quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

TERTÚLIA NATIVA – A JUSTIÇA E O CHICO BELEZA




Quando a gente está cansado, dá uma bruta vontade de dizer que sim.
(Millôr Fernandes)



Amigas e Amigos,

Na Tertúlia Nativa, volto a comentar o estilo “caranguejo tupiniquim” de se fazer justiça neste nosso país. O fato que me levou a esse comentário inicial é a ação civil pública impetrada pelo Ministério Público Federal (MPF), em Brasília, para pedir a demissão do ex-procurador-geral de Justiça do DF, Leonardo Bandarra, e da promotora de Justiça, Deborah Guerner, acusados de envolvimento na Operação Caixa de Pandora, esquema de corrupção ligado ao governo do DF e descoberto em 2009.

O jornal O Estado de São Paulo (http://www.estadao.com.br) tem uma matéria na quarta-feira, informando sobre as pessoas citadas acima que:
No ano passado, o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) condenou-os após processo administrativo a perda dos cargos. Os dois foram punidos pelo colegiado por terem violado sigilo funcional de uma operação policial e tentarem receber, pelos dados, vantagem pecuniária de José Roberto Arruda, governador que foi cassado pelo escândalo de corrupção na capital. Eles teriam cobrado uma quantia milionária para não divulgar o vídeo em que Arruda recebe dinheiro ilegal. Além de sugerir a pena de demissão, o CNMP suspendeu Deborah por 60 dias e Bandarra por 150 dias, sem recebimento de salário ou gratificações. Atualmente o ex-procurador-geral de Justiça está suspenso até o dia 24 e a promotora, de licença médica até maio. 
O caso envolvendo os dois havia sido remetido inicialmente para o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para propor ação. Mas, por se tratar de ação que deve ser ajuizada na primeira instância, Gurgel mandou o caso para lá dia 26 de outubro. A ação contra os dois foi ajuizada na sexta-feira, dia 10. Como foi necessário o empréstimo de provas criminais contra ele, a acusação vai correr sob segredo de Justiça. Com o simples ajuizamento da ação, a dupla sofreu o primeiro revés no bolso. Pela Lei Orgânica do Ministério Público da União, o simples ajuizamento da ação, depois da conclusão de um processo administrativo por conselho superior, é motivo suficiente para o afastamento automático dos dois dos cargos bem como da suspensão dos vencimentos até o julgamento do processo. Por causa da prerrogativa, a ação que pode levar os dois à demissão pode demorar anos. Em São Paulo, um promotor ainda ficou 15 anos no cargo até ser finalmente condenado à demissão pela Justiça. Em Brasília, outro promotor demorou 10 anos até deixar os quadros da instituição.

Depois de toda a transgressão moral propiciada pelo procurador (de encrenca, talvez) e pela promotora (quem sabe, de cenas canastras), é difícil entender como que ainda é utilizado o dinheiro público para sustentar esse tipo de gente. Mais duro, ainda, é imaginar que a “enrolação” pode perdurar por muito mais tempo, conforme a própria matéria adverte lembrando casos onde para tirar dois indivíduos de seus cargos, em situações semelhantes, levou 10 e 15 anos.



         A matéria também informa que os dois “jurisconsultos”, especialistas em baixaria, podem sofrer o primeiro revés no bolso, mas isso só acontecerá se não existir um “jeitinho jurídico” para reverter essa situação. Enquanto isso, veremos muitos desmaios cênicos e ensaios de histerismo. E os Mensalões – do DEM e do PT – entrando na fila do esquecimento, para morrerem de inanição, porque a Justiça não teve “tempo” para avaliá-los.

   
         Os fatos apresentados podem levar a um entendimento de que a justiça pouco trabalha e quando trabalha apronta "cardápios de difícil digestão". Se efetividade e eficácia andam descompassadas dos labores jurídicos, a única forma para melhorar a imagem é aproveitar o tempo momesco e ensaiar alguns "passinhos" na esperança de agradar os espectadores foliões.
   
         Para entender melhor a sugestão acima, a Tertúlia traz a obra “Chico Beleza”, de Catulo da Paixão Cearense, contando a história de um "sambadô". E esse “Cearense” é tão somente um sobrenome, pois Catulo nasceu em São Luís do Maranhão e, ainda adolescente, foi com os pais para o Rio de Janeiro.

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CHICO BELEZA
                                  Catulo da Paixão Cearense

Pulas areia da istrada,
Cum as perna já meia bamba,
Um dispotismo de gente
Vinha cantando num samba,
Fazendo grande berrêro!

Quem puxava a istruvunca
Era o Manué Cachacêro,
O mais grande dos violêro,
Que im todo sertão gimia!

