sábado, 21 de maio de 2011

FOGÃO DE LENHA - ANJO BOM DA BAHIA, BEM-AVENTURADA

Sempre que puder, fale de amor e com amor para alguém.
Faz bem aos ouvidos de quem ouve e à alma de quem fala.
(Irmã Dulce)


Amigas e Amigos,

                O Fogão de Lenha abre espaço, antes da receita de hoje, para um destaque muito especial para os brasileiros: a beatificação no próximo domingo de Irmã Dulce, o Anjo Bom da Bahia – e, também, do Brasil e do Mundo. Segundo a agência Zenit (www.zenit.org), que apresenta “o mundo visto de Roma”, Irmã Dulce:
foi postulada ao prêmio Nobel da Paz em 1988 pelo governo brasileiro. Recebeu visitas de João Paulo II em 1980 e 1991, um ano antes da sua morte. A Irmã Dulce Lopes Pontes será beatificada neste domingo, em Salvador da Bahia, em uma cerimônia celebrada pelo seu arcebispo emérito, cardeal Geraldo Majella Agnelo, em representação do Papa Bento XVI. [...] Pelo seu trabalho incansável com os pobres, mendigos e desamparados, o jornal O Estado de São Paulo a nomeou a mulher mais admirada da história do Brasil. Seu nome era Maria Rita e ela nasceu em 1914. Tinha 6 anos quando sua mãe morreu, e suas tias se encarregaram da sua criação. Aos 13 anos, uma delas a levou para conhecer as regiões mais pobres da sua cidade, fato de despertou nela uma grande sensibilidade. Assim, aos 18 anos, começou a fazer parte da Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, onde começou a chamar-se Irmã Dulce. Uma das inspirações para o discernimento da sua vocação foi a vida de Santa Teresa do Menino Jesus: “Acho que sou como o pequeno amor do meu pequeno coração, que, por mais que tenha, é pouco para um Deus tão grande”, escrevia a Irmã Dulce quando entrou no convento. [...] morreu em 13 de março de 1992. Milhares de homens e mulheres em condições de extrema pobreza se reuniram para dar-lhe o último adeus, diante dos seus restos mortais. [... ] O milagre para a sua beatificação ocorreu em 2001, quando Cláudia Cristiane Santos, hoje com 42 anos, sobreviveu a uma hemorragia incontrolável logo após dar à luz. O sangramento não cessava, apesar das três cirurgias que lhe foram feitas. Os médicos haviam perdido toda esperança de que sobrevivesse e, quando seus pais pediram a intercessão da Irmã Dulce, em uma corrente de oração liderada pelo Pe. José Almí de Menezes, a hemorragia parou imediatamente.
                Conforme a página da Bahia, no portal G1 (http://g1.globo.com/bahia), a celebração de beatificação iniciará com uma missa, às 17h, neste domingo, que precederá o:
roteiro litúrgico do Rito de Beatificação do Vaticano. A cerimônia, que contará com a participação de mais de 500 religiosos – entre padres, arcebispos, bispos, diáconos e seminaristas de todo o Brasil. [...] O rito que consagrará Irmã Dulce como Bem-aventurada começará com um pedido do arcebispo de Salvador, Dom Murilo Krieger, solicitando ao Santo Padre que inscreva, na lista dos santos e beatos da Igreja, o nome da religiosa baiana. Em seguida, o cardeal Dom Geraldo pedirá, em nome do Papa, que seja lida a biografia de Irmã Dulce. Terminado o relato de sua trajetória, será lido o decreto apostólico do Papa Bento XVI inscrevendo Irmã Dulce na lista dos santos e beatos da Igreja Católica, propondo-a como exemplo cristão para todos os fiéis. Neste momento, será anunciada também a data de celebração da sua festa litúrgica: 13de agosto.

                A produtora Iafa Britz (Nosso Lar) se prepara para filmar, em 2012, em Salvador, a história da vida de Irmã Dulce. Segundo a produtora, esse projeto já está em “fase embrionária”, mas já estão sendo buscados nomes para direção, roteiro e composição do elenco. Iafa e o distribuidor Bruno Wainer acertaram os direitos de produção com Maria Rita, sobrinha e sucessora de Irmã Dulce na condução das obras sociais criadas pelo Anjo Bom.


                O filme sobre a futura Bem-aventurada é para o próximo ano. Para o próximo fim de semana, fica a sugestão de prato para o jantar de sábado ou de domingo: um risoto com jeito de comida campeira.

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RISOTO SERTANEJO

Ingredientes:

½ xíc. (chá) de cebolas em rodelas finas

3 xíc. (chá) de arroz para risoto

¼ xíc. (chá) de azeite

½ xíc. (chá) de pinga

300 (aproximadamente) gramas de abóbora (cortada em cubos)

500 gramas de carne seca (dessalgada,, cozida e desfiada)

2 tabletes de caldo de carne

150 gramas de couve (cortada bem fininha)

2 colheres (sopa) de manteiga.

Pimenta-do-reino a gosto

1 litro de água fervente.

Queijo parmesão ralado.



Modo de preparar:

Dissolver os tabletes de caldo de carne na água fervente.

Em outra panela, aquecer o azeite e dourar a cebola.

Juntar o arroz, misturando com a cebola, e refogar rapidamente.

Acrescentar a pinga.

Colocar a abóbora e um pouco do caldo de carne.

Misturar bem.

Sempre que começar a secar, adicionar mais caldo mexer bem.

