quinta-feira, 31 de março de 2011

GALERIA SERTANEJA - UMA NOVA CATEDRAL GAÚCHA

 Amigas e Amigos!

              Essa Galeria Sertaneja presta uma homenagem especial a um conterrâneo que, fazendo o que mais gosta e o que os gaúchos gostam que ele faça, foi agraciado com o troféu “Jorge Camargo” (das mãos de Pedro Ortaça) de melhor intérprete do 4º Canto Missioneiro da Música Nativa, na cidade de Santo Ângelo-RS.

              Os parabéns são para o cantor Joca Martins (“Aí que eu me refiro!" – como diria o próprio Joca), que defendeu no citado festival a música “Catedral” – segunda colocada –, criada por Lisandro Amaral e Guilherme Collares, premiados com o troféu “Tio Queiroz” pelo melhor arranjo.



              Transcrevo, abaixo, parte da matéria publicada hoje no espaço de cultura do Diário Popular (www.diariopopular.com.br), de Pelotas-RS, que diz:
A final do evento movimentou a cidade de Santo Ângelo no último domingo e o público que acompanhou a execução da música Catedral aplaudiu os músicos em pé. "Difícil explicar tudo que aconteceu. Era emoção na ponta dos dedos dos guris e da minha garganta", confessou Joca Martins. A letra foi criada por Lisandro Amaral e Guilherme Collares que presentearam Joca Martins em uma tarde na Rainha da Fronteira, Bagé. Segundo Joca, eles estavam tomando chimarrão e conversando sobre os projetos no estúdio do Guilherme quando conheceu a música e ficou impressionado. Além da letra comovente e do arranjo premiado, a canção tem uma história. [...] Tudo começou quando Lisandro Amaral retornava de um espetáculo em Santo Cristo e ao chegar no trevo que leva até as ruinas de São Miguel resolveu que seria o momento de conhecer o local. [...] aproveitou a paz do local para buscar inspiração e escrever uma música. Em poucos minutos, a letra estava completa e recheada de emoção. Como a música nasceu nas missões, resolveram gravar para inscrever no Canto Missioneiro. Conseguiram a classificação.
               Mas só a classificação era pouco para essa turma que, segundo o próprio Diário, mostrou uma sintonia capaz de obter o reconhecimento dos jurados. Na matéria, Joca Martins ainda afirmou que "Essa música faz parte do momento mais importante da minha história musical e diria que um dos momentos mais emocionantes da minha vida".

              Juliana Spanevello, em seu blog (http://www.julianaspanevello.blogspot.com), conta da surpresa que fez para o Joca, viajando, de Faxinal do Soturno-RS, sem avisar, para assistir a última noite do festival, em Santo Ângelo, onde chegou depois das 8h da noite (as apresentações começaram as 7h da noite). Sobre o momento da apresentação, Juliana afirma com uma carga de emoção indisfarçável que:
Queria ter fotografado a cara do Joca!!! Nos divertimos com a reação dele... pasmou!!! Bueno... mas melhor que toda esta história... foi a emoção que senti, lá no meio do público! A cada estrofe que iniciava, o povo emocionado aplaudia!!! Era uma atenção só! E a canção, infinitamente tocante, emocionante! Momentos que a gente não presencia por aí, a qualquer hora... um momento definitivamente único e especial! Público se colocou em pé para apaludir a CATEDRAL, com Lisandro Amaral, Guilherme Collares, Silvério Barcellos, Ricardo Comasseto, Negrinho Martins, e o Joca! A emoção de cada um no palco podia ser notada claramente... visível e transparente emoção dos olhos do Lisandro e do Guilherme... e da concentração do Silvério, do Comasseto, e do tio Negrinho. E especialmente, a emoção do Joca quase em lágrimas... Confesso! Nunca havia presenciado um momento assim!
              Se você quiser entender um pouco melhor esse emocionante momento do festival, sugiro um passeio pelas últimas postagens do blog da Ju Spanevello. Abaixo, publico a letra de Catedral, que carrega, de fato, toda a emoção, passada pelo Joca e pelo grupo.

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CATEDRAL

Letra: Lisandro Amaral
Melodia: Lisandro Amaral e Guilherme Collares
Intérprete: Joca Martins



Também de pedra meu cantar não se termina...

caído ao solo - beijo a terra e escrevo a sina.

Terra vermelha é minha cor no arrebol

pois tenho sol no sangue em paz que me ilumina.



Também de bronze, estou de joelhos Catedral.

