sábado, 21 de janeiro de 2012

FOGÃO DE LENHA - DOCE ALFAJOR E AMARGO EMBRÓGLIO




Nunca o olho do ávido dirá,
assim como não o dizem jamais o mar e o inferno: a mim basta.
(Mateo Alemán)




Amigas e Amigos,


         Neste primeiro Fogão de Lenha de 2012, após um período de férias em Buenos Aires, trago uma receita que faz muito sucesso por lá e que percebi, frequentando as confeitarias da capital argentina, um sabor e uma leveza muito além do que nos acostumamos a apreciar em produtos industrializados (também saborosos para apreciadores como eu). Falo dos alfajores, uma delícia que não foi criada naquele país irmão - nem no Uruguai - mas que recebeu nesses países um toque tão especial que me sugere chamá-lo de aperfeiçoamento.

         Antes de nossa doce receita de hoje, um comentário sobre uma notícia menos doce. Segundo a Folha de São Paulo (http://www.folha.uol.com.br) desta sexta-feira, o Tribunal de Justiça de São Paulo está investigando pagamentos de R$ 600 mil a juízes daquele estado. Diz a matéria que:
Dois desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo que ocuparam a Comissão de Orçamento e Finanças da corte são alvo de investigação pelo suposto recebimento privilegiado de cerca R$ 600 mil de verbas atrasadas, cada um, dos cofres do TJ, entre 2006 e 2010. Os magistrados Fábio Gouvêa e Tarcísio Ferreira Vianna Cotrim participaram da comissão na gestão do ex-presidente do tribunal, Roberto Bellocchi (2008-2009), que também foi beneficiário de um pagamento sob apuração pelo tribunal paulista, no valor de R$ 1,5 milhão. No mesmo período, o terceiro membro da comissão foi o desembargador do TJ e atual presidente do TRE (Tribunal Regional Eleitoral), Alceu Penteado Navarro. O pagamento feito a Navarro no valor de cerca de R$ 400 mil também está sendo investigado por suposta violação aos princípios da isonomia e da impessoalidade, como revelado pelaFolha ontem. Os desembolsos milionários feitos aos quatro desembargadores e ao ex-presidente do TJ Antonio Carlos Viana Santos, morto em janeiro de 2011, formam o quadro dos cinco casos mais graves em apuração, sob a ótica da direção da corte. A Folha procurou os desembargadores Gouvêa e Cotrim por meio da assessoria de imprensa do TJ, mas eles não responderam até a conclusão desta edição. Bellocchi disse que os pagamentos corresponderam a créditos a que ele tinha direito. O advogado dos herdeiros de Santos, João Costa, disse que a família não foi notificada sobre as apurações. Outros 24 desembargadores que tiveram recebimentos fora do padrão do tribunal também estão sendo convocados a prestar explicações, porém essas situações têm indícios mais fracos de irregularidades, segundo a nova gestão da corte. As quitações feitas a esse grupo não superam R$ 400 mil para cada um. Segundo o presidente do TJ, Ivan Sartori, os desembolsos sob investigação referem-se a verbas devidas aos magistrados, a título de auxílio-moradia, indenizações por férias ou licenças não gozadas. Em regra, os pagamentos de atrasados ocorrem em várias parcelas de pequeno valor, o que não teria ocorrido nos casos investigados. Magistrados ouvidos pela reportagem afirmam que, mesmo em casos de necessidade médica, os desembargadores recorrem a familiares, amigos ou até empréstimos bancários para não "furar a fila" do tribunal.

         Se confirmadas as irregularidades, os desembargadores poderão ser devidamente "punidos" (como sempre acontece nestes casos), sendo afastados de suas funções atuais, com precoces e abundantes aposentadorias. E, envergonhados, somente lhes restará como consolo usufruir da verba desviada, pois - conforme já observado em situações semelhantes - pouco, ou quase nada, retornará aos cofres públicos.

         Esses "pequenos" desvios de verba, e de caracter, permitem entender porque tantos nos diversos níveis do judiciário nacional tentam desclassificar o trabalho realizado por parte do Conselho Nacional de Justiça - liderado pela corregedora Eliana Calmon - no combate a corrupção (aparentemente instalada) no próprio Judiciário, que ainda não entende - talvez pela soberba de seus principais líderes - quem é o seu verdadeiro patrão e pagador de seus salários: o povo brasileiro, com o recolhimento de altíssimos impostos.

         Para adoçar nosso fim-de-semana, vamos falar um pouco da receita de hoje. Conforme a enciclopédia livre Wikipédia (http://pt.wikipedia.org), acredita-se que o alfajor, tradicional doce da Espanha, Argentina, Chile, Peru, Uruguai e de outros países ibero-americanos, tenha sido criado no Equador (mas não existem fontes que confirme essa criação). Essa enciclopédia informa que o alfajor é muito popular na Argentina, onde é tratado como um ícone do país, que consome seis milhões deles todos os dias, e o define como um composto por camadas de massa "que após assadas devem ser levemente crocantes e macias, quase esfarelando, mas firmes e com recheio de doce de leite".





