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quinta-feira, 17 de maio de 2012

TERTÚLIA NATIVA – MARCHA DOS PREFEITOS “ESPERTOS”



Os homens, tão enfadonhos quando se trata das manobras da ambição,
são atraentes ao agirem por uma grande causa.
(Charles André Joseph Marie de Gaulle)






Amigas e Amigos,

Ontem, o clima – mesmo com temperaturas mais baixas – esteve quente na Capital Federal, onde prefeitos de diversos municípios brasileiros encontraram a presidente da República. Como por ironia, o “incêndio” começou com petróleo.

Matéria do portal Folha.com informou que:
A presidente Dilma Rousseff foi vaiada nesta terça-feira (15) pelos prefeitos que participavam da 15ª edição da Marcha dos Prefeitos, em Brasília. A vaia ocorreu no momento em que a presidente decidiu falar sobre a redistribuição dos royalties do petróleo. Ao final do discurso de Dilma na abertura do evento, os prefeitos pediram que a presidente se manifestasse sobre o assunto e Dilma respondeu: "Vocês não vão gostar do que eu vou dizer". Em seguida, a presidente declarou: "Não acreditem que vocês conseguirão resolver a distribuição de hoje pra trás. Lutem para resolver a distribuição daqui pra frente". Os prefeitos não gostaram da fala de Dilma e vaiaram a presidente.

A posição da presidente foi firme e transparente – duas qualidades que, aparentemente, incomodam boa parte de nossos políticos – e ela não fugiu do que poderia parecer – ou foi – uma provocação.

Na continuidade dos fatos, a presidente demonstrou despreparo para discutir ideias que divirjam das suas. Conforme notícias de hoje, além de demonstrar irritação com o que considerou uma “cobrança pública” do presidente da Confederação Nacional dos Municípios, chegou a ser vista de dedo em riste no decorrer de uma conversa nada amistosa com o mencionado presidente.

Penso que falte discernimento para a presidente entender que ideias diferentes podem contribuir para discussões que enriquecerão qualquer assunto. Por outro lado, entendo que o presidente da CNM não demonstrava qualquer outro tipo de preocupação que não fosse desestabilizar sua interlocutora (o que, pela reação foi muito fácil), pois ao defender a redistribuição dos royalties do petróleo (conforme a continuidade da matéria da Folha):
O presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, fez um discurso com uma série de reivindicações dos prefeitos ao governo federal e ao Congresso. Uma das reclamações tratava sobre a falta de recursos das prefeituras para pagar o piso nacional de determinadas profissões. Ziulkoski citou como exemplos o piso dos professores e dos agentes comunitários: "Ninguém é contra o piso. Só que tem que ter um piso que dê para cumprir", disse o presidente. Paulo Ziulkoski disse ainda que o prefeito que não pagar o piso será punido pela Lei de Responsabilidade Fiscal e, por isso, poderá ser considerado ficha-suja. "O promotor lá na base ele pega o prefeito. O andar térreo é fácil. Do governador pra cima, o tratamento já é diferente", disse. Dilma disse que ficou "muito preocupada" com o relato sobre o cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal e prometeu que a União irá auxiliar nessa discussão. "Seria fundamental discutir o que é de fato que produz um desrespeito à Lei de Responsabilidade Fiscal, que não é fruto da capacidade do prefeito. [... ] Nós queremos auxiliar em tudo para que não fiquem vulneráveis do ponto de vista jurídico à Lei de Responsabilidade Fiscal", afirmou Dilma. E completou: "o governo vai ser parceiro nisso. O governo vai separar o joio do trigo".

Parece que o Sr. Ziulkoski apresenta diferentes justiças, uma que pune quem deve ser punido – como a que ele chama “lá na base” e que pune prefeitos que não cumprem leis – e outra que trata “do governador para cima” com uma cegueira diferenciada – provavelmente sem condenações por irresponsabilidades. Ele pede que essa “justiça parceira”, mais confortável, seja estendida para os prefeitos. O mais surpreendente é a presidente Dilma afirmar que “o governo vai ser parceiro nisso”.
 
 Fonte: Portal Folha de Dona Inês

 Outra matéria da Folha, ainda abordando o encontro dos prefeitos com a presidente da República, pode dar uma ideia melhor de quem seja o presidente da Confederação Nacional dos Municípios. Diz a matéria que:
Paulo Ziulkoski, pediu nesta terça-feira (15) à presidente Dilma Rousseff que sancione o novo Código Florestal, aprovado pelo Congresso. [...] "Nós temos 4.400 municipios agropecuarios no país, estamos pedindo pra senhora que sancione o novo Código Florestal aprovado na Câmara. Esses municípios não podem terminar", afirmou Paulo Ziulkoski durante a abertura da 15ª edição da Marcha dos Prefeitos, em Brasília.