No pedestal que cala os sinos, faço prece...

quem não merece – a terra em si – terá perdão,

pois gratidão a vida tem mas nunca esquece!



Dormem aqui: ruínas índias e horizontes...

bebendo a fonte do silêncio natural...

senti teu cheiro - mãe divina - em berço livre...

hoje o que eu tive foi tua benção Catedral.



Seguem aqui - hoje emplumados - Guaranis

no bem-te-vi, no João Barreiro e entre os guardiões

querendo sempre querer mais que o quero-quero

sei o que espero, e busco aqui, muitos perdões...



Também de vento estou soprando - em ti – templário.

No pedestal que fala o tempo, a crosta esquece...

ouvindo os prantos que derramam tua imagem

achei coragem e sou guardião com pena em prece.


Hoje o que eu tive foi tua benção CATEDRAL!!!

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              E para você já ir se acostumando com esse novo sucesso da música gaúcha, segue abaixo a interpretaçao do Joca Martins para "Catedral".


              Um grande abraço e até a próxima Galeria Sertaneja aqui no Canto da Terra!

Wilmar Machado 

TERTÚLIA NATIVA - UM POLÍTICO COM ÉTICA

Amigas e Amigos!

                O Brasil perdeu, ontem, um (dos poucos) político honesto e ético – José Alencar Gomes da Silva –, responsável pelo grupo Coteminas S.A., um dos mais importantes de nosso País. José Alencar padeceu anos, lutando bravamente contra uma doença que se alastrava por seu corpo e que não conseguia derrotá-lo, nem experimentou o prazer de vê-lo se entregar. E deve ter padecido muito, dada sua índole, ao ver a classe política da qual fez parte se envolver em “mensalões” e acobertar fortes indícios de corrupção.


 
                Na Tertúlia Nativa de hoje, lembrando que o ex-Vice-Presidente começou o grande grupo econômico que hoje é administrado por sua família com uma loja em Caratinga, fui buscar no livro “Rapa de Tacho 2” (p. 39-41), do poeta, escritor e pesquisador Apparício Silva Rillo, a história de um bolicheiro (dono de armazém que comercializa quase tudo que se imagine), contada de forma muito engraçada.

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SEU ATAÍDE, O BOM PAPO

                                                                           Apparício Silva Rillo

                Na São Borja de trinta e alguns anos atrás, o mulato Ataíde estabeleceu-se com bolicho próximo ao cemitério, na saída para os rincões do Magrulho e de Santana. Anos após, com uns trocos juntados, transferiu sua casa de negócios – agora misto de bar e armazém – para ponto mais central da cidade.

                A gauchada do interior mostrava decidida preferência por seu bolichão. O ponto mudara, mas a freguesia não. Sortiam os fregueses suas malas de garupa, tomavam canha não batizada e, sobretudo, encantavam-se com a maneira característica de falar do bolicheiro que, estranhamente, sabia ler soletrado mas não escrevia nada mais além do nome e dos números nas cadernetas dos clientes mais antigos. Seu Ataíde “bolava as trocas” no seu linguajar. Era um Cícero às avessas.

                – E aí, Seu Ataíde, tudo bem com sua saúde?

                – Negativamente, “conspico” amigo. Semana passada me deu uma “hemorróide” nos dentes que quase me leva à breca. Sangue, barbaridade. Me receitaram umas injeção mas eu refuguei no partidor. Tenho “energia” por injeção. Por sorte que com duas dúzias de “esprimidos” a “hemorróide” transitou em julgado, com lá dizem os “bacharelos”...

.o.O.o.

                Tarde de após Gre-Nal. O bolicho cheio. Seu Ataíde, colorado doente, amargava a derrota do seu clube para o Grêmio.

                – Ganho o Grêmio, seu Ataíde?

                – E como não haverá de ganhar, excelência? Puseram um gato felino de “refer” e ele marcou uns “pênis” contra nós no último minuto.

.o.O.o.

                Chega um guri no bolicho:

                – Tem ovo, seu Ataíde?

                – Menino, não diga ovo, diga ovos. Aprenda a falar a língua brasileira.

                – Bueno, seu Ataíde. Então me dê um ovos.

.o.O.o.

                O povinho apelidou de caminhão os primeiros ônibus que faziam a linha cidade-interior. Seu Ataíde se rebelava contra essa afronta ao “vernácul”.

                Aparece um gurizote da campanha em seu bolicho. Viera fazer compras na cidade e levava duas malas de garupa gordas como barriga de prenha.

                – O caminhão para o Mangrulho já passou, seu Ataíde?

