quarta-feira, 4 de julho de 2012

ORATÓRIO CAMPEIRO – NEM VENDO SE ACREDITA NISSO, SÃO TOMÉ!


Depois disse a Tomé:
“Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos.
Estende a tua mão e coloca-a no meu lado e não sejas incrédulo, mas crê!”
Tomé respondeu: “Meu Senhor e meu Deus!”  
Jesus lhe disse: “Creste porque me viste? Bem-aventurados os que não viram, e creram!”
(São João 20,27-29)




Amigas e Amigos,


Inicio este Oratório Campeiro – pedindo licença para São Tomé, ontem festejado – com uma matéria sobre um escândalo envolvendo vereadores de São Paulo, que marcam presença no painel do plenário, mesmo ausentes, chegando a participar de votações, conforme denúncias da Agência Estado.

As contravenções políticas e morais desses vereadores foram referidas em diversos meios de comunicação e começo destacando a abordagem do jornal O Estado de São Paulo que, em seu portal no dia 1º/07, destacou:
Os nomes de vereadores registrados no painel eletrônico da Câmara Municipal durante as sessões em plenário não batem com as listas de presença publicadas na internet. Nas últimas três semanas, a reportagem flagrou distorções entre as marcações em "tempo real" e as divulgadas posteriormente, no site da Casa. A diferença é sempre positiva, ou seja, quem não tem o nome assinalado durante a sessão recebe o benefício depois, e fica livre da falta que gera desconto de R$ 465 na folha de pagamento. [...] O controle oficial das presenças na internet é feito pelo mesmo grupo de servidores que ajudam vereadores a fraudá-las. Ontem, o Estado revelou que parlamentares ausentes nas sessões têm burlado o painel eletrônico com o auxílio de funcionários da Mesa Diretora. O grupo é formado por pelo menos quatro pessoas, que têm acesso a senhas pessoais de vereadores para entrar no sistema e marcar presença e, teoricamente, até o voto. [...] Na Câmara, a presença em um das sessões, mesmo que fraudada, anula a falta na sessão seguinte. É por isso que, mesmo com as cadeiras do plenário vazias, os vereadores da capital não têm descontos no holerite. Quem vai à sessão ordinária ou tem a presença marcada pelos servidores da Mesa Diretora e fica ausente na extraordinária tem a presença no dia assegurada no "relatório consolidado".  No dia 19 de junho, por exemplo, a lista online na sessão ordinária apontou 38 nomes. A extraordinária, 47. Mas, no relatório consolidado, o total chegou a 52.

         A matéria do Estadão, conforme o excerto acima, complementava uma denúncia do mesmo jornal que, no dia anterior, já havia chamado a atenção para projeto de lei aprovado por quórum fantasma. O citado jornal informou que:
A prática de marcar a presença no início da sessão e deixar o plenário em seguida não serve apenas para evitar descontos no salário, mas também para alcançar quórum suficiente para a aprovação de projetos de lei na Câmara. É o que acontece quando a votação é simbólica e vale a opinião da maioria na Casa. No dia 20 de junho, por exemplo, Netinho de Paula e Jamil Murad, ambos do PCdoB, deixaram o plenário minutos após a votação do segundo projeto do Executivo que, naquele dia, exigia voto nominal. Em menos de cinco minutos, porém, a Mesa Diretora abriu nova votação, dessa vez simbólica, e aprovou 18 propostas de autoria de vereadores. Oficialmente, os dois parlamentares participaram do quórum no momento em que se reuniam com a liderança do partido para decidir pelo apoio à candidatura de Fernando Haddad (PT) à Prefeitura de São Paulo. [...] A prática de garantir a participação fantasma nas sessões, porém, pode tornar nulas as lei aprovadas diante de quórum fraudado. Pelo princípio da publicidade determinado pela Constituição Federal, a posição dos vereadores deve ser tomada em público, em local conhecido e aberto à sociedade.  Resolução da própria Mesa Diretora da Câmara de 2003 determina ainda que “fraudar, por qualquer meio ou forma, o registro de presença às sessões, ou às reuniões de comissões”, é considerado infração à ética parlamentar. A irregularidade, caso comprovada pela Justiça, pode render perda de direitos políticos e cassação do mandato.
            
Em não havendo parlamentares ubíquos na Câmara paulistana, torna-se extremamente difícil – só não impossível pelas imaginosas mentes de determinados advogados especialistas em afrouxar rabos presos – a explicação de presença simultânea em votação e em reunião de apoio a prefeito, na mesma data, no mesmo horário e em locais diferentes.

