terça-feira, 12 de abril de 2011

ORATÓRIO CAMPEIRO – SANTA INFÂNCIA E VELHAS MARACUTAIAS

“Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra,
porque escondeste essas coisas aos sábios e
entendidos e as revelaste aos pequeninos.”
(Evangelho de Lucas 10,21)


Amigas e Amigos!

               O portal UOL (www.uol.com.br) trouxe hoje uma nota sobre um projeto para a realização de um plebiscito – com uma carga de oportunismo que sempre esperamos dos ocupantes de cargos públicos – no próximo mês de outubro, com o seguinte teor:

               O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), anunciou nesta terça-feira (12) que apresentará ainda hoje um projeto de decreto legislativo para realizar um plebiscito no 1º domingo de outubro (no caso, 2 de outubro) sobre comercialização de armas e munição. [...] De acordo com Sarney, os eleitores de todo país iriam às urnas responder a seguinte questão: “O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?”. Caso vença a proibição, o Congresso pretende agilizar a elaboração de um projeto para modificar a lei e o que foi referendado em 2005.

               Aparentemente, poderia ser uma proposta razoável de um parlamentar preocupado com o nível de violência atingido pelo recente massacre de Realengo, mas por todo o retrospecto parece mais o aproveitamento de uma oportunidade para aparecer na mídia – e, de repente, beneficiar algum parente ou amigo na condução ou divulgação da consulta popular. Até por conta dessas possibilidades, pode ser que outros companheiros não tenham sido convidados para essa “festa”, pois em outra nota no mesmo portal se pode encontrar que:

O anúncio do projeto de lei do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), de realizar um plebiscito no 1º domingo de outubro sobre comercialização de armas e munição já provocou repercussões e argumentações contrárias à proposta.Para o senador Pedro Taques (PDT-MT), ex-procurador da República, a ideia de alterar a legislação impulsionada pelo massacre que ocorreu na semana passada no Rio de Janeiro, quando 12 estudantes foram assassinados e 12 ficaram feridos por um ex-aluno.“Eu penso que qualquer legislação gestada e criada em um momento emocional não é bom. Isso aí é a chamada legislação de emergência. Nós temos que pensar a questão do desarmamento. Não é porque ocorreu este evento trágico no Rio de Janeiro que nós vamos, de afogadilho, fazer o referendo ou o plebiscito”, defendeu Taques. [...] Já a avaliação do líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO), é que o foco da discussão no Congresso é que está errado, porque a mudança na legislação atual poderia “tira a arma de fogo do ‘homem de bem’, e não a do marginal”. [...] A previsão de elevados gastos com campanha e a realização do plebiscito também foi alvo das críticas do deputado federal Sandro Mabel (PR-GO). “O que iria custar isso, a gente poderia colocar muito mais detector de metais nas escolas e acabar com este negócio de arma em mão de menino”, argumentou. Questionado se seu argumento se referia ao fato de ele ter sido financiado durante a campanha por fabricante de armas Taurus e pela Associação Nacional da Indústria de Armas e Munições, Mabel não mostrou constrangimento em defender este ramo industrial.
               O que impressiona é a capacidade de nossos desocupados representantes de tirarem proveito de situações diversas sempre que as mesmas possam servir para seus propósitos, nem sempre claros para os eleitores. A idéia do plebiscito serve, provavelmente, para desviar nossa atenção, enquanto se espera a consulta e nossos representantes continuam com suas estressantes jornadas de trabalho entre as terças e quintas-feiras, criando leis que não resistem às investidas feitas pelos juristas. E o tempo vai passando.


