sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

GALERIA SERTANEJA - OS PESOS DA JUSTIÇA



Anima-te por teres de suportar as injustiças;
a verdadeira desgraça consiste em cometê-las.
(Pitágoras)



Amigas e Amigos,

Nesta primeira Galeria Sertaneja de 2012, antes da apresentação da música escolhida para hoje, estou pedindo ajuda para entender as diferenças – se existirem – entre as situações mostradas a seguir.

Inicialmente, mostro abaixo uma matéria do portal G1, de hoje, (http://g1.globo.com), onde um jovem foi preso por atropelar, e matar, um argentino em Santa Catarina. Diz a matéria que:

Um estudante de 19 anos foi preso em Canasvieiras, Santa Catarina, por homicídio doloso (com intenção de matar) e omissão de socorro de um argentino de 54 anos. Segundo a Polícia Civil, o crime ocorreu na noite de terça-feira (3), quando a vítima trafegava pela ciclofaixa da praia com uma bicicleta e foi atingido por um Peugeot 206 preto conduzido pelo jovem. Algumas testemunhas tentaram socorrer o argentino e outras pessoas tentaram parar o motorista, que tentou fugir após o carro apresentar problemas técnicos. O argentino chegou a ser socorrido, mas morreu. Pedestres relataram à polícia que o motorista apresentava estar “visivelmente embriagado”. Policiais dizem que ele se recusou a fazer o teste do bafômetro. Dentro do Peugeot foram apreendidos uma garrafa de vodca e bebidas energéticas. O argentino morava em Canasvieiras e estava com visto de permanência no Brasil vencido. Segundo a Polícia Civil, nenhum familiar dele foi encontrado e consulado argentino no estado foi avisado do caso.
Em seguida, mostro a notícia que li no jornal “Litoral Norte” (http://litoralnortenoticias.com.br), do Rio Grande do Sul, do último dia 3, falando de um acidente semelhante ocorrido na estrada do mar, onde os responsáveis por duas mortes estão em liberdade:
Após terem a liberdade provisória concedida pela Justiça, a modelo Tatieli da Silva Costa e o suplente de vereador Paulo Afonso da Rosa Correa Júnior, responsabilizados pelo acidente que provocou duas mortes na Estrada do Mar, foram transferidos na madrugada desta terça-feira do Hospital Santa Luzia, em Capão da Canoa, para o Hospital São Vicente de Paula, em Osório, no Litoral Norte. A dupla deixou a instituição de saúde sob forte escolta policial. Um grupo de cerca de 15 pessoas protestou na noite de segunda-feira contra a decisão judicial que concedeu liberdade provisória aos dois. De acordo com o juiz Ademar Nozari, da Comarca de Capão da Canoa, que concedeu a soltura dos acusados, a decisão é baseada na regra geral de que a pessoa deve responder o processo em liberdade e só ser presa se condenada. “A prisão antecipada é exceção para casos em que haja necessidade de garantias da ordem pública, representar risco para a instrução criminal ou para aplicação da lei penal. São essas as hipóteses restritas que fazem com que a pessoa permaneça presa”. Entretanto, o juiz determinou medida cautelar, recolhendo os passaportes dos acusados. A modelo Tatieli Costa, que reside em Portugal, terá que permanecer no Brasil até o julgamento do processo judicial. Os acusados terão que comparecer a todos os atos da ação, que deverá começar após a conclusão do inquérito policial e da denúncia do Ministério Público. Uma das vítimas da colisão, Carine Bueno, passou por cirurgia e segue internada em estado grave no hospital de Capão da Canoa. Ela era passageira do Prisma conduzido por Alaíde da Silva Linck, de 28 anos, que morreu no acidente. O carro dela, após ser atingido pelo Vectra dirigido pela modelo sem habilitação capotou e caiu sobre um táxi, matando o motorista, Ivo Ferrazo, de 63 anos. Parentes e amigos de Carine planejam via redes sociais um protesto para o sábado, em frente ao restaurante do pai do dono do veículo.
A minha primeira dúvida é sobre a diferença de condição dos acusados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Em SC o jovem, por estar embriagado e matar uma pessoa, está preso e no RS, os dois responsáveis pela morte de dois trabalhadores, quando também estavam embriagados e a motorista não tinha habilitação, estão em liberdade.



          A minha segunda dúvida é em relação a aplicação da regra geral pelo juiz de Capão da Canoa para liberar os responsáveis e se prende ao fato de serem pessoas ligadas a alta sociedade e a política da região. Será que sendo os responsáveis somente pessoas do povo – sem projeção social ou política – o juiz teria “lembrado” da aludida “regra geral”?