                – Passa logo, logo. Mas aprenda a falar, mocinho. Não diga caminhão, que está errado. Veículo que carrega gente se chama “ônis”...

.o.O.o.

                Um seu amigo abatera a tiros um desafeto, na “casa da Morena”. Constava que arranjara uns pilas com seu Ataíde e se mandara rolar.

                – E o Pulchério, seu Ataíde? Que fim levou o índio?

                – Acabou servindo de “bode respiratório” numa briga onde entrou para apartar a cachorrada. Segundo “resumo”, matou na boa lei. Mas pra se livrar do “flamejante policial” bandeou o rio Uruguai um dia desses. Tá “forrageado” na Argentina.

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                A música desta Tertúlia é "Bolicho", de Cenair Maicá e Gilberto Carvalho, na interpretação de Cenair Maicá.
 
 
                Um grande abraço e até a próxima Tertúlia!
 
Wilmar Machado

quarta-feira, 30 de março de 2011

ORATÓRIO CAMPEIRO - SÃO FRANCISCO, O DE PAULA

Amigas e Amigos!

            No Oratório Campeiro de hoje, lembro São Francisco de Paula, o santo do próximo sábado – 2 de abril de 2011. Esta data, além de marcar meu aniversário e o da minha filha, é também lembrada pela morte do Papa João Paulo II, em um domingo de 2005, quando eu e Léo Peter chegamos aos estúdios para apresentação do Canto da Terra (naquele tempo começava às 8h da manhã) e fomos consultados pela Ir. Patrícia, Diretora de Produção e Programação das Rádios Nova Aliança, sobre a possibilidade de entrarmos no ar, em rede – AM e FM – para noticiar o fato. A participação dos ouvintes foi tão intensa que a manhã e o início da tarde de meu aniversário foram passados no ar, recebendo ligações e ouvindo os mais diversos e emocionados testemunhos sobre as passagens de João Paulo II por Brasília e outras experiências relacionadas aquele Papa.

            São Francisco de Paula foi-me apresentado por meus pais, Wilmar e Leda, antes mesmo de minha preparação para a 1ª Eucaristia, pois me lembro, sempre que alguma oportunidade se oferecia, de visitar a Catedral de Pelotas e orar por meu Santo protetor.

            Pelotas tem uma relação muito forte com São Francisco de Paula desde antes de ser vila, pois surgiu como uma freguesia – Freguesia de São Francisco de Paula –, em 7 de julho de 1812 e a homenagem ao santo foi feita porque em 2 de abril de 1776 os espanhóis tinham sido expulsos da Vila de Rio Grande (região administrativa da qual fazia parte a nova freguesia). Em outubro de 1912, Padre Felício (Joaquim da Costa Pereira) foi nomeado vigário da nova freguesia e encarregado de construir a Igreja-sede.

            São Francisco de Paula, fundou a Ordem dos Mínimos que se faz presente no Brasil em mosteiros no Rio de Janeiro-RJ, em São Paulo-SP e em Guarapuava-PR, e sobre ele diz o portal das Paulinas (http://www.paulinas.org.br/):
Aos onze anos, Francisco foi viver no convento dos franciscanos de Paula, dois anos depois vestiu o hábito, mas teve de retornar para a família [...]Nessa viagem, Francisco recebeu a intuição de tornar-se um eremita. Assim, aos treze anos foi dedicar-se à oração contemplativa e à penitência nas montanhas da região. Viveu por cinco anos alimentando-se de ervas silvestres e água, dormindo no chão, tendo como travesseiro uma pedra. Foi encontrado por um caçador, que teve seu ferimento curado ao toque das mãos de Francisco, que o acolheu ao vê-lo ferido. [...]Francisco de Paula teve a felicidade de ver a Ordem dos Irmãos Mínimos aprovada pela Santa Sé em 1506. Ele morreu aos noventa e um anos de idade, no dia 2 de abril de 1507, na cidade francesa de Plessis-les-Tours, onde havia fundado outro mosteiro. A fama de sua santidade só fez aumentar, tanto que doze anos depois, em 1519, o papa Leão X autorizou o culto de são Francisco de Paula, cuja festa litúrgica ocorre no dia de sua morte.
            E São Francisco de Paula – que é padroeiro de São Francisco de Itabapoana-RJ, dá nome a uma cidade serrana do Rio Grande do Sul, a Igrejas no Largo de São Francisco e na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro-RJ, em Lavras e em Ouro Preto-MG, em Curitiba-PR, na praia de Canasvieiras, em Florianópolis-SC, em Poço Fundo-MG (onde também é o padroeiro da cidade), e a mais recente, fundada no último dia 6 de março, em Cerro Negro-SC – foi criando uma relação muito forte com o povo pelotense, que passou a homenageá-lo com uma diversidade de lembranças, conforme pode-se constatar em algumas denominações que recordo:

