quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

TERTÚLIA NATIVA – EFEITO CASCATA OU O FEITO É “CASCATA”




O homem acredita mais com os olhos do que com os ouvidos.
Por isso longo é o caminho através de regras e normas,
curto e eficaz através do exemplo.
(Lucius Annaeus Seneca)



Amigas e Amigos,

Inicio esta Tertúlia Nativa comentando a greve dos policiais na Bahia que, conforme a Folha de São Paulo, pode se alastrar, por mais seis estados – RJ, PA, PR, AL, ES e RS, além de ser preocupação no DF – e que já chegou a seu oitavo dia. Para o governo federal, a situação mais crítica é a do Rio de Janeiro pela preocupação com cenas violentas nessa proximidade do Carnaval. Sobre o impasse na Bahia, a Folha publicou que: “Apesar do aparente distensionamento, a tentativa frustrada de acordo levou ontem manifestantes à rampa da Assembléia para gritar em coro: ‘Ôôô, o Carnaval acabou!’”.

Não tenho idéia da representatividade do Carnaval para a economia baiana, mas acredito – pelo que se pode observar nas coberturas jornalísticas – exercer um papel considerável. Sendo isso factual, não percebo a lógica de trabalhar pela possibilidade de reduzir a arrecadação – esvaziamento do Carnaval – para aumentar a despesa – pagamento dos salários dos policiais. Mas isso deve ter sido considerado na escolha do melhor período para a paralisação.

Outra notícia relacionada a esta foi a do jornal O Estado de São Paulo sobre a “epidemia” de greves que está levando a presidente Dilma a rediscutir direitos de servidores públicos à luz de um projeto engavetado por ela quando ministra da Casa Civil. No portal do referido jornal (http://www.estadao.com.br), pode-se encontrar que:
Ontem, o Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores da Policia Civil (Ugeirm-Sindicato) do Rio Grande do Sul anunciou o início de uma operação padrão. No dia 15, PMs e bombeiros ameaçam entrar em greve no Espírito Santo. Líderes da PEC 300 (que aumenta o salário de policiais e unifica os pisos pelo País) informaram que Minas também já enfrenta focos de reclamação da categoria. No Rio, policiais e bombeiros marcaram uma assembleia para hoje e podem definir greve a partir de amanhã. Isso apesar da tentativa do governo de adiantar reajustes para evitar mobilizações. Levada ontem a Assembleia, a proposta foi considerada insatisfatória por associações e representações de classe, recebeu 78 emendas e saiu de pauta.  Líder do PSDB baiano, legenda que abriga o líder da paralisação, o deputado Antônio Imbassahy diz que o governo federal, "ao assumir a negociação na Bahia, da forma como foi feito, convocou os policiais de outros Estados a aderir ao movimento". O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), disse ontem que o Congresso está disposto a rediscutir o direito de greve. Mas reiterou que não vai pôr em votação a PEC 300. O projeto de lei de restrição ao direito de greve foi preparado pela Advocacia-Geral da União em 2007, mas parou na Casa Civil, que, então comandada por Dilma Rousseff, não levou a proposta adiante. [...] O texto inclui segurança pública entre os 19 serviços considerados "inadiáveis de interesse público", em que o estado de greve deverá ser declarado com antecedência mínima maior, de 72 horas. E a proposta limita a paralisação a 40% dos servidores de um órgão.

          Essa paralisação – em conjunto com as ameaças de paralisações avaliadas pelo governo federal – poderia ser em conseqüência dos salários exorbitantes recebidos pelos parlamentares brasileiros, configurando um efeito cascata a se refletir pelos diversos segmentos de trabalhadores do país.

         Outra idéia que não deve ser descartada, dada a acintosa parceria percebida entre governo e sindicatos, é a de que a paralisação é combinada para justificar um possível aumento para a sociedade pagadora de altos impostos. Ou até para facilitar a aprovação do PEC 300. E aí, o feito (ou a greve) é “cascata”...



         Como nem sempre o que parece é e o que é, às vezes, nem parece, na Tertúlia de hoje tem o causo “O Cavalo Verde”, do Luís Coronel, que é o título primeiro volume de uma trilogia desse autor, da qual fazem parte "O cachorro azul" e "O gato escarlate".

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O CAVALO VERDE
                                  Luís Coronel

Jovenciano Centeno era flaco de corpo e largo de alardes.

Num cair de tarde de quase janeiro, apeou na venda do Noquinha e foi molhar a palavra, como era de costume. Pé no cepo, cotovelo na mesa, por lá foi se ficando numa mais outra.

Quando o lusco-fusco já aquietava os cuscos, colocou a bota fora do portal e se deparou com o seu cavalo tordilho, pintado de verde.

Respirou fundo e entrou na venda, se plantando embaixo do lampião com pose de quero-quero.

