quinta-feira, 24 de novembro de 2011

GALERIA SERTANEJA – O GATO (E OUTROS) FÉLIX



Os que acreditam que o dinheiro faz tudo
provavelmente estão dispostos a fazer tudo pelo dinheiro.
(H. Beauchesne)


Amigas e Amigos,

               Os jornais do estado de São Paulo amanheceram com matérias sobre a prisão da mulher, filhos e cunhadas do prefeito da cidade de Limeira-SP, Sílvio Félix, na madrugada e na manhã desta quinta-feira, dia 24, em uma operação do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e do MP (Ministério Público) daquele Estado.

               Depois das denúncias de fraudes administrativas na cidade de Campinas-SP, conforme comentado neste Blog na postagem “TERTÚLIA NATIVA - "ROLOS" E TOUROS...”, parece que os apenas 60 km que separam essas duas cidades paulistas facilitaram o alastramento da corrupção na esfera pública (por coincidência, ou não, as prefeituras são comandadas pelo PDT).

               A primeira-dama de Limeira, Constancia Berbert Dutra da Silva, conhecida como Constancia Félix, é uma das 11 pessoas que foram presas por suspeita de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, sonegação fiscal, furto qualificado e formação de quadrilha. A Srª. Félix, além de primeira-dama, é chefe de Gabinete do deputado de Ribeirão Preto, Rafael Silva, também do PDT.

               No portal EPTV (http://eptv.globo.com), pode-se encontrar matérias sobre as prisões de todos os suspeitos e outras informações sobre o caso como:
Os valores da lavagem de dinheiro, segundo o MP, podem ultrapassar os R$ 20 milhões. Documentos e computadores foram apreendidos nas casas dos suspeitos e todos foram levados para a Delegacia Seccional da cidade. O prefeito Sílvio Félix (PDT) disse não saber o que está acontecendo. A prefeitura de Limeira ainda não se pronunciou sobre as prisões.

               A família “nadando de braçadas” (no mar do dinheiro público) e o prefeito (provavelmente por excesso de trabalho) sem perceber qualquer “nota” suspeita no pagamento das suas contas. A dúvida sobre a população matinal dos camburões é se o número de ocupantes presos não teria aumentado caso foro privilegiado e imunidades valessem apenas para decisões tomadas no exercício do cargo. Enquanto lia a matéria acima, lembrei de um personagem de desenhos animados, criado nos tempos do cinema mudo, o Gato Félix, que também era dado a aventuras surrealistas.



               Como o dia é de letra e música aqui no Blog, escolhi uma história de um fronteriço apaixonado, que fala com carinho da própria família e que, ao contrário de felinos personagens, deve acompanhar os passos de seus familiares e não deve usar seus parentes como “laranjas” (talvez, azedas). Abaixo, publico a letra de “Barranca e Fronteira”, de autoria de Antônio A. Fagundes e Luís Telles.

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BARRANCA E FRONTEIRA



                                                  (Antônio Augusto Fagundes e Luiz Telles)



Quando chega o domingo, eu encilho o meu pingo que troteando sai

Rumo as velhas barrancas e histórias tantas do Rio Uruguai.

Eu sou fronteiriço de rédea e caniço e o perigo me atrai

Sou de Uruguaiana, de mãe castelhana igual ao meu pai.


Se a terra não é minha, se a vida é mesquinha o que se há de fazer,

Mais um sonho nasceu e o rio se fez meu e nele vou descer

Pra encontrar quem me espera, morena e sincera que é o meu bem querer

Meu momento é aí, no chão onde nasci e onde vou morrer,


Tem o verde do campo nos seus olhos

E o feitiço maleva que é puro veneno no caminhar.

Uma noite serena adormece morena em seus cabelos

E seu corpo bronzeado é um laço atirado a me pealar.


Tristeza e alegria são meu dia a dia já me acostumei,

Sou de campo e de rio, faça sol, faça frio lá domingo estarei.

Barranca e fronteira, canha brasileira assim me criei

Com carinho nos braços galopo aos meus passos e me torno um rei.


Agora o meu dia a dia só tem alegria, tristeza deixei,

Encontrei na verdade a outra metade que tanto busquei.

Barranca e fronteira, canha brasileira feliz estarei

Com carinho nos braços da prenda, os abraços e me sinto um rei.


Tem o verde do campo nos seus olhos

E o feitiço maleva que é puro veneno no caminhar.

Uma noite serena adormece morena em seus cabelos

E seu corpo bronzeado é um laço atirado a me pealar.


Agora o meu dia a dia só tem alegria, tristeza deixei

Encontrei na verdade a outra metade que tanto busquei.

Barranca e fronteira, canha brasileira feliz estarei

Com carinho nos braços da prenda, os abraços e me sinto um rei.


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               Com a letra acima, vocês podem acompanhar a interpretação desse chamamé com o Grupo Querência, que surgiu na minha cidade natal – Pelotas-RS –, no ano de 1982.



               Até o próximo encontro e um grande abraço!

Wilmar Machado

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

TERTÚLIA NATIVA - MEU CANTO, DE JAYME A ADAIR



À força de fazermos novos contratos 
e de vermos o dinheiro crescer nos nossos cofres,
acabamos por nos julgarmos inteligentes e quase capazes de governar.
(Jean de La Bruyère)

Amigas e Amigos,


               Começo a Tertúlia Nativa de hoje, com uma matéria publicada no Jornal do Brasil (http://www.jb.com.br) sobre o início do trâmite no Senado da proposta para prorrogar os efeitos da DRU (Desvinculação de Receitas da União) para permitir que o governo gaste “livre-leve-e-solto” a bagatela de R$ 62 bilhões. Essa PEC (proposta de emenda à Constituição) permitirá ao governo continuar alocando livremente 20 por cento de sua arrecadação até dezembro de 2015.

