sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

GALERIA SERTANEJA - LEGÍTIMO DOUTOR

Amigas e Amigos!


            Hoje, pela manhã, estava ouvindo a BandNews FM, em Brasília, quando o Ricardo Boechat, com grande surpresa, comentava a destruição da única pista do Aeroclube de João Pessoa-PB. O fato não chamaria a atenção se os hangares estivessem vazios, mas não estavam.

            Em busca de mais detalhes sobre o assunto, encontrei na Folha de São Paulo (http://www.folha.uol.com) um texto sobre o assunto que transcrevo, parcialmente, abaixo:
A Prefeitura de João Pessoa destruiu na noite de terça-feira (22) a pista do Aeroclube da Paraíba. A área, localizada num bairro nobre da capital paraibana e cercada por prédios, é disputada pela administração do aeroclube e pela prefeitura, que pretende construir um parque no local. A demolição aconteceu horas depois de a prefeitura conseguir na Justiça uma liminar que garantia a posse do imóvel. A decisão acabou sendo derrubada poucas horas depois, e a posse do aeroclube voltou para os administradores, mas as máquinas levadas até o local já haviam arrancado grandes trechos do asfalto, impedido o uso da pista. Segundo o aeroclube, que funciona no local desde 1964, os proprietários dos aviões e dos ultraleves estacionados nos hangares não foram notificados e agora cerca de 40 aeronaves estão paradas no local sem poder decolar, inclusive um avião que faz transporte de medicamentos. Sem pista, as aeronaves terão que ser desmontadas ou rebocadas para outro local.

            No portal Paraíba Verdade (http://www.paraibaverdadehoje.com.br), encontrei mais detalhes sobre a confusão criada, provavelmente, por falta de diálogo ou excesso de truculência. Diz o portal que:
A juíza da 3ª Vara da Justiça Federal, Cristina Garcez, decretou na tarde desta quarta-feira (23) a anulação da desapropriação do Aeroclube da Paraíba pela Prefeitura de João Pessoa. Em sua decisão a juíza decretou uma liminar antecipando a tutela de que a competência para a desapropriação é apenas da União. Essa decisão impede que “qualquer ato administrativo e/ou judicial que dê concretude e sequência ao Decreto Municipal Expropriatório ora questionado”.

            Ainda segundo o portal Paraíba Verdade, após um encontro com políticos e autoridades da Paraíba, nesta quinta-feira, o Ministro da Defesa, Nelson Jobim, teria considerado:
o ato da Prefeitura arbitrário e criticou, inclusive, a decisão judicial que culminou com a destruição da pista. Segundo Jobim, a competência para decidir sobre o Aeroclube de João Pessoa é federal. “Só a União pode interferir sobre o Aeroclube. Nem o Governo do Estado nem governos municipais têm esta competência”, disse o Ministro.

            O Aeroclube da Paraíba, em Nota na sua página na Internet, esclarece que:
... no último dia 13/01, a Diretoria do Aeroclube esteve reunida com representantes da Prefeitura de João Pessoa para tomar conhecimento da proposta e dos planos da edilidade diante da inesperada declaração de utilidade pública do terreno onde hoje funciona o único aeródromo de João Pessoa; [...]no decorrer da reunião, recebemos uma proposta muito aquém do que esperávamos.

            Conforme a Folha de São Paulo, o entendimento da prefeitura é outro, pois:
Em nota, a Prefeitura de João Pessoa afirmou que nenhuma atitude foi tomada de "forma ilegal" e que o governo municipal "não pode ser acusado de truculento ou de intransigente pela direção do aeroclube", já que um decreto com a desapropriação foi publicado e R$ 5 milhões foram pagos pela área, mas a oferta não foi aceita pelo Aeroclube da Paraíba.

            Deixar um aero - clube, porto ou seja lá o que for - cheio de aviões no solo e sem pista de decolagem poderia ser associado, talvez, com excesso de vaidade ou com burrice. Pior que qualquer uma dessas opções pode ser o acúmulo das duas. Essa certeza de todos os envolvidos de estarem absolutamente coerentes em suas posições, lembrou-me o Dr. Clemente, da música escolhida hoje para nossa Galeria Sertaneja. A música tem por título “Legítimo Doutor”, de Geraldinho e Zeca, da qual, abaixo, transcrevo a letra.


