quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

TERTÚLIA NATIVA – CACHORRADA INSTITUCIONALIZADA



A vaidade propõe, e decide logo, de sorte que quando as coisas chegam ao entendimento já este está vencido;
o que faz é aprovar o preconceito anterior, que a vaidade lhe introduz,
e assim quando a vaidade busca o entendimento é só por formalidade,
e só para a defender, e autorizar, e não para aconselhar.
(Matias Aires)


Amigas e Amigos,

         Mais uma Tertúlia, este espaço para a cultura e a música de nosso País. Antes, porém, destaco uma aparente agressão a nossa Pátria, a partir de notícias sobre salários altíssimos de alguns – nem por isso, poucos – magistrados.

          E já não são poucos os que ocupam o noticiário por conta de salários exorbitantes, conforme material do jornal O Estado de São Paulo (http://www.estadao.com.br), do ultimo dia 23, falando das “vantagens” eventuais (talvez nem tão eventuais) dos magistrados do Rio de Janeiro e de São Paulo, informando que:
Os pagamentos milionários a magistrados estaduais de São Paulo se reproduzem no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. A folha de subsídios do TJ-RJ mostra que desembargadores e juízes, mesmo aqueles que acabaram de ingressar na carreira, chegam a ganhar mensalmente de R$ 40 mil a R$ 150 mil. A remuneração de R$ 24.117,62 é hipertrofiada por “vantagens eventuais”. Alguns desembargadores receberam, ao longo de apenas um ano, R$ 400 mil, cada, somente em penduricalhos. A folha de pagamentos, que o próprio TJ divulgou em obediência à Resolução 102 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) – norma que impõe transparência aos tribunais –, revela que em dezembro de 2010 o mais abastado dos desembargadores recebeu R$ 511.739,23. Outro magistrado recebeu naquele mês depósitos em sua conta que somaram R$ 462 mil, além do salário. Um terceiro desembargador recebeu R$ 349 mil. No total, 72 desembargadores receberam mais de R$ 100 mil, sendo que 6 tiveram rendimentos superiores a R$ 200 mil. Os supercontracheques da toga fluminense, ao contrário do que ocorre no Tribunal de Justiça de São Paulo, não são incomuns. Os dados mais recentes publicados pela corte do Rio, referentes a novembro de 2011, mostram que 107 dos 178 desembargadores receberam valores que superam com folga a casa dos R$ 50 mil.

          Pois com esses aparentes absurdos, que afrontam a maioria dos trabalhadores brasileiros com salários que refletem o que efetivamente receberão a cada mês, sem nenhum “recursinho” extra, a idéia que fica é ser incompatível a aproximação de vergonha e justiça.

          Essa idéia da falta de vergonha vem com outra matéria do mesmo jornal sobre atitudes dos desembargadores, que já são alvos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), para que sejam revistas leis que não lhes são “favoráveis”. Diz a notícia que:
Leis que disciplinam a ação e estabelecem o raio de alcance do poderoso Conselho de Controle de Atividades Financeira (Coaf) - unidade de inteligência financeira do Ministério da Fazenda que persegue fortunas ilícitas -, são o novo alvo da toga amotinada. Irritados com a abertura das contas e movimentações bancárias de todo o universo forense - 206 mil magistrados, servidores e familiares -, desembargadores da Justiça preparam o contragolpe. Eles miram precisamente a Lei 9.613/98 e a Lei Complementar 105/01 - a primeira impõe sanções à lavagem de dinheiro e criou o Coaf; a outra firma que o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários, nas áreas de suas atribuições, fornecerão ao conselho "informações cadastrais e de movimento de valores". A estratégia que pode enfraquecer o Coaf foi desencadeada pela Associação Nacional de Desembargadores (Andes). A entidade aponta inconstitucionalidade de alguns artigos do conjunto de normas que definem os limites do órgão rastreador de malfeitos pela malha bancária. [...] Razão da briga. No embate histórico que protagoniza para identificar fluxo financeiro incompatível ao contracheque de magistrados, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) teria obtido os dados pela via direta - ofício da corregedoria do CNJ foi acatado pelo Coaf, que fez a pesquisa pelos CPFs de cada personagem.

          Pode-se observar que não há qualquer preocupação com a exorbitância recebida, o que os magistrados passam a impressão de não querer é que sejam divulgados os vergonhosos números que poderiam não ter explicações razoáveis, o que poderia nos lembrar das afirmações de Daniel Dantas antes de ser liberado da prisão, para culminar nos últimos tempos com a retomada de seus bens por decisão judicial.

          Lembro aqui de uma análise dos passivos milionários do Judiciário, que revelariam falhas nas normas, feita pelo Professor Carlos Ari Sundfeld, da Escola de Direito de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas e Presidente da Sociedade Brasileira do Direito Público, onde ele constata que       
Autoridades resistem em divulgar informações detalhadas, precisas e claras não só sobre o que se paga ao pessoal, mas também sobre o modo como são tomadas as decisões de pagamento. É uma atitude que precisa mudar radicalmente, pois a publicidade administrativa é princípio constitucional. Há também outra razão: só a transparência permite descobrir e corrigir as falhas do sistema.      



          Essa cachorrada institucional fez-me lembrar um causo gauchesco “Uma vez, um cachorro!”, do Aparício Silva Rillo (1931-1995), um poeta, compositor, folclorista e escritor brasileiro, nascido em Porto Alegre-RS, mas com residência fixa em São Borja-RS, que publico abaixo.


