sexta-feira, 26 de agosto de 2011

GALERIA SERTANEJA - PELA VIDA GRITA A TERRA... POR DIREITOS, TODOS NÓS!



Caminhar com bom tempo, numa terra bonita, sem pressa,
 e ter por fim da caminhada um objetivo agradável:
eis, de todas as maneiras de viver, aquela que mais me agrada.
(Jean Jacques Rousseau)




Amigas e Amigos,

               Hoje, lembro que estamos nos aproximando de mais um Grito dos Excluídos, que acontecerá no próximo feriado de 7 de setembro. Nesta 17ª edição desse evento, o lema é “Pela vida grita a Terra... Por direitos, todos nós”. A jornalista da Adital (http://www.adital.com.br), Karol Assunção, escreveu que:
De acordo com Ari Alberti, integrante da coordenação nacional do Grito dos Excluídos, a manifestação popular acontecerá em todo o país. Por ser uma atividade descentralizada, ainda não há como fazer uma previsão do número de participantes [...] E a ideia também é que, após o 7 de setembro, as organizações sociais de cada local possam juntar as reivindicações manifestadas na mobilização para realizar um documento e cobrar das autoridades. "O Grito é um processo conjunto de formação e conscientização para o projeto popular, com ações pré e pós [Grito]”, comenta. O integrante da coordenação nacional lembra que, por ser descentralizado, não há uma pauta específica de reivindicação, pois as demandas são de acordo com os problemas locais. "A ideia é que cada local possa fluir o grito que faz parte do dia-a-dia”, afirma. [...] Para Ari Alberti, o lema chama para a discussão tanto sobre o meio ambiente, ameaçado pelo modelo desenvolvimentista e pelas grandes obras, quanto sobre os direitos. "É importante lembrar que saúde, educação, moradia são direitos básicos previstos na Constituição”, comenta. [...] Realizado desde 1995, o Grito dos Excluídos já faz parte do calendário nacional de ações realizadas durante o dia 7 de setembro. De acordo com Alberti, a mobilização conseguiu mudar a ideia de Semana da Pátria e questionar sobre o Dia da Independência. "Mesmo quem não concorda, sabe que existe uma atividade diferente das marchas oficiais”, destaca.



               João Peres, da Rede Brasil Atual (http://www.redebrasilatual.com.br), publicou que:
Neste ano, o tema do Grito dos Excluídos é “Pela vida grita a terra. Por direitos, todos nós!”, uma alusão à Campanha da Fraternidade, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Na edição de 2011, a Igreja Católica brasileira teve como foco as mudanças climáticas e a maneira como impactam nas sociedades empobrecidas economicamente. “Os direitos estão na Constituição. Queremos cumpri-los”, avalia Alberti. Ele lamenta em especial a postura do Congresso Nacional, que tem mostrado disposição para negociar aumento de salário de parlamentares, para discutir o Código Florestal, de interesse de alguns deputados e senadores, e para debater a nomeação para cargos públicos, mas não abre o mesmo espaço para aprovar outros temas importantes para a sociedade. “Precisa de uma ventilada, de uma limpeza. Queremos construir um projeto popular, um projeto de sociedade. O Congresso parece um balcão de negócios. É triste chegar a esse ponto.” [...] Em uma referência direta à bandeira do governo Dilma Rousseff, a superação da miséria, os movimentos sociais indicam, na carta a respeito do ato, que a ascensão de classe não é suficiente se seguir havendo disparidades insuperáveis. “Com tamanha desigualdade, sem ter feito nenhuma reforma estrutural de base, como a situação muda tão rapidamente? Alguma coisa está sendo enganosa”, destaca Alberti.

               As notícias sobre o Grito dos Excluídos são encontradas em mídias alternativas e não ocupam muito espaço nos grandes portais de notícias. Enquanto escrevia, pensava sobre os poderes e seus escândalos, onde a periodicidade de denúncias (com imagens, vídeos e arquivos sonoros) torna-se cada vez mais amiúde. Será que breve não teremos um país divido em apenas duas classes: os corruptos e os excluídos?

               Para a Galeria Sertaneja de hoje, enquanto esperamos o Grito dos Excluídos (e as suas conseqüências), é de Francisco Alves e Humberto Zanatta, e tem por título “América Latina” que, segundo a enciclopédia livre Wikipédia, “é um brado à consciência crítica e união entre os povos explorados da Latino-América”.

