sexta-feira, 3 de junho de 2011

FOGÃO DE LENHA - MANDIOCAS E CHIMPANZÉS

Quanto maior o poder, maior o perigo de abuso.
(Edmund Burke)

Amigas e Amigos,


               O portal Ig (www.ig.com.br), traz matéria em que Anne Mansouret – mãe da jornalista Tristane Banon que acusou de tentativa de estupro o diretor-gerente do FMI, Strauss-Kahn,  – pode ser expulsa do partido, afirmando que membros do partido socialista sabiam da tentativa de estupro, mas optaram por ignorá-la. Segundo a matéria:
Nove anos atrás, Anne Mansouret dissuadiu sua filha de fazer uma queixa legal de tentativa de estupro contra Dominique Strauss-Kahn, um membro proeminente do Partido Socialista na França e ex-marido de uma de suas melhores amigas. [...] Banon, jornalista e escritora, afirma que Strauss-Kahn, que está enfrentando acusações criminais em Nova York pela tentativa de estupro de uma empregada de hotel, tentou estuprá-la durante uma entrevista em um apartamento vazio em 2002 – agarrando-lhe o braço, tirando o seu sutiã, tentando abrir o seu jeans, lutando com ela no chão e ignorando seus gritos de "não". Ela o descreveu como "um chimpanzé no cio". Os líderes do partido sabiam da experiência de sua filha com Strauss-Kahn, disse Mansouret, mas optaram por ignorá-la. E ela se sentia frustrada, em parte, porque a segunda esposa de Strauss-Kahn, Brigitte Guillemette, era uma de suas melhores amigas e madrinha de Banon.  [...] A equipe de Strauss-Kahn também pressionou Banon a remover um capítulo sobre ele do livro no qual ela relata o momento do suposto ataque. Ela se recusou, mas sua editora suprimiu o capítulo de qualquer jeito. No livro, publicado em 2003, ela entrevistou vários homens bem conhecidos sobre os erros que fizeram em suas carreiras. Strauss-Kahn falou de seu envolvimento em um grande escândalo político e financeiro em 1998, embora ele tenha sido inocentado das acusações. Ramzi Khiroun, assessor de comunicação de Strauss-Kahn na época, explicou então que ele estava com medo que o livro "poderia atrair muita atenção" para Strauss-Kahn, disse Mansouret. Khiroun não respondeu a pedidos para comentar o assunto.

               Aparentemente, esse é mais um caso onde a corrupção advinda do poder se espalha rapidamente pelas entranhas de uma organização. Acobertar seus dirigentes em ações ilícitas parece ser norma para determinadas entidades, onde cada vez mais a transparência integra discursos dos mais diferentes escalões sem, no entanto, fazer parte de ações concretas. A postura adotada pelo partido citado na reportagem, se confirmada como verdade, torna-se ainda mais nojenta na medida em que, buscando justificativas e tentando confundir opiniões, almeja denegrir a imagem de vítimas, transformado-as em agentes de desestabilização – no caso, só se estiverem pensando na estabilização da bandalheira.



               Voltando para nosso Fogão de Lenha – pois por mais que esquente nossos brios esse tipo de notícia, a temperatura nos últimos dias não anda muito quente – estamos sugerindo para uma noite deste fim de semana um Caldo de Aipim (mandioca) capaz de espantar qualquer friagem.


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CALDO DE AIPIM

Ingredientes:

300 gramas de bacon picado
½ quilo de costelinha de porco em pedaços pequenos
600 gramas de lingüiça calabresa em rodelas
3 cebolas medias picadas

4 dentes de alho picados
600 gramas de aipim
Cheiro verde picado
Sal 
Pimenta 


Modo de preparar:

Cozinhe bem o aipim (pode utilizar panela de pressão).
Retire os fios do aipim.
Bata o aipim com a água de cozimento no liquidificador e reserve.
Em uma panela grande, derreta o bacon e frite a costelinha de porco.
Acrescente a lingüiça calabresa e frite por igual.
Junte a cebola e o alho. Coloque pimenta, a gosto.
Junte o caldo de aipim.
Cozinhe por 20 minutos, mexendo para não grudar no fundo da panela.
Se necessário, acerte o sal.
Salpique o cheiro verde e sirva bem quente.

Sugestão para servir:
Um filete de azeite, 
Queijo parmesão, ralado, e
Torradas, preparadas com manteiga e orégano.

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               A música para acompanhar a receita de hoje é “Pilão”, de José Hilário Retamozo e Ewerton Ferreira, interpretada por Eracy Rocha.