         Coloco abaixo a receita, com tradução livre, para que vocês experimentem.

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ALFAJOR

Ingredientes:

100 g. manteiga
3/4 de xícara de açúcar
1 ovo
1 gema 
2 colheres de chá de baunilha
1 xícara de farinha de trigo
1 colher de chá de fermento em pó
1 xícara de maisena
350 g. de doce de leite
50 g. de coco ralado

Modo de fazer:

Coloque a manteiga (a temperatura ambiente) em uma tigela.
Acrescente o açúcar e misture bem.
Adicione o ovo, a gema e a baunilha.
Misture bem, para integrar os ingredientes.
Aos poucos, incorpore a farinha, o fermento e o amido. 
A massa deve ficar macia e sem grudar nos dedos.
Se necessário, adicione um pouco mais de farinha.
Deixe a massa descansar na geladeira por cerca de 5h. em um saco plástico (pode-se deixar de um dia para o outro).
Quando retirar a massa da geladeira, remova o saco plástico.
Deixe a massa descansando para retomar à temperatura ambiente.
Com um rolo, abra a massa (espessura de  1 cm).
Com auxílio de um molde redondo, corte toda a massa em pequenos círculos.
Pré-aqueça o forno em temperatura médio-alta por alguns minutos.
Coloque os círculos de massa em uma placa sem untar, deixando um espaço entre eles para que eles não se unam.
Asse por aproximadamente 10 minutos. 
Com auxílio de uma espátula, levante um dos círculos de massa e verifique se está tomando cor.
Eles não devem dourar demais.
Após retirar do forno, esperar que esfriem.
Cubra, generosamente, um círculo com doce de leite e coloque outro por cima.
Emparelhe o doce de leite nas bordas com auxílio de uma faca.
Coloque o coco ralado em um prato e faça os alfajores “rolarem” (como na figura abaixo), para o coco se fixar nas bordas.



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         O seu melho alfajor, o que lhe agradará mais, provavelmente não será o obtido na primeira execução da receita. Após algumas tentativas, você irá descobrir qual o tempo ideal de descanso na geladeira, o melhor tempo para assar em seu forno, a proporção perfeita entre maisena e farinha de trigo, a possibilidade de mais gemas ou até mesmo de mais ovos. Mas garanto que vale a pena começar.

         Para acompanhar a receita de alfajor, a intérprete gaúcha Shana Müller canta de Érlon Péricles a música "Ao sopro da Chacarera".



         Até o nosso próximo encontro e um grande abraço!
 


terça-feira, 17 de janeiro de 2012

ABRINDO A PORTEIRA - NEM TÃO BOAS, NEM TÃO NOVAS



Procura, diante dos acontecimentos ter as tuas reações, não as dos outros.
(Agostinho da Silva)


Amigas e Amigos,

Após mais de vinte dias passeando por terras portenhas (saboreando assados de variados tipos de cortes de carne), me dediquei hoje a um antigo hábito que gosto de cultivar. Li um jornal impresso – após muitos dias de atualização somente pelos portais dos nossos periódicos – e constatei que o período não é mesmo de grandes mudanças. 


          Na capa do Correio Braziliense encontro, como principal manchete, o destaque “O mundo em crise e o Brasil de Férias”, informando que o país voltou a crescer além do projetado pelo mercado e salientando o atestado da ONU de que os gastos dos brasileiros viajantes contribuíram para a salvação do turismo no mundo.

          No Correio, na coluna “Nas entrelinhas”, pode-se perceber que a guerra de vaidades entre PT e PMDB está começando, de olho nas próximas eleições, e a disputa pelo maior número de prefeituras (o cargo de vice-prefeito – aquele que como todo vice em nosso governo ganha para ficar parado – também entra nesse embate) tende a ditar novos procedimentos para os próximos passos governamentais. Já há quem diga que a propalada reforma ministerial será um “arranjinho” pontual e com o pensamento voltado para os próximos palanques a serem visitados.

          Sobre a Justiça, o Correio trouxe uma matéria sobre “O julgamento, 13 anos depois do assassinato” da deputada federal Ceci Cunha. São 13 anos de recursos protelatórios (o nome que a justiça arrumou para embromação) e só está acontecendo porque o Conselho Nacional de Justiça mandou apressar o julgamento. Como toda tramóia envolvendo políticos em nosso país, esse julgamento também está transformado em grande confusão, onde testemunhas e acusados trocam versões (e caem em contradições) periodicamente.

          Na “queda de braço” entre o ministro Guido Mantega e o secretário executivo de sua pasta, Nelson Barbosa, parece que a vantagem está com Barbosa, pois quando o ministro disse que a crise européia era uma “marolinha”, o secretário falou que o problema era mais grave e que poderia afetar a economia brasileira. Mas, nesse caso, a “luta” continua...