– Se tem mãe de respeito, quem fez o desaforo que se apresente. – gritou Jovenciano.

Lá do fundo da venda, caminhando devagar como quem trafega atoleiro, vem vindo Salustiano, um “aspa-torta” com dois metros de altura e uma “feiúra de partir espelho”.

Vinha limpando as unhas com uma carneadeira luminosa.

– Pois um matungo na cor dos campos te serve melhor de montaria, seu maturrango! – falou e disse o desabusado.

 “Bêbado de susto” e atropelo, Jovenciano teve tempo apenas de aliviar os acontecidos.

– Êpa, êpa! – retrucou Jovenciano. – Eu só vim avisar que a primeira demão já tá seca, tchê!


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         Para terminar a Tertúlia, e amadrinhar o causo, deixo a música "Cavalo Crioulo", de Luiz Carlos Borges e Mauro Ferreira, interpretada pelo Borges, acompanhado do Mauro.

 

         Um grande abraço e até a próxima!


terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

ORATÓRIO CAMPEIRO – SEPÉ, UM SANTO POPULAR



Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo
vos estabeleceu como guardiães, como pastores da Igreja de Deus que ele adquiriu com o seu sangue.
(Atos dos Apóstolos 20,28)







Amigas e Amigos,

O dia de hoje carrega a marca da morte de Sepé Tiarajú, líder e herói maior do povo Guarani, ocorrida no ano de 1756. O missioneiro Sepé Tiarajú está inscrito no Livro dos Heróis da Pátria, conforme Lei nº 12.032, de 21 de setembro de 2009, ao lado de nomes como Tiradentes e Zumbi dos Palmares.

Pela época de seu nascimento e por estar em um país influenciado pelo catolicismo, o único documento que possibilitava a cidadania era a certidão de batismo, até hoje não encontrada, o que permitiria tornar conhecido o nome de seus pais, a data e o local de seu nascimento. Diversos escritores, em romances abordando a vida deste herói, citam que seu nascimento – sem qualquer comprovação – teria ocorrido na cidade missioneira de São Luís Gonzaga, onde teria vivido com os pais até os 8 anos de idade, quando estes morreram.



O orgulho de gozar da mesma cidadania de Sepé é tão grande em São Luís Gonzaga que a falta de comprovação é só um detalhe. Essa certeza extrínseca fez com que os são-luisenses erguessem um monumento de dois metros de altura na entrada da cidade, em homenagem ao assumido concidadão.  

Em uma entrevista publicada em maio/2010 na Revista do Instituto Humanista Unisinos (http://www.ihuonline.unisinos.br), o Irmão marista, formado em Letras Clássicas e em Direito pela PUC-RS, Antônio Cechin – fundador da CPT RS (Comissão de Pastoral da Terra do Rio Grande do Sul) e da ONG Movimento Sócio-Ambiental Caminho das Águas – definiu que “Sepé é Santo porque ele nasce num povo organizado e santo. Foi o próprio Jesus Cristo quem disse: ‘Não há maior prova de amor do que dar a vida por aqueles a quem se ama’”.

Na publicação citada acima, o Irmão Cechin descreve Sepé, enquanto líder máximo da causa indígena no país e símbolo da resistência, com as seguintes palavras:
Diante da extraordinária figura do herói-santo, o índio missioneiro guarani Sepé Tiaraju, nossas gerações do presente e do futuro, a exemplo das passadas, devem se inclinar reverentes. [...] O Rio Grande do Sul não necessita criar uma figura imaginária. Pode oferecê-la ao Brasil, em carne e osso, na sua realidade histórica. Ela é tão grande, que sua grandeza sobressaiu da história para entrar na lenda, e não saiu da lenda para entrar na história. Sepé Tiaraju perece às portas dos Sete Povos das Missões Orientais do Uruguai, à vanguarda dos índios missioneiros, enfrentando os exércitos imperialistas de Espanha e Portugal, em defesa do território da Pátria natural, ainda quase virgem do pé civilizado do europeu, madrugando para a América; pátria telúrica, politicamente indefinida, mas pátria; terra onde nascera, chão nativo, onde plantara seu rancho e acendera seu fogo. Sepé é o primeiro pronunciamento de uma consciência rio-grandense. Morreu lutando contra a Espanha e Portugal, por que a terra que defendia era sua e de seus irmãos, tinha dono, fora de seus pais e seria de seus filhos.