               Ao final da reportagem, o JB apresenta a ufanosa declaração do deputado Odair Cunha (PT-MG), relator da PEC: “O Parlamento brasileiro deu um sinal de responsabilidade e maturidade ao aprovar um instrumento tão importante para a gestão fiscal e orçamentária, em um momento de crise internacional”.

               Se afirmar que entendi o que deputado disse, posso concluir que não sei mais o significado de “responsabilidade”, “maturidade”, “gestão” e “crise”.

               Como frases de efeito, com conteúdo duvidoso, grassam em nosso meio político, continuo acreditando que não perdi minhas referências em relação aos significados acima referidos. Para maior segurança, eu consultei um trabalho de Fabiana Kelbert, do programa de Mestrado da Faculdade de Direito da PUCRS, apresentado na IV Mostra de Pesquisa da Pós-Graduação, sobre a interpretação constitucional da DRU, onde se pode ler:
Numa época em que se admite a escassez de recursos públicos para financiar os mais diversos programas sociais, afigura-se contraditória a relação entre arrecadação e gastos públicos. Aquela impõe uma carga tributária bastante elevada, e esta se mostra insuficiente a cobrir satisfatoriamente as necessidades sociais do país. [...] Outrossim, é de considerar que as emendas constitucionais que previram a Desvinculação de Receitas da União padecem de inconstitucionalidade, que pode ser reconhecida pela ofensa de importantes princípios constitucionais fundantes do nosso sistema: a supremacia da constituição, a separação de poderes e a vinculação de todos os poderes estatais aos direitos fundamentais. No caso específico da Seguridade Social, restou comprovado pelo TCU que, não fosse a DRU, a arrecadação seria suficiente a cobrir a despesa. Isso significa, na prática, que haveria verba suficiente a cobrir o financiamento daqueles direitos, constitucionalmente assegurados. Cumpre ressaltar, por fim, o silêncio do Poder Judiciário, representado pelo STF, quanto à questão da inconstitucionalidade das emendas que previram a DRU. Tendo em conta que o desvio de finalidade de verbas públicas restringe ou inviabiliza a concretização dos direitos fundamentais sociais, é imperioso que o STF se manifeste sobre essas questões, especialmente por ser o “guardião” da Constituição.

               À luz das considerações acima, poderia perguntar ao ilustre representante do povo, se a “responsabilidade” e a “maturidade”, atribuídas ao parlamento em seu comentário, estão relacionadas a algum benefício para os que o elegeram (considerando eleger associado ao voto em eleição)?

               E poderia questionar o parlamentar, ainda, qual o seu conceito de “gestão”, pois “tapar buracos” provocados por dispêndios não planejados passa muito distante do que se poderia considerar uma boa prática de governança.

               Recordo, também, que “crise” pode ser facilmente associada a práticas de controle e não a desperdícios para acomodação de cargos e outras despesas, devidas por contas contraídas com pouca transparência.





              Como esta Tertúlia nada tem a ver com as maracutaias palacianas, trago para vocês uma poesia do saudoso payador Jayme Caetano Braun, que encontrei na 3ª edição do livro “50 Anos de Poesia”, uma antologia poética da obra do próprio Jayme, que tem por título “Meu Canto”. 

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MEU CANTO
                                 Jayme Caetano Braun

No meu canto - não escondo, 

vou dizendo - de vereda, 
sou brasa de labareda 
e ferrão de marimbondo, 
desde que o mundo é redondo 
não tem esquina nem canto! 
Amigos - eu les garanto 
quando este mundo acabar, 
com certeza - vai ficar 
a verdade do meu canto! 

Meu canto guarda o estilo 
das fontes da geografia 
quando gaúcho nascia 
abarbarado e tranqüilo; 
meu canto - é o canto do grilo, 
dos tempos de antigamente 
que pode ser estridente, 
mas - jamais - ultrapassado, 
porque o canto do passado 
é o bebedor do presente! 

Meu canto lembra o relincho 
e sanga de pedregulho; 
meu canto lembra o mergulho 
da manada de capincho! 
Meu canto evoca o bochincho 
quando o candeeiro se apaga, 
ali - onde ninguém indaga, 
nem quem foi e nem quem é, 
se é crioulo de Bagé, 
Santana ou São Luiz Gonzaga! 

Canto que evoca o rodeio 
e a ronda de uma tropeada 
e a velha gaita acordada 
resmungando num floreio; 

canto que lembra o rio cheio 

e a clarinada de um galo; 
canto que adoça o embalo 
de uma xirua que implora 
que a gente não vá simbora 
e desencilhe o cavalo... 

Canto de lida e serviço 
cheirando a chão de mangueira 
sovado uma vida inteira, 
decerto - mesmo pôr isso, 
conserva aquele feitiço 
que nós todos conhecemos, 
herança que recebemos 
e não se compra ou se vende, 
por isso - o povo me entende, 
e todos nos entendemos! 

Há os que condenam meu canto 
de cousas que já passaram, 
dizem que muitos cantaram 
e chega de cantar tanto, 
contra isso eu me levanto 
sem procurar desafetos 
não se apagam com decretos 
herança de todos nós 
- não vou matar meus avós 
pra ficar de bem com os netos!