 
               Como o dia é de Oratório Campeiro, é bom lembrar que no próximo dia 16 (sábado) é dia de uma santa com uma belíssima experiência em sua infância, em Lourdes, na França, onde foi escolhida para aparições da Virgem Maria. Conforme o portal das Irmãs Paulinas (www.paulinas.org.br), sobre essa santa:
Bernarda, era o nome a filha de Francisco Soubirous e Luisa Casterot, nascida em 7 de janeiro de 1844, em Lourdes, uma região montanhosa da França, os famosos Pirineus. Mas era chamada pela forma carinhosa do nome no diminutivo: Bernadete. [...] Numa tarde úmida e fria, Bernadete foi, junto com a irmãzinha e algumas companheiras, procurar gravetos. Tinham de atravessar um riacho, mas ela se atrasou porque ficou com receio de molhar os pés, quando ouviu um barulho nos arbustos, ergueu os olhos e viu uma luz, dentro da gruta natural na encosta da montanha. Olhando melhor, viu Nossa Senhora vestida de branco, faixa azul na cintura, terço entre as mãos, que a chamou para rezar. Era o dia 11 de fevereiro de 1858. [...]O pároco da diocese, no início, mostrou-se incrédulo quanto às aparições, por isso disse a Bernadete: "Peça a essa senhora que diga o seu nome". A resposta foi: "Eu sou a Imaculada Conceição". O que mais se admirou em Bernadete foi a sua modéstia, autenticidade e simplicidade. Compreendeu que tinha sido escolhida como instrumento para a mensagem que a Virgem queria transmitir ao mundo, que era a conversão, a necessidade de rezar o terço e o seu próprio nome: "Imaculada Conceição". [...] Bernadete morreu em 16 de abril de 1879. O papa Pio XI canonizou-a em 8 de dezembro de 1933, dia da Imaculada Conceição, designando sua festa para o dia de sua morte.
               A proposta para esta semana é que, acompanhados de Santa Bernadete - cujo corpo permanece incorrupto-, oremos invocando a Imaculada Conceição de Maria.

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ORAÇÃO PELA IMACULADA CONCEIÇÃO

Ó Deus, que pela Imaculada Conceição da Virgem

Preparastes para Vosso Filho digna morada,

Nós Vos suplicamos humildemente que,

Assim como, em atenção

Aos merecimentos desse mesmo Filho,

Dignastes-vos preservá-la de toda mácula,

Concedais-nos igualmente, por sua intercessão,

A graça de chegarmos a Vós limpos do pecado.

Pelo mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor.

Amém!

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               Para acompanhar nossa oração, ainda lembrando as vítimas, e seus familiares, da chacina na escola do Rio de Janeiro, sugiro escutar Bruno & Marrone, cantando com Pe. Marcelo Rossi, a música “Nossa Senhora do Brasil”.




               Até o próximo Oratório, aqui no Canto da Terra, e que a Paz de Cristo permaneça conosco!

Wilmar Machado

domingo, 10 de abril de 2011

PROSA DE DOMINGO – O RANÇO DA DITADURA

Amigas e Amigos,

                  Neste domingo, com muito sol e muita (mas muita, mesmo) chuva em Brasília-DF, apresentei o programa Canto da Terra, pela manhã, nas Rádios Nova Aliança (http://www.novaalianca.org.br) e, no período da tarde, após o futebol na televisão, encontro uma matéria, pelo menos, instigante. Pareceu-me que ainda existem muitas “viúvas” da ditadura militar, que sobrevivem com o vazio psicológico provocado pela ausência do poder absoluto experimentado.

                  Não tenho nada contra (e também não lembro nada muito a favor) de novelas televisivas. Como toda a expressão que envolve arte, acredito existirem novelas bem feitas e outras de duvidosa elaboração, mas nem sempre esses critérios impactam diretamente o sucesso ou insucesso da obra. Não penso, agora, em qualquer reflexão sobre novelas, autores, produtores, diretores, técnica ou atores, nem sobre o “aproveitamento” dado pelas emissoras a esses espaços, com propagandas ou apresentações de idéias, nem sempre bem entendidas. Penso sempre que a audiência pode levar emissoras e patrocinadores a algum tipo de reflexão.



