quinta-feira, 24 de maio de 2012

TERTÚLIA NATIVA – DE COINCIDÊNCIAS, ÉTICA E POLÍTICA


É uma experiência eterna de que todos os homens com poder são tentados a abusar.
(Baron de la Brede et de Montesquieu)





Amigas e Amigos,




Uma série de coincidências, encontrada nos últimos dias nas leituras de alguns periódicos, provocaram desassossegos em meus pensamentos. Pensava que se alguma situação é tida como legalmente correta, não existiria qualquer motivo para incomodar.


A atuação do ex-ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, em alguns dos seus últimos casos me conduziu a uma situação de desconforto. Mesmo que, aparentemente, não seja vislumbrada qualquer ilegitimidade, alguns fatos parecem aviltar preceitos de boa conduta.

Para começar a seqüência de fatos, uma matéria do portal do Diário de Pernambuco, hoje, diz que foi pedido ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região:
que anule as escutas telefônicas das operações Vegas e Monte Carlo, base da CPI do Cachoeira. A anulação das gravações derrubaria todas as investigações em curso contra Cachoeira e os demais integrantes da organização acusada de exploração ilegal de jogos e corrupção de parlamentares, entre outros agentes públicos. O advogado de Cachoeira, o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, alega que as escutas são ilegais porque, no transcorrer das operações Vegas e Monte Carlo, a Polícia Federal investigou o senador Demóstenes Torres (Sem partido-GO) e outros parlamentares sem autorização prévia do Supremo Tribunal Federal (STF).


Na matéria acima, salvo engano, fica parecendo que o ex-ministro não está preocupado com a Justiça, mas com o bem estar de seu cliente – conhecido por atividades de contravenção e acusado de crimes envolvendo o poder público de diversos estados. As escutas telefônicas trouxeram ao conhecimento público uma quantidade exorbitante de crimes, envolvendo favorecimento de servidores e desvios de verbas públicas. Como o ex-ministro teve um entendimento – particular – do que seria a autorização para escutar esses degradantes colóquios via telefone, passa a impressão de acreditar que a atitude correta é deixar que esse tipo de falcatrua contra o cidadão brasileiro se perpetue.

No último dia 22 de maio, o portal Folha.com, o ex-ministro aparece defendendo interesses de seus clientes envolvidos com o escândalo do mensalão. Conforme o citado portal:
O ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos afirmou nesta terça-feira (22) não ver pressa para o julgamento do mensalão. Thomaz Bastos advoga no caso para José Roberto Salgado, diretor do Banco Rural. "Eu não vejo pressa. Por que vamos fazer correndo esse julgamento, quando tem tantos outros que não se fazem?", afirmou o advogado.

Nesse caso, parece que o ex-ministro faz menção a notória lentidão da Justiça para clamar aos seus companheiros de toga que “empurrem com a barriga” o julgamento dessa bandalheira que se havia instituído no centro dos poderes brasileiros.  Mais uma vez, a idéia passada é de que o melhor é, na opinião do ex-ministro, que ninguém seja julgado por crimes cometidos contra os cidadãos brasileiros, pois protelar, nesse caso, pode significar esperar pelo decurso de prazo das acusações.

Outra notícia, interessante, também envolvendo o ex-ministro é a do portal Estadão, do dia 2 de maio de 2009, com o seguinte teor:
Ministro da Justiça de janeiro de 2003 a março de 2007, o advogado criminalista Márcio Thomaz Bastos não abandonou a rotina na capital da República: foi e ainda é o homem que ajuda a livrar o governo das piores enrascadas. [...] Não há no Planalto um problema de grande impacto na seara política ou jurídica que não passe pelo "confessionário" do ex-ministro da Justiça. Nos últimos meses, sua atuação foi decisiva para conter a guerra de facções na Polícia Federal, escancarada com a Operação Satiagraha, que vasculhou a vida do banqueiro Daniel Dantas. Foi Thomaz Bastos, por exemplo, quem ajudou a construir o acordo que resultou na transferência do delegado Paulo Lacerda - ex-diretor-geral da PF e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) - para o cargo de adido em Lisboa. Depois de uma quarentena de um ano, o ex-ministro não vê impedimento ético em defender agora a empreiteira Camargo Corrêa e o empresário Eike Batista, alvos de investigações da Polícia Federal - instituição que foi subordinada a ele até março de 2007.

Essa última matéria, mais antiga, dá a impressão de que o exercício do cargo de ministro da Justiça foi suspenso, porém a autoridade proveniente do cargo continua potencialmente ativa. E é essa também a percepção proporcionada pelas atuações relacionadas às demais matérias aqui referidas.

Deve ficar claro que impressão ou percepção não são evidências que comprovem qualquer irregularidade. Penso, também, que à luz da lei não se qualifique na atuação profissional do ex-ministro qualquer desvio que possa ser condenado. Mas a “pulga” da ética insiste em se acomodar “atrás de minha orelha”.