Quando o arroz estiver "al dente", juntar a carne desfiada e a couve.

Temperar com pimenta.

Acrescentar a manteiga.

Misturar bem e polvilhar o queijo ralado.
Servir em seguida.

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                A música para hoje é "Isso aqui tá bom demias", de Dominguinhos e Nando Cordel, na interpretação de Dominguinhos que, além de acompanhar bem o prato sugerido aqui, ainda traduz o sentimento da comunidade de Salvador com a solenidade de beatificação prevista para domingo.



 
                Um grande abraço para vocês, amigas e amigos leitores deste Blog!

Wilmar Machado

sexta-feira, 20 de maio de 2011

GALERIA SERTANEJA - MINISTRO NO ROTEIRO DE NOVELA

As Vezes construímos sonhos em cima de grandes pessoas...
O tempo passa... e descobrimos que grandes mesmo eram os sonhos
e as pessoas pequenas demais para torná-los reais!
(Bob Marley)


Amigas e Amigos,

                 No último domingo (15/05), a Folha de São Paulo (http://www.folha.uol.com.br) apresentou uma matéria em que mostrava a “multiplicação” dos bens do atual ministro Palocci. De 2006 a 2010 – período em que foi deputado pelo PT –, segundo a reportagem, o valor dos bens do ministro se multiplicaram por 20, o que lhe permitiu comprar um apartamento (mais de 500 metros quadrados, nos Jardins!) por R$ 6,6 milhões e um escritório por R$ 882 mil, entre os anos de 2009 e 2010, quitados pela empresa de consultoria Projeto, mantida pelo próprio Palocci.

                 Hoje, na Folha, Clóvis Rossi, escreveu que:
Quando Lula montava seu ministério, no finzinho de 2002, Ricardo Kotscho, assessor de imprensa e, mais que isso, amigo íntimo, cobrou: "Você tem que nomear o Palocci". Lula quis saber a razão, e Kotscho explicou direitinho: "Porque ele é muito divertido". Premonitório meu amigo Kotscho: Palocci se divertiu à beça, como ele próprio confessa agora candidamente (ou cinicamente, a seu gosto, leitor). Usou seus anos de ministério para construir os alicerces de um apartamento de R$ 6,6 milhões, comprado praticamente à vista.

                 Supondo que tenha sido, de fato, a motivação acima responsável pela indicação de um ministro, pode-se tentar, mas dificilmente entender, as “motivações” (ou falta delas) consideradas no preenchimento dos demais escalões. Talvez insatisfeito com a “diversão” citada pelo Rossi, no parágrafo anterior, o ministro resolveu se divertir com seus “amigos” e apresentou uma “pérola” para a imprensa em forma de comunicado para congressistas, conforme Gabriela Guerreiro e Larissa Guimarães escreveram, na Folha, ontem (18/05):
Em mensagem enviada ontem a deputados e senadores, a Casa Civil justificou o aumento do patrimônio do ministro Antonio Palocci lembrando ex-ministros da Fazenda e ex-presidentes do Banco Central que se tornaram "banqueiros" e "consultores de prestígio" depois de passar pelo governo. O texto diz que a passagem por esses cargos proporciona "uma experiência única que dá enorme valor a esses profissionais no mercado", na tentativa de mostrar que o caso de Palocci não é incomum. Em seguida, lista ex-presidentes do BC e do BNDES como Pérsio Arida e André Lara Resende e ex-ministros da Fazenda como Pedro Malan e Mailson da Nóbrega, ressaltando que eles "se tornaram em poucos anos" bem-sucedidos no setor privado. Resende, Arida e Malan foram do governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002); Mailson foi ministro de José Sarney (1985-1990). A nota afirma que nada impedia Palocci de manter a consultoria Projeto durante seu mandato de deputado e lembra que pelo menos 273 deputados e senadores hoje são sócios de empresas.

                 Depois da “mordida” aplicada pelo ministro Palocci em integrantes de governos anteriores, Clóvis Rossi, na continuação do trecho apresentado acima, publicou na Folha:
Ingênuo e purista que sou, não gosto de que se coloque etiqueta de preço em seres humanos, ainda mais em servidores públicos. Mas não sou tão ingênuo a ponto de ignorar que Palocci disse a verdade, parte da verdade ao menos. A parte que ocultou é a seguinte: a passagem por esses postos -ou outros- dá a quem a fez conhecimento das entranhas e engrenagens do poder, o que facilita abordagens do setor privado que quer ou precisa fazer negócios com o Estado, em qualquer de suas esferas. Em linguagem clara, o mecanismo chama-se tráfico de influência. Não sei se Palocci o praticou, mas é evidente que as empresas que contrataram a sua consultoria estavam de olho nessa possibilidade. Só não sabia que esse, digamos, trânsito dava tanto dinheiro assim. Como é ilógico supor que uma eventual queda de Palocci seria um desastre (se não o foi em 2006, menos ainda o seria agora), resta suspeitar que a blindagem que até a oposição oferece ao ministro deve-se à expectativa de usar, hoje ou no futuro, a "experiência única" que tanto gozo deu a Palocci.