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LEGÍTIMO DOUTOR


Foi nascido entre a medicina

O nome famoso de doutor Clemente

Operando já tinha salvado

Uma infinidade de paciente

Chegou a ficar convencido

Ter ultrapassado Deus onipotente

Recebia bastantes elogios

Que eram prestados pelos seus clientes

Apertava o diploma no peito

E dizia desse jeito

Eu garanto vida com esta patente



A sua maior fortuna que tinha

Considerado em mãos

Era uma filha somente

Ela era as cordas de seu coração

Mas por ele sendo examinada

Foi quando encontrou uma estranha lesão

Apesar da moléstia incurável

Podia tentar por uma operação

Prevenindo a sua família

Dizia que a filha

Marcava a derrota em sua profissão



Certa noite seu lar se alarmou

Pela forte crise que ela sofreu

Carregando a menina nos braços

Lá pro hospital quase louco correu

Me preparem a sala depressa

Disse pra enfermeira e na hora tremeu

Muito embora eu não tenha esperança

Mas devo cumprir com o dever meu

Vou usar a ciência em defesa

Da maior riqueza

Que aqui nessa terra a vida me deu



Uma imagem de Jesus na sala

Quando o grande clinico a ela destina

O sucesso da minha carreira

Chegou o momento que agora termina

Nada espero da ciência da terra

Por isso eu entrego à ciência divina

As pessoas que eu tenho salvado

Não é importante quanto esta menina

Essa hora é a mais traiçoeira

Da minha carreira

Que desconhecia em toda medicina



Depois disso sentiu-se capaz

A grande coragem pra ele surgiu

Como fosse uma pessoa estranha

Foi logo operando e a criança reagiu

E provando a presença divina

Nem a cirurgia tampouco sentiu

Recebendo os cuidados do pai

Aquele rostinho logo sorriu

Vendo ela fora do perigo

Louvava consigo

O grande milagre que ele conseguiu



Sua esposa lhe abraçou dizendo

Na realidade és um salvador

Vai agora abraçar seu diploma

E ele depressa num gesto de amor

Apanhou a imagem da parede

Apertou em seu peito e com ar inferior

Eu dispenso o seu elogio

Pra não me tornar maior pecador
Minha ciência já está superada

Você está enganada

Estou abraçando o legitimo Doutor.

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              Agora, vamos ouvir os irmãos Liu (Linconl Paulino da Costa) & Léu (Walter Paulino da Costa) - dupla de Itajobi-SP -, cantando "Legítimo Doutor", gravação de 1977.




            Ao final da Galeria Sertaneja de hoje, deixo um grande abraço para todos!

Wilmar Machado

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

TERTÚLIA NATIVA - (DES)ARRANJOS EM BOTIRAMA?

Amigas e Amigos!

          A Tertúlia Nativa de hoje nos remete para a página do Correio do Povo (http://www.correiodopovo.com.br/), de Porto Alegre-RS, que trouxe uma nota sobre a participação da presidente Dilma no XII Fórum dos Governadores do Nordeste, onde uma bagunça de sua assessoria deu lugar a uma inoportuna e ufânica advertência. Diz a referida nota que:
A presidente Dilma Rousseff deu uma bronca na sua equipe durante sua apresentação no XII Fórum dos Governadores do Nordeste, que ocorre em Barra dos Coqueiros, município próximo a Aracaju, em Sergipe. Dilma citava experiências que disse considerar de sucesso, como Arranjos Produtivos Locais (APLs) no Nordeste. "Há de se dar suporte e fazer com que se reproduzam experiências de sucesso, como é o caso de Botirama, não é Eduardo (Campos, governador de Pernambuco pelo PSB)?", indagou a presidente, que logo foi corrigida por ele quanto ao nome do município pernambucano. Diante da observação, Dilma não se conteve: "Não é Botirama? Eu falei para vocês que não é Botirama. Vocês vejam o que é uma ótima assessoria. Eles acharam esse Botirama na internet", disse a presidente. A cidade que Dilma queria citar é Toritama, no semiárido de Pernambuco, conhecida por ser polo de confecção de jeans. A presidente também falou da criação de uma Secretaria Nacional de Irrigação e voltou a citar o Ministério de Micro e Pequenas Empresas, uma de suas promessas de campanha.

