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quinta-feira, 29 de março de 2012

GALERIA SERTANEJA – MEMÓRIA CADA VEZ MAIS CURTA


'Fui eu que o fiz', diz a minha memória.
'Não posso ter feito isso', - diz o meu orgulho e mantém-se inflexível.
Por fim - é a memória que cede.
(Friedrich Wilhelm Nietzsche)




Amigas e Amigos,

Em tempos de eleições é comum ouvir que o brasileiro tem memória curta. Normalmente, a afirmativa é associada a quantidade de candidatos (às vezes, eleitos) com passado ligado a corrupção. Por isso, é fácil imaginar que essa “memória” teria uma vida útil de pouco mais do que um ano, em boa parte das situações.  

         Parece, entretanto, que esse tempo está diminuindo – e de forma extremamente acelerada – migrando para algo em torno de pouco mais do que 20 dias. O fato que pode comprovar esse novo tempo para lembranças recentes está ligado a pendenga entre o governo brasileiro e a Fifa, por conta das declarações do secretário-geral da entidade (Jérôme Valcke), que sugeriu impulso enérgico com o pé na região glútea de “altas figuras” do governo e de seus comitês. 


 Fonte: http://www.matutando.com   
    
       O site “Portal da Copa” (http://copa2014.gov.br), no dia 3 de março, informava que o Ministro Aldo Rebelo teria rebatido a crítica do dia anterior feita por Valcke e vetado o secretário-geral da FIFA como interlocutor da Copa. O site disse que:
Em entrevista coletiva concedida na manhã deste sábado (03.03), em São Paulo, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, anunciou que o governo federal vai comunicar oficialmente à FIFA que a entidade terá de eleger um novo interlocutor para tratar da organização da Copa do Mundo com o Brasil. [...]Na opinião do ministro, o secretário-geral da entidade, ao tecer críticas à organização do Mundial no país, fez uso de expressões consideradas "inaceitáveis", "descuidadas" e que "não correspondem aos fatos". [...]"O governo não pode ter mais o secretário-geral como interlocutor. A interlocução não pode ser através de quem emite declarações descuidadas, intempestivas, declarações dessa natureza. Vou comunicar oficialmente ao presidente da FIFA, Joseph Blatter, essa decisão. Precisamos de um interlocutor que tenha condições de entender o nível das responsabilidades e entendimentos necessários para esse tipo de relação. O governo tem se esforçado e continuará apoiando do jeito que é possível a realização da Copa do Mundo. Mas, no plano de todo o governo, o secretário-geral não pode ser mais o nosso interlocutor", afirmou Rebelo.

         Já no dia 5 deste mês, o ministro do Esporte cumpria sua promessa e encaminhava para a Fifa uma carta vetando a presença de Valcke como negociador (foi noticiado que o endereço do encaminhamento estava errado e o comunicado teria parado na sede do Comitê Olímpico Internacional, em Lausanne, ao invés de ir para a Fifa, em Zurique). As duas cidades ficam na Suiça, mas uma entidade não tem nada a ver com a outra. Na carta assinada pelo ministro, constava que “o Governo Brasileiro não pode mais aceitar, nas suas tratativas com a Fifa, o Senhor Jérôme Valcke como interlocutor durante a preparação desse mundial”.

         No próprio dia 5, Valcke encaminha um pedido de desculpas pelas declarações, dizendo que teria sido mal traduzido, pois só queria falar que havia necessidade de acelerar o ritmo das obras e da aprovação dos compromissos. Em minha opinião, as traduções estão bem feitas e como o secretário-geral não retirou o que disse, acredito que os proprietários dos traseiros governamentais devem continuar preocupados.

         Decorridos menos de 30 dias desde a indignação do ministro e de diversos integrantes do governo, parece que tudo foi esquecido e o que se viu hoje foi que Valcke não foi – e nem será – afastado da interlocução como negociador com o governo brasileiro. No portal “Terra”, hoje tem matéria dizendo que:
Em Zurique, a Fifa deixou claro mais uma vez que não tem a menor intenção de procurar um novo interlocutor para lidar com o gabinete da presidente Dilma Rousseff. A mensagem foi entendida e repercutida pelos representantes do futebol brasileiro que estão na Suíça participando das reuniões na sede da entidade máxima do futebol. [...] Jérôme Valcke participou da reunião nesta quarta-feira na sede da Fifa para discutir o andamento das obras para o Mundial de 2014. No encontro, o Brasil voltou a ser criticado pelos atrasos constantes. A situação da Arena de Recife foi considerada a mais preocupante e a cidade corre o risco de ser descartada da Copa das Confederações em 2013.