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               Para acompanhar a poesia de hoje, uma obra homônima da poesia: “Meu Canto”, de Adair de Freitas, na intepretação do próprio autor.


               E com isso, encerramos esta Tertúlia Nativa, com um forte abraço para todas as amigas e para todos os amigos!

Wilmar Machado

terça-feira, 22 de novembro de 2011

ORATÓRIO CAMPEIRO – SANTA CECÍLIA E A CUNHADA DE CÉSAR



A honestidade é própria das classes médias.
As de baixo não a ignoram, mas não sabem para que serve.
As de cima não a ignoram, mas não sabem para que ainda serve.
(Vergílio António Ferreira)


Amigas e Amigos,


               Neste Dia do Músico, Festa de Santa Cecília, a padroeira da música e do canto sacro, comecei o dia com a leitura de jornais e acabei “ouvindo sons muito desagradáveis”...



               Lembrei que o Supremo Tribunal Federal considerou que a prática do nepotismo ofende três princípios constitucionais: o da moralidade, o da impessoalidade e o da igualdade. Além disso, tal prática tem acentuado caráter imoral.

               A lembrança acima surgiu enquanto lia, na Folha de São Paulo (http://www.folha.uol.com.br), que o presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), ministro Ari Pargendler, vem fazendo lobby para emplacar a desembargadora Suzana Camargo, sua cunhada, em uma vaga do próprio STJ, o que tem incomodado seus colegas. Segundo a matéria:
Pargendler, que é casado com a irmã de Suzana Camargo, tem acompanhado a desembargadora em um périplo por gabinetes de deputados e senadores, em busca de respaldo político à nomeação. Apesar de a escolha caber a Dilma, a presidente costuma ouvir interlocutores antes de tomar a decisão. [...] Em 19 de outubro, Suzana Camargo e Pargendler foram juntos a uma reunião com a bancada de Mato Grosso do Sul, onde ela começou sua carreira de juíza federal. Posaram inclusive para foto, postada no site do deputado Geraldo Resende (PMDB). Depois do encontro, os congressistas do Estado mandaram cartas aos ministros Cardozo e Gleisi Hoffmann (Casa Civil), manifestando apoio a Suzana Camargo. A atuação de Pargendler incomoda membros da corte. Dois ministros disseram à Folha, reservadamente, que se sentem constrangidos. A desembargadora conta também com apoio do ex-governador Zeca do PT (MS) e do ex-ministro José Dirceu. Suzana só integrou a lista tríplice em segundo escrutínio. Na primeira votação do pleno do STJ, com 29 ministros, teve 14 votos, menos que o mínimo de 17 necessários.

               Vale lembrar que existem denúncias contra o ex-governador citado na matéria de comandar um “mensalão” no Mato Grosso do Sul e contra o ex-ministro ainda não foi julgado o processo em que ele é acusado de comandar o “mensalão” do PT. Com essa proliferação de “mensalões”, fica a dúvida sobre o que pode representar esse tipo de apoio para a candidata a ministra do STF (os processos contra os envolvidos com “mensalão” serão julgados no STF?).

               Será que a célebre frase atribuída a Caio Júlio César – “À mulher de César não lhe basta ser honesta, mas também de parece-lo” – poderia se estende para a irmã da mulher de César, sua cunhada? Ministros do STF, ou postulantes a esse cargo, não poderiam parecer um pouco mais “sérios”, considerando que sejam? Talvez algum dia as Altas Cortes se tornem mais transparentes para seus súditos. Até lá, esperemos...

               Enquanto se espera que a decisão da presidente Dilma seja sábia, externo meus votos de muita paz e muito sucesso a todos os meus amigos músicos, com a oração a Santa Cecília, que nasceu no Século II, sendo martirizada por não renegar a religião cristã.

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ORAÇÃO A SANTA CECÍLIA

Ó Virgem e mártir, Santa Cecília,
Pela fé viva que vos animou, desde a infância,
Tornando-vos tão agradável a Deus e ao próximo,
Merecendo a coroa do martírio,
Convertendo pagãos ao cristianismo,
Alcançai-nos a graça de progredir cada vez mais na fé
E professá-la através do testemunho das boas obras,
Especialmente servindo aos irmãos necessitados.


Gloriosa Santa Cecília,

Que os vossos exemplos de fé e virtude
Sejam para todos nós um brado de alerta,
Para que estejamos sempre atentos a vontade de Deus,
Na prosperidade como nas provações,
No caminho do céu e da salvação eterna.


Santa Cecília,

Padroeira dos músicos e artistas, rogai por nós.


Amém.


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               A música escolhida hoje para acompanhar essa oração em homenagem a todos os músicos é “Deus sabe o que faz”, de Charly Garcia, na interpretação das Irmãs Galvão (nome anterior da dupla “As Galvão”).



               Um grande abraço e que a Paz de Cristo permaneça conosco!

Wilmar Machado

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

ABRINDO A PORTEIRA – RESPOSTA? O QUE É RESPOSTA?



'Fui eu que o fiz', diz a minha memória.
'Não posso ter feito isso', - diz o meu orgulho e mantém-se inflexível.
Por fim - é a memória que cede.
(Friedrich Wilhelm Nietzsche)


Amigas e Amigos,

                    Após um período ausente, retorno hoje a este Canto da Terra. Justifico a ausência pela necessidade de dedicação a uma monografia de encerramento de um MBA (Master of Business Administration) em Gestão de Negócios.