a. A Avenida São Francisco de Paula, conhecida durante muito tempo como o “Corredor das Tropas”, por onde os tropeiros levavam o gado da Tablada, região de comercialização e onde hoje existe o bairro da Cohab, para as charqueadas nas margens do arroio Pelotas e do canal São Gonçalo.

b. O Seminário Diocesano São Francisco de Paula, no bairro das Três Vendas, que comemora 72 anos no próximo dia 31 de maio, responsável pela formação de sacerdotes para as Dioceses de Pelotas, Bagé e Rio Grande. Foi fundado pelo segundo Bispo da Diocese, Dom Joaquim (Ferreira de Melo).

c. O Cemitério Ecumênico São Francisco de Paula, localizado na Av. Duque de Caxias, no bairro Fragata.

d. O Hospital Universitário São Francisco de Paula, vinculado ao curso de Medicina da Universidade Católica de Pelotas e localizado na rua Marechal Deodoro, entre a Av. Bento Gonçalves e a CohabPel.

e. A Casa da Criança São Francisco de Paula, inaugura em 1936 como Creche S. Francisco de Paula e desde 1957 adotou a atual denominação. Desde 1996, a Casa atende turmas de Berçário, Maternal de Pré-Escolar. Está localizada na Rua Uruguai.



f. A Catedral de São Francisco de Paula, importante templo religioso por seu tamanho, por sua beleza e pelas obras de arte que abriga. A história da Catedral tem seu início com a construção da Capela, 1813, pelo Pe. Felício. A imagem de São Francisco, encontrada no interior da Catedral, de autor desconhecido, é originária da Colônia do Sacramento (e consta que estaria em Mostardas, antes de ir para Pelotas). Os afrescos no teto e nas paredes da Catedral foram pintados pelo italiano Aldo Locatelli, que foi para Pelotas a convite de D. Antônio Záttera, 3º bispo da Diocese.

            Deixo claro que, assim como não esgotei a quantidade de homenagens, no Brasil, a São Francisco de Paula (sei que existem capelas dedicadas a esse Santo), também podem existir outras homenagens no município de Pelotas ao seu padroeiro pela forte relação existente entre a população e o Santo que a acompanha desde antes de sua fundação.

            Convido, esta semana, a orarmos pela intercessão de S. Francisco de Paula pela felicidade em cada novo dia. Eu particularmente estarei agradecendo pela minha vida e pela vida de minha filha, pois desde o nascimento estamos sob a proteção desse Santo.


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ORAÇÃO A SÃO FRANCISCO DE PAULA



Ó glorioso São Francisco de Paula

Que tanto vos aprofundastes na humildade,

Único alicerce de todas as virtudes,

Alcançando através dela

Um grande prestígio junto de Deus,

A tal ponto de jamais lhe terdes pedido graça alguma

Que prontamente não vos fosse concedida.

Aqui venho aos vossos pés para suplicar-vos

Extingais do meu coração

Todo afeto de soberba e vaidade

E em seu lugar floresçam

Os Preciosos frutos da humildade

Para que possa ser verdadeiro devoto e imitador vosso

E merecer o grande patrocínio

Que de vossa eficaz intercessão espero

E rogo me Alcanceis de Deus

A graça de que tanto necessito

Não sendo contra a vontade do Altíssimo.

Amém!


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            A música de hoje - São Francisco é Terra Boa - é de autoria de Adelar e Honeyde Bertussi e a interpretação é do grupo Os Tiranos, de São Francisco de Paula.
 
 
 
             Por aqui, encerro o Oratório desta semana. Um grande abraço e que a Paz de Cristo permaneça conosco!
 
Wilmar Machado

segunda-feira, 28 de março de 2011

PROSA DE DOMINGO - ELIS ALÉM DO TEMPO

Amigas e Amigos,

            Para quem, como eu, acredita que nossa cultura, tão pouco valorizada ou incentivada por nossos governantes e políticos, é de interesse da maioria dos brasileiros, o portal ClicRbs (http://www.clicrbs.com.br), no caderno Donna, traz uma auspiciosa notícia. A material desperta a atenção dos ouvintes para o redescobrimento, no Brasil, da obra de Elis Regina.