Para resolver o problema acima, foi noticiado que apareceu um novo personagem nessa história: o Zé Careca, servidor daquela casa legislativa que percebe nababesco salário mensal para utilizar senhas exclusivas dos vereadores e realizar tarefas restritas aos parlamentares.  Como já não consegue dar conta de todas as atividades que lhe são demandadas por telefone ou SMS, dizem que Zé Careca já tem até equipe de funcionários à sua disposição.

Notícia do portal Estadão do último dia 30/06 informa que:
A rotina na Câmara Municipal é a mesma toda terça, quarta e quinta-feira, quando a capital ganha seu 56.º vereador. O parlamentar extra é o assessor José Luiz dos Santos, o Zé Careca, apontado como “chefe” do esquema que frauda o painel eletrônico. Sentado a cerca de 2 metros do presidente da Casa, José Police Neto (PSD), ele acessa o sistema com senhas pessoais de vereadores, garante o número necessário de presenças para abrir sessões e pode até votar. Careca lidera uma equipe de pelo menos outros três fraudadores, que mantêm o controle das marcações em listas feitas à mão. Fotos feitas pelo Estado mostram que o grupo recebe a ordem para cometer a irregularidade por telefone ou SMS. Celulares ficam sobre a mesa e basta um toque para mais um nome surgir no painel, sem que ninguém entre no plenário. Em outros casos, servidores telefonam aos gabinetes em busca de autorização para marcar a presença. Funcionário da Câmara há mais de 30 anos, o assessor trabalha no plenário desde 1994, quando entrou para a lista de homens de confiança dos parlamentares. A qualquer momento, mesmo em fins de semana e feriados, Careca está disposto a resolver “pepinos de vereadores”. Seu salário é de cerca de R$ 23 mil.

Na continuação dessa história – sem jeito de ser o final da macabra novela – o portal da Folha de São Paulo, hoje, informa que aconteceu uma estranha troca de aparelhos de votação. Diz a Folha que:
Equipamentos da Mesa Diretora da Câmara de São Paulo utilizados para registrar a presença de vereadores foram trocados antes de o sistema ser exibido a jornalistas anteontem pelo presidente da Casa, José Police Neto (PSD). Sindicância concluída ontem apontou que o servidor José Luiz dos Santos foi o responsável pela troca. A descoberta deixou em alerta a direção da Câmara, que vem negando qualquer irregularidade desde a veiculação, esta semana, de reportagens pelo jornal "O Estado de S. Paulo". O temor é que o gesto tenha sido uma tentativa de acobertar alguma fraude. A mesa tem dois terminais: um, biométrico, só pode ser acionado pelo vereador por meio de toque; o outro permite o uso de senha para marcar presença e até votar. O servidor, que é operador-mestre do sistema, tem uma senha para registrar presença, mas não para votar. Ele geralmente faz o registro a pedido de vereador que está na Casa, mas não no plenário. Quando foi flagrado registrando presenças, o aparelho com senha estava em uma plataforma retrátil, abaixo da superfície da mesa, o que o deixava pouco visível. O outro ficava sobre a mesa. Anteontem, não só estavam em posições trocadas, como haviam sido fixados no móvel. A troca constrangeu Police e o diretor do CTI (Centro de Tecnologia da Informação), Eduardo Miyashiro, chefe de Santos, que explicavam o sistema – Police mandou abrir uma investigação. Santos, que está de férias, não foi ouvido na sindicância, que colheu depoimentos de outros servidores do CTI.

Pois não é, São Tomé? Parece que nesta ferida ninguém está muito a fim de colocar o dedo para comprovar a extensão do processo inflamatório. A resolução da Mesa Diretora da Câmara de 2003 sobre infração à ética parlamentar pode, a partir dos fatos denunciados, virar mais uma balela. Ou alguém ainda acredita que algum dos parlamentares envolvidos poderá perder seus direitos políticos ou ter seu mandato cassado? Enquanto outros podem necessitar de algum tipo de chapéu para se proteger, na Câmara a proteção é descalvada mesmo.
  


Esta terça-feira, 3/07, marcou a festa do apóstolo São Tomé. Esse Santo nos remete a incredulidade por duvidar da ressurreição de Cristo e experimentar a comprovação da presença desse mesmo Cristo em sua vida. São Tomé é citado em mais dois momentos nos Evangelhos, mas ficou reconhecido pelo “ver para crer”. Acredito que mesmo vendo, tem-se dificuldade de acreditar no que está acontecendo na Câmara de Vereadores de São Paulo.

A oração sugerida para esta semana é clamando pela intercessão de São Tomé, para nos acompanhar em nossas dúvidas, mesmo quando conhecemos a Verdade.
        
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ORAÇÃO A SÃO TOMÉ

Ó Senhor!