                 Diante do problema que poderia criar, e se valendo de experiência anterior onde o confronto não apresentou bons resultados políticos (bem verdade que imediatos), o ministro Palocci resolveu recuperar a própria imagem junto a seus “amiguinhos”. Renata Lo Prete, na Folha, hoje, comentou como o ministro “assoprou” a “mordida” aplicada:
Antonio Palocci entrou em campo ontem na tentativa de desfazer o mal-estar causado pela divulgação, na véspera, de texto elaborado pela Casa Civil no qual se procura justificar o salto patrimonial do ministro citando integrantes de governos anteriores que se tornaram profissionais bem-sucedidos no setor privado. Palocci telefonou para os quatro mencionados - os ex-ministros da Fazenda Pedro Malan e Mailson da Nóbrega, o ex-presidente do Banco Central Pérsio Arida e o ex-presidente do BNDES André Lara Resende - e apresentou desculpas pelo constrangimento causado. Consta que as reações foram elegantes.



                 Fica aparente a “punição” imposta ao responsável pelo “caseirogate”, que lhe facilitou o ato de “encher as burras de dinheiro”, enquanto o Francenildo Costa – o caseiro responsável pela denúncia  vai sendo apagado da memória nacional. Afinal de contas, há muito tempo que a política desse país tem grande dificuldade de “administrar” lampejos de honestidade. Enquanto o ministro "morde e assopra" (como a novela da Rede Globo), Antônio Gringo – músico, cantor e compositor, de Rodeio Bonito-RS – tem entre seus maiores sucessos a música “Cativeiros”, que nos últimos 20 anos se fez presente em todos os seus shows.  

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CATIVEIROS
                                          Antônio Gringo

Ouvi um pássaro cantar no cativeiro.
Nesse instante não contive a emoção
Em saber que a beleza de seu canto
Condenou-o a viver numa prisão.

Se por cantares, hoje vives prisioneiro,
Somos iguais neste ofício de cantor.
Pra dar ao mundo mais poesia e ternura
Em liberdade, cantar a vida e o amor.

/Não tem preço a liberdade não tem dono
Só quem é livre e sente o prazer de cantar
Se um passarinho canta mais quando está preso
É num desejo de um espaço pra cantar./

Quantos homens nas gaiolas desta vida
Aprisionados pela empáfia do poder.
São como pássaros, cativos da injustiça,
Morrendo aos poucos na prisão do mal viver.

Quero ver pássaros e homens livremente
Romper na vida toda forma de prisão.
Que só o amor e liberdade nos cativem,
Aprisionando-se em cada coração

/Não tem preço a liberdade não tem dono
Só quem é livre e sente o prazer de cantar
Se um passarinho canta mais quando está preso
É num desejo de um espaço pra cantar./

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                 A interpretação de “Cativeiros” é do próprio autor, acompanhado pelo Conjunto Os 4 Ventos.

  

                 Até a próxima e um grande abraço,

Wilmar Machado

quarta-feira, 18 de maio de 2011

TERTÚLIA NATIVA - TRISTE PARTIDA E NÃO MENOS TRISTE KIT

Quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da criação,
seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seus semelhantes.

Amigas e Amigos,

                Em nota no “Cotidiano”, na Folha de São Paulo (http://www.folha.uol.com.br), hoje, aparecem fortes indícios do envolvimento do MEC na distribuição de um kit pornográfico, com oportunista razão de ser anti-homofobia, para as escolas. O ministro Fernando Haddad, da Educação, nega – na mesma linha de um outro governante com o qual trabalhou e que sempre se deu bem, negando até mesmo quando as evidências não permitiam – que o MEC seja responsável pela distribuição do referido kit.

                Na matéria da Folha, tem-se que:
Se aprovado pelo ministério, o Kit ( três vídeos sobre transexualidade, bissexualidade e meninas lésbicas) poderá ser repassado para estudantes do ensino médio das escolas públicas. Segundo o ministro, o kit foi entregue ontem a pasta e será avaliado pela comissão de publicação do órgão, que vai ouvir secretários estaduais e municipais sobre o conteúdo. Também serão chamados para discutir o kit deputados da bancada evangélica, católica e da frente parlamentar de defesa da família. O ministro foi chamado hoje às pressas para explicar o kit para as bancadas religiosas da Câmara que haviam anunciado ontem que "não votariam" nenhuma matéria caso o material não fosse recolhido. Parlamentares da bancada evangélica sustentam que o material já está sendo divulgado. Haddad disse que o MEC não distribuiu o material, mas não quis apontar o vazamento. Deputados que participaram da reunião disseram que no encontro o ministro atribuiu a divulgação do Kit, que não estaria pronto, à empresa responsável pela produção. O ministro disse à Folha que o material que não seria do MEC contém cenas de sexo explícito. Na reunião, deputados mostraram uma cartilha que tem o símbolo do MEC que fala, por exemplo, de masturbação e ainda uma cartilha com símbolo do Ministério da Saúde com ilustrações com cenas de sexo entre dois homens.

                A partir da ação atabalhoada do ministro, ficou-me a questão sobre até que ponto o tal kit pode ser relacionado à educação, ou mais especificamente, à formação dos alunos. Ensina-los respeito e ética, e torna-los agentes de inclusão, passa por um trabalho muito além de demagógicas campanhas.



                Um projeto sério para a educação no país e pessoas comprometidas – sem demagogias – com uma mudança cultural, pode levar a um renovado país em que a partida de uma comunidade pobre, de uma região discriminada, não seja tão triste como a apresentada por Antônio Gonçalves da Silva – o Patativa do Assaré – na poesia abaixo, que virou música na voz e sanfona de Luiz Gonzaga, o mestre Lua.

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TRISTE PARTIDA
                                              Patativa do Assaré

Meu Deus, meu Deus...