 
                  Fazendo um elo entre os parágrafos acima, reproduzo a matéria publicada na página “Na Telinha”, do portal UOL (http//www.uol.com.br), sobre um abaixo-assinado (nem tudo está tao perdido, pois o número de adesões é muito baixo) que o portal militar promove para cancelar a novela “Amor e Revolução”, do SBT, que, segundo o portal Terra (http://www.terra.com.br) “tem boa história e nenhuma dramaturgia”. Diz o “Na Telinha” que:
Desta vez, um portal militar resolveu fazer um abaixo-assinado contra a novela de Tiago Santiago, que aborda o período da ditadura militar no Brasil. Os donos do site querem que a trama seja proibida de ir ao ar no SBT. No texto, os autores dizem que "é óbvio que o governo federal através da comissão da verdade, recém criada, está participando do acordo em exibir a novela Amor e Revolução no SBT. Parece-nos que se trata de um acordo firmado com o empresário Silvio Santos, visando o saneamento do Banco Panamericano do próprio empresário. As forças armadas não devem permitir, dentro da legalidade, que tal novela seja exibida, pelos motivos óbvios abaixo declarados. Convém salientar que as forças armadas já se manifestaram negativamente a respeito da novela Amor e Revolução". E completam: "sendo assim, o efetivo da forças armadas, tanto da ativa como inativos e pensionistas, vêm respeitosamente através desse abaixo assinado, como um instrumento democrático, solicitar do digno Ministério Público Federal, representado acima, providências em defesa da normalidade constitucional, vista o cumprimento da lei de anistia existente, conforme já decidiu o Supremo Tribunal Federal. Nestes termos pede deferimento em caráter urgentíssimo". Procurado pelo NaTelinha, o novelista Tiago Santiago falou sobre o protesto: [...] “achei uma iniciativa despropositada, que interessa apenas aos criminosos, torturadores e assassinos, que violaram as Convenções de Genebra, nos chamados ’anos de chumbo’ da ditadura militar". A colaboradora de Tiago Santiago em "Amor e Revolução", Renata Dias Gomes, também falou com o NaTelinha. Ela comentou que "felizmente a ditadura e a censura acabaram e hoje a gente pode contar uma história sem medo. Ou deveria poder".

                  É interessante observar o perfil (poder-se-ia considerar doentio?) semelhante aos dos personagens dos Anos de Cumbo, ao imaginarem – com duvidosa criatividade – situações que, rapidamente, viram verdades em “cérebros pouco privilegiados”. Visitei o portal militar e essas verdadeiras “preciosidades” me chamaram a atenção: o “é óbvio” seguido de uma bobagem como se fosse uma verdade; e o citado “acordo firmado” é tão perceptível como “chifre em cabeça de cavalo”. Mas o ranço ditatorial fica evidente ao se evidenciar a “normalidade constitucional” para tentar uma violência bárbara contra a própria constituição.

                  Não vi nenhum capítulo dessa novela e nem estou defendendo a história retratada, até por desconhecê-la completamente. Mas penso que a liberdade de expressão deve estar acima das baboseiras que tanto nos privaram em um período recente de nossa história – ainda bem que, a inteligência de nossos artistas conseguiram inúmeras vezes burlar a ignorante censura de alguns ignorantes. E só assim, poderemos garantir o direito de criar – assistir ou não é decisão de cada um.

                  Para concluir esta Prosa com muita esperança de que o Brasil coloque esse abaixo-assinado em seu lugar devido – que pode ser abaixo da terra, devidamente enterrado na mesma cova da ditadura que alguns ainda tentam ressuscitar –, sugiro a música “Brasil Poeira”, de Almir Sater e Renato Teixeira, na interpretação de Almir Sater, com sua inconfundível viola.


                  Até a próxima Prosa, aqui no Canto da Terra, e um grande abraço!

Wilmar Machado

sábado, 9 de abril de 2011

FOGÃO DE LENHA - DE BRAVATAS E ESPINHAÇO

Amigas e Amigos!

                  Depois do comentário de ontem sobre o massacre na escola em Realengo, no Rio de Janeiro-RJ, uma notícia chocante é encontrada no “cotidiano” da Folha de São Paulo (http://www.folha.uol.com.br), hoje, narrando a ameaça a estudantes na Universidade Federal do Ceará, feita por um policial – aluno da instituição – que estava armado.

