sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

ORATÓRIO CAMPEIRO - APÓS A EPIFANIA, MAIS IMPOSTOS



O imposto é a arte de pelar o ganso fazendo-o gritar o menos possível
e obtendo a maior quantidade de penas.
(John Garland Pollar)


Amigas e Amigos,
         
Domingo passado marcou a celebração da Epifania do Senhor, dando início a um novo tempo litúrgico na Igreja – estamos na primeira semana do Tempo Comum.  A Epifania do Senhor é a manifestação de Jesus como Messias de Israel, o Filho de Deus e o Salvador do mundo. Essa solenidade da Epifania nos traz a certeza de que a divindade de Deus está sempre presente em meio a nossa vida. É uma festa associada à presença dos Reis Magos logo após o nascimento de Cristo, como mostrando lideranças mundiais buscando um novo mundo a partir da chegada do Salvador.



Aproveito esse Oratório, ainda, para trazer mais uma grande intervenção do governo a fim de melhorar as condições de vida da população brasileira. Li, aqui na capital da Argentina, no portal do Estadão (http://www.estadao.com.br) que:
Os municípios poderão cobrar pedágio para diminuir o trânsito de automóveis, segundo a Lei de Mobilidade Urbana, sancionada na última semana pela presidente Dilma Rousseff. Um dos principais objetivos é estimular o transporte coletivo e reduzir a emissão de poluentes. A nova lei autoriza a cobrança de tributos pelo uso da infraestrutura urbana, "visando a desestimular o uso de determinados modos e serviços de mobilidade". A receita gerada pelo pedágio ou outra forma de tributação deve ser destinada ao transporte coletivo, como a concessão de subsídio público à tarifa. O uso de bicicletas também precisa ser estimulado, segundo o texto. As novas regras de incentivo ao transporte coletivo podem não entrar em vigor antes da Copa do Mundo de 2014, porque os municípios têm prazo até 2015 para se adequarem a elas. As 1.663 cidades brasileiras com mais de 20 mil habitantes terão de elaborar planos de mobilidade urbana. E as cidades que não cumprirem o prazo de três anos para os planos podem ser punidas com a suspensão dos repasses de recursos federais ao setor. Desafio. Hoje, apenas municípios com mais de 500 mil habitantes eram obrigados a ter planos de mobilidade e nem todas as 38 cidades com esse perfil têm políticas para o setor. Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) alerta que "fazer a lei pegar" é um dos principais desafios da Lei de Mobilidade Urbana. Atualmente, os municípios já são autorizados a subsidiar os transportes coletivos, mas o subsídio só vale na Região Metropolitana de São Paulo e nos metrôs, segundo o Ipea. O estudo considera a lei um avanço, depois de 17 anos de debate no Congresso. Já o presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Paulo Ziulkoski, apontou contradições nas políticas públicas. "Ao mesmo tempo em que o governo estimula a compra de automóveis para ajudar a indústria automotiva a enfrentar a crise internacional, a nova lei autoriza a cobrança de tributos para limitar sua circulação nas cidades", afirmou. O presidente da confederação prevê que poderá ser criada uma guerra fiscal entre os municípios, com estímulo aos motoristas para que licenciem seus automóveis em cidades que tributem a circulação de carros em suas ruas. "Poderemos até questionar a constitucionalidade, porque sobre a propriedade de veículos já incide a cobrança do Imposto de Circulação de Veículos Automotores (IPVA) e poderia ser caracterizada uma dupla tributação." A lei também determina que os municípios fixem a tarifa máxima cobrada pelos táxis. A medida estimularia a competição por meio de descontos.
          Espero estar muito enganado, mas me ficou a impressão de que a presidente, ao sancionar a Lei da Mobilidade Urbana, “viajou” mais do que a soma de todas as horas de vôo do seu antecessor.

          Conforme a matéria, a receita gerada pelo pedágio (ou equivalente) será aplicada em subsídios para as tarifas de transporte coletivos, o que dá idéia de que as empresas prestadoras desse serviço serão as grandes beneficiadas para continuarem oferecendo os péssimos (em alguns casos, os quase péssimos) meios de locomoção aos seus usuários. Fico imaginando Brasília, onde estão instalados os poderes, com seu sofrível serviço de locomoção – além de muito ruim, muito caro – com pedágios. O grande benefício da nova lei será para com a arrecadação pública, pois é praticamente impossível não utilizar condução própria na capital federal. Dá para imaginar, também, que – como amigos do poder constituído – os donos das empresas prestadoras desse (des)serviço também tentarão ser beneficiados (pouco provável é que não o sejam).