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UMA VEZ, UM CACHORRO!

O cachorro, segundo um adágio que os gregos já conheciam, é o melhor amigo do homem.

Os gaúchos das Missões e Fronteira concordam. Mas explicam o porquê: é que cachorro não rouba china de rancho, se alimenta de restos e se contenta com um simples osso de fervido. Além do que, cuida da casa sem cobrar salário.

Pois há um cachorro nesse causo. Grande, pêlo negro-manchado, os dengues do seu dono – um fazendeiro de meias posses com estância nos campos de areia de São Chico de Assis.

O cachorro esse não era de caçar preás, como os guaipecas de sua raça; não pegava ratos (coisa para gatos...); comia ao pé do dono e tinha lá seu pedigree. Não se misturava com os demais da estância, só ia ao campo quando o dono o convidava com um jeito de assobiar que só ele conhecia.

Mas bueno. Sucede que na estância essa chega uma tarde um moço bem apessoado, vestindo pilchas de bom pano. Montava um rosilho cabos negros e trazia um cavalo de escoteiro. Notava-se, logo, ser gente de viajar bastante.

O dono da estância já o esperava. Chegara-lhe um recado, um dia antes. O tal moço, das bandas de Cruz Alta, estava a comprar bois gordos nas Missões.

– Buenas, senhores! – saudou de cima do rosilho.

– Boleie a perna e se chegue, amigo! O mate recém foi cevado.

 Apeou-se o forasteiro. Atou a montada pelo cabresto e dirigiu-se ao galpão de fogo.

O estancieiro de São Chico adiantou-se. A seu lado, rente às bombachas, o cachorro. O moço entreparou. Deu um vistaço geral no ambiente, seus olhos de gavião mouro deram com o cachorro, que nesta altura já rosnava, mostrando o branco dos dentes.

– Seu cachorro não tem cara de bons amigos, cidadão. Quem sabe o senhor o ata na corrente ou pede a um peão para prendê-lo?

– Nem se preocupe, amigo. Vá chegando no mais que eu garanto que o Negro não lhe salta. É que ele é um pouco nervoso.

O moço deu mais dois passos, o rebenque pendurado no pulso pelo tento do fiel. Aí o cachorro rosnou mais forte e arrepiou o pêlo do lombo.

– Segure seu cachorro, meu amigo. Com bicho desse porte não se brinca.

– Passe, passe no mais. O cachorro é ensinado. A um grito meu ele se entoca no galpão. Não tenha medo.

– Prevenção não é medo, meu amigo. No dia que eu fugir de um cachorro mando cortar os meus bagos pra lingüiça.

– O Negro...

Não acabou o dono de terminar o que iria dizer e o cachorro saltou sobre o moço. Este, já prevenido, quebrou o corpo e, rápido como um bote de cruzeira, apanhou o cachorro por uma das pernas. Foi pegá-lo e baixar-lhe o rebenque, com tanta raiva e força que o Negro – o mimoso do patrão – mijava em arco e ganiçava como um desesperado.

Um último rebencaço apanhou-o por entre as orelhas e, se é que cachorro desmaia, o Negro desmaiou. Caiu como um trapo junto às botas do serrano.

O dono do cachorro abespinhou-se.

– Mas que barbaridade, seu! Surrar um cachorro deste jeito. Pode até ter matado o animalzinho!

– Animalzinho, é? Com um metro de altura? Com essa boca de engolir mogango?

– Bueno, eu mando passar salmoura no cachorro. Mas agora passe. Vamos tratar do negócio dos bois. Qual seu nome, mesmo?

– Não interessa mais, cidadão. Nem quero saber o seu.

Já montado, casaco aberto para mostrar os "ferros", arrematou:

– Homem que não manda num cachorro não merece confiança de ninguém. Faça bom proveito dos seus bois.

Deu rédeas ao rosilho e saiu assobiando, como cruzeira na cria!

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Para fechar esta Tertúlia Nativa, a música “Faz de conta”, de Colmar Duarte, Armando Vasquez, Valdir Santana e João Chagas Leite, com o saudoso César Passarinho, o “Cantor Símbolo das Califórnias”..

   

Um grande abraço e até nossa próxima Tertúlia!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

ORATÓRIO CAMPEIRO - MODELOS E SÃO FRANCISCO DE SALES




Cuida para que se execute esse trabalho segundo o modelo que te mostrei no monte.”



Amigas e Amigos,


Ao ler o Diário Popular (http://www.diariopopular.com.br), hoje, encontrei uma matéria informando que o monitoramento de gastos do governo deverá ser apresentado em tempo real para os contribuintes. Dizia a notícia que:
A presidente da República, Dilma Rousseff, disse na segunda-feira (23), na abertura da primeira reunião ministerial este ano, que cada ministério terá até junho para apresentar um modelo de monitoramento eletrônico, em tempo real, no qual todos os gastos e transações de cada pasta possam ser vistos e cobrados na hora pelo governo. A ideia é aumentar a transparência e evitar fraudes em convênios. […] O porta-voz disse ainda que com a cobrança maior por parte da população quanto à oferta de mais serviços públicos, é necessário que o governo ofereça melhores serviços. Isso não é uma questão básica de reforma do Estado. Isso é como fazer com que o Estado dê serviços melhores para a população, afirma.