                  Como nesse caso não houve mortes, provavelmente, será encomendada mais uma “pizza” e tudo, logo, será esquecido. E, se daqui a pouco, essa arma servir para algo mais do que apenas ameaças, estarrecidos, perguntaremos buscaremos explicar a situação. Conforme a matéria da Folha, agora não houve disparos, mas:
Um escrivão da Polícia Civil foi detido na tarde desta sexta-feira em Fortaleza, no campus Pici da UFC (Universidade Federal do Ceará), após supostamente sacar a arma e ameaçar estudantes. Segundo o delegado Francisco Braguinha de Souza, o policial, que estuda engenharia metalúrgica, parou o carro em um lugar que atrapalhava a saída de veículos em um estacionamento do bloco de engenharia. Um grupo de alunos protestou e pediu ao policial que tirasse o carro do local, mas ele se recusou e entrou no prédio, segundo um estudante de engenharia elétrica que não quis se identificar. Quando o policial voltou, por volta de 17h, encontrou o veículo riscado, com três pneus murchos e um recado no parabrisa com a palavra "otário", segundo Souza. O suspeito teria então entrado no carro e sacado a arma, perguntando "Quem é o otário agora", afirmou o delegado. A segurança universitária foi chamada e acionou a polícia. O homem teve a arma apreendida e foi levado ao 10º DP, onde foi registrado um termo circunstanciado de ocorrência --para infrações de pequeno potencial ofensivo. Segundo Souza, o escrivão vai responder pelo ato nas esferas criminal e administrativa, sob suspeita de uso inadequado da arma. A Polícia Civil também enviou policiais ao campus para identificar possíveis vítimas de ameaças do homem. "Um policial não pode fazer justiça com as próprias mãos. Ele deveria ter registrado boletim de ocorrência", disse o delegado Luiz Carlos Dantas.
                  Certamente, os “santinhos” responsáveis pelos atos de vandalismo envolvendo o carro do policial são merecedores de punição pois o que toscamente tentaram foi fazer justiça – a maneira deles – com as próprias mãos contra a possível arrogância do policial. O final da história só não foi bem pior porque ainda restou ao desiquilibrado aluno-policial alguma coisa que poderia ser associada a controle.


 
                  Tudo o que eu queria hoje - mas não foi possível deixar de comentar o "potencial massacre" da UFC - era sugerir, aqui no Fogão de Lenha, que aproveitássemos esse último fim de semana, antes da Semana Santa, para preparar um prato típico do Rio Grande do Sul: o Espinhaço de Ovelha com Arroz.

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ESPINHAÇO DE OVELHA COM ARROZ

Ingredientes:

1 kg de espinhaço de ovelha limpo

1 cebola grande picada

4 tomates picados

2 colheres (sopa) de óleo

2 xícara de arroz

Água fervente

Algumas folhas de manjerona

2 dentes de alho picado

Pimenta do reino a gosto

Sal a gosto.

Modo de preparo:

Lave os espinhaços, corte em pedaços.

Misture sal, alho e pimentas do reino até formar uma pasta.

Esfregue bem nos pedaços de carne.

Aqueça o óleo em uma panela.

Junte o espinhaço e deixe dourar ligeiramente

Acrescente o manjericão.

Junte um pouco de água e cozinhe até amaciar a carne.

Junte a cebola e os tomates, deixando fritar um pouco.

Acrescente arroz e frite, mexendo sempre,

Coloque 4 xícaras de água fervente.

Verifique o tempero e acerte, se necessário.

Cozinhe em fogo brando até o arroz ficar macio.



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                  Para acompanhar a iguaria do Fogão de Lenha, aqui no Canto da Terra, sugiro a música “Churrasqueando”, com o Grupo Rodeio.



                  Um grande abraço e até o próximo!

Wilmar Machado

quinta-feira, 7 de abril de 2011

GALERIA SERTANEJA - CORAGEM, REALENGO

Amigas e Amigos,

                   Nesta Galeria Sertaneja, por mais que eu procure falar de qualquer outro assunto, não tem como deixar de comentar a tragédia ocorrida, hoje, em uma escola no Rio de Janeiro-RJ. Até o momento em que estou escrevendo, foram constatadas 12 mortes de adolescentes com idades entre 12 e 15 anos, baleados por um transtornado jovem assassino de 24 anos, na escola municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na zona oeste do Rio.



                   A notícia se espalhou pelo mundo, por não ser o Brasil um país onde esse tipo de crime em colégios apresentasse registros anteriores. A violência contra menores por aqui acontece escondida dentro das próprias residências, mas – como racismo, homofobia e outras vergonhas que carregamos – preferimos “fazer de conta” que está tudo bem por aqui.