         Ainda na revista do IHU, o Irmão Cechin, questionado sobre a influência do provo guarani na constituição da cultura gaúcha, disse que:
O Povo de Deus, na Bíblia, num de seus poemas que são os salmos, canta: “Jerusalém foi construída sobre o monte santo... De Jerusalém (Sião), será dito: Todo homem aí nasceu!... E cantarão: Em ti se encontram todas as minhas fontes!”. O Povo de Deus hoje, do Rio Grande do Sul, que são todas as pessoas de fé, deve também dizer e cantar: “Nas Missões dos Sete Povos, não só nasceu São Sepé Tiaraju, mas também todos nós nascemos!” Aí estão nossas raízes da melhor cidadania com a possibilidade de um projeto de nação eminentemente solidária. A Constituição Brasileira afirma com todas as letras que o nosso Brasil é uma nação multi-étnica. O povo-raiz, para grande orgulho nosso é o povo guarani, o povo missioneiro. Nossos caminhos vão sendo iluminados por Tiaraju, o “Facho de luz”. É uma lástima que o “gauchismo” que anda por aí substituindo Sepé e as Missões Jesuíticas, nosso glorioso nascimento, pela revolução farroupilha que foi uma guerra entre os grandes fazendeiros em que o povo nada teve a ver, esteja tomando o lugar nobre de nossas origens. Aos poucos, com a força dos movimentos populares, estamos colocando as coisas no seu devido lugar. Se Deus quiser, faremos a reconciliação de nosso Rio Grande consigo mesmo que é a reconciliação com a cultura guarani de nossos primórdios, guarani e missioneira.
        
         A história de Sepé Tiaraju confunde-se com a própria história do Brasil colonial e vivifica o sentido de pátria no nascedouro dos países sul-americanos. É perceptível o nascimento do patriotismo no pensamento indígena e é também certo que ao longo do tempo a idéia de inferioridade dos índios mantém-se como pensamento inalterado ao longo da história. Ao não ser promovida a inclusão dos que já habitavam essas terras antes dos colonizadores pode ter resultado em um sentimento de amor pátrio desprovido de alguns fundamentos originais, presentes no pensamento guarani.

         Estamos no mês de fevereiro, iniciado com muita festa para Nossa Senhora. No último dia 2, festejamos a Mãe de Deus – padroeira da Arquidiocese de Porto Alegre-RS – com o título de Nossa Senhora dos Navegantes – padroeira da cidade de Porto Alegre-RS – e, como sugestão, fica hoje em nosso Oratório, uma Oração a Senhora dos Navegantes.



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ORAÇÃO A NOSSA SENHORA DOS NAVEGANTES

Ó Nossa Senhora dos Navegantes,

Mãe de Deus, Criador do céu, da terra,

Dos rios, dos lagos e dos mares,

Protegei-me em todas as minhas viagens.

Que ventos, tempestades, borrascas, raios e ressacas

Não perturbem minha embarcação

E que nenhum incidente imprevisto

Cause alteração e atraso à minha viagem

Nem me desvie da rota traçada.

Virgem Maria, Senhora dos Navegantes,

Minha vida é a travessia de um mar furioso.

As tentações, os fracassos e as desilusões

São ondas impetuosas que ameaçam

Afundar minha frágil embarcação

Nno abismo do desânimo e do desespero.

Ó Nossa Senhora dos Navegantes,

Nas horas de perigo eu penso em vós,

E o medo desaparece,

O ânimo e a disposição de lutar e de vencer

Tornam a me fortalecer.

Com a vossa proteção

E a benção de vosso Filho,

A embarcação da minha vida

Há de ancorar segura e tranqüila

No porto da eternidade.

Amém!


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Para acompanhar o Oratório Campeiro desta semana, escolhi no DVD "O Campo", de César Oliveira & Rogério Melo, a música "De São Miguel a Mercedes", onde os artistas recebem o autor Mano Lima, que prestou bonita homenagem a Sepé Tiaraju. 


 

Com votos de uma ótima semana, que a Paz de Cristo permaneça conosco!


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

ABRINDO A PORTEIRA - MINISTÉRIO SUBSTITUI DENÚNCIAS



Mas o que a Cidade mais deteriora no homem é a Inteligência,
porque ou lha arregimenta dentro da banalidade ou lha empurra para a extravagância.
(Eça de Queirós)




Amigas e Amigos,

         Nesta segunda-feira, a porteira vai se abrindo para comentar as dificuldades de encontrar ministros nesta terra em que o poder está relacionado a alianças que ruborizariam até mesmo o Marques Donatien Alphonse.