          Em princípio, acredito que a intenção da presidente é reforçar a democracia, tão achincalhada por diversos setores dos Poderes desse País. Preocupa-me o prazo concedido aos ministros (até junho), pois lembro que além das eleições para prefeito – próximas – e do envolvimento de todos os politicos no evento, temos um Carnaval tardio – final de fevereiro – o que torna o início do ano praticamente transferido para março.

          Por outro lado, considerando que os gastos e transações de cada pasta são gastos e transações independente da pasta, não seria mais lógico um modelo único de monitoramento eletrônico para aumentar a transparência e evitar fraudes em convênios? Ou a idéia é exatamente não conseguir esses modelos até junho? Não gostaria de acreditar que tenha sido mais uma frase de efeito para disfarçar uma provável ausência de esperada reforma ministerial.

          Enquanto não aparecem os solicitados modelos, lembro que nesta terça-feira celebramos a festa de São Francisco de Sales, o padroeiro dos jornalistas e dos escritores católicos. Em 1599, foi nomeado Bispo auxiliar de Genebra; e, três anos depois, assumiu a titularidade da diocese. Seu campo de ação aumentou muito. Francisco de Sales, que viveu entre 1567 e 1622, foi Bispo de Genebra, fundou escolas, ensinou catecismo às crianças e adultos, dirigiu e conduziu à santidade grandes almas da nobreza, que desempenharam papel preponderante na reforma religiosa empreendida na época como madre Joana de Chantal, que se tornou sua co-fundadora da Ordem da Visitação, em 1610.



          Segundo o portal das Irmãs Paulinas (http://www.paulinas.org.br), São Francisco de Salles:
publicou o livro que se tornaria imortal: "Introdução à vida devota". Francisco de Sales também escreveu para suas filhas da Visitação o célebre "Tratado do Amor de Deus", onde desenvolveu o lema : "a medida de amar a Deus é amá-lo sem medida". Os contemporâneos do Bispo-Príncipe de Genebra, dentre eles Santa Joana de Chantal e São Vicente de Paulo, dos quais foi diretor spiritual, não tinham dúvidas a respeito de sua santidade.[…] Dom Bosco admirava tanto São Francisco de Sales que deu o nome de Congregação Salesiana à Obra que fundou para a educação dos jovens.

          A sugestão para esta semana é orarmos pela transparência das contas públicas, pedindo a intercessão de São Francisco de Sales.

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ORAÇÃO A SÃO FRANCISCO DE SALES

Ó Deus, que para a salvação das almas,
Fez São Francisco de Sales, seu confessor e bispo,
Que lutava para que todos os homens e mulheres
Se submetessem a Vossa misericordiosa vontade
E fossem infundidos com a suavidade da caridade,
Guiados por seus ensinamentos,
Pedimos pela intercessão deste vosso servo
A graça de iluminar nossos Ministérios.
Através de Cristo, Nosso Senhor.

Amém!


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Para acompanhar este Oratório, segue a música “Cantiga Sertaneja”, do Padre Zézinho, interpretada pelo grupo Cantores de Deus, que está lançando o DVD “Mulheres”, gravado ao vivo.


  
  
Um grande abraço e que a Paz de Cristo permaneça conosco!


segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

ABRINDO A PORTEIRA - AI, SATIAGRAHA, AI, AI...



O valor de um ser humano reside na capacidade de ir além de ele próprio,
de sair de dentro de si próprio, de existir dentro de si próprio e para as outras pessoas.
(Milan Kundera)




Amigas e Amigos,

         Ao abrir a porteira para mais uma semana, deparo-me com manifestações de rigoroso (des)controle do dinheiro público por parte dos poderes constituídos em terras brasileiras.

         A primeira notícia relacionada ao assunto diz respeito a devolução das 27 fazendas, com 450 mil cabeças de gado, ao banqueiro Daniel Dantas (investigado por crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas), alvo da operação Satiagraha (que não tem qualquer relação com o "se eu pego", do M. Teló), da Polícia Federal contra o desvio de verbas públicas, corrupção e lavagem de dinheiro. Essa operação foi desqualificada pelo Superior Tribunal de Justiça.

         A outra decisão judicial de grande repercussão foi a que determinou a reintegração de posse de um terreno (1,3 milhão de metros quadrados), na comunidade Pinheirinho, em São José dos Campos-SP, da massa falida da empresa Selecta S.A., do empresário Naji Nahas, também alvo da operação Satiagraha, que deu origem a uma verdadeira batalha campal na região, conforme se percebe na foto abaixo.



         Para reavivar a memória, recorri a uma matéria do jornal O Globo (http://oglobo.globo.com), de 8/07/2008, sobre uma entrevista coletiva do procurador da República Rodrigo de Grandis esclarecendo que “Daniel Dantas e Nahi Nahas comandavam duas organizações distintas, porém ambas voltadas a crimes no mercado financeiro”. Nesta mesma matéria, o delegado Protógenes Queiroz afirmava que essa situação era “perniciosa para o nosso país” e acrescentava: “Ficamos assustados com a estruturação das duas organizações e o nível de intimidação e poder de corromper delas [...] as investigações levaram a um desdobramento mostrando que eles também teriam participação no Mensalão”.