                   O momento não é de buscarmos culpados – o criminoso está morto – mas de refletirmos sobre o que pode ser feito para diminuir esses desatinos. O sofrimento dos familiares e amigos dessas crianças não pode ser em vão. A presença de armas em escolas é muito comum, mas servem, na maioria das vezes para uma ameaça ou alguma outra demonstração de “poder”, tolerada pela sociedade – por nós –, acreditando que está muito distante de nossas vidas.

                   Se pensarmos nas leis de nosso país, não conseguiremos, provavelmente, imaginar como uma arma poderia parar na mão do responsável pelo massacre de Realengo (e ele tinha dois revólveres). Um potencial desequilibrado (segundo depoimento de parentes) armado e sabe-se lá desde quando. Necessitamos, cada vez mais, desarmar a população. Mas necessitamos, e muito, de um judiciário que troque declarações rebuscadas e enroladas por práticas que garantam bandidos em cadeias e cidadãos circulando sem tanto medo. Penas leves e diminuídas – com indultos dos mais diversos – incentivam, e muito, a violência pela certeza de impunidade.

                   Para externar a nossa solidariedade a todos os familiares das pequenas vítimas da chacina de Realengo, fui buscar no cancioneiro gaúcho das Califórnias da Canção, de Uruguaiana, a música de João Batista Machado e Júlio Machado da Silva Neto, na interpretação do saudoso Cezar Passarinho, “Guri”.

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GURI

                                                                 Composição: J.B.Machado e J.M.S.Neto
                                             Intérprete: Cezar Passarinho

Das roupas velhas do pai queria que a mãe fizesse

Uma mala de garupa e uma bombacha e me desse

Queria boinas e alpargatas e um cachorro companheiro

Pra me ajudar a botar as vacas no meu petiço sogueiro


Hei de ter uma tabuada e o meu livro "Queres Ler"

Vou aprender a fazer contas e algum bilhete escrever

Pra que a filha do seu Bento saiba que ela é meu bem querer

E se não for por escrito eu não me animo a dizer


Quero gaita de oito baixos pra ver o ronco que sai

Botas feitio do Alegrete e esporas do Ibirocai

Lenço vermelho e guaiaca compradas lá no Uruguai

Pra que digam quando eu passe saiu igualzito ao pai


E se Deus não achar muito tanta coisa que eu pedi

Não deixe que eu me separe deste rancho onde nasci

Nem me desperte tão cedo do meu sonho de guri

E de lambuja permita que eu nunca saia daqui

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                   Abaixo, uma interpretação do Cezar Passarinho, acompanhado pelo Borghettinho, no programa Galpão Crioulo, na RBS, de Porto Alegre-RS.


                   Um grande abraço e até a próxima!

Wilmar Machado

terça-feira, 5 de abril de 2011

ORATÓRIO CAMPEIRO - EMBROMANDO A EDUCAÇÃO

Amigas e Amigos!

                No próximo dia 7 de abril, é celebrado São João Batista de La Salle, que nasceu na França (em Reims), no ano de 1651. Era doutor em Teologia e fundou a Congregação Irmãos das Escolas Cristãs, que se estabeleceu no Brasil em 1907, inicialmente no Rio Grande do Sul, no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. São J.B. de La Salle morreu em uma Sexta-feira Santa em 1719 e foi proclamado, posteriormente, “Padroeiro celeste de todos os educadores”.



                Hoje, no caderno “Eu, estudante”, do Correio Braziliense (www.correioweb.com.br), foi publicado que a população brasileira poderá ser consultada sobre um possível – mas não muito provável – aumento de verba para a educação, com base em informação da Agência Câmara, onde se lê que:
A Câmara analisa o Projeto de Decreto Legislativo 11/11, do deputado Ivan Valente (Psol-SP), que prevê a realização de plebiscito em 2012 para saber se os brasileiros são favoráveis ou não à obrigatoriedade de aplicação do percentual de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) em educação, por parte da União, de estados e de municípios. Em 2009, o investimento público em educação foi de 5,7% em relação ao PIB (1,2% da União, 2,4% dos estados e 2,2% dos municípios), de acordo com dados do Inep/MEC. Ivan Valente afirma que a ampliação dos recursos para a educação é uma medida urgente e necessária para elevar a qualidade do ensino e garantir a todos os brasileiros o direito à educação. Ele lembra que essa é uma reivindicação da Conferência Nacional de Educação (Conae), mas “parece não sensibilizar” o Poder Executivo. 