          “Eles acharam esse Botirama na internet”, disse a presidente, mas fico com a dúvida sobre a página de busca utilizada pelos assessores. Se fosse Ibotirama, que fica na Bahia, seria mais fácil o meu entendimento da confusão. Botirama tem, na internet, como identificação de um bar e mercearia em São Paulo que, penso, não deve trabalhar muito com Arranjos Produtivos Locais (a menos que isso tenha a ver com a exposição de hortifrutigranjeiros).

          Nessa verdadeira mistura de “alhos com bugalhos”, lembrei de um caso do livro “Contando Causos”, de Rolando Boldrin, da Editora Nova Alexandria (páginas 141-143), que reparto com vocês logo a seguir.

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O TURCO DO BAZAR
                          Rolando Boldrin


          Como era tretêro (embrulhão) o sêo Salim, dono de um bazarzinho num vilarejo chamado Bacuri, pertinho da minha terra. Ele fora, noutros tempos, aquele mascate que carregava nos ombros, pelas roças, um punhado de gravatas coloridas e muitas sacolas, com rendas, alfinetes, colchetes e até calcinhas de mulher. Tudo para vender, com a intenção de abrir uma lojinha de armarinhos, exatamente o que acabou acontecendo algum tempo depois.

          Mas para contar esse causo, é preciso ir para outro assunto. O da imagem dos santos da Igreja Católica. É sabido que todos os santos têm um detalhe para ficar mais fácil sua identificação junto aos fiéis. Por exemplo: São Sebastião é aquele que tem flechas cravadas no corpo; Santa Luzia, protetora da vista da gente, carrega um pratinho com dois olhos expostos; o glorioso São Jorge, montado num cavalo bonito e com uma lança, briga feio com um dragão; São Pedro, o porteiro do Senhor, traz nas mãos uma grande chave para simbolizar a abertura da porta do céu. Enfim: cada um dos santos tem uma marca inconfundível.



          No causo que conto agora, a cumadi caipira lá de Bacuri, depois que seu quadro de São Jorge (sua devoção) foi danificado pelo fogo da lamparina de querosene, resolve comprar um quadro novo. Para isso, intima seu filho pequeno, o Juquinha, para que vá até o bazar do sêo Salim para comprar uma gravura do santo. E lá vai o garoto.

JUQUINHA – Sêo Salim! A mãe mando eu aqui móde cumpra um quadro de São Jorge.

          Salim procura entre tantos quadros de santo que tinha para vender e não encontra nenhum de São Jorge. Então, pega um quadro de São Pedro e o entrega ao Juquinha.

SALIM – Bronto.Bode leva este. Este é Son Jorge.

JUQUINHA – Brigado, sêo Salim.

          Ao chegar em casa, a velha caipira, católica fervorosa – e portanto conhecedora dos detalhes de todos os santos do mundo –, ao se deparar com o quadro de outros santo, que não o seu querido guerreiro em riba do cavalo, esbraveja.

MÃE – Esse sêo Salim é tretêro, mêmo. Pensa que eu sô besta? Pode levá de vorta, Juquinha. Diz pro sêo Salim que esse num é meu São Jorge. O meu santo tá montado num cavalo bonito. Esse num tem cavalo. Vorta lá depressa, anda!

          Juquinha então aparece de novo no bazar do sêo Salim.

JUQUINHA – Sêo Salim! Minha mãe ficô brava. Ela disse que o São Jorge dela num é esse santo. Que o São Jorge tem cavalo bonito. Esse tá com uma chave na mão, ué.

SALIM – Fala brá tua mamãezinha que este é Son Jorge sim sinhora. Ele tinha cavalo antes, quando era pobre. Agora, ficô rico, melhorou de vida, combrô tomóve. Olha a chave da carro na mão dele. Leva este mesmo, menino, e nom me enche a saco!

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          Para concluir nossa Tertúlia de hoje, vamos ouvir de Tonico, Criolo e Nhô Crispim, a música “Campeiro” - que apresenta um devoto de São Jorge -, na interpretação da dupla Tonico & Tinoco.

 
          Até a próxima Tertúlia Nativa. Um grande abraço para todos!
 