               Fico por aqui, esperando que possa diminuir o frio com a receita de hoje. Um grande abraço!

Wilmar Machado

GALERIA SERTANEJA - CANTOS DOS LIVRES, E DE OUTROS TIPOS...


A ocasião faz o roubo, o ladrão já nasce pronto.


Amigos e Amigas,

                Esta Galeria Sertaneja de hoje apresenta a música “Canto dos Livres”, de Cenair Maicá. Mas antes abro espaço para uma melodia desafinada interpretada pela livre (ainda) primeira-dama de Campinas, conforme se pode ler no portal Terra (www.terrra.com.br):
A primeira-dama de Campinas, Rosely Nassin Jorge Santos, pediu exoneração do cargo de chefe de Gabinete da prefeitura da cidade no começo da noite desta quinta-feira, minutos após prestar depoimento ao Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público (MP). Ela é citada em investigações do MP como chefe de um esquema de corrupção e tráfico de influência. Rosely é acusada de facilitar acordos para empresas terceirizadas que prestam serviços à Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa). [...]  Conforme a investigação do MP, o ex-presidente da Sanasa Luiz Augusto Contrillon de Aquino revelou como funcionava a operação, se beneficiando com a delação premiada. Rosely se apresentou hoje pela primeira vez ao MP. Em duas outras oportunidades, ela foi convocada como testemunha, mas não apareceu. Em abril, ela integrou a comitiva da presidente Dilma Rousseff (PT) na China e em maio se afastou por 15 dias para tratar um problema de saúde.
                A matéria trata de acusações, graves, contra a primeira-dama e chefe de gabinete da prefeitura o que pode deixar o prefeito em situação muito delicada. Mesmo que seja adotada a linha do “eu não sabia de nada” pelo prefeito  - tipo de defesa que fez muito sucesso recentemente – será de difícil sustentação pelo relacionamento do prefeito com a acusada. Enquanto não tem julgamento, não existem culpados ou responsáveis e como a demissão foi do cargo de chefia do gabinete, a acusada continua primeira-dama. Será que a situação do prefeito não fica um pouco esquisita?



                Depois dessas histórias de personagens de aparentes “rabos presos”, vamos ver a letra da música de hoje logo abaixo.

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CANTO DOS LIVRES
                               Cenair Maicá

Se meu destino é cantar, eu canto
Meu mundo é mais que chorar, não choro
A vida é mais do que pranto, é um sonho
Com matizes sonoros
Hay os que cantam desditas de amores
Por conveniência agradando os senhores
Mas os que vivem a cantar sem patrão
Tocam nas cordas do seu coração


Quem canta refresca a alma
Cantar adoça o viver
Assim eu vivo cantando
Prá aliviar meu padecer


Quisera um dia cantar com o povo
Um canto simples de amor e verdade
Que não falasse em misérias nem guerras
Nem precisasse clamar liberdade


No cantar de quem é livre
Hay melodias de paz
Horizontes de ternura
Nesta poesia de andar


Quisera ter a alegria dos pássaros
Na sinfonia do alvorecer
De cantar para anunciar quando vem chuva
E avisar que já vai anoitecer
E ao chegar a primavera com as flores,
Cantar um hino de paz e beleza
Longe da prisão dos homens, da fome
Prá nunca cantar tristeza


Quem canta refresca a alma
Cantar adoça o viver
Assim eu vivo cantando
Prá aliviar meu padecer.


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                Para encerrar a Galeria de hoje, vamos ouvir “Canto dos Livres”, na interpretação do próprio autor.


                Com um grande abraço para todos, concluo mais uma Galeria Sertaneja.

Wilmar Machado

terça-feira, 31 de maio de 2011

ORATÓRIO CAMPEIRO - DIA MUNDIAL "SEM PAIA E SEM FUMO"

Não há tóxico no mundo que mate tão eficientemente
como as ganâncias que destroem a perfeição.
(Santa Teresa de Jesus)