                Enquanto o “mico da educação” vai pulando de um ombro para outro, nada se resolve e vai ficando “tudo como antes no quartel d’Abrantes”. Se tudo correr (muito) bem, em 2012 responderemos o óbvio em um plebiscito (ou alguém no Psol ou em qualquer outro partido tem alguma dúvida) sobre a utilização de 10% do PIB, em vez dos míseros 5,7% atuais que faz a educação estar nos níveis em que se encontra. Não está pior (como se esperaria dado o descaso com que é tratada nos meios públicos) pela abnegada dedicação dos professores, tantas vezes achincalhados tanto pelas autoridades quanto por seus representantes, não raras vezes à serviço dessas mesmas autoridades.


                Depois da consulta popular, nossos ilustríssimos representantes – como sói acontecer –, com a agilidade dos que produzem trabalhando apenas de terças às quintas-feiras, redigirão, corrigirão e, novamente, redigirão o texto do projeto – até que o executivo sinalize que podem continuar – e, com requintes de crueldade, encaminharão para aprovação algo que, provavelmente, nos fará perguntar – sem esperar qualquer resposta – para que foi feito o plebiscito.

                São João Batista de La Salle, que vê na categoria dos seus afilhados tanta dedicação, possivelmente, contempla a expressão envergonhada de São Thomas More com os seus. Proponho, esta semana, dedicarmos nossa oração a São João Batista de La Salle, com a sugestão abaixo.

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ORAÇÃO A SÃO JOÃO BATISTA DE LA SALLE

Ó Deus,

Que escolhestes São João Batista de La Salle

Para a educação cristã dos jovens,

Suscitai na vossa Igreja

Educadores que se consagrem inteiramente

A formação humana e cristã da juventude.

Amém.
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                A música deste Oratório Campeiro, para homenagearmos os professores, é “A professora e a palmatória”, de Rita de Cássia, com o grupo Rabo de Saia.


                Um grande abraço e que a Paz de Cristo permaneça conosco!

Wilmar Machado

segunda-feira, 4 de abril de 2011

ABRINDO A PORTEIRA - BOM LADRÃO PARA QUEM?

Amigas e Amigos!

                 Para iniciar esta primeira semana após adquirir mais experiência no último sábado, encontrei uma notícia que, acredito, poderá ser incluída no bizarro mundo de escândalos promovidos pelos poderes constituídos em nosso país.



