sábado, 14 de maio de 2011

FOGÃO DE LENHA - CARNE DE PORCO COM REPOLHO


Não importa saber se a gente acredita em Deus:
o importante é saber se Deus acredita na gente...

Amigas e Amigos,

                O Blogspot, depois de muita instabilidade na quarta-feira, parou completamente ontem. Hoje está, aparentemente, normal e espero que assim continue. Abrindo espaço para o futebol, no próximo domingo tem decisões nos campeonatos regionais e lembro algumas brincadeiras feitas por torcedores gremistas após a vitória no primeiro jogo.

                Dentre as que recebi por e-mail, destaco a versão humorada do tradicional trava-língua, transformado em “Renato roeu a roupa do Rei de Roma”, fazendo referência ao treinador do Internacional, durante muito tempo um dos melhores jogadores do campeonato italiano. Uma outra história interessante dizia que o treinador do Inter teria sido consolado por Bin Laden que lhe disse: “Eu sei como isso é difícil de aceitar, eu também fui ‘eliminado’ em casa!”. No próximo domingo, novas histórias surgirão, mas ainda não é possível prever se manterão a cor azulada ou serão avermelhadas.

                Enquanto se espera a decisão de domingo, haverá tempo para um bom almoço em família e sugestão do Fogão de Lenha da semana é um prato com carne de porco (que pode ser servido com arroz branco e uma salada), mesmo que você vá acompanhar a decisão do campeonato paulista.



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CARNE DE PORCO COM REPOLHO

Ingredientes:
500 gramas de carne de porco, sem gordura
½ repolho médio

½ pimentão vermelho
1 tablete de caldo de carne (dissolvido em ½ xícara de água quente)
2 colheres de (sopa) de molho inglês
5 colheres de (sopa) de óleo vegetal
1 colheres de (chá) de açúcar
3 dente de alho, amassado
Pimenta-do-reino a gosto

Modo de preparo:
Corte a carne de porco em pequenas tiras e o repolho em fatias longas e finas. Reserve. 

Numa frigideira, aqueça 3 colheres de (sopa) do óleo, junte o alho e deixe dourar. 
Acrescente a carne, fritando-a bem e mexendo sempre, por 3 minutos. 
Escorra-a com uma escumadeira e coloque em outro recipiente, mantendo-a aquecida.
Despeje na mesma frigideira o restante do óleo e frite o repolho e o pimentão em fogo alto por 2 a 3 minutos. Adicione o molho inglês, o caldo de carne e o açúcar. 
Deixe que o repolho cozinhe neste molho por aproximadamente 2 minutos.
Acrescente a carne, deixando cozinhar por mais 3 minutos.
Polvilhe a pimenta-do-reino e sirva com os acompanhamentos escolhidos.

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                Para acompanhar harmonicamente o prato de hoje, sugiro a música “O alemão e o delegado”, de Bruno Neher e Luiz Lara, com o grupo Os 3 Xirús.


                Um grande abraço e bom apetite para os que resolverem experimentar a receita de hoje,

Wilmar Machado

quarta-feira, 11 de maio de 2011

TERTÚLIA NATIVA - O TÁXI VOADOR

O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal,
mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer.
(Albert Einstein)


  
Amigas e Amigos,

               A Tertúlia Nativa desta semana começa com o anúncio institucional do Sindcombustíveis (Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis Automotivos e de Lubrificantes), do Distrito Federal.

               O referido sindicato, amparado em uma luta que pretensamente travam há muitos anos contra combustíveis caríssimos, transfere todo o ônus do preço exorbitante praticado pelos postos na venda de combustíveis para distribuidora (preço de compra do combustível) e governo (impostos). Em um trecho da campanha – encarecidamente peço que você não chore de forma compulsiva se ficar comovido com o texto – aparece que:
Preços iguais não significam ‘manipulação de mercado’, cartelização, como acusam esses desavisados de plantão. É natural que num mercado com produtos de qualidade, como os que são oferecidos no DF, o consumidor venha a optar pelo menor preço, provocando na concorrência, a equiparação com seus vizinhos para manter vivo o seu negócio, criando-se um paralelismo de preços. Isso ocorre em todo o Brasil. Perguntamos: Você faria diferente?

               Não consegui descobrir ao longo do texto da campanha quem seriam os “desavisados de plantão” que são capazes de chamar esse cartel de... cartel. Também não consegui entender bem para quem é dirigida a pergunta ao final do texto acima, após a fantasiosa explanação. Como penso que a resposta esperada seja “claro que não”, acredito que ela seja para qualquer um que acredite ser impossível conciliar comércio e ética.

               Matéria da Agência Brasil (http://agenciabrasil.ebc.com.br), do último dia 9, comenta a participação do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, na manhã daquele dia, em sessão solene da Câmara, com o seguinte trecho:
Lobão reforçou que a Agência Nacional de Petróleo (ANP) passará a ter a responsabilidade de cuidar, também, do etanol. E admitiu que em alguns estados há cartel nos postos de gasolina. “Nitidamente está havendo cartel. Pedi que a ANP fosse ao Cade [Conselho Administrativo de Defesa Econômica] para que esse descalabro fosse resolvido”, afirmou. O ministro disse que, a partir de agora, as punições para os donos de postos que formam cartéis na cobrança dos combustíveis serão rigorosas. Pode haver cobrança de multa e até o fechamento do posto.