E era ansim que ele cantava
E no canto ansim dizia:
"Diz os véiu de outras éra
que quando São João sintia
sôdade de Jesú Cristo
e de sua cumpanhia,
garrava logo na viola,
prá chorá sua sôdade
e a sua malincunía!
Entonce logo os apóstro,
Assombrando o istruvío,
Cada um seu pé de verso
Cantava no desafío
A Mãe de Cristo chorava
e as água que derramava
da fonte do coração,
caia nas corda santa
da viola de São João!
Pru via disto é que o pinho,
instrumento sem rivá,
quando se põe-se chorando,
se põe-se a gente a chorá".

Foi aí, nesse festêro,
que vi o Chico Sambêro,
um sambadô sem sigundo,
mas porêm feio ,tão feio,
que toda gente dizia
que foi o hôme mais feio
que Deus butou neste mundo!

Tinha cara de preguiça,
cabeça de mono véio,
e pescoço de aribú!
A boca, quando se ria,
taquarmente parecia
a boca de um cangurú!

Tinha as oreias de porco
e os dentes de caitetú!
Tinha barriga de sapo,
e o nariz, impipocado,
figurava um genipapo!

Os braços era taliquá
dois braços sirigaitado
d' um veio tamanduá!
Os óios - dois berimbau!
As pernas finas alembrava
as pernas d' um pica pau!

O queixo de capivara
tinha um bigode pru riba,
que quase tapava a cara!
O cabelo surupinho
era, sem tirá nem pô,
cabelo de porco espinho!

Im conclusão, prá findá,
tinha os dedos de gambá,
os hombros redondo e chato
e os pé que nem pé de pato!

Inda mais prá cumpletá
aquela xeringamança
e feiúra de pagóde,
o hôme quando se ria,
era um cavalo rinchando,
e quando táva suando,
tinha um ôroma de bóde.

Apois bem. Esse raboeza,
que era prú todas as bocas
chamado : Chico Beleza;
esse horríve lobizome,
que era mais feio que a fome,
mais feio que o Demo inté
quando as pernas sacudia,
sambando nargum banzé
enfeitiçando as viola,
apaixonando as muié,
trazia tôda as cabôca,
cumo um capaxo, dibaxo,
das duas sóla do pé!!!



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         Para terminar a Tertúlia, Rolando Boldrin canta (após declamar "Senhor Brasil") a sua música "Vide Vida Marvada".



         Um grande abraço e até a próxima!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

ORATÓRIO CAMPEIRO – VÍCIOS DISTRITAIS




E Deus disse a Salomão:
“Manifestaste o desejo do teu coração: não pediste fortuna, riquezas ou glória,
nem a morte dos inimigos ou muitos anos de vida, mas sabedoria e conhecimento
para poderes governar meu povo sobre o qual te constituí rei.


Amigas e Amigos,

Na leitura matinal da edição impressa do Correio Braziliense, hoje, chamou-me a atenção, na página 14, a coluna “Visão do Correio” com o título “Distritais aumentam gastos pessoais”, que parecia trazer uma reflexão sobre o grande desperdício de dinheiro público provocado pela existência da Câmara Distrital – opinião que não consigo qualquer argumento para discordar. A referida coluna inicia dizendo que:
Surpreende a capacidade da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) de tomar decisões capazes de indignar o eleitor. A mais recente se refere ao reajuste de 77,77% no valor da verba indenizatória dos distritais. Com a iniciativa aprovada pela Mesa Diretora, cada deputado tem à disposição R$ 20 mil mensais para gastar com divulgação, combustível, consultoria, aluguel de carro e outras despesas que julgar necessárias. A mordomia tem custo alto: R$ 5,5 milhões por ano. São recursos que faltam aos setores que educam, curam e salvam vidas.

Pensei em registrar minha indignação dizendo que um aumento de quase 80% no salário indireto (ou pseudodisfarçado) dos deputados “é brincadeira”, o que não achei que traduz bem minha idéia. Acredito que será melhor substituir a expressão entre aspas por “é bandalheira”, e das grandes. É reflexo do completo descaso existente nos poderes que regem o Distrito Federal em relação a educação, a saúde e a segurança da população. Somente esse descaso permite entender como essa bandalheira dos deputados sequer incomoda os demais poderes.

Pensando no quanto não foi feito desde a criação desses “cabides” de emprego chamado CLDF, fica ainda mais difícil digerir a informação encontrada em outra parte da citada coluna do Correio onde diz que:
A superestrutura posta à disposição do parlamentar faz inveja a instituições semelhantes existentes mundo afora. Cada gabinete tem direito de abrigar 23 funcionários, contratados segundo a escolha do distrital sem obrigatoriedade de obedecer a critérios técnicos. A lotação custa aos cofres públicos nada menos de R$ 97,2 mil mensais. A CLDF despende R$ 109 mil por dia para manter as regalias.