         Na página “Terra Magazine” (http://terramagazine.terra.com.br), de 11/07/2008, foi registrada uma declaração interessante de Daniel Dantas, logo após serem liberados – habeas corpus do presidente do Supremo, Gilmar Mendes – outros dois presos na mesma operação, o megainvestidor Naji Nahas e o ex-prefeito, de São Paulo, Celso Pita. O banqueiro teria dito ao delegado Protógenes que iria contar tudo, com as seguintes palavras: “...vou contar tudo sobre todos. Como paguei um milhão e meio para não ser preso pela Polícia Federal em 2004... tudo sobre minhas relações com a política, com os partidos, com os políticos, com os candidatos, com o Congresso... tudo sobre minhas relações com a Justiça, sobre como corrompi juízes, desembargadores, sobre quem foi comprado na imprensa...”.

         Coincidência, ou não, após os solavancos provocados pela declaração acima, as “melancias” foram se acomodando nos “caminhões” dos Poderes. E essa acomodação – que culmina com essa “devolução” de bens, talvez não devidos, ao banqueiro e ao megainvestidor, com ações violentas – começou já na primeira semana após a publicação da declaração acima, conforme se pode encontrar em matéria da Folha de São Paulo (http://www.folha.uol.com.br), de 17/07/2008, dando conta que:
Apesar de ter dito publicamente que Protógenes Queiroz devia continuar na Operação Satiagraha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalizou na segunda-feira o afastamento do delegado da investigação sobre o banqueiro Daniel Dantas [...] Segundo reportagem, mesmo com o esforço para aplacá-la, a crise acabou chegando à ante-sala do presidente, com conversas gravadas do advogado e petista Luiz Eduardo Greenhalgh com o chefe-de-gabinete de Lula, Gilberto Carvalho. A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, também teria manifestado irritação com a exposição de seu nome no caso. Em conversa com o presidente, o ministro Tarso Genro (Justiça) afirmou que ele e o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, consideravam "insustentável" a permanência de Queiroz, apesar da eficiência técnica do inquérito que culminou na prisão de Dantas.

         Fica a vontade de que o propalado “ordenamento legal” e que as “decisões revestidas de densa fundamentação jurídica” não se percam por falácias. Fica, também, a expectativa de que todo o impacto provocado nos cofres públicos e nas divisas brasileiras sejam, devidamente, recuperados. E que tudo seja apenas uma coincidência de fatos dentro de uma ordenação temporal histórica. Mas, como se diria no linguajar gaúcho: Que baita coincidência, tchê!
  
Para acompanhar esse início de semana, a música escolhida, para não esquecermos a imensa diferença existentes entre as classes sociais de nosso país, é “Operário, Vida, Viola”, de Antônio Victor, com a interpretação de Chico Rey & Paraná.
     
  

Um grande abraço e até a próxima!


sábado, 21 de janeiro de 2012

FOGÃO DE LENHA - DOCE ALFAJOR E AMARGO EMBRÓGLIO




Nunca o olho do ávido dirá,
assim como não o dizem jamais o mar e o inferno: a mim basta.
(Mateo Alemán)




Amigas e Amigos,


         Neste primeiro Fogão de Lenha de 2012, após um período de férias em Buenos Aires, trago uma receita que faz muito sucesso por lá e que percebi, frequentando as confeitarias da capital argentina, um sabor e uma leveza muito além do que nos acostumamos a apreciar em produtos industrializados (também saborosos para apreciadores como eu). Falo dos alfajores, uma delícia que não foi criada naquele país irmão - nem no Uruguai - mas que recebeu nesses países um toque tão especial que me sugere chamá-lo de aperfeiçoamento.

         Antes de nossa doce receita de hoje, um comentário sobre uma notícia menos doce. Segundo a Folha de São Paulo (http://www.folha.uol.com.br) desta sexta-feira, o Tribunal de Justiça de São Paulo está investigando pagamentos de R$ 600 mil a juízes daquele estado. Diz a matéria que:
Dois desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo que ocuparam a Comissão de Orçamento e Finanças da corte são alvo de investigação pelo suposto recebimento privilegiado de cerca R$ 600 mil de verbas atrasadas, cada um, dos cofres do TJ, entre 2006 e 2010. Os magistrados Fábio Gouvêa e Tarcísio Ferreira Vianna Cotrim participaram da comissão na gestão do ex-presidente do tribunal, Roberto Bellocchi (2008-2009), que também foi beneficiário de um pagamento sob apuração pelo tribunal paulista, no valor de R$ 1,5 milhão. No mesmo período, o terceiro membro da comissão foi o desembargador do TJ e atual presidente do TRE (Tribunal Regional Eleitoral), Alceu Penteado Navarro. O pagamento feito a Navarro no valor de cerca de R$ 400 mil também está sendo investigado por suposta violação aos princípios da isonomia e da impessoalidade, como revelado pelaFolha ontem. Os desembolsos milionários feitos aos quatro desembargadores e ao ex-presidente do TJ Antonio Carlos Viana Santos, morto em janeiro de 2011, formam o quadro dos cinco casos mais graves em apuração, sob a ótica da direção da corte. A Folha procurou os desembargadores Gouvêa e Cotrim por meio da assessoria de imprensa do TJ, mas eles não responderam até a conclusão desta edição. Bellocchi disse que os pagamentos corresponderam a créditos a que ele tinha direito. O advogado dos herdeiros de Santos, João Costa, disse que a família não foi notificada sobre as apurações. Outros 24 desembargadores que tiveram recebimentos fora do padrão do tribunal também estão sendo convocados a prestar explicações, porém essas situações têm indícios mais fracos de irregularidades, segundo a nova gestão da corte. As quitações feitas a esse grupo não superam R$ 400 mil para cada um. Segundo o presidente do TJ, Ivan Sartori, os desembolsos sob investigação referem-se a verbas devidas aos magistrados, a título de auxílio-moradia, indenizações por férias ou licenças não gozadas. Em regra, os pagamentos de atrasados ocorrem em várias parcelas de pequeno valor, o que não teria ocorrido nos casos investigados. Magistrados ouvidos pela reportagem afirmam que, mesmo em casos de necessidade médica, os desembargadores recorrem a familiares, amigos ou até empréstimos bancários para não "furar a fila" do tribunal.