          Enquanto o combate ao crack segue a passos lentos, após dois meses do lançamento do programa federal, o BBB vira caso de polícia com um suposto estupro que, até prova em contrário, desde o primeiro programa do gênero – em todas as emissoras que se dispõem a apresentar esse tipo de “atração” – vem sendo estimulado pelos responsáveis pelos programas, com excesso de bebidas, festas sensuais, alcovas estimulantes e sei lá o que mais. Mas nada que não seja resolvido com um bom acordo entre todos os envolvidos, pois os participantes se preparam para este tipo de orgia, a emissora terá bons argumentos para convencer polícia e quem mais vier sobre suas “boas intenções”, lembrando que as eleições já estão aí e...

          A nota tragicômica fica por conta da página 5 do jornal, onde se encontra que a ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, está frequentando aulas noturnas no Detran-DF para recuperar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), vencida e com multas por estacionar em local proibido. Lembra a nota que o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, também fez aulas no Detran-DF para recuperar a sua CNH, suspensa por uso de celular enquanto dirigia. São apenas dois “grandes exemplos” de como nossos ministros se preocupam com nossas leis – e até com nossa segurança. Ainda bem que os ministros não precisam enfrentar o “stress” de uma reforma ministerial, já que, no máximo, haverá uma marolinha na Esplanada.

          Leitores deste blog, como estive fora de nosso pais por alguns dias, inicio está semana com Marcello Caminha, um dos maiores violonistas do Rio Grande do Sul, interpretando de sua autoria “Alguém distante”.

 

          Um grande abraço e boa semana para todos!


sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

ORATÓRIO CAMPEIRO - APÓS A EPIFANIA, MAIS IMPOSTOS



O imposto é a arte de pelar o ganso fazendo-o gritar o menos possível
e obtendo a maior quantidade de penas.
(John Garland Pollar)


Amigas e Amigos,
         
Domingo passado marcou a celebração da Epifania do Senhor, dando início a um novo tempo litúrgico na Igreja – estamos na primeira semana do Tempo Comum.  A Epifania do Senhor é a manifestação de Jesus como Messias de Israel, o Filho de Deus e o Salvador do mundo. Essa solenidade da Epifania nos traz a certeza de que a divindade de Deus está sempre presente em meio a nossa vida. É uma festa associada à presença dos Reis Magos logo após o nascimento de Cristo, como mostrando lideranças mundiais buscando um novo mundo a partir da chegada do Salvador.



Aproveito esse Oratório, ainda, para trazer mais uma grande intervenção do governo a fim de melhorar as condições de vida da população brasileira. Li, aqui na capital da Argentina, no portal do Estadão (http://www.estadao.com.br) que:
Os municípios poderão cobrar pedágio para diminuir o trânsito de automóveis, segundo a Lei de Mobilidade Urbana, sancionada na última semana pela presidente Dilma Rousseff. Um dos principais objetivos é estimular o transporte coletivo e reduzir a emissão de poluentes. A nova lei autoriza a cobrança de tributos pelo uso da infraestrutura urbana, "visando a desestimular o uso de determinados modos e serviços de mobilidade". A receita gerada pelo pedágio ou outra forma de tributação deve ser destinada ao transporte coletivo, como a concessão de subsídio público à tarifa. O uso de bicicletas também precisa ser estimulado, segundo o texto. As novas regras de incentivo ao transporte coletivo podem não entrar em vigor antes da Copa do Mundo de 2014, porque os municípios têm prazo até 2015 para se adequarem a elas. As 1.663 cidades brasileiras com mais de 20 mil habitantes terão de elaborar planos de mobilidade urbana. E as cidades que não cumprirem o prazo de três anos para os planos podem ser punidas com a suspensão dos repasses de recursos federais ao setor. Desafio. Hoje, apenas municípios com mais de 500 mil habitantes eram obrigados a ter planos de mobilidade e nem todas as 38 cidades com esse perfil têm políticas para o setor. Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) alerta que "fazer a lei pegar" é um dos principais desafios da Lei de Mobilidade Urbana. Atualmente, os municípios já são autorizados a subsidiar os transportes coletivos, mas o subsídio só vale na Região Metropolitana de São Paulo e nos metrôs, segundo o Ipea. O estudo considera a lei um avanço, depois de 17 anos de debate no Congresso. Já o presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Paulo Ziulkoski, apontou contradições nas políticas públicas. "Ao mesmo tempo em que o governo estimula a compra de automóveis para ajudar a indústria automotiva a enfrentar a crise internacional, a nova lei autoriza a cobrança de tributos para limitar sua circulação nas cidades", afirmou. O presidente da confederação prevê que poderá ser criada uma guerra fiscal entre os municípios, com estímulo aos motoristas para que licenciem seus automóveis em cidades que tributem a circulação de carros em suas ruas. "Poderemos até questionar a constitucionalidade, porque sobre a propriedade de veículos já incide a cobrança do Imposto de Circulação de Veículos Automotores (IPVA) e poderia ser caracterizada uma dupla tributação." A lei também determina que os municípios fixem a tarifa máxima cobrada pelos táxis. A medida estimularia a competição por meio de descontos.
          Espero estar muito enganado, mas me ficou a impressão de que a presidente, ao sancionar a Lei da Mobilidade Urbana, “viajou” mais do que a soma de todas as horas de vôo do seu antecessor.