         Acredito que só não temos maiores informações sobre danos ocorridos por cabeças se batendo dessa enorme quantidade de funcionários desqualificados porque, provavelmente, o corpo nem se preocupa em aparecer para trabalhar, pois a falta de capacitação técnica pode ser usada como desculpa para não fazer nada. Para receber o salário, como o crédito é em uma conta previamente informada, o funcionário se apresenta (no Banco).

         Os poderes constituídos são importantes para o efetivo exercício da democracia, mas quando os poderes apresentam os vícios de origem – e de continuidade – apresentados no Distrito Federal, torna-se difícil justificá-los, mesmo pensando da forma mais democrática possível. Para caracterizar isso, em outro trecho da referida coluna do Correio, li que:
Nosso Legislativo nasceu com os vícios das gaiolas de ouro espalhadas pelos 26 estados. Entre eles, nepotismo, legislação em causa própria, servidores fantasmas, medidas contrárias às necessidades da capital, iniciativas que estimulam invasões de terra, comprometem o meio ambiente, sobrecarregam o equipamento urbano. A democracia, vale repetir, é importante demais para ser deixada em mãos de quem se esquece das próximas gerações para pensar na própria eleição.

    Talvez o exacerbado interesse pela própria, ou pela próxima, eleição não permita que tenhamos segurança pública para nossa tranqüilidade, nem educação com escolas adequadas e professores remunerados com salários dignos, e nem saúde com atendimento que não irritem os usuários. Mas imaginemos que oferecer dignidade para os cidadãos impactaria negativamente os imprescindíveis 77,77% (de onde tiraram essa possível dízima periódica?) tão necessários para os tais “distritais”.
     Esquecendo um pouco os problemas particulares da capital federal, lembro que hoje é dia de dois santos irmãos: o monge São Cirilo e o bispo São Metódico, nascidos na Macedônia e educados em Constantinopla, onde Cirilo se destacou como importante mestre da Universidade, o que lhe conferiu o título de Patrono dos Professores do Grau Elementar. Quando aderiram a vida religiosa, foram pregar o evangelho na Hungria, onde desenvolveram um alfabeto eslavo, o cirílico, que lhes permitiu traduzir a Bíblica, os livros litúrgicos e os livros catequéticos. Esses trabalhos embasarem toda a literatura eslava e fez deles os pais dessa cultura.



       São Cirilo e São Metódio foram declarados com os “Apóstolos dos Eslavos” e proclamados – juntamente com São Bento – por João Paulo II (1980) como os “Patronos da Europa”. Neste Oratório Campeiro, como sugestão para inspirar as orações da semana, deixo a Oração feita por São Cirilo ao perceber que o dia de sua morte se aproximava.

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ORAÇÃO DE SÃO CIRILO

Senhor Deus,
Tu que criaste o coro dos anjos
E todas as potências celestes,
Tu que levastes todas as coisas
Do não-ser para a vida,
Escutas sempre as orações
Daqueles que fazem tua santa vontade
E, no temor de ti,
Respeitam os mandamentos.
Escuta, Senhor, minha humilde oração:
Protege o rebanho dos fiéis que confiaste a mim,
Que sou teu humilde e indigno servo.
Livra-os da malícia ímpia e pagã
Daqueles que blasfemam contra ti,
Destrói a heresia das três línguas
Faz crescer a tua Igreja
E conserva-a fortemente unida.
Une o teu povo na profissão da fé,
Inflama o coração dele pela verdade da tua Palavra.
Tu nos concedeste uma graça imensa
Chamando-nos para proclamar o Evangelho de Cristo
E o teu povo está pronto
Para concluir a tua obra de bondade.
Eu coloco nas tuas mãos os que me confiaste –
Guia-os com tua poderosa mão direita
E protege-os para que todos cantem o teu louvor
E glorifiquem o teu santo nome
Pai, Filho e Espírito Santo.
Amém!


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Para acompanhar a oração escolhida, lembrando que os santos de hoje eram irmãos, vamos ouvir o saudoso Padre Léo cantar “Na taipa do fogão”, que nos remete para um verdadeiro marco de reuniões familiares nas regiões rurais de todo o país.


Com votos de uma ótima semana, que a Paz de Cristo permaneça conosco!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

ABRINDO A PORTEIRA - E SE FOSSE HOJE?