         Hoje tem posse no Ministério das Cidades, de onde o anterior ministro Mário Negromonte – indicação do governador da Bahia, Jaques Wagner – afirma ter saído por “problema político”, após longo desgaste no cargo provocado por denúncias que se arrastavam desde o ano passado. O portal G1 (http://g1.globo.com), no último dia 2 de fevereiro, apresentou as denúncias contra Negromonte – o nono ministro substituído – com o seguinte texto:
Em agosto, reportagem da revista “Veja” acusou Negromonte de oferecer R$ 30 mil ao então líder do partido na Câmara para apoiar sua permanência no cargo. Em nota, ele negou a suposta oferta. No mesmo mês, reportagem do jornal “O Estado de S. Paulo” mostrava que, em menos de dois meses, o ministério havia liberado R$ 1,035 milhão para o município de Glória (BA), cuja prefeita, Ena Wilma, é mulher do ministro. Em novembro, segundo reportagem do jornal "O Estado de S. Paulo", ele pressionou funcionários do ministério a fraudar um parecer técnico que recomendava um sistema de transporte mais caro para Cuiabá na Copa do Mundo. Na época, a diretora de Mobilidade Urbana do Ministério, Luiza Gomide, negou a fraude. Negromonte determinou, então, a abertura de sindicância interna para investigar o caso. No mesmo mês, reportagem da revista “Época” dizia que o ministro usou o cargo para obter patrocínio estatal para a Festa do Bode, em Paulo Afonso, reduto eleitoral de seu filho, o deputado estadual Mário Filho, no interior da Bahia. [...] Em janeiro, o jornal "Folha de S.Paulo" trouxe nova denúncia sobre Cássio Peixoto, ex-chefe de gabinete do ministro e que já tinha sido apontado em outras denúncias. Segundo a reportagem, ele recebeu em seu gabinete um lobista e o dono de uma empresa de informática, que estariam interessados numa proposta milionária de informatização do ministério. O ministro teria participado de uma das reuniões, conforme o jornal.
         O problema político referido pelo ex-ministro, dada as denúncias não esclarecidas e a conseqüente “queda”, parecem bem configurados como “problema”, mas quanto ao “político” só parece associado ao mau uso do cargo (político), o que poderia ser configurado melhor por politicagem ou, de forma mais clara, falta de ética para o exercício da titularidade que lhe foi confiada.


Fonte: Diário Gaúcho

         O novo titular da pasta das cidades, Aguinaldo Ribeiro, que toma posse hoje, aparentemente preenche alguns “requisitos” pelo menos sui generis, pois assumirá o cargo com o peso de denúncias oriundas de sua vida pregressa. O jornal Folha de São Paulo, hoje, já traz uma singela apresentação do novo ministro, com a seguinte matéria:
O deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), que tem posse marcada para hoje como novo ministro das Cidades, é dono de duas emissoras de rádio no interior da Paraíba que foram registradas em nome de empregados. As emissoras Cariri AM e PB FM estão no nome da empresa AE Comunicações da Paraíba Ltda., sediada no escritório político que Ribeiro mantém em João Pessoa. Os sócios da empresa, contudo, segundo registro da empresa na Junta Comercial da Paraíba, são um ex-contador e um assessor pessoal do ministro. A firma foi criada em fevereiro de 2010. Uma das rádios controladas pela AE Comunicações, a Cariri AM, funciona no mesmo endereço, em Campina Grande (a 121 km da capital), da sede da River Comunicações Ltda., criada pelo ministro em setembro de 2009. Como a Folha revelou ontem, a River é uma das quatro empresas que o ministro omitiu em sua declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral em 2010, quando se elegeu deputado federal.
         Pelas considerações até aqui, salvo melhor juízo, parece que a importância no “revezamento” ministerial, no que diz respeito a pasta das Cidades, está mais na substituição de denúncias do que propriamente em preencher o cargo com alguém que possa exercê-lo com dignidade.

         Os trabalhadores nas rádios do novo ministro, mesmo que em nome de “laranjas”, têm clareza do verdadeiro dono e, talvez com expectativa de uma “boquinha”, propiciaram algumas pérolas também registradas pela Folha, como:
Na sexta-feira, logo após a confirmação do nome de Aguinaldo Ribeiro como novo ministro, a rádio dedicou duas horas de homenagem a "Aguinaldinho", como era chamado pelos locutores. "Isso aqui é rádio de ministro, rapaz!", afirmou um dos apresentadores, minutos após ser confirmado que Aguinaldo comandaria a pasta das Cidades. A deputada estadual Daniella Ribeiro (PP), irmã do ministro e pré-candidata à Prefeitura de Campina Grande, tem um programa próprio na rádio, "Mandato Popular".
         E se ainda tem ministro que se queixa de ter sido “fritado” por ocupar o “importante” cargo, acredito que o empossado agora não reclamará, pois já tomará posse imerso em um caldeirão com óleo fervente. Agora, é só ele torcer para que a presidente não diga que ele está “prestigiado” – como os dirigentes do futebol qualificam os treinadores em processo de demissão – para se manter no cargo. Afinal, no último dia 30 de janeiro a presidente, em uma cerimônia em Camaçari-BA, elogiou o ex-ministro das Cidades pela sua atuação para o desenvolvimento da Bahia e nos primeiros dias deste mês de fevereiro ele já estava afastado da pasta.