A grande dúvida que tenho diz respeito a tantas tentativas do ex-ministro, como advogado de defesa, para que sejam “abafados” processos que envolvem denúncias de negócios escusos associados ao poder constituído (do qual ele fez parte em determinado período). Posso estar com um errôneo entendimento dessa situação e alguns resultados – que não vislumbro – justifiquem os fatos apresentados, confirmando a idéia – com a qual não consigo concordar – de que a ética foi abandonada pelo exercício da vida política.

Com essas aparentes “misérias”, lembrei de um sujeito miserável que virou personagem de Rolando Boldrin em um causo, que abaixo está publicado.


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ÊTA CABOCLO MISERÁVEL

                        Rolando Boldrin


Lá em São Joaquim da Barra (lá venho eu com minha terra de novo), tinha o Abílio Estori. Muitos inventaram causos da miserabilidade dele. Quando a gente fala em miserável, é aquele camarada que não rói a unha porque dói. É aquele que, de graça, não dá nem bom dia...etc. e tal.


Sobre o tal Abílio, chegaram a contar dele uma escabrosa. Imaginem os senhores que contam por lá que, um certo dia, o nosso personagem estava com dor de cabeça. Naquela época, era comum tomar o famoso Melhoral para qualquer dor.


Então, isso posto, conta-se que o Abílio, estando com dor de cabeça, teria amarrado na ponta de uma linha bem fina de costura um comprimido de Melhoral. E tomado o comprimido em seguida com um gole de água. Assim que a dor de cabeça passou, o Abílio teria puxado pra fora o Melhoral, para guardá-lo para outra ocasião. Outra dor. Era muito econômico o nosso querido Abílio.


Outra atribuída a ele era nos tempos da bicicleta motorizada. Aquelas que tinham um motorzinho no cano central. Pois bem. Contam que ele descia a rua principal que era um pouco declinada, com o motorzinho ligado, fazendo aquele barulhinho característico de motor...brrr....brrrrrrr...De vez em quando (dizem), o Abílio desligava o tal motorzinho e substituía o seu barulho característico por um ruído igual, só que feito pelos lábios, pela boca... brrrrr... brrrrr...Era muito econômico o nosso Abílio.


Agora, pra encurtar nossos causos, aqui vai uma do saudoso Pedro Chediac, que dizem era muito miserável também. No bom sentido da nossa lembrança querida desse personagem histórico da minha terra.


Pois bem. Lá vem o sêo Pedro numa caminhonete na estrada. Ao ver um caboclo na bêra do caminho, como quem pede carona, este sêo Pedro toma a iniciativa de parar o veículo e oferecer (vejam só) a tal carona.


PEDRO – Pra onde o senhor está indo, amigo?


CABOCLO – Pra fazenda do Lageado, moço.


PEDRO – Entre aqui, que eu lhe levo até o seu destino.


CABOCLO – Obrigado, cidadão... Muito obrigado pela gentileza.


O caboclo subiu na caminhonete. Prosa vai, prosa vem, que lá na minha terra se gosta muito de prosear, o sêo Pedro de repente diz ao caboclo:


PEDRO – O senhor por acaso já me conhecia?


CABOCLO – Só de vista, moço.


PEDRO – Pois eu me apresento. Sou muito conhecido por essas bandas. Meu nome é Pedro Chediac.


O caboclo faz um ar de quem já ouviu falar do sêo Pedro Chediac.


PEDRO – Pois então. Veja o senhor que, na minha cidade, dizem que sou muito miseráve. Mas é intriga. Pois eu mesmo não lhe ofereci carona, agora mesmo? Intão. Eu não sou miseráve nada. Eu sou muito bom. Veja bem: sou uma pessoa tão dadivosa... portanto, não sou miseráve, que isso fosse verdade.... eu quero que, por um castigo, uma jamanta dessas bem grandes e pesadas passe por cima de nóis dois, agora mesmo. Neste instante.


CABOCLO (no ato) – Ô moço! O sinhô qué fazê o favô de encostá a sua caminhonete... Eu quero apeá... agora mesmo. Bem depressa!!!


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         Para concluir a Tertúlia de hoje, fica a música "Lição de Moral", de Zé da Praia e Teodoro, com Zé Tapera e Teodoro.


  
 Um grande abraço e até a próxima!

quarta-feira, 23 de maio de 2012

ORATÓRIO CAMPEIRO – SANTA RITA DAS CAUSAS URGENTES


Olhando bem para eles, Jesus lhes disse:
“Para os homens isso é impossível, mas não para Deus. Para Deus tudo é possível!”
(São Marcos 10,27)





Amigas e Amigos,


Este Oratório Campeiro – na 7ª Semana da Páscoa, momento em que a Igreja se prepara para a iminente Festa de Pentecostes, já no próximo domingo – lembra que hoje festejamos Santa Rita de Cássia, uma religiosa e mística que viveu na Itália entre 1381 e 1457.

