sábado, 21 de janeiro de 2012

FOGÃO DE LENHA - DOCE ALFAJOR E AMARGO EMBRÓGLIO




Nunca o olho do ávido dirá,
assim como não o dizem jamais o mar e o inferno: a mim basta.
(Mateo Alemán)




Amigas e Amigos,


         Neste primeiro Fogão de Lenha de 2012, após um período de férias em Buenos Aires, trago uma receita que faz muito sucesso por lá e que percebi, frequentando as confeitarias da capital argentina, um sabor e uma leveza muito além do que nos acostumamos a apreciar em produtos industrializados (também saborosos para apreciadores como eu). Falo dos alfajores, uma delícia que não foi criada naquele país irmão - nem no Uruguai - mas que recebeu nesses países um toque tão especial que me sugere chamá-lo de aperfeiçoamento.

         Antes de nossa doce receita de hoje, um comentário sobre uma notícia menos doce. Segundo a Folha de São Paulo (http://www.folha.uol.com.br) desta sexta-feira, o Tribunal de Justiça de São Paulo está investigando pagamentos de R$ 600 mil a juízes daquele estado. Diz a matéria que:
Dois desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo que ocuparam a Comissão de Orçamento e Finanças da corte são alvo de investigação pelo suposto recebimento privilegiado de cerca R$ 600 mil de verbas atrasadas, cada um, dos cofres do TJ, entre 2006 e 2010. Os magistrados Fábio Gouvêa e Tarcísio Ferreira Vianna Cotrim participaram da comissão na gestão do ex-presidente do tribunal, Roberto Bellocchi (2008-2009), que também foi beneficiário de um pagamento sob apuração pelo tribunal paulista, no valor de R$ 1,5 milhão. No mesmo período, o terceiro membro da comissão foi o desembargador do TJ e atual presidente do TRE (Tribunal Regional Eleitoral), Alceu Penteado Navarro. O pagamento feito a Navarro no valor de cerca de R$ 400 mil também está sendo investigado por suposta violação aos princípios da isonomia e da impessoalidade, como revelado pelaFolha ontem. Os desembolsos milionários feitos aos quatro desembargadores e ao ex-presidente do TJ Antonio Carlos Viana Santos, morto em janeiro de 2011, formam o quadro dos cinco casos mais graves em apuração, sob a ótica da direção da corte. A Folha procurou os desembargadores Gouvêa e Cotrim por meio da assessoria de imprensa do TJ, mas eles não responderam até a conclusão desta edição. Bellocchi disse que os pagamentos corresponderam a créditos a que ele tinha direito. O advogado dos herdeiros de Santos, João Costa, disse que a família não foi notificada sobre as apurações. Outros 24 desembargadores que tiveram recebimentos fora do padrão do tribunal também estão sendo convocados a prestar explicações, porém essas situações têm indícios mais fracos de irregularidades, segundo a nova gestão da corte. As quitações feitas a esse grupo não superam R$ 400 mil para cada um. Segundo o presidente do TJ, Ivan Sartori, os desembolsos sob investigação referem-se a verbas devidas aos magistrados, a título de auxílio-moradia, indenizações por férias ou licenças não gozadas. Em regra, os pagamentos de atrasados ocorrem em várias parcelas de pequeno valor, o que não teria ocorrido nos casos investigados. Magistrados ouvidos pela reportagem afirmam que, mesmo em casos de necessidade médica, os desembargadores recorrem a familiares, amigos ou até empréstimos bancários para não "furar a fila" do tribunal.

         Se confirmadas as irregularidades, os desembargadores poderão ser devidamente "punidos" (como sempre acontece nestes casos), sendo afastados de suas funções atuais, com precoces e abundantes aposentadorias. E, envergonhados, somente lhes restará como consolo usufruir da verba desviada, pois - conforme já observado em situações semelhantes - pouco, ou quase nada, retornará aos cofres públicos.

         Esses "pequenos" desvios de verba, e de caracter, permitem entender porque tantos nos diversos níveis do judiciário nacional tentam desclassificar o trabalho realizado por parte do Conselho Nacional de Justiça - liderado pela corregedora Eliana Calmon - no combate a corrupção (aparentemente instalada) no próprio Judiciário, que ainda não entende - talvez pela soberba de seus principais líderes - quem é o seu verdadeiro patrão e pagador de seus salários: o povo brasileiro, com o recolhimento de altíssimos impostos.

         Para adoçar nosso fim-de-semana, vamos falar um pouco da receita de hoje. Conforme a enciclopédia livre Wikipédia (http://pt.wikipedia.org), acredita-se que o alfajor, tradicional doce da Espanha, Argentina, Chile, Peru, Uruguai e de outros países ibero-americanos, tenha sido criado no Equador (mas não existem fontes que confirme essa criação). Essa enciclopédia informa que o alfajor é muito popular na Argentina, onde é tratado como um ícone do país, que consome seis milhões deles todos os dias, e o define como um composto por camadas de massa "que após assadas devem ser levemente crocantes e macias, quase esfarelando, mas firmes e com recheio de doce de leite".





         Coloco abaixo a receita, com tradução livre, para que vocês experimentem.