                    Não raras vezes nesse período ausente aconteceram momentos de abandonar a dedicação citada acima e retornar a este espaço para registrar coisas que parecem, às vezes, só acontecerem por aqui (= nosso país ou nossa capital).

                   De todos os acontecimentos do período, os que mais chamaram a minha atenção foram os provocados pelo mistifório proporcionado pelo ministro do Trabalho, em tempo recente. Parece que o ministro está encarando com muita seriedade o amnésico papel que começou a interpretar para indignar os que ainda esperam ver um dia, nesse país, política e ética a andar juntas.



                    O jornal “Estado de São Paulo” (www.estadao.com.br), no último sábado, publicou que o ministro Carlos Lupi tenta decretar o fim da crise no Ministério do Trabalho, sem as devidas explicações, deixando aparente a certeza que se espalha entre nossos representantes, de ser imunidade semelhante a impunidade. Na matéria do Estadao, pode-se ler que:
Depois de ganhar uma sobrevida da presidente Dilma Rousseff, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, tentou ontem implantar uma agenda positiva ao anunciar os números de contratações e demissões no País. Em entrevista coletiva, falou longamente sobre os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), mas irritou-se ao ser perguntado sobre as denúncias contra ele. O ministro disse que não falaria do tema, ampliou o prazo para entregar informações prometidas ao Congresso e acabou por encerrar a coletiva sem dar explicações para as perguntas, sobretudo às relativas as suas relações com o diretor da ONG Pró-Cerrado, Adair Meira. Para tentar montar um ambiente mais favorável, a coletiva sobre emprego foi realizada no auditório do prédio da pasta e não na sala pequena ao lado do gabinete do ministro, onde acontece todos os meses. Dessa forma, Lupi pode entrar e sair escoltado por assessores sem um contato mais direto com os jornalistas. O bom humor e as piadas frequentes nesse tipo de entrevista foram substituídos por uma postura mais sisuda. Lupi entrou sem cumprimentar ninguém e antes de qualquer manifestação reclamou com a equipe por não ter uma televisão onde pudesse ver a apresentação preparada para a ocasião. Procurou depois amenizar o clima: "Eu não tive educação, me perdoem", disse, concluindo a frase com um bom-dia aos presentes.

                   E terá sido por “falta de educação” que o ministro agrediu –  e continua agredindo – a população, bem como os integrantes do legislativo e do próprio executivo, com a sua conveniente memória camaleônica? E a sobrevida aludida na matéria do Estadão poderia ter algo a ver com a declaração de amor proferida pelo ministro quando de seu primeiro depoimento? Será que a presidente se emocionou com a performance de fazer inveja aos maiores canastrões da arte teatral do universo? Ainda bem que essas perguntas não estão sendo feitas para o ministro, pois ele tem demonstrado grande dificuldade para entabular respostas razoáveis.

                   Vale a pena ler, na íntegra, uma outra matéria do Estadão, do dia 17 último, comentando as perguntas sem respostas do ministro em suas idas ao Congresso. Entre as perguntas que compõem a matéria – que trata também de contradições do ministro – vale destacar algumas como:

  •    Por que o ministro diz, agora, que não tem de provar nada? As notas fiscais do pagamento de suas peripécias aéreas não apareceram ainda e a promessa de entrega-las ainda na semana passada foram apenas promessas...
  •    Por que o ministro compara uma suposta carona em um táxi aéreo com uma viagem em avião de carreira? Ninguém tomou conhecimento de que as companhias aéreas nacionais distribuam “bolsa viagem” para ministros, logo carona em táxi aéreo deve ter sido bancada por alguém (e, talvez, com alguma intenção)...
  •    Se o ministro não tinha relações pessoais com o Adair, como sabia que ele tinha aeronave pessoal? Depois da interpretação melodramática do dia 10, no depoimento da Câmara, onde papéis foram revirados para lembrar do “seu Adair”, até então um seu “ilustre desconhecido”, o ministro no Senado afirmou no dia 17, ao Senado, que teria usado uma aeronave pessoal do “seu Adair”, que conheceu por conta dos convênios do ministério, sem ter com ele qualquer relação pessoal...


                   Como o ministro está ligado ao PDT, partido fundado por Leonel Brizola e que após a morte de seu fundador passa a idéia de estar permanentemente à deriva, a historiadora Marly da Silva Motta, do Centro de Pesquisas e Documentação de História Contemporânea do Brasil, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), disse – conforme o Estadão – ser “um partido sem alma”. Não questiono a afirmativa da historiadora, mas fiquei pensando se existiria, no Brasil atual, algum partido com “alma”. Não consegui vislumbrar algum (não estou afirmando que não exista), mas acredito que, em existindo, a “alma” do mesmo deve ser do tipo “penada”.

                   A música escolhida para hoje – sem qualquer inspiração no Ministério do Trabalho, pois foi escrita bem antes das atuais dúvidas que o assolam – é de autoria dos saudosos Lourival dos Santos (de Guaratinguetá-SP) e Tião Carreiro (Montes Claros-MG), gravada por Tião Carreiro e Pardinho, e tem por título “A mentira tem perna curta”.


                    Um grande abraço para todos e até a próxima.