Wilmar Machado

ABRINDO A PORTEIRA - COINCIDÊNCIAS OU MARACUTAIAS

Amigas e Amigos!   


          Neste final de segunda-feira, abro a porteira para que mais uma semana passe deixando boas novas, mas me deparo com uma notícia não muito agradável sobre o programa Segundo Tempo.

          Para entender um pouco do que é esse programa recorri à página do Ministério do Esporte, sobre a Iniciação Esportiva Educacional Segundo Tempo, ou simplesmente Segundo Tempo, onde se pode ler:
O Segundo Tempo como Programa Estratégico do Governo Federal tem por objetivo democratizar o acesso à prática e à cultura do Esporte de forma a promover o desenvolvimento integral de crianças, adolescentes e jovens, como fator de formação da cidadania e melhoria da qualidade de vida, prioritariamente em áreas de vulnerabilidade social.

          O portal do Estadão (http://www.estadao.com.br), que se encontra sob censura há 570 dias, informou que a ONG (organização não governamental) Bola Pra Frente, dirigida pela vereadora Karina Rodrigues(ex-jogadora de basquete), do PCdoB, estaria cobrando uma taxa para implementação do programa federal Segundo Tempo, do Ministério do Esporte – que, talvez por coincidência, é comandado por Orlando Silva, também filiado ao PCdoB. Segundo o Estadão:
Para beneficiar 600 crianças na cidade de Cordeirópolis com o projeto do governo federal, a Bola Pra Frente cobrou da prefeitura uma taxa mensal de R$ 15 por aluno. Segundo os documentos, a prefeitura teve de pagar R$ 90 mil no ano passado para a ONG, em parcelas mensais, num prazo de 10 dias, após o "recebimento dos serviços". O prefeito da cidade decidiu não pagar mais pela intermediação, não renovou o contrato, e pediu em novembro passado, por ofício, a parceria direta ao Ministério do Esporte para "viabilizar a continuação do Programa Segundo Tempo" sem a necessidade de "empresas para assessoria". Até a semana passada, o ministério não havia respondido à prefeitura de Cordeirópolis.


         É interessante observar que, segundo a matéria, a ONG Bola Pra Frente, sem licitação – como assim? –, detém a prerrogativa de implementar o programa Segundo Tempo no interior paulista, o que a tornou a maior receptora de recursos providos pelo programa do Ministério do Esporte. Tudo isso fica um pouco mais preocupante se considerarmos a continuidade do texto do Estadão onde se pode ler que:
Em entrevista ao Estado, Karina Rodrigues admitiu que o prefeito que não paga não leva o programa do governo federal. "Eu não tenho como implantar o projeto na cidade dele", disse. Karina fundou a ONG e hoje atua como "coordenadora-geral". Recebe R$ 5 mil oficiais de salário da entidade. "A Bola pra Frente é a principal referência dentro do Segundo Tempo", disse o ministro Orlando Silva numa visita à cidade de Jaguariúna (SP).
          Ao final da matéria, o Estadão recorda que:
Reportagens publicadas ontem pelo Estado mostraram que o programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte, serve para gerar dividendos eleitorais e financeiros ao PC do B em todo o País. A reportagem visitou o programa em São Paulo, Piauí, Santa Catarina, Brasília e Goiás e flagrou entidades de fachada recebendo recursos do projeto, núcleos esportivos fantasmas, outros abandonados ou em condições precárias com crianças expostas ao mato alto e todo tipo de detritos. Em algumas unidades faltam uniforme e calçados para as crianças, os salários de funcionários estão atrasados e a merenda, vencida.

          Em sendo verdade tudo o que foi escrito pelo portal, fica ainda a dúvida sobre a declaração do Ministro sobre a Bola Pra Frente ser a “principal referência”. Referência em ...?
          A única "referëncia" recordada aqui é a utilizada por Mário Barbará Dorneles e Sérgio Napp na música "Desgarrados", interpretada, abaixo, pelo próprio Mário Barbará. Espero que os programas do Ministério do Esporte não leve a nossa juventude para esse difícil caminho por conta de  "duvidosas amizades", de competência ainda mais duvidosa.  
 
 
          Está aberta a porteira para mais uma semana. Grande abraço!
 