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ALFAJOR

Ingredientes:

100 g. manteiga
3/4 de xícara de açúcar
1 ovo
1 gema 
2 colheres de chá de baunilha
1 xícara de farinha de trigo
1 colher de chá de fermento em pó
1 xícara de maisena
350 g. de doce de leite
50 g. de coco ralado

Modo de fazer:

Coloque a manteiga (a temperatura ambiente) em uma tigela.
Acrescente o açúcar e misture bem.
Adicione o ovo, a gema e a baunilha.
Misture bem, para integrar os ingredientes.
Aos poucos, incorpore a farinha, o fermento e o amido. 
A massa deve ficar macia e sem grudar nos dedos.
Se necessário, adicione um pouco mais de farinha.
Deixe a massa descansar na geladeira por cerca de 5h. em um saco plástico (pode-se deixar de um dia para o outro).
Quando retirar a massa da geladeira, remova o saco plástico.
Deixe a massa descansando para retomar à temperatura ambiente.
Com um rolo, abra a massa (espessura de  1 cm).
Com auxílio de um molde redondo, corte toda a massa em pequenos círculos.
Pré-aqueça o forno em temperatura médio-alta por alguns minutos.
Coloque os círculos de massa em uma placa sem untar, deixando um espaço entre eles para que eles não se unam.
Asse por aproximadamente 10 minutos. 
Com auxílio de uma espátula, levante um dos círculos de massa e verifique se está tomando cor.
Eles não devem dourar demais.
Após retirar do forno, esperar que esfriem.
Cubra, generosamente, um círculo com doce de leite e coloque outro por cima.
Emparelhe o doce de leite nas bordas com auxílio de uma faca.
Coloque o coco ralado em um prato e faça os alfajores “rolarem” (como na figura abaixo), para o coco se fixar nas bordas.



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         O seu melho alfajor, o que lhe agradará mais, provavelmente não será o obtido na primeira execução da receita. Após algumas tentativas, você irá descobrir qual o tempo ideal de descanso na geladeira, o melhor tempo para assar em seu forno, a proporção perfeita entre maisena e farinha de trigo, a possibilidade de mais gemas ou até mesmo de mais ovos. Mas garanto que vale a pena começar.

         Para acompanhar a receita de alfajor, a intérprete gaúcha Shana Müller canta de Érlon Péricles a música "Ao sopro da Chacarera".



         Até o nosso próximo encontro e um grande abraço!
 


terça-feira, 17 de janeiro de 2012

ABRINDO A PORTEIRA - NEM TÃO BOAS, NEM TÃO NOVAS



Procura, diante dos acontecimentos ter as tuas reações, não as dos outros.
(Agostinho da Silva)


Amigas e Amigos,

Após mais de vinte dias passeando por terras portenhas (saboreando assados de variados tipos de cortes de carne), me dediquei hoje a um antigo hábito que gosto de cultivar. Li um jornal impresso – após muitos dias de atualização somente pelos portais dos nossos periódicos – e constatei que o período não é mesmo de grandes mudanças. 


          Na capa do Correio Braziliense encontro, como principal manchete, o destaque “O mundo em crise e o Brasil de Férias”, informando que o país voltou a crescer além do projetado pelo mercado e salientando o atestado da ONU de que os gastos dos brasileiros viajantes contribuíram para a salvação do turismo no mundo.

          No Correio, na coluna “Nas entrelinhas”, pode-se perceber que a guerra de vaidades entre PT e PMDB está começando, de olho nas próximas eleições, e a disputa pelo maior número de prefeituras (o cargo de vice-prefeito – aquele que como todo vice em nosso governo ganha para ficar parado – também entra nesse embate) tende a ditar novos procedimentos para os próximos passos governamentais. Já há quem diga que a propalada reforma ministerial será um “arranjinho” pontual e com o pensamento voltado para os próximos palanques a serem visitados.

          Sobre a Justiça, o Correio trouxe uma matéria sobre “O julgamento, 13 anos depois do assassinato” da deputada federal Ceci Cunha. São 13 anos de recursos protelatórios (o nome que a justiça arrumou para embromação) e só está acontecendo porque o Conselho Nacional de Justiça mandou apressar o julgamento. Como toda tramóia envolvendo políticos em nosso país, esse julgamento também está transformado em grande confusão, onde testemunhas e acusados trocam versões (e caem em contradições) periodicamente.

          Na “queda de braço” entre o ministro Guido Mantega e o secretário executivo de sua pasta, Nelson Barbosa, parece que a vantagem está com Barbosa, pois quando o ministro disse que a crise européia era uma “marolinha”, o secretário falou que o problema era mais grave e que poderia afetar a economia brasileira. Mas, nesse caso, a “luta” continua...

          Enquanto o combate ao crack segue a passos lentos, após dois meses do lançamento do programa federal, o BBB vira caso de polícia com um suposto estupro que, até prova em contrário, desde o primeiro programa do gênero – em todas as emissoras que se dispõem a apresentar esse tipo de “atração” – vem sendo estimulado pelos responsáveis pelos programas, com excesso de bebidas, festas sensuais, alcovas estimulantes e sei lá o que mais. Mas nada que não seja resolvido com um bom acordo entre todos os envolvidos, pois os participantes se preparam para este tipo de orgia, a emissora terá bons argumentos para convencer polícia e quem mais vier sobre suas “boas intenções”, lembrando que as eleições já estão aí e...

          A nota tragicômica fica por conta da página 5 do jornal, onde se encontra que a ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, está frequentando aulas noturnas no Detran-DF para recuperar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), vencida e com multas por estacionar em local proibido. Lembra a nota que o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, também fez aulas no Detran-DF para recuperar a sua CNH, suspensa por uso de celular enquanto dirigia. São apenas dois “grandes exemplos” de como nossos ministros se preocupam com nossas leis – e até com nossa segurança. Ainda bem que os ministros não precisam enfrentar o “stress” de uma reforma ministerial, já que, no máximo, haverá uma marolinha na Esplanada.

          Leitores deste blog, como estive fora de nosso pais por alguns dias, inicio está semana com Marcello Caminha, um dos maiores violonistas do Rio Grande do Sul, interpretando de sua autoria “Alguém distante”.

 

          Um grande abraço e boa semana para todos!