          Conforme a matéria, a receita gerada pelo pedágio (ou equivalente) será aplicada em subsídios para as tarifas de transporte coletivos, o que dá idéia de que as empresas prestadoras desse serviço serão as grandes beneficiadas para continuarem oferecendo os péssimos (em alguns casos, os quase péssimos) meios de locomoção aos seus usuários. Fico imaginando Brasília, onde estão instalados os poderes, com seu sofrível serviço de locomoção – além de muito ruim, muito caro – com pedágios. O grande benefício da nova lei será para com a arrecadação pública, pois é praticamente impossível não utilizar condução própria na capital federal. Dá para imaginar, também, que – como amigos do poder constituído – os donos das empresas prestadoras desse (des)serviço também tentarão ser beneficiados (pouco provável é que não o sejam).

          Pela notícia, parece que pagaremos IPVA (imposto para circulação de veículos) para “termos o direito” de deixar nossos carros parados. Se for necessário qualquer deslocamento, somente com “mais impostos”. Afinal, uma máquina (enferrujada) pública que não para de crescer (para acomodar os “amigos”) – sem qualquer utilidade para o povo – necessita que se inventem, constantemente, formas de “arrecadar” dinheiro fácil dos que trabalham para distribuir, fartamente, aos que ocupam cargos como figurantes.

Enquanto pensamos um pouco se não estaria passando da hora de buscarmos um país mais justo, trouxe, como sugestão para esta semana que iniciou com a Festa da Epifania do Senhor, uma oração para este tempo, lembrando a presença dos reis magos nos primeiros momentos da vida de Cristo.         

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ORAÇÃO

Concedei-nos, Senhor,
a fé dos magos:
- Daí-nos que sejamos atentos a vossos apelos
no dia a dia de nossas vidas...
- Ensinai-nos a buscar a luz nas Escrituras,
na vossa Palavra...

- Daí-nos descobrir-vos não mais na fragilidade de uma criança
mas sob o sinal de um  pouco de pão...

Sim, vós nos atraís para o mistério da Eucaristia
e esperai-nos, como atraístes e esperastes os magos.

Concedei-nos buscar-vos e encontrar-vos como eles,
e, como eles também, possamos oferecer-vos:
o incenso de nossa prece,
o ouro de nosso amor
e a mirra de nossa vida unida à vossa

para a salvação do mundo.

Amém.

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          Na conclusão deste primeiro Oratório Campeiro do Tempo Comum, escolhi a música “Folia de Reis”, interpretada pelo sambista Martinho José Ferreira, o Martinho da Vila, que não nasceu na Vila Izabel, mas em Duas Barras-RJ, em um sábado de Carnaval.

  

          Um grande abraço e que a Paz de Cristo permaneça conosco ao longo de 2012!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

PROSA DE DOMINGO - A SAGA MINISTERIAL, NOVELA SEM FIM...



Os mentirosos são sempre pródigos em juras.
(Pierre Corneille)



Amigas e Amigos,

Aparentemente, 2012 está muito igual a 2011 lá pelas bandas do planalto central do Brasil. Aqui da capital portenha – após passear pelo Caminito, ao som de tangos e milongas, jantar na Recoleta e participar da missa na Iglesia Nuestra Señora da La Consolación – a única diferença percebida em relação aos ministérios brasileiros é a data, pois o novo ano traz denúncia contra o ministro Fernando Bezerra Coelho sobre privilégios concedidos ao seu estado natal – Pernambuco – na distribuição de verbas das chuvas. Parece que Pernambuco recebeu mais verbas para enchentes do que o Rio de Janeiro, que tanto sofreu com esse tipo de calamidade em 2011.