               Com a versão das partes envolvidas, onde a troca de acusações transforma o oponente em grande vilão, lembrei que, ontem, em um programa matinal na Band News FM, em Brasília, onde a apresentadora leu um e-mail de um ouvinte, cujo teor abordava a culpa dos preços altíssimos praticados para combustíveis. Escreveu o ouvinte que enquanto o governo diz que a culpa é dos postos e os postos dizem que a culpa é do governo, a única certeza que ele tinha é de que os dois estavam certos.



               Falando em combustível, lembrei de um causo sobre um motorista muito rápido, narrado por Apparício Silva Rillo, em seu livro “Rapa de Tacho 3” (p. 61-62), da “Tchê! Editora Ltda.”. Percebam a situação delicada do coitado do motorista.

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O TÁXI VOADOR
                                             Apparício Silva Rillo

               Cidão Dorneles, quando capataz do coronel Diógenes Silva, de São Borja, teve necessidade de – pela primeira vez – ir a Porto Alegre. A mulher estava atempada, feiota de saúde e, para seu caso, a solução estava mesmo na capital.

               Durante uma semana, no galpão da Fazenda da Tuna, o assunto central das charlas e contracharlas era a viagem do Cidão. Um tanto ingênuo nos seus quase dois metros, braços longos e fortes como varejões de mangueira, Cidão escutava os comentários. E, sobretudo, as recomendações.

               – Óia, Cidão, tu chegando da Ferroviária pega um táchi. Dá pro home o endereço que o coronel botou aí nesse papel que ele te leva direto como goela de sapo.

               – Mas tem uma cois, índio velho. Te agarra bem no tal de táchi porque os home de Porto Alegre são uns louco na rua. Tem uns que chegam a avoar.

               E por aí seguiam as recomendações – Põe teu dinheiro no cano da bota. – Vai armado mas esconde os ferro, que a Brigada tá de ôio na gente. – Não compra bilhete nem do bispo, que te aplicam o causo do bilhete premiado. – E óia os táchi, tem uns que avoam como urubu com um tição no rabo...

               De tudo, o que mais impressionou o Cidão foi  a história do “táchi” tomar tal velocidade ao ponto de “aovar”. “Avoa, cai, me esculhamba a muié velha, que já tá mais engrupida que arma que matou corvo.” Com a cuca fervendo de conselhos, lá se foi o Cidão pelo trem, coma a mulher e a trouxa de roupas. E uma galinha com farofa e um pão de forno numa lata bem tampada de azeite correntino.

               Na manhã do outro dia o trem bufou como touro tesudo na estação central, em Porto Alegre. Meio perdido naquele burburinho, Cidão encontrou a saída. E a uma voz de “Táxi” levantou as orelhas. – Quero um, seu!

               Com o bilhete onde estava anotado o endereço, lá se foi o motorista com o casal no banco de trás. A certa altura, indagou:

               – É mesmo na João Pessoa, não?

               – Se tá no bilhete é justo nesta casa...

               O “táchi” tomou velocidade e o Cidão começou a suar. Lá pelas cansadas o motorista, para colocar o passageiro mais a vontade, veio com a nova pergunta:

               – É na João Pessoa, sim, aqui está. Mas em que altura?

               Na voz de “em que altura” o Cidão saltou de dentro das botas. Arrancou da cintura a “solingen mata-leitão” e berrou para o motorista que quase se borra de susto:

               – Tu levanta meio metro este teu “táchi” e eu te tiro a buchada pela cova das ventas!

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               Para acompanhar o causo desta Tertúlia, a música escolhida é “Motorista do Brasil”, de Lourival dos Santos e Tião Carreiro, interpretada pela dupla Tião Carreiro e Pardinho.


               Para terminar, um grande abraço para todos e até a próxima,

Wilmar Machado

ORATÓRIO CAMPEIRO - PIZZA "SAUDÁVEL"?

Para os puros todas as coisas são puras.
Para os corruptos e descrentes nada é puro: até a sua mente e consciência são corrompidas.
Proclamam que conhecem a Deus, mas na prática o renegam,
detestáveis que são, rebeldes e incapazes de qualquer boa obra.
(Tito 1, 15-16)

 


Amigas e Amigos,

               Abro o Oratório Campeiro desta semana para a edição de ontem (terça-feira), do Diário Popular (http://diariopopular.com.br), de Pelotas (RS), onde encontrei na coluna do caro Carlos Eduardo Behrensdorf, direto de Brasília (DF), o seguinte comentário:
O Ministério da Saúde (MS) e a Controladoria Geral da União (CGU) informam: de 2007 a 2010, houve desvios de R$ 662,2 milhões do Fundo Nacional de Saúde (FNS). Fazendo comparações de custos e obras os auditores concluíram que a grana volátil dá para a construção de 1.439 unidades básicas de saúde. [...] Dos R$ 159,1 bilhões transferidos a estados e municípios nos últimos quatro anos, só 2,5% tiveram a aplicação fiscalizada. No popular: pode dizer que liberou geral.