Peço-Vos perdão
Por todas as vezes em que fui incrédulo
E não permiti que Vossa mão poderosa
Conduzisse minha vida.

Agora, meu Jesus,
Pelo exemplo de São Tomé,
Coloco-me aos Vossos pés
E clamo com todo o meu amor e devoção:
“Meu Senhor e meu Deus”!

São Tomé,
Rogai por mim, agora e sempre.

Amém!

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A música escolhida para este Oratório é "Falando com Deus", do saudoso Peão Carreiro em parceria com Benedito Seviéro, na interpretação da dupla Peão Carreiro e Zé Paulo.

  

Um grande abraço para todos e que a Paz de Cristo permaneça conosco!

sexta-feira, 29 de junho de 2012

FOGÃO DE LENHA – CALDO DE ABÓBORA COM CHARQUE


A maneira de se conseguir boa reputação
reside no esforço em se ser aquilo que se deseja parecer.
(Sócrates)



Amigas e Amigos,



Uma notícia desta semana, longe de ser boa nova, é o aparente passo atrás promovido pelo TSE ao liberar a candidatura de “contas sujas” para as próximas eleições. A decisão, a partir da solicitação do Partido dos Trabalhadores, contou com o voto de Dias Toffoli, ex-subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil, quando comandada por José Dirceu, e assessor jurídico da liderança do PT na Câmara dos Deputados de 1995 a 2000.

Sobre esse assunto, o portal do jornal O Estado de São Paulo, no último dia 28 de junho, destacou que:
Com o voto decisivo do ministro Dias Toffolli, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu nesta quinta-feira por 4 votos 3 que quem tem contas eleitorais sujas poderá ser candidato nas eleições municipais deste ano. De acordo com estimativa do TSE, cerca de 21 mil políticos integram o cadastro da Justiça Eleitoral de contas rejeitadas. O veto aos chamados "contas sujas" estava previsto em instrução baixada pelo próprio tribunal em março passado. A norma impedia de concorrer ao pleito os candidatos que não conseguiram ter aprovadas, pela Justiça eleitoral, as prestações de contas de campanhas anteriores. O pedido de reconsideração da instrução foi feito pelo PT, com o aval posterior de outros 17 partidos. A votação, que começou na última terça-feira, estava empatada em 3 a 3 e foi suspensa com pedido de vista do ministro Dias Toffoli, que, além de integrar o TSE, é ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Nesta quinta-feira ele deu o voto decisivo, ficando vencidos os ministros Nancy Andrighi, relatora do processo, Carmen Lúcia Rocha e Marco Aurélio Mello, estes dois últimos também do STF. Toffoli seguiu a tese dos ministros Henrique Neves, Gilson Dipp e Arnaldo Versiani, para os quais, basta ao candidato a apresentação das contas para obtenção da quitação eleitoral. Dipp explicou que as consequências da rejeição das contas estão previstas na Lei nº 9.504/1997 (Lei das Eleições). O artigo 30-A da norma estabelece que cabe ao Ministério Público verificar se é ou não caso de gasto ilícito e apresentar denúncia perante a Justiça Eleitoral. "Todas essas questões serão examinadas pelo Ministério Público. Se houver um grave ilícito na prestação de contas, o Ministério Público ajuizará a ação e essa sim é capaz de chegar à inelegibilidade do candidato", disse o ministro. Em março, o TSE mudou uma interpretação que estabelecia como condição para o registro de candidaturas apenas a apresentação das contas, e não a necessidade de que tenham sido aprovadas. Após as eleições, todos os candidatos têm de prestar contas sobre gastos e arrecadações da campanha. "Quem não tiver quitação eleitoral (conta aprovada), não terá o registro (da candidatura)", resumiu na ocasião o então presidente da Corte, Ricardo Lewandowski.


Já podemos ter uma certeza a partir da decisão do TSE: poderemos ter – e provavelmente teremos – mais de 20 mil candidatos nas próximas eleições com contas rejeitadas pela Justiça Eleitoral. O TSE, que deliberara anteriormente sobre o assunto, definindo que não seriam candidatos os políticos com conta suja, traz o assunto novamente à tona para definir, por intervenção do PT, que contas rejeitadas não são suficientes para impedir candidaturas.

Mas – sempre tem um mas – se o Ministério Público perceber um grave ilícito (se for apenas um ilícito, não tem problema), ajuizará uma ação que, poderá nem ser julgada antes da eleição, dando uma confortável sensação de não se preocupar com essa bobagem para todo e qualquer conta suja. Não parece que está tudo combinado para a continuidade dessa farra eleitoral?



