sexta-feira, 22 de julho de 2011

FOGÃO DE LENHA - RISOTO DE CHURRASCO, SUPREMO CASAMENTO

Um verdadeiro amigo é uma coisa tão vantajosa,
mesmo para os maiores senhores,
para dizer bem deles e os defender mesmo na sua ausência,
que devem fazer tudo para os ter. 
(Blaise Pascal)


Amigas e Amigos,

               Sexta-feira é o dia de cozinhar aqui no Blog. Lendo a Folha de São Paulo (http://www1.folha.uol.com.br), hoje, fiquei pensando que se a Justiça estava “cozinhando” a própria Justiça, parece que deixou “queimar”. Explico essa alegoria com a matéria sobre a viagem do Ministro Toffoli, do STF, para a Itália, onde participou do casamento do criminalista Roberto Podval – que ofereceu estadia na ilha de Capri para 200 convidados. Até aí, morreu Neves. Mas...

               A reportagem da Folha apresenta algumas informações que ainda não estão bem explicadas, como:
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) José Antonio Dias Toffoli faltou a um julgamento na corte para participar do casamento do advogado criminalista Roberto Podval na ilha de Capri, no sul da Itália. Ele não informa quem pagou pela viagem. Os noivos ofereceram aos cerca de 200 convidados dois dias de hospedagem no Capri Palace Hotel, um cinco estrelas cujas diárias variam de R$ 1,4 mil a R$ 13,3 mil (de acordo com o câmbio de ontem). [...] No STF, Toffoli é relator de dois processos nos quais Podval atua como defensor dos réus. Ele atuou em pelo menos outros dois casos de clientes de Podval. A legislação prevê que o juiz deve se declarar impedido por suspeição se for "amigo íntimo" de uma das partes do processo. Se não o fizer, a outra parte pode pedir que ele seja declarado impedido. [...] O casamento ocorreu no dia 21 de junho e a festa terminou por volta das 5h do dia seguinte. No dia 22, em Brasília, oito ministros do STF tornaram o aviso prévio proporcional ao tempo de serviço prestado. Toffoli não estava. [...] Até ontem, o blog da empresa paulista que organizou o casamento trazia detalhes e fotos da festa em Capri. "O casamento foi um evento de proporções épicas. Organizamos a chegada dos 200 convidados que vieram do Brasil e de outros países, auxiliamos nos trâmites de reserva, deslocamento na Itália via trem ou "ferrys" [barcas], check-in e diversos detalhes para que se sentissem em casa", dizia o blog. [...] As informações do blog foram retiradas do ar ontem após a Folha falar com a organizadora Paula Mendel.

               Imagino que a descrição de “um evento de proporções épicas” – se bem realizado – é mais importante que a maioria dos anúncios e outras quaisquer formas de propaganda. As informações publicadas no blog da empresa organizadora do evento deveriam ter esse objetivo e, mesmo assim, foram retiradas por um, provavelmente, bom motivo. Esse motivo poderia ser um convidado – ou alguns convidados – “incomodado” pela publicação.



               A matéria da Folha não se esgota com a apresentação dos fatos. O jornal procurou ouvir o “outro lado” e parece que os consultados escorregaram mais que muçum ensaboado. De qualquer forma, para continuar a reflexão, segue a continuação da matéria:
O ministro do STF José Antonio Dias Toffoli preferiu não se manifestar sobre sua presença no casamento do advogado Roberto Podval. "É importante esclarecer que a viagem do ministro foi de caráter estritamente particular. Diante desse fato, ele se reserva o direito de não fazer qualquer comentário sobre seus compromissos privados", disse sua assessoria. A reportagem perguntou se ele arcou com as despesas da viagem e se sua relação com o advogado não poderia gerar conflito de interesses. [...] A Folha apurou que o ministro disse a interlocutores que poderia comprovar ter arcado com os gastos da viagem e que não se julga "amigo íntimo" de Podval. Podval se recusou a informar quem pagou a hospedagem de Toffoli: "Esse assunto é pessoal, particular, não quero falar sobre isso. Sobre ele ou qualquer convidado, eu não respondo, não tem sentido. [...] É até indelicado da sua parte [a pergunta]." "É uma matéria [da Folha] de muito mau gosto." O desembargador Marco Nahum disse que é amigo de Podval "há mais de 20 anos" e não viu problema em viajar para o casamento. Uma das organizadoras da festa, Paula Mandel, disse que só poderia falar com autorização dos noivos. Ela não informou por que as informações sobre o casamento foram retiradas do blog da empresa.

               Em sendo verdade o que a Folha apurou, o comportamento do ministro me parece, no mínimo, esdrúxulo. Talvez porque eu tenha ficado pensando em quantas vezes, em um final de sábado, sem ter o que fazer, vesti um terno (com gravata) e fui passear por Igrejas onde acontecessem casamentos e - após a cerimônia,  entre os convidados - participar das festividades sem ser amigo dos noivos (ou de seus pais). Meu "contador de eventos" ficou zerado.