Setembro passou / Outubro e Novembro 
Já tamo em Dezembro / Meu Deus, que é de nós, 
Meu Deus, meu Deus / Assim fala o pobre 
Do seco Nordeste / Com medo da peste 
Da fome feroz / Ai, ai, ai, ai...


A treze do mês / Ele fez experiência 

Perdeu sua crença / Nas pedras de sal, 
Meu Deus, meu Deus / Mas noutra esperança 
Com gosto se agarra / Pensando na barra 
Do alegre Natal / Ai, ai, ai, ai...


Rompeu-se o Natal / Porém barra não veio 

O sol bem vermeio / Nasceu muito além 
Meu Deus, meu Deus / Na copa da mata 
Buzina a cigarra / Ninguém vê a barra 
Pois a barra não tem / Ai, ai, ai, ai...


Sem chuva na terra / Descamba Janeiro, 

Depois fevereiro / E o mesmo verão 
Meu Deus, meu Deus / Entonce o nortista 
Pensando consigo / Diz: "isso é castigo 
não chove mais não" / Ai, ai, ai, ai


Apela pra Março / Que é o mês preferido 

Do santo querido / Senhor São José 
Meu Deus, meu Deus / Mas nada de chuva 
Tá tudo sem jeito / Lhe foge do peito 
O resto da fé / Ai, ai, ai, ai...


Agora pensando / Ele segue outra tria 

Chamando a famia / Começa a dizer 
Meu Deus, meu Deus / Eu vendo meu burro 
Meu jegue e o cavalo / Nós vamos a São Paulo 
Viver ou morrer / Ai, ai, ai, ai...


Nós vamos a São Paulo / Que a coisa tá feia 

Por terras alheia / Nós vamos vagar 
Meu Deus, meu Deus / Se o nosso destino 
Não for tão mesquinho / Cá e pro mesmo cantinho 
Nós torna a voltar / Ai, ai, ai, ai...


E vende seu burro / Jumento e o cavalo 

Inté mesmo o galo / Venderam também 
Meu Deus, meu Deus / Pois logo aparece 
Feliz fazendeiro / Por pouco dinheiro 
Lhe compra o que tem / Ai, ai, ai, ai...


Em um caminhão / Ele joga a famia 

Chegou o triste dia / Já vai viajar 
Meu Deus, meu Deus / A seca terrível 
Que tudo devora / Lhe bota pra fora 
Da terra natá / Ai, ai, ai, ai...


O carro já corre / No topo da serra 

Oiando pra terra / Seu berço, seu lar 
Meu Deus, meu Deus / Aquele nortista 
Partido de pena / De longe acena 
Adeus meu lugar / Ai, ai, ai, ai...


No dia seguinte / Já tudo enfadado 

E o carro embalado / Veloz a correr 
Meu Deus, meu Deus / Tão triste, coitado 
Falando saudoso / Seu filho choroso 
Exclama a dizer / Ai, ai, ai, ai...


De pena e saudade / Papai sei que morro 

Meu pobre cachorro / Quem dá de comer? 
Meu Deus, meu Deus / Já outro pergunta 
Mãezinha, e meu gato? / Com fome, sem trato 
Mimi vai morrer / Ai, ai, ai, ai


E a linda pequena / Tremendo de medo 

"Mamãe, meus brinquedo / Meu pé de fulô?" 
Meu Deus, meu Deus / Meu pé de roseira 
Coitado, ele seca / E minha boneca 
Também lá ficou / Ai, ai, ai, ai


E assim vão deixando / Com choro e gemido 

Do berço querido / Céu lindo azul 
Meu Deus, meu Deus / O pai, pesaroso 
Nos filho pensando / E o carro rodando 
Na estrada do Sul / Ai, ai, ai, ai...


Chegaram em São Paulo / Sem cobre quebrado 

E o pobre acanhado / Procura um patrão 
Meu Deus, meu Deus / Só vê cara estranha 
De estranha gente / Tudo é diferente 
Do caro torrão / Ai, ai, ai, ai...


Trabaia dois ano, / Três ano e mais ano 

E sempre nos prano / De um dia vortar 
Meu Deus, meu Deus / Mas nunca ele pode 
Só vive devendo / E assim vai sofrendo 
É sofrer sem parar / Ai, ai, ai, ai...


Se arguma notícia / Das banda do norte 

Tem ele por sorte / O gosto de ouvir 
Meu Deus, meu Deus / Lhe bate no peito 
Saudade lhe molho / E as água nos óio 
Começa a cair / Ai, ai, ai, ai...


Do mundo afastado / Ali vive preso 

Sofrendo desprezo / Devendo ao patrão 
Meu Deus, meu Deus / O tempo rolando 
Vai dia e vem dia / E aquela famia 
Não vorta mais não / Ai, ai, ai, ai...


Distante da terra / Tão seca mas boa 

Exposto à garoa / À lama e o paú 
Meu Deus, meu Deus / Faz pena o nortista 
Tão forte, tão bravo / Viver como escravo 
No Norte e no Sul / Ai, ai, ai, ai...


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                E a música de hoje, para mostrar que inclusão pode ser feita com bom humor, independente do nojento “politicamente correto” que acompanha sempre os mau humorados e azedotes mal amados, é de Juraíldes da Cruz, compositor e cantador do Tocantins, e tem por título “Nóis e Jeca mais é jóia”.