         Para combinar com uma reforma ministerial de araque, nada melhor do que ouvir “Saco Cheio”, de João Gonçalves e João do Rio, interpretada pela dupla Pedro Bento & Zé da Estrada.


Um grande abraço e até a próxima!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

GALERIA SERTANEJA – SÓ R$ 100 MIL?... E O AUMENTO?



Beneficiar vilões é deitar água no mar.
(Miguel de Cervantes Saavedra)


Amigas e Amigos,

Enquanto tomava o café da manhã, recebi o “Correio Braziliense”, cuja capa estampa, em destaque, que “Juízes vão ao Supremo por rejuste”. A matéria – completa na edição impressa do jornal – destaca a exigência dos magistrados de 4,8% de aumento em seus contracheques, contrariando o Planalto que não se mostra disposto a encaminhar tal proposta para o Congresso.





Abaixo, disponibilizo um excerto da matéria, conforme publicação, também hoje, do portal do Correio (http://www.correiobraziliense.com.br):
A guerra prometida pelos servidores públicos foi declarada oficialmente ontem. E começou pelos magistrados. Depois de perder a batalha por reajustes salariais no Orçamento de 2012, a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) decidiu peitar a presidente Dilma Rousseff e entrou com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) exigindo que deputados e senadores garantam um reajuste de 4,8% na remuneração dos ministros do STF. A mudança alteraria o teto do funcionalismo de R$ 26,7 mil para R$ 28 mil e elevaria, automaticamente, os salários dos juízes e dos ministros dos demais tribunais superiores.
         Acredito que o aumento se faz necessário para que os magistrados – alguns estão recebendo somente R$ 100 mil por mês, conforme abordado na postagem sobre o assunto aqui no blog (http://programacantodaterra.blogspot.com/2012/01/tertulia-nativa-cachorrada.html) – não passem privações. Com muita competência, já perceberam até um suposto descumprimento da Constituição no ato da presidente de não encaminhar a proposta desse aumento. Com a mesma competência, entretanto, não foi possível perceber qualquer agravo a Magna Carta ao ser estabelecido o salário mínimo de R$ 622 para o trabalhador brasileiro.

         Penso, ainda, que essa necessidade de aumento visa manter a agilidade – percebida por qualquer cidadão – com que a justiça trata seus processos. Magnificentes salários possibilitam a dedicação de todos os integrantes para que um processo nunca demore mais do que 1 ano e meio ou 2 anos para percorrer todas as instâncias do judiciário e ter sua sentença definitiva. Você não concorda com isso e pensa que esse prazo é um pouco mais longo, talvez 5 anos? Ou 10? Ou 15? Ou mais?

         Não é, aparentemente, o que acontece quando “outros interesses” aparecem. Hoje, também no Correio Braziliense, tem uma notícia sobre um pedido de cidadania despachado em tempo mínimo para que um espanhol assumisse um cargo no Planalto, pois em seu currículo constava o item mais importante para o atual entendimento de meritocracia em órgãos públicos: era ex-dirigente sindical. Consta no jornal que:
Para assumir o cargo de assessor especial da Secretaria-Geral da Presidência, em maio de 2011, o espanhol e ex-dirigente sindical do ABC Paulista José Lopez Feijóo teve uma tramitação relâmpago de seu processo de naturalização no Ministério da Justiça. Feijóo chegou ao país em 1953 e cumpriu os trâmites para ganhar o certificado de naturalização somente após a indicação para o posto na pasta comandada por Gilberto Carvalho. Diferentemente dos demais estrangeiros, que esperam em média 18 meses para obter a cidadania brasileira, o ex-sindicalista deu entrada no processo em 12 de maio de 2011 e, duas semanas depois, o Ministério da Justiça concedeu a naturalização extraordinária a Feijóo. A naturalização foi publicada no Diário Oficial da União de 27 de maio. Três dias depois, o ex-sindicalista foi nomeado, por portaria, assessor especial, DAS 5, na estrutura da Presidência. 
Na Galeria desta semana, a letra e música de “Saco de Ouro”, de Paraíso e José Caetano Erba. Lembrando sempre que esse saco de ouro da música é mixaria comparado com as notícias de hoje.

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SACO DE OURO
                              Paraíso e José Caetano Erba

Um saco de estopa com embira amarrado,
Eu tenho guardado a minha paixão,
Uma bota velha, chapéu cor de ouro,
Bainha de couro e um velho facão.

Tenho um par de esporas, uma rês e um laço,
Um punhal de aço, rabo de tatu,
Tenho uma guaiaca ainda perfeita,
Caprichada e feita só de couro cru.