Experimentai a felicidade da dedicação e entrega,
a felicidade da modéstia e simplicidade e a felicidade da cooperação e solicitude!
Nenhum outro caminho vos conduz tão rápida e tão seguramente
no sentido do conhecimento da unicidade e sacralidade da vida!
(Herman Hesse)



Amigas e Amigos,

         Mais uma segunda-feira, abrindo a porteira para mais uma semana. O comentário de hoje está associado a uma matéria da Folha de São Paulo (http://www.folha.uol.com.br), de hoje, onde é feita referência a um texto – sobre um livro que faz sucesso ao listar arrependimentos de doentes terminais – publicado no site do jornal “The Guardian”, no dia 1º de fevereiro, com grande repercussão internacional.

         Na Folha, pode-se encontrar que:
Nada de desejos como pular de paraquedas ou visitar as pirâmides. Pessoas que estão prestes a morrer arrependem-se de ter trabalhado demais, não ter encontrado tempo para os amigos ou de ter deixado de viver a vida que, de fato, sonhavam. Pelo menos é o que retrata a enfermeira australiana Bronnie Ware, especializada em cuidados paliativos, no livro "The Top Five Regrets of the Dying" ("Os Cinco Maiores Arrependimentos à Beira da Morte", em tradução livre).
         Sites que comercializam o livro dizem que a autora – Bronnie Ware – buscou um trabalho que lhe trouxesse alegria ao coração após muitos anos de trabalho que não lhe satisfaziam. Mesmo sem formação ou experiência, dedicou longos anos de sua vida ao cuidado de pacientes terminais, o que acabou transformando sua própria existência. Para apresentar os arrependimentos que lhe eram expressos por aqueles que ela acompanhava, criou um blog na Internet, que acabou acessado por mais de três milhões de pessoas do mundo inteiro.







         No livro “The Top Five Regrets of the Dying: A Life Transformed by the Dearly Departing” – segundo a autora, uma consequência de solicitações dos leitores de seu blog – Bronnie  compartilha sua própria história pessoal, na tentativa de mostrar seu entendimento possibilidade de se fazer as escolhas certas para encontrar a paz de espírito antes da morte.

          A Folha apresenta um gráfico em que aparece a citação dos cinco maiores arrependimentos para antes da morte. No “The Guardian”, do dia 1º de fevereiro, esses cinco “pesares” testemunhados por Bronnie estão mais detalhados e, num pequeno resumo, são eles:
·        Eu gostaria de ter tido a coragem de viver uma vida fiel a mim mesmo, e não a vida que os outros esperavam de mim (quando as pessoas percebem que sua vida está quase no fim e olham para trás, percebem mais claramente quantos sonhos ficaram por realizar);
·        Eu desejaria não ter trabalhado tanto (testemunho dos pacientes que perceberam ter perdido a juventude de seus filhos e companheirismo da/o parceira/o);
·        Eu gostaria de ter tido a coragem de expressar meus sentimentos (as pessoas se vêem em uma existência medíocre por abafarem seus sentimentos, preocupados em uma convivência pacífica com outros);
·        Eu gostaria de ficado mais tempo com meus amigos (manifestação de arrependimentos profundos em relação ao pouco esforço e dedicação de tempo a amizades que, acreditam, mereceriam); e
·        Eu desejaria ter-me feito mais feliz (muitos, presos a velhos padrões e hábitos, não percebem que a felicidade é uma escolha pessoal).

Ainda conforme as reportagens, a autora afirmou que: "As pessoas amadurecem muito quando precisam enfrentar a morte e experimentam uma série de emoções que inclui negação, medo, arrependimento e, em algum momento, aceitação". É importante deixar bem claro que Bronnie trabalhava com pacientes terminais, com câncer, e em suas últimas semanas. Deixo tudo isso bem claro para, conforme o “The Guardian” perguntar para você que está lendo: Qual seria seu último arrependimento se hoje fosse seu último dia de vida?

         Para acompanhar a sua reflexão com a questão deixada acima, escolhi a música “A Vida do Viajante”, de Luiz Gonzaga e Hervê Cordovil, interpretada por Maria Dapaz (que eu admiro desde que ainda era Maria da Paz), no CD que carregou essa música como título e foi indicado ao Grammy Latino, como Melhor CD Regional, em setembro de 2004, em Los Angeles.



Um grande abraço e até a próxima!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

TERTÚLIA NATIVA – EFEITO CASCATA OU O FEITO É “CASCATA”




O homem acredita mais com os olhos do que com os ouvidos.
Por isso longo é o caminho através de regras e normas,
curto e eficaz através do exemplo.
(Lucius Annaeus Seneca)



Amigas e Amigos,

Inicio esta Tertúlia Nativa comentando a greve dos policiais na Bahia que, conforme a Folha de São Paulo, pode se alastrar, por mais seis estados – RJ, PA, PR, AL, ES e RS, além de ser preocupação no DF – e que já chegou a seu oitavo dia. Para o governo federal, a situação mais crítica é a do Rio de Janeiro pela preocupação com cenas violentas nessa proximidade do Carnaval. Sobre o impasse na Bahia, a Folha publicou que: “Apesar do aparente distensionamento, a tentativa frustrada de acordo levou ontem manifestantes à rampa da Assembléia para gritar em coro: ‘Ôôô, o Carnaval acabou!’”.