Amigas e Amigos,

               Hoje, 31 de maio, é o Dia Mundial sem Tabaco, data criada pela Organização Mundial da Saúde, em 1987, na busca de diminuir o número de mortes por ano por conta desse hábito. As informações publicadas em matéria do Caderno Bem-estar, do Jornal Zero Hora (http://zerohora.clicrbs.com.br), hoje, deixam a impressão de que pouco se pode comemorar em relação ao atingimento dos objetivos propostos pelos idealizadores da data. Na matéria consta que:
O cigarro deve matar em 2011 quase 6 milhões de pessoas em todo o mundo — dessas, 600 mil são fumantes passivos. O número representa uma morte a cada seis segundos. [...]  A OMS classificou o tabaco como um dos fatores que mais contribuem para a epidemia de doenças não contagiosas como ataques cardíacos, derrames, câncer e enfisema. O grupo é responsável por 63% de todas as mortes no mundo. Dados indicam que metade dos fumantes deve morrer em razão de uma doença relacionada a esse hábito. No Dia Mundial sem Tabaco, lembrado hoje, dia 31, a OMS listou avanços no enfrentamento ao cigarro. Entre os destaques estão países como o Uruguai, onde os alertas sobre o risco provocado pelo cigarro ocupam 80% das embalagens. A China, Turquia e Irlanda também receberam elogios por leis que proíbem o fumo em locais públicos.

               No Brasil – que não aparece na matéria citada – as grandes produtoras de câncer  cigarros, empenhadas em aumentar seus lucros com a conseqüente geração de doenças para a população, publicam notas – melodramáticas – preocupadas com o aumento do comércio ilegal de cigarros que, segundo as citadas notas, podem trazer prejuízos à saúde da população. Fica a impressão de que o cigarro “legal” não mata do mesmo jeito.



               A grande diferença entre o cigarro legal e o ilegal é a quantidade de dinheiro injetada nos cofres públicos. Isso pode explicar a doação de equipamentos, a serem utilizados no combate ao comércio ilegal de cigarros, para a Polícia Federal por produtora de cigarros. A impressão que fica – espero estar completamente enganado – é não ser preocupação do governo se seus cidadãos têm sua morte antecipada pelo vício. A preocupação, se existe, é anulada pelos números que aparecem na arrecadação de impostos com o comércio legal de cigarros.

               Como o dia é de Oratório Campeiro aqui no Blog, é bom lembrar que ontem, dia 30 de maio, foi a festa de São José Marello, fundador da Congregação dos Oblatos de São José, cujos sacerdotes são conhecidos como padres Josefinos. São José Marello deixou uma oração que publico abaixo, como sugestão para esta semana.



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ORAÇÃO PELO POVO DE DEUS 


Meu Senhor,
Rogo-vos por aqueles
que vivem na abundância de todos os bens,
para que na alegria
se recordem de estar em terra de exílio.
Rogo-vos por aqueles
que gemem sob o peso da desventura,
para que na tristeza
se recordem que estão na estrada do Céu.
Rogo-vos por aqueles
que desceram ao túmulo,
para que durmam o sono da paz.
Rogo-vos por mim,
que estou nu na vossa presença,
para que possais revestir-me com a veste
de minha primeira inocência.
Rogo-vos por toda a peregrina família de Adão.
Sede Vós seu guia e seu auxílio,
para que possa atingir a salvação na pátria celeste.
Amém.

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               A música de hoje – afinal é o Dia Mundial sem Tabaco – é de Mano Lima, Ricardo Lima e Farelo Lima, “Sem paia e sem fumo”, interpretada pelo próprio Mano Lima.



               Até o próximo Oratório e que a Paz de Cristo permaneça conosco!

Wilmar Machado

segunda-feira, 30 de maio de 2011

ABRINDO A PORTEIRA - MUNDO VELHO DA (IN)JUSTIÇA

É pior cometer uma injustiça do que sofrê-la,
porque quem a comete transforma-se num injusto
e quem a sofre não.
(Sócrates)


Amigas e Amigos,

               Abro a porteira de mais uma semana para, preocupado, indagar se é possível a existência de “corporativismo” (conforme o idicionário Aulete: “Defesa dos interesses de uma categoria profissional em detrimento dos da sociedade como um todo”) no poder judiciário brasileiro? Em sendo afirmativa a resposta, o que esse poder constituído permitiu ser feito com o dinheiro público ao longo de mais de 22 anos pode ser considerado um crime contra o Estado? E se a resposta for negativa, seria passível de punição o mau uso, por ineficiência administrativa, de recursos públicos?