          Pela notícia, parece que pagaremos IPVA (imposto para circulação de veículos) para “termos o direito” de deixar nossos carros parados. Se for necessário qualquer deslocamento, somente com “mais impostos”. Afinal, uma máquina (enferrujada) pública que não para de crescer (para acomodar os “amigos”) – sem qualquer utilidade para o povo – necessita que se inventem, constantemente, formas de “arrecadar” dinheiro fácil dos que trabalham para distribuir, fartamente, aos que ocupam cargos como figurantes.

Enquanto pensamos um pouco se não estaria passando da hora de buscarmos um país mais justo, trouxe, como sugestão para esta semana que iniciou com a Festa da Epifania do Senhor, uma oração para este tempo, lembrando a presença dos reis magos nos primeiros momentos da vida de Cristo.         

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ORAÇÃO

Concedei-nos, Senhor,
a fé dos magos:
- Daí-nos que sejamos atentos a vossos apelos
no dia a dia de nossas vidas...
- Ensinai-nos a buscar a luz nas Escrituras,
na vossa Palavra...

- Daí-nos descobrir-vos não mais na fragilidade de uma criança
mas sob o sinal de um  pouco de pão...

Sim, vós nos atraís para o mistério da Eucaristia
e esperai-nos, como atraístes e esperastes os magos.

Concedei-nos buscar-vos e encontrar-vos como eles,
e, como eles também, possamos oferecer-vos:
o incenso de nossa prece,
o ouro de nosso amor
e a mirra de nossa vida unida à vossa

para a salvação do mundo.

Amém.

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          Na conclusão deste primeiro Oratório Campeiro do Tempo Comum, escolhi a música “Folia de Reis”, interpretada pelo sambista Martinho José Ferreira, o Martinho da Vila, que não nasceu na Vila Izabel, mas em Duas Barras-RJ, em um sábado de Carnaval.

  

          Um grande abraço e que a Paz de Cristo permaneça conosco ao longo de 2012!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

PROSA DE DOMINGO - A SAGA MINISTERIAL, NOVELA SEM FIM...



Os mentirosos são sempre pródigos em juras.
(Pierre Corneille)



Amigas e Amigos,

Aparentemente, 2012 está muito igual a 2011 lá pelas bandas do planalto central do Brasil. Aqui da capital portenha – após passear pelo Caminito, ao som de tangos e milongas, jantar na Recoleta e participar da missa na Iglesia Nuestra Señora da La Consolación – a única diferença percebida em relação aos ministérios brasileiros é a data, pois o novo ano traz denúncia contra o ministro Fernando Bezerra Coelho sobre privilégios concedidos ao seu estado natal – Pernambuco – na distribuição de verbas das chuvas. Parece que Pernambuco recebeu mais verbas para enchentes do que o Rio de Janeiro, que tanto sofreu com esse tipo de calamidade em 2011.