               Supondo que o noivo não tenha arcado com as despesas da viagem do ministro, supondo, ainda, que os gastos não tenham sido feitos com dinheiro público e supondo, apesar de algumas evidências contrárias, que o ministro tenha pagado todas as suas despesas, o que muda no fato da participação desse Ministro do Supremo como “relator de dois processos nos quais Podval atua como defensor dos réus”?  Seria um hobby do ministro a participação em casamentos em locais paradisíacos, mesmo não sendo “amigo íntimo” dos noivos?

               Para encerrar a conversa de hoje – esperando melhores explicações do Ministro –, vale recordar o trecho da matéria que acentua ter ele participado em: “pelo menos outros dois casos de clientes de Podval. A legislação prevê que o juiz deve se declarar impedido por suspeição se for "amigo íntimo" de uma das partes do processo”.

               Pode ainda não estar queimando, mas se percebe um “cheiro” estranho. E disso não tenho dúvidas.

               Como penso que o ministro ainda vai levar algum tempo para organizar sua “cozinha”, sugiro para o final do dia (ou dia seguinte), após um churrasco, que se aproveite a carne que sobrou (espero que não esteja muito passada) para preparar um Risoto de Churrasco, conforme a receita abaixo.

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RISOTO DE CHURRASCO


Ingredientes:

± 500 gramas de carne de churrasco (sobra);
1  xícara de arroz arbóreo;
1,5  l.  de água;
4 tabletes de caldo de picanha (ou de carne);
± 1  xícara de vinho tinto;
1 cebola pequena picada;
2 dentes de alho picados;
Queijo ralado à gosto;
2 col. (sopa) manteiga;
Óleo (ou azeite) para fritar a carne.

Modo de preparar:

Ferver a água;
Picar a carne em pequenos cubos ou tiras;
Dissolver os tabletes de caldo na água fervente;
Fritar a carne picada em uma frigideira grande;
Acrescentar a cebola e o alho, fritando ligeiramente;
Adicionar o arroz e misturar bem;
Acrescentar o vinho e, aos poucos, o caldo;
Mexer sempre, até o arroz ficar “al dente” (sem estar muito seco);
Acrescentar a manteiga e misturar bem para o “brilho” do risoto;
Servir as porções nos pratos, polvilhando queijo ralado.

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               E a música escolhida para harmonizar com a receita de hoje, neste Fogão de Lenha, é "Casamento sem convite", de Lourival dos Santos e Moacyr dos Santos, com  (Antônio Bernardes Paulino da Costa) Zico & Zeca (Domingos Paulino da Costa). Zico & Zeca são irmãos de Liu & Léu e primos de Vieira & Vieirinha.  Essa gravação é de 1959, do disco "A enxada e a caneta".


               Um grande abraço, bom apetite e até a próxima!

Wilmar Machado

quinta-feira, 21 de julho de 2011

GALERIA SERTANEJA - GREVE, SERVIDORES E MILONGA

               Quem sonha de dia tem consciência de muitas coisas 
que escapam a quem sonha só de noite.
(Edgar Allan Poe)

Amigas e Amigos,

               Após um período de “repouso forçado”, por conta de uma gripe, associada a um processo alérgico, estou de volta. Nesse retorno, abordo o sonho de viver em um país efetivamente preocupado com a educação e a formação de seus cidadãos. Um país formador de mulheres e homens capazes de construir uma sociedade melhor. Um país educador de indivíduos em condições de apresentarem comportamento pautado pela ética.

               Porém o sonho que encontro é bem diferente, conforme pode ser constatado pelo comportamento de servidores, em greve no Espírito Santo, que tomaram seu café da manhã, hoje, dentro da própria universidade, conforme consta no portal G1 (http://g1.globo.com):
Mais de 150 servidores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) fizeram mais um protesto diferente. Depois de se manifestarem com um churrasco dentro da reitoria no início do mês, nesta quinta-feira (21) eles realizaram o ato "Café com Sonho", no mesmo local. A manifestação começou às 9h, no campus de Goiabeiras, em Vitória. Os trabalhadores estão há 40 dias em greve. De acordo com o diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Ufes (Sintufes) Wellington Pereira, disse que funcionários sonham com dias melhores. “Já cansamos das mentiras do Governo Federal. Por isso vamos fazer esse café com sonho. Pois estamos sonhando com dias melhores, com salários mais dignos, com nossas reivindicações atendidas. E vamos fazer dentro da reitoria para chamar atenção do reitor, da comunidade acadêmica e da sociedade, deixando claro que a greve não vai parar enquanto não formos atendidos”, relatou o diretor. [...] A greve dos servidores da Ufes, que começou no dia 7 de junho. O atendimento no Hospital das Clínicas (Hucam), nos laboratórios, bibliotecas, restaurante universitário são alguns dos setores afetados pelo movimento grevista.

               Como será possível sonhar com educação onde se pode parar por 40 dias (ou mais, dependendo das próximas negociações) as áreas de apoio aos processos de formação. Se neste momento as precárias condições das instalações atrapalham (ou interrompem) as atividades dos alunos, não é permitido aos estudantes pensar que com o fim dessa greve poderão continuar seus estudos. Uma possível greve de professores universitários pode criar um novo hiato no período letivo. Se o estudante depender do Hospital, além das greves citadas, ainda estará sujeito a greve de médicos e a greve de enfermeiros.