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AMÉRICA LATINA
                                                      Francisco Alves e Humberto Zanatta

Talvez um dia, não existam aramados
E nem cancelas, nos limites da fronteira
Talvez um dia milhões de vozes se erguerão
Numa só voz, desde o mar as cordilheiras

A mão do índio, explorado, aniquilado
Do Camponês, mãos calejadas, e sem terra
Do peão rude que humilde anda changueando
E dos jovens, que sem saber morrem nas guerras

América Latina, Latina América
Amada América, de sangue e suor

Talvez um dia o gemido das masmorras
E o suor dos operários e mineiros
Vão se unir à voz dos fracos e oprimidos
E as cicatrizes de tantos guerrilheiros
Talvez um dia o silêncio dos covardes
Nos desperte da inconsciência deste sono
E o grito do Sepé na voz do povo
Vai nos lembrar, que esta terra ainda tem dono

América Latina, Latina América
Amada América, de sangue e suor

E as sesmarias, de campos e riquezas
Que se concentram nas mãos de pouca gente
Serão lavradas pelo arado da justiça
De norte a sul, no Latino Continente

América Latina, Latina América
Amada América, de sangue e suor

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               A interpretação hoje está por conta de Dante Ramon Ledesma, cantor popular e sociólogo argentino, naturalizado brasileiro em 1978, e morador do Rio Grande do Sul.

  

               Até a próxima e um grande abraço!

Wilmar Machado

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

TERTÚLIA NATIVA – SURRUPIADO É SURRUPIADO, E PONTO.



Muitos ensinam o que adquiriram com o estudo, não com a conduta,
e assim o que pregam com a palavra destroem com o seu modo de vida.
(São Gregório Magno)



Amigas e Amigos,


               A Tertúlia Nativa inicia com uma notícia do portal “Congresso em Foco” (http://congressoemfoco.uol.com.br), sobre o pífio salário recebido pelo nobre presidente do Senado. Segundo o referido portal:
Alguns parlamentares acumulam o que recebem no Congresso com aposentadorias, que fazem com que os R$ 26,7 mil sejam ultrapassados em muito. É o caso do próprio presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). No salário dele, ninguém mexeu. [...] Uma ação do Ministério Público afirma que o próprio presidente do Senado, José Sarney, recebe acima do teto constitucional. [...] Segundo o MP, Sarney recebe duas aposentadorias, como ex-governador do Maranhão e como servidor do Tribunal de Justiça daquele estado, além do salário de senador em Brasília. Em 2009, o jornal Folha de S.Paulo mostrou que as duas aposentadorias de Sarney somavam R$ 35.560,98, em valores de 2007. Com o salário de senador da época – R$ 16.500 – ele ganharia R$ 52 mil. Como o salário de senador hoje é de R$ R$ 26.723,13, a remuneração de Sarney seria agora de pelo menos R$ 62.284,11, considerando-se os documentos noticiados pelo jornal e ignorando-se eventuais reajustes nas aposentadorias. Assim, a assessoria do Senado disse que nenhum senador ganha mais que o teto, pelo menos pelo que consta na folha de pessoal da Casa. O salário de R$ 26.700 foi definido pelos próprios senadores e deputados no ano passado, quando também elevaram para o mesmo valor a remuneração da presidente da República, de seu vice e de seus 38 ministros de Estado. Na ação contra Sarney na 21ª Vara, o procurador Vollstedt pede que a União e o governo do Maranhão suspendam os pagamentos ao senador que estourem o teto. O procurador pede que o parlamentar escolha qual fonte de rendimentos vai utilizar para se manter dentro do limite de R$ 26.700. E pede ainda que Sarney seja condenado a devolver aos cofres públicos tudo o que ganhou além do permitido nos últimos cinco anos.

               O objeto da notícia é o salário do parlamentar e não considera as mordomias acumuladas à guisa de verbas de representatividade e outras rubricas, que elevam esse valor divulgado para patamares estratosféricos. O assunto é sério e a notícia abordada, também, de forma muito séria, mas terminei de ler às gargalhadas, com o pedido do procurador para que haja uma condenação provocando a devolução aos cofres públicos do que foi abocanhado além do permitido. Depois dos “mensalões” pluripartidários, dos ministérios envolvidos nos mais diversos embustes e de outros escândalos envolvendo dinheiro público, devolução desse tipo de roubo, por aqui, nem um mês depois de confirmada a prisão do Zorro pelo Sargento Garcia.

               Além dos salários astronômicos e das sombrias verbas adicionais, a aposentadoria nesse patamar apresentado transforma a “carreira” política – para a qual não há necessidade sequer de alfabetização – no emprego dos sonhos. E esse emprego dos sonhos ainda tem como atrativo a dispensa do trabalho para os mais dedicados a mancomunação. Uma boa parte dos políticos são profissionais da política (e da politicagem), que não retornam jamais para qualquer outro emprego por não ser oferecido pelo mercado nada que se compare as facilidades do exercício de cargos eletivos públicos (inclua-se nisso a sempre bem recebida por eles imunidade, que acaba sendo associada a impunidade).



               Como imaginei que um dos motivos de tanto apego aos cargos possa estar ligado ao esquecimento de como voltar a vida privada, lembre de um causo que contei no programa Canto da Terra do último domingo, do livro Balaio de Causos, do radialista e poeta Leonel Colvero, que transcrevo abaixo.