 

Para tentar digerir essas medidas pouco compreensíveis, a sugestão do Fogão de Lenha de hoje é um Creme de Abóbora com Charque, que pode ser acompanhado por torradas de pão de forma, regadas com azeite e polvilhadas com orégano, assadas em forno médio. 


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CREME DE ABÓBORA COM CHARQUE

Ingredientes:

1 abóbora japonesa
500 gramas de charque, cozido e desfiado
2 colheres (sopa) de azeite
± 1 litro de caldo de legumes (vide abaixo)
1 cebola picada
2 dentes de alho picados
2 colheres (sopa) de extrato de tomate
1 pimenta dedo-de-moça, sem sementes, picada
Sal, pimenta do reino e cheiro verde a gosto


Modo de preparar:

Cozinhe a abóbora no caldo de legumes.
Retire as cascas.
Bata no liquidificador com caldo e reserve.
Em uma panela grande, aqueça o azeite.
Refogue a cebola e os dentes de alho.
Acrescente a carne seca, fritando ligeiramente.
Junte o extrato de tomate e a pimenta dedo-de-moça.
Misture bem.
Coloque o caldo de abóbora processado.
Tempere com sal e pimenta do reino à gosto.
Polvilhe com o cheiro verde e um fio de azeite.


Ingredientes para o caldo de legumes:

1 e ½  litro de água
200 g de salsão (aipo) em pedaços
3 cenouras médias cortadas ao meio
1 cebola grande cortada em quatro partes
2 dentes de alho
1 folha de louro
2 cravos da índia
8 grãos de pimenta do reino, partidos
1 pedaço de gaze
1 pedaço de barbante.

Preparo do caldo de legumes:

Coloque a água em uma panela
Junte as cenouras, a cebola e o salsão.
Deixe ferver por cerca de 40 minutos em fogo brando.
A panela não deve ser tampada.
Abra o pedaço de gaze.
Acomode o alho, o louro, o cravo e a pimenta do reino.
Feche como um sache e amarre com barbante.
Coloque o sache na panela.
Ferva por mais 20 minutos, sem tampar a panela.
Coe e use para o preparo do creme.


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         Para acompanhar a receita de hoje, a música sugerida é "Cheiro de Galpão", de Nilo Brum e Sérgio Rosa, com o grupo "Os Monarcas".

  

         Um grande abraço, bom apetite e até o próximo encontro,

GALERIA SERTANEJA – AUÊ UÊ UÊ Ê BOI!


O homem poderoso que junta a eloquência à audácia
torna-se num cidadão perigoso quando lhe falta bom senso.
(Eurípedes)



Amigas e Amigos,


O controle de salários da classe política brasileira lembra a fábula portuguesa sobre a raposa no galinheiro. Como a remuneração é definida pelos próprios beneficiados, é humanamente explicável a tentação imposta a esses setores pela própria circunstância. Isso é motivo para mais um aumento esdrúxulo proporcionado em benefício próprio pelos vereadores da cidade de Cravinhos-SP.





É interessante pensar sobre o salário médio dos professores do ensino fundamental de Cravinhos, como na maioria das cidades brasileiras, deve estar por volta de R$ 1.500,00. Se os professores pensarem em um aumento de 1% (R$ 15,00) ou 2% (R$ 30,00), provavelmente nenhum dos vereadores de Cravinhos ficará sensibilizado com essa ideia. Os professores, conforme temos visto em situações semelhantes, entrarão em greve, que somente terminará quando eles não aguentarem mais tanta indiferença e voltarão para o trabalho com algumas promessas e sem nada de concreto.

Assim como os professores, nenhuma classe trabalhadora pode definir seus aumentos salariais. Isso deveria ser estendido para todos os que são remunerados, principalmente para os que recebem a partir de verbas públicas, para se evitar notícias pouco agradável como a publicada pelo portal Folha.com, nesta quinta-feira, informando que:
A Câmara de Cravinhos (292 km de São Paulo) aprovou nesta quarta-feira (27) um reajuste salarial de 44% nos salários dos vereadores para o próximo mandato, passando dos atuais R$ 4.147 para R$ 6.000.O projeto de lei que estabeleceu o aumento foi protocolado na segunda-feira (25) e votado dois dias depois. De acordo com o presidente do Legislativo, Éder Agrella Alves (PSDB), a proposta foi aprovada por unanimidade.Segundo Alves, o índice foi discutido antes de o projeto ser apresentado, sendo estabelecido um consenso entre os nove parlamentares. "Todos concordaram com o novo valor", disse. Para justificar o aumento, ele afirma que os vereadores não tiveram reajustes na atual legislatura. "Se dividir esse reajuste aprovado [de 44%], dá 11% ao ano, que é um bom índice." Alves disse não considerar a decisão abusiva. "É justo sim. Trabalhamos muito, dia e noite. É uma atuação de responsabilidade e merece essa remuneração", afirmou.Em 2010, os vereadores de Cravinhos já haviam aumentado o número de vagas na Câmara para a próxima legislatura, de nove para 13 cadeiras. Reajustes de salários e do número de vereadores causaram polêmicas em outras Câmaras da região de Ribeirão Preto. Houve recuo em decisões tomadas em Ribeirão Preto, Jaboticabal, Franca, Araraquara, Bebedouro e Guariba.