               Para que não se pense que o Governo Federal só consegue “administrar” bem o aumento dos salários de seus políticos, a notícia do G1 dá idéia de que há uma preocupação com essas paralisações, pois:
O sindicato luta contra a aprovação do Projeto de Lei (PL) 1749/2011. Se aprovado o projeto criará a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), uma nova estatal com patrimônio próprio, vinculado ao orçamento da União, mas sujeita a regimes de trabalho dos hospitais da iniciativa privada. Um desses regimes é a contratação de funcionários com contratos temporários ou via CLT. De acordo com Welligton Pereira a empresa vai desvincular os hospitais de ensino das universidades.

               A pergunta para a qual não encontro resposta é: e quando os servidores da nova empresa estatal pararem por “melhores salários”? Fico com a impressão de que a principal função da nova estatal será a criação de mais cargos a serem aproveitados por “apadrinhados” (não falo aqui dos funcionários que trabalharão nos hospitais, porque trabalho está muito longe das pretensões dos ocupantes de cargos distribuídos em todas as esferas políticas).



               Como falei de sonhos até aqui, escolhi para a Galeria Sertaneja de hoje a música “Encontro com a milonga”, na qual seu autor, Luiz Carlos Borges, se deixa levar por uma verdadeira história onírica. Essa música venceu a 9ª Sapecada da Canção Nativa, realizada em Lages-SC, no ano de 2001. Esse festival acontece durante a Festa Nacional do Pinhão, que inspira o seu nome. Segundo o portal dessa Festa: “O nome Sapecada vem de um hábito típico da região serrana dos campos de Lages, é a forma mais primitiva de consumo do pinhão. Sapecar o pinhão significa assar o pinhão numa fogueira feita com grimpas (galhos) do pinheiro. O pinhão é lançado ao fogo e retirado após a queima das grimpas quando já estará pronto para ser saboreado”. A letra desse “sonho” do Borges é a que publico abaixo.

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ENCONTRO COM A MILONGA

                                  Luiz Carlos Borges

Ouvi dizer que a milonga
Andava com a espinha torta
E até ouvi comentários
Que a milonga estava morta
Então quem foi que esta noite
Veio golpear minha porta?


Acordei de madrugada
Inquieto e meio nervoso
E fui terminar o pouso
Abraçado na guitarra
Parecia uma fanfarra
A mescla de corda e voz
Uma milonga entre nós
E eu grudado na guitarra


Só lá pelas quatro e meia
Já na madrugada longa
Eu controlei a milonga
Sem entortar harmonia
Enquanto ela me dizia
Num tom grave, mas sincero
"Ou tu canta como eu quero
Ou não vê clarear o dia"


"Tum tum tum, tum tum tum"
A milonga repetia
E eu não chorava nem ria
Com os olhos que eram braseiro
Mas quem nasce milongueiro
Mesmo com a vida num fio
Não refuga desafio
E nunca corre primeiro


E as horas foram passando
E eu já parecia outro
Ela viu que eu era potro
Mas disse "não te amedronta
Ninguém venceu, faz de conta
Que aqui nada se passou"
Mas quando o sol apontou
Eu tinha a milonga pronta!


E ainda, meio cansado
Depois desse pega-e-solta
Com jeito, campeei a volta
Antes que ela fosse embora
E perguntei sem demora
Porque eu sou curioso assim
"Conta em segredo pra mim,
Onde é que a milonga mora?"


E a milonga então me disse
"Não é segredo, parceiro
Já morei com o missioneiro
Que tinha n'alma um violão
Eu durmo em qualquer galpão
E desperto com a boieira
Mas, se tu for da fronteira,
Eu moro em teu coração"


E não pude mais contê-la
Quando enveredou pra porta
Me gritando "eu não tô morta,
E pra frente há muita lida
Por ora estou de partida
E a razão pouco me importa
Mas volto a golpear tua porta
Porque o teu rancho tem vida"


Nem cuidei de despedida
Senão o pranto me agarra
Afinei bem a guitarra
E num dedilhado assim
Pelo pago me perdi
Conforme a milonga manda
Eu não sei onde ela anda
Mas foi quem me trouxe aqui!


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               A interpretação da música, para ser acompanhada com a letra acima, fica a cargo do próprio Luiz Carlos Borges.


               Por hoje, vou ficando por aqui. Um grande abraço para todos!

Wilmar Machado

segunda-feira, 18 de julho de 2011

ABRINDO A PORTEIRA - TUDO BEM, MAS ERRAR QUATRO...

O pênalti é tão importante que devia ser cobrado pelo presidente do clube.

Neném Prancha


Amigas e Amigos,

               Desde ontem, após assistir, perplexo, 120 minutos de futebol sem gol e 4 cobranças de pênaltis (ainda que os árbitros mais afetados insistam em uma denominação mais pomposa por não se tratar da punição de uma infração ocorrida dentro da grande área no decorrer do jogo), que venho tentando segurar a vontade de comentar a participação de nossa seleção de futebol na Copa América.

               Como acabou minha resistência, estou escrevendo sobre o “desastre”, pouco previsível (não parecia tão óbvio como o fracasso ocorrido na última Copa do Mundo). Digo pouco previsível porque o treinador Mano Menezes convocara a maioria dos jogadores pedidos por todos.