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GATO DO ARMAZÉM
                                  Leonel Colvero

               Chateado com as queixas da freguesia, o bolicheiro resolveu se livrar do gato de estimação da casa.

               O bichano estava tão abusado e confiante, que vivia lambendo queijo, salame e tudo que encontrasse em cima do balcão da venda.

               O bolicheiro soube que alguns fregueses tinham deixado de freqüentar o seu estabelecimento, por causa da falta de higiene daquele felino abusado.

               Pegou o bicho, colocou dentro de um saco e atou-o bem na boca.

               Tomou um ônibus e foi soltar o gato no Passo da Ferreira, na saída para São Pedro do Sul, na entrada do Distrito da Boca do Monte.

               Quando chegou de volta ao Itararé, lá estava o gato que chegara de volta, antes dele.

               Atou novamente a boca do saco, com o gato dentro e se mandou para o Camobi, no outro extremo da cidade.

               Largou o animal nos fundos do Aeroporto, no começo da estrada para o Arroio do Só.

               Ao retornar para casa, lá estava de novo o gato que chegara mais uma vez antes dele.

               Passou o resto do dia visitando os distritos do município de Santa Maria.

               Foi até Santa Flora, na saída para São Sepé; foi ao Itaara, na saída para Júlio de Castilhos e sempre o gato chegava de volta em casa antes dele.

               De tardezinha foi para a Vila Norte, depois andou pela Caturrita, a pé, com o saco atado na boca, para confundir o gato.

               Subiu o morro da televisão, andou pela casinha branca, voltou para a chapada, e, quando já era noite estava nos peraus de Santo Antão, totalmente perdido.

               Não tinha a mínima noção de onde estava nem para onde ir naquelas “bibocas”.

               Foi aí que ele se deu conta de que só lhe restava uma saída:

               SOLTAR O GATO E SEGUI-LO PARA ACHAR O CAMINHO DE VOLTA PARA CASA.

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               A música para encerrar a Tertúlia é “Barranca e Fronteira”, de Antônio Fagundes e Luís Telles, na interpretação de Alex Hohenbergger (CD “As melhores canções gaúchas”, vol. 1).

  

               Um grande abraço para todos!

Wilmar Machado

terça-feira, 23 de agosto de 2011

ORATÓRIO CAMPEIRO - SANTA ROSA E A ORDEM PÚBLICA


Desterra dos teus estudos a arrogância;
não fiques presumido pelo que sabes, porque tudo quando sabe o mais sábio homem do mundo
nada é em comparação com o muito que lhe falta saber. 
(Juan Luis Vives)




Amigas e Amigos,


                O Oratório Campeiro lembra a Festa, celebrada hoje, da Padroeira da América Latina: Santa Rosa de Lima, a primeira santa latino-americana a ser canonizada. Ela é, conforme sua oração, “patrona dos agentes da ordem pública e guardiã da paz e tranqüilidade das pessoas”, o que pode parecer uma ironia se considerar a notícia publicada pelo caderno Poder, do jornal Folha de São Paulo, disponível desde a noite de ontem em http://www.folha.uol.com.br, salientando que:
O presidente do TRF (Tribunal Regional Federal) da 1ª região, Olindo Menezes, liberou o pagamento de comissões e gratificações, entre outras verbas, acima do teto salarial de R$ 26,7 mil aos funcionários do Senado. Menezes aceitou o recurso da Casa e suspendeu uma liminar que havia sido concedida em junho pelo juiz Alaôr Piacini, da 9ª Vara Federal de Brasília, em um processo ajuizado pelo Ministério Público Federal do DF. [...] De acordo com Menezes, a liminar poderia lesar a "ordem pública" porque, feito de forma abrupta, o corte nos salários poderia inviabilizar o funcionamento dos serviços públicos do Senado.

                Acredito não ser o único a sentir um misto de indignação e incapacidade no meio da população deste país. Indignação por ver o mau uso do dinheiro público distribuído de qualquer jeito por quem não demonstra um pingo de responsabilidade para com uma sociedade penalizada por impostos astronômicos. Incapacidade por ver que meu impotente voto permite se perpetuarem nos poderes pessoas sem qualquer comprometimento com pátria e ética.

                Como gostaria de acreditar que a Folha está inventando notícias e que o presidente do TRF jamais mencionou qualquer lesão contra a “ordem pública” advinda de paralisação dos serviços públicos do Senado. Não consigo imaginar que alguém, em sã consciência, possa admitir tal discrepância, pois fico imaginando quantos anos (décadas ou séculos?) seriam necessários, após os funcionários do Senado cruzarem os braços, para a sociedade brasileira perceber que eles pararam. “Nunca” poderia ser uma opção válida.