Não tenho idéia da representatividade do Carnaval para a economia baiana, mas acredito – pelo que se pode observar nas coberturas jornalísticas – exercer um papel considerável. Sendo isso factual, não percebo a lógica de trabalhar pela possibilidade de reduzir a arrecadação – esvaziamento do Carnaval – para aumentar a despesa – pagamento dos salários dos policiais. Mas isso deve ter sido considerado na escolha do melhor período para a paralisação.

Outra notícia relacionada a esta foi a do jornal O Estado de São Paulo sobre a “epidemia” de greves que está levando a presidente Dilma a rediscutir direitos de servidores públicos à luz de um projeto engavetado por ela quando ministra da Casa Civil. No portal do referido jornal (http://www.estadao.com.br), pode-se encontrar que:
Ontem, o Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores da Policia Civil (Ugeirm-Sindicato) do Rio Grande do Sul anunciou o início de uma operação padrão. No dia 15, PMs e bombeiros ameaçam entrar em greve no Espírito Santo. Líderes da PEC 300 (que aumenta o salário de policiais e unifica os pisos pelo País) informaram que Minas também já enfrenta focos de reclamação da categoria. No Rio, policiais e bombeiros marcaram uma assembleia para hoje e podem definir greve a partir de amanhã. Isso apesar da tentativa do governo de adiantar reajustes para evitar mobilizações. Levada ontem a Assembleia, a proposta foi considerada insatisfatória por associações e representações de classe, recebeu 78 emendas e saiu de pauta.  Líder do PSDB baiano, legenda que abriga o líder da paralisação, o deputado Antônio Imbassahy diz que o governo federal, "ao assumir a negociação na Bahia, da forma como foi feito, convocou os policiais de outros Estados a aderir ao movimento". O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), disse ontem que o Congresso está disposto a rediscutir o direito de greve. Mas reiterou que não vai pôr em votação a PEC 300. O projeto de lei de restrição ao direito de greve foi preparado pela Advocacia-Geral da União em 2007, mas parou na Casa Civil, que, então comandada por Dilma Rousseff, não levou a proposta adiante. [...] O texto inclui segurança pública entre os 19 serviços considerados "inadiáveis de interesse público", em que o estado de greve deverá ser declarado com antecedência mínima maior, de 72 horas. E a proposta limita a paralisação a 40% dos servidores de um órgão.

          Essa paralisação – em conjunto com as ameaças de paralisações avaliadas pelo governo federal – poderia ser em conseqüência dos salários exorbitantes recebidos pelos parlamentares brasileiros, configurando um efeito cascata a se refletir pelos diversos segmentos de trabalhadores do país.

         Outra idéia que não deve ser descartada, dada a acintosa parceria percebida entre governo e sindicatos, é a de que a paralisação é combinada para justificar um possível aumento para a sociedade pagadora de altos impostos. Ou até para facilitar a aprovação do PEC 300. E aí, o feito (ou a greve) é “cascata”...



         Como nem sempre o que parece é e o que é, às vezes, nem parece, na Tertúlia de hoje tem o causo “O Cavalo Verde”, do Luís Coronel, que é o título primeiro volume de uma trilogia desse autor, da qual fazem parte "O cachorro azul" e "O gato escarlate".

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O CAVALO VERDE
                                  Luís Coronel

Jovenciano Centeno era flaco de corpo e largo de alardes.

Num cair de tarde de quase janeiro, apeou na venda do Noquinha e foi molhar a palavra, como era de costume. Pé no cepo, cotovelo na mesa, por lá foi se ficando numa mais outra.

Quando o lusco-fusco já aquietava os cuscos, colocou a bota fora do portal e se deparou com o seu cavalo tordilho, pintado de verde.

Respirou fundo e entrou na venda, se plantando embaixo do lampião com pose de quero-quero.

– Se tem mãe de respeito, quem fez o desaforo que se apresente. – gritou Jovenciano.

Lá do fundo da venda, caminhando devagar como quem trafega atoleiro, vem vindo Salustiano, um “aspa-torta” com dois metros de altura e uma “feiúra de partir espelho”.

Vinha limpando as unhas com uma carneadeira luminosa.

– Pois um matungo na cor dos campos te serve melhor de montaria, seu maturrango! – falou e disse o desabusado.