               Não acredito que possa melhorar a situação o fato de se indicar “culpados”. O futebol, por mais que evolua em sua tática e em sua técnica, continua sendo “uma caixinha de surpresas”, o que mantém esse nobre esporte bretão com tantos e fiéis apaixonados por um clube – de ponta ou de “pelada” –, por vários clubes ou, apenas, por seleções nacionais. Gostar de futebol é não conseguir assistir uma partida – importante ou não – sem se perceber torcendo, mesmo que seu time – ou seus times – de coração não esteja na disputa.



               Por isso, achei até divertidas algumas citações que fizeram parte da edição de hoje do jornal Correio Braziliense, como: “errar é um Mano” ou “ para o Cebolinha, é Elano que se aplende”. Mesmo com essas brincadeiras, como a maioria dos brasileiros, gostei da convocação do Mano, de sua escalação, da idéia de agressividade e gostei, até, de algumas substituições oportunas. Mas os meninos tremeram e os mais experientes, aparentemente, se fizeram meninos também.

               Em minha opinião, não está tudo errado, mas existem erros. Pode-se jogar bem e perder? É claro que sim. Até hoje a seleção que mais me encantou foi a de 1982 e perdeu. Mas a seleção atual não pode ser comparada com a de 1982, porque perdeu sem jogar bem. Não estou dizendo que essa seleção jogou menos do que a seleção do Paraguai, pois o Paraguai sequer jogou. Mas jogar mais do que uma seleção como a do Paraguai não enriquece currículo de ninguém, pela fragilidade da mesma que, com méritos, soube se defender, e nada mais.

               A nossa expectativa é que talvez tenha originado o desastre ocorrido. Tínhamos uma seleção sem craques – que fizeram partes de todas as nossas seleções – e víamos craques em quase todos os convocados. Alguns dribles e algumas assistências são suficientes para, em nossa carência atual de grandes nomes do futebol, enaltecer bons jogadores como se fossem muito mais do que podem ser. Basta se destacar um pouco e surge a notícia de um “novo Pelé” – quantos novos Pelés já cresceram e diminuíram sem jamais conseguir substituir – ainda que parcialmente – o Rei.

               Agora, se não temos craques, precisamos trabalhar muito mais. Esse é o ensinamento que deve ser tirado: compensar a falta de craques com muito mais trabalho. E trabalhar significa até treinar pênaltis exaustivamente, até começar a acertar dentro do gol. E treinar mais, se o objetivo final for evitar defesas de goleiros adversários. E se disse não está tudo errado, não consigo ver qualquer possibilidade de explicar 4 pênaltis perdidos. Nem em time de pelada isso seria perdoável (coloquei seria porque não conheço time de pelada que tenha perdido 4 pênaltis). Mesmo com paciência, isso é difícil de entender.

               Vou torcer para que surja, finalmente, um grande craque e que se tenham paciência de deixá-lo amadurecer no tempo certo para não sua carreira não se acabe tão precocemente. Para surgir um craque na Argentina, ele precisou ser lapidado fora do país. Será que nós também, por nossa “carência”, estamos acabando com a possibilidade de nossos meninos se transformarem em jogadores que fazem a diferença.


               Mesmo que tudo isso seja verdade, vamos continuar “vibrando” com o nosso futebol. Segue o campeonato nacional até que venha a seleção novamente. E pra frente Brasil (se não estiver a beire de um penhasco). E para que o futebol continue nos divertindo, a música de hoje é com Rolando Boldrin – com a participação de João Kleber, imitando a voz do Walter Abraão. O título é “Futebol da Bicharada” e o autor é Raul Torres.


               Um grande abraço e melhores pênaltis nas próximas decisões.

Wilmar Machado

sábado, 16 de julho de 2011

COM O PÉ NO ESTRIBO - MERENDA, QUE EXEMPLO...

A fome não é exigente: basta contentá-la; como, não importa.
(Sêneca)

Amigas e Amigos,
               
               Na hora de colocar o pé no estribo para me despedir de mais uma semana, encontro, hoje, na página de Notícias do portal Terra (http://noticias.terra.com.br), uma notícia para enaltecer o trabalho de alguns brasileiros, conforme transcrevo parte, abaixo:
Em parceria com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) vai promover um curso para fortalecer as políticas e programas de alimentação escolar em cinco países da América Latina: Bolívia, Nicarágua, Guatemala, El Salvador e Honduras. Voltada para gestores e técnicos estrangeiros que trabalham com alimentação escolar, a capacitação terá um total de 200 horas, sendo 160 horas de estudo a distância e 40 horas de forma presencial. Para ministrar os cursos, a FAO e o FNDE realizarão, de segunda-feira até quinta, em Brasília, uma capacitação para os coordenadores nacionais de cada um dos cinco países envolvidos. "A intenção é partir da experiência brasileira, que é um exemplo mundial de boa prática na alimentação escolar, refletir sobre as próprias políticas e apontar caminhos a seguir", afirma Juarez Calil, consultor do projeto FNDE/FAO.