               Além das alternativas acima propostas, ou de quaisquer outras que porventura sejam elencadas, está a preocupante situação propiciada pela lentidão – institucional ou situacional – do percurso processual, conforme se pode encontrar na Folha de São Paulo (http://www.folha.com/), hoje:
O Ministério Público de São Paulo expulsou de seus quadros na sexta-feira um promotor acusado de corrupção, após batalha jurídica que durou mais de 22 anos. Durante o período do processo – o mais antigo contra um membro da instituição – o  réu recebeu salários sem trabalhar. Segundo a legislação, nesse tipo de caso o corte nos vencimentos só pode ocorrer após o fim das ações em última instância. O histórico da causa é um exemplo de como o arsenal de apelações previstas nas leis do país pode retardar o desfecho de ações e permite a apresentação de até dez recursos a um mesmo tribunal. [...] As ações do caso começaram em 1989, quando a Procuradoria acusou o promotor Luiz Aguinaldo de Mattos Vaz de corrupção passiva. Segundo a denúncia, Vaz aproveitou-se do cargo de curador de Massas Falidas (que fiscaliza falências), entre 1983 e 1984, para participar de várias fraudes. Uma das decisões atesta que ele desviou bens "com o fim de obter proveito ilícito", com substituição fraudulenta de bens penhorados e arrematados por outros. O Ministério Público também deu início a ação civil pública para destituir Vaz do cargo de promotor em 1991. Ele foi afastado, mas continuou recebendo. Considerado o atual salário inicial dos promotores, de cerca de R$ 18 mil, é possível estimar que, desde seu afastamento, Vaz já tenha recebido mais de R$ 4,7 milhões.

               Pelas notícias divulgadas nos mais diversos meios de comunicação, a corrupção se apresenta cada vez mais espalhada pelos diversos escalões dos diversos poderes. Fica, portanto, a dúvida sobre a existência de casos semelhantes onerando os cofres públicos com pagamentos de salários bem mais atraentes do que os sonhados pela maioria da população brasileira.

               É importante ressaltar que essa situação apresentada pela Folha é apenas uma das formas de continuidade de “desvio” de dinheiro público para pagamento de salários para quem não presta serviço – se alguma vez, prestou. Existe, ainda, outro “jeitinho” de proteger os magistrados delinqüentes: aposenta-los, com soberbas remunerações pagas pela sociedade.

               O interessante é ver como a vida desses infratores pode ser amparada pela tradicional morosidade legal. Na mesma matéria da Folha, tem-se a linha do tempo permitida pela justiça ao promotor Luiz Aguinaldo de Mattos Vaz:
Em 1996, o TJ o condenou a um ano e seis meses de prisão. Mas a punição não poderia ser executada, pois os delitos já estavam prescritos. O julgamento serviu de base para que, na ação civil, o TJ exonerasse Vaz em 2000. O réu então recorreu ao STJ (Superior Tribunal de Justiça). A apelação entrou na corte em 2002 e só foi concluída no tribunal em 2010. No período, o promotor apresentou dez recursos ao STJ. Sua última derrota foi em 2010. O recurso foi para o STF (Supremo Tribunal Federal). Em março de 2011, o ministro Ricardo Lewandowski declarou que a apelação não atendia aos requisitos jurídicos para ser apreciada pelo STF. Essa decisão tornou-se irrecorrível no dia 25 de abril. Após consultas aos tribunais superiores, o Ministério Público concluiu que o processo chegou ao fim. Na sexta-feira, o procurador-geral assinou a demissão de Vaz, que foi publicada no "Diário Oficial" de São Paulo.

               A música que abre a porteira, hoje, é “O mundo velho não tem jeito”, de Tião Carreiro, Lourival Dos Santos e Rose. De repente, se a Justiça resolvesse dar um jeito na própria Justiça, o “mundo velho” poderia até melhorar um pouco. Enquanto isso, vamos ouvir a música do dia, na interpretação de Tião Carreiro e Pardinho.



               Até a próxima e um grande abraço!

Wilmar Machado.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

GALERIA SERTANEJA - MEIO ÉTICA, MEIO CALABRESA

Pago impostos em dia, cumpro as obrigações de cidadã.
Almoço no restaurante de minha filha e peço nota fiscal.
Não existe essa história de se ser mais ou menos ético. Ou se é ético ou não se é.
(Luiza Trajano)

Amigas e Amigos,

              Nossos ilustres representantes legitimamente eleitos, com a sabedoria costumeiramente constatada, estão prestes a desenvolver a “criatura meio-ética”. Possivelmente, encontraram essa necessidade na constatação da impossibilidade de um indivíduo exercer um mandato público e, além disso, preocupar-se com ética.

              Não me resta qualquer dúvida sobre a intenção norteadora da proposta desenvolvida a partir dessa necessidade: a vontade que os nobres representantes têm de “trabalhar” na defesa dos interesses (se alguém tiver idéia do que sejam esses interesses, poderá compartilhar e enriquecer muito este texto) que lhes permitiram chegar até os cargos que hoje ocupam.