Wilmar Machado

domingo, 20 de fevereiro de 2011

PROSA DE DOMINGO - RAPADURA É DOCE, MAS...

Amigas e Amigos!

          A prosa deste domingo é sobre uma matéria publicada no portal G1 (http://g1.globo.com/) sobre um tragicômico acidente envolvendo uma professora e a polícia do interior de São Paulo-SP. A professora Angélica Batista viajava de ônibus da capital de São Paulo para Ourinhos, no interior, quando recebeu voz de prisão por portar - pasmem - rapadura (é mole?).



          No portal G1, está registrado que:
Um tablete de rapadura gerou confusão nesta sexta-feira (18), durante operação policial em Ourinhos, a 378 km de São Paulo. Com informações de que uma mulher iria transportar drogas de São Paulo até a cidade em um ônibus, policiais civis revistaram vários veículos em uma base da Polícia Rodoviária de Santa Cruz do Rio Pardo. Em um dos ônibus parados durante a operação, eles encontraram um suposto entorpecente dentro da bolsa da professora Angélica Jesus Batista. A polícia deu voz de prisão ainda dentro do veículo. A mulher chegou a ser algemada. Segundo Angélica, a policial que a abordou disse que era muita droga e a algemou na frente de todo mundo, enquanto ela era retirada do ônibus. Depois, constatou-se o engano. O que os policiais pensavam ser crack era, na verdade, um tablete de rapadura que a professora levava de presente. Em seguida, a professora foi liberada.
          Sobre a "trapalhada policial", o Extra (http://extra.globo.com/) publica uma declaração da professora sobre a "aquisição da referida droga":
- Eu e minha mãe estivemos na Bahia e trouxemos rapadura, requeijão. Era um presente para minha sogra e meu namorado, mas eles confundiram com a droga - disse. Depois do mal entendido a professora foi liberada. Ela registrou boletim de ocorrência por constrangimento. A verdadeira traficante foi presa horas depois em outro ônibus portando 2 kg de crack. O delegado seccional de Ourinhos, Amarildo Aparecido Leal, diz que os policiais usaram o procedimento padrão diante da situação, mas que mesmo assim o caso será investigado. - Os policiais são obrigados a agir com cautela, mas o caso vai ser analisado. Foi preciso garantir a segurança dos passageiros do ônibus e do próprio policial - diz o delegado.
          "Segurança dos passageiros do ônibus e do próprio policial" é a declaração do delegado preocupado porque a "perigosíssima" professora portava, além de rapadura, uma violenta dose de requeijão baiano, que pode ser letal se manipulado por guerrilheiros treinados por determinadas facções terroristas...

          Se o delegado já tem absoluta certeza - tirada sabe-se lá de onde - de terem os policiais se utilizados do procedimento padrão para a situação -, fica a dúvida sobre a necessidade de investigar um caso em que os "padrões" (para abordagem de portadores de rapadura baiana) foram seguidos. Será que a "análise" do caso servira para previnir que outros traficantes - ou usuários - de rapadura fiquem alertas porque a polícia não vai dar moleza.

           Lembrei-me de que existem diversas campanhas, nas mais diversas mídias, para protejer a mulher da violência doméstica - chocante para todos, acredito. Mas surgiu uma pergunta enquanto escrevia: Quem defenderá a mulher da violência policial? 

            Enquanto não surgem respostas para a dúvida levantada, o melhor - penso - é ouvir o grupo "Trem da Viração", cantando de Cauíque Bonsucesso e Beto Jaguary, a música "Rapadura".       

          Para encerrar a prosa deste domingo, deixo um grande abraço para todos!
 
Wilmar Machado

sábado, 19 de fevereiro de 2011

COM O PÉ NO ESTRIBO - PROBRES, RICOS E CONVERSA MOLE...

Amigas e Amigos!