         Pelo exposto acima, pode-se constatar que nossa brasileira memória está com prazo de validade inferior a um mês. Em meio a essa baixaria propiciada por frases ofensivas sem propósitos, bravatas desproporcionais e sem grandes convicções, desculpas esfarrapadas, documentos de "fachada" lembrei de uma música, de Castilhos e Moacir, cujo título é "Que homens são esses". Inicialmente, fica a letra publicada abaixo.

  
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QUE HOMENS SÃO ESSES
                                           Francisco Castilhos e Carlos Moacir

Que homens são esses
Que fogem a luta
Será que não sabem as glórias do pago
Que homens são esses que nada respondem,
Que calam verdades, que reprimem afagos
Que homens são esses que trazem nas mãos o freio,
O cabresto, a rédea e o buçal
Que homens são esses que tem o dever de fazer o bem,
Mas só fazem o mal

Eu quero ser gente igual aos avós
Eu quero ser gente igual aos meus pais
Eu quero ser homem sem mágoas no peito
Eu quero respeito e direitos iguais
Eu quero este pampa semeando bondade
Eu quero sonhar com homens irmãos
Eu quero meu filho sem ódio, nem guerra
Eu quero esta terra ao alcance das mãos

Que sejam mais justos os homens de agora
Que cantem cantigas, antigas e puras
Relembrem figuras sem nada temer

Procurem um mundo de paz na planura
E encontrem na luta, na força e na raça
Um novo caminho no alvorecer

Desperta meu povo do ventre de outrora
Onde marcas presentes não são cicatrizes
Desperta meu povo, liberta teu grito
Num brado mais forte que as próprias raizes

Eu quero ser gente igual aos avós
Eu quero ser gente igual aos meus pais
Eu quero ser homem sem mágoas no peito
Eu quero respeito e direitos iguais
Eu quero este pampa semeando bondade
Eu quero sonhar com homens irmãos
Eu quero meu filho sem ódio nem guerra
Eu quero esta terra ao alcance das mãos.



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         Nessa Galeria, a interpretação do saudoso César Passarinho para "Que homens são esses".

 


         Um grande abraço e até a próxima!



quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

TERTÚLIA NATIVA – CACHORRADA INSTITUCIONALIZADA



A vaidade propõe, e decide logo, de sorte que quando as coisas chegam ao entendimento já este está vencido;
o que faz é aprovar o preconceito anterior, que a vaidade lhe introduz,
e assim quando a vaidade busca o entendimento é só por formalidade,
e só para a defender, e autorizar, e não para aconselhar.
(Matias Aires)


Amigas e Amigos,

         Mais uma Tertúlia, este espaço para a cultura e a música de nosso País. Antes, porém, destaco uma aparente agressão a nossa Pátria, a partir de notícias sobre salários altíssimos de alguns – nem por isso, poucos – magistrados.

          E já não são poucos os que ocupam o noticiário por conta de salários exorbitantes, conforme material do jornal O Estado de São Paulo (http://www.estadao.com.br), do ultimo dia 23, falando das “vantagens” eventuais (talvez nem tão eventuais) dos magistrados do Rio de Janeiro e de São Paulo, informando que:
Os pagamentos milionários a magistrados estaduais de São Paulo se reproduzem no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. A folha de subsídios do TJ-RJ mostra que desembargadores e juízes, mesmo aqueles que acabaram de ingressar na carreira, chegam a ganhar mensalmente de R$ 40 mil a R$ 150 mil. A remuneração de R$ 24.117,62 é hipertrofiada por “vantagens eventuais”. Alguns desembargadores receberam, ao longo de apenas um ano, R$ 400 mil, cada, somente em penduricalhos. A folha de pagamentos, que o próprio TJ divulgou em obediência à Resolução 102 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) – norma que impõe transparência aos tribunais –, revela que em dezembro de 2010 o mais abastado dos desembargadores recebeu R$ 511.739,23. Outro magistrado recebeu naquele mês depósitos em sua conta que somaram R$ 462 mil, além do salário. Um terceiro desembargador recebeu R$ 349 mil. No total, 72 desembargadores receberam mais de R$ 100 mil, sendo que 6 tiveram rendimentos superiores a R$ 200 mil. Os supercontracheques da toga fluminense, ao contrário do que ocorre no Tribunal de Justiça de São Paulo, não são incomuns. Os dados mais recentes publicados pela corte do Rio, referentes a novembro de 2011, mostram que 107 dos 178 desembargadores receberam valores que superam com folga a casa dos R$ 50 mil.