               Ainda assimilando o efeito da frase do consultor Calil sobre o exemplo mundial da experiência brasileira com alimentação escolar, li uma notícia que teria relação com esta, segundo o mesmo portal. Foi uma matéria sobre a merenda escolar no estado da Bahia, de onde tirei o excerto abaixo:
O retorno das férias nas escolas municipais do Subúrbio Ferroviário de Salvador (BA) evidenciou um problema que ocorre, pelo menos, desde abril desse ano: a falta de merenda. Para tentar suprir a falta de alimentos os professores acabam organizando "vaquinhas". Sem condições de dar segmento às aulas, algumas escolas chegam a liberar os estudantes mais cedo. [...] O retorno das férias nas escolas municipais do Subúrbio Ferroviário de Salvador (BA) evidenciou um problema que ocorre, pelo menos, desde abril desse ano: a falta de merenda. Para tentar suprir a falta de alimentos os professores acabam organizando "vaquinhas". Sem condições de dar segmento às aulas, algumas escolas chegam a liberar os estudantes mais cedo. A secretaria reconhece que não tem controle sobre os prazos de entrega dos fornecedores, problema causado por um modelo falho de gestão descentralizada da alimentação escolar. [...] Diretora da Escola Municipal Olga Metting, Ana Lúcia Silva, explica que desde março a secretaria fala em um novo modelo de gestão. Enquanto o problema não é solucionado, na unidade que administra, a gestora já chegou a pedir "contribuição voluntária" de alunos. "Pedimos, em reunião com os pais, que aqueles que quisessem colaborar trouxessem um tomate, uma cebola, um alho, enfim, algum item de hortifruti".



               O que me surpreendeu é a quantidade de dias decorridos entre uma notícia e a outra: dez dias. Será que o consultor Calil, pelo efeito de sua frase proferida, é da mesma escola do “nunca-antes-na-história-desse-país”. Mas, como hoje é sábado, procurarei mais detalhes durante a próxima semana, porque amanhã, a partir das 10 horas – até o meio-dia – estarei apresentando mais um programa Canto da Terra, ao vivo. Por hoje, vamos curtir o violeiro de Minas Gerais, Chico Lobo interpretando, de sua autoria, “Beira de Mato”.


               Um grande abraço e bom fim de semana!

Wilmar Machado

sexta-feira, 15 de julho de 2011

FOGÃO DE LENHA - QUENTÃO DE VINHO, BAH!


Não poríamos a mão no fogo pelas nossas opiniões: não temos assim tanta certeza delas.
Mas talvez nos deixemos queimar para podermos ter e mudar as nossas opiniões.
(Friedrich W. Nietzsche)

Amigas e Amigos,

               Sexta-feira e mais uma semana chegando ao fim. Mas no início do dia, hoje, os portais de Notícia abordaram a queima da namorada com água quente realizada pelo acusado da morte do jornalista Tim Lopes (Pelotas-RS, 1950 – Rio de Janeiro-RJ, 2002).

               O que chamou minha atenção foi a maneira que os portais grafaram o nome do infrator. No portal portal G1 (http://g1.globo.com):
Um dos responsáveis pela morte do jornalista Tim Lopes, Cláudio Orlando do Nascimento, o Ratinho, que está preso, jogou água fervendo em sua companheira durante uma visita íntima no Instituto Penal Vicente Piragibe, no Complexo de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio. A informação foi confirmada nesta sexta-feira (15) pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap).

               O portal Terra (http://noticias.terra.com.br), manteve o apelido e trouxe outro nome:
O traficante de drogas Renato Souza Lopes, conhecido como Ratinho, um dos condenados pela morte do jornalista Tim Lopes, foi acusado pela polícia de ter queimado com água fervente sua namorada durante a visita íntima, na tarde de quinta-feira, no complexo penitenciário de Gericinó, no Rio de Janeiro. A mulher foi socorrida de ambulância ao Hospital Albert Schweitzer, em Realengo, na zona oeste e, após ser medicada, apresentou queixa contra o companheiro.

               Já o portal UOL (http://noticias.uol.com.br), apresentou um novo apelido:
Cláudio Orlando do Nascimento, o Rato, que está detido no Instituto Penal Vicente Piragibe, no Complexo de Gericinó, em Bangu, no Rio de Janeiro, feriu sua namorada durante visita íntima na tarde de ontem. Ele cumpre pena após ter sido condenado por participação no assassinato do jornalista Tim Lopes. Segundo a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (Seap), Rato jogou água fervente em sua companheira, Fernanda Marins de Carvalho, durante a visita íntima. Ela sofreu queimaduras pelo corpo e imediatamente foi encaminhada para o Hospital Estadual Albert Schweitzer, em Realengo.

               Sei que esse é apenas mais um caso de utilização de muitos nomes para a aplicação de golpes contra a sociedade. E o Ratinho usava até mais nomes, conforme notícias do tempo em que foi preso.  Mas o bandido deve ter um nome que o identifica e acredito que os registros policiais devem ter esse registro. Ou será que se pode utilizar pseudônimo para responder por crimes?

