quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

ORATÓRIO CAMPEIRO – PELOURINHO E DOM BOSCO




E entregaste a eles esta terra, que tinhas prometido a seus antepassados,

terra onde correm leite e mel.




Amigas e Amigos,


Se perguntarem o que Dom Bosco tem a ver com o Pelourinho, posso garantir que não tenho qualquer idéia. O motivo do título da postagem de hoje está relacionado à festa de Dom Bosco, celebrada nesta terça-feira, e a noticias sobre uma festa ocorrida no Pelourinho, em Savador-BA, no último dia 22 de janeiro.


Começo falando da festa com toques de tragédia, ocorrida em Salvador, e que, segundo a sucursal da Bahia do portal G1 (http://g1.globo.com) nesta terça-feira, resultou na perda do globo ocular de uma participante do evento. Diz a notícia do  que:
Após oito dias, a Polícia Militar  de Salvador abriu um inquérito para apurar a denúncia de agressão de um PM a uma cozinheira, no dia 22 de janeiro, durante o show do Olodum, no Pelourinho. Na ocasião, Almerinda Neves, 34 anos, estava no público do evento quando um dos policiais militares que faziam a segurança no local desferiu golpes de bastão no meio do público e um deles atingiu a cozinheira, que foi socorrida por populares. Almerinda acordou dois dias depois, após ser transferida do Hospital Geral do Estado para o Hospital do Subúrbio. No hospital ela soube que havia perdido o globo ocular do olho esquerdo. [...] Almerinda conta também sobre a preocupação com o futuro seu e do seu filho de 12 anos. "Eu dependo do meu trabalho para sustentar o meu filho. Só o senhor meu Deus para dizer se poderei voltar a trabalhar ou não", lamenta. A Polícia Militar informou que 150 agentes trabalhavam no show e que um inquérito foi aberto para investigar o caso. “Vamos verificar efetivamente o policial militar que tenha cometido essa possível infração e, uma vez identificado, abriremos um processo administrativo disciplinar através de nossa Corregedoria. O policial militar, sendo realmente o acusado identificado, será punido disciplinarmente pela PM e pode chegar ser demitido da corporação”, afirma o coordenador de Planejamento de Operações do 18° Batalhão da PM, Adilson Santana. Almerinda foi à corregedoria da PM, na Pituba, para solicitar o reconhecimento do agressor.

         Entre o acontecimento e a notícia publicada pelo G1 decorreram 8 dias. Esse tempo todo não foi suficiente para identificar o policial. E, se e quando for identificado, o policial estará sujeito a uma punição exemplar: “poderá ser expulso da corporação”. A expulsão, para mim, seria apenas uma conseqüência da possível barbárie objeto da denúncia feita pela cozinheira que perdeu um olho. A necessária exemplar punição somente poderia ocorrer após o processo e julgamento do policial acusado de agressão.

         Fica a impressão de que logo o Botafogo será esquecido da máxima popular, que passará a ser conhecida como “Têm coisas que só acontecem no Olodum”. Pois além desse acontecimento, uma notícia de 30 de maio de 2011, também do G1, dava conta de que um jovem, conhecido com Pé de Bolo, de 21 anos teria sido morto em uma festa do Olodum, também no Pelourinho, quando três mulheres e uma criança, de 11 anos, ficaram feridas pelos disparos efetuados.

         Naquela ocasião, o noticiário dizia que o presidente do Olodum teria descrito a entrada de um homem pelo telhado. Esse homem teria, segundo o presidente, ido direto a vítima já disparando tiros.

         No outro dia, 31 de maio, o portal “Correio” (http://www.correio24horas.com.br), de Salvador-BA dizia que o jovem citado na notícia anterior já havia sido identificado como traficante e que a morte fazia parte de um “ajuste de contas”. E a “fantasia” da entrada pelo telhado ganhou nova versão, segundo o “Correio”:
O acesso ao show do Olodum, no Largo Pedro Archanjo, na noite de anteontem, só era permitido após revista. “Eu estava com a máquina fotográfica e os seguranças pediram pra ver o que tinha dentro. Não entendo como aquela arma entrou”, diz uma amiga da mulher de Diogo. Segundo uma fonte ligada à segurança, o autor dos disparos entrou pela porta principal, acompanhado por duas mulheres. Em nota, a direção do Olodum informou que o autor dos disparos driblou o acesso pela portaria, que é protegida por vigilantes de uma empresa especializada contratada em todos os eventos. 

         Deixando de lado as histórias mal contadas, ocorridas na bela capital baiana, volto a lembrar São João Bosco (João Melquior Bosco), esse santo italiano nascido em 1815. Foi ordenado sacerdote em 1841 e ficou em Turim, iniciando seu apostolado de educação de crianças e jovens carentes.





         Em 1859, Dom Bosco reuniu um grupo de jovens educadores e fundou a Congregação dos Salesianos. Nos anos seguintes, fundou, também, o Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora e os Cooperadores Salesianos. Consta que quando lhe perguntavam sobre tudo o que fizera, respondia sempre, com um sorriso sereno, que: “Eu não fiz nada. Foi Nossa Senhora quem tudo fez”.