              Toda a percepção acima pode ser mais bem entendida a partir de matéria do portal Terra (www.terra.com.br), de hoje, comentando que:
O plenário da Câmara dos Deputados aprovou, na sessão desta quinta-feira, uma proposta que modifica o Código de Ética da Casa. A principal mudança permite uma gradação da pena aplicada a parlamentares. Agora, em vez de decidir apenas pela absolvição ou cassação do parlamentar, o Conselho poderá aplicar uma pena mais branda, como suspensão temporária de até seis meses, censura escrita ou verbal. A modificação pode beneficiar parlamentares que respondem a processo de cassação no colegiado, como a deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF), investigada, no processo disciplinar, por ter recebido dinheiro de Durval Barbosa, operador e delator do esquema de corrupção conhecido como mensalão do DEM. A deputada e seu marido foram filmados recebendo recursos que, segundo ela, seriam doações não contabilizadas de sua campanha a deputada distrital, em 2006. Outra mudança no Conselho é que os prazos passarão a ser contados em dias úteis, em vez de sessões. O tempo para apresentação da defesa, em caso de suspensão ou perda de mandato, passará de cinco sessões ordinárias para dez dias úteis. Desse modo, o andamento dos processos será menos prejudicado por recessos parlamentares.

              Ontem, esse mesmo portal Terra já apresentara uma notícia que poderia mostrar como esse tal Código de Ética daquela importante casa se mostra “ultrapassado” ao almejar que ilustres deputados submetam suas ações à camisa de força imposta por uma conduta ilibada. Na matéria de ontem, o “conselheiro” instrui seu “protegido” a aparentar bom comportamento com seus pares e (pseudos-) antagonistas, independente da forma utilizada para seu enriquecimento – o que deve ser com o tempo esquecido. É um claro exemplo do que poderá ser considerada uma atitude meio-ética, conforme publicado:
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em conversa reservada na quarta-feira com o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci (PT), avisou o companheiro de partido das insatisfações e ameaças da base governista no Congresso: ou Palocci atendia os parlamentares ou até mesmo aliados poderiam endossar uma CPI contra o ministro no Senado. "Você tome cuidado porque sua situação no Congresso não é boa. Todo mundo está insatisfeito com sua conduta", disse Lula a Palocci, de acordo com senadores que ouviram o relato de Lula sobre o diálogo. Palocci é acusado de aumentar seu patrimônio em 20 vezes nos últimos quatro anos e de fazer tráfico de influência por meio da empresa de consultoria Projeto. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. Na tentativa de evitar a CPI, Palocci passou a telefonar para os senadores e pedir apoio, dizendo ser vítima de uma "campanha de difamação" e se prontificando a marcar conversas privadas com os parlamentares. Lula teria cobrado de Palocci e da presidente Dilma Rousseff mudanças urgentes na articulação política do governo, para atender os aliados na montagem do segundo escalão. Para o ex-presidente, se o governo não agir rápido para conter os dissidentes da base aliada e estancar a crise, a CPI no Senado pode sair. Após ouvir as queixas dos líderes da base aliada, Lula assumiu as rédeas da coordenação política do governo, pedindo um "voto de confiança" em Palocci e argumentando que o alvo da oposição é o governo Dilma.
              A preocupação com a CPI deve ser para dar uma idéia de que a conversa é "muito séria", pois até onde se percebe, final de CPI é sempre em pizzaria (ou será que acabou a calabresa?). 



              Os textos acima misturaram falta de ética no exercício de cargo público, fazendo lembrar uma “oportuna” negociação, em Brasília, com um bezerro como nunca se viu antes na história deste país.  Por conta disso, segue abaixo, a letra da música “Vaca Estrela e Boi Fubá”, do Patativa do Assaré, com uma lírica simplicidade caipira.