Wilmar Machado


sexta-feira, 23 de setembro de 2011

GALERIA SERTANEJA - DIA MUNDIAL SEM CARRO



Todos estão rodeados de oportunidades.
Mas estas apenas existem quando são vistas.
E apenas serão vistas se as procurarmos.
(Edward de Bono)

Amigas e Amigos,
               Esse dia 22 de setembro marcou o Dia Mundial sem Carro. Segundo a Agência Brasil (http://agenciabrasil.ebc.com.br), para atender as recomendações para esta data, só no Brasil, pouco menos de 39 milhões de veículos – essa é a quantidade de carros de passeio que trafegam no país – ficariam dentro de garagens. Em matéria sobre a dificuldade de mobilidade e o transporte público, a citada Agência disse:
Passar um dia sem carro nas cidades brasileiras implica enfrentar pelo menos dois desafios: o transporte público, que não está preparado para atender à demanda com qualidade, e o planejamento nas cidades, que não privilegia a locomoção a pé ou de bicicleta. “As pessoas precisam se locomover. E do jeito que são planejadas, nossas cidades não oferecem condições para que as pessoas não precisem usar um meio não motorizado. O trabalho, os serviços públicos, as escolas e os locais de lazer estão longe da casa das pessoas”, avalia Oded Grajew, da Rede Nossa São Paulo, movimento que reúne mais de 600 organizações da sociedade civil. [...]  “Temos um grau de dependência do automóvel muito grande. Usar o serviço coletivo não é fácil, porque a qualidade não é boa. E também falta infraestrutura para o transporte não motorizado”, pondera o professor do programa de pós-graduação em transportes da Universidade de Brasília (UnB) Paulo César Marques. [...] Apesar dos desafios, a mudança para um modelo de mobilidade urbana mais sustentável – com menos carros nas ruas e mais investimentos em transporte público e meios alternativos de locomoção – será inevitável, segundo Grajew. “Não há muitas opções. A mudança vai acontecer pelo agravamento da situação nas cidades ou pela conscientização.” Para o professor da UnB, que troca o carro pela bicicleta sempre que possível, a sociedade tem que pressionar o Poder Público para a mudança de foco dos investimentos em transporte.
               Mas, nessas terras tupiniquins, onde quem deveria cuidar do transporte público faz de conta que está tudo bem, a população brasileira fez de conta que passou o dia sem carro, pois se isso fosse levado a sério, seria quase impossível sair de casa. Enquanto isso, o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) sinaliza que a melhoria no transporte público, com investimentos, pode ser uma saída para a busca de redução das emissões sob responsabilidade da frota brasileira. A Agência Brasil, ao destacar esse assunto, disse que:
No entanto, a tendência de redução de emissão de poluentes deverá sofrer uma inflexão nos próximos anos porque as tecnologias utilizadas para esse fim já atingiram um nível alto de eficiência e pelo inevitável aumento da frota e dos congestionamentos. “Daqui para a frente os ganhos serão menores”, segundo o Ipea.  O pesquisador do instituto, Carlos Henrique Carvalho, disse que o país precisa investir mais no transporte público e incentivar o uso de veículos não motorizados como as bicicletas. Em defesa do sistema público de transporte, o relatório aponta a vantagem dos meios coletivos em relação aos automóveis individuais e em relação às emissões de gases de efeito estufa. Mesmo que os ônibus emitam mais gases desse tipo que os automóveis, por utilizarem diesel, a quantidade de emissões é compensada pelo número de passageiros transportados. “Um usuário de automóvel, por exemplo, emite quase oito vezes mais CO2 (dióxido de carbono) que um usuário de ônibus e 36 vezes mais que um usuário de metrô”, compara o estudo. “O transporte coletivo urbano deve ser prioridade nos vários níveis de políticas públicas, de forma concomitante à restrição crescente à circulação de veículos automotores individuais e à ênfase em soluções urbanas que favoreçam a redução da necessidade de transporte motorizado e a prioridade de transporte não motorizado”, sugere.



               Como acredito que nem tudo está perdido, daqui a pouco o governo se sentirá sensibilizado pela necessidade de qualidade no transporte público como forma de melhorar a qualidade de vida dos cidadãos brasileiros. E saberemos que esse dia chegou quando nos for informado de que um projeto de uma “CPMF-Transporte Público” foi enviada para aprovação do Congresso.

               Enquanto sonhamos com melhores dias, a música da Galeria Sertaneja, hoje, é “Fazenda São Francisco”, uma toada de Jesus Belmiro ( Jesus Belmiro Mariano) e Paraíso (José Plínio Transferetti).  Primeiro, vamos conhecer a letra.

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FAZENDA SÃO FRANCISCO
                                                        Jesus Belmiro e Paraíso

Na fazenda São Francisco, na beira do rio da morte
Com outro caminhoneiro, traquejado no transporte.
Fui buscar uma vacada, para um criador do norte,
Na chegada eu pressentia que era um dia de sorte
Depois do embarque feito, só sobrou um boi de corte.

O mestiço era bravo, que até na sombra investia.
A filha do fazendeiro molhando os lábios dizia:
Eu nunca beijei ninguém, juro pela luz do dia,
Mas quem montar nesse boi e tirar a valentia
Ganha meu primeiro beijo, que eu darei com alegria.

Vendo a beleza da moça, meu sangue ferveu na veia,
Eu calcei um par de espora, e passei a mão na peia.
Peguei o mestiço a unha, rolei com ele na areia,
E enquanto ele esperneava, fui apertando a correia,
Mas quando eu sentei no lombo foi que eu vi a coisa feia.

O boi saltou a porteira, no primeiro corcoveado,
Numa ladeira de pedra, desceu pulando furtado,
Saia língua de fogo, cheirava a chifre queimado,
Quando os cascos do mestiço batiam no lajeado.
Parou berrando na espora ajoelhado, derrotado.