               Você tem idéia do local em que está localizada essa inesgotável fonte de recursos que permite essa “extravagância” oficial? É isso mesmo que você está pensando. Nós, que trabalhamos 5, 6 ou, até mesmo, 7 dias por semana é que provemos recursos – arrancados “a rodo” de nossos salários em forma de “estratosféricos” impostos e taxas – para que a turma do trabalho de terça a quinta-feira se encarregue da distribuição que, aparentemente, é feita a partir da conversão dos valores para a moeda “votos-futuros”.

               O Behrê, na sua coluna, ainda diz que:
...os problemas do setor de planos de saúde serão debatidos em audiência pública promovida por três comissões nesta terça. Estão na parada as comissões de Defesa do Consumidor, de Seguridade Social e Família e de Trabalho, Administração e Serviço Público. Espera-se um quorum saudável.

               Como sempre se tem observado, possivelmente, já foi definida a tarefa de cada comissão: uma levará os ingredientes para a massa, outra se encarregada da lenha e fósforos para assar, e a outra garantirá  o molho, a mozarela, o orégano e o azeite. Dada a diversidade de gostos, fica combinado que bebida, cada um leva o que for consumir.

               Depois do caos da merenda escolar, conforme comentado no “Abrindo a Porteira” da semana, é desalentadora a percepção da forma de condução das questões relacionadas à saúde dos cidadãos desse nosso Brasil.



               O próximo dia 13 de maio marca o 94º aniversário da primeira aparição da Virgem Maria, na Cova da Iria,  Freguesia de Fátima, em Portugal – para os pastorzinhos Lúcia de Jesus, de 10 anos, e Francisco e Jacinta Marto, seus primos, de 9 e 7 anos. Lembrando esta data, o Oratório desta semana nos convida a orarmos para a Senhora de Fátima na busca de, pelo menos, melhorar o tratamento dado pelas políticas – e políticos – públicas para a saúde do povo brasileiro.

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ORAÇÃO A NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

Santíssima Virgem Maria,
que nas regiões de Fátima vos dignastes revelar,
aos três pastorzinhos,
os tesouros de graças que podemos alcançar
rezando o santo rosário.

Ajudai-nos a apreciar sempre mais essa oração
a fim de que, meditando os mistérios da nossa redenção,
alcançaremos as graças
que com insistência vos pedimos.

Senhora de Fátima,
olhai para as famílias do nosso imenso Brasil
e para as suas necessidades.

Vede os perigos que as cercam em todos os momentos,
e sede a mãe sempre presente.

Sede a nossa intercessora
junto ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo
e alcançai-nos a graça de vermos a saúde do povo brasileiro
ser conduzida com ética por nossos representantes.

Amém!

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               E a música de hoje é de D.P., com arranjo de Luís Pedro Fonseca e interpretação de Joanna, e tem por tïtulo "Treze de Maio", abordando a aparição da Virgem Maria em Fátima.


                 Até o próximo, um grande abraço e que a Paz de Cristo permaneça conosco!

Wilmar Machado

terça-feira, 10 de maio de 2011

ABRINDO A PORTEIRA - MERENDA & NEGOCIATAS

Amigas e Amigos,

               Ao abrir a porteira para mais uma semana, comento a reportagem apresentada, ontem, no Fantástico (Rede Globo), disponível em http://fantastico.globo.com, sobre as falcatruas que transformam a merenda escolar em algo intragável – quando existe – para alunos da rede pública de ensino em grande parte do país. Aparentemente, as exceções que permitem escolas com merenda digna ocorrem muito mais por iniciativas de cidadãos brasileiros do que por iniciativas dos diversos escalões governamentais.