          Pois com esses aparentes absurdos, que afrontam a maioria dos trabalhadores brasileiros com salários que refletem o que efetivamente receberão a cada mês, sem nenhum “recursinho” extra, a idéia que fica é ser incompatível a aproximação de vergonha e justiça.

          Essa idéia da falta de vergonha vem com outra matéria do mesmo jornal sobre atitudes dos desembargadores, que já são alvos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), para que sejam revistas leis que não lhes são “favoráveis”. Diz a notícia que:
Leis que disciplinam a ação e estabelecem o raio de alcance do poderoso Conselho de Controle de Atividades Financeira (Coaf) - unidade de inteligência financeira do Ministério da Fazenda que persegue fortunas ilícitas -, são o novo alvo da toga amotinada. Irritados com a abertura das contas e movimentações bancárias de todo o universo forense - 206 mil magistrados, servidores e familiares -, desembargadores da Justiça preparam o contragolpe. Eles miram precisamente a Lei 9.613/98 e a Lei Complementar 105/01 - a primeira impõe sanções à lavagem de dinheiro e criou o Coaf; a outra firma que o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários, nas áreas de suas atribuições, fornecerão ao conselho "informações cadastrais e de movimento de valores". A estratégia que pode enfraquecer o Coaf foi desencadeada pela Associação Nacional de Desembargadores (Andes). A entidade aponta inconstitucionalidade de alguns artigos do conjunto de normas que definem os limites do órgão rastreador de malfeitos pela malha bancária. [...] Razão da briga. No embate histórico que protagoniza para identificar fluxo financeiro incompatível ao contracheque de magistrados, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) teria obtido os dados pela via direta - ofício da corregedoria do CNJ foi acatado pelo Coaf, que fez a pesquisa pelos CPFs de cada personagem.

          Pode-se observar que não há qualquer preocupação com a exorbitância recebida, o que os magistrados passam a impressão de não querer é que sejam divulgados os vergonhosos números que poderiam não ter explicações razoáveis, o que poderia nos lembrar das afirmações de Daniel Dantas antes de ser liberado da prisão, para culminar nos últimos tempos com a retomada de seus bens por decisão judicial.

          Lembro aqui de uma análise dos passivos milionários do Judiciário, que revelariam falhas nas normas, feita pelo Professor Carlos Ari Sundfeld, da Escola de Direito de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas e Presidente da Sociedade Brasileira do Direito Público, onde ele constata que       
Autoridades resistem em divulgar informações detalhadas, precisas e claras não só sobre o que se paga ao pessoal, mas também sobre o modo como são tomadas as decisões de pagamento. É uma atitude que precisa mudar radicalmente, pois a publicidade administrativa é princípio constitucional. Há também outra razão: só a transparência permite descobrir e corrigir as falhas do sistema.      



          Essa cachorrada institucional fez-me lembrar um causo gauchesco “Uma vez, um cachorro!”, do Aparício Silva Rillo (1931-1995), um poeta, compositor, folclorista e escritor brasileiro, nascido em Porto Alegre-RS, mas com residência fixa em São Borja-RS, que publico abaixo.


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UMA VEZ, UM CACHORRO!

O cachorro, segundo um adágio que os gregos já conheciam, é o melhor amigo do homem.

Os gaúchos das Missões e Fronteira concordam. Mas explicam o porquê: é que cachorro não rouba china de rancho, se alimenta de restos e se contenta com um simples osso de fervido. Além do que, cuida da casa sem cobrar salário.