Além disso, o ministro foi acusado de favorecer seu filho, que é deputado federal, e de atuar para manter o seu irmão como presidente da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba). Sábado, no portal G1 (http://g1.globo.com), podia se encontrar que:
Na terça (10), há possibilidade de o ministro comparecer ao Congresso. O PPS pediu ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), a convocação da Comissão Representativa do Congresso Nacional para discutir as denúncias relacionadas ao Ministério da Integração Nacional. A comissão é composta por oito senadores e 17 deputados e pode ser convocada durante os períodos de recesso parlamentar. Bezerra se colocou à disposição para comparecer ao Congresso e dar explicações. "Eu estarei à disposição para visitar a comissão no Congresso na terça-feira, às 10h, para poder responder às dúvidas ou indagações do requerimento e outras tantas dúvidas que, porventura, os parlamentares possam ter em relação à política de aplicação de recursos do Ministério da Integração no que toca à defesa civil", afirmou o ministro nesta sexta. Bezerra nega ter privilegiado Pernambuco, seu estado natal, na distribuição das verbas para prevenção a desastres naturais. Em nota, o ministério contestou reportagem publicada na quinta pelo jornal "O Globo", que informa que, no Orçamento de 2012, Pernambuco foi o estado com a maior previsão de verbas da Integração no Programa de Gestão de Riscos e Resposta a Desastres. Segundo a publicação, o estado receberia R$ 81,4 milhões, cerca de 11,6% do total do programa sob gestão da pasta. A Integração afirmou que a maior parte dos recursos foi incluída por parlamentares através de emendas durante a tramitação da lei orçamentária. Inicialmente, informa, a previsão enviada pelo Executivo era de R$ 67,6 milhões, complementados com R$ 634 milhões de emendas parlamentares. Em entrevista nesta sexta à Agência Brasil, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, defendeu o ministro da Integração. Ela disse que não houve irregularidades na utilização de créditos extraordinários para investimentos na construção de barragens em Pernambuco. Segundo a ministra, em 2010, o governo pediu um estudo sobre obras para se evitar a repetição das tragédias das chuvs que, naquele ano, atingiram Pernambuco e Alagoas. “Quando a solução foi identificada, não tínhamos dotação específica para 2011. Por isso, o ministro da Integração usou a dotação de crédito extraordinário. Não há nenhuma irregularidade nisso. É dinheiro de defesa civil utilizado em uma obra de defesa civil”, afirmou a ministra à agência. O jornal "Folha de S.Paulo" afirmou na edição deste sábado (7) que o filho do ministro, deputado Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), foi o único parlamentar que conseguiu obter o empenho (compromisso de pagamento) de todas as emendas que apresentou para obras do ministério. De acordo com o jornal, o ministério respondeu em nota que o ministro não beneficiou o filho. Segundo a nota, o deputado conseguiu a liberação de cerca de 80% dos pedidos em anos anteriores, quando o pai não era ministro. Segundo "O Estado de S. Paulo", o ministro agiu para manter durante um ano o irmão, Clementino Coelho, na presidência da Codevasf. Coelho assumiu após a exoneração do antecessor, Orlando Cézar da Costa Castro. Pelo estatuto da Codevasf e por orientação da Controladoria-Geral da União (CGU), na ausência do presidente, o diretor mais antigo - no caso, Coelho - assume a presidência até a nomeação do novo titular do cargo. Nesta sexta, a Casa Civil da Presidência da República divulgou nota informando que, "há cerca de 50 dias", Fernando Bezerra fez o pedido para que Guilherme Almeida, que também é diretor da empresa, seja nomeado novo presidente da Codevasf. "Em que pese Almeida já ocupar o cargo de diretor da estatal, a assunção à presidência do órgão exige novas consultas, conforme determina a legislação. Cabe, porém, destacar que, tendo sido concluídas as consultas, Guilherme Almeida será nomeado nos próximos dias", informou a nota da Casa Civil.

          Salvo engano, 2011 terminou com ministros sendo denunciados, negando falcatruas, sendo defendidos por alguma fonte oficial, e caindo fora antes que seus malfeitos (apelido oficial – apreciado pela presidente e seu séquito – para prevaricação) fossem efetivamente esmiuçados, pois acredito que a inhaca tenderia ao insuportável.



Como políticos têm certeza que nós temos curta memória, saem do “palco” temporariamente, já preparando um breve retorno como tantas “figurinhas carimbadas” que achincalham nossa política. Não será de estranhar que mais um ministro caia antes da protelada reforma (ou limpeza) ministerial. Acho melhor reforma, por que pelas últimas substituições fica difícil imaginar limpeza.

Para que possamos ter uma boa semana, separei uma belíssima moda do amigo Chico Lobo, interpretada por ele mesmo, que tem por título “Beira de Mato”, do CD “No braço desta viola”. E assim a gente esquece um pouco destes políticos que só lembram da gente quando precisam de nossos votos para se elegerem.  


          Um grande abraço e uma semana maravilhosa para nós!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

GALERIA SERTANEJA - OS PESOS DA JUSTIÇA



Anima-te por teres de suportar as injustiças;
a verdadeira desgraça consiste em cometê-las.
(Pitágoras)



Amigas e Amigos,

Nesta primeira Galeria Sertaneja de 2012, antes da apresentação da música escolhida para hoje, estou pedindo ajuda para entender as diferenças – se existirem – entre as situações mostradas a seguir.

Inicialmente, mostro abaixo uma matéria do portal G1, de hoje, (http://g1.globo.com), onde um jovem foi preso por atropelar, e matar, um argentino em Santa Catarina. Diz a matéria que:

Um estudante de 19 anos foi preso em Canasvieiras, Santa Catarina, por homicídio doloso (com intenção de matar) e omissão de socorro de um argentino de 54 anos. Segundo a Polícia Civil, o crime ocorreu na noite de terça-feira (3), quando a vítima trafegava pela ciclofaixa da praia com uma bicicleta e foi atingido por um Peugeot 206 preto conduzido pelo jovem. Algumas testemunhas tentaram socorrer o argentino e outras pessoas tentaram parar o motorista, que tentou fugir após o carro apresentar problemas técnicos. O argentino chegou a ser socorrido, mas morreu. Pedestres relataram à polícia que o motorista apresentava estar “visivelmente embriagado”. Policiais dizem que ele se recusou a fazer o teste do bafômetro. Dentro do Peugeot foram apreendidos uma garrafa de vodca e bebidas energéticas. O argentino morava em Canasvieiras e estava com visto de permanência no Brasil vencido. Segundo a Polícia Civil, nenhum familiar dele foi encontrado e consulado argentino no estado foi avisado do caso.
Em seguida, mostro a notícia que li no jornal “Litoral Norte” (http://litoralnortenoticias.com.br), do Rio Grande do Sul, do último dia 3, falando de um acidente semelhante ocorrido na estrada do mar, onde os responsáveis por duas mortes estão em liberdade:
Após terem a liberdade provisória concedida pela Justiça, a modelo Tatieli da Silva Costa e o suplente de vereador Paulo Afonso da Rosa Correa Júnior, responsabilizados pelo acidente que provocou duas mortes na Estrada do Mar, foram transferidos na madrugada desta terça-feira do Hospital Santa Luzia, em Capão da Canoa, para o Hospital São Vicente de Paula, em Osório, no Litoral Norte. A dupla deixou a instituição de saúde sob forte escolta policial. Um grupo de cerca de 15 pessoas protestou na noite de segunda-feira contra a decisão judicial que concedeu liberdade provisória aos dois. De acordo com o juiz Ademar Nozari, da Comarca de Capão da Canoa, que concedeu a soltura dos acusados, a decisão é baseada na regra geral de que a pessoa deve responder o processo em liberdade e só ser presa se condenada. “A prisão antecipada é exceção para casos em que haja necessidade de garantias da ordem pública, representar risco para a instrução criminal ou para aplicação da lei penal. São essas as hipóteses restritas que fazem com que a pessoa permaneça presa”. Entretanto, o juiz determinou medida cautelar, recolhendo os passaportes dos acusados. A modelo Tatieli Costa, que reside em Portugal, terá que permanecer no Brasil até o julgamento do processo judicial. Os acusados terão que comparecer a todos os atos da ação, que deverá começar após a conclusão do inquérito policial e da denúncia do Ministério Público. Uma das vítimas da colisão, Carine Bueno, passou por cirurgia e segue internada em estado grave no hospital de Capão da Canoa. Ela era passageira do Prisma conduzido por Alaíde da Silva Linck, de 28 anos, que morreu no acidente. O carro dela, após ser atingido pelo Vectra dirigido pela modelo sem habilitação capotou e caiu sobre um táxi, matando o motorista, Ivo Ferrazo, de 63 anos. Parentes e amigos de Carine planejam via redes sociais um protesto para o sábado, em frente ao restaurante do pai do dono do veículo.
A minha primeira dúvida é sobre a diferença de condição dos acusados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Em SC o jovem, por estar embriagado e matar uma pessoa, está preso e no RS, os dois responsáveis pela morte de dois trabalhadores, quando também estavam embriagados e a motorista não tinha habilitação, estão em liberdade.



          A minha segunda dúvida é em relação a aplicação da regra geral pelo juiz de Capão da Canoa para liberar os responsáveis e se prende ao fato de serem pessoas ligadas a alta sociedade e a política da região. Será que sendo os responsáveis somente pessoas do povo – sem projeção social ou política – o juiz teria “lembrado” da aludida “regra geral”?

          Pelas situações semelhantes e pelos tratamentos diferentes, fica a impressão de que uma antiga máxima de domínio popular está mais viva do que nunca. Falo daquela citação, que ouço há muito, que afirma “de cabeça de juiz e de bumbum de neném se pode esperar qualquer coisa”.

          Como hoje é dia de nossa Galeria, trouxe a música “Chuvas de Verão”, de João de Almeida Neto, cuja letra está publicada abaixo.

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CHUVAS DE VERÃO
                  
João de Almeida Neto

Quando estas nuvens se esparramam sobre o pampa
E em gotas claras se derramam pelo chão
Apagam o pó dos pátios pobres da campanha
E apaga as brasas dessas tardes de verão.

Parece até que cada gota desta chuva
Vem como lágrima do céu para regar
O peito triste dos que choram como as nuvens,
Sem ver a flor do coração desabrochar.

Por isso gosto dessas chuvas veraneiras,
Que vêm e chovem e se somem sem alarde
Para levar a outros campos e outras vidas
A paz molhada que espalharam pela tarde.

E como chegam, vão-se as tardes, vão-se as chuvas
e vão-se os dias, vai-se o tempo e a ilusão
e vamos nós, em cada sonho que se apaga,
como se a vida fosse chuva de verão.


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          Para acompanhar Galeria de hoje, segue a interpretação do próprio autor, João de Almeida Neto.