Além disso, o ministro foi acusado de favorecer seu filho, que é deputado federal, e de atuar para manter o seu irmão como presidente da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba). Sábado, no portal G1 (http://g1.globo.com), podia se encontrar que:
Na terça (10), há possibilidade de o ministro comparecer ao Congresso. O PPS pediu ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), a convocação da Comissão Representativa do Congresso Nacional para discutir as denúncias relacionadas ao Ministério da Integração Nacional. A comissão é composta por oito senadores e 17 deputados e pode ser convocada durante os períodos de recesso parlamentar. Bezerra se colocou à disposição para comparecer ao Congresso e dar explicações. "Eu estarei à disposição para visitar a comissão no Congresso na terça-feira, às 10h, para poder responder às dúvidas ou indagações do requerimento e outras tantas dúvidas que, porventura, os parlamentares possam ter em relação à política de aplicação de recursos do Ministério da Integração no que toca à defesa civil", afirmou o ministro nesta sexta. Bezerra nega ter privilegiado Pernambuco, seu estado natal, na distribuição das verbas para prevenção a desastres naturais. Em nota, o ministério contestou reportagem publicada na quinta pelo jornal "O Globo", que informa que, no Orçamento de 2012, Pernambuco foi o estado com a maior previsão de verbas da Integração no Programa de Gestão de Riscos e Resposta a Desastres. Segundo a publicação, o estado receberia R$ 81,4 milhões, cerca de 11,6% do total do programa sob gestão da pasta. A Integração afirmou que a maior parte dos recursos foi incluída por parlamentares através de emendas durante a tramitação da lei orçamentária. Inicialmente, informa, a previsão enviada pelo Executivo era de R$ 67,6 milhões, complementados com R$ 634 milhões de emendas parlamentares. Em entrevista nesta sexta à Agência Brasil, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, defendeu o ministro da Integração. Ela disse que não houve irregularidades na utilização de créditos extraordinários para investimentos na construção de barragens em Pernambuco. Segundo a ministra, em 2010, o governo pediu um estudo sobre obras para se evitar a repetição das tragédias das chuvs que, naquele ano, atingiram Pernambuco e Alagoas. “Quando a solução foi identificada, não tínhamos dotação específica para 2011. Por isso, o ministro da Integração usou a dotação de crédito extraordinário. Não há nenhuma irregularidade nisso. É dinheiro de defesa civil utilizado em uma obra de defesa civil”, afirmou a ministra à agência. O jornal "Folha de S.Paulo" afirmou na edição deste sábado (7) que o filho do ministro, deputado Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), foi o único parlamentar que conseguiu obter o empenho (compromisso de pagamento) de todas as emendas que apresentou para obras do ministério. De acordo com o jornal, o ministério respondeu em nota que o ministro não beneficiou o filho. Segundo a nota, o deputado conseguiu a liberação de cerca de 80% dos pedidos em anos anteriores, quando o pai não era ministro. Segundo "O Estado de S. Paulo", o ministro agiu para manter durante um ano o irmão, Clementino Coelho, na presidência da Codevasf. Coelho assumiu após a exoneração do antecessor, Orlando Cézar da Costa Castro. Pelo estatuto da Codevasf e por orientação da Controladoria-Geral da União (CGU), na ausência do presidente, o diretor mais antigo - no caso, Coelho - assume a presidência até a nomeação do novo titular do cargo. Nesta sexta, a Casa Civil da Presidência da República divulgou nota informando que, "há cerca de 50 dias", Fernando Bezerra fez o pedido para que Guilherme Almeida, que também é diretor da empresa, seja nomeado novo presidente da Codevasf. "Em que pese Almeida já ocupar o cargo de diretor da estatal, a assunção à presidência do órgão exige novas consultas, conforme determina a legislação. Cabe, porém, destacar que, tendo sido concluídas as consultas, Guilherme Almeida será nomeado nos próximos dias", informou a nota da Casa Civil.

          Salvo engano, 2011 terminou com ministros sendo denunciados, negando falcatruas, sendo defendidos por alguma fonte oficial, e caindo fora antes que seus malfeitos (apelido oficial – apreciado pela presidente e seu séquito – para prevaricação) fossem efetivamente esmiuçados, pois acredito que a inhaca tenderia ao insuportável.



Como políticos têm certeza que nós temos curta memória, saem do “palco” temporariamente, já preparando um breve retorno como tantas “figurinhas carimbadas” que achincalham nossa política. Não será de estranhar que mais um ministro caia antes da protelada reforma (ou limpeza) ministerial. Acho melhor reforma, por que pelas últimas substituições fica difícil imaginar limpeza.

Para que possamos ter uma boa semana, separei uma belíssima moda do amigo Chico Lobo, interpretada por ele mesmo, que tem por título “Beira de Mato”, do CD “No braço desta viola”. E assim a gente esquece um pouco destes políticos que só lembram da gente quando precisam de nossos votos para se elegerem.  


          Um grande abraço e uma semana maravilhosa para nós!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

GALERIA SERTANEJA - OS PESOS DA JUSTIÇA



Anima-te por teres de suportar as injustiças;
a verdadeira desgraça consiste em cometê-las.
(Pitágoras)



Amigas e Amigos,

Nesta primeira Galeria Sertaneja de 2012, antes da apresentação da música escolhida para hoje, estou pedindo ajuda para entender as diferenças – se existirem – entre as situações mostradas a seguir.