                Mas a Folha não estava inventando nada. O portal G1 (http://g1.globo.com) também fala da liberação dos supersalários no Senado pelo presidente do TRF. O G1 ainda detalhou que:
Segundo o MPF, em agosto de 2009, o TCU identificou 464 servidores que receberam acima do teto. O prejuízo estimado, somente no Senado, seria de R$ 11 milhões, segundo o tribunal. Em relação à administração pública federal, o TCU verificou indícios de irregularidades por parte de 1.061 servidores de 604 órgãos.

                Com esses absurdos, e com todas as notícias sobre os desvios de dinheiro que vem sendo identificados nos ministérios sem qualquer indício de retorno das verbas mal utilizadas, ainda se ouve falar de justiça social e erradicação da pobreza.  



                Diante de tudo isso, a sugestão é pedir a intercessão da padroeira da América Latina para que a politicagem brasileira seja, gradativamente, substituída por uma nova política brasileira, muito além das esmolas distribuídas hoje com o único intuito de manutenção do poder.

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ORAÇÃO A SANTA ROSA DE LIMA

Senhor,
Inflamastes com vosso amor
Santa Rosa de Lima,
Padroeira da América Latina,
Patrona dos agentes da ordem pública
E guardiã da paz e tranqüilidade das pessoas.

Vós a convocastes
Para viver só para Deus
Na austeridade e penitência.

Concedei-nos por sua intercessão
Que saibamos seguir na terra
O caminho da vida de amor
Para usufruirmos no céu
Da torrente de vossas delícias,

Amém!

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                A música para este Oratório leva a uma reflexão sobre quem verdadeiramente trabalha e produz neste pais, ao contrário dos desocupados que percebem salários milionários. O título da música é "Terra Tombada", de Carlos Cézar e José Fortuna, na interpretação do Padre Fábio de Melo.



                Um grande abraço para todos e que a Paz de Cristo permaneça conosco!

Wilmar Machado

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

ABRINDO A PORTEIRA - A CONSTRUÇÃO DA EDUCAÇÃO


Nem todos podem tirar um curso superior.
Mas todos podem ter respeito, alta escala de valores e as qualidades de espírito
que são a verdadeira riqueza de qualquer pessoa.
(Alfred Armand Montapert)


Amigas e Amigos,


               Mais uma semana começando, com uma notícia que merece reflexão pela falta de uma visão clara da intenção motivadora do ato. Refiro-me a matéria disponível na página “Vestibular e Educação”, do portal G1 (http://g1.globo.com), sobre a meta do governo federal de abrir mais de um milhão de matrículas nas universidades até 2014, abordada pela presidente Dilma em seu programa de rádio na manhã de hoje.

               O assunto do programa de rádio buscou esclarecer uma notícia da última terça-feira, dia 16, quando o governo anunciou a criação de quatro novas universidades federais, a abertura de mais 47 campi universitários e 120 unidades de institutos federais de educação, ciência e tecnologia. Naquele dia, o Ministério da Educação indicou as sedes das novas entidades: a Universidade Federal Sul e Sudeste do Pará, em Marabá; a Universidade Federal da Região do Cariri, em Juazeiro do Norte; a Universidade Federal do Oeste da Bahia, em Barreiras; e a Universidade Federal do Sul da Bahia, em Itabuna. Esses projetos contam com o compromisso de prefeitos de 120 municípios que cederão terrenos para a instalação das unidades. Sobre o assunto, o portal G1 publicou que “de acordo com o ministro da Educação, Fernando Haddad, o objetivo do projeto é promover a interiorização da educação superior e profissional no país. Haddad explicou ainda que a expansão de universidades e escolas para as regiões mais pobres do país ajudará no projeto do governo de erradicação da miséria”.



               Poderia dizer que fiquei com uma dúvida, mas para não mascarar a verdade, afirmo que tenho muitas dúvidas nisso que estão chamando de “projeto”. Uma dúvida é sobre os critérios utilizados para definir os locais onde serão instaladas as novas universidades, bem como as demais unidades de educação. Outra questão para a qual não tenho resposta é sobre a interiorização da educação no país – as localizações no interior deste país que pensam em educação já dispõem de oportunidades para suas comunidades. A frase do ministro sobre erradicação da miséria não me soou com a autenticidade esperada para o assunto, pois não encontrei relação direta imediata entre miséria e ensino superior – concordo que passa por educação, mas sem saltar etapas.