Pois há um cachorro nesse causo. Grande, pêlo negro-manchado, os dengues do seu dono – um fazendeiro de meias posses com estância nos campos de areia de São Chico de Assis.

O cachorro esse não era de caçar preás, como os guaipecas de sua raça; não pegava ratos (coisa para gatos...); comia ao pé do dono e tinha lá seu pedigree. Não se misturava com os demais da estância, só ia ao campo quando o dono o convidava com um jeito de assobiar que só ele conhecia.

Mas bueno. Sucede que na estância essa chega uma tarde um moço bem apessoado, vestindo pilchas de bom pano. Montava um rosilho cabos negros e trazia um cavalo de escoteiro. Notava-se, logo, ser gente de viajar bastante.

O dono da estância já o esperava. Chegara-lhe um recado, um dia antes. O tal moço, das bandas de Cruz Alta, estava a comprar bois gordos nas Missões.

– Buenas, senhores! – saudou de cima do rosilho.

– Boleie a perna e se chegue, amigo! O mate recém foi cevado.

 Apeou-se o forasteiro. Atou a montada pelo cabresto e dirigiu-se ao galpão de fogo.

O estancieiro de São Chico adiantou-se. A seu lado, rente às bombachas, o cachorro. O moço entreparou. Deu um vistaço geral no ambiente, seus olhos de gavião mouro deram com o cachorro, que nesta altura já rosnava, mostrando o branco dos dentes.

– Seu cachorro não tem cara de bons amigos, cidadão. Quem sabe o senhor o ata na corrente ou pede a um peão para prendê-lo?

– Nem se preocupe, amigo. Vá chegando no mais que eu garanto que o Negro não lhe salta. É que ele é um pouco nervoso.

O moço deu mais dois passos, o rebenque pendurado no pulso pelo tento do fiel. Aí o cachorro rosnou mais forte e arrepiou o pêlo do lombo.

– Segure seu cachorro, meu amigo. Com bicho desse porte não se brinca.

– Passe, passe no mais. O cachorro é ensinado. A um grito meu ele se entoca no galpão. Não tenha medo.

– Prevenção não é medo, meu amigo. No dia que eu fugir de um cachorro mando cortar os meus bagos pra lingüiça.

– O Negro...

Não acabou o dono de terminar o que iria dizer e o cachorro saltou sobre o moço. Este, já prevenido, quebrou o corpo e, rápido como um bote de cruzeira, apanhou o cachorro por uma das pernas. Foi pegá-lo e baixar-lhe o rebenque, com tanta raiva e força que o Negro – o mimoso do patrão – mijava em arco e ganiçava como um desesperado.

Um último rebencaço apanhou-o por entre as orelhas e, se é que cachorro desmaia, o Negro desmaiou. Caiu como um trapo junto às botas do serrano.

O dono do cachorro abespinhou-se.

– Mas que barbaridade, seu! Surrar um cachorro deste jeito. Pode até ter matado o animalzinho!

– Animalzinho, é? Com um metro de altura? Com essa boca de engolir mogango?

– Bueno, eu mando passar salmoura no cachorro. Mas agora passe. Vamos tratar do negócio dos bois. Qual seu nome, mesmo?

– Não interessa mais, cidadão. Nem quero saber o seu.

Já montado, casaco aberto para mostrar os "ferros", arrematou:

– Homem que não manda num cachorro não merece confiança de ninguém. Faça bom proveito dos seus bois.

Deu rédeas ao rosilho e saiu assobiando, como cruzeira na cria!

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Para fechar esta Tertúlia Nativa, a música “Faz de conta”, de Colmar Duarte, Armando Vasquez, Valdir Santana e João Chagas Leite, com o saudoso César Passarinho, o “Cantor Símbolo das Califórnias”..

   

Um grande abraço e até nossa próxima Tertúlia!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

GALERIA SERTANEJA - NA PAZ DO GALPÃO



Nenhum animal entende tão pouco a natureza humana como o cão.
(Emanuel Wertheimer)



Amigas e Amigos,

          Hoje, lendo o portal G1 (http://g1.globo.com) pensei no quanto “perde” nosso meio jornalístico com o recesso dos três poderes (isso sem pensar na falta de assunto para os responsáveis pelo humor nosso de cada dia, tão beneficiados por “piadas prontas” dessas comunidades).