 
            Inicialmente, a matéria diz que não se trata de uma iniciativa “amarrada”, mas de um conjunto de iniciativas isoladas que se aproximam, dando idéia de fazerem parte de uma estratégia orquestrada. Sobre a primeira iniciativa, diz a matéria que:
Em conversas com João Marcello Bôscoli, produtor musical e um dos filhos da cantora, a gravadora Universal já tem acertado para 2012 o relançamento dos 21 álbuns que Elis gravou pela companhia. Eles sairão em CDs individuais remasterizados e em duas caixas de luxo, com mais um CD de raridades cada.

 
            A referência feita na matéria a segunda iniciativa, traz o seguinte conteúdo:
Uma 'operação Elis', com um documentário de seis horas de duração, exposição, biografia e shows da filha de Elis, Maria Rita, por cinco cidades do País, compõem um projeto maior, chamado "Redescobrindo Elis". Uma captação aprovada pelo Ministério da Cultura permite a João Marcello captar até R$ 5,8 milhões com patrocinadores para as investidas, programadas para o segundo semestre de 2012.

 
            Em seguida, a matéria destaca que:
O fotógrafo Paulo Kawall, 'apadrinhado' por Elis aos 21 anos e que se tornou uma espécie de retratista oficial da cantora, anda por São Paulo com dois livros pesados em busca de patrocínio. São fotos exclusivas que Paulo tirou da artista, muitas vezes a pedido da própria, entre 1976 e 1982, em formatos gigantes para os padrões de livros assim - 30 cm por 40 cm.

 
            E, nessas iniciativas que parecem combinadas entre si, a matéria ainda traz mais uma iniciativa:
O mergulho mais profundo de "Redescobrindo" Elis está nas mãos do paulista Allen Guimarães, 44 anos. Em 2005, o então estudante de cinema em Uberlândia passou a seguir os rastros de quem quer que tivesse algo interessante a dizer sobre Elis Regina. Entrevistou quase 50 pessoas, dentre elas Gal Costa, Gilberto Gil, Marília Pera, André Midani, Milton Nascimento, Nelson Motta e Jair Rodrigues. Uma cena retirada daqui, uma fala a menos ali, e restaram ainda seis horas de imagens, [...] sua exibição será apenas durante a exposição de Elis, em local ainda não definido. Dividido em seis partes de uma hora cada, o documentário não faz buscas na vida particular de Elis, a não ser nos momentos citados pelos próprios entrevistados. Mas uma das 'Elises' que ele traz é surpreendente.
            Elis foi, e é, maravilhosa para a Música Brasileira. Essa homenagem, praticamente coordenada pelo João Marcelo, é uma forma de dizermos obrigado por tudo que a “pimentinha” fez pela música com tanta paixão. Acima de tudo, pode-se afirmar que os grandes beneficiados pelas iniciativas que acontecerão seremos nós mesmos, tendo à disposição uma obra com conteúdo riquíssimo.

            Uma das músicas mais tocada no programa Canto da Terra é Romaria, que mereceu tantas regravações, mas hoje, aqui, nós vamos ouvir a primeira gravação, que foi feita por Elis Regina.


             Um grande abraço para todos!

Wilmar Machado

sábado, 26 de março de 2011

GALERIA SERTANEJA - ANIVERSÁRIO NOVA ALIANÇA

Amigas e Amigos,

            Hoje, 25 de março de 2011, o Sistema Nova Aliança de Comunicação está em festa pelos 19 anos de sua emissora AM 710, de Brasília. É para mim uma festa muito especial e participei dela, sendo entrevistado pelo Ricardo Brandão, no programa Nova Manhã, na última segunda-feira, e essa entrevista pode ser conferida no portal da Rádio Nova Aliança (http://www.novaalianca.org.br/programas/site_novaalianca/entrevistas/wilmar_machado.mp3).


 
            Amanhã, dia 26 de março, a Rede WWF está convidando o mundo inteiro a apagar as luzes das 20h e 30min até as 21h e 30 min para que possamos “ver um mundo melhor”. Segundo a página brasileira do portal WWF (http://www.wwf.org.br):
A Hora do Planeta, conhecida globalmente como Earth Hour, é um ato simbólico no qual todos são convidados a mostrar sua preocupação com o aquecimento global. É uma iniciativa global da Rede WWF para enfrentar as mudanças climáticas. Durante a Hora do Planeta, pessoas, empresas, comunidades e governo são convidados a apagar suas luzes pelo período de uma hora para mostrar seu apoio ao combate ao aquecimento global. Em 2010, a Hora do Planeta foi um sucesso absoluto, com recordes estabelecidos no mundo e no Brasil. Globalmente, 105 nações, 4.211 cidades e 56 capitais nacionais aderiram. Já no Brasil, mais de três mil empresas, 579 organizações, três governos e 98 prefeituras participaram do movimento simbólico de alerta contra o aquecimento global e em favor da conservação de ecossistemas terrestres e aquáticos.