 “Bêbado de susto” e atropelo, Jovenciano teve tempo apenas de aliviar os acontecidos.

– Êpa, êpa! – retrucou Jovenciano. – Eu só vim avisar que a primeira demão já tá seca, tchê!


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         Para terminar a Tertúlia, e amadrinhar o causo, deixo a música "Cavalo Crioulo", de Luiz Carlos Borges e Mauro Ferreira, interpretada pelo Borges, acompanhado do Mauro.

 

         Um grande abraço e até a próxima!


terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

ORATÓRIO CAMPEIRO – SEPÉ, UM SANTO POPULAR



Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo
vos estabeleceu como guardiães, como pastores da Igreja de Deus que ele adquiriu com o seu sangue.
(Atos dos Apóstolos 20,28)







Amigas e Amigos,

O dia de hoje carrega a marca da morte de Sepé Tiarajú, líder e herói maior do povo Guarani, ocorrida no ano de 1756. O missioneiro Sepé Tiarajú está inscrito no Livro dos Heróis da Pátria, conforme Lei nº 12.032, de 21 de setembro de 2009, ao lado de nomes como Tiradentes e Zumbi dos Palmares.

Pela época de seu nascimento e por estar em um país influenciado pelo catolicismo, o único documento que possibilitava a cidadania era a certidão de batismo, até hoje não encontrada, o que permitiria tornar conhecido o nome de seus pais, a data e o local de seu nascimento. Diversos escritores, em romances abordando a vida deste herói, citam que seu nascimento – sem qualquer comprovação – teria ocorrido na cidade missioneira de São Luís Gonzaga, onde teria vivido com os pais até os 8 anos de idade, quando estes morreram.



O orgulho de gozar da mesma cidadania de Sepé é tão grande em São Luís Gonzaga que a falta de comprovação é só um detalhe. Essa certeza extrínseca fez com que os são-luisenses erguessem um monumento de dois metros de altura na entrada da cidade, em homenagem ao assumido concidadão.  

Em uma entrevista publicada em maio/2010 na Revista do Instituto Humanista Unisinos (http://www.ihuonline.unisinos.br), o Irmão marista, formado em Letras Clássicas e em Direito pela PUC-RS, Antônio Cechin – fundador da CPT RS (Comissão de Pastoral da Terra do Rio Grande do Sul) e da ONG Movimento Sócio-Ambiental Caminho das Águas – definiu que “Sepé é Santo porque ele nasce num povo organizado e santo. Foi o próprio Jesus Cristo quem disse: ‘Não há maior prova de amor do que dar a vida por aqueles a quem se ama’”.

Na publicação citada acima, o Irmão Cechin descreve Sepé, enquanto líder máximo da causa indígena no país e símbolo da resistência, com as seguintes palavras:
Diante da extraordinária figura do herói-santo, o índio missioneiro guarani Sepé Tiaraju, nossas gerações do presente e do futuro, a exemplo das passadas, devem se inclinar reverentes. [...] O Rio Grande do Sul não necessita criar uma figura imaginária. Pode oferecê-la ao Brasil, em carne e osso, na sua realidade histórica. Ela é tão grande, que sua grandeza sobressaiu da história para entrar na lenda, e não saiu da lenda para entrar na história. Sepé Tiaraju perece às portas dos Sete Povos das Missões Orientais do Uruguai, à vanguarda dos índios missioneiros, enfrentando os exércitos imperialistas de Espanha e Portugal, em defesa do território da Pátria natural, ainda quase virgem do pé civilizado do europeu, madrugando para a América; pátria telúrica, politicamente indefinida, mas pátria; terra onde nascera, chão nativo, onde plantara seu rancho e acendera seu fogo. Sepé é o primeiro pronunciamento de uma consciência rio-grandense. Morreu lutando contra a Espanha e Portugal, por que a terra que defendia era sua e de seus irmãos, tinha dono, fora de seus pais e seria de seus filhos.

         Ainda na revista do IHU, o Irmão Cechin, questionado sobre a influência do provo guarani na constituição da cultura gaúcha, disse que:
O Povo de Deus, na Bíblia, num de seus poemas que são os salmos, canta: “Jerusalém foi construída sobre o monte santo... De Jerusalém (Sião), será dito: Todo homem aí nasceu!... E cantarão: Em ti se encontram todas as minhas fontes!”. O Povo de Deus hoje, do Rio Grande do Sul, que são todas as pessoas de fé, deve também dizer e cantar: “Nas Missões dos Sete Povos, não só nasceu São Sepé Tiaraju, mas também todos nós nascemos!” Aí estão nossas raízes da melhor cidadania com a possibilidade de um projeto de nação eminentemente solidária. A Constituição Brasileira afirma com todas as letras que o nosso Brasil é uma nação multi-étnica. O povo-raiz, para grande orgulho nosso é o povo guarani, o povo missioneiro. Nossos caminhos vão sendo iluminados por Tiaraju, o “Facho de luz”. É uma lástima que o “gauchismo” que anda por aí substituindo Sepé e as Missões Jesuíticas, nosso glorioso nascimento, pela revolução farroupilha que foi uma guerra entre os grandes fazendeiros em que o povo nada teve a ver, esteja tomando o lugar nobre de nossas origens. Aos poucos, com a força dos movimentos populares, estamos colocando as coisas no seu devido lugar. Se Deus quiser, faremos a reconciliação de nosso Rio Grande consigo mesmo que é a reconciliação com a cultura guarani de nossos primórdios, guarani e missioneira.
        