               Na matéria publicada no endereço acima, pode-se encontrar que:
Em um mês de investigação, uma equipe do programa flagrou a péssima qualidade da merenda em escolas públicas do país: comida estragada, vencida, armazenada de qualquer jeito, intragável. [...] "Uma boa alimentação, coma frutas, verduras e legumes", diz o recado no mural. Na teoria, tudo certo. Mas, na prática... Um homem traz os alimentos da merenda: carne moída. A comida veio em um caminhão, exposta ao sol e sem refrigeração. Nas embalagens, não há nome do fabricante nem data de validade. A merenda é para uma escola estadual de Novo Gama, em Goiás, de 95 mil habitantes, a 40 quilômetros de Brasília. São cerca de 1,5 mil alunos. […] Quinta-feira, 7 de abril. Natal registra 31ºC e uma escola não tem água. as crianças têm que levar de casa. E esse não é o único problema. Às 15h, os alunos foram embora mais cedo porque não havia merenda. [...] Foram apenas duas horas de aula – uma situação que se repete em outras escolas municipais de Natal. “Nos sentimos obrigados a diminuir o horário pelo fato de muitos passarem mal, com dor no estômago e até mesmo desmaios”, revela a coordenadora pedagógica Elaine Medeiros. [...] A equipe do Fantástico visitou mais de 50 escolas públicas – estaduais e municipais – de cinco estados: São Paulo, Goiás, Rio Grande do Norte, Paraíba e Bahia. Todos sempre se apresentaram como jornalistas. Em Itaparica, cidade turística baiana, foram a duas escolas municipais. Uma funcionária contou que quase não tem merenda e, naquele momento, só havia açúcar no estoque. Desde o início do ano, a geladeira da escola está vazia. Só tem água gelada. […] Este ano, o Ministério da Educação vai repassar mais de R$ 3 bilhões a governos estaduais e prefeituras para a compra de merenda. O objetivo é beneficiar 45 milhões de estudantes. A Controladoria-Geral da União ajuda a fiscalizar como o dinheiro é gasto. [...] Em Nazaré, Bahia, as refeições dos mais de quatro mil alunos da cidade saem de uma cozinha da prefeitura. Segundo uma funcionária, as crianças comem biscoito de má qualidade por pressão do fornecedor dos alimentos. [...] Uma das explicações para tantos problemas nas merendas é a corrupção. O Fantástico teve acesso, com exclusividade, a dois depoimentos que, segundo o Ministério Público, ajudam a entender o caminho das fraudes. O Fantástico não mostrou o rosto das pessoas porque a investigação ainda está em andamento. As testemunhas dizem que têm medo de morrer, que estão sendo ameaçadas.

               A matéria completa apresenta outras barbaridades patrocinadas por alguns políticos, detentores dos mais diversos cargos públicos, e representantes de empresas aéticas. Mas pelo excerto apresentado já é possível perceber como a educação, que aparece em propostas eleitorais em momentos que antecedem eleições como se fosse uma preocupação séria, é completamente esquecida pelos programas governamentais. Talvez seja um exagero afirmar que a educação é completamente esquecida, na medida em que, aparentemente, ela é lembrada quando existe a possibilidade de favorecer algum “amigo” em troca de uma módica parcela.

               Na reportagem do Fantástico, aparecem também algumas manifestações oficiais, como por exemplo:
“Nós já estamos com toda uma logística montada para a normalização completa em todas as escolas da rede”, assegura o secretário de Educação de Natal, Walter Fonseca. [...] “Isso não representa a realidade do município na gestão da merenda escolar nem na gestão da educação de modo geral. Não vai acontecer mais de maneira nenhuma”, assegura o prefeito de Vera Cruz, Magno de Souza Filho. [...] A Secretaria de Educação de Novo Gama informou que não permite a distribuição de merenda com irregularidade. Negou que o cardápio seja fantasioso, alegando que a merenda muda, conforme os alimentos em estoque. [...] quem fala é uma testemunha-chave em uma investigação contra a prefeitura de Taubaté, no interior paulista. O homem acusa o atual prefeito, Roberto Peixoto, e a primeira- dama de receber propina de uma empresa de merenda chamada Sistal. Ele diz que, duas vezes por mês, durante três anos, entregou dinheiro da corrupção para o casal. “Eu servia de mulas para eles”, conta. O homem calcula que Roberto e Luciana Peixoto receberam cerca de R$ 5 milhões de propina. “Eles estão montando uma boate em Taubaté agora”. [...] “Já existem provas materiais no sentido de que houve pagamento de propina e aquisição pelo prefeito de bens imóveis incompatíveis com os seus rendimentos”, constata o promotor de Justiça Sílvio Marques. Em nota, a Sistal diz que jamais pagou propina a Roberto Peixoto. O Fantástico procurou o prefeito de Taubaté. Sobre essa nova denúncia, ele indicou para falar o secretário de governo. “É uma acusação descabida. O objetivo do prefeito não era ter nenhuma vantagem pessoal com este contrato. Muito pelo contrário, era melhorar a alimentação, a merenda escolar da nossa cidade. A casa de shows pertence ao seu genro, portanto, não tem nenhuma ligação jurídica ou econômica com o prefeito”, afirma o secretário de Governo de Taubaté, Adair Loredo dos Santos. [...] Em janeiro, o Ministério Público recomendou à prefeitura que o contrato com a SP Alimentação não fosse prorrogado. Mas isso não aconteceu. A Secretaria de Educação de João Pessoa disse que a contratação da empresa foi acompanhada pelo Tribunal de Contas da União e que está dentro da lei. Alegou também que a maioria das crianças aceita bem os alimentos servidos. Também em nota, a SP Alimentação disse que obedece a todos os procedimentos legais e que 90% dos diretores das escolas de João Pessoa aprovam a merenda da empresa. O Fantástico pediu à professora de ciências dos alimentos Gilma Sturion, da Universidade de São Paulo (USP), que analisasse dez cardápios de escolas visitadas pela equipe de reportagem do programa, inclusive das de João Pessoa. “Têm baixo valor energético, é muito deficiente em frutas e hortaliças. Todos os municípios têm condições de fazer uma boa merenda, é só otimizar os recursos. [...] A Secretaria de Educação de Goiás diz que vai tomar providências, inclusive na escola que tinha gatos na cozinha. “Nós vamos mandar uma equipe para ver isso de perto. Se chega alguma denúncia aqui, no dia seguinte, tem uma equipe no local”, assegura Sonia Piero Bom, superintendente de gestão da Secretaria de Educação de Goiás.
               Pela “cara de pau” dos responsáveis por algumas das declarações acima, parece evidente que o dinheiro da merenda escolar seja objeto de “desvios” e “negociatas”, pois deve ser grande o consumo de óleo de peroba para manutenção de alguns destes “porta-vozes”.
Em meio a tanto “lero-lero”, fica a provável evidência de que toda “essa conversa para boi dormir” serve apenas como desculpa “esfarrapada” para, confiando na curta memória nacional, aguardar o esquecimento da reportagem apresentada.