            Para homenagear a Rádio Nova Aliança AM, a Galeria Sertaneja de hoje traz, de Dimas Costa e Eleu Salvador, o “Parabéns Crioulo”, cantado nas festas de aniversário do sul de nosso país.

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PARABÉNS CRIOULO

Dimas Costa e Eleu Salvador

Parabéns, parabéns
Saúde e felicidade
Que tu colhas sempre todo dia
Paz e alegria na lavoura da amizade.

Que Deus velho te conceda
Com sua benevolência
Muitas, muitas campereadas
No potreiro da existência.

Parabéns, parabéns

Saúde e felicidade
Que tu colhas sempre todo dia
Paz e alegria na lavoura da amizade.

E unidos no mesmo afeto
Te saudamos neste dia
E para que siga a festança
Cantamos com alegria:

Parabéns, parabéns
Saúde e felicidade
Que tu colhas sempre todo dia
Paz e alegria na lavoura da amizade.

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E no link abaixo, podemos ouvir o Parabéns Crioulo interpretado pelo grupo Os Guapos.


Um grande abraço e – sem esquecer da hora do planeta – deixo um Feliz Aniversário para a nossa Rádio Nova Aliança AM 710, uma das maiores audiência de Brasília!

Wilmar Machado

quarta-feira, 23 de março de 2011

GALERIA SERTANEJA - "FUMO". MAS SERÁ QUE "VORTEMO"?

Amigas e Amigos!

            Em julho/2002, o portal de BBC Brasil (http://www.bbc.co.uk/portuguese), publicou uma matéria sobre os desafios impostos pela legislação brasileira à propaganda de cigarros. Falava a reportagem da lei 10.167, de dezembro/2000, que alterava as limitações à propaganda de cigarros, restringido o uso de comerciais de fumo a pôsteres, painéis e cartazes, na parte interna dos locais de venda. Fazendo o que parece uma previsão para os próximos anos (a partir de 2002), a matéria apresenta dois parágrafos que registro abaixo:
Contornar as limitações legais para anunciar seu produto tornou-se um grande desafio para os especialistas em propaganda e marketing. [...] E para não perder esse consumidor cativo e atrair outros, os publicitários brasileiros vão continuar a fazer de tudo para atrair esse público.
            Ainda conforme a BBC Brasil, na mesma época, as grandes empresas da indústria do tabaco já defendiam o seu produto e atacavam o contrabando que oferece produto similar – sem impostos e sem qualquer controle – por preços bem mais atraentes, conforme registrado na matéria:
Representantes da indústria tabageira dizem que o seu inimigo número 1 é o contrabando. [...] A Associação Brasileira de Combate à Falsificação analisou 45 marcas de cigarros comercializados ilegalmente no Brasil. Em todas elas, encontrou substâncias estranhas, como areia, barbante, insetos e até mesmo penas de aves. Também foram encontrados pesticidas agrícolas proibidos no Brasil.
            Essa quantidade de substâncias estranhas, se de fato existir fundamento na análise da associação citada, nos cigarros ilegais pode levar a morte do fumante. Já o cigarro legal, sem essas “porcarias” encontradas nos ilegais, provavelmente também conduzira o fumante à morte – talvez em um tempo diferente, mas não necessariamente maior.



            Apesar de tudo isso, está sendo veiculada no rádio – ouvi na CBN – uma publicidade institucional da Souza Cruz, empresa do mercado nacional de cigarros, que serve para pensarmos sobre nossa legislação e nossa (lenta) justiça. Apesar do tom informativo, é perceptível que o alerta sobre os perigos associados aos produtos ilegais – oferecidos aos consumidores a preços baixos, que podem estimular o hábito de fumar em jovens e cidadãos de baixa renda – tem como objetivo a divulgação do cigarro para esses potenciais consumidores que essa propaganda diz tentar preservar. Essa publicidade traz, ainda, números – de, pelo menos, duvidosa estatística – sobre quanto representa esse “nocivo” comércio irregular e os danos provocados pela não arrecadação de impostos (o que, aparentemente, justifica a conivência dos órgãos de fiscalização governamentais com essa falcatrua dissimulada).