               Agora, além – e muito além – dessas confusões com os nomes, como um presidiário tem acesso a água fervente para provocar as queimaduras durante uma visita íntima. Acredito que esse não seria o melhor momento para um banho de assento. Ainda que esse presídio estivesse no Rio Grande do Sul – e não no Rio de Janeiro –, penso que aproveitar uma visita íntima para tomar um chimarrão com a parceira seria, no mínimo, muito estranho.



               A receita de hoje (não tem nada a ver com o calor sentido pela coitada que foi visitar o Ratinho e tomou um “banho” de água fervendo) é motivada pelo tempo frio que vem fazendo em boa parte do país. É a receita de uma bebida muito apreciada no Sul do país, principalmente quando as temperaturas andam rondando a marca de 0ºC: o Quentão de Vinho.

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QUENTÃO DE VINHO

Ingredientes:

1, 5 l. de água

2,5 xíc. (chá) de açúcar

1 xic. (café) de cravos-da-índia

xic. (café) de canela em casca

3 l. de vinho tinto seco

3 gemas

1 limão, em rodelas

Gengibre (opcional)


Modo de preparar:

Leve uma panela ao fogo com a água,  2 xícaras de açúcar, o cravo e a canela.

Pode ser acrescentado um pouco de gengibre (em pedaços ou ralado).

Deixe ferver por aproximadamente 20 minutos.

Acrescente o vinho à mistura que está fervendo.

Deixe levantar nova fervura.

Bata as gemas e acrescente o restante do açúcar, aos poucos, batendo sempre.

Junte as gemas batidas ao quentão ainda no fogo e mexa bem.

Acrescente as rodelas de limão e deixe ferver mais um pouco.

Retire as rodelas de limão para não amargar.

Sirva o quentão, bem quente, em canecas de louça (é uma sugestão).

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               A música para acompanhar o quentão neste Fogão de Lenha é “Noite de São João”, de Kledir Ramil e Pery Souza, com a dupla Kleiton & Kledir.


               Lembrando que a rima “quentão” e “direção” é muito pobre, deixo um grande abraço!

Wilmar Machado 

quinta-feira, 14 de julho de 2011

GALERIA SERTANEJA - DE COMISSÃO E DE CHIMARRÃO


Aquele que não conhece a verdade é simplesmente um ignorante,
mas aquele que a conhece e diz que é mentira,este é um criminoso.
(Bertold Brecht)


Amigas e Amigos,

               Inicio esta Galeria Sertaneja para apresentar, com surpresa, um texto publicado, hoje, na página de Notícias, do portal R7 (http://noticias.r7.com). Surpresa porque quando penso que presenciei todo tipo de devassidão institucional, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara de Deputados apresenta “novidades” como a transcrita abaixo do referido portal:
O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), suspendeu a tramitação do recurso da deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF) na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), contra a aprovação do pedido de cassação do mandato da parlamentar. Ele pode rever a indicação do relator, deputado Vilson Covatti (PP-RS), que já apresentou seu voto pelo arquivamento do processo. Maia está analisando um questionamento levantado pelo PSOL, no qual o partido pede o impedimento de Covatti, por ele já ter votado a favor de Jaqueline no Conselho de Ética. O colegiado aprovou por 11 votos a 3 o pedido de cassação da deputada. Maia disse concordar com o PSOL de que Covatti não deveria ser o relator do caso na CCJ. [...] Ele disse que conversou com o presidente da CCJ, deputado João Paulo Cunha (PT-SP), a quem cabe indicar o relator. Segundo Maia, João Paulo disse não saber que Covatti já tinha se manifestado sobre o caso no conselho. [...] O presidente da Câmara afirmou que está consultando a assessoria técnica da Casa para tomar uma decisão com base nas regras regimentais e não em sua posição pessoal. A decisão de Maia será tomada no início de agosto, quando o Congresso voltar do recesso parlamentar de julho.  Na quarta-feira (13), Covatti, cumprindo o esperado, apresentou um voto a favor de Jaqueline propondo o arquivamento do caso. Ela teve a cassação recomendada por ter aparecido em vídeo recebendo um pacote de dinheiro de Durval Barbosa, delator do mensalão do DEM. Em seu voto, Covatti defende o arquivamento do caso porque o fato é anterior ao mandato. Apesar de só ter sido publicado em março deste ano, o vídeo é de 2006. No Conselho de Ética, no entanto, o relator Carlos Sampaio (PSDB-SP) afirmou que o caso poderia ser apreciado porque a gravação só foi conhecida recentemente, após Jaqueline já ter sido eleita. Covatti, porém, argumenta que não cabe ao Conselho "substituir a vontade do eleitor".

               A indicação de um relator com o rabo preso voto aberto, favorável ao arquivamento do imbróglio apesar das evidências de embuste explícito, para após longo período de embromação buscar substituí-lo é muito próprio da ética particular dos integrantes do parlamento. Mais um tempo, e alguma outra forma de postergar uma punição para os fatos evidentes (não são testemunhas ou declarações, são filmes com um enredo de fazer corar criancinhas – ainda bem que elas não entendem, pois, caso contrário, necessitariam de acompanhamento psicológico durante o período de amadurecimento), para que a provável tentativa de esperar o esquecimento das falcatruas por todos seja coroada pelo êxito.