               Ainda na matéria, consta que prefeitos foram presos em novembro do ano passado, acusados de desviar verbas federais e favorecerem empresas distribuidoras de merendas. Um deles chegou a ficar dois dias preso e, solto, hoje já reassumiu a “sua” prefeitura. É muito faz de conta para que se possa esperar um pouco de seriedade com a educação em um país onde, para ser gari se faz necessária alguma formação e para o exercício de cargos públicos a única exigência é uma pseudoalfabetização.

               Para não começar a semana desanimado pelos fatos nauseabundos citados, sugiro ouvir Sulino & Marrueiro, cantando a fome e a sede de forma poética em “Tenho fome e tenho sede”, de autoria do próprio Sulino.



               E até a próxima, com  um grande abraço!

Wilmar Machado

sexta-feira, 6 de maio de 2011

GALERIA SERTANEJA - RANKING DE FALCATRUAS

"Ódio produz casamentos duradouros. 
O ódio não suporta a idéia de ver o outro voando livre, para longe...
O ódio segura, para que o outro não seja feliz.
O ódio gruda mais que amor. Porque o amor deixa o outro voar..."
(Rubens Alves)

Amigas e Amigos,

               Na revista Trip (http://revistatrip.uol.com.br) pode-se encontrar uma lista com os 10 maiores golpistas, farsantes, malandros e impostores da história e um resumo dos esquemas e golpes impressionantes utilizados por eles, com extrema malícia. Em ordem decrescente – com critério utilizado pela revista e não disponível na matéria – são eles:

               Em 10º lugar está William Thompson, um dos primeiros malandros a ser preso por usar "golpes de confiança", quando ganhava a confiança de um estranho com a ajuda de um cúmplice e então usava esse sentimento para conseguir dinheiro da vítima, dizendo que no dia seguinte devolveria tudo. Um truque básico que deu origem há alguns dos maiores esquemas e golpes já vistos por aí.
               Na 9ª colocação se encontra Calisto Tanzi, que foi  presidente do mega-poderoso conglomerado italiano Parmalat. Foi preso em 2008 por causar propositalmente a falência do grupo ao pegar para si quase 800 milhões de Euros das contas da empresa, no caso que se tornou a mais cara falência do sistema europeu.
               Na 8ª posição encontra-se Bernard Madoff, ex-presidente da NASDAQ e único rosto de Wall Street que pagou o pato pelas fraudes de seguros imobiliários que quebraram a economia americana nos últimos anos. Entrando em cana no lugar dos muitos banqueiros que sairam ilesos da crise, Madoff acabou indiciado por pilotar no chão da Bolsa 11 crimes federais. Seu Esquema Ponzi massivo de informação privilegiada causou pelo menos US$ 18 bilhões em prejuizo para os investidores e rendeu uma pena de 150 anos de detenção para Bernie. 

               Ocupando o 7º lugar está o nosso conhecido Ronald Biggs,  o assaltante do trem pagador, em 1963, quando ele e mais 15 cúmplices roubaram 2 milhões e meio de Libras de um trem inglês, crime pelo qual foi preso no ano seguinte. Em 65, Biggs fugiu da cadeia e se mandou para a Austrália, onde trabalhou como cenógrafo até o início dos anos 70. Após ser reconhecido por um repórter, Biggs veio para o Brasil, onde ficou escondido até 1974, quando foi encontrado e novamente exposto por outro repórter. O ladrão evitou a extradição por estar casado com uma brasileira, que esperava um filho seu que, graças à sua fama, participou do grupo infantil Turma do Balão Mágico, sucesso estrondoso no Brasil durante os anos 80.