Prá cumprir sua promessa a moça veio ligeiro
E disse: você provou ser peão e boiadeiro
Dos prêmios que eu vou lhe dar, o beijo é o primeiro.
Sua boca foi se abrindo, seu olhar ficou morteiro,
Nessa hora eu acordei abraçando o travesseiro.

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               Essa música, em 1981, foi gravada pela dupla (Antônio Bernardes Paulino da Costa) Zico & Zeca (Domingos Paulino da Costa), irmãos dos integrantes da dupla Liu & Léu e primos de Vieira & Vierinha, em um LP que teve por título o próprio nome dessa música. Com a interpretação de Zico & Zeca, vamos ouvir a música.



               Um grande abraço e até a próxima.

Wilmar Machado

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

TERTÚLIA NATIVA - O "DUELO" PRESIDENTE X PARTIDO




A cegueira que cega cerrando os olhos,
não é a maior cegueira;
a que cega deixando os olhos abertos,
essa é a mais cega de todas.
(Padre Antônio Vieira)


Amigas e Amigos,

               Hoje, pela manhã, ao começar a ler o Correio Braziliense, fui encaminhado, a partir das chamadas de capa, para as páginas 2 e 3.

               Na página 2, o destaque estava por conta dos recados enviados para o PT (Partido dos Trabalhadores) pela presidente Dilma, que participa do encontro com chefes de Estado, nos EUA, defendendo uma imprensa livre, posição antagônica a do seu partido, e manifestando sua intolerância ao que chamou de malfeito dos subordinados. Segundo o Correio, disponível também em seu portal http://www.correiobraziliense.com.br:
A presidente Dilma Rousseff aproveitou sua participação na reunião sobre Parceria para Governos Abertos ontem para, nas entrelinhas, mandar um recado ao seu partido, o PT — que, no início do mês, aprovou um documento em defesa do controle da mídia. Ao citar os mecanismos de combate à corrupção do país, ela elencou a “positivação vigilante da imprensa brasileira não submetida a qualquer constrangimento governamental” como um desses instrumentos. Para os diplomatas brasileiros ficou claro que o governo não vai endossar, pelo menos em princípio, qualquer projeto de controle que venha a ser debatido no Congresso. [...] Com o ônus de quem já trocou cinco ministros ao longo de oito meses, quatro após denúncias de irregularidades, Dilma lembrou que as ações do governo no combate à corrupção são firmes e permanentes e repetiu a frase da posse: “Fui muito clara desde o discurso de posse, em janeiro, quando afirmei que meu governo não terá compromisso com o erro, o desvio e o malfeito”, enfatizou, sem citar especificamente a crise que levou à faxina e à mudança de ministros.

               Se a segunda página do Correio pode gerar a expectativa de que poderemos ver um governo pouco tolerante com a corrupção, a página 3 mostra claramente como ainda existe vontade de que a corrupção dos companheiros seja tratada com os devidos cuidados para não melindrá-los. Essa terceira página inicia com o ex-presidente Lula afirmando que “político deve ter casco duro”, como um recado aos atuais ministros, durante homenagem recebida em Salvador. Segundo o jornal:
Ele sugeriu àqueles que tiverem o nome envolvido em escândalos de corrupção que resistam às denúncias para provar que estão certos. [...] “O político tem que ter casco duro. Porque se cada político tremer a cada vez que alguém disser uma coisa errada dele, se ele não enfrentar a briga para provar que está certo, as pessoas vão saindo mesmo”, afirmou o ex-presidente, antes de contextualizar exemplos de ministros que deixaram à Esplanada nos primeiros meses do governo Dilma. Para Lula, houve precipitação em alguns casos. Ele se referiu às recentes demissões nos quadros de primeira escalão, mas não citou a queda de Antonio Palocci, ex-ministro da Casa Civil, que também exerceu cargo de destaque no governo Lula, quando comandou a pasta da Fazenda.

               Não tenho idéia de como seja o “casco” do deputado Valdemar Costa Neto, mas no final da página 3 do mesmo jornal pode-se encontrar que: “A principal testemunha do processo de cassação do mandato do deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP) foi assassinada na noite de segunda-feira. [...] o delegado de Tatuí, que está investigando o caso, e classificou como “estranhas” as circunstâncias da morte do administrador”.

               Segundo a matéria, o que o delegado não consegue entender é como que o sítio da testemunha foi invadido por três homens – que foram presos e dois foram baleados – e a testemunha foi atingida por disparos efetuados pelo segurança contratado para protegê-la e que se encontra foragido. Será que isso é “casco duro”?



               Quem eu acredito que tinha esse tal de casco duro era o finado Amarante, mas – como veremos no causo abaixo, disponível no site do poeta, músico, compositor e professor Silvio Aymone Genro (http://www.silviogenro.siteonline.com.br), de Uruguaiana – não lhe propiciou um final muito feliz.

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O   DUELO                            
                           Silvio Genro

               O tordilho batia cascos num trote largo que, às vezes, quase virava em galope...
            
               Era sempre assim. O cavalo e ele sabiam de cor e salteado o caminho de volta aos pagos. Por vezes, parecia até que o matungo adivinhava seus pensamentos: O rumo do rancho, ao pé do cerro grande. O abraço da china velha, largo em saudade. O amor sem idade, no coração feliz. O alvoroço dos piás, catando caramelos nos bolsos fundos das suas bombachas. A festa dos cucos das casas, lhe esperando na porteira.
                