Do lampião quebrado só resta o pavio,
Pra lembrar o frio eu também guardei
Um pelego branco que perdeu o pelo
Apesar do zelo com que eu cuidei.

Também um cachimbo de cano Colombo
Quantos pernilongos com ele espantei,
Um estribo esquerdo que eu guardei com jeito
Porque o direito na cerca eu quebrei.

A nota fiscal, já toda amarela,
Da primeira sela que eu mesmo comprei
Lá em Soledade, na Casa da Cinta,
230 na hora eu paguei.

Também o recibo, já todo amassado,
Primeiro ordenado que eu faturei,
É a minha traia num saco amarrado
Num canto encostado que eu sempre guardei.

Pra mim representa um belo passado
A lida de gado que eu sempre gostei
Assim enfrentado um trabalho duro
Eu fiz o futuro sem violar a lei.

O saco é relíquia com os seus apetrechos,
Não vendo e nem deixo ninguém por a mão
Nos trancos da vida agüentei intacto
E o ouro do saco é a recordação.

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A interpretação de hoje é a da jovem violeira Bruna Viola, em um vídeo do programa "Viola minha viola".



         Um grande abraço e até a próxima

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

ORATÓRIO CAMPEIRO – PELOURINHO E DOM BOSCO




E entregaste a eles esta terra, que tinhas prometido a seus antepassados,

terra onde correm leite e mel.




Amigas e Amigos,


Se perguntarem o que Dom Bosco tem a ver com o Pelourinho, posso garantir que não tenho qualquer idéia. O motivo do título da postagem de hoje está relacionado à festa de Dom Bosco, celebrada nesta terça-feira, e a noticias sobre uma festa ocorrida no Pelourinho, em Savador-BA, no último dia 22 de janeiro.


Começo falando da festa com toques de tragédia, ocorrida em Salvador, e que, segundo a sucursal da Bahia do portal G1 (http://g1.globo.com) nesta terça-feira, resultou na perda do globo ocular de uma participante do evento. Diz a notícia do  que:
Após oito dias, a Polícia Militar  de Salvador abriu um inquérito para apurar a denúncia de agressão de um PM a uma cozinheira, no dia 22 de janeiro, durante o show do Olodum, no Pelourinho. Na ocasião, Almerinda Neves, 34 anos, estava no público do evento quando um dos policiais militares que faziam a segurança no local desferiu golpes de bastão no meio do público e um deles atingiu a cozinheira, que foi socorrida por populares. Almerinda acordou dois dias depois, após ser transferida do Hospital Geral do Estado para o Hospital do Subúrbio. No hospital ela soube que havia perdido o globo ocular do olho esquerdo. [...] Almerinda conta também sobre a preocupação com o futuro seu e do seu filho de 12 anos. "Eu dependo do meu trabalho para sustentar o meu filho. Só o senhor meu Deus para dizer se poderei voltar a trabalhar ou não", lamenta. A Polícia Militar informou que 150 agentes trabalhavam no show e que um inquérito foi aberto para investigar o caso. “Vamos verificar efetivamente o policial militar que tenha cometido essa possível infração e, uma vez identificado, abriremos um processo administrativo disciplinar através de nossa Corregedoria. O policial militar, sendo realmente o acusado identificado, será punido disciplinarmente pela PM e pode chegar ser demitido da corporação”, afirma o coordenador de Planejamento de Operações do 18° Batalhão da PM, Adilson Santana. Almerinda foi à corregedoria da PM, na Pituba, para solicitar o reconhecimento do agressor.

         Entre o acontecimento e a notícia publicada pelo G1 decorreram 8 dias. Esse tempo todo não foi suficiente para identificar o policial. E, se e quando for identificado, o policial estará sujeito a uma punição exemplar: “poderá ser expulso da corporação”. A expulsão, para mim, seria apenas uma conseqüência da possível barbárie objeto da denúncia feita pela cozinheira que perdeu um olho. A necessária exemplar punição somente poderia ocorrer após o processo e julgamento do policial acusado de agressão.

         Fica a impressão de que logo o Botafogo será esquecido da máxima popular, que passará a ser conhecida como “Têm coisas que só acontecem no Olodum”. Pois além desse acontecimento, uma notícia de 30 de maio de 2011, também do G1, dava conta de que um jovem, conhecido com Pé de Bolo, de 21 anos teria sido morto em uma festa do Olodum, também no Pelourinho, quando três mulheres e uma criança, de 11 anos, ficaram feridas pelos disparos efetuados.

         Naquela ocasião, o noticiário dizia que o presidente do Olodum teria descrito a entrada de um homem pelo telhado. Esse homem teria, segundo o presidente, ido direto a vítima já disparando tiros.

