sexta-feira, 6 de maio de 2011

GALERIA SERTANEJA - RANKING DE FALCATRUAS

"Ódio produz casamentos duradouros. 
O ódio não suporta a idéia de ver o outro voando livre, para longe...
O ódio segura, para que o outro não seja feliz.
O ódio gruda mais que amor. Porque o amor deixa o outro voar..."
(Rubens Alves)

Amigas e Amigos,

               Na revista Trip (http://revistatrip.uol.com.br) pode-se encontrar uma lista com os 10 maiores golpistas, farsantes, malandros e impostores da história e um resumo dos esquemas e golpes impressionantes utilizados por eles, com extrema malícia. Em ordem decrescente – com critério utilizado pela revista e não disponível na matéria – são eles:

               Em 10º lugar está William Thompson, um dos primeiros malandros a ser preso por usar "golpes de confiança", quando ganhava a confiança de um estranho com a ajuda de um cúmplice e então usava esse sentimento para conseguir dinheiro da vítima, dizendo que no dia seguinte devolveria tudo. Um truque básico que deu origem há alguns dos maiores esquemas e golpes já vistos por aí.
               Na 9ª colocação se encontra Calisto Tanzi, que foi  presidente do mega-poderoso conglomerado italiano Parmalat. Foi preso em 2008 por causar propositalmente a falência do grupo ao pegar para si quase 800 milhões de Euros das contas da empresa, no caso que se tornou a mais cara falência do sistema europeu.
               Na 8ª posição encontra-se Bernard Madoff, ex-presidente da NASDAQ e único rosto de Wall Street que pagou o pato pelas fraudes de seguros imobiliários que quebraram a economia americana nos últimos anos. Entrando em cana no lugar dos muitos banqueiros que sairam ilesos da crise, Madoff acabou indiciado por pilotar no chão da Bolsa 11 crimes federais. Seu Esquema Ponzi massivo de informação privilegiada causou pelo menos US$ 18 bilhões em prejuizo para os investidores e rendeu uma pena de 150 anos de detenção para Bernie. 

               Ocupando o 7º lugar está o nosso conhecido Ronald Biggs,  o assaltante do trem pagador, em 1963, quando ele e mais 15 cúmplices roubaram 2 milhões e meio de Libras de um trem inglês, crime pelo qual foi preso no ano seguinte. Em 65, Biggs fugiu da cadeia e se mandou para a Austrália, onde trabalhou como cenógrafo até o início dos anos 70. Após ser reconhecido por um repórter, Biggs veio para o Brasil, onde ficou escondido até 1974, quando foi encontrado e novamente exposto por outro repórter. O ladrão evitou a extradição por estar casado com uma brasileira, que esperava um filho seu que, graças à sua fama, participou do grupo infantil Turma do Balão Mágico, sucesso estrondoso no Brasil durante os anos 80.

               Em 6º no ranking temos James Reavis, o Barão do Arizona, que trocou de lado durante a guerra civil americana, deixando os Confederados quando o cerco do norte começou a apertar. Logo após a Guerra de Secessão, colocou as mãos em uma imensa quantidade de escrituras de origem duvidosa que davam títulos de propriedade a uma área de mais de 5 mil km² nos territórios que hoje formam o Arizona. Em 1883, sabendo que os títulos não valiam nada, Reavis revendeu as "propriedades" para a companhia ferroviária Southern Pacific Railway e para centenas de compradores avulsos, agora dizendo ser dono de mais de 47 mil km² de terras. Ele só foi pego em 1893, no México, quando acabou desmascarado tentando executar o mesmíssimo golpe mais uma vez.

               No 5º posto está Victor Lustig, o trambiqueiro da República Checa que criou uma série de golpes no início do século XX e ficou famoso por vender a Torre Eiffel parisiense em um leilão para sucateiros. Duas vezes. Da primeira vez, em 1925, Lustig reuniu seis empresários da sucata e disse que o governo estava interessado em vender a torre para ajudar na recuperação da economia da cidade, que havia sofrido com enormes prejuizos durante a Primeira Guerra Mundial. Lustig fechou negócio com o empresário Andre Poisson, depois que esse ofereceu suborno para ter preferência na compra. Com isso, Lustig ficou com o valor da venda e o valor do suborno, e se mandou para Viena. Victor chegou a aplicar golpes no poderoso gangster Al Capone antes de ser pego e sentenciado à prisão perpétua em 1935.