                 Em matéria publicada hoje, no portal G1 (http://g1.globo.com), pode-se acompanhar, por mais estranho que pareça, que os paroquianos da Igreja de São Gonçalo do Retiro, da comunidade de São Dimas, em Salvador-BA, celebraram a festa do padroeiro em um circo (Circo Maravilha), com a presença de Dom Geraldo Magella, que compareceu ontem para apoiar a comunidade. Diz a matéria que:
A celebração da missa em homenagem ao dia do padroeiro da Igreja de São Dimas, na Baixinha de Santo Antônio, em Salvador, foi realizada dentro de um circo neste domingo (3). A construção de um motel ao lado colocou em risco a sustentação da igreja, demolida há um ano. O caso está na Justiça e os fiés reclamam solução. “Em 2007, autorizaram a construção do motel, que abalou profundamente a estrutura da igreja. A Codesal veio, deu um parecer técnico e disse que tinha ameaça de desabamento eminente. Por motivos de segurança, fomos obrigados a demolir a igreja, o centro social e também a creche”, explica o pároco Maurício Abel. A creche que funcionava na igreja atendia pelo menos 35 crianças.  [...] O técnico contábil Antônio Moreira protestou contra a situação. “Estamos protestando contra a morosidade da Justiça. A igreja está no chão e o motel, infelizmente, de pé”, diz. 
                 Apesar dessa preocupação do técnico contábil contra “a morosidade da Justiça”, aparentemente, a Justiça não é a única responsável pelo pagamento dessa conta. O caso parece envolver também a máquina administrativa, dados o tempo de enrolação e a omissão de autoridades constituídas. Para se ter uma idéia do tempo proporcionado por quem deveria buscar soluções, e não embromações, no dia 7 de abril de 2009, no telejornal “Bahia Meio Dia” (disponível em http://ibahia.globo.com/batv/materias_texto.asp?modulo=2912&codigo=202999), foi questionado o porquê de uma obra embargada pela Defesa Civil em novembro de 2007 não ter sido suspensa até aquela data, pois:
O povo diz que o dono do hotel tem muito dinheiro e muitos amigos na Sucom. Agora, a justiça embargou a obra, mas o embargo não foi respeitado e o dono continuou a sua construção até escondido de noite.  [...] mesmo com a obra embargada, o hotel foi concluído. [... ] Já a assessoria da Sucom - Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo informou que o hotel foi notificado, autuado e embargado, mas não disse porquê, mesmo com tudo isso, as obras foram concluídas e a recuperação dos prédios vizinhos ainda não aconteceu.
                 Para corroborar a idéia de que é possível se trabalhar neste país sem gerar qualquer resultado (mas sem jamais esquecer de receber, e muito, por isso), encontrei no Correio, de Salvador, (http://correio24horas.globo.com), do dia 15 de julho de 2009, que:
O juiz da 7ª Vara de Relação de Consumo determinou a demolição de um hotel da Baixinha de Santo Antônio e também que o dono do imóvel, Manoel Borges da Silva Júnior, mande recuperar os prédios da Igreja de São Dimas e da creche do bairro que foram fechados com sérios problemas na estrutura por causa da construção do hotel. A prefeitura embargou a obra, que continuou mesmo sem permissão.
                 A única explicação que vislumbro para esse verdadeiro “jogo de empurra” na aparente tentativa de “esconder o jogo” está associada ao próprio padroeiro da comunidade: São Dimas. São Dimas – apesar de dúvidas quando ao seu verdadeiro nome – foi o Bom Ladrão, que na cruz, ao lado de Jesus, confessou a própria culpa e professou a fé em Cristo. Ora, parece que vivemos em um tempo onde a delação premiada abala toda e qualquer estrutura de poder deste Brasil, onde a situação de “ter o rabo preso” se generaliza propiciando cada vez mais situações em que os responsáveis por decisões e ações prefiram “meter o rabo entre as pernas” e “sair de fininho”.

                 Para deixar a porteira aberta para mais uma semana, vamos ouvir uma música que pode se associada ao comentário de hoje. De Prado Júnior e João Armando Perrupat, com as Gargantas de Ouro do Brasil, a dupla Milionário & José Rico, a composição "Inversão de Valores".


                 Um grande abraço e até a próxima!

Wilmar Machado

quinta-feira, 31 de março de 2011

GALERIA SERTANEJA - UMA NOVA CATEDRAL GAÚCHA

 Amigas e Amigos!

              Essa Galeria Sertaneja presta uma homenagem especial a um conterrâneo que, fazendo o que mais gosta e o que os gaúchos gostam que ele faça, foi agraciado com o troféu “Jorge Camargo” (das mãos de Pedro Ortaça) de melhor intérprete do 4º Canto Missioneiro da Música Nativa, na cidade de Santo Ângelo-RS.

              Os parabéns são para o cantor Joca Martins (“Aí que eu me refiro!" – como diria o próprio Joca), que defendeu no citado festival a música “Catedral” – segunda colocada –, criada por Lisandro Amaral e Guilherme Collares, premiados com o troféu “Tio Queiroz” pelo melhor arranjo.