         Dom Bosco morreu no dia 31 de janeiro de 1888, foi beatificado em 1929 e canonizado em 1934. Foi proclamado “modelo por excelência para sacerdotes e educadores.

         A memória de São João Bosco é celebrada, de modo particular, em Brasília-DF, onde é o Padroeiro Arquidiocesano Secundário da própria Arquidiocese, que o honra com Paróquias, Capelas e uma Ermida, no Lago Sul, de onde é possível observar um belíssimo por do sol sobre a Capital Federal.

         Lembrando a vida e a obra de Dom Bosco, recomendo hoje uma oração para esta semana, pedindo que Dom Bosco proteja nossa juventude nas festividades onde a segurança nem sempre está a serviço dos jovens cidadãos.


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ORAÇÃO DE SÃO JOÃO BOSCO


Ó Deus, nosso Pai,

Por intercessão de São João Bosco,

Velai sobre nossos jovens.

Dai-lhes fé e força necessária

Para não se deixarem seduzir pelo mundo da droga,

Da violência e do pecado.

Que encontrem em Vós

A única Luz capaz de orientar suas vidas

E que se sintam responsáveis

Pela paz, pela justiça e pela fraternidade no mundo.

Amém!


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Para acompanhar a oração escolhida, deixo abaixo uma interpretação do Trio Ir ao Povo de uma música que lembra muito a dedicação de Dom Bosco a sua obra. Essa música é "Há mil pobres lá fora", escrita pelo Padre Zezinho.


Com votos de uma ótima semana, que a Paz de Cristo permaneça conosco!


segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

ABRINDO A PORTEIRA - LEVANTAMENTO DE GRANA PÚBLICA



Muitos julgam cumprir o seu dever pronunciando aforismos abstratos para uso alheio
em vez de pregar por meio do exemplo.
(Henrik Ibsen)



Amigas e Amigos,

         Vou abrindo a porteira para mais uma semana e fico com a impressão de que a má gestão de dinheiro público é uma doença crônica em nosso país. Ou, talvez, "levantamento de grana pública" seja mais um esporte olímpico.

         Deparei-me, na página do portal UOL sobre as Olimpíadas de 2012 (http://olimpiadas.uol.com.br), hoje, com uma nota sobre o pagamento de R$ 4,6 milhões feito pelo Ministério do Esporte a uma estatal extinta em 2011. Salienta o portal que o ministério confirmou essa informação dada pelo jornal “O Estado de São Paulo” e que o contrato foi firmado na gestão de Orlando Silva. A informação publicada diz que:
A entidade beneficiada é a Fundação Instituto de Administração (FIA), criada por professores da USP na década de 1980 e que hoje trabalha de forma independente. A empresa foi escolhida sem licitação para desenvolver estudos para “apoiar a modelagem de gestão da fase inicial de atividades da estatal”. A estatal em questão é a Empresa Brasileira de Legado Esportivo Brasil 2016, criada com o intuito de tocar projetos relacionados aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Ela foi criada em agosto de 2010, nunca chegou a ter sede ou empregados e já está em processo de extinção no Plano Nacional de Desestatização (PND). Depois de ser criada, a Brasil 2016 teve, segundo o jornal, apenas reuniões de seu conselho administrativo. O grupo era formado por funcionários de primeira linha do governo federal, entre eles a ministra do planejamento, Miriam Belchio,r e o próprio Orlando Silva. Em março de 2011, portanto seis meses depois da criação da estatal, a FIA recebeu a primeira parcela do pagamento de seus serviços. Em agosto, o Ministério do Planejamento decidiu extinguir a Brasil 2016 por entender que a Olimpíada do Rio já tem estrutura suficiente para a sua organização. Até esse momento, a consultoria havia recebido R$ 3,5 milhões em cinco parcelas. Depois da decisão pela extinção da estatal, a FIA ainda receberia mais cerca de R$ 1 milhão por conta de dois aditivos feitos ao contrato.
         O atual ministro, Aldo Rebelo, disse estar analisando todos os contratos e que essa iniciativa de “preparação de uma estatal” teria sido uma iniciativa do governo, e não de seu ministério. Acredito que será muito difícil que esse filho bastardo de “Dona Má-gestão” venha a conhecer seu pai, principalmente depois do Ministério Público caracterizar esse contrato como “estranho e atípico”.