Rita, que foi casada com um homem considerado rude e morto em uma briga, foi mãe de dois filhos. Seus filhos morreram logo após a morte do pai, que queriam vingar e não conseguiram realizar essa vontade. Nesse tempo, Rita tentou ingressar em um convento agostiniano em Cássia (ou Cascia, em italiano) sem sucesso, pois só aceitavam jovens virgens. Com muita oração, conforme consta na história de Santa Rita, ela foi milagrosamente transportada para dentro do convento quando este se encontrava com todas as portas trancadas.

Outras passagens com superação de situações consideradas impossíveis fazem parte da vida de Santa Rita. Em uma delas consta que Rita teria, atendendo pedido de sua Superiora, regado durante muito tempo um pé de videira sem vida e, em um ano, brotaram cachos de uvas abundantes e saborosas. Outra passagem diz respeito a um momento próximo de sua morte quando solicitou rosas de sua terra natal, em pleno inverno, e uma parenta sua encontrou, em frente a sua casa, uma roseira florida no meio da neve.




No portal das Paulinas, sobre Santa Rita de Cássia, pode-se encontrar que “A vida de santa Rita de Cássia foi uma das mais sofridas na história da Igreja católica, por esse motivo os fiéis a consideram a santa das causas impossíveis".

Santa Rita de Cássia é considerada a mais popular das santas e seu emblema são as rosas, bentas em muitas localidades no dia de sua festa. Além de padroeira das causas impossíveis, ela é padroeira das viúvas e protetora contra a infertilidade.

Publico abaixo a Oração a Santa Rita, no mesmo dia em que o Brasil parece assistir – a partir do tempo perdido com os grandes “investigadores” do Congresso interrogando zoo-empresário Cachoeira – que impossível por aqui é final de CPI com algum resultado que não o desperdício de tempo e de dinheiro público. O mais interessante – ainda que trágico – foi ver congressistas injuriados porque estavam sendo “feitos de bobo” ou porque se sentiam com "cara de palhaços" (eles que nos fazem de bobos e de palhaços todo o tempo, sem qualquer sentimento aparente de “injúria”).


        
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ORAÇÃO A SANTA RITA DE CÁSSIA

Ó Santa Rita,
Advogada nas causas urgentes,
Solução para os problemas insolúveis,
Socorro nos casos desesperados!

Eis aos vossos pés
Uma alma desamparada e amargurada
Que precisa do vosso auxílio
E de vossa proteção.

Não permitais
Que eu tenha de me afastar de vós
Sem ser atendida(o).

Ó Santa Rita,
Intercedei junto a Deus
Para que ele me conceda
A graça de que tanto necessito
(fazer o pedido).

Ó grande Santa,
Por vosso intermédio,
Espero tranqüilamente receber a graça que peço.
Amém!

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         A música escolhida para este Oratório é "Utopia", de Zé Vicente, interpretada pelo próprio autor.

  


Um grande abraço e que a Paz de Cristo permaneça conosco!

segunda-feira, 21 de maio de 2012

ABRINDO A PORTEIRA – OS NOVOS CANGACEIROS POLÍTICOS


O homem é cruel sobretudo em relação ao homem,
porque somos os únicos capazes de humilhar, de torturar
e fazemos isto com uma coisa que deveria ser o contrário, que é a razão humana.
(José de Sousa Saramago)





Amigas e Amigos,


         Voltei de Pirenópolis no final da tarde desse último domingo. Naquela acolhedora cidade do interior de Goiás já começou a Festa do Divino que prevê para os dias 27, 28 e 29 próximos as Cavalhadas, um espetáculo tradicional que acontece desde 1826 (alguns estudos dizem que a festa teria começado em 1819). As Cavalhadas simulam as lutas entre cristãos e mouros, representados por dois exércitos de cavaleiros. Além dessa encenação, a festa apresenta outras atrações como a Folia Rural, as novenas, as missas, as Pastorinhas e os “Mascarados” (conhecidos também como “Curucucús”) que, com máscaras artesanais de papel, animam a cidade passeando com seus cavalos enfeitados.
  
         Toda a simplicidade e espontaneidade de uma das maiores festas tradicionais me levava a acreditar em um início de semana agradável. Por mais que tudo isso tenha contribuído para um bom começo de mais uma semana, a leitura de notícias da página Cotidiano – com matérias sobre a seca no Nordeste –, do portal UOL, traz alguma nebulosidade para o bom dia que se anunciava.