         Se confirmadas as irregularidades, os desembargadores poderão ser devidamente "punidos" (como sempre acontece nestes casos), sendo afastados de suas funções atuais, com precoces e abundantes aposentadorias. E, envergonhados, somente lhes restará como consolo usufruir da verba desviada, pois - conforme já observado em situações semelhantes - pouco, ou quase nada, retornará aos cofres públicos.

         Esses "pequenos" desvios de verba, e de caracter, permitem entender porque tantos nos diversos níveis do judiciário nacional tentam desclassificar o trabalho realizado por parte do Conselho Nacional de Justiça - liderado pela corregedora Eliana Calmon - no combate a corrupção (aparentemente instalada) no próprio Judiciário, que ainda não entende - talvez pela soberba de seus principais líderes - quem é o seu verdadeiro patrão e pagador de seus salários: o povo brasileiro, com o recolhimento de altíssimos impostos.

         Para adoçar nosso fim-de-semana, vamos falar um pouco da receita de hoje. Conforme a enciclopédia livre Wikipédia (http://pt.wikipedia.org), acredita-se que o alfajor, tradicional doce da Espanha, Argentina, Chile, Peru, Uruguai e de outros países ibero-americanos, tenha sido criado no Equador (mas não existem fontes que confirme essa criação). Essa enciclopédia informa que o alfajor é muito popular na Argentina, onde é tratado como um ícone do país, que consome seis milhões deles todos os dias, e o define como um composto por camadas de massa "que após assadas devem ser levemente crocantes e macias, quase esfarelando, mas firmes e com recheio de doce de leite".





         Coloco abaixo a receita, com tradução livre, para que vocês experimentem.

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ALFAJOR

Ingredientes:

100 g. manteiga
3/4 de xícara de açúcar
1 ovo
1 gema 
2 colheres de chá de baunilha
1 xícara de farinha de trigo
1 colher de chá de fermento em pó
1 xícara de maisena
350 g. de doce de leite
50 g. de coco ralado

Modo de fazer:

Coloque a manteiga (a temperatura ambiente) em uma tigela.
Acrescente o açúcar e misture bem.
Adicione o ovo, a gema e a baunilha.
Misture bem, para integrar os ingredientes.
Aos poucos, incorpore a farinha, o fermento e o amido. 
A massa deve ficar macia e sem grudar nos dedos.
Se necessário, adicione um pouco mais de farinha.
Deixe a massa descansar na geladeira por cerca de 5h. em um saco plástico (pode-se deixar de um dia para o outro).
Quando retirar a massa da geladeira, remova o saco plástico.
Deixe a massa descansando para retomar à temperatura ambiente.
Com um rolo, abra a massa (espessura de  1 cm).
Com auxílio de um molde redondo, corte toda a massa em pequenos círculos.
Pré-aqueça o forno em temperatura médio-alta por alguns minutos.
Coloque os círculos de massa em uma placa sem untar, deixando um espaço entre eles para que eles não se unam.
Asse por aproximadamente 10 minutos. 
Com auxílio de uma espátula, levante um dos círculos de massa e verifique se está tomando cor.
Eles não devem dourar demais.
Após retirar do forno, esperar que esfriem.
Cubra, generosamente, um círculo com doce de leite e coloque outro por cima.
Emparelhe o doce de leite nas bordas com auxílio de uma faca.
Coloque o coco ralado em um prato e faça os alfajores “rolarem” (como na figura abaixo), para o coco se fixar nas bordas.



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         O seu melho alfajor, o que lhe agradará mais, provavelmente não será o obtido na primeira execução da receita. Após algumas tentativas, você irá descobrir qual o tempo ideal de descanso na geladeira, o melhor tempo para assar em seu forno, a proporção perfeita entre maisena e farinha de trigo, a possibilidade de mais gemas ou até mesmo de mais ovos. Mas garanto que vale a pena começar.

         Para acompanhar a receita de alfajor, a intérprete gaúcha Shana Müller canta de Érlon Péricles a música "Ao sopro da Chacarera".



         Até o nosso próximo encontro e um grande abraço!
 


terça-feira, 17 de janeiro de 2012

ABRINDO A PORTEIRA - NEM TÃO BOAS, NEM TÃO NOVAS



Procura, diante dos acontecimentos ter as tuas reações, não as dos outros.
(Agostinho da Silva)


Amigas e Amigos,

Após mais de vinte dias passeando por terras portenhas (saboreando assados de variados tipos de cortes de carne), me dediquei hoje a um antigo hábito que gosto de cultivar. Li um jornal impresso – após muitos dias de atualização somente pelos portais dos nossos periódicos – e constatei que o período não é mesmo de grandes mudanças. 