               Em 6º no ranking temos James Reavis, o Barão do Arizona, que trocou de lado durante a guerra civil americana, deixando os Confederados quando o cerco do norte começou a apertar. Logo após a Guerra de Secessão, colocou as mãos em uma imensa quantidade de escrituras de origem duvidosa que davam títulos de propriedade a uma área de mais de 5 mil km² nos territórios que hoje formam o Arizona. Em 1883, sabendo que os títulos não valiam nada, Reavis revendeu as "propriedades" para a companhia ferroviária Southern Pacific Railway e para centenas de compradores avulsos, agora dizendo ser dono de mais de 47 mil km² de terras. Ele só foi pego em 1893, no México, quando acabou desmascarado tentando executar o mesmíssimo golpe mais uma vez.

               No 5º posto está Victor Lustig, o trambiqueiro da República Checa que criou uma série de golpes no início do século XX e ficou famoso por vender a Torre Eiffel parisiense em um leilão para sucateiros. Duas vezes. Da primeira vez, em 1925, Lustig reuniu seis empresários da sucata e disse que o governo estava interessado em vender a torre para ajudar na recuperação da economia da cidade, que havia sofrido com enormes prejuizos durante a Primeira Guerra Mundial. Lustig fechou negócio com o empresário Andre Poisson, depois que esse ofereceu suborno para ter preferência na compra. Com isso, Lustig ficou com o valor da venda e o valor do suborno, e se mandou para Viena. Victor chegou a aplicar golpes no poderoso gangster Al Capone antes de ser pego e sentenciado à prisão perpétua em 1935.

               O 4º colocado é George C. Parker, , famoso por "vender" monumentos famosos para turistas ricos e incautos. Os negócios de Parker incluiram a venda do Madison Square Garden, do Túmulo de Grant, do Museu Metropolitan e até da Estátua da Liberdade. Seu monumento mais vendido foi a Ponte do Brooklyn, que chegou a vender duas vezes por semana durante vários anos seguidos, convencendo os turistas de que estes poderiam ganhar toneladas de dinheiro com o volume de tráfego que entrava e saia da Big Apple. A polícia de Nova York até prendeu alguns dos seus clientes enquanto estes tentavam erguer pedágios no local.

               Na “honrosa” 3ª colocação se encontra o General Gregor McGregor, nobre mentiroso que se uniu à Marinha Real Britânica em 1803 e passou quase 15 anos viajando a costa da América Latina. Em 1820, ele retornou a Londres dizendo ter se tornado o Cacique de Poyais, uma nação fictícia na baía de Honduras que teria sido entregue aos seus cuidados pelo Rei George Frederic Augustus I da nação Mosquito. Tudo balela, obviamente. Quando nosso anti-heroi chegou à Inglaterra, ele levava consigo um livro recheado com mapas detalhados do "país", além de uma descrição muito positiva do local, que seria anglófilo, com infra-estrutura já existente, minas de ouro e prata, grandes quantidades de solo fértil, pronta para ser colonizada e livre de doenças tropicais. Mas os colonos escoceses que lá chegaram após investir pesado e com promessas de riquezas acabaram se deparando com uma selva fechada, com nativos hostis e péssimas condições para os marinheiros.

               O vice-campeão da lista é Frank Abgnale Jr., cuja história foi contada no blockbuster Prenda-me se For Capaz, com Leonardo DiCaprio e Tom Hanks. Frank começou fraudando cheques, fingiu por anos ser piloto da PanAM para voar de graça por outras companhias, produziu um diploma falso da Universidade de Columbia para dar aulas de sociologia na Brigham Young University, fingiu ser médico e assumiu a direção da ala de pediatria do Georgia Hospital,  além de forjar um diploma de Harvard, enquanto ainda tinha 19 anos, para trabalhar como advogado na Louisiana. Ele foi detido em 1969 em um vôo da Air France ao ser descoberto por uma aeromoça que tinha saído com ele no passado. Depois de cinco anos preso nos EUA, Frank foi libertado e passou a trabalhar como consultor de segurança para o FBI, afinal, não há especialista em falsificação maior do que ele.

               O grande líder dessa lista é Charles Ponzi, italiano radicado nos EUA desde 1903, criador de um sistema de fraude que hoje é conhecido pelo seu nome. Basicamente, o Esquema Ponzi consiste em captar dinheiro de investidores, prometendo grande retorno em pouco tempo, fazendo com que o boato sobre as boas condições do negócio se espalhem. Enquanto vai conseguindo mais investimentos, o golpista usa o "dinheiro novo" para pagar os velhos empréstimos com juros. Assim que o investidor recebe o dinheiro, afirma que não quer retirar o investimento e assim aplica mais fundos nas mãos do golpista. O esquema pode funcionar durante um bom tempo, até finalmente e fatalmente entrar em colapso e causar prejuízo total em todos os investidores. Muitas das fraudes financeiras atuais são consideradas Esquemas Ponzi.