               O 4º colocado é George C. Parker, , famoso por "vender" monumentos famosos para turistas ricos e incautos. Os negócios de Parker incluiram a venda do Madison Square Garden, do Túmulo de Grant, do Museu Metropolitan e até da Estátua da Liberdade. Seu monumento mais vendido foi a Ponte do Brooklyn, que chegou a vender duas vezes por semana durante vários anos seguidos, convencendo os turistas de que estes poderiam ganhar toneladas de dinheiro com o volume de tráfego que entrava e saia da Big Apple. A polícia de Nova York até prendeu alguns dos seus clientes enquanto estes tentavam erguer pedágios no local.

               Na “honrosa” 3ª colocação se encontra o General Gregor McGregor, nobre mentiroso que se uniu à Marinha Real Britânica em 1803 e passou quase 15 anos viajando a costa da América Latina. Em 1820, ele retornou a Londres dizendo ter se tornado o Cacique de Poyais, uma nação fictícia na baía de Honduras que teria sido entregue aos seus cuidados pelo Rei George Frederic Augustus I da nação Mosquito. Tudo balela, obviamente. Quando nosso anti-heroi chegou à Inglaterra, ele levava consigo um livro recheado com mapas detalhados do "país", além de uma descrição muito positiva do local, que seria anglófilo, com infra-estrutura já existente, minas de ouro e prata, grandes quantidades de solo fértil, pronta para ser colonizada e livre de doenças tropicais. Mas os colonos escoceses que lá chegaram após investir pesado e com promessas de riquezas acabaram se deparando com uma selva fechada, com nativos hostis e péssimas condições para os marinheiros.

               O vice-campeão da lista é Frank Abgnale Jr., cuja história foi contada no blockbuster Prenda-me se For Capaz, com Leonardo DiCaprio e Tom Hanks. Frank começou fraudando cheques, fingiu por anos ser piloto da PanAM para voar de graça por outras companhias, produziu um diploma falso da Universidade de Columbia para dar aulas de sociologia na Brigham Young University, fingiu ser médico e assumiu a direção da ala de pediatria do Georgia Hospital,  além de forjar um diploma de Harvard, enquanto ainda tinha 19 anos, para trabalhar como advogado na Louisiana. Ele foi detido em 1969 em um vôo da Air France ao ser descoberto por uma aeromoça que tinha saído com ele no passado. Depois de cinco anos preso nos EUA, Frank foi libertado e passou a trabalhar como consultor de segurança para o FBI, afinal, não há especialista em falsificação maior do que ele.

               O grande líder dessa lista é Charles Ponzi, italiano radicado nos EUA desde 1903, criador de um sistema de fraude que hoje é conhecido pelo seu nome. Basicamente, o Esquema Ponzi consiste em captar dinheiro de investidores, prometendo grande retorno em pouco tempo, fazendo com que o boato sobre as boas condições do negócio se espalhem. Enquanto vai conseguindo mais investimentos, o golpista usa o "dinheiro novo" para pagar os velhos empréstimos com juros. Assim que o investidor recebe o dinheiro, afirma que não quer retirar o investimento e assim aplica mais fundos nas mãos do golpista. O esquema pode funcionar durante um bom tempo, até finalmente e fatalmente entrar em colapso e causar prejuízo total em todos os investidores. Muitas das fraudes financeiras atuais são consideradas Esquemas Ponzi.