          Pelas situações semelhantes e pelos tratamentos diferentes, fica a impressão de que uma antiga máxima de domínio popular está mais viva do que nunca. Falo daquela citação, que ouço há muito, que afirma “de cabeça de juiz e de bumbum de neném se pode esperar qualquer coisa”.

          Como hoje é dia de nossa Galeria, trouxe a música “Chuvas de Verão”, de João de Almeida Neto, cuja letra está publicada abaixo.

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CHUVAS DE VERÃO
                  
João de Almeida Neto

Quando estas nuvens se esparramam sobre o pampa
E em gotas claras se derramam pelo chão
Apagam o pó dos pátios pobres da campanha
E apaga as brasas dessas tardes de verão.

Parece até que cada gota desta chuva
Vem como lágrima do céu para regar
O peito triste dos que choram como as nuvens,
Sem ver a flor do coração desabrochar.

Por isso gosto dessas chuvas veraneiras,
Que vêm e chovem e se somem sem alarde
Para levar a outros campos e outras vidas
A paz molhada que espalharam pela tarde.

E como chegam, vão-se as tardes, vão-se as chuvas
e vão-se os dias, vai-se o tempo e a ilusão
e vamos nós, em cada sonho que se apaga,
como se a vida fosse chuva de verão.


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          Para acompanhar Galeria de hoje, segue a interpretação do próprio autor, João de Almeida Neto.

 


          Um grande abraço e que 2012 seja pleno de justiça e felicidade para todos!



quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

ORATÓRIO CAMPEIRO - SOLIDARIEDADE E PERPLEXIDADE


Quem não se sentir ofendido com a ofensa feita a outros homens,
 quem não sentir na face a queimadura da bofetada dada noutra face, seja qual for a sua cor,
não é digno de ser homem.
(José Julián Martí Pérez)



Amigas e Amigos,
         
          Na semana em que a celebramos a Festa do Santíssimo Nome de Jesus, festejamos nesta terça-feira Santa Genoveva, uma francesa que, como Santa Joana D’Arc, fez da atividade política e social uma obrigação tão importante como o jejum e a oração.



          Antes de continuar nosso bate-papo sobre Santa Genoveva neste Oratório Campeiro, quero registrar que li – aqui na capital portenha onde passo minhas férias – uma matéria no portal G1 (http://g1.globo.com) sobre o escalpamento de duas crianças – de 10 e 13 anos – em acidentes com motor de barco no Pará, no dia 30 de dezembro. Segundo a notícia, as crianças estão em estado grave na Santa Casa de Belém, referência para esse tipo de caso.

          Saber que existe um lugar tido com referência para esse tipo de caso (conforme a notícia) é algo que me deixa perplexo, pois reconhecer uma referência para essa situação é admitir que existam um número significativo de casos semelhantes. Diz, ainda, a matéria que:
Os acidentes costumam ocorrer quando as vítimas têm o cabelo arrancado pelo movimento do eixo que liga o motor até a hélice dos barcos, que fica exposto aos passageiros de maneira irregular. A menina de 10 anos sofreu perda total do couro cabeludo, teve exposição óssea, a orelha esquerda rasgada e fratura no úmero. A vítima sofreu o acidente quando viajava com a mãe da região onde mora até o centro de Portel (PA), trajeto que demora quatro horas para ser percorrido de barco. "No momento, ela está em estado grave, porém estável. A criança está com infecção e faz hemoterapia em virtude de quadro anêmico. A lesão sofrida por ela chegou até a cervical", disse Socorro Ruivo, coordenadora do Programa de Assistência Integral às Vítimas de Escalpelamento (Paives), da Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará. A criança de 13 anos foi ferida quando era levada do ponto onde mora, em Oeiras (PA), até o centro da cidade, que fica na região do Arquipélago de Marajó. Ela perdeu parte do couro cabeludo, com exposição parcial do crânio. "Nos dois casos, as pacientes estão recebendo acompanhamento médico até que possam passar por cirurgia reparadora e ortopédica", disse Socorro.  Para evitar casos de vítimas escalpeladas em embarcações na região amazônica, a Defensoria Pública Geral da União (DPGU) tem um programa, desde abril de 2005, para tentar erradicar os casos de acidentes deste tipo. Segundo dados do governo do Pará, foram registrados 250 casos de vítimas escalpeladas, no período de 1982 a 2011. A maioria aconteceu na região do Arquipélago de Marajó, na Região Metropolitana de Belém, nas regiões Nordeste e do Baixo Tocantins. A DPGU trabalha com o Projeto de Prevenção e Erradicação do Escalpelamento, que é feito em parceria com as secretarias de Saúde dos estados do Pará, Amapá, Rondônia e Amazonas, com o Ministério da Justiça e com a Marinha. De acordo com a defensora pública federal Luciene Strada, a DPGU tem 241 processos de assistência jurídicas para vítimas escalpeladas. Destes, 145 casos são no Pará, 94 no Amapá, um no Amazonas e um em Rondônia. A defensoria atua em duas linhas de ação. A primeira, reparadora, orienta as vítimas e seus familiares sobre os direitos que têm após o acidente, abre processos de assistência jurídica e viabiliza o recebimento de indenização. "O objetivo é atuar de maneira que sejam garantidos todos os direitos de cidadão até a reinserção das vítimas ao mercado de trabalho e todo acompanhamento médico, desde os primeiros cuidados até os últimos reparos de cirurgia plástica, em cooperação com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, e atendimento psicológico", disse Luciene. A segunda, preventiva, atua com campanhas de esclarecimento com donos de embarcações e passageiros. Um dos focos é o aumento da segurança dos barcos. "Não tenho registro de donos de barcos reincidentes. O acidente com vítimas escalpeladas e tão feio que o barqueiro que passou por uma situação dessa dificilmente vai querer passar por isso de novo", afirmou a defensora pública federal.