               Enquanto lia a matéria, pensava sobre a possibilidade da extinção da imunidade parlamentar, dos foros privilegiados e de todas as formas utilizadas para acolhimento e acobertamento de delinqüentes em cargos públicos. Esse momento – além de diminuir o consumo de farinha e mozarela, pelo consumo menor de pizzas no fim de CPIs e julgamentos nas instâncias superiores –, provavelmente, faria aparecer todas as falcatruas cometidas pela certeza de impunidade e pela necessidade de recuperar o “tempo perdido” longe do poder. E aí, possivelmente, alguns dos dez primeiros lugares poderiam ser ocupados por brasileiros que nós mesmos elegemos. Ou, de repente, todos os dez primeiros lugares (será muito ufanismo?).

               Como acredito em um Brasil além de conchavos politicos e manobras judiciais, apresento na Galeria de hoje a música de Almir Sater e Renato Teixeira que traz por título “Brasil Poeira”.

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 BRASIL POEIRA
                                                                    Almir Sater e Renato Teixeira

Ê, Brasil, poeira
Estradas de chão, violas, bandeiras
Terra de Tom, Tonico e Tião,
E Nossa Senhora, a Padroeira.

Ê, paixão, primeira
E os sertões, nação das estrelas.
Se o dia é luz, e a noite seduz
O coração, abre as porteiras.

Quando o galo cantar, nos quintais do Brasil
E o sol clarear nosso chão
Vem a semente e o pão, água do ribeirão
E horizontes que ao longe se vão
Ao som dos bem-te-vis…


Quem canta, espanta, seus males, se diz
Quem planta é quem colhe, é quem finca raiz
Quem canta, espanta, seus males, se diz
Quem planta é quem colhe, é quem finca raiz


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               E a interpretação de hoje de “Brasil Poeira” fica a cargo dos compositores com Rolando Boldrin.


               Por hoje, é isso. Um grande abraço para todos!

Wilmar Machado

quinta-feira, 5 de maio de 2011

TERTÚLIA NATIVA - DON PANCRÁCIO & "DONA" RORIZ

Os homens são como as moedas;
devemos tomá-los pelo seu valor, seja qual for o seu cunho.
Carlos Drummond de Andrade


Amigas e Amigos,

               Foi publicado hoje no portal G1 (http://g1.globo.com), uma matéria abordando o laudo da Polícia Federal sobre o vídeo com aparentes indícios de prevaricação envolvendo a deputada Jaqueline Roriz e o “magnânimo mecenas” do Mensalão Candango, Durval Barbosa. Pode-se ler na matéria que:
O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados deve receber nesta quarta-feira (4) cópia do laudo da perícia feita pela Polícia Federal no vídeo em que a deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF) aparece, ao lado do marido, Manoel Neto, recebendo dinheiro de Durval Barbosa, pivô do escândalo do mensalão do DEM de Brasília. Em nove páginas, a análise confirma a autenticidade da gravação ao afirmar que “não houve edição” nas imagens. [...]Desde que o escândalo estourou, a própria deputada do PMN admitiu ter recebido dinheiro de Durval Barbosa em “três ou quatro oportunidades”. O dinheiro, segundo Jaqueline Roriz, teria sido utilizado para custear a campanha eleitoral de 2006, quando ela se elegeu deputada distrital. Os recursos não teriam sido informados na prestação de contas entregue à Justiça Eleitoral. Além de confirmar a autenticidade das imagens, a PF faz a degravação dos diálogos do encontro entre Jaqueline, o marido Manoel Neto e Durval. O documento vai subsidiar o trabalho do relator do processo de cassação no colegiado, deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP).

               Como a quantidade de “rabos presos” na Câmara é aparentemente muito maior do que se possa imaginar, é possível que as explicações e dissertações, orientadas por “bons” advogados, sejam mais convincentes do que os próprios fatos expostos e siga “tudo como dantes no quartel d’Abrantes”.

               Essa falta de decência me fez lembrar de um causo do livro “Rapa de Tacho 3” (p.42-43), de Apparício Silva Rillo, da “Tchê! Editora”, onde a figura principal de história, por muito menos, recebeu exemplar punição imediatamente após o “escorregão” ético. Essa é a história publicada abaixo


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DON PANCRÁCIO, CORRENTINO
                                           Apparício Silva Rillo

               Há dez anos ainda o vi na cidade de Santo Tomé, fronteira à São Borja, do outro lado do Uruguai. Realizava-se, em dezembro, o Festival de Foclore da Província de Corrientes e meu herói, Don Pancrácio Tê, empinava uma boteja de vinho tinto. Como quem bebe água – sem outro gesto que não fosse o de, quando em quando, enxugar como o dorso da mão os bigodes grisalhos umedecidos pela bebida.

               Não sei se ainda vive. Seus causos, seus repentes e tiradas – estes permanecem na tradição oral dos santo-tomenhos e dos pequenos contrabandistas do chamado “comércio formiga” domiciliados na costa brasileira do Uruguai, em pobres ranchos debruçados sobre águas do rio.

               Do Ruivo Chando, um desses chibeiros – assim chamados na linguagem característica dos municípios que fazem fronteira com a Argentina –, escutei, em noites de violão e trago em seu bolicho nas proximidades do porto, vários e divertidos causos que tiveram Don Pancrácio Tê como personagem.