Além do abuso – ou mau uso – de verbas públicas, as justificativas apresentadas parecem navegar entre o deboche e o cinismo. A aprovação por unanimidade, a concordância de todos os beneficiados com o novo valor e a explicação econômica para explicar como o índice de quase 50% não foi abusivo são verdadeiras pérolas, presentes em tantas situações semelhantes. Agora o trabalhar muito – dia e noite – extrapola qualquer texto que pudesse ser pensado para um roteiro cômico de sucesso.


Com essa carga de informações, lembrei de um personagem de uma música do saudoso compositor paulista Teddy Vieira (de Azevedo). E essa história, de um boiadeiro, penso que deixaria muitos que afirmam trabalhar muito - dia e noite - envergonhados (se ainda souberem o que significa vergonha). Para conferir, a letra está publicada abaixo.

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BOIADEIRO ERRANTE
                                  Teddy Vieira

Eu venho vindo de uma querência distante.
Sou um boiadeiro errante,
Que nasceu naquela serra.
O meu cavalo corre mais que o pensamento,
Ele vem no passo lento
Porque ninguém me espera!


Tocando a boiada – Auê  uê uê ê boi! –
Eu vou cortando estrada – Uê boi!
Tocando a boiada – Auê-uê-uê-ê boi! –
Eu vou cortando estrada!

Toque o berrante com capricho, Zé Vicente,
Mostre para essa gente
O clarim das alterosas.
Pegue no laço, não se entregue companheiro,
Chame o cachorro campeiro
Que essa rês é perigosa!

Olhe na janela – Auê uê uê ê boi! –
Que linda donzela – Uê boi!
Olhe na janela - Auê uê uê ê boi! -
Que linda donzela!

Sou boiadeiro, minha gente o que é que há?
Deixe o meu gado passar,
Vou cumprir com a minha sina.
Lá na baixada quero ouvir a siriema,
Prá lembrar de uma pequena
Que eu deixei lá em Minas!

Ela é culpada – Auê  uê uê ê boi! –
De eu viver nas estradas – Uê boi!
Ela é culpada – Auê  uê uê ê boi! –
De eu viver nas estradas!

O rio tá calmo e a boiada vai nadando.
Olhe aquele boi berrando,
Chico Bento corre lá!
Lace o mestiço, salve ele das piranhas,
Tire o gado da campanha
Pra viagem continuar!

Com destino a Goiás – Auê  uê uê ê boi! –
Deixei Minas Gerais – Uê boi!
Com destino a Goiás – Auê  uê uê ê boi! –
Deixei Minas Gerais – Uê boi!


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Na Galeria Sertaneja de hoje, a interpretação de “Boiadeiro Errante” é da dupla que gravou essa música em 1959, os irmão Liu e Léu.


         

 Um grande abraço e até a próxima!

quarta-feira, 27 de junho de 2012

ORATÓRIO CAMPEIRO – JOSEMARÍA E JOSÉ MARIA, SANTOS!


Depois de três dias, o encontraram no templo, sentado entre os mestres,
ouvindo-os e fazendo-lhes perguntas.
Todos aqueles que ouviam o menino
ficavam maravilhados com sua inteligência e suas respostas.
(São Lucas 2,46-47)





Amigas e Amigos,

Esta terça-feira de festas juninas traz uma agradável notícia para a educação brasileira, com a criação de 77 mil cargos em universidades e institutos federais. Desses cargos, mais da metade são para professores.