Fonte: Internet


         A falta de água que está atingindo o Nordeste brasileiro faz nascerem criminosos aventureiros em fazendas, em fábricas e no meio político daquela região. A matéria de hoje do UOL diz que:
Operações realizadas em pelo menos três Estados do Nordeste –Bahia, Pernambuco e Sergipe – apontam que parte da água que deveria ser destinada a abastecimento dos sertanejos durante a seca está ou estava sendo furtada por fazendas e fábricas no sertão dos Estados. Em vez de abastecer a população, a água desviada servia para cultivar hortaliças ou até para fabricação de gesso. Nas últimas semanas, ações realizadas em áreas às margens de rios, barragens e adutoras flagraram vários casos de desvio da água, o que, segundo as companhias de saneamento, prejudica ainda mais o abastecimento das cidades em situação de emergência pela estiagem. Em Pernambuco, onde 90 cidades já decretaram emergência pela seca, os flagrantes estão sendo feitos pela Compesa (Companhia Pernambucana de Saneamento) com apoio da Polícia Militar. [...] Segundo a companhia, no primeiro trecho alvo da operação – com 200 km de extensão – são produzidos 480 litros de água por segundo. Desse total, 80 litros por segundo estavam sendo desviados. A quantidade, segundo a empresa, era suficiente para abastecer a cidade de Ouricuri, por exemplo, que tem 64 mil habitantes. As operações vão se estender por toda a extensão da adutora. [...] O caso mais significativo ocorreu na última terça-feira (15), quando duas fábricas entre os municípios de Ipubi e Ouricuri foram flagradas desviando água da adutora para confecção de placas de gesso. No local visitado estavam dezenas de placas de gesso recém-fabricadas e prontas para a venda. Os proprietários não estavam no local no momento da operação. Também em Ouricuri foram localizados três tanques com capacidade de criação de mais de 50 mil peixes. Além disso, caminhões-pipa estavam sendo abastecidos com água da adutora. Em Parnamirim, foram flagradas fazendas que possuíam ligações clandestinas e irrigavam plantações de feijão. Já em Exu, outro flagrante encontrou hortaliças sendo irrigadas com a água furtada.

         A irrefreável ganância de alguns mata outros para que se irriguem hortaliças, se produzam placas de gesso ou se criem peixes. Os produtos gerados com a água roubada dos que sofrem – ou morrem – com a sede se farão riqueza maior para os meliantes proprietários dessas verdadeiras indústrias da sede. Fico imaginando que o único remorso que esses indivíduos devem sentir é o de não terem conseguido “roubar” ainda mais água para aumentar seus ganhos.

         Se com os casos já flagrados já se pode avaliar que muita dor poderia ter sido evitada, é provável que pouco sacrifício tivesse existido se todos os casos de desvios criminosos fossem evitados. O grande problema é que evitar a sede, e a conseqüente fome, pode levar a perda de controle de votos nas próximas eleições.

         Um outro grande absurdo – propiciado pela má gestão da coisa pública – é um outro reflexo da seca, com toques de dramaticidade, que acontece no Sergipe e que dá bem uma idéia de como pode ser interessante a “indústria da seca”. Além de todos os problemas de clima e de desvios de água, cidadãos de Poço Redondo enfrentam mais uma ridícula dificuldade. Ridícula por ser digno de desprezo o incômodo imposto pela Deso (Companhia de Saneamento de Sergipe) a comunidade São José. Notícia de ontem, do UOL, diz que:
A falta de água já é um problema grave durante a seca no Nordeste, mas comunidades da cidade de Poço Redondo (SE) estão tendo que conviver com a escassez do produto nas torneiras há mais de um ano. Na comunidade São José, onde vivem cerca de 70 famílias, apesar da suspensão do fornecimento, as contas com as cobranças continuam chegando regularmente, apesar das medições apontarem que não há consumo. [...] Em nota, a Deso confirma que existem dificuldades no abastecimento de comunidades do município. Segundo o gestor da Unidade Negócios Sertão da Deso, Carlos Anderson Pedreira, na comunidade São José é necessário viabilizar um reforço de rede para garantir o abastecimento. "[...] Com relação às contas geradas, o consumidor tem o direito de pedir o cancelamento dos serviços prestados pela empresa sem nenhum custo. É só se dirigir a algum posto de atendimento da Deso e apontar o mês em que não houve o fornecimento dos serviços e solicitar a exclusão destas faturas", afirma.

         Moradores da comunidade atingida pela falta de abastecimento informaram que não recebem água encanada há quase dois anos. De forma absurdamente simplista, a Deso reconhece em nota a não efetividade de sua missão e na manifestação de seu gestor deixa ainda uma solução – ou desprezo – para a população: passem em um posto e mandem cancelar a cobrança indevida. Gostaria de saber como é atribuído o valor de consumo se não houve fornecimento de água. Seria a sigla Deso originária de Desorganização?