          A semana encerra com a notícia do encontro dos ministros de finanças do G20 (grupo de países ricos e dos principais emergentes) na França para adoção de indicadores que permitam avaliar os desequilíbrios globais. Na página de Economia do portal G1 (http://g1.globo.com/) tem uma matéria, informando que:
A reunião, que teve início na véspera com uma recepção e um discurso oferecido pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, deve finalizar no meio da tarde com um comunicado que deve indicar o grau de aproximação produzido na questão dos indicadores, assunto que a delegação alemã demonstrou otimismo neste sábado. [...] O representante chinês, Xie Xuren, mostrou sua oposição que, entre os indicadores para avaliar os desequilíbrios globais, se incluam as taxas de câmbio e as reservas de divisas. [...] O ministro brasileiro, Guido Mantega, concordou com seu colega chinês em opor-se a limitação das reservas de câmbio, pelo menos enquanto persistir o atual sistema monetário internacional onde o dólar segue monopolizando o espaço. [...] Para o titular brasileiro também não é interessante utilizar como indicador dos desequilíbrios a balança de conta corrente, já que como os chineses estimam que os intercâmbios de serviços e os fluxos de capitais são elementos que podem distorcer o fundamental, os saldos comerciais.

          É interessante perceber o interesse do "grupo de poderosos (ainda que alguns não muito)" em diminuir desequilíbrios globais. Difícil é entender a defesa dessa "bandeira" ao pensar que o mesmo ministro que defende essas idéias, após ter o seu salário majorado (com aumento sem qualquer explicação convincente), defendeu o valor mais baixo para o salário mínimo (não faço aqui qualquer juízo de valor sobre se esse seria ou não o melhor valor para o referido salário mínimo), com pressão sobre os parlamentares.



          Essas coisas que acontecem por aqui, de repente não tem nada a ver com "desequilíbrio global", mas acredito que fomentam o "desequilíbrio nacional", onde o rico está cada vez mais rico e o pobre cada vez mais pobre (mesmo com a infinidade de bolsas eleitoreiras que são distribuídas).

          Aí, para manter o ritmo do Com o Pé no Estribo de hoje, convido a ouvirmos Luís Goiano & Girsel da Viola com a múscia "O Pobre e o Rico". 


          Por ora, para terminar a semana, coloco o pé no estribo e deixo um grande abraço. Até a próxima.

Wilmar Machado

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

GALERIA SERTANEJA - A JÓIA VIVA DA MÚSICA CAIPIRA

Amigas e Amigos!


          A Galeria Sertaneja de hoje presta uma homenagem a grande dama da música caipira, Inezita Barroso – nome artístico de Ignez Magdalena Aranha de Lima, que nasceu em São Paulo, no dia 4 de março de 1925.

          Na noite da última sexta-feira (11/02), Inezita – prestes a completar 86 anos e já com 60 anos de vida artística – iniciou a gravação de seu primeiro DVD, ao vivo, na cidade de Campinas-SP. Mencionei que iniciou porque ela não conseguiu, como planejara, gravar as 22 músicas previstas.