A Lei 12.677, sancionada hoje pelo governo, que cria 77.178 cargos efetivos, cargos de direção e funções gratificadas para o Ministério da Educação é objeto de matéria no portal G1, que informa:
As vagas são destinadas às universidades e aos institutos federais de ensino e foram publicadas na edição desta terça do "Diário Oficial da União". Do total, 56% das novas vagas são para docentes: 19.569 são cargos de professor de terceiro grau, que integram a carreira do magistério superior, e 24.306 são cargos efetivos de professor do ensino básico, técnico e tecnológico. A lei criou ainda 27.714 cargos de técnicos administrativos, além de 1.608 cargos de direção, em quatro categorias diferentes, e 3.981 funções gratificadas em três categorias. No texto assinado pela presidente Dilma Rousseff, ficam extintos 2.751 cargos de técnicos-administrativos e 2.013 funções gratificadas de categorias inferiores às criadas nesta terça. [...] Além disso, a criação de novas unidades e das vagas "dependerá da existência de instalações adequadas e de recursos financeiros necessários ao seu funcionamento". Segundo o texto, "os cargos e funções criados por esta lei destinam-se às instituições federais de ensino superior, institutos federais de educação, ciência e tecnologia, ao Instituto Nacional de Educação de Surdos, ao Instituto Benjamim Constant, às escolas técnicas e colégios de aplicação vinculados às instituições de ensino superior, aos centros federais de educação tecnológica e ao Colégio Pedro II".  

As alvíssaras para essa boa nova se revestem de alguma obscuridade pelo aparente descaso dedicado pelo mesmo governo que cria os cargos para com os que ocupam cargos semelhantes nas instituições de ensino superior. Essa desconsideração fica evidente na notícia do mesmo portal G1, do último dia 18, quando foi publicado que:
A reunião que estava programada para esta terça-feira (19) entre o secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça, e representantes dos professores e servidores para discutir a greve nas universidades federais foi adiada. [...] A assessoria da secretaria do ministério confirmou o adiamento e alegou envolvimento do ministério com outras questões de governo esta semana. Além disso, houve pouco tempo desde a última reunião para definir uma proposta consolidada para os professores que estão em greve há pouco mais de um mês que agregue vários setores do governo, como o Ministério da Educação, a Casa Civil e o Ministério da Fazenda. [...] A greve dos professores das universidades federais completou um mês neste domingo (17). O movimento começou em 17 de maio e, segundo o sindicato nacional (Andes), atualmente professores de 54 instituições federais de ensino superior paralisaram as atividades: 49 universidades (cerca de 90% do total) e cinco dos 40 institutos ou centros federais de educação tecnológica estão parcial ou totalmente parados. Estudantes de pelo menos 19 das 46 universidades também entraram em greve para pedir melhores condições de ensino. Segundo a Andes, a greve afeta mais de 1 milhão de alunos.

A publicação acima dá idéia de que os ministérios do governo que cria cargos têm “questões de governo” tão importantes que tornam insignificantes a paralisação dos ocupantes de cargos semelhantes aos criados por um período que ultrapassa um mês. Para não parecer que o pouco-caso é direcionado para os educadores, novas evidências surgem para demonstrar que a indiferença é com a educação no sentido amplo. Os estudantes entram em greve por melhores condições de ensino e, em momento seguinte, os servidores de universidades federais também aderem ao movimento por melhores condições de trabalho.

Fica a percepção de que educação é importante para “fazer pose”, mas a intenção dos que deveriam ser responsáveis pela consolidação dessa eterna “promessa de campanha” é eternizá-la como promessa, cada vez mais. O lado melancolicamente jocoso dessa situação está representado no gracejo de estudantes de universidades públicas que afirmam saber a data de início de seus cursos, mas que a conclusão – independente de aprovações em todas as disciplinas – é sempre uma equação, onde uma incógnita (maior do que 1) é multiplicada pelo número de semestres do curso.

Neste Oratório Campeiro, lembramos de dois Santos, fundadores de obras para as quais conseguiram incontáveis seguidores a partir da educação pelo exemplo de suas vidas. Falo de São Josemaría Escrivá e de São José Maria Hurtado.



São Josemaria Escrivá de Balaguer e São José Maria Hobles Hurtado


São Josemaría Escrivá de Balaguer nasceu em Barbastro, Huesca, na Espanha, no dia 9 de janeiro de 1902. Com autorização do seu bispo, em 1927 foi para Madri, com o objetivo de formar-se em Direito. Um ano depois, durante um retiro espiritual, pediu a Deus para mostrar-lhe com clareza o que precisava ser feito e fundou a Opus Dei, um caminho moderno de evangelização para a Igreja. A missão da Opus Dei é a de promover entre os fiéis cristãos de qualquer condição social uma vida plenamente coerente com a fé no meio do mundo e contribuir, assim, para a evangelização de todos os ambientes da sociedade. Josemaría morreu em consequência de uma parada cardíaca, no dia 26 de junho de 1975, em seu quarto de trabalho e aos pés de um quadro de Nossa Senhora, a quem lançou o seu último olhar. Foi Beatificado no dia 17 de maio de 1992 e foi canonizado em 6 de outubro de 2002 pelo papa João Paulo II na praça de São Pedro em Roma.