          Por mais que se possa alegar diferenças culturais – ou quaisquer outras bobagens para explicar tais situações – não consigo aceitar que acidentes dessa magnitude possam ocorrer sem que se busque – efetivamente – erradicá-los.

          O programa da Defensoria Pública Geral da União, que se arrasta – conforme a material – desde de 2005 para erradicar “casos de acidentes deste tipo”, pode ser classificado como inóquo diante da realidade apresentada na reportage do G1. E aparentemente é assim que ele também é visto pela própria DPGU, pois atua em duas linhas de ação, onde orienta as vítimas (após sofrerem o acidente) e esclarece os envolvidos para que não haja reincidência (quando alguém já sofreu um acidente deste tipo). Parece brincadeira com o sofrimento alheio.

          Volto, então, a falar de Santa Genoveva, para relembrar principalmente um dos episódios mais marcantes de sua vida. Esse episódio diz respeito a sua atuação na história da França como protetora dos moradores do campo à uma cidade que vivia na penúria. Graças a essa intervenção, milhares de franceses foram salvos da morte e, por isso, Santa Genoveva é invocada sempre que a capital francesa passa por calamidades e é a Padroeira de Paris.

          Como sugestão, vamos pedir, pela intercessão de Santa Genoveva, que Deus ajude nossos governantes a deixarem de “estar fazendo” e a “fazerem” o que os nossos irmãos mais necessitados tanto precisam, para que, assim, eles possam ser vistos como pessoas e não apenas como um voto para as próximas eleições.         

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ORAÇÃO A SANTA GENOVEVA
                  
Deus, nosso Pai,
Por intercessão de Santa Genoveva,
Afastai de nós a peste, a fome, as guerras.
Saibamos defender nossa dignidade
De cidadãos livres e de filhos de Deus,
Que nos chamou a viver na paz e na justiça,
Deixando de lado interesses mesquinhos e individualistas.

Dai-nos, Senhor,
A coragem e a abnegação de Santa Genoveva
Que soube praticar o Evangelho, servindo aos irmãos,
E que obteve na oração
Forças para debelar o perigo da opressão e o desespero da fome.
Jamais nos falte a vossa proteção
E auxílio nas dificuldades pelas quais passamos.
Amém.
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          Para concluir esse primeiro Oratório Campeiro de 2012, escolhi a música “Minha Vida Tem Sentido”, do Padre Zezinho, interpretada pelo próprio autor.


          Um grande abraço e que a Paz de Cristo permaneça conosco por todo 2012!

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

ABRINDO A PORTEIRA - ESPERANÇA EM 2012



A esperança não é nem realidade nem quimera.
É como os caminhos da terra: na terra não havia caminhos;
foram feitos pelo grande número de passantes.
(Lu Hsun)

Amigas e Amigos,

Começando 2012. Desejo que todos os que acompanham este Blog do programa Canto da Terra tenham um ano de saúde e felicidade em plenitude. O Abrindo a Porteira de hoje não é apenas para mais uma semana, como quase sempre, mas para um novo ano que se inicia.



Mesmo sempre esperando novidades nos deparamos com um 2012 que começa semelhante a tantos outros, com muita chuva atingindo a capital mineira e as cidades próximas, com os mesmo problemas dos anos anteriores, com mortes que não sensibilizam nossos governos na busca de melhoria para superarmos com mais tranqüilidade essas intempéries.