         Afirma um dito popular que “quem tem determinado tipo de amigos, não necessita de inimigos” e parece-me que a atuação do PCdoB na pasta desportiva confirma a afirmativa do chiste. Além da denúncia veiculada hoje, na última semana – dia 24 de janeiro – a página de esportes do UOL (http://esporte.uol.com.br), informou que R$ 2,4 milhões – repassados pelo Ministério do Esporte – haviam desaparecido da conta de uma ONG de Juiz de Fora-MG, ligada o PCdoB, que deveria produzir materiais esportivos. Na matéria, pode-se ler que:
Mais de um ano após o início do contrato, em 3 de dezembro de 2010, porém, a ONG, que recebeu 100% da verba (R$ 2,409.522,44 milhões), produziu apenas 10% do material, e encerrou a produção depois disso. O próprio Ministério do Esporte, de acordo com documentos internos a que o UOL teve acesso – já encaminhados à Polícia Federal –, reconhece os indícios de desvio de recursos públicos e favorecimento a pessoas ligadas ao PC do B (Partido Comunista do Brasil) no uso das verbas cedidas à ONG. O partido comanda o Ministério do Esporte desde 2003. Atualmente, as atividades do Instituto Cidade estão paralisadas. A reportagem esteve em Juiz de Fora e encontrou uma fábrica de material esportiva vazia. Um funcionário informou que tinha dispensado os mais de 40 trabalhadores, já que não havia dinheiro para produzir qualquer material ou efetuar pagamentos. O ex-Secretário Nacional de Esporte Educacional, Wadson Ribeiro, teve como cabo eleitoral em 2010 o presidente da ONG Instituto Cidade, José Augusto da Silva, acusado de desviar recursos do Ministério do Esporte. O UOL teve acesso à lista de pessoas que receberiam o benefício. 15 delas seriam  filiadas ao PC do B. Apesar desses indícios de graves irregularidades, o convênio do ministério com o Instituto Cidade ainda não foi rescindido.
         Conforme o Ministério do Esporte – informação também do UOL – das 8.000 bolas encomendadas, nenhuma foi produzida; das 2.000 redes de futsal e vôlei, apenas 400 foram entregues; de 60.500 camisetas, somente 26.000 foram produzidas e dos 61.250 bonés encomendados, somente 4.900 ficaram prontos. A informação traz, ainda, que bandeiras deveriam ter sido produzidas, mas nenhuma foi entregue.

         Somente estas duas denúncias trazem números perto dos R$ 10 milhões surrupiados dos cidadãos brasileiros. Se imaginarmos que desvios de dinheiro público, aqui no país, são descobertos quase por acaso e podem representar um percentual ínfimo do que efetivamente ocorre, podemos imaginar um Brasil com bem menos problemas de educação, saúde e segurança do que o visto atualmente. Isso sem considerar que a exorbitância paga pelos cidadãos em forma de impostos – em não raras vezes pagos mais de uma vez para determinada movimentação de valores – poderia ser bem mais racional se não considerasse, na hora do cálculo, o “desaparecimento” de parte da arrecadação.

         A pergunta que fica é: alguém acredita que após esses – e alguns outros – casos de corrupção desvendados, alguma moedinha, de toda a dinheirada abstraída dos cofres públicos, retornará ao seu devido lugar? Sentados e bem acomodados, esperemos...

         Para que a semana não comece muito “azeda”, a música de hoje é “Fazenda São Francisco”, de Jesus Belmiro e Paraíso, na interpretação de Zico & Zeca. Os integrantes da dupla Zico (Antônio Bernardes Paulino da Costa) e Zeca (Domingos Paulino da Costa)  são irmãos de Liu & Léu e primos de Vieira & Vieirinha.




Um grande abraço e até a próxima!

domingo, 29 de janeiro de 2012

FOGÃO DE LENHA - FRANGO NA BRASA E OUTRA "QUEIMADA"



O rei disse-lhe:
Quantas vezes será preciso conjurar-te a que só digas a verdade em nome do Senhor? `


Amigas e Amigos,

          Antes de apresentar a receita de hoje, comento um post do Blog da Folha “Presidente 40”  (http://presidente40.folha.blog.uol.com.br), no último  dia 26, abordando um frase polêmica que teria sido pronunciada no Fórum Social, em Porto Alegre-RS:
Ex-assessor especial do governo Lula, o escritor Frei Betto mostrou hoje no Fórum Social que mantém o gosto pela polêmica e a fidelidade ao PT. Convidado para um debate sobre os preparativos da Rio+20, ele  surpreendeu a platéia iniciando sua fala com um petardo contra os tucanos. "A diferença entre PT e PSDB é que o PT dialoga e o PSDB manda a polícia para conversar", disse.Os alvos, claro, eram o governo do tucano Geraldo Alckmin e as ações da PM paulista na cracolândia e na favela do Pinheirinho. Num Fórum despartidarizado, que lembra pouco as suas primeiras edições, a frase foi recebida com poucos aplausos. A ex-petista Marina Silva, que participava da mesa, não se manifestou.

          A truculência apresentada na retomada da favela do Pinheirinho deve merecer críticas – até mais veementes dos que as apresentadas até agora. Penso que partidarizar, como fez Frei Betto, essa barbárie em nada agrega para que possamos excluir de nossa convivência essas atitudes que agridem a própria democracia, tão escarnecida por nossas autoridades.