A condição da Igreja no México foi muito difícil desde que entrou em vigor, em 5 de fevereiro de 1917, a Constituição anticlerical e antirreligiosa, depois do longo período de ditadura que a antecedeu. Dentre os mártires desse período, encontramos padre José Maria Robles Hurtado, que nasceu em Mascota, Jalisco, no dia 3 de maio de 1888. Foi pároco de Tecolotlán, em Jalisco, onde difundia a fervorosa devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Amado e querido pelo seu rebanho, constituído de camponeses pobres e muito carentes. Para melhor atendê-los, fundou a Congregação das "Irmãs do Coração de Jesus Sacramentado". No dia 26 de junho de 1927, o padre José Maria foi amarrado numa árvore, na serra da Quila, em Jalisco, e mantido assim até morrer. O grupo de vinte e cinco mártires mexicanos no qual estava incluso foi beatificado, em 1992, pelo papa João Paulo II. Mais tarde, o mesmo pontífice, no ano de 2000, canonizou todos eles.

Como sugestão deste Oratório, fica uma oração escrita por São Josemaría, pedindo a intercessão de Maria Santíssima, a quem podemos nos dirigir para que a responsável pela educação de Cristo interceda pela educação em nosso país.
        
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ORAÇÃO DE SÃO JOSEMARÍA ESCRIVÁ

Maria, Mãe de Jesus,
Que O criou, O educou e O acompanhou
Durante a Sua vida terrena
E que agora está junto d’Ele nos céus,
Nos ajudará a reconhecer Jesus
Que passa ao nosso lado,
Que se faz presente
Nas necessidades dos nossos irmãos, os homens.

Santa Maria, esperança nossa,
Escrava do Senhor,
Sede de Sabedoria,
Roga por nós!
Amém!

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         A música escolhida para este Oratório é do Padre José Fernandes de Oliveira, o Pe. Zezinho, interpretada por ele mesmo, e tem por título "Águia Pequena"




Um grande abraço e que a Paz de Cristo permaneça conosco!

sexta-feira, 22 de junho de 2012

FOGÃO DE LENHA – RABADA COM POLENTA

O prazer da comida é o único que,
desfrutado com moderação, não acaba por cansar.
(Jean-Anthelme Brillat-Savarin)



Amigas e Amigos,




Antes de tratar da receita de hoje, considerada por tanta gente como um prato “pesado”, abordo uma notícia de hoje sobre a tentativa de liminar que os advogados estão buscando para Cláudio Monteiro, ex-chefe de gabinete do governador Agnelo, suspeito de envolvimento em uma ligação que haveria entre o governo do DF e o “zoo-empresário” Cachoeira. Os advogados do senhor Monteiro querem garantir para seu cliente a possibilidade de ficar em silêncio, em determinadas circunstâncias, no encontro que terá com integrantes da CPI Mista do Cachoeira, na próxima semana.

Na edição de hoje do Estadão pode-se encontrar que:
Os advogados de Cláudio Monteiro, ex-chefe de gabinete do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), entraram com um pedido de habeas-corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir o direito de seu cliente de ficar calado na CPI Mista do Cachoeira, na próxima quinta-feira, 28, se for questionado por fatos fora do objeto da investigação parlamentar. Ele quer garantir também o direito de consultar seus defensores, durante o depoimento. O pedido foi distribuído para o ministro Cezar Peluso decidir. Segundo o advogado Sandro Rogério Monteiro, a intenção de Cláudio é responder a todas as perguntas sobre o suposto envolvimento dele com pessoas ligadas ao esquema do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Cláudio Monteiro pediu demissão do cargo no dia 10 de abril, depois de divulgadas conversas gravadas pela Polícia Federal, nas quais o araponga Idalberto Matias, o Dadá, pede ao ex-diretor da Delta Construções Cláudio Abreu, o pagamento de propina a Cláudio Monteiro para indicar uma pessoa do grupo para o cargo de diretor do Serviço de Limpeza Urbana (SLU), estatal que cuida do lixo na capital. A Delta é detentora do contrato. À Agência Estado, o advogado de Cláudio Monteiro negou todas as acusações referentes ao seu cliente. "Ocorreram citações indevidas ao nome do senhor Cláudio Monteiro", afirmou. O defensor disse que Monteiro jamais recebeu propina, colocou seus sigilos bancário, fiscal e telefônico à disposição do Ministério Público, não tratou de indicações para cargos no governo do DF e tampouco recebeu um Nextel para falar com o grupo. Afirmou ainda que Dadá, Cláudio Abreu e o delegado responsável pela investigação, Matheus Mella Rodrigues, foram interpelados judicialmente para explicar declarações desfavoráveis ao ex-chefe de gabinete. Sandro Rogério disse que, em apenas uma ocasião, Monteiro recebeu Cláudio Abreu "oficialmente", como representante da Delta, para tratar de uma reclamação referente a um aterro sanitário. Segundo o advogado, o ex-chefe de gabinete está "super tranquilo". "Além de não temer nenhuma investigação, ele quer a investigação. E a CPI será uma oportunidade para ele esclarecer os fatos e resgatar a sua honra", afirmou, ressaltando que, a princípio, Monteiro está disposto a esclarecer todos os fatos referentes a ele.