          O portal Terra (www.terra.com.br), no dia 12/02 informou que ela passou mal, e abandonou a gravação do DVD, com a seguinte nota:
Inezita se apresentou por cerca de duas horas, cantou 13 músicas das 22 previstas para apresentação, mas deixou o palco para tomar água e não retornou. O show começou às 21h e ela saiu do palco por volta das 23h30. A produção e os organizadores pediram desculpas para a plateia estimada em mais de mil pessoas, entre as quais havia muitas crianças. Informaram que a artista estava bem, porém precisava descansar. Não foi informado ainda se haverá uma segunda apresentação. [...] A cantora estava acompanhada do Regional, um grupo de músicos que atua com ela no programa Viola Minha Viola, no ar há 30 anos na TV Cultura de São Paulo. Inezita abriu com Boiadeiro Errante (Teddy Vieira) passando por Caipira de Fato (Adauto Santos), Perto do Coração (João Pacifico e Raul Torres), Cafezal em Flor (Luis Carlos Paraná), Colcha de Retalhos (Raul Torres),Ronda (Paulo Vanzolini) entre outras do seu repertório mas deixou de entoar seu sucesso mais popular Marvada Pinga(domínio público).
          Sobre Inezita Barroso, pode-se encontrar na “Wikipédia, A enciclopédia livre” (www.wikipedia.com.br) que ela:
é uma cantora, atriz, instrumentista, folclorista, professora, doutora Honoris Causa em folclore e arte digital pela Universidade de Lisboa e apresentadora de rádio e televisão brasileira, atuando também em shows, discos, cinema, teatro e produzindo espetáculos musicais de renome nacional e internacional. Nascida numa família aristocrática e apaixonada pela cultura e, principalmente, pela música brasileira, Inezita começou a cantar e tocar violão e viola desde pequena, com sete anos. Estudiosa, matriculou-se no conservatório e aprendeu piano. Formou-se em biblioteconomia pela USP, antes de se tornar cantora profissional, em 1953. Com o primeiro disco, vieram também os primeiros sucessos: o clássico samba Ronda, de Paulo Vanzolini e a caipiríssima Moda da Pinga, de Ochelsis Laureano e Raul Torres, que se tornou a mais célebre das interpretações. [...] Desde 1980 comanda o programa de música caipira Viola, Minha Viola, pela TV Cultura de São Paulo. [...] Inezita Barroso é reconhecida também como atriz de teatro e cinema. Por onde atuou, ela ganhou prêmios importantes, como o Troféu Roquette Pinto, como Melhor Cantora de rádio; o prêmio Guarani, como melhor cantora em disco, além de ganhar também o Prêmio Saci de cinema. Em 2003, foi condecorada pelo governador de São Paulo Geraldo Alckmin com a Medalha Ipiranga, recebendo o título de comendadora da música raiz.
          Para homenagear Inezita, essa jóia viva da Música Caipira (com maiúscula, sim, Senhor!), escolhi uma música marcante para todos os que gostam do humor presente em tantas de nossas músicas mais populares. A escolhida de hoje é "Marvada Pinga" - também conhecida como "Moda da Pinga" - cuja autoria, apesar de toda a confusão até aqui, é esclarecida em nota de rodapé na página 70 do livro "Moda Caipira: da roça ao rodeio", de Rosa Nepomuceno:
No 78 rpm de 1953, de Inezita, o autor é Laureano; no selo de outros discos, do mesmo ano, é Cunha Júnior; mais tarde oficializou-se a autoria de Raul Torres e Laureano; Torre a gravara como "Festança no Tietê", em 1939. em 1958 Inezita a regravou com alguns versos de Paulo Vanzolini, sem que este entrasse nos créditos.
          Publico, abaixo, a letra da gravação de Inezita Barroso, com as adaptações citadas.

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MARVADA PINGA

                                                             Ochelcis Aguiar Laureano e Raul Torres

Co'a marvada pinga é que eu me atrapaio

Eu entro na venda e já dô meu taio

Pego no copo e dali num saio

Ali mesmo eu bebo, ali mesmo eu caio

Só pra carregá é queu dô trabaio, oi lá!



Venho da cidade, já venho cantando

Trago um garrafão que venho chupando

Venho pros caminho, venho trupicando

Chifrando os barranco, venho cambeteando

E no lugar que eu caio já fico roncando, oi lá!



O marido me disse, ele me falô

Largue de bebê, peço pro favor

Prosa de home nunca dei valor

Bebo com o sor quente pra esfriá o calô

Se bebo de noite é pra fazer suadô, oi lá!



Cada vez que eu caio, caio deferente

Meaço pra trás e caio pra frente

Caio devagar, caio de repente

Vou de currupio, vou deretamente

Mas sendo de pinga eu caio contente, oi lá!



Pego o garrafão e já balanceio

Que é pra mode vê se tá mesmo cheio

Num bebo de vez por que acho feio

No primeiro gorpe chego inté no meio

No segundo trago é que eu desvazeio, oi lá!



Eu bebo da pinga porque gosto dela

Eu bebo da branca, bebo da amarela

Bebo nos copo, bebo na tigela

Bebo temperada com cravo e canela

Seja quarqué tempo vai pinga na goela, oi lá!



Eu fui numa festa no rio Tietê

Eu lá fui chegando no amanhecê

Já me deram pinga pra mim bebê

Já me deram pinga pra mim bebê, tava sem fervê, oi lá!



Eu bebi demais e fiquei mamada

Eu caí no chão e fiquei deitada

Aí eu fui pra casa de braço dado

Ai de braço dado é com dois sordado

Ai, muito obrigado!

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          Para completar a postagem de hoje, vamos ouvir a interpretação da Diva da Música Caipira, Inezita Barroso, aqui no blog do programa Canto da Terra.