         No outro dia, 31 de maio, o portal “Correio” (http://www.correio24horas.com.br), de Salvador-BA dizia que o jovem citado na notícia anterior já havia sido identificado como traficante e que a morte fazia parte de um “ajuste de contas”. E a “fantasia” da entrada pelo telhado ganhou nova versão, segundo o “Correio”:
O acesso ao show do Olodum, no Largo Pedro Archanjo, na noite de anteontem, só era permitido após revista. “Eu estava com a máquina fotográfica e os seguranças pediram pra ver o que tinha dentro. Não entendo como aquela arma entrou”, diz uma amiga da mulher de Diogo. Segundo uma fonte ligada à segurança, o autor dos disparos entrou pela porta principal, acompanhado por duas mulheres. Em nota, a direção do Olodum informou que o autor dos disparos driblou o acesso pela portaria, que é protegida por vigilantes de uma empresa especializada contratada em todos os eventos. 

         Deixando de lado as histórias mal contadas, ocorridas na bela capital baiana, volto a lembrar São João Bosco (João Melquior Bosco), esse santo italiano nascido em 1815. Foi ordenado sacerdote em 1841 e ficou em Turim, iniciando seu apostolado de educação de crianças e jovens carentes.





         Em 1859, Dom Bosco reuniu um grupo de jovens educadores e fundou a Congregação dos Salesianos. Nos anos seguintes, fundou, também, o Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora e os Cooperadores Salesianos. Consta que quando lhe perguntavam sobre tudo o que fizera, respondia sempre, com um sorriso sereno, que: “Eu não fiz nada. Foi Nossa Senhora quem tudo fez”.

         Dom Bosco morreu no dia 31 de janeiro de 1888, foi beatificado em 1929 e canonizado em 1934. Foi proclamado “modelo por excelência para sacerdotes e educadores.

         A memória de São João Bosco é celebrada, de modo particular, em Brasília-DF, onde é o Padroeiro Arquidiocesano Secundário da própria Arquidiocese, que o honra com Paróquias, Capelas e uma Ermida, no Lago Sul, de onde é possível observar um belíssimo por do sol sobre a Capital Federal.

         Lembrando a vida e a obra de Dom Bosco, recomendo hoje uma oração para esta semana, pedindo que Dom Bosco proteja nossa juventude nas festividades onde a segurança nem sempre está a serviço dos jovens cidadãos.


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ORAÇÃO DE SÃO JOÃO BOSCO


Ó Deus, nosso Pai,

Por intercessão de São João Bosco,

Velai sobre nossos jovens.

Dai-lhes fé e força necessária

Para não se deixarem seduzir pelo mundo da droga,

Da violência e do pecado.

Que encontrem em Vós

A única Luz capaz de orientar suas vidas

E que se sintam responsáveis

Pela paz, pela justiça e pela fraternidade no mundo.

Amém!


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Para acompanhar a oração escolhida, deixo abaixo uma interpretação do Trio Ir ao Povo de uma música que lembra muito a dedicação de Dom Bosco a sua obra. Essa música é "Há mil pobres lá fora", escrita pelo Padre Zezinho.


Com votos de uma ótima semana, que a Paz de Cristo permaneça conosco!


segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

ABRINDO A PORTEIRA - LEVANTAMENTO DE GRANA PÚBLICA



Muitos julgam cumprir o seu dever pronunciando aforismos abstratos para uso alheio
em vez de pregar por meio do exemplo.
(Henrik Ibsen)



Amigas e Amigos,

         Vou abrindo a porteira para mais uma semana e fico com a impressão de que a má gestão de dinheiro público é uma doença crônica em nosso país. Ou, talvez, "levantamento de grana pública" seja mais um esporte olímpico.

         Deparei-me, na página do portal UOL sobre as Olimpíadas de 2012 (http://olimpiadas.uol.com.br), hoje, com uma nota sobre o pagamento de R$ 4,6 milhões feito pelo Ministério do Esporte a uma estatal extinta em 2011. Salienta o portal que o ministério confirmou essa informação dada pelo jornal “O Estado de São Paulo” e que o contrato foi firmado na gestão de Orlando Silva. A informação publicada diz que:
A entidade beneficiada é a Fundação Instituto de Administração (FIA), criada por professores da USP na década de 1980 e que hoje trabalha de forma independente. A empresa foi escolhida sem licitação para desenvolver estudos para “apoiar a modelagem de gestão da fase inicial de atividades da estatal”. A estatal em questão é a Empresa Brasileira de Legado Esportivo Brasil 2016, criada com o intuito de tocar projetos relacionados aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Ela foi criada em agosto de 2010, nunca chegou a ter sede ou empregados e já está em processo de extinção no Plano Nacional de Desestatização (PND). Depois de ser criada, a Brasil 2016 teve, segundo o jornal, apenas reuniões de seu conselho administrativo. O grupo era formado por funcionários de primeira linha do governo federal, entre eles a ministra do planejamento, Miriam Belchio,r e o próprio Orlando Silva. Em março de 2011, portanto seis meses depois da criação da estatal, a FIA recebeu a primeira parcela do pagamento de seus serviços. Em agosto, o Ministério do Planejamento decidiu extinguir a Brasil 2016 por entender que a Olimpíada do Rio já tem estrutura suficiente para a sua organização. Até esse momento, a consultoria havia recebido R$ 3,5 milhões em cinco parcelas. Depois da decisão pela extinção da estatal, a FIA ainda receberia mais cerca de R$ 1 milhão por conta de dois aditivos feitos ao contrato.
         O atual ministro, Aldo Rebelo, disse estar analisando todos os contratos e que essa iniciativa de “preparação de uma estatal” teria sido uma iniciativa do governo, e não de seu ministério. Acredito que será muito difícil que esse filho bastardo de “Dona Má-gestão” venha a conhecer seu pai, principalmente depois do Ministério Público caracterizar esse contrato como “estranho e atípico”.