Um consagrado dito popular português afirma que “quem não deve não teme”. A versão “tropicalizada” deste dito parece ser mais audaciosa, pelo que se observa na CPI e nos julgamento de figurões, permitindo imaginar que nestas terras do pau-brasil “quem deve também não teme”. Pois ainda assim, o auto-intitulado inocente Cláudio Monteiro está com medo de falar na CPI.

A falácia mais comum nos últimos dias tem sido a de dispensar o sigilo bancário. Como se o dinheiro sujo do crime organizado tivesse necessidade de transitar por alguma conta para chegar ao seu destino. Nesse enroscado escopo, existe muito dinheiro que precisa ser lavado, mas tem muito dinheiro que é “investido nas lavanderias”.  O senhor Monteiro, a exemplo de seu ex-chefe, abre mão de seu sigilo bancário, mas isso pouco significa nesse mundo da contravenção.

O senhor Monteiro, segundo a notícia, não teme qualquer investigação e quer que a investigação aconteça. Ele acredita que a CPI é o momento para esclarecimentos e para resgatar a sua honra. Além disso, está propenso a prestar todos os esclarecimentos, desde que possa fazer tudo isso sem falar qualquer coisa.

E segue a brincadeira de investigação dos deputados e senadores...



Pois a sugestão de hoje é uma rabada preparada com agrião e polenta, que pode ser servida acompanhada por arroz branco ou por um pão francês. Garanto que é bem menos pesado do que, imagino, muitas consciências de pessoas em evidência na notícia de hoje.


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RABADA COM AGRIÃO E POLENTA

Ingredientes:

1 e ½ quilos de rabada, cortada pelas juntas


Suco de um limão


3 colheres (sopa) de azeite de oliva


1 xícara (chá) de vinho tinto seco


5 dentes de alho picados


5 tomates, sem pele e sem sementes, picados


100 gramas de bacon picado


2 cebolas grandes picadas


2 folhas de louro


½ xícara (chá) de salsinha picada


½ xícara (chá) de cebolinha em anéis finos


Sal e pimenta do reino a gosto


1 colher (chá) de açafrão


1 maço de agrião lavado e grosseiramente picado

1 litro de água

Polenta mole:

½ quilo de fubá

Sal e pimenta-do-reino a gosto

2 colheres de (sopa) de óleo

1 litro de água


Ingredientes para a polenta:

½ quilo de fubá

Sal e pimenta-do-reino a gosto

2 colheres de (sopa) de óleo

1 litro de água



Modo de preparar:

Lavar a rabada.


Colocar em uma panela, e cobrir com água.


Acrescentar o suco de limão e levar ao fogo.


Ferver, escorrer e reservar.


Em uma panela grande quente colocar o azeite.


Colocar o bacon e fritá-lo.


Acrescentar a cebola e, em seguida, o alho.


Deixar dourar e acrescentar o açafrão.


Dispor os tomates e misturar bem.


Adicionar a rabada, mexendo bem.


Cobrir com o vinho.


Temperar com sal e pimenta do reino.


Acrescentar o louro e cobrir com água.


Ir colocando água até a carne ficar cozida.


O caldo deverá estar bem denso e abundante.


Acerte o sal e a pimenta do reino, se necessário.


Adicionar a salsa e a cebolinha e misturar ligeiramente.


Acrescentar as folhas de agrião cru.



Modo de preparar a polenta:

Misture bem o fubá com a água e o óleo.


Acrescente o sal e a pimenta.


Leve então ao fogo alto por 15 minutos, mexendo sempre.


Servir a rabada com polenta (arroz branco é opcional).

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         A música deste Fogão de Lenha é "O Drama da Dieta", de Zé Mulato e Cassiano, com a dupla, da Zona da Mata Mineira e radicada aqui em Brasília-DF, Zé Mulato (José das Dores Fernandes) e Cassiano (João Monteiro da Costa Neto).

 


         Um grande abraço, bom apetite e até o próximo encontro,