          Talvez Frei Betto tenha esquecido de uma ocorrência de São Raimundo Notato, que virou notícia conforme o site “Dom Inocêncio” (http://dominocencio.com), em fev/2011, cujo “diálogo” me parece semelhante ao do Pinheirinho:
O prefeito padre Herculano Negreiros (PT), mandou uma equipe da Prefeitura Municipal de São Raimundo Nonato demolir o prédio de uma Igreja evangélica, localizada no bairro Baixão da Guiomar na manhã desta quarta-feira (23). De acordo com informações, o prédio teria sido erguido numa área destinada à construção de uma via pública, por isso, o padre determinou a destruição, através de um decreto. A demolição aconteceu no final da manhã, quando um funcionário da prefeitura municipal compareceu ao local conduzindo um trator para cumprir o decreto assinado pelo gestor. Uma equipe da Polícia Militar de São Raimundo Nonato foi chamada ao local, para evitar qualquer confronto entre moradores e servidores. A maioria das pessoas que moram no local ficou revoltada com a decisão.Os proprietários do prédio, onde funcionava a Igreja informaram que possuem um documento que atestaria a propriedade da área. Essa não é a primeira vez que o padre manda destruir casas em São Raimundo Nonato, no primeiro ano do seu governo, ele determinou que servidores demolissem casas construídas na área do antigo aeroporto, sob a alegação de que o terreno pertencia a Aeronáutica e não podia ser invadido.

          Provavelmente, Frei Betto não lembrou também de um fato ocorrido em 2004, na cidade de Arujá, noticiado pelo “Jornal da Cidade” (http://www.jornaldacidadearuja.com.br, onde o “diálogo” se fez em forma de baderna:
Na madrugada de ontem, 28, a Guarda Municipal prendeu em flagrante integrantes do Partido dos Trabalhadores que faziam distribuição de panfletos com ataques ao prefeito Abel Larini, visando atingir o candidato apoiado por ele, Luiz Bananeiro, assim como atacava o candidato do PMDB, Genésio Severino da Silva, e sua vice, Virgínia Alegri. Outro fato envolvendo integrantes do PT ocorreu no dia 22 de setembro, quando a Polícia Militar flagrou militantes arrancando material publicitário do candidato Genésio. No tocante à panfletagem, segundo os GMs, quando foram fazer a abordagem para verificar do que se tratava, os acusados partiram para a agressão, porém acabaram sendo conduzidos ao Distrito Policial, onde foi lavrado Boletim de Ocorrência para que os fatos sejam apurados.

          Vale registrar, ainda, as situações em que a militância partidária age como os policiais agiram na favela do Pinheirinho. Essa atitude inconseqüente não é exclusiva de qualquer partido, mas desempenhada por todos que se arvoram “senhores de alguma verdade presumida”. Um exemplo de que isso pode ocorrer inclusive com o Partido dos Trabalhadores é um post do Blog Políticos do Sul da Bahia (http://www.politicosdosuldabahia.com.br), de mai/2010:
Na manhã desta sexta-feira o clima esquentou em Buerarema e os aderentes do prefeito Mardes Monteiro (PT), realizaram uma manifestação contra o atual momento político no município. Mas a manifestação não terminou bem e se transformou em um “quebra-quebra” na cidade. Segundo informações, os manifestantes quebraram a câmara de vereadores e tentaram invadir a prefeitura. Incendiaram pneus na porta da câmara, prefeitura e no fórum municipal. Foi necessária a presença de reforço policial e houve um principio de confronto entre os manifestantes e os policiais. Sendo que várias pessoas tiveram que ir até ao hospital por conta da confusão. Vale lembrar que Mardes foi cassado em julho de 2009.

          Lembro aqui que São Domingos Gusmão, o fundador da Casa dos Irmãos Pregadores – os Dominicanos, ordem a qual pertence Frei Betto – levava em comunidade com seus seguidores a Véritas, como chamava a verdade libertadora. Verdade libertadora me parece algo bem distante da “verdade conveniente” proposta por Frei Betto no Fórum Social.

          Por todo seu histórico de luta social, Frei Betto, apesar desse aparente deslize, deve continuar combatendo as diferenças de classes ainda estão tão longe de serem erradicas – ou, pelo menos, minimizadas – em nosso imenso e tão desigual Brasil.



          Depois dessas considerações, vamos a receita de hoje que, espero, possa ser apreciada por vocês. Como sempre digo, façam “ajustes” nos ingredientes e nas quantidades dos mesmos para “criarem” suas próprias receitas, adaptadas aos sabores daqueles para os quais elas serão preparadas.

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FRANGO COM ERVAS NA BRASA

Ingredientes:

1,5 kg sobrecoxa de frango
(pode-se usar somente coxas ou coxas e sobrecoxas)

Ingredientes para o molho:

½  xícara de óleo
2 cebola médias picadas
3 dentes de alho picados
2 colheres (sopa) de sálvia fresca picada
1 colher (sobremesa) de alecrim fresco picado
1 colher (sopa) de manjericão fresco picado
1 colher (sobremesa) de orégano  
3 colheres (sopa) de hortelã fresca picada
3 colheres (sopa) de salsa picada
2 colheres (sopa) de cebolinha picada
1 colheres (sopa) de manjerona picada
½ xícara de vinho tinto seco
2 xícaras de água
Sal a gosto
Noz moscada ralada a gosto
Pimenta do reino (moída na hora) a gosto


Modo de preparar:

Misture todos os ingredientes do molho em um recipiente grande.