            Como quem quer fumar, constrói um rol infindável de esfarrapadas desculpas para se justificar, vamos nos divertir um pouco, com o fumo, nesta Tertúlia Nativa. Para começar, vamos a uma história do Rolando Boldrin, do livro “Contando Causos”, páginas 119 a 121.

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O CAIPIRA DO CACHIMBO
                                                      Rolando Boldrin

            Lá ia o trem da Mogiana estrada afora, soltando aquela fumaceira e faísca. A veia Maria Fumaça. Vinha lá das Minas Gerais, precisamente de Uberlândia, rumo à capital de São Paulo, passando pela minha terrinha – lá venho eu com São Joaquim da Barra de novo. Mas o que se vai fazer? Eu nasci lá mesmo, ué. E o trem passava por lá mesmo também. Como é então que eu ia contá esse causo sem citar o meu lugar?

            Então, lá vai o causo daquele caboclo que viajava bem refestelado no vagão de segunda classe da saudosa Mogiana. E o dito cujo traçava um cachimbão que empestava o vagão inteiro de fumaça fedorenta. Quer dizer... era fumaça lá fora, junto com as faíscas do carvão da locomotiva, e fumaça do cachimbo do caboclo lá dentro.

            Entre os infelizes passageiros que eram obrigados a engolir aquele fedor, estavam duas colegiais regateiras que só vendo. E elas tinham um lindo luluzinho branco, com uma colerinha vermelha que era uma gracinha de cão.

            De repente, aquele caipira, do cachimbo, resolve ir ao mictório do vagão, para dar uma desapertadinha na bexiga. O nosso bom cachimbeiro deixa o cachimbo no aparador de sua janela e se encaminha para o dito mictório.

            Ah... brilhante idéia teve uma das colegiais regateiras e alegres. E foi o que de comum acordo fizeram. Exatamente o que o leitor está pensando: passaram a mão naquele cachimbo fedorento e... zássss. Apincharam o mesmo pela janela com o trem correndo que só vendo.

            O caipira volta da sua mijadinha e começa a procurar seu querido cachimbo. Apalpa daqui, procura dali e nada. Se acomoda conformado e segue sua viagem, agora sem pitar, o que para ele devia ser um grande sofrimento.

            As regateiras, donas da tal arte de jogar o cachimbo fora, caem na gargalhada e fuxico sobre o fato. Eis que as duas meninas tem a idéia de andar passeando por outros vagões. E esqueceram de levar o tal cãozinho lulu branco de coleirinha vermelha.

            Assim que as duas se afastam, o caipira, sem cerimônia, pega o dito cujo, abre a sua janela e, com o trem em movimento, despacha o animalzinho.

            Lá vem então as duas mocinhas voltando e começam a chamar o lulu pelo nome.

REGATEIRAS – Nenê! Nenê! Onde você se meteu?

            E começam preocupadas a perguntar aos passageiros se viram o Nenê.

REGATEIRAS – A senhora não viu o meu Nenê? É um luluzinho. O senhor aí, não viu o meu cãozinho de estimação?

CAIPIRA (falando calmamente) – Por um acauso é um cachorrinho piquititinho, branquinho, com uma coleirinha vermelhinha no pescocinho?

REGATEIRAS (eufóricas) – É... é esse mesmo. O senhor viu o luluzinho? Onde ele está?

CAIPIRA (calmo) – Ele foi precurá o meu cachimbinho, dona!

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            Continuo nosso passeio pelo mundo caipira, trazendo a música “A Cachaça e o Fumo”, de Nhô Chico e Dino Franco, com a dupla Dino Franco & Mouraí.


            Nesse dia em que o mundo das artes está de luto pela morte de Liz Taylor (1932-2011) – a eterna Cleópatra -, vou encerrando a Tertúlia de hoje, com um forte abraço para todos!

Wilmar Machado

segunda-feira, 21 de março de 2011

ABRINDO A PORTEIRA - POR QUEM COBRAM OS PARDAIS

Amigas e Amigos!

            Ao abrir a porteira para mais uma semana, vou trazer algumas notícias que foram veiculadas em diversos segmentos da imprensa nacional sobre os controladores de velocidade – “pardais”, que devem envergonhar muito os pássaros mesmo que eles não tenham qualquer idéia sobre o que seja comportamento ético.