          A confusão – e a conseqüente exploração da seca – não para por aí. A escassez de água aumenta o faturamento de uma amaldiçoada “indústria da seca”. No último sábado, a matéria do mencionado portal disse que:
A seca no Nordeste é sempre sinal de sofrimento para o sertanejo. Mas a falta de chuva também movimenta o meio político e o comércio das cidades atingidas pela estiagem. A chamada “indústria da seca” fatura alto com a falta de alimentos para os animais e de água para os moradores. O exemplo mais conhecido no sertão – e relatado por diversos moradores ao UOL – é o uso político na distribuição dos carros-pipa, marca registrada do assistencialismo simples. Segundo os relatos, alguns políticos visitam as comunidades e se apresentam como “responsáveis” pelo envio da água. Os moradores também reclamam da alta nos preços de serviços e alimentos para os animais. “A prefeitura nos ajuda muito, nos mandando água por carros-pipa. Às vezes demora, mas sempre vem”, conta a agricultora Maria Gildaci, 66, de Tacaratu (PE), sempre citando que o prefeito é "quem manda" o carro para a sobrevivência dela e da família, que vive em uma pequena casa no sítio Espinheiro. Falas como a Gildaci, agradecendo os políticos, são comuns, mas a prática está sendo combatida por organizações do semiárido. “Água é um direito, não é dada de favor. Agricultores relatam com frequência que vereadores se apresentam trazendo carros-pipa e que prefeitos estão se utilizando disso para as eleições. [...]”, afirma o coordenador da ASA (Articulação do Semiárido).

         Por mais repugnante que possa parecer, é uma prática política, condenável – como boa parte das práticas políticas –, e muito comum. Incomum é imaginar que seria possível existir vontade política para melhorar a situação dessas pessoas que sofrem com a seca para que os novos cangaceiros do poder se perpetuem como escusas “lideranças”. As novas técnicas do cangaço político não dizimam populações, mas fragilizam comunidades para que vivam em condições subumanas. Nessas condições, muito pouco incomodam e por muito pouco vendem seu voto – que para esses cangaceiros é só o que importa.

         A música escolhida para abrir a porteira é “Lampião Falou”, de Venâncio e Aparício Nascimento, na interpretação do eterno Rei do Baião: Luiz Gonzaga do Nascimento, o grande “Lua”.

 

Um grande abraço e até a próxima!

sexta-feira, 18 de maio de 2012

GALERIA SERTANEJA – TEM BOI NA LINHA...



Quem não tem vergonha não tem consciência.
(Thomas Fuller)






Amigas e Amigos,



Hoje, ao acessar o portal G1, encontrei que a CPI da moda, a do Cachoeira, aprovou a quebra de sigilos da construtora Delta somente para o Centro-Oeste e o Tocantins, ainda que a construtora tenha atuado – e ainda atue, sendo a grande parceira do PAC – em outros estados.


A matéria do G1 diz que:
A Comissão Parlamentar de Inquérito criada para apurar o elo do bicheiro Carlinhos Cachoeira com políticos e empresários aprovou nesta quinta-feira (17) a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico da construtora Delta. Serão investigados dados das filiais da empresa em Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal. Segundo investigação da Polícia Federal, a Delta, uma das empresas com mais contratos com o governo federal, repassou dinheiro para empresas fantasmas que abasteciam o grupo de Cachoeira. [...] Outras empresas citadas nas investigações da PF também tiveram os sigilos quebrados. Durante a votação do requerimento, deputados e senadores da oposição defenderam que a CPI quebrasse os sigilos da empresa Delta em todo o país, não apenas das filiais da empresa no Centro-Oeste e Tocantins. Essa proposta ainda vai a votação. “A gente vai separar o que a gente acha que tem indício e deixar de investigar a empresa no restante do país? A Controladoria Geral da Uinião indicou 60 contratos da Delta sob investigação por superfaturamento”, argumentou o deputado Fernando Francischini (PSDB-DF). Já o relator da CPI, Odair Cunha, defendeu que apenas a Delta Centro-Oeste, que foi comandada por Claudio Abreu, tivesse o sigilo quebrado.

Sempre que ouço falar em instauração de CPI, imagino que os membros do poder legislativo que a conduzirão estão em um momento de marasmo, necessitando criar um passatempo para fazerem de conta que estão preocupados com alguma coisa. E essa, dá ainda mais a impressão, pelos vícios apresentados em seu início, que não terá andamento diferente das anteriores, talvez com o agravante de seus integrantes aparentarem estar ainda mais preocupados com qualquer possibilidade de investigação séria. Poderá até ser tornar conhecida como a CPI dos rabos presos.