         A história de Sepé Tiaraju confunde-se com a própria história do Brasil colonial e vivifica o sentido de pátria no nascedouro dos países sul-americanos. É perceptível o nascimento do patriotismo no pensamento indígena e é também certo que ao longo do tempo a idéia de inferioridade dos índios mantém-se como pensamento inalterado ao longo da história. Ao não ser promovida a inclusão dos que já habitavam essas terras antes dos colonizadores pode ter resultado em um sentimento de amor pátrio desprovido de alguns fundamentos originais, presentes no pensamento guarani.

         Estamos no mês de fevereiro, iniciado com muita festa para Nossa Senhora. No último dia 2, festejamos a Mãe de Deus – padroeira da Arquidiocese de Porto Alegre-RS – com o título de Nossa Senhora dos Navegantes – padroeira da cidade de Porto Alegre-RS – e, como sugestão, fica hoje em nosso Oratório, uma Oração a Senhora dos Navegantes.



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ORAÇÃO A NOSSA SENHORA DOS NAVEGANTES

Ó Nossa Senhora dos Navegantes,

Mãe de Deus, Criador do céu, da terra,

Dos rios, dos lagos e dos mares,

Protegei-me em todas as minhas viagens.

Que ventos, tempestades, borrascas, raios e ressacas

Não perturbem minha embarcação

E que nenhum incidente imprevisto

Cause alteração e atraso à minha viagem

Nem me desvie da rota traçada.

Virgem Maria, Senhora dos Navegantes,

Minha vida é a travessia de um mar furioso.

As tentações, os fracassos e as desilusões

São ondas impetuosas que ameaçam

Afundar minha frágil embarcação

Nno abismo do desânimo e do desespero.

Ó Nossa Senhora dos Navegantes,

Nas horas de perigo eu penso em vós,

E o medo desaparece,

O ânimo e a disposição de lutar e de vencer

Tornam a me fortalecer.

Com a vossa proteção

E a benção de vosso Filho,

A embarcação da minha vida

Há de ancorar segura e tranqüila

No porto da eternidade.

Amém!


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Para acompanhar o Oratório Campeiro desta semana, escolhi no DVD "O Campo", de César Oliveira & Rogério Melo, a música "De São Miguel a Mercedes", onde os artistas recebem o autor Mano Lima, que prestou bonita homenagem a Sepé Tiaraju. 


 

Com votos de uma ótima semana, que a Paz de Cristo permaneça conosco!


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

ABRINDO A PORTEIRA - MINISTÉRIO SUBSTITUI DENÚNCIAS



Mas o que a Cidade mais deteriora no homem é a Inteligência,
porque ou lha arregimenta dentro da banalidade ou lha empurra para a extravagância.
(Eça de Queirós)




Amigas e Amigos,

         Nesta segunda-feira, a porteira vai se abrindo para comentar as dificuldades de encontrar ministros nesta terra em que o poder está relacionado a alianças que ruborizariam até mesmo o Marques Donatien Alphonse.