          Na capa do Correio Braziliense encontro, como principal manchete, o destaque “O mundo em crise e o Brasil de Férias”, informando que o país voltou a crescer além do projetado pelo mercado e salientando o atestado da ONU de que os gastos dos brasileiros viajantes contribuíram para a salvação do turismo no mundo.

          No Correio, na coluna “Nas entrelinhas”, pode-se perceber que a guerra de vaidades entre PT e PMDB está começando, de olho nas próximas eleições, e a disputa pelo maior número de prefeituras (o cargo de vice-prefeito – aquele que como todo vice em nosso governo ganha para ficar parado – também entra nesse embate) tende a ditar novos procedimentos para os próximos passos governamentais. Já há quem diga que a propalada reforma ministerial será um “arranjinho” pontual e com o pensamento voltado para os próximos palanques a serem visitados.

          Sobre a Justiça, o Correio trouxe uma matéria sobre “O julgamento, 13 anos depois do assassinato” da deputada federal Ceci Cunha. São 13 anos de recursos protelatórios (o nome que a justiça arrumou para embromação) e só está acontecendo porque o Conselho Nacional de Justiça mandou apressar o julgamento. Como toda tramóia envolvendo políticos em nosso país, esse julgamento também está transformado em grande confusão, onde testemunhas e acusados trocam versões (e caem em contradições) periodicamente.

          Na “queda de braço” entre o ministro Guido Mantega e o secretário executivo de sua pasta, Nelson Barbosa, parece que a vantagem está com Barbosa, pois quando o ministro disse que a crise européia era uma “marolinha”, o secretário falou que o problema era mais grave e que poderia afetar a economia brasileira. Mas, nesse caso, a “luta” continua...

          Enquanto o combate ao crack segue a passos lentos, após dois meses do lançamento do programa federal, o BBB vira caso de polícia com um suposto estupro que, até prova em contrário, desde o primeiro programa do gênero – em todas as emissoras que se dispõem a apresentar esse tipo de “atração” – vem sendo estimulado pelos responsáveis pelos programas, com excesso de bebidas, festas sensuais, alcovas estimulantes e sei lá o que mais. Mas nada que não seja resolvido com um bom acordo entre todos os envolvidos, pois os participantes se preparam para este tipo de orgia, a emissora terá bons argumentos para convencer polícia e quem mais vier sobre suas “boas intenções”, lembrando que as eleições já estão aí e...

          A nota tragicômica fica por conta da página 5 do jornal, onde se encontra que a ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, está frequentando aulas noturnas no Detran-DF para recuperar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), vencida e com multas por estacionar em local proibido. Lembra a nota que o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, também fez aulas no Detran-DF para recuperar a sua CNH, suspensa por uso de celular enquanto dirigia. São apenas dois “grandes exemplos” de como nossos ministros se preocupam com nossas leis – e até com nossa segurança. Ainda bem que os ministros não precisam enfrentar o “stress” de uma reforma ministerial, já que, no máximo, haverá uma marolinha na Esplanada.

          Leitores deste blog, como estive fora de nosso pais por alguns dias, inicio está semana com Marcello Caminha, um dos maiores violonistas do Rio Grande do Sul, interpretando de sua autoria “Alguém distante”.

 

          Um grande abraço e boa semana para todos!


sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

ORATÓRIO CAMPEIRO - APÓS A EPIFANIA, MAIS IMPOSTOS



O imposto é a arte de pelar o ganso fazendo-o gritar o menos possível
e obtendo a maior quantidade de penas.
(John Garland Pollar)


Amigas e Amigos,
         
Domingo passado marcou a celebração da Epifania do Senhor, dando início a um novo tempo litúrgico na Igreja – estamos na primeira semana do Tempo Comum.  A Epifania do Senhor é a manifestação de Jesus como Messias de Israel, o Filho de Deus e o Salvador do mundo. Essa solenidade da Epifania nos traz a certeza de que a divindade de Deus está sempre presente em meio a nossa vida. É uma festa associada à presença dos Reis Magos logo após o nascimento de Cristo, como mostrando lideranças mundiais buscando um novo mundo a partir da chegada do Salvador.