              Transcrevo, abaixo, parte da matéria publicada hoje no espaço de cultura do Diário Popular (www.diariopopular.com.br), de Pelotas-RS, que diz:
A final do evento movimentou a cidade de Santo Ângelo no último domingo e o público que acompanhou a execução da música Catedral aplaudiu os músicos em pé. "Difícil explicar tudo que aconteceu. Era emoção na ponta dos dedos dos guris e da minha garganta", confessou Joca Martins. A letra foi criada por Lisandro Amaral e Guilherme Collares que presentearam Joca Martins em uma tarde na Rainha da Fronteira, Bagé. Segundo Joca, eles estavam tomando chimarrão e conversando sobre os projetos no estúdio do Guilherme quando conheceu a música e ficou impressionado. Além da letra comovente e do arranjo premiado, a canção tem uma história. [...] Tudo começou quando Lisandro Amaral retornava de um espetáculo em Santo Cristo e ao chegar no trevo que leva até as ruinas de São Miguel resolveu que seria o momento de conhecer o local. [...] aproveitou a paz do local para buscar inspiração e escrever uma música. Em poucos minutos, a letra estava completa e recheada de emoção. Como a música nasceu nas missões, resolveram gravar para inscrever no Canto Missioneiro. Conseguiram a classificação.
               Mas só a classificação era pouco para essa turma que, segundo o próprio Diário, mostrou uma sintonia capaz de obter o reconhecimento dos jurados. Na matéria, Joca Martins ainda afirmou que "Essa música faz parte do momento mais importante da minha história musical e diria que um dos momentos mais emocionantes da minha vida".

              Juliana Spanevello, em seu blog (http://www.julianaspanevello.blogspot.com), conta da surpresa que fez para o Joca, viajando, de Faxinal do Soturno-RS, sem avisar, para assistir a última noite do festival, em Santo Ângelo, onde chegou depois das 8h da noite (as apresentações começaram as 7h da noite). Sobre o momento da apresentação, Juliana afirma com uma carga de emoção indisfarçável que:
Queria ter fotografado a cara do Joca!!! Nos divertimos com a reação dele... pasmou!!! Bueno... mas melhor que toda esta história... foi a emoção que senti, lá no meio do público! A cada estrofe que iniciava, o povo emocionado aplaudia!!! Era uma atenção só! E a canção, infinitamente tocante, emocionante! Momentos que a gente não presencia por aí, a qualquer hora... um momento definitivamente único e especial! Público se colocou em pé para apaludir a CATEDRAL, com Lisandro Amaral, Guilherme Collares, Silvério Barcellos, Ricardo Comasseto, Negrinho Martins, e o Joca! A emoção de cada um no palco podia ser notada claramente... visível e transparente emoção dos olhos do Lisandro e do Guilherme... e da concentração do Silvério, do Comasseto, e do tio Negrinho. E especialmente, a emoção do Joca quase em lágrimas... Confesso! Nunca havia presenciado um momento assim!
              Se você quiser entender um pouco melhor esse emocionante momento do festival, sugiro um passeio pelas últimas postagens do blog da Ju Spanevello. Abaixo, publico a letra de Catedral, que carrega, de fato, toda a emoção, passada pelo Joca e pelo grupo.

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CATEDRAL

Letra: Lisandro Amaral
Melodia: Lisandro Amaral e Guilherme Collares
Intérprete: Joca Martins



Também de pedra meu cantar não se termina...

caído ao solo - beijo a terra e escrevo a sina.

Terra vermelha é minha cor no arrebol

pois tenho sol no sangue em paz que me ilumina.



Também de bronze, estou de joelhos Catedral.

No pedestal que cala os sinos, faço prece...

quem não merece – a terra em si – terá perdão,

pois gratidão a vida tem mas nunca esquece!



Dormem aqui: ruínas índias e horizontes...

bebendo a fonte do silêncio natural...

senti teu cheiro - mãe divina - em berço livre...

hoje o que eu tive foi tua benção Catedral.



Seguem aqui - hoje emplumados - Guaranis

no bem-te-vi, no João Barreiro e entre os guardiões

querendo sempre querer mais que o quero-quero

sei o que espero, e busco aqui, muitos perdões...



Também de vento estou soprando - em ti – templário.

No pedestal que fala o tempo, a crosta esquece...

ouvindo os prantos que derramam tua imagem

achei coragem e sou guardião com pena em prece.


Hoje o que eu tive foi tua benção CATEDRAL!!!

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              E para você já ir se acostumando com esse novo sucesso da música gaúcha, segue abaixo a interpretaçao do Joca Martins para "Catedral".


              Um grande abraço e até a próxima Galeria Sertaneja aqui no Canto da Terra!

Wilmar Machado