               As lembranças batiam cascos num trote largo que, às vezes, quase virava em galope...
                
               Finado Amarante, antes de se tornar finado, era tropeiro. Diz que dos mais afamados daquelas bandas, desde o arroio Ibirocai até a costa do Toropasso. Na verdade, era apenas mais um em terra de muitos e bons tropeiros. Sabia disso, mas gostava por demais da sua lida. Nunca extraviara um bicho sequer em anos e anos de idas e vindas tocando tropas por diante. A china velha, zelosa, volta e meia rezingava com ele dizendo que tinha mais cuidados com o gado do que com ele próprio. Mas, esse era o seu trabalho e isso era a sua vida. E nem sol de fogo ou chuva de pedra. Nem seca braba ou enchente grande. Nada detinha sua sina de entregar a tropa ao dono, gorda e sã de lombo. Pois, mais do que seu ofício, era sua obrigação!
                
               O orgulho batia cascos num trote largo que, às vezes, quase virava em galope...
                          
               Finado Amarante, antes de se tornar finado, acostumara-se à rotina das tropas. Ao ritual chucro das reses. Ao berro triste do gado. Nunca fizera outra coisa em seus cinqüenta e pico de anos. Mas, esse era o seu mundo e só assim era feliz. Tropa entregue no destino e mais uma missão cumprida. "No mas", era dar de rédeas ao tordilho e repisar o caminho de volta ao aconchego dos seus, qual ave voltando ao ninho. O rumo do rancho. O abraço da china. O alvoroço dos piás. A festa dos cuscos.
                
               A saudade batia cascos num trote largo que, às vezes, quase virava em galope...
                
               Agora, mais uma vez, voltara a ser patrão do seu tempo. A chuvarada de ontem transformara-se em garoazita de molhar bobo. E bueno, ele e o tordilho já eram vaqueanos dessas cruzadas de varar enchente a nado. Os dois conheciam bem os segredos e mistérios dos arroios da querência. Artérias pulsantes da pampa, serpenteando pelos campos, matando sede de bicho e gente, cumprindo sua singela sina de levar vida aos rios.
                
               Finado Amarante, antes de se tornar finado, aprendera a respeitar os arroios para assim poder vencê-los. Sabia bem onde morava o perigo dos redemoinhos e seus abraços traiçoeiros. Os mapas das correntezas com seus atalhos profundos e seus caprichos fatais. Conhecia cada arroio da querência como a palma calejada da sua mão. Naquele mesmo dia, já bandeara o Carumbé e suas tantas armadilhas feitas de pedras e águas. Já cruzara o Pindaí -um fiapo d'água nas seca, mas um gigante na enchente- que sabe se fingir de manso para afogar um vivente.
                
               Só lhe faltava varar o velho arroio Toropasso. Com seu Passo do Lajeado estrebuchando de água. Despontando além do mato. Furioso, invadindo campos. Voraz, devorando cercas. Na força da correnteza a mesma força da tropa. O arroio era o tropeiro!
                 
               A enchente batia cascos num trote largo que, às vezes, quase virava em galope...
                 
               Pensou em apear do pingo e esperar mais um pouco. Pitar um ou dois palheiros, até as águas se amansarem. Total, já estava tão perto e o rancho era logo ali.  Ah!  Mas a saudade foi mais forte do que o medo da enchente... Mal convidou o tordilho e já se meteram n'água, velhos parceiros que eram de varar arroio a nado e sair do outro sem nem molhar os pelegos!
                 
               A enchente batia cascos num trote largo que, às vezes, quase virava em galope...
                 
               Uns dizem que foi descuido. Outros, que foi coragem demais. E alguns até condenaram as águas do Toropasso onde o finado Amarante de saudade se afogou. Restou a cruz de madeira no Passo do Lajeado, meio escondida na sombra dos espinilhos e touceiras de unha-de-gato, lembrando o último duelo entre o arroio e o tropeiro, num fim de tarde de Agosto. 
                 
               E até hoje, somente a china velha com seu coração de viúva sabe, mais do que ninguém, que o arroio não teve culpa.  

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               A música desta Tertúlia Nativa é “Cavalo Enxuto”, uma aventura bem menos perigosa do que a vivida pelo tordilho do finado Amarante. Essa música tem por autores Lourival dos Santos e Moacir dos Santos; a interpretação está a cargo da dupla Jacó & Jacozinho.


               Um grande abraço para todos!

Wilmar Machado

terça-feira, 20 de setembro de 2011

ORATÓRIO CAMPEIRO - PADRE PIO E A INVESTIGAÇÃO SEM SANTOS



Porque o povo diz verdades, / Tremem de medo os tiranos, 
Pressentindo a derrocada / Da grande prisão sem grades
Onde há já milhares de anos / A razão vive enjaulada.
(Antônio Fernandes Aleixo)





Amigas e Amigos,

               No Oratório Campeiro de hoje, vamos lembrar o frade italiano de Pietrelcina, que nasceu em 25 de maio de 1887, foi batizado como Francisco e se tornou conhecido como Padre Pio. Durante anos, esse Santo – cuja festa litúrgica será celebrada no próximo dia 23 – experimentou sofrimentos da alma por conta de enfermidade e suportou, com serenidade, as dores de suas chagas. Seu serviço sacerdotal foi colocado em dúvida, o que fez sua vida ser colocada sob investigação, mas permaneceu confiante na justiça de Deus, na justiça de seus superiores e em sua própria consciência.