                Um grande abraço e até a próxima,

Wilmar Machado

sábado, 14 de maio de 2011

FOGÃO DE LENHA - CARNE DE PORCO COM REPOLHO


Não importa saber se a gente acredita em Deus:
o importante é saber se Deus acredita na gente...

Amigas e Amigos,

                O Blogspot, depois de muita instabilidade na quarta-feira, parou completamente ontem. Hoje está, aparentemente, normal e espero que assim continue. Abrindo espaço para o futebol, no próximo domingo tem decisões nos campeonatos regionais e lembro algumas brincadeiras feitas por torcedores gremistas após a vitória no primeiro jogo.

                Dentre as que recebi por e-mail, destaco a versão humorada do tradicional trava-língua, transformado em “Renato roeu a roupa do Rei de Roma”, fazendo referência ao treinador do Internacional, durante muito tempo um dos melhores jogadores do campeonato italiano. Uma outra história interessante dizia que o treinador do Inter teria sido consolado por Bin Laden que lhe disse: “Eu sei como isso é difícil de aceitar, eu também fui ‘eliminado’ em casa!”. No próximo domingo, novas histórias surgirão, mas ainda não é possível prever se manterão a cor azulada ou serão avermelhadas.

                Enquanto se espera a decisão de domingo, haverá tempo para um bom almoço em família e sugestão do Fogão de Lenha da semana é um prato com carne de porco (que pode ser servido com arroz branco e uma salada), mesmo que você vá acompanhar a decisão do campeonato paulista.



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CARNE DE PORCO COM REPOLHO

Ingredientes:
500 gramas de carne de porco, sem gordura
½ repolho médio

½ pimentão vermelho
1 tablete de caldo de carne (dissolvido em ½ xícara de água quente)
2 colheres de (sopa) de molho inglês
5 colheres de (sopa) de óleo vegetal
1 colheres de (chá) de açúcar
3 dente de alho, amassado
Pimenta-do-reino a gosto

Modo de preparo:
Corte a carne de porco em pequenas tiras e o repolho em fatias longas e finas. Reserve. 

Numa frigideira, aqueça 3 colheres de (sopa) do óleo, junte o alho e deixe dourar. 
Acrescente a carne, fritando-a bem e mexendo sempre, por 3 minutos. 
Escorra-a com uma escumadeira e coloque em outro recipiente, mantendo-a aquecida.
Despeje na mesma frigideira o restante do óleo e frite o repolho e o pimentão em fogo alto por 2 a 3 minutos. Adicione o molho inglês, o caldo de carne e o açúcar. 
Deixe que o repolho cozinhe neste molho por aproximadamente 2 minutos.
Acrescente a carne, deixando cozinhar por mais 3 minutos.
Polvilhe a pimenta-do-reino e sirva com os acompanhamentos escolhidos.

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                Para acompanhar harmonicamente o prato de hoje, sugiro a música “O alemão e o delegado”, de Bruno Neher e Luiz Lara, com o grupo Os 3 Xirús.


                Um grande abraço e bom apetite para os que resolverem experimentar a receita de hoje,

Wilmar Machado

quarta-feira, 11 de maio de 2011

TERTÚLIA NATIVA - O TÁXI VOADOR

O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal,
mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer.
(Albert Einstein)


  
Amigas e Amigos,

               A Tertúlia Nativa desta semana começa com o anúncio institucional do Sindcombustíveis (Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis Automotivos e de Lubrificantes), do Distrito Federal.

               O referido sindicato, amparado em uma luta que pretensamente travam há muitos anos contra combustíveis caríssimos, transfere todo o ônus do preço exorbitante praticado pelos postos na venda de combustíveis para distribuidora (preço de compra do combustível) e governo (impostos). Em um trecho da campanha – encarecidamente peço que você não chore de forma compulsiva se ficar comovido com o texto – aparece que:
Preços iguais não significam ‘manipulação de mercado’, cartelização, como acusam esses desavisados de plantão. É natural que num mercado com produtos de qualidade, como os que são oferecidos no DF, o consumidor venha a optar pelo menor preço, provocando na concorrência, a equiparação com seus vizinhos para manter vivo o seu negócio, criando-se um paralelismo de preços. Isso ocorre em todo o Brasil. Perguntamos: Você faria diferente?

               Não consegui descobrir ao longo do texto da campanha quem seriam os “desavisados de plantão” que são capazes de chamar esse cartel de... cartel. Também não consegui entender bem para quem é dirigida a pergunta ao final do texto acima, após a fantasiosa explanação. Como penso que a resposta esperada seja “claro que não”, acredito que ela seja para qualquer um que acredite ser impossível conciliar comércio e ética.

               Matéria da Agência Brasil (http://agenciabrasil.ebc.com.br), do último dia 9, comenta a participação do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, na manhã daquele dia, em sessão solene da Câmara, com o seguinte trecho:
Lobão reforçou que a Agência Nacional de Petróleo (ANP) passará a ter a responsabilidade de cuidar, também, do etanol. E admitiu que em alguns estados há cartel nos postos de gasolina. “Nitidamente está havendo cartel. Pedi que a ANP fosse ao Cade [Conselho Administrativo de Defesa Econômica] para que esse descalabro fosse resolvido”, afirmou. O ministro disse que, a partir de agora, as punições para os donos de postos que formam cartéis na cobrança dos combustíveis serão rigorosas. Pode haver cobrança de multa e até o fechamento do posto.