Aproveito esse Oratório, ainda, para trazer mais uma grande intervenção do governo a fim de melhorar as condições de vida da população brasileira. Li, aqui na capital da Argentina, no portal do Estadão (http://www.estadao.com.br) que:
Os municípios poderão cobrar pedágio para diminuir o trânsito de automóveis, segundo a Lei de Mobilidade Urbana, sancionada na última semana pela presidente Dilma Rousseff. Um dos principais objetivos é estimular o transporte coletivo e reduzir a emissão de poluentes. A nova lei autoriza a cobrança de tributos pelo uso da infraestrutura urbana, "visando a desestimular o uso de determinados modos e serviços de mobilidade". A receita gerada pelo pedágio ou outra forma de tributação deve ser destinada ao transporte coletivo, como a concessão de subsídio público à tarifa. O uso de bicicletas também precisa ser estimulado, segundo o texto. As novas regras de incentivo ao transporte coletivo podem não entrar em vigor antes da Copa do Mundo de 2014, porque os municípios têm prazo até 2015 para se adequarem a elas. As 1.663 cidades brasileiras com mais de 20 mil habitantes terão de elaborar planos de mobilidade urbana. E as cidades que não cumprirem o prazo de três anos para os planos podem ser punidas com a suspensão dos repasses de recursos federais ao setor. Desafio. Hoje, apenas municípios com mais de 500 mil habitantes eram obrigados a ter planos de mobilidade e nem todas as 38 cidades com esse perfil têm políticas para o setor. Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) alerta que "fazer a lei pegar" é um dos principais desafios da Lei de Mobilidade Urbana. Atualmente, os municípios já são autorizados a subsidiar os transportes coletivos, mas o subsídio só vale na Região Metropolitana de São Paulo e nos metrôs, segundo o Ipea. O estudo considera a lei um avanço, depois de 17 anos de debate no Congresso. Já o presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Paulo Ziulkoski, apontou contradições nas políticas públicas. "Ao mesmo tempo em que o governo estimula a compra de automóveis para ajudar a indústria automotiva a enfrentar a crise internacional, a nova lei autoriza a cobrança de tributos para limitar sua circulação nas cidades", afirmou. O presidente da confederação prevê que poderá ser criada uma guerra fiscal entre os municípios, com estímulo aos motoristas para que licenciem seus automóveis em cidades que tributem a circulação de carros em suas ruas. "Poderemos até questionar a constitucionalidade, porque sobre a propriedade de veículos já incide a cobrança do Imposto de Circulação de Veículos Automotores (IPVA) e poderia ser caracterizada uma dupla tributação." A lei também determina que os municípios fixem a tarifa máxima cobrada pelos táxis. A medida estimularia a competição por meio de descontos.
          Espero estar muito enganado, mas me ficou a impressão de que a presidente, ao sancionar a Lei da Mobilidade Urbana, “viajou” mais do que a soma de todas as horas de vôo do seu antecessor.

          Conforme a matéria, a receita gerada pelo pedágio (ou equivalente) será aplicada em subsídios para as tarifas de transporte coletivos, o que dá idéia de que as empresas prestadoras desse serviço serão as grandes beneficiadas para continuarem oferecendo os péssimos (em alguns casos, os quase péssimos) meios de locomoção aos seus usuários. Fico imaginando Brasília, onde estão instalados os poderes, com seu sofrível serviço de locomoção – além de muito ruim, muito caro – com pedágios. O grande benefício da nova lei será para com a arrecadação pública, pois é praticamente impossível não utilizar condução própria na capital federal. Dá para imaginar, também, que – como amigos do poder constituído – os donos das empresas prestadoras desse (des)serviço também tentarão ser beneficiados (pouco provável é que não o sejam).

          Pela notícia, parece que pagaremos IPVA (imposto para circulação de veículos) para “termos o direito” de deixar nossos carros parados. Se for necessário qualquer deslocamento, somente com “mais impostos”. Afinal, uma máquina (enferrujada) pública que não para de crescer (para acomodar os “amigos”) – sem qualquer utilidade para o povo – necessita que se inventem, constantemente, formas de “arrecadar” dinheiro fácil dos que trabalham para distribuir, fartamente, aos que ocupam cargos como figurantes.

Enquanto pensamos um pouco se não estaria passando da hora de buscarmos um país mais justo, trouxe, como sugestão para esta semana que iniciou com a Festa da Epifania do Senhor, uma oração para este tempo, lembrando a presença dos reis magos nos primeiros momentos da vida de Cristo.         

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ORAÇÃO

Concedei-nos, Senhor,
a fé dos magos:
- Daí-nos que sejamos atentos a vossos apelos
no dia a dia de nossas vidas...
- Ensinai-nos a buscar a luz nas Escrituras,
na vossa Palavra...

- Daí-nos descobrir-vos não mais na fragilidade de uma criança
mas sob o sinal de um  pouco de pão...

Sim, vós nos atraís para o mistério da Eucaristia
e esperai-nos, como atraístes e esperastes os magos.

Concedei-nos buscar-vos e encontrar-vos como eles,
e, como eles também, possamos oferecer-vos:
o incenso de nossa prece,
o ouro de nosso amor
e a mirra de nossa vida unida à vossa

para a salvação do mundo.

Amém.

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          Na conclusão deste primeiro Oratório Campeiro do Tempo Comum, escolhi a música “Folia de Reis”, interpretada pelo sambista Martinho José Ferreira, o Martinho da Vila, que não nasceu na Vila Izabel, mas em Duas Barras-RJ, em um sábado de Carnaval.

  

          Um grande abraço e que a Paz de Cristo permaneça conosco ao longo de 2012!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

PROSA DE DOMINGO - A SAGA MINISTERIAL, NOVELA SEM FIM...



Os mentirosos são sempre pródigos em juras.
(Pierre Corneille)



Amigas e Amigos,

Aparentemente, 2012 está muito igual a 2011 lá pelas bandas do planalto central do Brasil. Aqui da capital portenha – após passear pelo Caminito, ao som de tangos e milongas, jantar na Recoleta e participar da missa na Iglesia Nuestra Señora da La Consolación – a única diferença percebida em relação aos ministérios brasileiros é a data, pois o novo ano traz denúncia contra o ministro Fernando Bezerra Coelho sobre privilégios concedidos ao seu estado natal – Pernambuco – na distribuição de verbas das chuvas. Parece que Pernambuco recebeu mais verbas para enchentes do que o Rio de Janeiro, que tanto sofreu com esse tipo de calamidade em 2011.