          Mereceu destaque no referido portal que uma cachorrinha, Maila, da raça pinscher em Piraquara, região metropolitana de Curitiba (PR), foi sorteado com um “kit churrasco”, mas a dona do animal não conseguiu receber o prêmio porque o gerente achou que não seria bem visto pelos demais clientes. Disse o portal que:
A dona de casa Maria Joana Lamberti disse ao G1 que participa com frequência da promoção de um kit churrasco e sempre coloca o nome de familiares. Como nunca ninguém havia sido sorteado, decidiu colocar o cupom no nome da cachorrinha, que vai fazer um ano em janeiro. [...] A dona de casa disse que foi comprar pão e decidiu conferir o resultado do sorteio. Na hora ela ligou para o marido para contar a novidade. Assim que tentou receber o prêmio, surgiram os empecilhos. A gerência do supermercado informou que ela não poderia retirar o kit, porque conforme o regulamento da promoção, o prêmio é direcionado para cliente. “É norma do mercado, fazer o quê?”, lamentou. De acordo com o gerente da unidade do supermercado, José Joel de Lima, a dona de casa desprezou o concurso e não preencheu corretamente o cupom. “O que você sentiria se um cachorro fosse sorteado? Perante os outros clientes, não ficaria legal”, disse. Além disso, acrescentou José de Lima, ela colocou no cupom apenas o nome da cadela e o telefone. Não havia o número de RG, que é necessário para a entrega do prêmio. [...] Maila deixou de ganhar três quilos de filé mignon, um quilo de linguiça, um pacote de carvão, uma caixa de cerveja em lata, dois refrigerantes dois litros, um quilo de batata, um quilo de cebola, um quilo de tomate, um pacote de sal grosso, um tempero completo 300 gramas, um pacote de farofa pronta e um pote de sorvete de um quilo.
          Não consigo pensar em qualquer tipo de revolta contra a não entrega do prêmio porque, aparentemente, a vencedora pouco usufruiria do mesmo. Mas a senhora Maria Joana deve estar pensando que essa brincadeira teve um final pouco feliz. Como canta Zeca Pagodinho, “brincadeira tem hora”, Dª Maria!





          Para esta Galeria, a música escolhida foi “Na Paz do Galpão”, de Gujo Teixeira (Paulo Henrique Teixeira de Sousa, de Porto Alegre-RS) e Marcello Caminha (Marcello de Macedo Caminha, de Bagé-RS). Abaixo, está publicada a letra e, em seguida, a interpretação da música.

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NA PAZ DO GALPÃO
                                Gujo Teixeira e Marcello Caminha

A tarde cai, eu camboneio um mate
Junto ao braseiro do fogo de chão
O pai-de-fogo, puro cerne de branquilho
Queimando aos poucos na paz de um galpão

O mesmo inverno coloreando o poente
Final de lida, refazendo o dia
Lá no potreiro meu baio pastando
No cinamomo um barreiro em cantoria

Por certo a tarde em outros ranchos da campanha
Por serem humildes tenham a paz que tenho aqui
Pois só quem traz sua querência dentro d'alma
Sabe guardar toda esta paz dentro de si

Encosto a cuia junto ao pé do pai-de-fogo
Chia a cambona repontando o coração
Nas horas mansas que a guitarra faz ponteio
Numa milonga pra espantar a solidão

É lento o tempo na paz de um galpão
Ainda mais quando a saudade bate
A soledade vou matando aos poucos
Na parceria da guitarra e do mate

Então a noite se acomoda nos pelegos
Povoando os sonhos de ilusão e calma
Toda essa paz é um bichará pro inverno
Faz bem pro corpo e acalenta a alma

Por certo a tarde em outros ranchos da campanha
Por serem humildes tenham a paz que tenho aqui
Pois só quem traz sua querência dentro d'alma
Sabe guardar toda esta paz dentro de si

Encosto a cuia junto ao pé do pai-de-fogo
Chia a cambona repontando o coração
Nas horas mansas que a guitarra faz ponteio
Numa milonga pra espantar a solidão.

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          A interpretação de hoje é do saudoso “cantor símbolo da Califórnia”, César (Osmar Rodrigues Escoto) Passarinho, de Uruguaina (RS).



          Um grande abraço e até a próxima!