               Com a versão das partes envolvidas, onde a troca de acusações transforma o oponente em grande vilão, lembrei que, ontem, em um programa matinal na Band News FM, em Brasília, onde a apresentadora leu um e-mail de um ouvinte, cujo teor abordava a culpa dos preços altíssimos praticados para combustíveis. Escreveu o ouvinte que enquanto o governo diz que a culpa é dos postos e os postos dizem que a culpa é do governo, a única certeza que ele tinha é de que os dois estavam certos.



               Falando em combustível, lembrei de um causo sobre um motorista muito rápido, narrado por Apparício Silva Rillo, em seu livro “Rapa de Tacho 3” (p. 61-62), da “Tchê! Editora Ltda.”. Percebam a situação delicada do coitado do motorista.

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O TÁXI VOADOR
                                             Apparício Silva Rillo

               Cidão Dorneles, quando capataz do coronel Diógenes Silva, de São Borja, teve necessidade de – pela primeira vez – ir a Porto Alegre. A mulher estava atempada, feiota de saúde e, para seu caso, a solução estava mesmo na capital.

               Durante uma semana, no galpão da Fazenda da Tuna, o assunto central das charlas e contracharlas era a viagem do Cidão. Um tanto ingênuo nos seus quase dois metros, braços longos e fortes como varejões de mangueira, Cidão escutava os comentários. E, sobretudo, as recomendações.

               – Óia, Cidão, tu chegando da Ferroviária pega um táchi. Dá pro home o endereço que o coronel botou aí nesse papel que ele te leva direto como goela de sapo.

               – Mas tem uma cois, índio velho. Te agarra bem no tal de táchi porque os home de Porto Alegre são uns louco na rua. Tem uns que chegam a avoar.

               E por aí seguiam as recomendações – Põe teu dinheiro no cano da bota. – Vai armado mas esconde os ferro, que a Brigada tá de ôio na gente. – Não compra bilhete nem do bispo, que te aplicam o causo do bilhete premiado. – E óia os táchi, tem uns que avoam como urubu com um tição no rabo...

               De tudo, o que mais impressionou o Cidão foi  a história do “táchi” tomar tal velocidade ao ponto de “aovar”. “Avoa, cai, me esculhamba a muié velha, que já tá mais engrupida que arma que matou corvo.” Com a cuca fervendo de conselhos, lá se foi o Cidão pelo trem, coma a mulher e a trouxa de roupas. E uma galinha com farofa e um pão de forno numa lata bem tampada de azeite correntino.

               Na manhã do outro dia o trem bufou como touro tesudo na estação central, em Porto Alegre. Meio perdido naquele burburinho, Cidão encontrou a saída. E a uma voz de “Táxi” levantou as orelhas. – Quero um, seu!

               Com o bilhete onde estava anotado o endereço, lá se foi o motorista com o casal no banco de trás. A certa altura, indagou:

               – É mesmo na João Pessoa, não?

               – Se tá no bilhete é justo nesta casa...

               O “táchi” tomou velocidade e o Cidão começou a suar. Lá pelas cansadas o motorista, para colocar o passageiro mais a vontade, veio com a nova pergunta:

               – É na João Pessoa, sim, aqui está. Mas em que altura?

               Na voz de “em que altura” o Cidão saltou de dentro das botas. Arrancou da cintura a “solingen mata-leitão” e berrou para o motorista que quase se borra de susto:

               – Tu levanta meio metro este teu “táchi” e eu te tiro a buchada pela cova das ventas!

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               Para acompanhar o causo desta Tertúlia, a música escolhida é “Motorista do Brasil”, de Lourival dos Santos e Tião Carreiro, interpretada pela dupla Tião Carreiro e Pardinho.


               Para terminar, um grande abraço para todos e até a próxima,

Wilmar Machado

ORATÓRIO CAMPEIRO - PIZZA "SAUDÁVEL"?

Para os puros todas as coisas são puras.
Para os corruptos e descrentes nada é puro: até a sua mente e consciência são corrompidas.
Proclamam que conhecem a Deus, mas na prática o renegam,
detestáveis que são, rebeldes e incapazes de qualquer boa obra.
(Tito 1, 15-16)

 


Amigas e Amigos,

               Abro o Oratório Campeiro desta semana para a edição de ontem (terça-feira), do Diário Popular (http://diariopopular.com.br), de Pelotas (RS), onde encontrei na coluna do caro Carlos Eduardo Behrensdorf, direto de Brasília (DF), o seguinte comentário:
O Ministério da Saúde (MS) e a Controladoria Geral da União (CGU) informam: de 2007 a 2010, houve desvios de R$ 662,2 milhões do Fundo Nacional de Saúde (FNS). Fazendo comparações de custos e obras os auditores concluíram que a grana volátil dá para a construção de 1.439 unidades básicas de saúde. [...] Dos R$ 159,1 bilhões transferidos a estados e municípios nos últimos quatro anos, só 2,5% tiveram a aplicação fiscalizada. No popular: pode dizer que liberou geral.

               Você tem idéia do local em que está localizada essa inesgotável fonte de recursos que permite essa “extravagância” oficial? É isso mesmo que você está pensando. Nós, que trabalhamos 5, 6 ou, até mesmo, 7 dias por semana é que provemos recursos – arrancados “a rodo” de nossos salários em forma de “estratosféricos” impostos e taxas – para que a turma do trabalho de terça a quinta-feira se encarregue da distribuição que, aparentemente, é feita a partir da conversão dos valores para a moeda “votos-futuros”.