 


          Um grande abraço e que 2012 seja pleno de justiça e felicidade para todos!



quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

ORATÓRIO CAMPEIRO - SOLIDARIEDADE E PERPLEXIDADE


Quem não se sentir ofendido com a ofensa feita a outros homens,
 quem não sentir na face a queimadura da bofetada dada noutra face, seja qual for a sua cor,
não é digno de ser homem.
(José Julián Martí Pérez)



Amigas e Amigos,
         
          Na semana em que a celebramos a Festa do Santíssimo Nome de Jesus, festejamos nesta terça-feira Santa Genoveva, uma francesa que, como Santa Joana D’Arc, fez da atividade política e social uma obrigação tão importante como o jejum e a oração.



          Antes de continuar nosso bate-papo sobre Santa Genoveva neste Oratório Campeiro, quero registrar que li – aqui na capital portenha onde passo minhas férias – uma matéria no portal G1 (http://g1.globo.com) sobre o escalpamento de duas crianças – de 10 e 13 anos – em acidentes com motor de barco no Pará, no dia 30 de dezembro. Segundo a notícia, as crianças estão em estado grave na Santa Casa de Belém, referência para esse tipo de caso.

          Saber que existe um lugar tido com referência para esse tipo de caso (conforme a notícia) é algo que me deixa perplexo, pois reconhecer uma referência para essa situação é admitir que existam um número significativo de casos semelhantes. Diz, ainda, a matéria que:
Os acidentes costumam ocorrer quando as vítimas têm o cabelo arrancado pelo movimento do eixo que liga o motor até a hélice dos barcos, que fica exposto aos passageiros de maneira irregular. A menina de 10 anos sofreu perda total do couro cabeludo, teve exposição óssea, a orelha esquerda rasgada e fratura no úmero. A vítima sofreu o acidente quando viajava com a mãe da região onde mora até o centro de Portel (PA), trajeto que demora quatro horas para ser percorrido de barco. "No momento, ela está em estado grave, porém estável. A criança está com infecção e faz hemoterapia em virtude de quadro anêmico. A lesão sofrida por ela chegou até a cervical", disse Socorro Ruivo, coordenadora do Programa de Assistência Integral às Vítimas de Escalpelamento (Paives), da Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará. A criança de 13 anos foi ferida quando era levada do ponto onde mora, em Oeiras (PA), até o centro da cidade, que fica na região do Arquipélago de Marajó. Ela perdeu parte do couro cabeludo, com exposição parcial do crânio. "Nos dois casos, as pacientes estão recebendo acompanhamento médico até que possam passar por cirurgia reparadora e ortopédica", disse Socorro.  Para evitar casos de vítimas escalpeladas em embarcações na região amazônica, a Defensoria Pública Geral da União (DPGU) tem um programa, desde abril de 2005, para tentar erradicar os casos de acidentes deste tipo. Segundo dados do governo do Pará, foram registrados 250 casos de vítimas escalpeladas, no período de 1982 a 2011. A maioria aconteceu na região do Arquipélago de Marajó, na Região Metropolitana de Belém, nas regiões Nordeste e do Baixo Tocantins. A DPGU trabalha com o Projeto de Prevenção e Erradicação do Escalpelamento, que é feito em parceria com as secretarias de Saúde dos estados do Pará, Amapá, Rondônia e Amazonas, com o Ministério da Justiça e com a Marinha. De acordo com a defensora pública federal Luciene Strada, a DPGU tem 241 processos de assistência jurídicas para vítimas escalpeladas. Destes, 145 casos são no Pará, 94 no Amapá, um no Amazonas e um em Rondônia. A defensoria atua em duas linhas de ação. A primeira, reparadora, orienta as vítimas e seus familiares sobre os direitos que têm após o acidente, abre processos de assistência jurídica e viabiliza o recebimento de indenização. "O objetivo é atuar de maneira que sejam garantidos todos os direitos de cidadão até a reinserção das vítimas ao mercado de trabalho e todo acompanhamento médico, desde os primeiros cuidados até os últimos reparos de cirurgia plástica, em cooperação com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, e atendimento psicológico", disse Luciene. A segunda, preventiva, atua com campanhas de esclarecimento com donos de embarcações e passageiros. Um dos focos é o aumento da segurança dos barcos. "Não tenho registro de donos de barcos reincidentes. O acidente com vítimas escalpeladas e tão feio que o barqueiro que passou por uma situação dessa dificilmente vai querer passar por isso de novo", afirmou a defensora pública federal.

          Por mais que se possa alegar diferenças culturais – ou quaisquer outras bobagens para explicar tais situações – não consigo aceitar que acidentes dessa magnitude possam ocorrer sem que se busque – efetivamente – erradicá-los.