          Encerro aqui a Galeria de hoje. Logo abaixo, tem espaço para vocês marcarem se gostaram ou não da "marvada". Podem deixar, também, um comentário. Até a próxima e um grande abraço.

Wilmar Machado

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

ABRINDO A PORTEIRA - NOVOS e-MAILS E VELHAS CARTAS...

Amigas e Amigos!

          Recebi, tanto em meu e-mail pessoal quanto no do programa Canto da Terra, mensagens de amigos – alguns até muito empolgados – com um texto de Luís Fernando Veríssimo sobre a décima primeira edição do Big Brother Brasil.

          O referido texto (algumas vezes, carrega o título “A Vergonha – crônica de Luiz(sic) Fernando Veríssimo sobre o BB”; outras, vem somente com assunto, no e-mail, preenchido com a expressão “Eu odeio o BBB – a pura verdade”; e, ainda outras, é apresentado com “O BBB (segundo Luiz(sic) Fernando Veríssimo)” carrega um falso moralismo, ácido, e alguns momentos de preconceito indisfarçável. Por tudo isso, desconfiei da autoria atribuída e continuei “navegando” na Internet.

          Encontrei uma crônica do dia 30 de janeiro deste ano, no blog do Noblat (http://oglobo.globo.com/pais/noblat), assinada por Luís Fernando Veríssimo e com o título “Não é meu”. Nessa crônica, Veríssimo escreve que:
Hoje não só se apagam como se acrescentam pessoas ou se alteram suas feições, sua idade e sua quantidade de cabelo e de roupa, em qualquer imagem gravada. A frase “prova fotográfica” foi desmoralizada para sempre, agora que você pode provar qualquer coisa fotograficamente. [...] Se a prova fotográfica não vale mais nada nestes novos tempos inconfiáveis, a assinatura muito menos. Textos assinados pela Martha Medeiros, pelo Jabor, por mim e por outros, e até pelo Jorge Luís Borges, que nenhum de nós escreveu — a não ser que o Borges esteja mandando matérias da sua biblioteca sideral sem que a gente saiba —, rolam na internet [...] Agora mesmo está circulando um texto atacando o “Big Brother Brasil”, com a minha assinatura, que não é meu. Isso tem se repetido tanto que já começo a me olhar no espelho todas as manhãs com alguma desconfiança. Esse cara sou eu mesmo? E se eu estiver fazendo a barba e escovando os dentes de um impostor, de um eu apócrifo? E – meu Deus – se esta crônica não for minha e sim dele?!

          Dada a quantidade de locais em que encontrei o falso texto, publicado com se efetivamente fosse de L.F. Veríssimo (se acharem que estou exagerando, usem uma página de busca na Internet para comprovação), fiquei imaginando se, daqui a pouco, aparecer o “verdadeiro” e medroso (ou, talvez, covarde) autor, dizendo: “Sim, fui eu mesmo que escrevi este texto. Eu, Luís (ou Luiz como divulgado) Fernando Veríssimo”. Será difícil para o verdadeiro e reconhecido Veríssimo provar que ele é ele mesmo. Até lá, os textos apócrifos não serão promovidos, ainda que (por deslumbramento, talvez, de quem os recebe) estejam a cada dia se espalhando mais.

          Sem querer fazer qualquer tipo de censura (muito pelo contrário), acredito que cada um tem o direito de ler qualquer disparate que receba em seu e-mail. Gostaria de pedir, apenas, que não sejam tão rápidos ao repassar essas parvoíces para seus amigos, pois fico muito preocupado de que, muito em breve, amigos “repassadores dinâmicos de e-mail” acabem por se tornar “spams” nas caixas postais dos receptores de suas mensagens. E isso poderá ser “trágico” para a amizade, se descoberto...


          Recordando um tempo em que “sobrevivíamos” sem e-mail, fui buscar no cancioneiro popular a música “Velhas Cartas”, de Tonico e Paioça, interpretada, aqui no blog, por Nardel Silva e Os Oliveiras.



          Se sua caixa postal anda "cheia" dada a boa vontade de seus amigos, use o espaço de comentários, abaixo, para desabafar. Por aqui, deixo da porteira do Canto da Terra aberta para mais uma semana. Grande abraço!

Wilmar Machado