               O Behrê, na sua coluna, ainda diz que:
...os problemas do setor de planos de saúde serão debatidos em audiência pública promovida por três comissões nesta terça. Estão na parada as comissões de Defesa do Consumidor, de Seguridade Social e Família e de Trabalho, Administração e Serviço Público. Espera-se um quorum saudável.

               Como sempre se tem observado, possivelmente, já foi definida a tarefa de cada comissão: uma levará os ingredientes para a massa, outra se encarregada da lenha e fósforos para assar, e a outra garantirá  o molho, a mozarela, o orégano e o azeite. Dada a diversidade de gostos, fica combinado que bebida, cada um leva o que for consumir.

               Depois do caos da merenda escolar, conforme comentado no “Abrindo a Porteira” da semana, é desalentadora a percepção da forma de condução das questões relacionadas à saúde dos cidadãos desse nosso Brasil.



               O próximo dia 13 de maio marca o 94º aniversário da primeira aparição da Virgem Maria, na Cova da Iria,  Freguesia de Fátima, em Portugal – para os pastorzinhos Lúcia de Jesus, de 10 anos, e Francisco e Jacinta Marto, seus primos, de 9 e 7 anos. Lembrando esta data, o Oratório desta semana nos convida a orarmos para a Senhora de Fátima na busca de, pelo menos, melhorar o tratamento dado pelas políticas – e políticos – públicas para a saúde do povo brasileiro.

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ORAÇÃO A NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

Santíssima Virgem Maria,
que nas regiões de Fátima vos dignastes revelar,
aos três pastorzinhos,
os tesouros de graças que podemos alcançar
rezando o santo rosário.

Ajudai-nos a apreciar sempre mais essa oração
a fim de que, meditando os mistérios da nossa redenção,
alcançaremos as graças
que com insistência vos pedimos.

Senhora de Fátima,
olhai para as famílias do nosso imenso Brasil
e para as suas necessidades.

Vede os perigos que as cercam em todos os momentos,
e sede a mãe sempre presente.

Sede a nossa intercessora
junto ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo
e alcançai-nos a graça de vermos a saúde do povo brasileiro
ser conduzida com ética por nossos representantes.

Amém!

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               E a música de hoje é de D.P., com arranjo de Luís Pedro Fonseca e interpretação de Joanna, e tem por tïtulo "Treze de Maio", abordando a aparição da Virgem Maria em Fátima.


                 Até o próximo, um grande abraço e que a Paz de Cristo permaneça conosco!

Wilmar Machado

terça-feira, 10 de maio de 2011

ABRINDO A PORTEIRA - MERENDA & NEGOCIATAS

Amigas e Amigos,

               Ao abrir a porteira para mais uma semana, comento a reportagem apresentada, ontem, no Fantástico (Rede Globo), disponível em http://fantastico.globo.com, sobre as falcatruas que transformam a merenda escolar em algo intragável – quando existe – para alunos da rede pública de ensino em grande parte do país. Aparentemente, as exceções que permitem escolas com merenda digna ocorrem muito mais por iniciativas de cidadãos brasileiros do que por iniciativas dos diversos escalões governamentais.



               Na matéria publicada no endereço acima, pode-se encontrar que:
Em um mês de investigação, uma equipe do programa flagrou a péssima qualidade da merenda em escolas públicas do país: comida estragada, vencida, armazenada de qualquer jeito, intragável. [...] "Uma boa alimentação, coma frutas, verduras e legumes", diz o recado no mural. Na teoria, tudo certo. Mas, na prática... Um homem traz os alimentos da merenda: carne moída. A comida veio em um caminhão, exposta ao sol e sem refrigeração. Nas embalagens, não há nome do fabricante nem data de validade. A merenda é para uma escola estadual de Novo Gama, em Goiás, de 95 mil habitantes, a 40 quilômetros de Brasília. São cerca de 1,5 mil alunos. […] Quinta-feira, 7 de abril. Natal registra 31ºC e uma escola não tem água. as crianças têm que levar de casa. E esse não é o único problema. Às 15h, os alunos foram embora mais cedo porque não havia merenda. [...] Foram apenas duas horas de aula – uma situação que se repete em outras escolas municipais de Natal. “Nos sentimos obrigados a diminuir o horário pelo fato de muitos passarem mal, com dor no estômago e até mesmo desmaios”, revela a coordenadora pedagógica Elaine Medeiros. [...] A equipe do Fantástico visitou mais de 50 escolas públicas – estaduais e municipais – de cinco estados: São Paulo, Goiás, Rio Grande do Norte, Paraíba e Bahia. Todos sempre se apresentaram como jornalistas. Em Itaparica, cidade turística baiana, foram a duas escolas municipais. Uma funcionária contou que quase não tem merenda e, naquele momento, só havia açúcar no estoque. Desde o início do ano, a geladeira da escola está vazia. Só tem água gelada. […] Este ano, o Ministério da Educação vai repassar mais de R$ 3 bilhões a governos estaduais e prefeituras para a compra de merenda. O objetivo é beneficiar 45 milhões de estudantes. A Controladoria-Geral da União ajuda a fiscalizar como o dinheiro é gasto. [...] Em Nazaré, Bahia, as refeições dos mais de quatro mil alunos da cidade saem de uma cozinha da prefeitura. Segundo uma funcionária, as crianças comem biscoito de má qualidade por pressão do fornecedor dos alimentos. [...] Uma das explicações para tantos problemas nas merendas é a corrupção. O Fantástico teve acesso, com exclusividade, a dois depoimentos que, segundo o Ministério Público, ajudam a entender o caminho das fraudes. O Fantástico não mostrou o rosto das pessoas porque a investigação ainda está em andamento. As testemunhas dizem que têm medo de morrer, que estão sendo ameaçadas.