          O programa da Defensoria Pública Geral da União, que se arrasta – conforme a material – desde de 2005 para erradicar “casos de acidentes deste tipo”, pode ser classificado como inóquo diante da realidade apresentada na reportage do G1. E aparentemente é assim que ele também é visto pela própria DPGU, pois atua em duas linhas de ação, onde orienta as vítimas (após sofrerem o acidente) e esclarece os envolvidos para que não haja reincidência (quando alguém já sofreu um acidente deste tipo). Parece brincadeira com o sofrimento alheio.

          Volto, então, a falar de Santa Genoveva, para relembrar principalmente um dos episódios mais marcantes de sua vida. Esse episódio diz respeito a sua atuação na história da França como protetora dos moradores do campo à uma cidade que vivia na penúria. Graças a essa intervenção, milhares de franceses foram salvos da morte e, por isso, Santa Genoveva é invocada sempre que a capital francesa passa por calamidades e é a Padroeira de Paris.

          Como sugestão, vamos pedir, pela intercessão de Santa Genoveva, que Deus ajude nossos governantes a deixarem de “estar fazendo” e a “fazerem” o que os nossos irmãos mais necessitados tanto precisam, para que, assim, eles possam ser vistos como pessoas e não apenas como um voto para as próximas eleições.         

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ORAÇÃO A SANTA GENOVEVA
                  
Deus, nosso Pai,
Por intercessão de Santa Genoveva,
Afastai de nós a peste, a fome, as guerras.
Saibamos defender nossa dignidade
De cidadãos livres e de filhos de Deus,
Que nos chamou a viver na paz e na justiça,
Deixando de lado interesses mesquinhos e individualistas.

Dai-nos, Senhor,
A coragem e a abnegação de Santa Genoveva
Que soube praticar o Evangelho, servindo aos irmãos,
E que obteve na oração
Forças para debelar o perigo da opressão e o desespero da fome.
Jamais nos falte a vossa proteção
E auxílio nas dificuldades pelas quais passamos.
Amém.
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          Para concluir esse primeiro Oratório Campeiro de 2012, escolhi a música “Minha Vida Tem Sentido”, do Padre Zezinho, interpretada pelo próprio autor.


          Um grande abraço e que a Paz de Cristo permaneça conosco por todo 2012!

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

ABRINDO A PORTEIRA - ESPERANÇA EM 2012



A esperança não é nem realidade nem quimera.
É como os caminhos da terra: na terra não havia caminhos;
foram feitos pelo grande número de passantes.
(Lu Hsun)

Amigas e Amigos,

Começando 2012. Desejo que todos os que acompanham este Blog do programa Canto da Terra tenham um ano de saúde e felicidade em plenitude. O Abrindo a Porteira de hoje não é apenas para mais uma semana, como quase sempre, mas para um novo ano que se inicia.



Mesmo sempre esperando novidades nos deparamos com um 2012 que começa semelhante a tantos outros, com muita chuva atingindo a capital mineira e as cidades próximas, com os mesmo problemas dos anos anteriores, com mortes que não sensibilizam nossos governos na busca de melhoria para superarmos com mais tranqüilidade essas intempéries.

Situação semelhante vive a região serrana do Rio de Janeiro e, graças a algumas situações pontuais, ainda não se registrou um caso de calamidade como o de anos anteriores. O prefeito de Nova Friburgo afirmou a Folha de São Paulo “que apenas 30% das obras necessárias para a cidade foram executadas”. E se lembrarmos que pelo menos 900 pessoas morreram naquela região há um ano, a idéia que nos passa é de completo descaso para com a vida dos cidadãos brasileiros.

Ainda que não haja informações sobre vítimas, o munícipio de Petrópolis, também na região serrana do Rio, já registrou, conforme informação da Agência Estado, 128 ocorrências. Situação de alerta máximo são registradas nas cidades fluminenses de Duque de Caxias, São João do Meriti e Macaé.

A população atingida por essas chuvas torrenciais também paga impostos exorbitantes para não ter qualquer retorno durante um ano de espera e agonia por conta das tempestades anuais. Pode ser que aplicar em infraestrutura diminua a verba disponível para os “mensalões” que garantem eleições, reeleições e sabe-se lá mais o quê…

Ainda que as chuvas e as secas persistam em nosso país, resta-nos esperar, confiantes em nossos votos, que possamos diminuir – e quiça um dia acabar – a corrupção impregnada em nossos poderes constituídos.

          Para abrir essa porteira para 2012, deixo a música “Alma de Espelho de Rio”, de Gujo Teixeira e Luiz Marenco, interpretada por Luiz Marenco.