Situação semelhante vive a região serrana do Rio de Janeiro e, graças a algumas situações pontuais, ainda não se registrou um caso de calamidade como o de anos anteriores. O prefeito de Nova Friburgo afirmou a Folha de São Paulo “que apenas 30% das obras necessárias para a cidade foram executadas”. E se lembrarmos que pelo menos 900 pessoas morreram naquela região há um ano, a idéia que nos passa é de completo descaso para com a vida dos cidadãos brasileiros.

Ainda que não haja informações sobre vítimas, o munícipio de Petrópolis, também na região serrana do Rio, já registrou, conforme informação da Agência Estado, 128 ocorrências. Situação de alerta máximo são registradas nas cidades fluminenses de Duque de Caxias, São João do Meriti e Macaé.

A população atingida por essas chuvas torrenciais também paga impostos exorbitantes para não ter qualquer retorno durante um ano de espera e agonia por conta das tempestades anuais. Pode ser que aplicar em infraestrutura diminua a verba disponível para os “mensalões” que garantem eleições, reeleições e sabe-se lá mais o quê…

Ainda que as chuvas e as secas persistam em nosso país, resta-nos esperar, confiantes em nossos votos, que possamos diminuir – e quiça um dia acabar – a corrupção impregnada em nossos poderes constituídos.

          Para abrir essa porteira para 2012, deixo a música “Alma de Espelho de Rio”, de Gujo Teixeira e Luiz Marenco, interpretada por Luiz Marenco.

 

          Um grande abraço e que 2012 se revista de felicidade!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

GALERIA SERTANEJA - PREVISÃO, EMENDAS E REMENDOS



O escravo apenas tem um senhor,
o ambicioso tem tantos quantos lhe puderem ser úteis para vencer.
(Jean de La Bruyère)


Amigas e Amigos,

Esse 2011 está “apagando suas luzes” e eu, longe de Brasília (DF), percebo pelo portal G1 (http://g1.globo.com) que, por conta do prazo para se obter “empenho” de emendas – termina às 14h do último dia deste ano –, tem muito deputado e senador pressionando para serem liberados dinheiro para obras em suas bases eleitorais. A dúvida que me persegue é quantos deixaram o ano passar sem qualquer retribuição para com os que lhes garante seus salários. Não imagino todos (mas uma boa parte).




Diz o referido portal que está acontecendo uma verdadeira romaria ao Palácio do Planalto pelos que buscam promessas de pagamento de emendas parlamentares ao orçamento da União. Segundo o portal:
As emendas parlamentares são apresentadas por deputados e senadores e incluem no orçamento projetos e obras direcionados a estados e municípios onde têm bases eleitorais. O líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), escreveu em seu perfil no microblog Twitter que está no Rio de Janeiro, em férias com a família, mas permanece trabalhando, por telefone, pela liberação das emendas para o seu estado. Cada parlamentar tem o direito a R$ 13 milhões em emendas individuais e pode também incluir pedidos nas emendas reservadas às bancadas e comissões. Mesmo durante o recesso, o senador Delcídio Amaral (PT-MS) começou a visitar ministérios e o Palácio do Planalto já na segunda-feira (26). Ele disse que encontrou muitos parlamentares e assessores de gabinetes na Casa Civil. "Tem em torno de uns 40, 50 deputados esta semana trabalhando [nos ministérios]”, disse o deputado federal Darcísio Perondi (PMDB-RS), presidente da Frente Parlamentar da Saúde. Para o deputado Lázaro Botelho (PP-TO), os parlamentares da base aliada ao governo deveriam ter “tratamento diferenciado” na liberação das emendas. Em agosto, PMDB e outros partidos da base aliada se articularam para impedir a realização de votações na Câmara dos Deputados. O objetivo da paralisação foi demonstrar insatisfação com o governo, principalmente com a demora na liberação de emendas parlamentares. No início do segundo semestre, o governo chegou a anunciar que seria empenhado R$ 1 bilhão em emendas, somente em agosto.
          Quanta informação maravilhosa para nós que elegemos essas simpáticas figuras, capazes de gozar férias no Rio de Janeiro com a família e permanecer trabalhando. Imagino que, alguém que não faça nada ao longo de onze meses e receba polpuda remuneração, ao tirar seu “merecido” mês de férias – e continuar sem fazer nada – possa afirmar que está trabalhando pois suas férias estão muito semelhantes ao seu ano laboral.

          Outra coisa que me parece formidável para nós eleitores é perceber que, nos últimos dias do ano, cerca de 40 ou 50 parlamentares estão trabalhando para garantirem uma próxima reeleição por conta de distribuição de verbas para seus correligionários.

          E ver a “sensibilidade” do ilustre deputado que clama por “tratamento diferenciado” para os aliados, afinal as verbas – fruto de altíssimos impostos pagos por todos – devem beneficiar somente aqueles que moram em regiões representadas pelos parlamentares “puxa-sacos”.