O portal do Estadão, também hoje, tratou desse assunto, reforçando a ideia acima do passatempo de parlamentares, mostrando que fortes indícios de irregularidades não serão considerados quando envolver “parceiros” fiéis. Diz o Estadão que:
A comissão, porém, não colocou em votação os requerimentos para convocar os governadores Sérgio Cabral (PMDB-RJ), Marconi Perillo (PSDB-GO) e Agnelo Queiroz (PT-DF), o que levantou protestos da oposição. [...]  Parlamentares também criticaram a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico da Delta Construções restrita às filiais da empreiteira localizadas na região Centro-Oeste. Com a decisão, a medida abrangerá as regionais da Delta em Tocantins, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal. Foi firmado um compromisso para votar a quebra ampliada apenas no dia 5 de junho.   O relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), disse que não há indícios para propor uma quebra de sigilo "ampla, geral e irrestrita" da empreiteira. Para ele, a ligação da Delta com o contraventor Carlinhos Cachoeira, até o momento, era feita apenas pelo ex-diretor da região Cláudio Abreu.

Enquanto nossos simpáticos representantes deixam o tempo passar trocando sustentáveis teorias do tipo “eu acho que sim” e “eu acho que não”, o “rolo” vai, cada vez mais, se anuviando. Parecendo ser insuficiente a ponta do iceberg de lama já aparente, a transação envolvendo a construtora com um frigorífico, e um noticiado envolvimento do BNDES-Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, parece não exalar um cheiro que possa ser classificado como bom.





Em outra matéria do Estadão, é noticiado o inquérito civil público que foi aberto pelo procurador da República Edson Abdon para investigar a venda da Delta ao grupo J&F Participações. Esse grupo é dono do frigorífico JBS, que tem 31,4% das suas ações controladas pelo BNDES. O Estadão, hoje, também diz que:

O objetivo da investigação, pedida na semana passada pelo procurador regional da República no Rio de Janeiro, Nivio de Freitas Silva Filho, é evitar que os controladores da construtora - mais de 80% são propriedade do empresário Fernando Cavendish - fujam ao pagamento de eventuais prejuízos causados por supostas irregularidades cometidas pela empresa. [...] A venda da Delta, anunciada na semana passada, foi recebida com estranheza pelo mercado. Não houve, segundo anunciado, desembolso de dinheiro. Os novos controladores terão dois meses para administrar a empreiteira e examinar sua contabilidade e compromissos, para então anunciar se vão realmente comprá-la. Cavendish, que se afastara do Conselho de Administração da empreiteira, não teria alternativa - a outra seria aceitar a falência, já que a perda de credibilidade lhe fechou portas de financiamentos pelos bancos. Integrante da área de Patrimônio Público da Divisão de Tutela Coletiva do Ministério Público Federal no Rio, Abdon oficiou ao BNDES para que explique sua eventual participação no negócio. O banco nega ter tido influência na compra e afirma que é somente sócio de uma controlada do J&F, sem influência na holding - embora a maior delas. O procurador também pediu informações sobre a venda à própria Delta e à J&F. Há suspeita de influência política no negócio, já que interessaria ao governo que a Delta, detentora de muitos contratos de obras federais, não falisse, e teme-se que recursos públicos acabem injetados na empreiteira. O Palácio do Planalto nega ter influenciado no caso e afirma que a empreiteira poderá ser declarada inidônea.


Todo esse “jogo de empurra" parece confirmar a impressão que tive quando disse que se o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) fosse um rio, teria uma “cachoeira” em seu “delta”. A partir dos novos desdobramentos e das mal explicadas histórias do frigorífico e a construtora, passo a pensar que o PAC está mais para uma “Maria Fumaça” que não consegue andar porque “tem boi na linha”.

         Esse intrigante caso da venda da Delta fez com que escolhesse, para esta Galeria, uma música de Adalto Ezequiel (o Carreirinho), Isaltino Gonçalves de Paula e Pedro Lopes de Oliveira, com o título de “Boi Soberano”, com a letra abaixo.

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BOI SOBERANO

                                   Carreirinho, Isaltino de Paula e Pedro L. de Oliveira



Me alembro e tenho saudade do tempo que vai ficando
Do tempo de boiadeiro que eu vivia viajando
Eu nunca tinha tristeza vivia sempre cantando
Mês e mês cortando estrada no meu cavalo rumando.
Sempre lidando com gado, desde a idade de 15 anos
Não me esqueço de um transporte, seiscentos bois cuiabanos
No meio tinha um boi preto por nome de Soberano!


Na hora da despedida o fazendeiro foi falando
Cuidado com esse boi que nas guampas é leviano
Esse boi é criminoso já me fez diversos danos
Tocamos pela estrada naquilo sempre pensando
Na cidade de Barretos, na hora que eu fui chegando.
A boiada estourou ai, só via gente gritando.
Foi mesmo uma tirania, na frente ia o Soberano.