 

          Um grande abraço e que 2012 se revista de felicidade!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

GALERIA SERTANEJA - PREVISÃO, EMENDAS E REMENDOS



O escravo apenas tem um senhor,
o ambicioso tem tantos quantos lhe puderem ser úteis para vencer.
(Jean de La Bruyère)


Amigas e Amigos,

Esse 2011 está “apagando suas luzes” e eu, longe de Brasília (DF), percebo pelo portal G1 (http://g1.globo.com) que, por conta do prazo para se obter “empenho” de emendas – termina às 14h do último dia deste ano –, tem muito deputado e senador pressionando para serem liberados dinheiro para obras em suas bases eleitorais. A dúvida que me persegue é quantos deixaram o ano passar sem qualquer retribuição para com os que lhes garante seus salários. Não imagino todos (mas uma boa parte).




Diz o referido portal que está acontecendo uma verdadeira romaria ao Palácio do Planalto pelos que buscam promessas de pagamento de emendas parlamentares ao orçamento da União. Segundo o portal:
As emendas parlamentares são apresentadas por deputados e senadores e incluem no orçamento projetos e obras direcionados a estados e municípios onde têm bases eleitorais. O líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), escreveu em seu perfil no microblog Twitter que está no Rio de Janeiro, em férias com a família, mas permanece trabalhando, por telefone, pela liberação das emendas para o seu estado. Cada parlamentar tem o direito a R$ 13 milhões em emendas individuais e pode também incluir pedidos nas emendas reservadas às bancadas e comissões. Mesmo durante o recesso, o senador Delcídio Amaral (PT-MS) começou a visitar ministérios e o Palácio do Planalto já na segunda-feira (26). Ele disse que encontrou muitos parlamentares e assessores de gabinetes na Casa Civil. "Tem em torno de uns 40, 50 deputados esta semana trabalhando [nos ministérios]”, disse o deputado federal Darcísio Perondi (PMDB-RS), presidente da Frente Parlamentar da Saúde. Para o deputado Lázaro Botelho (PP-TO), os parlamentares da base aliada ao governo deveriam ter “tratamento diferenciado” na liberação das emendas. Em agosto, PMDB e outros partidos da base aliada se articularam para impedir a realização de votações na Câmara dos Deputados. O objetivo da paralisação foi demonstrar insatisfação com o governo, principalmente com a demora na liberação de emendas parlamentares. No início do segundo semestre, o governo chegou a anunciar que seria empenhado R$ 1 bilhão em emendas, somente em agosto.
          Quanta informação maravilhosa para nós que elegemos essas simpáticas figuras, capazes de gozar férias no Rio de Janeiro com a família e permanecer trabalhando. Imagino que, alguém que não faça nada ao longo de onze meses e receba polpuda remuneração, ao tirar seu “merecido” mês de férias – e continuar sem fazer nada – possa afirmar que está trabalhando pois suas férias estão muito semelhantes ao seu ano laboral.

          Outra coisa que me parece formidável para nós eleitores é perceber que, nos últimos dias do ano, cerca de 40 ou 50 parlamentares estão trabalhando para garantirem uma próxima reeleição por conta de distribuição de verbas para seus correligionários.

          E ver a “sensibilidade” do ilustre deputado que clama por “tratamento diferenciado” para os aliados, afinal as verbas – fruto de altíssimos impostos pagos por todos – devem beneficiar somente aqueles que moram em regiões representadas pelos parlamentares “puxa-sacos”.

          Pode-se constatar, ainda, na matéria acima que parlamentares se organizaram em agosto e paralisaram seus trabalhos – ou seja, fizeram greve branca – por estarem insatisfeitos como o Governo e a greve não foi declarada ilegal por nenhuma instância do judiciário. Será que greve ilegal só pode ser vinculada a classe que trabalhe?

          Como eu citei no início que 2011 está apagando as luzes, valho-me dos versos de Adair de Freitas, em sua música “Previsão”, que dizem “que alegria se eu previsse que a chuva do amor caísse nos ranchos do meu rincão” para desejar um Santo e Abençoado 2012 para todas as Amigas e Amigos leitores deste Blog. Segue a letra completa da música nesta Galeria Sertaneja.

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PREVISÃO
                  
Adair de Freitas

O tempo se armou de fato
Lá pra o lado do Uruguai
Vai chover barbaridade
E sem poncho ninguém sai
O tempo se armou de fato
Lá pra o lado do Uruguai
Vai chover barbaridade
E sem poncho ninguém sai.

E é por isso
Que o campeiro se agasalha
Porque sabe que não falha
Previsão de vaqueano
Mesmo aragano
Sabe que é dura a peleia
Quando o tempito se enfeia
Pro lado dos castelhanos.

O tempo se armou de fato
Lá pra o lado do Uruguai
Vai chover barbaridade
E sem poncho ninguém sai
O tempo se armou de fato
Lá pra o lado do Uruguai
Vai chover barbaridade
E sem poncho ninguém sai.