Acrescente os pedaços de frango (que devem ficar submersos).

Cobrir o recipiente e levar a geladeira.

Deixar marinando por, pelo menos, 1 hora.

Ao retirar da geladeira, deixe descansar por cerca de 10 minutos.

Acomode os pedaços em espetos.

Leve a churrasqueira (a uns 30 cm. das brasas).

Vire periodicamente os espetos, banhando os pedaços de frango com o molho em que marinaram.

Estarão prontos quando dourados. O frango deverá estar crocante por fora e sem ressecar por dentro.

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 A música para acompanhar a receita é “Prato do Dia”, de Geraldinho, interpretada pela dupla Liu & Léu.



          Um grande abraço e bom fim-de-semana para todos!




quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

TERTÚLIA NATIVA – CACHORRADA INSTITUCIONALIZADA



A vaidade propõe, e decide logo, de sorte que quando as coisas chegam ao entendimento já este está vencido;
o que faz é aprovar o preconceito anterior, que a vaidade lhe introduz,
e assim quando a vaidade busca o entendimento é só por formalidade,
e só para a defender, e autorizar, e não para aconselhar.
(Matias Aires)


Amigas e Amigos,

         Mais uma Tertúlia, este espaço para a cultura e a música de nosso País. Antes, porém, destaco uma aparente agressão a nossa Pátria, a partir de notícias sobre salários altíssimos de alguns – nem por isso, poucos – magistrados.

          E já não são poucos os que ocupam o noticiário por conta de salários exorbitantes, conforme material do jornal O Estado de São Paulo (http://www.estadao.com.br), do ultimo dia 23, falando das “vantagens” eventuais (talvez nem tão eventuais) dos magistrados do Rio de Janeiro e de São Paulo, informando que:
Os pagamentos milionários a magistrados estaduais de São Paulo se reproduzem no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. A folha de subsídios do TJ-RJ mostra que desembargadores e juízes, mesmo aqueles que acabaram de ingressar na carreira, chegam a ganhar mensalmente de R$ 40 mil a R$ 150 mil. A remuneração de R$ 24.117,62 é hipertrofiada por “vantagens eventuais”. Alguns desembargadores receberam, ao longo de apenas um ano, R$ 400 mil, cada, somente em penduricalhos. A folha de pagamentos, que o próprio TJ divulgou em obediência à Resolução 102 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) – norma que impõe transparência aos tribunais –, revela que em dezembro de 2010 o mais abastado dos desembargadores recebeu R$ 511.739,23. Outro magistrado recebeu naquele mês depósitos em sua conta que somaram R$ 462 mil, além do salário. Um terceiro desembargador recebeu R$ 349 mil. No total, 72 desembargadores receberam mais de R$ 100 mil, sendo que 6 tiveram rendimentos superiores a R$ 200 mil. Os supercontracheques da toga fluminense, ao contrário do que ocorre no Tribunal de Justiça de São Paulo, não são incomuns. Os dados mais recentes publicados pela corte do Rio, referentes a novembro de 2011, mostram que 107 dos 178 desembargadores receberam valores que superam com folga a casa dos R$ 50 mil.

          Pois com esses aparentes absurdos, que afrontam a maioria dos trabalhadores brasileiros com salários que refletem o que efetivamente receberão a cada mês, sem nenhum “recursinho” extra, a idéia que fica é ser incompatível a aproximação de vergonha e justiça.

          Essa idéia da falta de vergonha vem com outra matéria do mesmo jornal sobre atitudes dos desembargadores, que já são alvos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), para que sejam revistas leis que não lhes são “favoráveis”. Diz a notícia que:
Leis que disciplinam a ação e estabelecem o raio de alcance do poderoso Conselho de Controle de Atividades Financeira (Coaf) - unidade de inteligência financeira do Ministério da Fazenda que persegue fortunas ilícitas -, são o novo alvo da toga amotinada. Irritados com a abertura das contas e movimentações bancárias de todo o universo forense - 206 mil magistrados, servidores e familiares -, desembargadores da Justiça preparam o contragolpe. Eles miram precisamente a Lei 9.613/98 e a Lei Complementar 105/01 - a primeira impõe sanções à lavagem de dinheiro e criou o Coaf; a outra firma que o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários, nas áreas de suas atribuições, fornecerão ao conselho "informações cadastrais e de movimento de valores". A estratégia que pode enfraquecer o Coaf foi desencadeada pela Associação Nacional de Desembargadores (Andes). A entidade aponta inconstitucionalidade de alguns artigos do conjunto de normas que definem os limites do órgão rastreador de malfeitos pela malha bancária. [...] Razão da briga. No embate histórico que protagoniza para identificar fluxo financeiro incompatível ao contracheque de magistrados, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) teria obtido os dados pela via direta - ofício da corregedoria do CNJ foi acatado pelo Coaf, que fez a pesquisa pelos CPFs de cada personagem.