Inicialmente, mostro abaixo uma matéria do portal G1, de hoje, (http://g1.globo.com), onde um jovem foi preso por atropelar, e matar, um argentino em Santa Catarina. Diz a matéria que:

Um estudante de 19 anos foi preso em Canasvieiras, Santa Catarina, por homicídio doloso (com intenção de matar) e omissão de socorro de um argentino de 54 anos. Segundo a Polícia Civil, o crime ocorreu na noite de terça-feira (3), quando a vítima trafegava pela ciclofaixa da praia com uma bicicleta e foi atingido por um Peugeot 206 preto conduzido pelo jovem. Algumas testemunhas tentaram socorrer o argentino e outras pessoas tentaram parar o motorista, que tentou fugir após o carro apresentar problemas técnicos. O argentino chegou a ser socorrido, mas morreu. Pedestres relataram à polícia que o motorista apresentava estar “visivelmente embriagado”. Policiais dizem que ele se recusou a fazer o teste do bafômetro. Dentro do Peugeot foram apreendidos uma garrafa de vodca e bebidas energéticas. O argentino morava em Canasvieiras e estava com visto de permanência no Brasil vencido. Segundo a Polícia Civil, nenhum familiar dele foi encontrado e consulado argentino no estado foi avisado do caso.
Em seguida, mostro a notícia que li no jornal “Litoral Norte” (http://litoralnortenoticias.com.br), do Rio Grande do Sul, do último dia 3, falando de um acidente semelhante ocorrido na estrada do mar, onde os responsáveis por duas mortes estão em liberdade:
Após terem a liberdade provisória concedida pela Justiça, a modelo Tatieli da Silva Costa e o suplente de vereador Paulo Afonso da Rosa Correa Júnior, responsabilizados pelo acidente que provocou duas mortes na Estrada do Mar, foram transferidos na madrugada desta terça-feira do Hospital Santa Luzia, em Capão da Canoa, para o Hospital São Vicente de Paula, em Osório, no Litoral Norte. A dupla deixou a instituição de saúde sob forte escolta policial. Um grupo de cerca de 15 pessoas protestou na noite de segunda-feira contra a decisão judicial que concedeu liberdade provisória aos dois. De acordo com o juiz Ademar Nozari, da Comarca de Capão da Canoa, que concedeu a soltura dos acusados, a decisão é baseada na regra geral de que a pessoa deve responder o processo em liberdade e só ser presa se condenada. “A prisão antecipada é exceção para casos em que haja necessidade de garantias da ordem pública, representar risco para a instrução criminal ou para aplicação da lei penal. São essas as hipóteses restritas que fazem com que a pessoa permaneça presa”. Entretanto, o juiz determinou medida cautelar, recolhendo os passaportes dos acusados. A modelo Tatieli Costa, que reside em Portugal, terá que permanecer no Brasil até o julgamento do processo judicial. Os acusados terão que comparecer a todos os atos da ação, que deverá começar após a conclusão do inquérito policial e da denúncia do Ministério Público. Uma das vítimas da colisão, Carine Bueno, passou por cirurgia e segue internada em estado grave no hospital de Capão da Canoa. Ela era passageira do Prisma conduzido por Alaíde da Silva Linck, de 28 anos, que morreu no acidente. O carro dela, após ser atingido pelo Vectra dirigido pela modelo sem habilitação capotou e caiu sobre um táxi, matando o motorista, Ivo Ferrazo, de 63 anos. Parentes e amigos de Carine planejam via redes sociais um protesto para o sábado, em frente ao restaurante do pai do dono do veículo.
A minha primeira dúvida é sobre a diferença de condição dos acusados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Em SC o jovem, por estar embriagado e matar uma pessoa, está preso e no RS, os dois responsáveis pela morte de dois trabalhadores, quando também estavam embriagados e a motorista não tinha habilitação, estão em liberdade.



          A minha segunda dúvida é em relação a aplicação da regra geral pelo juiz de Capão da Canoa para liberar os responsáveis e se prende ao fato de serem pessoas ligadas a alta sociedade e a política da região. Será que sendo os responsáveis somente pessoas do povo – sem projeção social ou política – o juiz teria “lembrado” da aludida “regra geral”?

          Pelas situações semelhantes e pelos tratamentos diferentes, fica a impressão de que uma antiga máxima de domínio popular está mais viva do que nunca. Falo daquela citação, que ouço há muito, que afirma “de cabeça de juiz e de bumbum de neném se pode esperar qualquer coisa”.

          Como hoje é dia de nossa Galeria, trouxe a música “Chuvas de Verão”, de João de Almeida Neto, cuja letra está publicada abaixo.

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CHUVAS DE VERÃO
                  
João de Almeida Neto

Quando estas nuvens se esparramam sobre o pampa
E em gotas claras se derramam pelo chão
Apagam o pó dos pátios pobres da campanha
E apaga as brasas dessas tardes de verão.

Parece até que cada gota desta chuva
Vem como lágrima do céu para regar
O peito triste dos que choram como as nuvens,
Sem ver a flor do coração desabrochar.