          Pode-se constatar, ainda, na matéria acima que parlamentares se organizaram em agosto e paralisaram seus trabalhos – ou seja, fizeram greve branca – por estarem insatisfeitos como o Governo e a greve não foi declarada ilegal por nenhuma instância do judiciário. Será que greve ilegal só pode ser vinculada a classe que trabalhe?

          Como eu citei no início que 2011 está apagando as luzes, valho-me dos versos de Adair de Freitas, em sua música “Previsão”, que dizem “que alegria se eu previsse que a chuva do amor caísse nos ranchos do meu rincão” para desejar um Santo e Abençoado 2012 para todas as Amigas e Amigos leitores deste Blog. Segue a letra completa da música nesta Galeria Sertaneja.

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PREVISÃO
                  
Adair de Freitas

O tempo se armou de fato
Lá pra o lado do Uruguai
Vai chover barbaridade
E sem poncho ninguém sai
O tempo se armou de fato
Lá pra o lado do Uruguai
Vai chover barbaridade
E sem poncho ninguém sai.

E é por isso
Que o campeiro se agasalha
Porque sabe que não falha
Previsão de vaqueano
Mesmo aragano
Sabe que é dura a peleia
Quando o tempito se enfeia
Pro lado dos castelhanos.

O tempo se armou de fato
Lá pra o lado do Uruguai
Vai chover barbaridade
E sem poncho ninguém sai
O tempo se armou de fato
Lá pra o lado do Uruguai
Vai chover barbaridade
E sem poncho ninguém sai.

Isto é costume
Da gente lá da fronteira
Gente boa sem fronteira
Que observa a Natureza
É sutileza do peão, e está provado
Se armando pra aquele lado
Chove chuva com certeza.

O tempo se armou de fato
Lá pra o lado do Uruguai
Vai chover barbaridade
E sem poncho ninguém sai
O tempo se armou de fato
Lá pra o lado do Uruguai
Vai chover barbaridade
E sem poncho ninguém sai.

A vida é um tempo
Temporal, vento maleva
E a vida que a gente leva
Leva o tempo pela mão
Meu bom patrão,
Que alegria se eu previsse
Que a chuva do amor caísse
Nos ranchos do meu rincão.

O tempo se armou de fato
Lá pra o lado do Uruguai
Vai chover barbaridade
E sem poncho ninguém sai
O tempo se armou de fato
Lá pra o lado do Uruguai
Vai chover barbaridade
E sem poncho ninguém sai.

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          Para acompanhar a letra acima, fica aqui a interpretação do próprio autor, Adair de Freitas.


          Um grande abraço e Feliz 2012!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

TERTÚLIA NATIVA - O CARANCHO E O ITAQUERÃO


Quando se navega sem destino, nenhum vento é favorável.
(Lucius Annaeus Seneca)


Amigas e Amigos,

          Aqui na bela capital portenha, continuo passeando muito, ganhando alguns quilos extras por conta dos maravilhosos cortes de assados. Sem perder o contato com as coisas de nosso Brasil, li no Blog do Perrone, no porta UOL (http://www.uol.com.br) que o Banco do Brasil se apresenta ao BNDES como “fiador” do Itaquerão, o estádio que o Corinthians não tem condições de construir.

          Dado a um presidente que parece ter usado o clube para buscar projeção política, e hoje se prepara para exercer um cargo “simbólico” (ou não, como diria Caetano) na CBF, e a outro presidente que resolveu assumir como capricho essa aparente vaidade pessoal em detrimento da ausência de investimentos em saúde, educação e segurança no país, saiu do papel a absurda idéia dessa construção sem qualquer sentido.

          O Perrone conclui a sua postagem dizendo que “Com o BB no circuito, o Itaquerão reforça sua vocação estatal. BNDES, prefeitura e governo de São Paulo são os outros entes públicos envolvidos na gestação do estádio corintiano. Sem falar na participação do então presidente Lula, que estimulou a Odebrecht a entrar na empreitada”. Essa vergonha toda com o dinheiro do povo só é possível em um país que não tem qualquer preocupação com a opinião do seu povo e sabe que, se der tudo errado – como é possível se esperar – bastará aumentar algum imposto ou criar alguma coisa que pague esse desmando administrativo.



          Com essa “confusão administrativa”, onde o governo assume os compromissos (ou a falta de compromissos) da iniciativa privada, lembrei de um causo contado lá no sul do Rio Grande do Sul, cujo personagem principal – o popular Carancho – assume um local que ainda não era seu. Segue abaixo, para preencher essa Tertúlia, a confusão provocada pelo Carancho.