Além disso, o ministro foi acusado de favorecer seu filho, que é deputado federal, e de atuar para manter o seu irmão como presidente da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba). Sábado, no portal G1 (http://g1.globo.com), podia se encontrar que:
Na terça (10), há possibilidade de o ministro comparecer ao Congresso. O PPS pediu ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), a convocação da Comissão Representativa do Congresso Nacional para discutir as denúncias relacionadas ao Ministério da Integração Nacional. A comissão é composta por oito senadores e 17 deputados e pode ser convocada durante os períodos de recesso parlamentar. Bezerra se colocou à disposição para comparecer ao Congresso e dar explicações. "Eu estarei à disposição para visitar a comissão no Congresso na terça-feira, às 10h, para poder responder às dúvidas ou indagações do requerimento e outras tantas dúvidas que, porventura, os parlamentares possam ter em relação à política de aplicação de recursos do Ministério da Integração no que toca à defesa civil", afirmou o ministro nesta sexta. Bezerra nega ter privilegiado Pernambuco, seu estado natal, na distribuição das verbas para prevenção a desastres naturais. Em nota, o ministério contestou reportagem publicada na quinta pelo jornal "O Globo", que informa que, no Orçamento de 2012, Pernambuco foi o estado com a maior previsão de verbas da Integração no Programa de Gestão de Riscos e Resposta a Desastres. Segundo a publicação, o estado receberia R$ 81,4 milhões, cerca de 11,6% do total do programa sob gestão da pasta. A Integração afirmou que a maior parte dos recursos foi incluída por parlamentares através de emendas durante a tramitação da lei orçamentária. Inicialmente, informa, a previsão enviada pelo Executivo era de R$ 67,6 milhões, complementados com R$ 634 milhões de emendas parlamentares. Em entrevista nesta sexta à Agência Brasil, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, defendeu o ministro da Integração. Ela disse que não houve irregularidades na utilização de créditos extraordinários para investimentos na construção de barragens em Pernambuco. Segundo a ministra, em 2010, o governo pediu um estudo sobre obras para se evitar a repetição das tragédias das chuvs que, naquele ano, atingiram Pernambuco e Alagoas. “Quando a solução foi identificada, não tínhamos dotação específica para 2011. Por isso, o ministro da Integração usou a dotação de crédito extraordinário. Não há nenhuma irregularidade nisso. É dinheiro de defesa civil utilizado em uma obra de defesa civil”, afirmou a ministra à agência. O jornal "Folha de S.Paulo" afirmou na edição deste sábado (7) que o filho do ministro, deputado Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), foi o único parlamentar que conseguiu obter o empenho (compromisso de pagamento) de todas as emendas que apresentou para obras do ministério. De acordo com o jornal, o ministério respondeu em nota que o ministro não beneficiou o filho. Segundo a nota, o deputado conseguiu a liberação de cerca de 80% dos pedidos em anos anteriores, quando o pai não era ministro. Segundo "O Estado de S. Paulo", o ministro agiu para manter durante um ano o irmão, Clementino Coelho, na presidência da Codevasf. Coelho assumiu após a exoneração do antecessor, Orlando Cézar da Costa Castro. Pelo estatuto da Codevasf e por orientação da Controladoria-Geral da União (CGU), na ausência do presidente, o diretor mais antigo - no caso, Coelho - assume a presidência até a nomeação do novo titular do cargo. Nesta sexta, a Casa Civil da Presidência da República divulgou nota informando que, "há cerca de 50 dias", Fernando Bezerra fez o pedido para que Guilherme Almeida, que também é diretor da empresa, seja nomeado novo presidente da Codevasf. "Em que pese Almeida já ocupar o cargo de diretor da estatal, a assunção à presidência do órgão exige novas consultas, conforme determina a legislação. Cabe, porém, destacar que, tendo sido concluídas as consultas, Guilherme Almeida será nomeado nos próximos dias", informou a nota da Casa Civil.

          Salvo engano, 2011 terminou com ministros sendo denunciados, negando falcatruas, sendo defendidos por alguma fonte oficial, e caindo fora antes que seus malfeitos (apelido oficial – apreciado pela presidente e seu séquito – para prevaricação) fossem efetivamente esmiuçados, pois acredito que a inhaca tenderia ao insuportável.



Como políticos têm certeza que nós temos curta memória, saem do “palco” temporariamente, já preparando um breve retorno como tantas “figurinhas carimbadas” que achincalham nossa política. Não será de estranhar que mais um ministro caia antes da protelada reforma (ou limpeza) ministerial. Acho melhor reforma, por que pelas últimas substituições fica difícil imaginar limpeza.

Para que possamos ter uma boa semana, separei uma belíssima moda do amigo Chico Lobo, interpretada por ele mesmo, que tem por título “Beira de Mato”, do CD “No braço desta viola”. E assim a gente esquece um pouco destes políticos que só lembram da gente quando precisam de nossos votos para se elegerem.  


          Um grande abraço e uma semana maravilhosa para nós!