O comércio da cidade as portas foram fechando
Na rua tinha um menino de certo estava brincando
Quando ele viu que morria de susto foi desmaiando
Coitadinho debruçou na frente do Soberano
O Soberano parou ai, em cima ficou bufando.
Rebatendo com o chifre, os bois que vinham passando.
Naquilo o pai da criança de longe vinha gritando!


Se esse boi matar meu filho eu mato quem vai tocando
E quando viu seu filho vivo e o boi por ele velando
Caiu de joelho por terra e para Deus foi implorando
Salvai meu anjo da guarda desse momento tirano
Quando passou a boiada, o boi foi se retirando
Veio o pai dessa criança e comprou o Soberano
Esse boi salvou meu filho, ninguém mata o Soberano!



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         A interpretação hoje é da dupla Tião Carreiro e Pardinho.

   

         Um grande abraço e até a próxima!



quinta-feira, 17 de maio de 2012

TERTÚLIA NATIVA – MARCHA DOS PREFEITOS “ESPERTOS”



Os homens, tão enfadonhos quando se trata das manobras da ambição,
são atraentes ao agirem por uma grande causa.
(Charles André Joseph Marie de Gaulle)






Amigas e Amigos,

Ontem, o clima – mesmo com temperaturas mais baixas – esteve quente na Capital Federal, onde prefeitos de diversos municípios brasileiros encontraram a presidente da República. Como por ironia, o “incêndio” começou com petróleo.

Matéria do portal Folha.com informou que:
A presidente Dilma Rousseff foi vaiada nesta terça-feira (15) pelos prefeitos que participavam da 15ª edição da Marcha dos Prefeitos, em Brasília. A vaia ocorreu no momento em que a presidente decidiu falar sobre a redistribuição dos royalties do petróleo. Ao final do discurso de Dilma na abertura do evento, os prefeitos pediram que a presidente se manifestasse sobre o assunto e Dilma respondeu: "Vocês não vão gostar do que eu vou dizer". Em seguida, a presidente declarou: "Não acreditem que vocês conseguirão resolver a distribuição de hoje pra trás. Lutem para resolver a distribuição daqui pra frente". Os prefeitos não gostaram da fala de Dilma e vaiaram a presidente.

A posição da presidente foi firme e transparente – duas qualidades que, aparentemente, incomodam boa parte de nossos políticos – e ela não fugiu do que poderia parecer – ou foi – uma provocação.

Na continuidade dos fatos, a presidente demonstrou despreparo para discutir ideias que divirjam das suas. Conforme notícias de hoje, além de demonstrar irritação com o que considerou uma “cobrança pública” do presidente da Confederação Nacional dos Municípios, chegou a ser vista de dedo em riste no decorrer de uma conversa nada amistosa com o mencionado presidente.

Penso que falte discernimento para a presidente entender que ideias diferentes podem contribuir para discussões que enriquecerão qualquer assunto. Por outro lado, entendo que o presidente da CNM não demonstrava qualquer outro tipo de preocupação que não fosse desestabilizar sua interlocutora (o que, pela reação foi muito fácil), pois ao defender a redistribuição dos royalties do petróleo (conforme a continuidade da matéria da Folha):
O presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, fez um discurso com uma série de reivindicações dos prefeitos ao governo federal e ao Congresso. Uma das reclamações tratava sobre a falta de recursos das prefeituras para pagar o piso nacional de determinadas profissões. Ziulkoski citou como exemplos o piso dos professores e dos agentes comunitários: "Ninguém é contra o piso. Só que tem que ter um piso que dê para cumprir", disse o presidente. Paulo Ziulkoski disse ainda que o prefeito que não pagar o piso será punido pela Lei de Responsabilidade Fiscal e, por isso, poderá ser considerado ficha-suja. "O promotor lá na base ele pega o prefeito. O andar térreo é fácil. Do governador pra cima, o tratamento já é diferente", disse. Dilma disse que ficou "muito preocupada" com o relato sobre o cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal e prometeu que a União irá auxiliar nessa discussão. "Seria fundamental discutir o que é de fato que produz um desrespeito à Lei de Responsabilidade Fiscal, que não é fruto da capacidade do prefeito. [... ] Nós queremos auxiliar em tudo para que não fiquem vulneráveis do ponto de vista jurídico à Lei de Responsabilidade Fiscal", afirmou Dilma. E completou: "o governo vai ser parceiro nisso. O governo vai separar o joio do trigo".

Parece que o Sr. Ziulkoski apresenta diferentes justiças, uma que pune quem deve ser punido – como a que ele chama “lá na base” e que pune prefeitos que não cumprem leis – e outra que trata “do governador para cima” com uma cegueira diferenciada – provavelmente sem condenações por irresponsabilidades. Ele pede que essa “justiça parceira”, mais confortável, seja estendida para os prefeitos. O mais surpreendente é a presidente Dilma afirmar que “o governo vai ser parceiro nisso”.
 