         Afirma um dito popular que “quem tem determinado tipo de amigos, não necessita de inimigos” e parece-me que a atuação do PCdoB na pasta desportiva confirma a afirmativa do chiste. Além da denúncia veiculada hoje, na última semana – dia 24 de janeiro – a página de esportes do UOL (http://esporte.uol.com.br), informou que R$ 2,4 milhões – repassados pelo Ministério do Esporte – haviam desaparecido da conta de uma ONG de Juiz de Fora-MG, ligada o PCdoB, que deveria produzir materiais esportivos. Na matéria, pode-se ler que:
Mais de um ano após o início do contrato, em 3 de dezembro de 2010, porém, a ONG, que recebeu 100% da verba (R$ 2,409.522,44 milhões), produziu apenas 10% do material, e encerrou a produção depois disso. O próprio Ministério do Esporte, de acordo com documentos internos a que o UOL teve acesso – já encaminhados à Polícia Federal –, reconhece os indícios de desvio de recursos públicos e favorecimento a pessoas ligadas ao PC do B (Partido Comunista do Brasil) no uso das verbas cedidas à ONG. O partido comanda o Ministério do Esporte desde 2003. Atualmente, as atividades do Instituto Cidade estão paralisadas. A reportagem esteve em Juiz de Fora e encontrou uma fábrica de material esportiva vazia. Um funcionário informou que tinha dispensado os mais de 40 trabalhadores, já que não havia dinheiro para produzir qualquer material ou efetuar pagamentos. O ex-Secretário Nacional de Esporte Educacional, Wadson Ribeiro, teve como cabo eleitoral em 2010 o presidente da ONG Instituto Cidade, José Augusto da Silva, acusado de desviar recursos do Ministério do Esporte. O UOL teve acesso à lista de pessoas que receberiam o benefício. 15 delas seriam  filiadas ao PC do B. Apesar desses indícios de graves irregularidades, o convênio do ministério com o Instituto Cidade ainda não foi rescindido.
         Conforme o Ministério do Esporte – informação também do UOL – das 8.000 bolas encomendadas, nenhuma foi produzida; das 2.000 redes de futsal e vôlei, apenas 400 foram entregues; de 60.500 camisetas, somente 26.000 foram produzidas e dos 61.250 bonés encomendados, somente 4.900 ficaram prontos. A informação traz, ainda, que bandeiras deveriam ter sido produzidas, mas nenhuma foi entregue.

         Somente estas duas denúncias trazem números perto dos R$ 10 milhões surrupiados dos cidadãos brasileiros. Se imaginarmos que desvios de dinheiro público, aqui no país, são descobertos quase por acaso e podem representar um percentual ínfimo do que efetivamente ocorre, podemos imaginar um Brasil com bem menos problemas de educação, saúde e segurança do que o visto atualmente. Isso sem considerar que a exorbitância paga pelos cidadãos em forma de impostos – em não raras vezes pagos mais de uma vez para determinada movimentação de valores – poderia ser bem mais racional se não considerasse, na hora do cálculo, o “desaparecimento” de parte da arrecadação.

         A pergunta que fica é: alguém acredita que após esses – e alguns outros – casos de corrupção desvendados, alguma moedinha, de toda a dinheirada abstraída dos cofres públicos, retornará ao seu devido lugar? Sentados e bem acomodados, esperemos...

         Para que a semana não comece muito “azeda”, a música de hoje é “Fazenda São Francisco”, de Jesus Belmiro e Paraíso, na interpretação de Zico & Zeca. Os integrantes da dupla Zico (Antônio Bernardes Paulino da Costa) e Zeca (Domingos Paulino da Costa)  são irmãos de Liu & Léu e primos de Vieira & Vieirinha.




Um grande abraço e até a próxima!