               Pior que o voto do relator, só o desperdício de voto de quem votou no relator. Parece estar dizendo que a ilustre colega roubou, mas foi antes, agora ela está “honesta”, pois foi eleita. Como se eleição equivalesse a cumprimento de pena em presídio. Será que a ética do parlamentar é algo do tipo: “enganou a todos e se elegeu, seus pecados estão perdoados e seja bem-vinda ao paraíso parlamentar”. O fecho de ouro do relator é não caber ao Conselho substituir a vontade do eleitor, ou seja, se está eleito é porque é “bonzinho”.

               Na expectativa de que o presidente da Câmara ainda consiga botar esse trem nos trilhos, apresento a música escolhida para hoje e publico a letra logo abaixo.



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MATES DE SAUDADE 

                                                  Leo Ribeiro de Souza e Albino Manique   

Nas horas largas nos meus mates de saudade  
Quando a cidade já acende seus luzeiros  
Vou relembrando na tristeza que me invade  
Os fins de tarde nos meus tempos de campeiro.  

Cantava junto com os ferreiros no pomar  
Só prá quebrar a quietude da campanha  
E agora tendo tanta gente ao meu redor  
É bem maior a solidão que me acompanha  

Goteja prantos lá no céu sobre esses ranchos  
Quando um carancho como eu foge do ninho  
E sorve mates nesta busca de si mesmo  
Ou vaga e esmo na procura de carinho  

As vezes boto minha roupa endomingada  
Nas madrugadas dos bailões de chão adentro  
Seguro as ânsias de voltar pro velho pago  
E tomo uns tragos prá esquecer o desalento  

Componho o mate e aproveito a mesma erva  
Que ainda conserva um gostinho lá de fora  
Um dia destes pego os cobres de reserva  
Boleio a perna em algum trem e vou me embora 


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               A interpretação de hoje fica por conta de Zezinho e o Grupo Floreio.


               Um grande abraço e até a próxima.

Wilmar Machado

quarta-feira, 13 de julho de 2011

TERTÚLIA NATIVA - O JUDICIÁRIO E A MULA... EMPACAM

O mistério da encarnação repete-se em cada mãe:
toda criança que nasce é Deus que se faz homem.
(Simone de Beauvoir)


Amigas e Amigos,

               Para a Tertúlia de hoje, escolhi um causo – fictício – que ficou até meio sem graça quando encontrei na página de Notícias do portal UOL (http://noticias.uol.com.br), um causo – real – com um enredo de fazer inveja a qualquer ficcionista. A manchete no citado portal diz que um pai-de-santo foi preso agora, 22 anos após um homicídio, em ritual de magia negra, pelo qual foi condenado.

               Com essas informações do título da matéria, pensei que finalmente haviam conseguido prender um bandido foragido após um longo período na clandestinidade. Porém, quando o assunto tem a ver com justiça, lógica é uma parte da filosofia que carece de fundamento.

               A matéria associada a manchete referida diz que:
O pai de santo Willian Domingos da Silva, condenado por matar um menino de quatro anos durante um ritual de magia negra, foi preso 22 anos depois de cometer o crime. Ele foi acusado pelo Ministério Publico de sacrificar Michel Mendes em abril de 1989, no Setor Rio Formoso, em Goiânia (GO). O inquérito ficou parado desde o fato até 1998, quando foram retomadas as investigações. Silva foi julgado pelo 1º Tribunal do Júri de Goiânia e condenado, em janeiro de 2009, a 19 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado: crime cometido por motivo torpe, com uso de meio cruel e de recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Logo depois da condenação, começaram os recursos. O último pedido ao STF (Supremo Tribunal Federal) foi negado, e agora o réu terá de cumprir a pena. Willian ainda acredita que não deveria ter sido condenado, pois as motivações do crime foram além das vontades dele, que teria sido guiado por entidades superiores.  O pai de santo ficou em liberdade e na direção do terreiro de candomblé onde ocorreu o fato, que permaneceu aberto durante todos estes anos. Segundo ele, o que resta agora é cumprir a pena. “Já que fui condenado, vou cumprir o que foi determinado”, afirmou.

               Nessa primeira parte da matéria, pode-se ver que o assassinato de um menino de quatro anos, que não apresentava condições de qualquer tipo de resistência, aconteceu em abril de 1989. Quase dez anos depois – 1998 – o inquérito estava parado.

               Depois desses quase 10 anos parados, em “apenas” onze anos o 1º Tribunal do Júri julgou e condenou o assassino. Quase vinte anos após o execrável crime, saiu uma sentença e começaram os recursos.

Passados mais dois anos, o último pedido ao STF foi negado. Nesses 22 anos após cometer esse torpe crime, o ordinário assassino continuava dirigindo seu terreiro e, sabe-se lá, se não repetiu semelhantes rituais de magia negra (ou de outros tons escuros) no período, de forma mais bem planejada e executada.