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O CARANCHO E O CAIXÃO DE DEFUNTO
                                                                             Domínio Público

          Certa feita, num domingo à tarde, sentado nas guardas da ponte do rio Santa Maria, que banha Dom Pedrito, o nosso amigo Carancho aguardava uma carona, que o levasse até a campanha. Eis que surge a picape Willys da prefeitura municipal, levando um caixão para um defunto carente do interior. O Carancho, então, pediu uma carona e foi atendido.

          Dali a pouco começou a cair um chuvarada daquelas. Sem se apertar, o Carancho velho entrou no caixão e, mais do que depressa, fechou a tampa, protegendo-se da chuva.

         Mais adiante, outras pessoas também pegaram carona. E, uma vez em cima da picape, como é próprio do pessoal da campanha, que acredita em assombração e outros bichos mais, todos passaram a olhar, desconfiados, para aquele caixão de defunto fechado.

          Vai daí que lá pelas tantas começou a esquentar no interior do caixão, e o Carancho velho, abrindo a tampa de sopetão, perguntou:

          – E daí, indiada? Como é que tá o tempo aí fora, chê? Barbaridade!

          Foi vivente saltando pra todo o lado e se boleando pelos barrancos da estrada. Dizem que teve gente que correu mais de dez léguas, e sem parar!

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          Para continuar “combinando” com essa vertedura do dinheiro público brasileiro, a música desta Tertúlia Nativa é “O maior calote”, de Nhô Chico e Dino Franco, com João Mulato & Pardinho.


          Um grande abraço e até a próxima!

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

ORATÓRIO CAMPEIRO - SÃO JOÃO E O CORPORATIVISMO



Nada parece verdadeiro que não possa parecer falso.
(Michel Eyquem de Montaigne)


Amigas e Amigos,

          Estou passando ferias em Buenos Aires e, direto da capital federal da Argentina, renovo para todos vocês meus votos de que a alegria do menino Deus, que novamente nasceu entre nós, se faça felicidade em um Santo e Abençoado 2012.

          Para não perder contato com o que acontece aí no Brasil, tenho a Internet como canal de informação. Hoje, lendo o portal do jornal “O Estado de São Paulo” (http://www.estadao.com.br), encontrei que o novo presidente do TJ de São Paulo, desembargador Ivan Ricardo Garisio Sartori, comparou os atos do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) aos da ditadura. Diz o referido portal que Sartori:
É uma voz poderosa a atacar a devassa do CNJ sobre juízes e servidores de todo o País. As investigações do órgão de fiscalização do Judiciário sobre irregularidades nos Estados foram bloqueadas pelo Supremo Tribunal Federal. A decisão ampliou a polêmica em torno da ministra Eliana Calmon, corregedora nacional de Justiça, que já havia descontentado a classe ao apontar ‘bandidos de toga’ no Judiciário. Na semana passada, no último dia de funcionamento do STF em 2011, os ministros Marco Aurélio Mello e Ricardo Lewandowski atenderam a pedidos de associações de juízes e deram liminares suspendendo investigações do CNJ. Uma dessas apurações é sobre o suposto favorecimento irregular a magistrados do TJ de São Paulo, que teriam recebido de uma só vez benefícios de uma decisão judicial sobre auxílio-moradia, em detrimento de colegas que obtiveram o pagamento em parcelas. Sartori disse que determinou a elaboração de um levantamento sobre os pagamentos realizados desde 1996 para verificar se há "fundamento" nos repasses antecipados a determinados juízes. Para ele, o desrespeito à "fila" teria justificativa em caso de doença grave do beneficiário ou de um parente. Caso se constate a irregularidade dos pagamentos, o futuro presidente do TJ, que tomará posse na segunda-feira, defende a imposição de descontos nos vencimentos dos juízes favorecidos como forma de compensar os repasses antecipados.
          É difícil imaginar a quem se deseja enganar com um discurso carregado de ressentimentos pela agressão cometida contra “sua classe”. O que se pode esperar desses  “levantamentos”, ou outras “práticas investigativas” promovidas pela Justiça, é que sejam esquecidos pelo tempo que (en)rolarão pelos tribunais. 

          As atitudes corporativas, como as promovidas pelos ministros do Supremo e pelo futuro presidente do TJ-SP, estão bem mais distantes do que se poderia considerar democracia do que as investigações do CNJ, em um momento em que a suspeita de corrupção se faz presente nos mais diversos escalões dos poderes constituídos. E, não havendo qualquer irregularidade, porque não mostrar isso de forma transparente para a sociedade brasileira, responsável pelos altos salários desses injuriados senhores?




          Nesta última terça-feira de 2011, celebramos a festa de São João Evangelista, “o apóstolo que Jesus amava”, que esteve com o Mestre até a sua morte na cruz. São João era considerado inculto e não lhe fez falta a cultura para ser amado por Jesus, pois de nada lhe valeria ser douto se ficasse preocupado em acobertar irregularidades que houvessem entre os que lhe eram próximos, como se poderia imaginar na notícia acima.