               A matéria completa apresenta outras barbaridades patrocinadas por alguns políticos, detentores dos mais diversos cargos públicos, e representantes de empresas aéticas. Mas pelo excerto apresentado já é possível perceber como a educação, que aparece em propostas eleitorais em momentos que antecedem eleições como se fosse uma preocupação séria, é completamente esquecida pelos programas governamentais. Talvez seja um exagero afirmar que a educação é completamente esquecida, na medida em que, aparentemente, ela é lembrada quando existe a possibilidade de favorecer algum “amigo” em troca de uma módica parcela.

               Na reportagem do Fantástico, aparecem também algumas manifestações oficiais, como por exemplo:
“Nós já estamos com toda uma logística montada para a normalização completa em todas as escolas da rede”, assegura o secretário de Educação de Natal, Walter Fonseca. [...] “Isso não representa a realidade do município na gestão da merenda escolar nem na gestão da educação de modo geral. Não vai acontecer mais de maneira nenhuma”, assegura o prefeito de Vera Cruz, Magno de Souza Filho. [...] A Secretaria de Educação de Novo Gama informou que não permite a distribuição de merenda com irregularidade. Negou que o cardápio seja fantasioso, alegando que a merenda muda, conforme os alimentos em estoque. [...] quem fala é uma testemunha-chave em uma investigação contra a prefeitura de Taubaté, no interior paulista. O homem acusa o atual prefeito, Roberto Peixoto, e a primeira- dama de receber propina de uma empresa de merenda chamada Sistal. Ele diz que, duas vezes por mês, durante três anos, entregou dinheiro da corrupção para o casal. “Eu servia de mulas para eles”, conta. O homem calcula que Roberto e Luciana Peixoto receberam cerca de R$ 5 milhões de propina. “Eles estão montando uma boate em Taubaté agora”. [...] “Já existem provas materiais no sentido de que houve pagamento de propina e aquisição pelo prefeito de bens imóveis incompatíveis com os seus rendimentos”, constata o promotor de Justiça Sílvio Marques. Em nota, a Sistal diz que jamais pagou propina a Roberto Peixoto. O Fantástico procurou o prefeito de Taubaté. Sobre essa nova denúncia, ele indicou para falar o secretário de governo. “É uma acusação descabida. O objetivo do prefeito não era ter nenhuma vantagem pessoal com este contrato. Muito pelo contrário, era melhorar a alimentação, a merenda escolar da nossa cidade. A casa de shows pertence ao seu genro, portanto, não tem nenhuma ligação jurídica ou econômica com o prefeito”, afirma o secretário de Governo de Taubaté, Adair Loredo dos Santos. [...] Em janeiro, o Ministério Público recomendou à prefeitura que o contrato com a SP Alimentação não fosse prorrogado. Mas isso não aconteceu. A Secretaria de Educação de João Pessoa disse que a contratação da empresa foi acompanhada pelo Tribunal de Contas da União e que está dentro da lei. Alegou também que a maioria das crianças aceita bem os alimentos servidos. Também em nota, a SP Alimentação disse que obedece a todos os procedimentos legais e que 90% dos diretores das escolas de João Pessoa aprovam a merenda da empresa. O Fantástico pediu à professora de ciências dos alimentos Gilma Sturion, da Universidade de São Paulo (USP), que analisasse dez cardápios de escolas visitadas pela equipe de reportagem do programa, inclusive das de João Pessoa. “Têm baixo valor energético, é muito deficiente em frutas e hortaliças. Todos os municípios têm condições de fazer uma boa merenda, é só otimizar os recursos. [...] A Secretaria de Educação de Goiás diz que vai tomar providências, inclusive na escola que tinha gatos na cozinha. “Nós vamos mandar uma equipe para ver isso de perto. Se chega alguma denúncia aqui, no dia seguinte, tem uma equipe no local”, assegura Sonia Piero Bom, superintendente de gestão da Secretaria de Educação de Goiás.
               Pela “cara de pau” dos responsáveis por algumas das declarações acima, parece evidente que o dinheiro da merenda escolar seja objeto de “desvios” e “negociatas”, pois deve ser grande o consumo de óleo de peroba para manutenção de alguns destes “porta-vozes”.
Em meio a tanto “lero-lero”, fica a provável evidência de que toda “essa conversa para boi dormir” serve apenas como desculpa “esfarrapada” para, confiando na curta memória nacional, aguardar o esquecimento da reportagem apresentada.

               Ainda na matéria, consta que prefeitos foram presos em novembro do ano passado, acusados de desviar verbas federais e favorecerem empresas distribuidoras de merendas. Um deles chegou a ficar dois dias preso e, solto, hoje já reassumiu a “sua” prefeitura. É muito faz de conta para que se possa esperar um pouco de seriedade com a educação em um país onde, para ser gari se faz necessária alguma formação e para o exercício de cargos públicos a única exigência é uma pseudoalfabetização.

               Para não começar a semana desanimado pelos fatos nauseabundos citados, sugiro ouvir Sulino & Marrueiro, cantando a fome e a sede de forma poética em “Tenho fome e tenho sede”, de autoria do próprio Sulino.



               E até a próxima, com  um grande abraço!

Wilmar Machado