Isto é costume
Da gente lá da fronteira
Gente boa sem fronteira
Que observa a Natureza
É sutileza do peão, e está provado
Se armando pra aquele lado
Chove chuva com certeza.

O tempo se armou de fato
Lá pra o lado do Uruguai
Vai chover barbaridade
E sem poncho ninguém sai
O tempo se armou de fato
Lá pra o lado do Uruguai
Vai chover barbaridade
E sem poncho ninguém sai.

A vida é um tempo
Temporal, vento maleva
E a vida que a gente leva
Leva o tempo pela mão
Meu bom patrão,
Que alegria se eu previsse
Que a chuva do amor caísse
Nos ranchos do meu rincão.

O tempo se armou de fato
Lá pra o lado do Uruguai
Vai chover barbaridade
E sem poncho ninguém sai
O tempo se armou de fato
Lá pra o lado do Uruguai
Vai chover barbaridade
E sem poncho ninguém sai.

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          Para acompanhar a letra acima, fica aqui a interpretação do próprio autor, Adair de Freitas.


          Um grande abraço e Feliz 2012!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

TERTÚLIA NATIVA - O CARANCHO E O ITAQUERÃO


Quando se navega sem destino, nenhum vento é favorável.
(Lucius Annaeus Seneca)


Amigas e Amigos,

          Aqui na bela capital portenha, continuo passeando muito, ganhando alguns quilos extras por conta dos maravilhosos cortes de assados. Sem perder o contato com as coisas de nosso Brasil, li no Blog do Perrone, no porta UOL (http://www.uol.com.br) que o Banco do Brasil se apresenta ao BNDES como “fiador” do Itaquerão, o estádio que o Corinthians não tem condições de construir.

          Dado a um presidente que parece ter usado o clube para buscar projeção política, e hoje se prepara para exercer um cargo “simbólico” (ou não, como diria Caetano) na CBF, e a outro presidente que resolveu assumir como capricho essa aparente vaidade pessoal em detrimento da ausência de investimentos em saúde, educação e segurança no país, saiu do papel a absurda idéia dessa construção sem qualquer sentido.

          O Perrone conclui a sua postagem dizendo que “Com o BB no circuito, o Itaquerão reforça sua vocação estatal. BNDES, prefeitura e governo de São Paulo são os outros entes públicos envolvidos na gestação do estádio corintiano. Sem falar na participação do então presidente Lula, que estimulou a Odebrecht a entrar na empreitada”. Essa vergonha toda com o dinheiro do povo só é possível em um país que não tem qualquer preocupação com a opinião do seu povo e sabe que, se der tudo errado – como é possível se esperar – bastará aumentar algum imposto ou criar alguma coisa que pague esse desmando administrativo.



          Com essa “confusão administrativa”, onde o governo assume os compromissos (ou a falta de compromissos) da iniciativa privada, lembrei de um causo contado lá no sul do Rio Grande do Sul, cujo personagem principal – o popular Carancho – assume um local que ainda não era seu. Segue abaixo, para preencher essa Tertúlia, a confusão provocada pelo Carancho.

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O CARANCHO E O CAIXÃO DE DEFUNTO
                                                                             Domínio Público

          Certa feita, num domingo à tarde, sentado nas guardas da ponte do rio Santa Maria, que banha Dom Pedrito, o nosso amigo Carancho aguardava uma carona, que o levasse até a campanha. Eis que surge a picape Willys da prefeitura municipal, levando um caixão para um defunto carente do interior. O Carancho, então, pediu uma carona e foi atendido.

          Dali a pouco começou a cair um chuvarada daquelas. Sem se apertar, o Carancho velho entrou no caixão e, mais do que depressa, fechou a tampa, protegendo-se da chuva.

         Mais adiante, outras pessoas também pegaram carona. E, uma vez em cima da picape, como é próprio do pessoal da campanha, que acredita em assombração e outros bichos mais, todos passaram a olhar, desconfiados, para aquele caixão de defunto fechado.

          Vai daí que lá pelas tantas começou a esquentar no interior do caixão, e o Carancho velho, abrindo a tampa de sopetão, perguntou:

          – E daí, indiada? Como é que tá o tempo aí fora, chê? Barbaridade!

          Foi vivente saltando pra todo o lado e se boleando pelos barrancos da estrada. Dizem que teve gente que correu mais de dez léguas, e sem parar!

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          Para continuar “combinando” com essa vertedura do dinheiro público brasileiro, a música desta Tertúlia Nativa é “O maior calote”, de Nhô Chico e Dino Franco, com João Mulato & Pardinho.


          Um grande abraço e até a próxima!