          Pode-se observar que não há qualquer preocupação com a exorbitância recebida, o que os magistrados passam a impressão de não querer é que sejam divulgados os vergonhosos números que poderiam não ter explicações razoáveis, o que poderia nos lembrar das afirmações de Daniel Dantas antes de ser liberado da prisão, para culminar nos últimos tempos com a retomada de seus bens por decisão judicial.

          Lembro aqui de uma análise dos passivos milionários do Judiciário, que revelariam falhas nas normas, feita pelo Professor Carlos Ari Sundfeld, da Escola de Direito de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas e Presidente da Sociedade Brasileira do Direito Público, onde ele constata que       
Autoridades resistem em divulgar informações detalhadas, precisas e claras não só sobre o que se paga ao pessoal, mas também sobre o modo como são tomadas as decisões de pagamento. É uma atitude que precisa mudar radicalmente, pois a publicidade administrativa é princípio constitucional. Há também outra razão: só a transparência permite descobrir e corrigir as falhas do sistema.      



          Essa cachorrada institucional fez-me lembrar um causo gauchesco “Uma vez, um cachorro!”, do Aparício Silva Rillo (1931-1995), um poeta, compositor, folclorista e escritor brasileiro, nascido em Porto Alegre-RS, mas com residência fixa em São Borja-RS, que publico abaixo.


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UMA VEZ, UM CACHORRO!

O cachorro, segundo um adágio que os gregos já conheciam, é o melhor amigo do homem.

Os gaúchos das Missões e Fronteira concordam. Mas explicam o porquê: é que cachorro não rouba china de rancho, se alimenta de restos e se contenta com um simples osso de fervido. Além do que, cuida da casa sem cobrar salário.

Pois há um cachorro nesse causo. Grande, pêlo negro-manchado, os dengues do seu dono – um fazendeiro de meias posses com estância nos campos de areia de São Chico de Assis.

O cachorro esse não era de caçar preás, como os guaipecas de sua raça; não pegava ratos (coisa para gatos...); comia ao pé do dono e tinha lá seu pedigree. Não se misturava com os demais da estância, só ia ao campo quando o dono o convidava com um jeito de assobiar que só ele conhecia.

Mas bueno. Sucede que na estância essa chega uma tarde um moço bem apessoado, vestindo pilchas de bom pano. Montava um rosilho cabos negros e trazia um cavalo de escoteiro. Notava-se, logo, ser gente de viajar bastante.

O dono da estância já o esperava. Chegara-lhe um recado, um dia antes. O tal moço, das bandas de Cruz Alta, estava a comprar bois gordos nas Missões.

– Buenas, senhores! – saudou de cima do rosilho.

– Boleie a perna e se chegue, amigo! O mate recém foi cevado.

 Apeou-se o forasteiro. Atou a montada pelo cabresto e dirigiu-se ao galpão de fogo.

O estancieiro de São Chico adiantou-se. A seu lado, rente às bombachas, o cachorro. O moço entreparou. Deu um vistaço geral no ambiente, seus olhos de gavião mouro deram com o cachorro, que nesta altura já rosnava, mostrando o branco dos dentes.

– Seu cachorro não tem cara de bons amigos, cidadão. Quem sabe o senhor o ata na corrente ou pede a um peão para prendê-lo?

– Nem se preocupe, amigo. Vá chegando no mais que eu garanto que o Negro não lhe salta. É que ele é um pouco nervoso.

O moço deu mais dois passos, o rebenque pendurado no pulso pelo tento do fiel. Aí o cachorro rosnou mais forte e arrepiou o pêlo do lombo.

– Segure seu cachorro, meu amigo. Com bicho desse porte não se brinca.

– Passe, passe no mais. O cachorro é ensinado. A um grito meu ele se entoca no galpão. Não tenha medo.

– Prevenção não é medo, meu amigo. No dia que eu fugir de um cachorro mando cortar os meus bagos pra lingüiça.

– O Negro...

Não acabou o dono de terminar o que iria dizer e o cachorro saltou sobre o moço. Este, já prevenido, quebrou o corpo e, rápido como um bote de cruzeira, apanhou o cachorro por uma das pernas. Foi pegá-lo e baixar-lhe o rebenque, com tanta raiva e força que o Negro – o mimoso do patrão – mijava em arco e ganiçava como um desesperado.

Um último rebencaço apanhou-o por entre as orelhas e, se é que cachorro desmaia, o Negro desmaiou. Caiu como um trapo junto às botas do serrano.

O dono do cachorro abespinhou-se.

– Mas que barbaridade, seu! Surrar um cachorro deste jeito. Pode até ter matado o animalzinho!