 Fonte: Portal Folha de Dona Inês

 Outra matéria da Folha, ainda abordando o encontro dos prefeitos com a presidente da República, pode dar uma ideia melhor de quem seja o presidente da Confederação Nacional dos Municípios. Diz a matéria que:
Paulo Ziulkoski, pediu nesta terça-feira (15) à presidente Dilma Rousseff que sancione o novo Código Florestal, aprovado pelo Congresso. [...] "Nós temos 4.400 municipios agropecuarios no país, estamos pedindo pra senhora que sancione o novo Código Florestal aprovado na Câmara. Esses municípios não podem terminar", afirmou Paulo Ziulkoski durante a abertura da 15ª edição da Marcha dos Prefeitos, em Brasília.

O veto do Código Florestal, ou mesmo a criação de um Código Florestal preocupado com questões ecológicas fundamentais, pode acabar com 4.400 municípios agropecuários, segundo o Sr. Ziulkoski. Constatável na afirmação desse senhor, provavelmente, será somente a quantidade de municípios agropecuários, pois o apoteótico final aludido não deve estar embasado em qualquer estudo. Acredito que esse patético apelo não terá qualquer efeito na decisão da presidente Dilma que vem demonstrando seu desconforto com o formato tomado pelo Código Florestal a partir de interesses pessoais de deputados.

A fala fácil do Senhor Ziulkoski, associada a um aparente descompromisso com fatos, me lembrou dum caso de Rolando Boldrin, que transcrevo abaixo.


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NOS TEMPOS DA REVOLUÇÃO
                                           Rolando Boldrin

Vejam só: até dos tempos da marfadada revolução tem causos pra gente contar. Esse que conto agora é dum camarada muito boateiro que tinha num bairro de São Paulo. O homem fazia boato de tudo. E isso era sempre num botequinho que ele freqüentava. Inventava coisas do governo militar, coisas de autoridades, zombava disso e daquilo outro.

Acontece que, desse barzinho gostoso de se trocar umas conversas de fim de tarde, um coronel que estava sempre à paisana era também um grande freguês. E, portanto, sabedor e até ouvinte assíduo do boateiro. Ninguém naquele boteco sabia que o coronel era coronel do nosso glorioso Exército... isso porque o dito cujo não fazia propaganda da farda. Era um cabra até que bem humilde e bom de papo.

Mas os boatos do tal amigo foram de certa forma chegando ao exagero e, com isso, no bom palavreado, foi enchendo o saco do bom militar. Daí o tal coronel resolve fazer uma brincadeira corretiva com o boateiro. E, pra isso, simula uma operação militar com jipes, metralhadoras e pessoal fardado, tudo combinado para simplesmente pregar uma boa peça no moço dos boatos, pois os vários boatos já estavam deixando a situação dos militares um pouco chata.

Pois bem. Era de tardezinha, nosso amigo dos boatos falava mal dos fardados e eis que, de repente surge aquela operação militar de araque.

CORONEL (fardado e bravo) – O senhor está preso. Coloquem este indivíduo no camburão. O senhor vai ser julgado por júri militar e condenado, por causa dos boatos referentes ao Exército.

Levam o dito cujo, simulam um júri e a condenação: morte por fuzilamento.

Pois bem. Isso posto, lá está o nosso amigo num paredão e na sua frente 5 fuzileiros apontando armas (com festim, é claro).

CORONEL – Apontarrr.... fogo!

Disparam as armas e o susto foi o pretendido pelo coronel, que se aproxima do boateiro, ainda bravo:

CORONEL – Isso é só pro senhor aprender a não falar mal das Forças Armadas. Entendeu? Fora daqui, sêo desocupado (e dá-lhe um último empurrão).

No outro dia, lá está o nosso querido boateiro, chegando à porta do mesmo botequim, para as conversas de sempre, regadas duma boa cachacinha.

Alguns clientes e amigos que tinham presenciado a prisão do nosso amigo no dia anterior se aproximam para saber das novidades, sobre o efeito da bronca do nosso militar.

FREGUÊS – Então, Justino! Como foi lá no quartel? Conta aí pra gente as novidades...

O nosso amigo boateiro chama todos para perto de si para cochichar um último e criativo boato:

BOATEIRO (falando baixinho) – Olha, pessoal. Não contem pra ninguém. Mas o nosso Exército está totalmente sem munição...


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         Fechando a Tertúlia de hoje (lembrando que os "interesses" dos senhores perfeitos serão um dia avaliados), fica a música “O Último Julgamento”, de Léo Canhoto, com Milionário e José Rico.

 

         Um grande abraço e até a próxima!