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VACA ESTRELA E BOI FUBÁ
Patativa do Assaré

Seu doutô, me dê licença / Pra minha história contá

Hoje eu tô em terra estranha / É bem triste o meu pená
Eu já fui muito feliz / Vivendo no meu lugá
Eu tinha cavalo bão / Gostava de campeá
Todo dia eu aboiava / Na porteira do curral


Êeeeiaaaa / Êeee vaca Estrela / Ôoooo boi Fubá

Eu sô filho do Nordeste / Não nego meu naturá

Mas uma seca medonha / Me tangeu de lá prá cá
Lá eu tinha o meu gadinho / Não é bão nem imaginá
Minha linda vaca Estrela / E o meu belo boi Fubá
Quando era de tardinha / Eu começava aboiá


Êeeeiaaaa / Êeee vaca Estrela / Ôoooo boi Fubá

Aquela seca medonha / Fez tudo se atrapaiá

Não nasceu capim no campo / Para o gado sustentá
O sertão se esturricô / Fez o açude secá
Morreu minha vaca Estrela / Se acabô meu Boi Fubá
Perdi tudo quanto eu tinha / Nunca mais pude aboiá


Êeeeiaaaa / Êeee vaca Estrela / Ôoooo boi Fubá

Hoje nas terra do Sul / Longe do torrão natal

Quando vejo em minha frente / Uma boiada a passá
As águas corre nos óio / Começo logo a chorá
Me lembro a vaca Estrela / Me lembro meu boi Fubá
Com sodade do Nordeste / Dá vontade de aboiá


Êeeeiaaaa / Êeee vaca Estrela / Ôoooo boi Fubá

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              A interpretação da música escolhida hoje é da saudosa dupla Pena Branca & Xavantinho.


              Um grande abraço para todos,

Wilmar Machado

quarta-feira, 25 de maio de 2011

TERTÚLIA NATIVA - ERAM OS DEUSES DESEMBARGADORES?

Sábio é aquele que conhece os limites da própria ignorância.

Amigas e Amigos,

                O escritor suíço Erich von Däniken, em livro de 1968, perguntava se “Eram os Deuses Astronautas?” para tentar justificar a inteligência de antigas civilizações. Supondo uma resposta negativa para a questão proposta pelo escritor, pode-se perguntar se seriam desembargadores?

                O dicionário Aulete diz ser desembargador o “juiz de Tribunal de Justiça ou de Tribunal de Apelação, cuja função é suspender o embargo de alguma coisa”. Conforme o dicionário, embargo é o “instituto jurídico que trata de impedir a conquista de algum direito”.

                Ex positis (Isto posto) – como algum jurisconsulto latinado poderia utilizar com muito mais propriedade do que eu –, comento outra “ex”, que se tornara um embargo na vida de um desembargador em Minas Gerais e que foi de maneira criativa desembargada pelo próprio desembargador, talvez em conluio com alguns parceiros. Matéria do jornal Estado de Minas (www.em.com.br), publicada hoje, diz que:
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) instaurou procedimento disciplinar para apurar a nomeação, pelo desembargador de Minas Elpídio Donizetti – diretor da Associação Nacional dos Magistrados Estaduais (Anamagis) –, de sua ex-mulher, servidora do Tribunal de Justiça, para um cargo de assessora, em troca do pagamento da pensão alimentícia. [...] e acordo com os documentos, o desembargador atirou no próprio pé ao tentar fazer sua defesa. A representação contra o magistrado foi feita pelo Sindicato dos Servidores do Tribunal de Justiça, em razão da prática de nepotismo. Para afastar a acusação, Donizetti informou que não estava mais casado com a servidora, portanto, não havia favorecimento de parentes. Para a comprovação, o CNJ solicitou a documentação referente à separação do casal. A surpresa veio na análise pelo CNJ no termo de acordo de separação homologado pelos dois. Nele, fica claro que o cargo comissionado entrou na barganha, já que Elpídio Donizetti ficaria isento do pagamento de ajuda financeira enquanto a ex-mulher ocupasse o cobiçado cargo de assessor no Judiciário. [...] O desembargador confirmou também que nomeou a ex-mulher para seu gabinete, no fim do ano passado, mas não viu impedimento nisso, já que estavam separadas. “Minha mulher é uma pessoa altamente qualificada e seria nomeada por qualquer desembargador que tivesse uma vaga em razão de seu currículo. Acontece que me dispus a fazê-lo”, diz. Ele explicou ainda que, em outubro do ano passado, a ex-companheira trabalhava para um desembargador que morreu e, portanto, ele viu aí a oportunidade de ter uma funcionária qualificada. “Me surpreendeu essa interpretação do CNJ do meu acordo, mas com a instauração do processo disciplinar vou ter oportunidade de provar que não agi de má-fé. Não tenho vergonha de minha vida”, conclui. [...] Essa não é a primeira vez que o desembargador sai em defesa de parentes no serviço público. Em 2005, quando presidia a Anamagis, Donizetti propôs ação direta de inconstitucionalidade (Adin) junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a Resolução 7 do CNJ, que proíbe o nepotismo (emprego de parentes) no Judiciário.