O veto do Código Florestal, ou mesmo a criação de um Código Florestal preocupado com questões ecológicas fundamentais, pode acabar com 4.400 municípios agropecuários, segundo o Sr. Ziulkoski. Constatável na afirmação desse senhor, provavelmente, será somente a quantidade de municípios agropecuários, pois o apoteótico final aludido não deve estar embasado em qualquer estudo. Acredito que esse patético apelo não terá qualquer efeito na decisão da presidente Dilma que vem demonstrando seu desconforto com o formato tomado pelo Código Florestal a partir de interesses pessoais de deputados.

A fala fácil do Senhor Ziulkoski, associada a um aparente descompromisso com fatos, me lembrou dum caso de Rolando Boldrin, que transcrevo abaixo.


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NOS TEMPOS DA REVOLUÇÃO
                                           Rolando Boldrin

Vejam só: até dos tempos da marfadada revolução tem causos pra gente contar. Esse que conto agora é dum camarada muito boateiro que tinha num bairro de São Paulo. O homem fazia boato de tudo. E isso era sempre num botequinho que ele freqüentava. Inventava coisas do governo militar, coisas de autoridades, zombava disso e daquilo outro.

Acontece que, desse barzinho gostoso de se trocar umas conversas de fim de tarde, um coronel que estava sempre à paisana era também um grande freguês. E, portanto, sabedor e até ouvinte assíduo do boateiro. Ninguém naquele boteco sabia que o coronel era coronel do nosso glorioso Exército... isso porque o dito cujo não fazia propaganda da farda. Era um cabra até que bem humilde e bom de papo.

Mas os boatos do tal amigo foram de certa forma chegando ao exagero e, com isso, no bom palavreado, foi enchendo o saco do bom militar. Daí o tal coronel resolve fazer uma brincadeira corretiva com o boateiro. E, pra isso, simula uma operação militar com jipes, metralhadoras e pessoal fardado, tudo combinado para simplesmente pregar uma boa peça no moço dos boatos, pois os vários boatos já estavam deixando a situação dos militares um pouco chata.

Pois bem. Era de tardezinha, nosso amigo dos boatos falava mal dos fardados e eis que, de repente surge aquela operação militar de araque.

CORONEL (fardado e bravo) – O senhor está preso. Coloquem este indivíduo no camburão. O senhor vai ser julgado por júri militar e condenado, por causa dos boatos referentes ao Exército.

Levam o dito cujo, simulam um júri e a condenação: morte por fuzilamento.

Pois bem. Isso posto, lá está o nosso amigo num paredão e na sua frente 5 fuzileiros apontando armas (com festim, é claro).

CORONEL – Apontarrr.... fogo!

Disparam as armas e o susto foi o pretendido pelo coronel, que se aproxima do boateiro, ainda bravo:

CORONEL – Isso é só pro senhor aprender a não falar mal das Forças Armadas. Entendeu? Fora daqui, sêo desocupado (e dá-lhe um último empurrão).

No outro dia, lá está o nosso querido boateiro, chegando à porta do mesmo botequim, para as conversas de sempre, regadas duma boa cachacinha.

Alguns clientes e amigos que tinham presenciado a prisão do nosso amigo no dia anterior se aproximam para saber das novidades, sobre o efeito da bronca do nosso militar.

FREGUÊS – Então, Justino! Como foi lá no quartel? Conta aí pra gente as novidades...

O nosso amigo boateiro chama todos para perto de si para cochichar um último e criativo boato:

BOATEIRO (falando baixinho) – Olha, pessoal. Não contem pra ninguém. Mas o nosso Exército está totalmente sem munição...


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         Fechando a Tertúlia de hoje (lembrando que os "interesses" dos senhores perfeitos serão um dia avaliados), fica a música “O Último Julgamento”, de Léo Canhoto, com Milionário e José Rico.