               Na continuação da matéria, aparecem detalhes sobre o crime que levou a essa condenação com toda a “agilidade” possível:
Na denúncia do Ministério Público, consta que a criança foi morta em um ritual no terreiro de candomblé Axé Ilê Oxalufá. Laudos cadavéricos e o depoimento de uma testemunha que já morreu incriminaram Silva. A esteticista Elsa Soares da Silva, que teria sido a mandante do crime, foi condenada a 18 anos de prisão. Contra ela, pesou o fato de terem sido encontrados em sua residência objetos iguais aos usados durante o ritual. O processo foi desmembrado antes do julgamento, para não haver conflito na defesa dos dois. Elsa mora no exterior, e aguarda em liberdade o resultado dos recursos. Segundo o MP, Elsa estaria decepcionada com sua vida amorosa, por isso teria recorrido ao pai de santo para que um ex-namorado tivesse problemas com o novo relacionamento. Willian teria recorrido à magia negra e pedido à esteticista que lhe entregasse um menino. Elsa teria apontado Michel, que na época morava com uma tia, vizinha da esteticista. O garoto então foi sacrificado em um ritual de magia negra coordenado por Willian com o objetivo de resolver os problemas amorosos dela. Raptado, o menino foi amordaçado e passou, entre outras crueldades, por espancamento, retirada de três dentes, amputação de todos os dedos das mãos para, ao final, ser decapitado. O corpo foi encontrado 13 dias depois, no dia 8 de abril de 1989, pela polícia, enterrado em uma cova rasa próxima ao terreiro de candomblé. A defesa dos réus tentou alegar que o Ministério Público não teria apresentado provas contra o pai de santo e a esteticista. Para o promotor do caso, Milton Marcolino, a sentença foi justa. "A Justiça atendeu a todos os pedidos feitos pelo MP". Os outros acusados de participação no crime, Alexandre dos Santos Silva Neto e a faxineira Eva dos Santos Marinho morreram antes de serem julgados.

               Dada a velocidade dos trâmites seguidos, uma testemunha e dois envolvidos já morreram. Mas a mandante do crime continua por aí, viva e, talvez, tenha levado outros chutes e recorridos a outros rituais como vingança. Essa autora intelectual do crime está no exterior enquanto seus recursos vão postergando o seu momento de adentrar um presídio.

               Nessa parte da matéria, tem-se uma idéia da forma hedionda utilizada para sacrificar a criança de quatro anos. E tudo isso aconteceu há 22 anos, sem que os culpados, identificados, tenham passado por qualquer dificuldade para “curtirem” o convívio livre na sociedade. Seria ridículo, se não fosse tão trágico.

               Depois desse pequeno desabafo, para essa Tertúlia, escolhi o causo que contei no programa Canto da Terra do último domingo.



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O CAUSO DA MULA

               Seu João pensou melhor e decidiu que os ferimentos que sofreu num acidente de trânsito eram sérios o suficiente para levar a transportadora (dona de uma picape) para o Tribunal.

               No tribunal, o advogado da transportadora começou a inquirir seu João:

               – O Senhor não disse na hora do acidente: "Estou bem"?

               Seu João responde:

               – Bem, vou lhe contar o que aconteceu, seu dotô, eu tinha acabado de colocar  minha mulinha favorita na caminhonete...

               – Eu não pedi detalhes – interrompeu o advogado – só responda a pergunta. O Senhor não disse na cena do acidente: "Estou bem"?

               – Bem, eu coloquei a mula na caminhonete e estava descendo a rodovia...

               O Advogado interrompe novamente e se dirige ao juiz:

               – Meritíssimo, estou tentando estabelecer os fatos aqui. Na cena do acidente, este homem disse ao patrulheiro rodoviário que estava bem. Agora, várias semanas após o acidente ele está tentando processar meu cliente. Isso é uma fraude. Por favor, poderia dizer a ele que simplesmente responda a pergunta.

               Mas a essa altura, o Juiz já estava muito interessado na resposta de Seu João e disse ao advogado:

               – Eu gostaria de ouvir o que ele tem a dizer.

               Seu João agradeceu ao Juiz e prosseguiu:

               – Como eu estava dizendo, eu coloquei a mula na caminhonete e estava descendo a rodovia quando uma picape atravessou o sinal vermelho e bateu na minha caminhonete bem na lateral. Eu fui lançado fora do carro para um lado da rodovia e a mula foi lançada lá no outro lado. Eu estava muito ferido e não queria me mover. De qualquer forma eu podia ouvir a mula zurrando e grunhido e, pelo barulho, eu pude perceber que o estado dela era muito ruim. Logo após o acidente, o patrulheiro rodoviário chegou ao local. Ele ouviu a mula gritando e zurrando e foi até onde ela estava. Depois de dar uma olhada nela ele pegou a arma e atirou bem entre os olhos do animal. Então, o policial atravessou a estrada com sua arma na mão, olhou para mim e disse:

               “Sua mula estava muito mal e eu tive que atirar nela, como está se sentindo?”

               Após um pequeno silêncio, Seu João complementou:

               – Queria que eu respondesse o quê, doto?

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               A música escolhida para “amadrinhar” essa Tertúlia é “A Moda da Mula Preta”, de Raul Torres, na interpretação da saudosa dupla Raul Torres (de Botucatu-SP) e Florêncio (de Barretos-SP) - volume 2, da coleção "Meio Século de Música Sertaneja".


               E por aqui, vou concluindo esta Tertúlia, deixando um grande abraço.

Wilmar Machado