                Nós, sem alcançarmos a “justiça” dessas divindades desembargatórias, ficamos sem entender porque os “pobres mortais” são obrigados a ajudar esses deuses – com impostos cada vez mais vorazes – a pagar suas pensões. Como estamos diante de uma situação em que a pensão é paga por meio de arrecadação de dinheiro público, daqui a pouco poderemos ser condenados – como contribuintes – pela interrupção do pagamento do salário-pensão da “ex” do “justo” desembargador.



                Como o desembargador de Minas, quem também não tinha vergonha da própria vida era “tio Afonso”, personagem de um causo do livro “Na sombra da Figueira Grande” (Martins Livreiro Editor, 1994), de Luiz Gonzaga Soares do Nascimento, que transcrevo abaixo.

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O PALA
                                                            Luiz Gonzaga Soares do Nascimento

                Em Tupanciretã, ao tempo deste causo, o comerciante mais forte, mais conhecido e, creio, de maior freguesia, era o senhor Orlando Becker. Dele, quase em geral, se sortiam os fazendeiros da região.


                Meu avô, freguês e amigo particular do comerciante, mandava suas carretas de carga com antecedência para efetuar seu sortimento de sal, farinha, açúcar e outros gêneros e miudezas indispensáveis para quem vive na campanha. No dia do carregamento ele chegava em seu carro (espécie de diligência ou cabriolé) ou a cavalo. Ultimava as compras, providenciava a arrumação das mercadorias nas carretas e pagava o comerciante – Essa era a praxe.

                De uma feita, numa dessas jornadas às compras, o tio Afonso pegou carona.

                Enquanto minha avó comprava miudezas e meu avô chimarreava aguardando o momento da partida, o tio Afonso manuseava e admirava, deslumbrado, um vistoso pala de lã.
Como bom vendeiro, o dono da loja aproximou-se do tio Afonso e perguntou-lhe:

                – Gostou do pala, seu Afonso?

                – Sim, muito. – respondeu o velhote.

                – Pois, então, experimente-o e, se lhe servir, leve-o.

                – Não, não posso, estou sem prata!

                – Ora... Ora, o irmão do coronel Aníbal tem carta branca na minha loja! Leve-o e me pague quando quiser, quando puder!

                Sempre sorrindo e olhando para o lojista, o pícaro tio Afonso, por certo já de plano traçado, convenceu-se de imediato.

                – Se é assim... Para pagar quando quiser ou quando puder... Eu levo!

                Muito tempo depois, como várias vezes o tio Afonso já tivesse voltado na loja e nunca fizesse menção sobre a aquisição efetuada a crédito, o comerciante resolveu rememorar-lhe:

                – Seu Afonso... E o pala?

                – Ah!... O pala... Muito bom, excelente, seu Orlando!

                – Não é bem isso, seu Afonso... O que me interessa mesmo, é saber quando é que o senhor vai me pagar?

                Aparentando espanto e surpresa, de olhos muito abertos, o tio Afonso inocentemente indagou:

                – Mas, seu Orlando, eu estou pelo nosso trato... O senhor não me propôs de que eu pagasse quando quisesse ou quando pudesse???

                – Sim, e daí?...

                – Daí que hoje eu queria lhe pagar, mas não tenho dinheiro; portanto, não posso faze-lo. Dias atrás, eu tinha uns trocados, podia pagar-lhe, mas não quis faze-lo. Enfim... Como estamos tratados, vamos ficar pelo nosso trato!

                E dessa forma, o tio Afonso jamais pagou o pala tão gentilmente vendido. Tendo descoberto a capetagem do irmão, meu avô terminou com a estória pagando para o comerciante a mercadoria em questão.

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                Depois das "sem-vergonhices" apresentadas, a música de hoje é a toada de lamento “Justiça Social”, de Téo Azevedo e Valente, na interpretação do próprio Téo Azevedo, violeiro, compositor, cantador e folclorista de Alto Belo, norte de Minas Gerais, próximo ao Vale do Jequitinhonha.



                Enquanto a letra da música retrata a realidade cheia de indecisões, a justiça para o desembargador também poderá ser “duríssima”: ele será absolvido, continuará trabalhando – pois foi entendido que não há do que se envergonhar mesmo – e recebendo seu bem remunerado salário (pago pelos contribuintes) ou ele será condenado, afastado de suas funções, aposentado precocemente e continuará recebendo seu bem remunerado salário (pago pelos contribuintes).