– Animalzinho, é? Com um metro de altura? Com essa boca de engolir mogango?

– Bueno, eu mando passar salmoura no cachorro. Mas agora passe. Vamos tratar do negócio dos bois. Qual seu nome, mesmo?

– Não interessa mais, cidadão. Nem quero saber o seu.

Já montado, casaco aberto para mostrar os "ferros", arrematou:

– Homem que não manda num cachorro não merece confiança de ninguém. Faça bom proveito dos seus bois.

Deu rédeas ao rosilho e saiu assobiando, como cruzeira na cria!

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Para fechar esta Tertúlia Nativa, a música “Faz de conta”, de Colmar Duarte, Armando Vasquez, Valdir Santana e João Chagas Leite, com o saudoso César Passarinho, o “Cantor Símbolo das Califórnias”..

   

Um grande abraço e até nossa próxima Tertúlia!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

ORATÓRIO CAMPEIRO - MODELOS E SÃO FRANCISCO DE SALES




Cuida para que se execute esse trabalho segundo o modelo que te mostrei no monte.”



Amigas e Amigos,


Ao ler o Diário Popular (http://www.diariopopular.com.br), hoje, encontrei uma matéria informando que o monitoramento de gastos do governo deverá ser apresentado em tempo real para os contribuintes. Dizia a notícia que:
A presidente da República, Dilma Rousseff, disse na segunda-feira (23), na abertura da primeira reunião ministerial este ano, que cada ministério terá até junho para apresentar um modelo de monitoramento eletrônico, em tempo real, no qual todos os gastos e transações de cada pasta possam ser vistos e cobrados na hora pelo governo. A ideia é aumentar a transparência e evitar fraudes em convênios. […] O porta-voz disse ainda que com a cobrança maior por parte da população quanto à oferta de mais serviços públicos, é necessário que o governo ofereça melhores serviços. Isso não é uma questão básica de reforma do Estado. Isso é como fazer com que o Estado dê serviços melhores para a população, afirma.

          Em princípio, acredito que a intenção da presidente é reforçar a democracia, tão achincalhada por diversos setores dos Poderes desse País. Preocupa-me o prazo concedido aos ministros (até junho), pois lembro que além das eleições para prefeito – próximas – e do envolvimento de todos os politicos no evento, temos um Carnaval tardio – final de fevereiro – o que torna o início do ano praticamente transferido para março.

          Por outro lado, considerando que os gastos e transações de cada pasta são gastos e transações independente da pasta, não seria mais lógico um modelo único de monitoramento eletrônico para aumentar a transparência e evitar fraudes em convênios? Ou a idéia é exatamente não conseguir esses modelos até junho? Não gostaria de acreditar que tenha sido mais uma frase de efeito para disfarçar uma provável ausência de esperada reforma ministerial.

          Enquanto não aparecem os solicitados modelos, lembro que nesta terça-feira celebramos a festa de São Francisco de Sales, o padroeiro dos jornalistas e dos escritores católicos. Em 1599, foi nomeado Bispo auxiliar de Genebra; e, três anos depois, assumiu a titularidade da diocese. Seu campo de ação aumentou muito. Francisco de Sales, que viveu entre 1567 e 1622, foi Bispo de Genebra, fundou escolas, ensinou catecismo às crianças e adultos, dirigiu e conduziu à santidade grandes almas da nobreza, que desempenharam papel preponderante na reforma religiosa empreendida na época como madre Joana de Chantal, que se tornou sua co-fundadora da Ordem da Visitação, em 1610.



          Segundo o portal das Irmãs Paulinas (http://www.paulinas.org.br), São Francisco de Salles:
publicou o livro que se tornaria imortal: "Introdução à vida devota". Francisco de Sales também escreveu para suas filhas da Visitação o célebre "Tratado do Amor de Deus", onde desenvolveu o lema : "a medida de amar a Deus é amá-lo sem medida". Os contemporâneos do Bispo-Príncipe de Genebra, dentre eles Santa Joana de Chantal e São Vicente de Paulo, dos quais foi diretor spiritual, não tinham dúvidas a respeito de sua santidade.[…] Dom Bosco admirava tanto São Francisco de Sales que deu o nome de Congregação Salesiana à Obra que fundou para a educação dos jovens.

          A sugestão para esta semana é orarmos pela transparência das contas públicas, pedindo a intercessão de São Francisco de Sales.

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ORAÇÃO A SÃO FRANCISCO DE SALES

Ó Deus, que para a salvação das almas,
Fez São Francisco de Sales, seu confessor e bispo,
Que lutava para que todos os homens e mulheres
Se submetessem a Vossa misericordiosa vontade
E fossem infundidos com a suavidade da caridade,
Guiados por seus ensinamentos,
Pedimos pela intercessão deste vosso servo
A graça de iluminar nossos Ministérios.
Através de Cristo, Nosso Senhor.

Amém!


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Para acompanhar este Oratório, segue a música “Cantiga Sertaneja”, do Padre Zézinho, interpretada pelo grupo Cantores de Deus, que está lançando o DVD “Mulheres”, gravado ao vivo.