          Neste momento de tantas “roupas sujas” sendo lavadas, em público, por representantes de diversas áreas do judiciário brasileiro, invoquemos São João para que este apostolo interceda a Jesus pelo discernimento dos magistrados.

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ORAÇÃO DE SÃO JOÃO EVANGELISTA

Ó São João Apóstolo e Evangelista,
Fostes o mais íntimo confidente das palavras de vida
Que brotavam dos lábios de Jesus;
O mais próximo de sua glória, no Tabor;
De seu coração, na Ceia;
De sua Cruz, no Calvário.
Ó Apóstolo do Amor,
Sois por excelência a testemunha da fé,
Da verdade e da caridade.
Pelo amor e fidelidade ao Mestre,
Sois o protetor de todos os cristãos;
Dos sacerdotes: vivestes o sacerdócio em toda a sua plenitude;
Da virgindade: sois o apóstolo virgem;
Das mães, merecestes ser dado por filho a Mãe de Deus;
Das crianças e dos jovens: fostes o mais moço dos apóstolos;
Dos velhos: é como ancião que vos apresentais na Epístolas;
Dos que sofrem: padecestes ao pé da Cruz;
Das almas contemplativas: estivestes no Tabor;
Dos pobres: por eles trabalhastes nas minas de Patmos;
Dos doentes: curastes os enfermos;
Dos males do corpo e do espírito: após traçar o sinal da cruz bebestes do cálice com veneno e ressuscitastes os mortos;
De todas as pessoas que querem dedicar-se aos seus irmãos e amá-los em Deus: a caridade não pode ter ideal mais puro que o do amigo de Jesus.
Ó Apóstolo, orador da divindade,
Pela grandeza de vossa vida
E pelos dons que recebestes, sem cessar,
Intercedei por nós ao Pai, Filho e Espírito Santo,
Agora e sempre e por todos os séculos dos séculos.
Amém!
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          A música deste Oratório é “No meio de nós”, de Ronaldo Monteiro de Souza e Paulo Barros, interpretada por Padre Fábio de Melo, com Zezé Di Camargo & Luciano.


          Um Feliz 2012 e que a Paz de Cristo permaneça conosco!
 

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

GALERIA SERTANEJA - AMAR COMO JESUS AMOU



A ganância do ter não só engoliu o ser e a convivência pacífica,
mas até privou a maior parte dos homens do ter indispensável,
para acumular nas mãos de uns poucos o que a todos pertence.
(Cardeal Paulo Evaristo Arns)


Amigas e Amigos,

          Está prestes a nascer, mais uma vez, o salvador menino em nosso conturbado mundo. A Boa Nova que chega não será diminuída pelos que – sorrateiramente – se esforçam para anulá-la. Pois parece que nessa linha de conflito podemos enquadrar algumas medidas ao “apagar das luzes” de 2011.

          Segundo o portal da Empresa Brasil de Comunicação (http://agenciabrasil.ebc.com.br), o salário mínimo passa para R$622 em janeiro e novas tarifas de pedágios começam a valer nos próximos dias. Se a greve nos aeroportos dificulta a viagem de boa parte da população, uma outra parte  (bem maior) terá dificuldades para “absorver” os pedágios em minguados salários.