               Sobre a participação da presidente Dilma no rádio, o portal G1 trouxe, hoje, que:
Com a criação de novas instituições de ensino no país, o governo pretende chegar a 1,2 milhão de matrículas nas universidades federais até 2014. A presidente Dilma Rousseff comentou o Plano de Expansão da Rede Federal de Educação em seu programa de rádio semanal, "Café com a presidenta", na manha desta segunda-feira (22). [...] Nos institutos, a meta do governo é chegar a 600 mil matrículas até 2014. "Nós estamos agindo rápido para recuperar o tempo perdido. Se queremos que o nosso país ocupe um lugar de destaque no mundo, se queremos um país justo, um país rico, sem pobreza, se queremos que nossos filhos e netos se desenvolvam, temos de dar um grande salto de qualidade no nosso ensino e na formação de nossos jovens", disse a presidente. Dilma Rousseff explicou os critérios usados pelo governo para escolher os municípios que vão receber essas escolas de nível superior. "Primeiro, demos prioridade a municípios com mais de 50 mil habitantes, em microrregiões onde não existiam escolas da rede federal e no interior do Brasil. Segundo, tivemos a preocupação de atender municípios com elevado percentual de extrema pobreza. Terceiro, focamos em um grupo de municípios que têm mais de 80 mil habitantes, mas, nos quais, a prefeitura, muitas vezes, arrecada pouco e tem muita dificuldade de investir em educação", detalhou.

               Como tem sido rotina nos últimos anos – pelo menos nos últimos – os esclarecimentos pouco esclareceram. Não resta dúvida que “temos de dar um grande salto de qualidade no nosso ensino”, mas por tudo que foi falado o único salto perceptível é o quantitativo e não o qualitativo. Penso que a forma utilizada, com foco apenas na possibilidade de aumentar o número de estudantes poderá dar origem a um número bem maior de professores, servidores e terceirizados para atender essa nova quantidade estimada de alunos.

               E daí? Daí, que com o pouco caso tradicionalmente dedicado a educação será motivo para novas greves anuais com maior número de professores e outros servidores. Além da falta de valorização dos profissionais em educação – com salários muito longe dos praticados para com os (não-) trabalhadores eleitos para o Congresso e adjacências –, não é novidade o desleixo dedicado à qualidade do ensino praticado nas unidades existentes hoje.


               Ou será que alguém está pensando que a expressão “construir educação”, muito utilizada por especialistas no assunto, passa por erguer escolas sem políticas concretas para o aproveitamento desses prédios. Será?

               A música escolhida para abrir a porteira para mais uma semana trata em sua letra de um menino que caminhava só – como tantos meninos que não conseguem acesso a uma escola – teve uma primeira gravação do início dos anos 70 por Sérgio Reis (Sérgio Basini). Trata-se da versão do próprio Sérgio para “El chico de la armonica”, do espanhol Fernando Arbex, que recebeu o título de “O menino da gaita”, aqui interpretada pelo Sérgio Reis.


               Um grande abraço e um ótima semana para nós, se Deus quiser!

Wilmar Machado



sexta-feira, 19 de agosto de 2011

GALERIA SERTANEJA - CORRUPTO, CADEIA E CASINHA BRANCA



A fim de que a lei seja eficaz,
em vez de ser uma simples recomendação,
deve ser acrescentado um meio-termo, o poder,
que, ligado aos princípios da liberdade, garanta o sucesso dos da lei.
(Emmanuel Kant)


Amigas e Amigos,

               Ouvi, hoje pela manhã, a entrevista do ministro-chefe da Controladoria-Geral da União(CGU), sobre as denúncias contra o Ministério da Agricultura e o efeito da renúncia do ministro daquela pasta nas investigações em andamento. Encontrei a matéria no portal G1 (http://g1.globo.com) sobre o assunto, com o seguinte teor:
O ministro-chefe da Controladoria-Geral da União, Jorge Hage, disse nesta quinta-feira (18) que as investigações de denúncias no Ministério da Agricultura vão continuar, apesar da demissão do ministro Wagner Rossi, que deixou o cargo nesta quarta-feira. "A investigação continua, independentemente da saída do ministro, porque nós não estamos investigando o ministro, estamos investigando o ministério, os fatos que aconteceram lá", disse Hage após participar de evento da Câmara Temática de Transparência da Copa de 2014, em Brasília. De acordo com o ministro, já foram confiscados computadores na pasta e ele ainda aguarda imagens do circuito interno do ministério, que requisitou a Rossi. A auditoria no ministério tem prazo de 60 dias para a conclusão. Rossi pediu demissão após semanas consecutivas de denúncias de irregularidades na pasta que comandava. A mais recente, nesta terça, dava conta do uso pelo ministro de um jatinho de uma empresa do ramo agropecuário. Hage informou também que a auditoria no Ministério dos Transportes, Dnit e Valec será concluída até o dia 31 de agosto, e a no Ministério do Turismo, em outubro. "São 20 a 30 pessoas acusadas nesses procedimentos, e todos continuam independentemente de exonerações ou afastamentos temporários." O ministro pediu mudanças na lei como uma forma de combater a impunidade em casos de corrupção. "O que é preciso é acabar com a impunidade, e isso começa com a redução dos recursos que hoje impedem que o corrupto seja posto na cadeia. O corrupto hoje não vai pra cadeia nunca" afirmou. Segundo Hage, a pena máxima para corrupção hoje no Brasil é a demissão do servidor. "Você dirá 'a pena máxima para corrupção hoje no Brasil é a demissão?' e eu direi 'na prática,é' ", afirmou o ministro.