                Até o próximo e um grande abraço!

Wilmar Machado

terça-feira, 24 de maio de 2011

ABRINDO A PORTEIRA - A PROFESSORA E OS "LIVRO"

O Homem que se esforça para atingir o ideal
assemelha-se ao viajante que, ao entardecer, sobe a colina:
lá no cimo, não está mais perto das estrelas, mas vê melhor.

Amigas e Amigos,

                Abro a porteira para mais uma semana, trazendo para este espaço um pouco da repercussão do depoimento da professora Amanda Gurgel (foto abaixo) na Audiência Pública sobre o cenário atual da educação no Rio Grande do Norte. A professora Amanda utilizou cerca de 8 minutos para apresentar o descaso para com a educação no estado onde trabalha. Pela importância percebida através da disseminação do depoimento – e das entrevistas com a professora pós-depoimento, inclusive ontem no Domingão do Faustão, na Rede Globo –, penso que a situação apresentada pela professora não se restringe ao RN, mas faz parte da realidade da educação pública brasileira.



                Para mostrar um pouco da falta de preocupação governamental com educação – já comentei anteriormente que a única preocupação existente é na hora de “trocar” por voto e dura até o anúncio do resultado da eleição – e pensar se não existe inclusive uma espécie de desleixo institucionalizado, recorro a coluna do Augusto Nunes, na revista Veja (http://veja.abril.com.br), de 13.05.2011, conforme o excerto abaixo:




...os autores do livro didático “Por uma vida melhor”, chancelado pelo MEC, decerto se inspiraram na oratória indigente do Exterminador do Plural para a escolha de exemplos que ajudem a ensinar aos alunos do curso fundamental que  o s no fim das palavras é tão dispensável quanto um apêndice supurado. O certo é falar errado, sustenta o papelório inverossímil. A lição que convida ao extermínio da sinuosa consoante é um dos muitos momentos cafajestes dessa abjeta louvação da “norma popular da língua portuguesa”. Não é preciso aplicar a norma culta a concordâncias, aprendem os estudantes, porque “o fato de haver a palavra os (plural) já indica que se trata de mais de um livro”. Assim, continuam os exemplos, merece nota 10 quem achar que “nós pega o peixe”. E só podem espantar-se com um medonho “Os menino pega o peixe” os elitistas incorrigíveis. “Muita gente diz o que se deve e o que não se deve falar e escrever tomando as regras estabelecidas para norma culta como padrão de correção de todas as formas linguísticas”, lamenta um trecho da obra. Por isso, o estudante que fala errado com bastante fluência “corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico”. A isso foram reduzidos pelo Brasil de Lula e Dilma os professores que efetivamente educam: não passam de “preconceituosos linguísticos”. [...] O Brasil vem afundando há oito anos num oceano de estupidez. Mas é a primeira vez que o governo se atreve a usar uma obra supostamente didática para difundi-la.  [...] A Era da Mediocridade já foi longe demais.


                Inúmeros comentários em jornais e blogs na região Nordeste se entusiasmam com a possibilidade de estar surgindo, na figura da professora Amanda, uma “candidata” equilibrada – pelo depoimento não há como discordar – para futuras eleições. Se por um lado, Amanda solucionaria seu problema de salário – R$ 930, conforme o início do seu depoimento –, por outro lado penso que a eleição desse novo ícone de defesa da educação pode ser o fim dessa própria defesa. Guardada as proporções, já vimos partidos pautados pela ética, enquanto oposição, se entregarem a nababesca vida proporcionada pela corrupção institucionalizada, ao se tornarem “poder”.

                Hoje, acredito que a professora não hesitaria em condenar o folhetinesco livro, objeto da chancela do MEC, para educação de jovens e adultos. E não gostaria de fazer qualquer previsão sobre seu posicionamento se convidada para integrar a equipe ministerial responsável – ou não – pela educação. Prefiro acreditar que, um dia não muito longe, a máquina inoperante instituída dará lugar a pessoas capacitadas para um Brasil melhor – não apenas em discursos ufanistas (sem qualquer relação com patriotismo) e ultrapassados – para todos os brasileiros.

                A música para buscarmos algum entendimento desses acontecimentos no decorrer deste mês é de Almir Sater e Paulo Simões, interpretada por Almir Sater, e tem por título “Mês de maio”.



                Por hoje, fico por aqui e deixo um grande abraço para todos!

Wilmar Machado