         Hoje tem posse no Ministério das Cidades, de onde o anterior ministro Mário Negromonte – indicação do governador da Bahia, Jaques Wagner – afirma ter saído por “problema político”, após longo desgaste no cargo provocado por denúncias que se arrastavam desde o ano passado. O portal G1 (http://g1.globo.com), no último dia 2 de fevereiro, apresentou as denúncias contra Negromonte – o nono ministro substituído – com o seguinte texto:
Em agosto, reportagem da revista “Veja” acusou Negromonte de oferecer R$ 30 mil ao então líder do partido na Câmara para apoiar sua permanência no cargo. Em nota, ele negou a suposta oferta. No mesmo mês, reportagem do jornal “O Estado de S. Paulo” mostrava que, em menos de dois meses, o ministério havia liberado R$ 1,035 milhão para o município de Glória (BA), cuja prefeita, Ena Wilma, é mulher do ministro. Em novembro, segundo reportagem do jornal "O Estado de S. Paulo", ele pressionou funcionários do ministério a fraudar um parecer técnico que recomendava um sistema de transporte mais caro para Cuiabá na Copa do Mundo. Na época, a diretora de Mobilidade Urbana do Ministério, Luiza Gomide, negou a fraude. Negromonte determinou, então, a abertura de sindicância interna para investigar o caso. No mesmo mês, reportagem da revista “Época” dizia que o ministro usou o cargo para obter patrocínio estatal para a Festa do Bode, em Paulo Afonso, reduto eleitoral de seu filho, o deputado estadual Mário Filho, no interior da Bahia. [...] Em janeiro, o jornal "Folha de S.Paulo" trouxe nova denúncia sobre Cássio Peixoto, ex-chefe de gabinete do ministro e que já tinha sido apontado em outras denúncias. Segundo a reportagem, ele recebeu em seu gabinete um lobista e o dono de uma empresa de informática, que estariam interessados numa proposta milionária de informatização do ministério. O ministro teria participado de uma das reuniões, conforme o jornal.
         O problema político referido pelo ex-ministro, dada as denúncias não esclarecidas e a conseqüente “queda”, parecem bem configurados como “problema”, mas quanto ao “político” só parece associado ao mau uso do cargo (político), o que poderia ser configurado melhor por politicagem ou, de forma mais clara, falta de ética para o exercício da titularidade que lhe foi confiada.


Fonte: Diário Gaúcho

         O novo titular da pasta das cidades, Aguinaldo Ribeiro, que toma posse hoje, aparentemente preenche alguns “requisitos” pelo menos sui generis, pois assumirá o cargo com o peso de denúncias oriundas de sua vida pregressa. O jornal Folha de São Paulo, hoje, já traz uma singela apresentação do novo ministro, com a seguinte matéria:
O deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), que tem posse marcada para hoje como novo ministro das Cidades, é dono de duas emissoras de rádio no interior da Paraíba que foram registradas em nome de empregados. As emissoras Cariri AM e PB FM estão no nome da empresa AE Comunicações da Paraíba Ltda., sediada no escritório político que Ribeiro mantém em João Pessoa. Os sócios da empresa, contudo, segundo registro da empresa na Junta Comercial da Paraíba, são um ex-contador e um assessor pessoal do ministro. A firma foi criada em fevereiro de 2010. Uma das rádios controladas pela AE Comunicações, a Cariri AM, funciona no mesmo endereço, em Campina Grande (a 121 km da capital), da sede da River Comunicações Ltda., criada pelo ministro em setembro de 2009. Como a Folha revelou ontem, a River é uma das quatro empresas que o ministro omitiu em sua declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral em 2010, quando se elegeu deputado federal.
         Pelas considerações até aqui, salvo melhor juízo, parece que a importância no “revezamento” ministerial, no que diz respeito a pasta das Cidades, está mais na substituição de denúncias do que propriamente em preencher o cargo com alguém que possa exercê-lo com dignidade.

         Os trabalhadores nas rádios do novo ministro, mesmo que em nome de “laranjas”, têm clareza do verdadeiro dono e, talvez com expectativa de uma “boquinha”, propiciaram algumas pérolas também registradas pela Folha, como:
Na sexta-feira, logo após a confirmação do nome de Aguinaldo Ribeiro como novo ministro, a rádio dedicou duas horas de homenagem a "Aguinaldinho", como era chamado pelos locutores. "Isso aqui é rádio de ministro, rapaz!", afirmou um dos apresentadores, minutos após ser confirmado que Aguinaldo comandaria a pasta das Cidades. A deputada estadual Daniella Ribeiro (PP), irmã do ministro e pré-candidata à Prefeitura de Campina Grande, tem um programa próprio na rádio, "Mandato Popular".
         E se ainda tem ministro que se queixa de ter sido “fritado” por ocupar o “importante” cargo, acredito que o empossado agora não reclamará, pois já tomará posse imerso em um caldeirão com óleo fervente. Agora, é só ele torcer para que a presidente não diga que ele está “prestigiado” – como os dirigentes do futebol qualificam os treinadores em processo de demissão – para se manter no cargo. Afinal, no último dia 30 de janeiro a presidente, em uma cerimônia em Camaçari-BA, elogiou o ex-ministro das Cidades pela sua atuação para o desenvolvimento da Bahia e nos primeiros dias deste mês de fevereiro ele já estava afastado da pasta.


         Para combinar com uma reforma ministerial de araque, nada melhor do que ouvir “Saco Cheio”, de João Gonçalves e João do Rio, interpretada pela dupla Pedro Bento & Zé da Estrada.


Um grande abraço e até a próxima!