               Conforme o portal da CGU (http://www.cgu.gov.br), a “Controladoria-Geral da União (CGU) é o órgão do Poder Executivo Federal responsável, entre outras funções, por fazer auditorias e fiscalizações para verificar como o dinheiro público está sendo aplicado”. O ministro-chefe desse órgão afirmou que “O corrupto hoje não vai pra cadeia nunca” e pediu que se mudassem as leis para acabar com a impunidade. Se a CGU tem sob sua responsabilidade auditar e fiscalizar a aplicação do dinheiro público e se, considerando o desabafo do ministro, isso não serve para nada, pois se for constatada alguma irregularidade com verbas públicas, o relatório final de auditoria dirá apenas que “amanhã será um novo dia”.



               Com todo o acobertamento que existe por parte dos diversos escalões das esferas dos poderes, é perceptível que mudanças em leis, nesse país onde os legisladores criam leis para qualquer bobagem e não demonstram grande interesse por assuntos sérios, em nada contribuiriam para minimizar a impunidade de corruptos. Lei que colocasse os corruptos desta Terra de Santa Cruz poderia servir para colocar na cadeia boa parte dos próprios elaboradores da lei. Logo, imaginem-se quando haverá leis para prender corruptos...

               Pelo exposto, pode-se esperar que tenham ainda muitas pizzas para encerrar auditorias e fiscalizações com finais muito próximos dos finais das desgastadas CPIs, “passa-tempo” da classe política. E para não azedar a Galeria Sertaneja de hoje, a música escolhida é uma obra de Elpídio dos Santos – compositor já apresentado aqui no Blog – que tem por título "Lá no pé da serra", mas é muito conhecida também como "Você vai gostar" e como "Casinha branca". 

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LÁ NO PÉ DA SERRA
                                           Elpídio dos Santos

Fiz uma casinha branca
Lá no pé da serra
Pra nós dois morar
Fica perto da barranca
Do rio Paraná.

O lugar é uma beleza
Eu tenho certeza
Você vai gostar
Fiz uma capela
Bem do lado da janela
Pra nós dois rezar.

Quando for dia de festa
Você veste o seu vestido de algodão
Quebro o meu chapéu na testa
Para arrematar as prendas no leilão
Satisfeito vou levar
Você de braço dado
Atrás da procissão
Vou com meu terno riscado
Uma flor do lado
E meu chapéu na mão.

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               A interpretação dessa música, de tantos títulos, está hoje a cargo de Renato Teixeira.


               Um grande abraço para todos e até a próxima!

Wilmar Machado

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

TERTÚLIA NATIVA - O TURISMO E UM CAUSO DO BOLDRIN


 O que tu fazes agora não é viajar, mas sim andar à deriva,
a saltar de um lado para o outro, quando na realidade o que tu pretendes
 - viver segundo a virtude - podes consegui-lo em qualquer sítio.
(Lucius Annaeus Séneca)


Amigas e Amigos,

               Na Tertúlia de hoje, comento – sem qualquer perplexidade, por estar me acostumando a devaneios – a audiência pública no Congresso que contou com a participação do ministro do Turismo, por conta das denúncias contra sua pasta.



               Sobre esse assunto, o portal UOL (http://www.uol.com.br), apresentou uma matéria que inicia com o seguinte texto:
Em sua primeira audiência pública no Congresso desde o surgimento de denúncias em sua pasta, o ministro do Turismo, Pedro Novais, negou que soubesse das irregularidades veiculadas pela imprensa sobre possíveis desvios de recursos públicos do ministério em convênios com entidades sem fins lucrativos. “Se houve deslizes por irregularidades, não sei, mas admito que, pelo que aconteceu, alguma coisa pode ter havido, mas isso esta sendo corrigido e será francamente eliminado”, disse nesta quarta-feira (17), em audiência conjunta das comissões de Fiscalização Financeira e Controle; de Defesa do Consumidor; e de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados.

               Mesmo consciente de já estar acostumado com os desvarios de autoridades constituídas, ainda sou surpreendido. A frase, atribuída ao ministro pelo portal, traz em seu início o conteúdo elucidativo que permitiu ao ministro tornar muito clara a sua negativa sobre as irregularidades denunciadas: “Se houve deslizes por irregularidades, não sei, mas admito que, pelo que aconteceu, alguma coisa pode ter havido...”. Ele não sabe se houve irregularidades, mas sabe o que aconteceu e esses “acontecimentos” conhecidos podem indicar irregularidades. Agora, ficou tudo claro. Ou seja, com essa frase o ministro não pode ser acusado de estar enchendo lingüiça, pois a “enrolação” é tão vazia que somente encheria o embutido de ar.