 

         Um grande abraço e até a próxima!

segunda-feira, 7 de maio de 2012

ABRINDO A PORTEIRA – TRÂNSITO PARA INGLÊS VER


Todas as culturas se fundam mais sobre preconceitos do que sobre verdades.
(Friedrich Durrenmatt)





Amigas e Amigos,


         Comecei o dia, hoje, escutando rádio – é um jeito de começar uma nova jornada que muito me atrai pela afinidade que tenho com esse meio de comunicação – e, entre os primeiros registros locais (em Brasília), foram noticiados diversos pontos de congestionamento com atraso em deslocamentos para trabalho e escolas, principalmente.

         Ainda no decorrer da manhã, ao ler algumas notícias no portal “Folha.com”, chamou minha atenção o tamanho das filas de carros e a lentidão do trânsito no início deste dia, em São Paulo. Dizia o referido portal que:
O trânsito piorou na cidade de São Paulo e já chegava aos 143 km de filas às 9h desta segunda-feira. O índice era o segundo maior registrado no período da manhã neste ano, ficando atrás apenas dos 168 km registrado às 9h30 do dia 27. A lentidão das 9h de hoje corresponde a 16,2% dos 868 km de vias monitoradas. A média para o horário é de 13,1%. A pior região era a zona sul, com 55 km de filas, segundo dados da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego). A causa do elevado índice ainda não foi divulgado pela companhia. A via mais congestionada era a marginal Pinheiros, com 9,3 km de retenção na pista expressa, no sentido Interlagos. O problema ia da Castello Branco até a ponte Cidade Jardim. Houve um bloqueio parcial na via mais cedo, na altura da avenida do Morumbi, devido a acidente, mas já estava liberado no horário. A Radial Leste também registrava lentidão, com 4,7 km de filas no sentido centro, desde o viaduto Pires do Rio até a rua Wadenkolk. O problema era resultado da grande quantidade de veículos. Segundo o serviço da empresa MapLink, usado pela Folha, a cidade tinha 385 km de filas no horário.

         Pensei, por um momento, nas pessoas que passavam pelo drama de serem vítimas do sistema de circulação de veículos em São Paulo. Fiquei imaginando o que poderia ser feito havendo necessidade de algum deslocamento mais urgente por qualquer motivo – mais preocupante ainda seria se o motivo fosse a vida de alguém. Guardadas as proporções, as vítimas de Brasília também passavam por grande desconforto de não conseguir chegar até seus compromissos no horário planejado, provavelmente já imaginando alguma desculpa pelo atraso, que se torna cada vez mais freqüente na capital brasileira.

         Acredito que a situação nas metrópoles brasileiras não seja muito diferente das acima descritas, com diferenças apenas na intensidade de cada evento. Parece que com o passar do tempo, o exotismo da situação vai desaparecendo, tornando o congestionamento algo que deve fazer parte da experiência diária de cada um.



         Mas volto novamente às pessoas que, absolutamente impotentes, são vítimas dos congestionamentos – diários ou freqüentes – para pensar um pouco mais sobre quem são essas cidadãs e esses cidadãos. Acredito que, se não todos, a grande maioria deles está com o Imposto de Renda pago – talvez até com dinheiro recolhido a mais pelo governo que ainda demorará para devolvê-lo. Acredito, ainda, que a imensa maioria – ou todos, novamente – esteja com o IPVA também pago.

         Pois com todo esse dinheiro que, sem escolha, entregam para o governo, as mencionadas vítimas recebem em troca esse desserviço por parte dos que deveriam estar proporcionando boas condições de vida para todos. Junte-se ao dispêndio de verba de cada contribuinte o acréscimo proporcionado para alguns por eventuais pedágios – que ainda podem consumir tempo.

         A expectativa de que as obras prometidas para a Copa do Mundo no Brasil solucionem boa parte dos problemas de tráfego parecem cada vez mais distante do cumprimento dessas “promessas” – ainda que as verbas destinadas a este fim sejam, com estão sendo, totalmente consumidas (inclusive as já majoradas e as que ainda sofrerão acréscimos). Para solução dos problemas de circulação no período da Copa, o governo já acenou com a criativa solução de decretar feriados nos dias de jogos, pois em caso contrário restará a expectativa de que os ingleses venham em bom número para o evento, dada a constatação possível de que estão sendo feitas obras “para inglês ver”. 

         A música escolhida para abrir a porteira da semana é "Meu Carro Velho", de José Rico, com Milionário & José Rico. Essa música é para lembrar que novas tecnologias acabaram "aposentando" muito carro de boi, que andavam bem mais rápido do que os modernos carros de hoje que praticamente estacionam em longos "engarrafamentos".


Um grande abraço e até a próxima!