do norte 

Tem ele por sorte / O gosto de ouvir 
Meu Deus, meu Deus / Lhe bate no peito 
Saudade lhe molho / E as água nos óio 
Começa a cair / Ai, ai, ai, ai...


Do mundo afastado / Ali vive preso 

Sofrendo desprezo / Devendo ao patrão 
Meu Deus, meu Deus / O tempo rolando 
Vai dia e vem dia / E aquela famia 
Não vorta mais não / Ai, ai, ai, ai...


Distante da terra / Tão seca mas boa 

Exposto à garoa / À lama e o paú 
Meu Deus, meu Deus / Faz pena o nortista 
Tão forte, tão bravo / Viver como escravo 
No Norte e no Sul / Ai, ai, ai, ai...


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                E a música de hoje, para mostrar que inclusão pode ser feita com bom humor, independente do nojento “politicamente correto” que acompanha sempre os mau humorados e azedotes mal amados, é de Juraíldes da Cruz, compositor e cantador do Tocantins, e tem por título “Nóis e Jeca mais é jóia”.



                Um grande abraço e até a próxima,

Wilmar Machado

sábado, 14 de maio de 2011

FOGÃO DE LENHA - CARNE DE PORCO COM REPOLHO


Não importa saber se a gente acredita em Deus:
o importante é saber se Deus acredita na gente...

Amigas e Amigos,

                O Blogspot, depois de muita instabilidade na quarta-feira, parou completamente ontem. Hoje está, aparentemente, normal e espero que assim continue. Abrindo espaço para o futebol, no próximo domingo tem decisões nos campeonatos regionais e lembro algumas brincadeiras feitas por torcedores gremistas após a vitória no primeiro jogo.

                Dentre as que recebi por e-mail, destaco a versão humorada do tradicional trava-língua, transformado em “Renato roeu a roupa do Rei de Roma”, fazendo referência ao treinador do Internacional, durante muito tempo um dos melhores jogadores do campeonato italiano. Uma outra história interessante dizia que o treinador do Inter teria sido consolado por Bin Laden que lhe disse: “Eu sei como isso é difícil de aceitar, eu também fui ‘eliminado’ em casa!”. No próximo domingo, novas histórias surgirão, mas ainda não é possível prever se manterão a cor azulada ou serão avermelhadas.

                Enquanto se espera a decisão de domingo, haverá tempo para um bom almoço em família e sugestão do Fogão de Lenha da semana é um prato com carne de porco (que pode ser servido com arroz branco e uma salada), mesmo que você vá acompanhar a decisão do campeonato paulista.



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CARNE DE PORCO COM REPOLHO

Ingredientes:
500 gramas de carne de porco, sem gordura
½ repolho médio

½ pimentão vermelho
1 tablete de caldo de carne (dissolvido em ½ xícara de água quente)
2 colheres de (sopa) de molho inglês
5 colheres de (sopa) de óleo vegetal
1 colheres de (chá) de açúcar
3 dente de alho, amassado
Pimenta-do-reino a gosto

Modo de preparo:
Corte a carne de porco em pequenas tiras e o repolho em fatias longas e finas. Reserve. 

Numa frigideira, aqueça 3 colheres de (sopa) do óleo, junte o alho e deixe dourar. 
Acrescente a carne, fritando-a bem e mexendo sempre, por 3 minutos. 
Escorra-a com uma escumadeira e coloque em outro recipiente, mantendo-a aquecida.
Despeje na mesma frigideira o restante do óleo e frite o repolho e o pimentão em fogo alto por 2 a 3 minutos. Adicione o molho inglês, o caldo de carne e o açúcar. 
Deixe que o repolho cozinhe neste molho por aproximadamente 2 minutos.
Acrescente a carne, deixando cozinhar por mais 3 minutos.
Polvilhe a pimenta-do-reino e sirva com os acompanhamentos escolhidos.

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                Para acompanhar harmonicamente o prato de hoje, sugiro a música “O alemão e o delegado”, de Bruno Neher e Luiz Lara, com o grupo Os 3 Xirús.


                Um grande abraço e bom apetite para os que resolverem experimentar a receita de hoje,

Wilmar Machado