               Na intenção de entender bem a filosofia turística, continuo pensando sobre a seqüência da frase: “...alguma coisa pode ter havido, mas isso esta sendo corrigido e será francamente eliminado”. Se eu entendi bem, estão corrigindo “alguma coisa” sem saber se essa “coisa” existe – acredito que conheci hoje o supra-sumo do antecipatório. Mas, continuando até o fim da frase, uma nova surpresa, pois a desconhecida coisa – que deve estar errada – está sendo corrigida e quando tudo estiver corrigido, será (penso que aqui ficaria bem um “tchan-tchan-thcan-tchan”) “francamente eliminado”. Francamente, ministro, que frase para uma audiência, além de pública, conjunta de diversas comissões.

               Depois da brilhante embromação do ministro, lembrei de um causo do livro “Contando Causos”, do Rolando Boldrin, que faz parte do capítulo referente a “Otoridades e os tar de políticos (ou Ocê sabe cum quem tá falando!)”, que transcrevo abaixo, mostrando que para “enrolar” não é necessário ser ministro.

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NOS TEMPOS DO CANGAÇO
                                           Rolando Boldrin

               Só pra não dizer que eu só conto causos de caipira paulista – o que sou, com muita honra –, tem um lá do Nordeste, bem antigo. Dos tempos em que existiam vários bandos de cangaceiros e os dito cujos eram perseguidos pela polícia chamada de “volante”. Tem um causinho bem conhecido que serve de preâmbulo pra outro que em vou contar depois. Sobre um daqueles ataques às vilas, num entrevero com a polícia, contava um velho cangaceiro, lembrando suas façanhas: “Naquela batalha morreu tanto sordado, mas morreu tanto sordado... que urubu só comia de sargento pra cima”.

               Pois bem. O causo que eu vou contar agora aconteceu no dia em que a volante conseguiu, depois de muitos anos, prender o tão temido Capitão Ordovino. Cangaceiro dos bão. Da estirpe sanguinária do velho Lampião.

               Na frente da mesa do delegado, estava o cangaceiro de cara amarrada – pois, afinal, o dito cujo tinha se deixado apanhar e agora deveria amargar uns belos anos atrás das grades. O delegado, por sua vez, não cabia em si de tanto orgulho.

DELEGADO (se recostando na poltrona) – Muito bem, capitão Ordovino. Até que enfim, heim? Depois de tanto tempo, agora a minha polícia, sob o meu comando, consegue pegar o sinhô. Agora o sinhô vai vê o que é bom. Tantos anos saqueando, matando e zombando da gente e até do governo...

CAPITÃO (num resmungo, de cabeça baixa) – Éééé...

DELEGADO – Capitão Ordovino? Antes do sinhô ir pro xilindró, conta aqui pra gente: quantos homens o sinhô já matou nessa vida de cangaceiro?

CAPITÃO (reluta e balbucia) – É dois.

DELEGADO (não acredita no que ouve) – Como é que é? Péra aí! O sinhô não entendeu a pergunta. Eu perguntei quantos homens o sinhô já matou até hoje...

CAPITÃO (firme e articulado) – É dois.

DELEGADO – Deixa de sê cara-de-pau. Como o sinhô tem a coragem de dizer que só matou dois homens até agora?

CAPITÃO (insistente) – É dois mêmo!

DELEGADO – Olha aqui. O sinhô é tão descarado. Além de tudo, ainda mentiroso. Veja aqui (mostra um papel). Só numa lista que eu tenho aqui comigo, tá marcado que o sinhô mato 10! 10 homens. Olha aqui (mostra)!

CAPITÃO (sem ler, justifica) – Só se o sinhô tá contando aqueles 8 buliviano...­­

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               A música desta Tertúlia Nativa é “No jeitinho brasileiro”, de Berenice Azambuja e Vaine Darde, na interpretação de Berenice Azambuja, dando uma amostra de como se pode “viajar” por este Brasil sem depender de Ministério de Turismo.



               Um grande abraço e até a próxima.

Wilmar Machado

terça-feira, 16 de agosto de 2011

ORATÓRIO CAMPEIRO - ATÉ LOGO, TIO ARI!



A natureza do homem se recusa à solidão,
e parece sempre procurar um apoio:
e não o há mais doce que o coração de um terno amigo.
(Marcus Tullius Cícero)

Amigas e Amigos,

               Hoje, enquanto tento escrever, percebo as letras mais pesadas e a vista, já cansada, se mostra ainda mais embaralhada. Escrevo com o coração apertado, pois partiu lá para cima meu tio e padrinho de Batismo, Ari Ribeiro Barcellos, de cepa bajeense e aquerenciado em Pelotas desde há muito. Foi uma vida de mais de 80 anos, mas ele está naquele grupo de pessoas para os quais não existe muito tempo, mas muita saudade começando agora.



               Trabalhador dedicado e chefe responsável, e amigo, me permitem afirmar que o porto de Pelotas nunca mais foi o mesmo depois da aposentadoria do tio Ari, que, desde o dia em Deus chamou meu pai – também Wilmar Machado que sempre foi “seu Zé” para os amigos – se tornou minha maior referência como pai e avô. Os dois já devem ter se encontrado e imagino a festa no Céu para celebrar a continuação dessa grande amizade, interrompida aqui na terra desde que meu pai, muito cedo, foi morar lá no Reino eterno.