 
            Começo com o jornal Zero Hora (http://zerohora.clicrbs.com.br) que denunciou, no dia 14 de março último, uma suposta fraude na licitação de pardais:
Uma reportagem investigativa realizada pela RBS TV e exibida na noite de domingo no programa Fantástico, da TV Globo, mostrou uma suposta fraude na relação entre prefeituras e empresas fabricantes de controladores eletrônicos de velocidade. [...] Por dois meses, a reportagem gravou uma série de conversas com representantes de oito empresas: duas delas do Rio Grande do Sul, três de Curitiba (PR), três de São Paulo e uma de Florianópolis (SC). Sem saber que estavam sendo gravados, vendedores, gerentes e até um diretor ofereceram propinas que variaram entre 3,5% e 50% em troca de contratos com uma suposta prefeitura gaúcha.
            Na reportagem do programa Fantástico (http://fantastico.globo.com), mais uma denúncia, envolvendo a Consilux, responsável por radares no Paraná e em São Paulo, onde o repórter se diz representante de uma prefeitura perante o diretor da empresa:
E será que todos os motoristas são iguais perante os radares? A resposta é não. É possível anular multas de apadrinhados políticos, amigos, parentes. Perguntado se existe alguma maneira de livrar um cara desses da multa, o diretor comercial da Consilux assegura: “Tem. Você tem”. E confessa: a Consilux já anulou multas em Curitiba. Segundo ele, ninguém descobriu.
            No dia 15 de março, o DFTV (http://dftv.globo.com/), na 2ª edição, denunciou que do dinheiro arrecadado com multas:
Os equipamentos de fiscalização eletrônica aplicaram 1.525.268 milhão de multas no ano passado, uma média de 4.178 mil multas por dia. O faturamento das empresas terceirizadas responsáveis pelos pardais e barreiras eletrônicas se multiplica. [...]As multas aumentam a cada ano, o faturamento se multiplica, mas o trânsito continua fazendo mais vítimas: foram 383 mortes em 2009. No ano passado, foram 431. “Por falta de campanhas realmente eficientes, hoje a sensação de impunidade se alastrou de tal forma que os infratores estão soltos na ruas”, analisa o especialista em trânsito Luiz Miura.
            Hoje, segundo a Agência Estado e publicado no portal UOL (http://noticias.uol.com.br), cinco estradas do estado de São Paulo têm radares “invisíveis”, funcionando às escondidas dos motoristas:
Assim funcionam radares de fiscalização de limite de velocidade em trechos das Rodovias Anhanguera, Ayrton Senna, dos Bandeirantes, Dom Pedro I e Governador Carvalho Pinto, que ligam a capital paulista ao interior e ao litoral do Estado. Os equipamentos estão atrás de passarelas, placas, painéis e estruturas de sustentação de pórticos. A localização dos radares contraria resoluções do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que determinam a instalação em pontos onde o motorista possa vê-los.

            Além das negociatas envolvendo representantes de empresas com o setor público, parece que a mais organizada das facções criminosas sentiria inveja do filão que estaria perdendo (se de fato estiver). E essa arrecadação tende a aumentar cada vez mais pois as “armadilhas” preparadas para os motoristas são progressivamente aumentadas, em períodos que encurtam rapidamente à medida em que aumenta a ganância dos arrecadadores. Para os defensores dos “pardais”, é importante lembrar que o número de acidentes de trânsito vem aumentando. A razão aparente é que motoristas conscientes, educados, enfim, preparados para uma atuação responsável no trânsito, não interessam para quem só pensa em arrecadação e não tem qualquer interesse com educação.

            Também no dia 15 de março, o Diário Catarinense (http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense) encerra seu editorial, dizendo que:
O poder público tem o dever de moralizar o uso de controladores eletrônicos de tráfego, fazendo com que a prioridade seja reduzir o número de mortos e de acidentes com veículos, não simplesmente a de arrecadar. A preocupação torna-se particularmente inaceitável quando o afrouxamento nos sistemas de fiscalização dá margem a uma verdadeira indústria de ganhos fáceis, para a qual conscientização no trânsito está longe de se constituir em objetivo.
            Se for para tornar a reflexão proposta no início do texto mais abrangente, pode-se pensar se algum partido político em algum poder executivo está livre dessa ganância retratada nas notícias. Como já cansei dos "pardais", gostaria que João Chagas Leite respondesse "Por quem cantam os cardeais?" (Vaine Darde e João Chagas Leite).


            Um grande abraço e não deixe um "pardal" se apaixonar pela placa do seu carro.

Wilmar Machado