               Em moço, Don Pancrácio integrou a Gendarmeria Argentina. Já com galões de anspeçada, primeiro posto após o de soldado raso, algumas vezes tocou-lhe a missão de substituir o sargento comandante de um dos postos próximos à cidade.


               Numa dessas feitas emborrachou-se na noite de sábado e, domingo cedo, ainda bastante mamado, abandonou o comando provisório do posto e, de carona numa carroça de lenheiro, a espada de sargento pendurada no cinturão, foi bater com os costados na cidade, mais exatamente na praça San Martin, frente à igreja matriz. Segundo a tradição oral, Don Pancrácio, o anspeçada, com a gorra desabada sobre os olhos, túnica aberta mostrando o peito cabeludo, desembainhou a espada do sargento que lhe confiara o posto e, para espanto dos fiéis que abandonavam a igreja após a missa, riscava a calçada com a ponta da arma e gritava de toda a goela:

               – Siempre que me dou cuenta de que sou oficial de la Gendarmeria de mi pátria, hasta yo tengo miedo de mi mismo!

               Foi parar na cadeia, levou um chá de casca de vaca, acabou expulso da corporação.

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               Para a parte musical de nossa Tertúlia de hoje, escolhi a música de Gildo de Campos e Berenice Azambuja, “É disso que o velho gosta”, sem qualquer alusão a algum pensamento que possa ter passado pelo pensamento (?) do pai da deputada que aparece no vídeo analisado pela PF. E a interpretação da música fica por conta da própria autora Berenice Azambuja.


                Termino por aqui, com um forte abraço para todos!

Wilmar Machado

terça-feira, 3 de maio de 2011

ABRINDO A PORTEIRA - ESTOU DE VOLTA!

Amigas e Amigos!

 De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça. 
De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar-se da virtude,
a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.
Rui Barbosa


               Depois de algumas semanas de ausência – viajando para descansar um pouco em Kissimmee e Miami (Flórida) e aproveitando para fazer um cruzeiro pelo Caribe, saindo de Fort Lauderdale (Flórida), com escalas em St. Maarten, St. Thomas e Nassau – estou de volta ao blog do Canto da Terra.


               Foi um período pequeno mas o mundo não parou. Após queda de ditaduras históricas, populações buscam encontrar novos caminhos. Na Inglaterra, um casamento real tenta reescrever com novas tintas uma história que não deu muito certo algumas décadas atrás. Em Roma, o Papa João Paulo II – que ainda vivo já era visto como Santo – foi, finalmente, beatificado. Nos Estados Unidos, em clima de festa, Obama anuncia a morte de Osama – que deve ter “matado de inveja” o antecessor George, o filho. E no Rio de Janeiro, o Flamengo tornou campeão carioca invicto e – como me foi lembrando ontem pelo meu filho Leonardo Peter – fez o Botafogo vice da Taça Guanabara, o Vasco vice da Taça Rio e o Fluminense vice do Campeonato Carioca.

               Mas, voltando a viagem... O que sempre me chama a atenção durante esse tipo de passeio é pensar como os preços das mercadorias se apresentam mais atraentes em um país onde não há necessidade de explorar a população ativa com taxações e impostos exorbitantes para sustentar uma massa de corrupção de proporções descabidas.

               Em algumas situações, acredito que os impostos em patamares elevadíssimos se tornem necessários para manter uma “máquina” (aparentemente funcionando com alguma forma de energia rudimentar) governamental quase emperrada.

               Aqui no Brasil, por exemplo, não costumamos questionar porque o custo médio de nossos deputados e senadores atingem patamares superiores a R$ 10 milhões por ano, enquanto nosso salário mínimo (R$ 545,00) mal passa do R$ 6,5 mil por ano, ou seja, cada deputado custa cerca de 1.560 salário mínimos por mês ou mais de 18.700 salários mínimos por ano.

               Na França, as informações indicam que o custo anual de um parlamentar é R$ 2,8 milhões para um salário mínimo superior a R$ 3 mil, o que resulta em menos de 880 salários mínimos por ano. E se a França é muito distante, observe-se a vizinha Argentina, onde o custo anual de um parlamentar é de R$ 1,3 milhões contra um salário mínimo superior a R$ 700, resultando em pouco mais de 1.800 salário mínimos por ano. Portando, aproximadamente 10% do custo dos nossos (cada vez mais inoperantes e cada vez mais inoportunos) parlamentares. E olhem que não estou nem mencionando a decorativa Câmara Distrital que, até hoje, não descobri a razão da existência.

               E para marcar o retorno, a música escolhida é de um tempo em que os enganos eram bem menores que os “mensalões”, de PT, DEM e outros parceiros, quando tudo podia até ser mais divertido: o saudoso Luiz “Lua” Gonzaga canta “Dezessete e setecentos”, do próprio Gonzaga em parceria com Miguel Lima.


               Até o próximo encontro e um grande abraço!

Wilmar Machado.