               Antes de invocar o Santo Pio de Pietrelcina, exponho uma notícia, hoje publicada no portal do Jornal do Brasil (http://www.jb.com.br), informando que:
Pelo menos 25 mil pessoas devem participar nesta terça-feira de uma marcha contra a corrupção, às 17h, na Cinelândia, Centro do Rio de Janeiro. Mais de 30 mil pessoas já confirmaram presença por meio da página do evento no Facebook. Organizado pelo movimento "Todos juntos contra a Corrupção", ele foi criado em agosto nas redes sociais da internet. Na segunda-feira, a praia de Copacabana, Zona Sul do Rio, amanheceu com 594 vassouras fincadas na areia em frente à avenida Princesa Isabel. A ação foi uma manifestação pacífica organizada pela ONG Rio de Paz. Junto às vassouras, que representam os 594 senadores e deputados federais, foi fixado um cartaz que pedia ao Congresso Nacional que "ajude a varrer a corrupção do Brasil".

               O portal d’O Estado de São Paulo (http://www.estadao.com.br), ainda informa que os manifestantes do Rio, a exemplo do ocorrido em 7 de setembro em Brasília, não permitirão a presença de faixa e bandeiras de partidos políticos e sindicatos, pois, segundo os organizadores o Brasil inteiro sabe quem está fazendo o que não presta, sendo desnecessário nomeá-los.

               Em minha opinião, os organizadores da marcha no Rio poderiam apresentar alguns nomes – pelo menos os considerados mais próximos das corrupções recentemente denunciadas – para refrescar a memória de alguns brasileiros que, aparentemente, ainda não perceberam o quanto o Brasil vem sendo surrupiado por indivíduos escolhidos para zelar pelo patrimônio público. Essa preocupação é por conta de notícias publicadas ontem de que quatro operações da Polícia Federal estão com suas provas ameaçadas pelo STJ.

               A matéria do Estadão de ontem indicava que advogados encarregados da defesa de pessoas como os ex-governadores Arruda (de Brasília) e Dias (do Amapá) recorreram à Justiça, apontando similaridades de meio para conseguir provas com os da operação Boi Barrica, cujas provas foram anuladas pela Corte. Diz a notícia que:
Quatro grandes operações da Polícia Federal estão em risco no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A decisão da corte de anular as provas da Operação Boi Barrica fez crescer a mobilização de importantes bancas de advocacia do eixo Rio-São Paulo-Brasília em favor dos réus apanhados nas operações Voucher, Navalha, Mãos Limpas e Caixa de Pandora. Em todos esses casos, já há no STJ recursos nos mesmos moldes do que obteve sucesso e anulou a Boi Barrica. Entre os personagens acusados de corrupção e desvio de dinheiro público que esperam fulminar as provas obtidas pela Polícia Federal estão os ex-governadores do Distrito Federal José Roberto Arruda (sem partido), preso na Operação Caixa de Pandora, e do Amapá, Pedro Paulo Dias (PP), apanhado pela Operação Mãos Limpas, além dos envolvidos na Operação Voucher, que derrubou a cúpula do Ministério do Turismo.

               A operação Boi Barrica envolvia membros da família Sarney em crimes financeiros e lavagem de dinheiro, onde as interceptações telefônicas feitas durante a investigação foram consideradas ilegais.

               Parece que escandaliza muito mais aos magistrados o ato de recolher provas com escutas e vídeos sem autorização do que o próprio conteúdo dos “grampos”, mesmo que comprovadamente sem adulteração. O mau versar do dinheiro público, aparentemente, não incomoda nossos poderes – inclua-se os três –, mas a perda de um “homem público” com as “qualidades” que temos observado nas gravações divulgadas pelos meios de comunicação parece gerar mobilizações de todas as áreas para reversão do quadro negativo. E, do jeito que anda a preocupação com ética nos altos escalões, não é vislumbrado um final feliz – visão dos expectadores – para essa novela.

               A vida do Santo Padre Pio foi objeto de investigação e, apesar de sua fama de santidade já em vida, ele sofreu sozinho enquanto esperava o desfecho de seu caso, sem pedir qualquer desqualificação de provas porventura existentes. Bem diferente do planalto central do país, onde provas "descaradas" são abandonadas por terem sido obtidas sem autorização dos "supremos deuses" de Candango City.

               A sugestão de hoje é orarmos pela intercessão de Padre Pio, esperando que ainda possamos ver um início de preocupação com a ética onde hoje domina o que de pior se pode imaginar para corporatismos entre os poderosos.

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ORAÇÃO a são pio de pietrelcina

Ó Cristo Jesus, fonte de amor e misericórdia,
Nós vos agradecemos por nos terdes dado Padre Pio
Como sinal vivo de vossa paixão, morte e ressurreição.
Com as chagas em seu corpo
E a serenidade em seu rosto,
Comunicastes ao mundo a compaixão pela humanidade.
Animados pela alegria da fé,
Exultamos porque a Igreja o eleva à honra dos altares,
Confirmando que vós sois a fonte da santidade
Para todos os batizados em todos os tempos.
Ajudai-nos a viver como cristãos, a vida de cada dia.
E que, por intercessão de Padre Pio,
Possamos alcançar as graças de que necessitamos
Para realizar neste mundo
A nossa vocação e a nossa missão.
Amém!


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               Para encerrar nosso Oratório de hoje, a música é e Chico Pessoa e tem por título “Final dos Tempos”. A interpretação é do próprio autor junto com Raimundo Fagner.




               Um abraço e que a Paz de Cristo permaneça conosco!

Wilmar Machado