Por isso gosto dessas chuvas veraneiras,
Que vêm e chovem e se somem sem alarde
Para levar a outros campos e outras vidas
A paz molhada que espalharam pela tarde.

E como chegam, vão-se as tardes, vão-se as chuvas
e vão-se os dias, vai-se o tempo e a ilusão
e vamos nós, em cada sonho que se apaga,
como se a vida fosse chuva de verão.


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          Para acompanhar Galeria de hoje, segue a interpretação do próprio autor, João de Almeida Neto.

 


          Um grande abraço e que 2012 seja pleno de justiça e felicidade para todos!



quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

ORATÓRIO CAMPEIRO - SOLIDARIEDADE E PERPLEXIDADE


Quem não se sentir ofendido com a ofensa feita a outros homens,
 quem não sentir na face a queimadura da bofetada dada noutra face, seja qual for a sua cor,
não é digno de ser homem.
(José Julián Martí Pérez)



Amigas e Amigos,
         
          Na semana em que a celebramos a Festa do Santíssimo Nome de Jesus, festejamos nesta terça-feira Santa Genoveva, uma francesa que, como Santa Joana D’Arc, fez da atividade política e social uma obrigação tão importante como o jejum e a oração.



          Antes de continuar nosso bate-papo sobre Santa Genoveva neste Oratório Campeiro, quero registrar que li – aqui na capital portenha onde passo minhas férias – uma matéria no portal G1 (http://g1.globo.com) sobre o escalpamento de duas crianças – de 10 e 13 anos – em acidentes com motor de barco no Pará, no dia 30 de dezembro. Segundo a notícia, as crianças estão em estado grave na Santa Casa de Belém, referência para esse tipo de caso.

          Saber que existe um lugar tido com referência para esse tipo de caso (conforme a notícia) é algo que me deixa perplexo, pois reconhecer uma referência para essa situação é admitir que existam um número significativo de casos semelhantes. Diz, ainda, a matéria que:
Os acidentes costumam ocorrer quando as vítimas têm o cabelo arrancado pelo movimento do eixo que liga o motor até a hélice dos barcos, que fica exposto aos passageiros de maneira irregular. A menina de 10 anos sofreu perda total do couro cabeludo, teve exposição óssea, a orelha esquerda rasgada e fratura no úmero. A vítima sofreu o acidente quando viajava com a mãe da região onde mora até o centro de Portel (PA), trajeto que demora quatro horas para ser percorrido de barco. "No momento, ela está em estado grave, porém estável. A criança está com infecção e faz hemoterapia em virtude de quadro anêmico. A lesão sofrida por ela chegou até a cervical", disse Socorro Ruivo, coordenadora do Programa de Assistência Integral às Vítimas de Escalpelamento (Paives), da Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará. A criança de 13 anos foi ferida quando era levada do ponto onde mora, em Oeiras (PA), até o centro da cidade, que fica na região do Arquipélago de Marajó. Ela perdeu parte do couro cabeludo, com exposição parcial do crânio. "Nos dois casos, as pacientes estão recebendo acompanhamento médico até que possam passar por cirurgia reparadora e ortopédica", disse Socorro.  Para evitar casos de vítimas escalpeladas em embarcações na região amazônica, a Defensoria Pública Geral da União (DPGU) tem um programa, desde abril de 2005, para tentar erradicar os casos de acidentes deste tipo. Segundo dados do governo do Pará, foram registrados 250 casos de vítimas escalpeladas, no período de 1982 a 2011. A maioria aconteceu na região do Arquipélago de Marajó, na Região Metropolitana de Belém, nas regiões Nordeste e do Baixo Tocantins. A DPGU trabalha com o Projeto de Prevenção e Erradicação do Escalpelamento, que é feito em parceria com as secretarias de Saúde dos estados do Pará, Amapá, Rondônia e Amazonas, com o Ministério da Justiça e com a Marinha. De acordo com a defensora pública federal Luciene Strada, a DPGU tem 241 processos de assistência jurídicas para vítimas escalpeladas. Destes, 145 casos são no Pará, 94 no Amapá, um no Amazonas e um em Rondônia. A defensoria atua em duas linhas de ação. A primeira, reparadora, orienta as vítimas e seus familiares sobre os direitos que têm após o acidente, abre processos de assistência jurídica e viabiliza o recebimento de indenização. "O objetivo é atuar de maneira que sejam garantidos todos os direitos de cidadão até a reinserção das vítimas ao mercado de trabalho e todo acompanhamento médico, desde os primeiros cuidados até os últimos reparos de cirurgia plástica, em cooperação com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, e atendimento psicológico", disse Luciene. A segunda, preventiva, atua com campanhas de esclarecimento com donos de embarcações e passageiros. Um dos focos é o aumento da segurança dos barcos. "Não tenho registro de donos de barcos reincidentes. O acidente com vítimas escalpeladas e tão feio que o barqueiro que passou por uma situação dessa dificilmente vai querer passar por isso de novo", afirmou a defensora pública federal.