  
  
Um grande abraço e que a Paz de Cristo permaneça conosco!


segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

ABRINDO A PORTEIRA - AI, SATIAGRAHA, AI, AI...



O valor de um ser humano reside na capacidade de ir além de ele próprio,
de sair de dentro de si próprio, de existir dentro de si próprio e para as outras pessoas.
(Milan Kundera)




Amigas e Amigos,

         Ao abrir a porteira para mais uma semana, deparo-me com manifestações de rigoroso (des)controle do dinheiro público por parte dos poderes constituídos em terras brasileiras.

         A primeira notícia relacionada ao assunto diz respeito a devolução das 27 fazendas, com 450 mil cabeças de gado, ao banqueiro Daniel Dantas (investigado por crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas), alvo da operação Satiagraha (que não tem qualquer relação com o "se eu pego", do M. Teló), da Polícia Federal contra o desvio de verbas públicas, corrupção e lavagem de dinheiro. Essa operação foi desqualificada pelo Superior Tribunal de Justiça.

         A outra decisão judicial de grande repercussão foi a que determinou a reintegração de posse de um terreno (1,3 milhão de metros quadrados), na comunidade Pinheirinho, em São José dos Campos-SP, da massa falida da empresa Selecta S.A., do empresário Naji Nahas, também alvo da operação Satiagraha, que deu origem a uma verdadeira batalha campal na região, conforme se percebe na foto abaixo.



         Para reavivar a memória, recorri a uma matéria do jornal O Globo (http://oglobo.globo.com), de 8/07/2008, sobre uma entrevista coletiva do procurador da República Rodrigo de Grandis esclarecendo que “Daniel Dantas e Nahi Nahas comandavam duas organizações distintas, porém ambas voltadas a crimes no mercado financeiro”. Nesta mesma matéria, o delegado Protógenes Queiroz afirmava que essa situação era “perniciosa para o nosso país” e acrescentava: “Ficamos assustados com a estruturação das duas organizações e o nível de intimidação e poder de corromper delas [...] as investigações levaram a um desdobramento mostrando que eles também teriam participação no Mensalão”.

         Na página “Terra Magazine” (http://terramagazine.terra.com.br), de 11/07/2008, foi registrada uma declaração interessante de Daniel Dantas, logo após serem liberados – habeas corpus do presidente do Supremo, Gilmar Mendes – outros dois presos na mesma operação, o megainvestidor Naji Nahas e o ex-prefeito, de São Paulo, Celso Pita. O banqueiro teria dito ao delegado Protógenes que iria contar tudo, com as seguintes palavras: “...vou contar tudo sobre todos. Como paguei um milhão e meio para não ser preso pela Polícia Federal em 2004... tudo sobre minhas relações com a política, com os partidos, com os políticos, com os candidatos, com o Congresso... tudo sobre minhas relações com a Justiça, sobre como corrompi juízes, desembargadores, sobre quem foi comprado na imprensa...”.

         Coincidência, ou não, após os solavancos provocados pela declaração acima, as “melancias” foram se acomodando nos “caminhões” dos Poderes. E essa acomodação – que culmina com essa “devolução” de bens, talvez não devidos, ao banqueiro e ao megainvestidor, com ações violentas – começou já na primeira semana após a publicação da declaração acima, conforme se pode encontrar em matéria da Folha de São Paulo (http://www.folha.uol.com.br), de 17/07/2008, dando conta que:
Apesar de ter dito publicamente que Protógenes Queiroz devia continuar na Operação Satiagraha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalizou na segunda-feira o afastamento do delegado da investigação sobre o banqueiro Daniel Dantas [...] Segundo reportagem, mesmo com o esforço para aplacá-la, a crise acabou chegando à ante-sala do presidente, com conversas gravadas do advogado e petista Luiz Eduardo Greenhalgh com o chefe-de-gabinete de Lula, Gilberto Carvalho. A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, também teria manifestado irritação com a exposição de seu nome no caso. Em conversa com o presidente, o ministro Tarso Genro (Justiça) afirmou que ele e o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, consideravam "insustentável" a permanência de Queiroz, apesar da eficiência técnica do inquérito que culminou na prisão de Dantas.

         Fica a vontade de que o propalado “ordenamento legal” e que as “decisões revestidas de densa fundamentação jurídica” não se percam por falácias. Fica, também, a expectativa de que todo o impacto provocado nos cofres públicos e nas divisas brasileiras sejam, devidamente, recuperados. E que tudo seja apenas uma coincidência de fatos dentro de uma ordenação temporal histórica. Mas, como se diria no linguajar gaúcho: Que baita coincidência, tchê!
  
Para acompanhar esse início de semana, a música escolhida, para não esquecermos a imensa diferença existentes entre as classes sociais de nosso país, é “Operário, Vida, Viola”, de Antônio Victor, com a interpretação de Chico Rey & Paraná.
     
  

Um grande abraço e até a próxima!