               Enquanto lia a matéria, pensava sobre a possibilidade da extinção da imunidade parlamentar, dos foros privilegiados e de todas as formas utilizadas para acolhimento e acobertamento de delinqüentes em cargos públicos. Esse momento – além de diminuir o consumo de farinha e mozarela, pelo consumo menor de pizzas no fim de CPIs e julgamentos nas instâncias superiores –, provavelmente, faria aparecer todas as falcatruas cometidas pela certeza de impunidade e pela necessidade de recuperar o “tempo perdido” longe do poder. E aí, possivelmente, alguns dos dez primeiros lugares poderiam ser ocupados por brasileiros que nós mesmos elegemos. Ou, de repente, todos os dez primeiros lugares (será muito ufanismo?).

               Como acredito em um Brasil além de conchavos politicos e manobras judiciais, apresento na Galeria de hoje a música de Almir Sater e Renato Teixeira que traz por título “Brasil Poeira”.

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 BRASIL POEIRA
                                                                    Almir Sater e Renato Teixeira

Ê, Brasil, poeira
Estradas de chão, violas, bandeiras
Terra de Tom, Tonico e Tião,
E Nossa Senhora, a Padroeira.

Ê, paixão, primeira
E os sertões, nação das estrelas.
Se o dia é luz, e a noite seduz
O coração, abre as porteiras.

Quando o galo cantar, nos quintais do Brasil
E o sol clarear nosso chão
Vem a semente e o pão, água do ribeirão
E horizontes que ao longe se vão
Ao som dos bem-te-vis…


Quem canta, espanta, seus males, se diz
Quem planta é quem colhe, é quem finca raiz
Quem canta, espanta, seus males, se diz
Quem planta é quem colhe, é quem finca raiz


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               E a interpretação de hoje de “Brasil Poeira” fica a cargo dos compositores com Rolando Boldrin.


               Por hoje, é isso. Um grande abraço para todos!

Wilmar Machado

quinta-feira, 5 de maio de 2011

TERTÚLIA NATIVA - DON PANCRÁCIO & "DONA" RORIZ

Os homens são como as moedas;
devemos tomá-los pelo seu valor, seja qual for o seu cunho.
Carlos Drummond de Andrade


Amigas e Amigos,

               Foi publicado hoje no portal G1 (http://g1.globo.com), uma matéria abordando o laudo da Polícia Federal sobre o vídeo com aparentes indícios de prevaricação envolvendo a deputada Jaqueline Roriz e o “magnânimo mecenas” do Mensalão Candango, Durval Barbosa. Pode-se ler na matéria que:
O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados deve receber nesta quarta-feira (4) cópia do laudo da perícia feita pela Polícia Federal no vídeo em que a deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF) aparece, ao lado do marido, Manoel Neto, recebendo dinheiro de Durval Barbosa, pivô do escândalo do mensalão do DEM de Brasília. Em nove páginas, a análise confirma a autenticidade da gravação ao afirmar que “não houve edição” nas imagens. [...]Desde que o escândalo estourou, a própria deputada do PMN admitiu ter recebido dinheiro de Durval Barbosa em “três ou quatro oportunidades”. O dinheiro, segundo Jaqueline Roriz, teria sido utilizado para custear a campanha eleitoral de 2006, quando ela se elegeu deputada distrital. Os recursos não teriam sido informados na prestação de contas entregue à Justiça Eleitoral. Além de confirmar a autenticidade das imagens, a PF faz a degravação dos diálogos do encontro entre Jaqueline, o marido Manoel Neto e Durval. O documento vai subsidiar o trabalho do relator do processo de cassação no colegiado, deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP).

               Como a quantidade de “rabos presos” na Câmara é aparentemente muito maior do que se possa imaginar, é possível que as explicações e dissertações, orientadas por “bons” advogados, sejam mais convincentes do que os próprios fatos expostos e siga “tudo como dantes no quartel d’Abrantes”.

               Essa falta de decência me fez lembrar de um causo do livro “Rapa de Tacho 3” (p.42-43), de Apparício Silva Rillo, da “Tchê! Editora”, onde a figura principal de história, por muito menos, recebeu exemplar punição imediatamente após o “escorregão” ético. Essa é a história publicada abaixo


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DON PANCRÁCIO, CORRENTINO
                                           Apparício Silva Rillo

               Há dez anos ainda o vi na cidade de Santo Tomé, fronteira à São Borja, do outro lado do Uruguai. Realizava-se, em dezembro, o Festival de Foclore da Província de Corrientes e meu herói, Don Pancrácio Tê, empinava uma boteja de vinho tinto. Como quem bebe água – sem outro gesto que não fosse o de, quando em quando, enxugar como o dorso da mão os bigodes grisalhos umedecidos pela bebida.