          Por mais que se possa alegar diferenças culturais – ou quaisquer outras bobagens para explicar tais situações – não consigo aceitar que acidentes dessa magnitude possam ocorrer sem que se busque – efetivamente – erradicá-los.

          O programa da Defensoria Pública Geral da União, que se arrasta – conforme a material – desde de 2005 para erradicar “casos de acidentes deste tipo”, pode ser classificado como inóquo diante da realidade apresentada na reportage do G1. E aparentemente é assim que ele também é visto pela própria DPGU, pois atua em duas linhas de ação, onde orienta as vítimas (após sofrerem o acidente) e esclarece os envolvidos para que não haja reincidência (quando alguém já sofreu um acidente deste tipo). Parece brincadeira com o sofrimento alheio.

          Volto, então, a falar de Santa Genoveva, para relembrar principalmente um dos episódios mais marcantes de sua vida. Esse episódio diz respeito a sua atuação na história da França como protetora dos moradores do campo à uma cidade que vivia na penúria. Graças a essa intervenção, milhares de franceses foram salvos da morte e, por isso, Santa Genoveva é invocada sempre que a capital francesa passa por calamidades e é a Padroeira de Paris.

          Como sugestão, vamos pedir, pela intercessão de Santa Genoveva, que Deus ajude nossos governantes a deixarem de “estar fazendo” e a “fazerem” o que os nossos irmãos mais necessitados tanto precisam, para que, assim, eles possam ser vistos como pessoas e não apenas como um voto para as próximas eleições.         

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ORAÇÃO A SANTA GENOVEVA
                  
Deus, nosso Pai,
Por intercessão de Santa Genoveva,
Afastai de nós a peste, a fome, as guerras.
Saibamos defender nossa dignidade
De cidadãos livres e de filhos de Deus,
Que nos chamou a viver na paz e na justiça,
Deixando de lado interesses mesquinhos e individualistas.

Dai-nos, Senhor,
A coragem e a abnegação de Santa Genoveva
Que soube praticar o Evangelho, servindo aos irmãos,
E que obteve na oração
Forças para debelar o perigo da opressão e o desespero da fome.
Jamais nos falte a vossa proteção
E auxílio nas dificuldades pelas quais passamos.
Amém.
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          Para concluir esse primeiro Oratório Campeiro de 2012, escolhi a música “Minha Vida Tem Sentido”, do Padre Zezinho, interpretada pelo próprio autor.


          Um grande abraço e que a Paz de Cristo permaneça conosco por todo 2012!

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

ABRINDO A PORTEIRA - ESPERANÇA EM 2012



A esperança não é nem realidade nem quimera.
É como os caminhos da terra: na terra não havia caminhos;
foram feitos pelo grande número de passantes.
(Lu Hsun)

Amigas e Amigos,

Começando 2012. Desejo que todos os que acompanham este Blog do programa Canto da Terra tenham um ano de saúde e felicidade em plenitude. O Abrindo a Porteira de hoje não é apenas para mais uma semana, como quase sempre, mas para um novo ano que se inicia.



Mesmo sempre esperando novidades nos deparamos com um 2012 que começa semelhante a tantos outros, com muita chuva atingindo a capital mineira e as cidades próximas, com os mesmo problemas dos anos anteriores, com mortes que não sensibilizam nossos governos na busca de melhoria para superarmos com mais tranqüilidade essas intempéries.

Situação semelhante vive a região serrana do Rio de Janeiro e, graças a algumas situações pontuais, ainda não se registrou um caso de calamidade como o de anos anteriores. O prefeito de Nova Friburgo afirmou a Folha de São Paulo “que apenas 30% das obras necessárias para a cidade foram executadas”. E se lembrarmos que pelo menos 900 pessoas morreram naquela região há um ano, a idéia que nos passa é de completo descaso para com a vida dos cidadãos brasileiros.

Ainda que não haja informações sobre vítimas, o munícipio de Petrópolis, também na região serrana do Rio, já registrou, conforme informação da Agência Estado, 128 ocorrências. Situação de alerta máximo são registradas nas cidades fluminenses de Duque de Caxias, São João do Meriti e Macaé.

A população atingida por essas chuvas torrenciais também paga impostos exorbitantes para não ter qualquer retorno durante um ano de espera e agonia por conta das tempestades anuais. Pode ser que aplicar em infraestrutura diminua a verba disponível para os “mensalões” que garantem eleições, reeleições e sabe-se lá mais o quê…

Ainda que as chuvas e as secas persistam em nosso país, resta-nos esperar, confiantes em nossos votos, que possamos diminuir – e quiça um dia acabar – a corrupção impregnada em nossos poderes constituídos.

          Para abrir essa porteira para 2012, deixo a música “Alma de Espelho de Rio”, de Gujo Teixeira e Luiz Marenco, interpretada por Luiz Marenco.

 

          Um grande abraço e que 2012 se revista de felicidade!