               A amizade fica na minha lembrança, desde meus tempos de guri, quando eles conversavam sobre futebol, falando dos clubes amadores – dada as suas diferenças nas equipes profissionais – aos quais estavam ligados – como líderes ou como simpatizantes – como o 99, o Fiateci ou a equipe da fábrica de bebidas Telma.

               Lembro da festa de meus 15 anos, que seria em um final de tarde, lá no início da Rua Álvaro Chaves, em uma casa com porão de quase um metro. Durante a festa o momento mais marcante foi a hora da foto com todos os amigos e familiares presentes – foto que não existe, pois no momento em que todos se concentraram em um lado da sala, o assoalho cedeu e o pessoal foi parar no porão. O assoalho não quebrou, o que fez o outro lado da sala se projetar em direção ao teto da casa – ainda bem que o pé direito de casarão tem grande dimensão – e fez uma cristaleira de meus pais, cheia de louças e copos, deslizar e transformar em cacos seu conteúdo. Fez, também, o fotógrafo ser projetado para cima e escorregar com sua máquina, fotografando o teto da casa. Apesar do susto, não tivemos vítimas. Mas com tudo isso, o que me lembro desse dia com mais carinho é de meu pai e meu tio, pela felicidade de meu aniversário, tomando vinho na hora do almoço e me permitindo experimentar a bebida. Experimentei, mas eles continuaram bebendo e foram dormir, só acordando quando os convidados já estavam chegando. A cena marcante foi propiciada pelos dois, que para não encontrarem os convidados antes de um banho recuperador, passando por uma janela que ficava a mais de dois metros do chão. E até nessa dificuldade, se divertiram juntos.

               Talvez pelo ambiente onde estejam agora conversando, lembrem o quanto suas vidas estão associadas às capelas nas comunidades onde residiram na região geográfica da Paróquia Santo Cura D'Ars, do Seminário São Francisco de Paula. Por sempre estarem focados no serviço, sem esperar qualquer reconhecimento, talvez não tenham idéia da saudade que essas comunidades sentem deles.             

               Não falei até aqui em morte ou falecimento, pois nenhum deles morreu. Eles fazem parte de um seleto grupo de pessoas que vivem para sempre na lembrança, no coração e na saudade dos amigos. Encontrei, em uma rede social, o depoimento das três netas do “seu Zé” – meu pai – sobre o tio Ari, onde fica claro como ele foi para elas o substituto perfeito para o avô que perderam muito cedo. Por isso, acredito que não cabe tristeza, mas a certeza de que Deus necessitou de mais um Santo entre seus Santos e não hesitou em chamar meu padrinho, que também intercederá por nós até que chegue o momento de nos encontrarmos.

               Como ontem foi a festa de Assunção da Virgem Maria, sobre a qual o portal das Paulinas, disponível em http://www.paulinas.org.br, diz  que “na Assunção da Virgem Maria, vemos a nossa esperança de ressurreição já realizada. Nela a Igreja atinge a plenitude do triunfo final, a vitória definitiva sobre a morte e o mal” e como Maria é mediadora de nossas vidas e de nossas aflições, a oração de hoje é dirigida a ela, pedindo sua intercessão, junto a seu Filho e a Deus Pai, pelo tio Ari e pelas almas de nossos amigos e familiares.

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ORAÇÃO A NOSSA SENHORA DA ASSUNÇÃO

Ó dulcíssima soberana, rainha dos Anjos,

bem sabemos que, miseráveis pecadores,
não éramos dignos de vos possuir neste vale de lágrimas,
mas sabemos que a vossa grandeza
não vos faz esquecer a nossa miséria e,
no meio de tanta glória, a vossa compaixão, longe de diminuir,
aumenta cada vez mais para conosco.
Do alto desse trono em que reinais
sobre todos os anjos e santos,
volvei para nós os vossos olhos misericordiosos;
vede a quantas tempestades e mil perigos
estaremos, sem cessar,
expostos até o fim de nossa vida.
Pelos merecimentos de vossa bendita morte,
obtende-nos o aumento da fé,
da confiança e da santa perseverança
na amizade de Deus, para que possamos, um dia,
ir beijar os vossos pés e unir as nossas vozes
às dos espíritos celestes,
para louvar e cantar as vossas glórias eternamente no céu.
Amém!


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               A música escolhida para acompanhar a oração neste Oratório Campeiro, "Ave Maria da Tarde", tem como autores Roque Joaquim Volkweiss, Antônio Carlos Volkweis e Marcelo Volkweiss. A interpretação é do gaúcho Wilson Paim.


               Um grande abraço e que a Paz de Cristo permaneça conosco!

Wilmar Machado