          Sobre o salário mínimo, o referido portal diz, em matéria de hoje, que:
A presidente Dilma Rousseff assinou hoje (23) o decreto que determina o valor de R$ 622,00 para o salário mínimo a partir de janeiro de 2012. O reajuste representa aumento de 14,13% em relação ao valor atual, de R$ 545,00. O decreto será publicado no Diário Oficial da União de segunda-feira, dia 26. O método de reajuste do salário mínimo foi definido no início de 2010 por meio de uma medida provisória aprovada pelo Congresso. O valor é calculado com base na inflação dos dois anos anteriores, acrescido do percentual de crescimento da economia do ano anterior de sua validade.
          A matéria sobre as novas tarifas de pedágios, também hoje, é apresentada no portal da EBC com o texto abaixo (excerto):
A partir do dia 29 de dezembro, quem passar pela BR-116, que liga São Paulo a Curitiba (Rodovia Régis Bittencourt), vai pagar R$ 1,80 pelo pedágio, que atualmente custa R$ 1,70. [...] A ANTT também autorizou o reajuste das tarifas de pedágio das rodovias que integram o Pólo Rodoviário de Pelotas (BR-116, 392 e 293/RS). A partir do dia 1º de janeiro de 2012, a tarifa passará dos atuais R$ 7,80 para R$ 8,40 nas cinco praças de pedágio: Retiro, Capão Seco, Glória, Pavão e Cristal. Recentemente, a agência também autorizou reajustes para os pedágios de outras rodovias do país. Desde o dia 19 de dezembro, os motoristas que passam pela BR-381, no trecho entre Belo Horizonte e São Paulo, pagam R$ 1,40 em oito praças de pedágio. [...] Quem passar pela BR-116, no trecho entre Curitiba e a divisa de Santa Catarina com o Rio Grande do Sul, vai pagar R$ 3,30 pelo pedágio. Na BR 153/SP, trecho entre a divisa dos estados de Minas Gerais e São Paulo e a divisa de São Paulo e Paraná, a tarifa aumentou no dia 18 de dezembro. A tarifa para automóveis é de R$ 3,20 nas praças de pedágio de Onda Verde, José Bonifácio, Lins, e Marília, todas no estado de São Paulo. Desde o dia 14 de dezembro estão valendo as novas tarifas para o sistema rodoviário composto pelas rodovias BR-116 e BR-324, na Bahia e as rodovias BA-526 e BA-528, no trecho da divisa entre Bahia e Minas Gerais e o acesso à Base Naval de Aratu. Para as praças da BR 116, o valor do pedágio é de R$ 3 e a tarifa na BR-324 é de R$ 1,70.
          Nesta última notícia, o que mais me chamou a atenção foram os exorbitantes valores cobrados no Pólo Rodoviário de Pelotas. Na BR-116, que liga Pelotas a Porto Alegre, têm-se duas das citadas praças (Retiro e Cristal), a R 8,40 cada uma, e neste trecho, além desses dois, existem mais três pedágios. O absurdo fica maior se considerarmos os 250 km que separam as duas cidades. Mas, além disso, essas 5 praças de pedágios “enchem as burras” de governo e concessionárias para que os motoristas circulem em cerca de 230 km de estradas não duplicadas, cheia de curvas e, em alguns trechos, com grandes desníveis para os acostamentos. E, talvez, as “ameaças” de duplicação dessa estrada já tenham enriquecido alguns “sortudos” escolhidos.

          Mas o salário mínimo será de R$ 622... Dá para pagar os pedágios durante uma semana entre Pelotas e Porto Alegre, mas só os pedágios (combustível e óleo ficam por conta de outros salários mínimos).



          Para esta Galeria, antes do Natal, a música escolhida é “Amar com Jesus Amou”, de autoria do Padre Zezinho (José Fernandes de Oliveira) que, há mais de 45 anos é um dos autores católicos mais lido e cantado, com mais de 1.500 canções.

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AMAR COMO JESUS AMOU
                                                  Pe. Zezinho

Um dia uma criança me parou
Olhou-me nos meus olhos a sorrir
Caneta e papel na sua mão
Tarefa escolar para cumprir
E perguntou no meio de um sorriso:
O que é preciso para ser feliz?

// Amar como Jesus amou
   Sonhar como Jesus sonhou
   Pensar como Jesus pensou
   Viver como Jesus viveu
   Sentir o que Jesus sentia
   Sorrir como Jesus sorria
   E ao chegar ao fim do dia
   Eu sei que dormiria muito mais feliz //

Ouvindo atentamente, ela me olhou
E disse que era lindo o que eu falei.
Pediu que eu repetisse, por favor,
Mas não dissesse tudo de uma vez.
E perguntou no meio de um sorriso:
O que é preciso para ser feliz?

// Amar como Jesus amou
   Sonhar como Jesus sonhou
   Pensar como Jesus pensou
   Viver como Jesus viveu
   Sentir o que Jesus sentia
   Sorrir como Jesus sorria
   E ao chegar ao fim do dia
   Eu sei que dormiria muito mais feliz //

Depois que eu acabei de repetir
Seus olhos não saíam do papel
Toquei no seu rostinho e a sorrir
Pedi que ao transmitir fosse fiel
E ela deu-me um beijo demorado
E ao meu lado foi dizendo assim:

// Amar como Jesus amou
   Sonhar como Jesus sonhou
   Pensar como Jesus pensou
   Viver como Jesus viveu
   Sentir o que Jesus sentia
   Sorrir como Jesus sorria
   E ao chegar ao fim do dia
   Eu sei que dormiria muito mais feliz //
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          A interpretação de hoje é com a dupla de amigos Beto (Sebastião José de Oliveira) & Betinho (Hermelino José de Oliveira), irmãos nascidos em Botuporã (BA), que começaram a cantar juntos em 1972, na capital de São Paulo. Essa dupla já fez muita bagunça no programa Canto da Terra em passagens aqui por Brasília.


          Um grande abraço e até a próxima!