               Não sei se ainda vive. Seus causos, seus repentes e tiradas – estes permanecem na tradição oral dos santo-tomenhos e dos pequenos contrabandistas do chamado “comércio formiga” domiciliados na costa brasileira do Uruguai, em pobres ranchos debruçados sobre águas do rio.

               Do Ruivo Chando, um desses chibeiros – assim chamados na linguagem característica dos municípios que fazem fronteira com a Argentina –, escutei, em noites de violão e trago em seu bolicho nas proximidades do porto, vários e divertidos causos que tiveram Don Pancrácio Tê como personagem.

               Em moço, Don Pancrácio integrou a Gendarmeria Argentina. Já com galões de anspeçada, primeiro posto após o de soldado raso, algumas vezes tocou-lhe a missão de substituir o sargento comandante de um dos postos próximos à cidade.


               Numa dessas feitas emborrachou-se na noite de sábado e, domingo cedo, ainda bastante mamado, abandonou o comando provisório do posto e, de carona numa carroça de lenheiro, a espada de sargento pendurada no cinturão, foi bater com os costados na cidade, mais exatamente na praça San Martin, frente à igreja matriz. Segundo a tradição oral, Don Pancrácio, o anspeçada, com a gorra desabada sobre os olhos, túnica aberta mostrando o peito cabeludo, desembainhou a espada do sargento que lhe confiara o posto e, para espanto dos fiéis que abandonavam a igreja após a missa, riscava a calçada com a ponta da arma e gritava de toda a goela:

               – Siempre que me dou cuenta de que sou oficial de la Gendarmeria de mi pátria, hasta yo tengo miedo de mi mismo!

               Foi parar na cadeia, levou um chá de casca de vaca, acabou expulso da corporação.

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               Para a parte musical de nossa Tertúlia de hoje, escolhi a música de Gildo de Campos e Berenice Azambuja, “É disso que o velho gosta”, sem qualquer alusão a algum pensamento que possa ter passado pelo pensamento (?) do pai da deputada que aparece no vídeo analisado pela PF. E a interpretação da música fica por conta da própria autora Berenice Azambuja.


                Termino por aqui, com um forte abraço para todos!

Wilmar Machado

terça-feira, 3 de maio de 2011

ABRINDO A PORTEIRA - ESTOU DE VOLTA!

Amigas e Amigos!

 De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça. 
De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar-se da virtude,
a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.
Rui Barbosa


               Depois de algumas semanas de ausência – viajando para descansar um pouco em Kissimmee e Miami (Flórida) e aproveitando para fazer um cruzeiro pelo Caribe, saindo de Fort Lauderdale (Flórida), com escalas em St. Maarten, St. Thomas e Nassau – estou de volta ao blog do Canto da Terra.


               Foi um período pequeno mas o mundo não parou. Após queda de ditaduras históricas, populações buscam encontrar novos caminhos. Na Inglaterra, um casamento real tenta reescrever com novas tintas uma história que não deu muito certo algumas décadas atrás. Em Roma, o Papa João Paulo II – que ainda vivo já era visto como Santo – foi, finalmente, beatificado. Nos Estados Unidos, em clima de festa, Obama anuncia a morte de Osama – que deve ter “matado de inveja” o antecessor George, o filho. E no Rio de Janeiro, o Flamengo tornou campeão carioca invicto e – como me foi lembrando ontem pelo meu filho Leonardo Peter – fez o Botafogo vice da Taça Guanabara, o Vasco vice da Taça Rio e o Fluminense vice do Campeonato Carioca.

               Mas, voltando a viagem... O que sempre me chama a atenção durante esse tipo de passeio é pensar como os preços das mercadorias se apresentam mais atraentes em um país onde não há necessidade de explorar a população ativa com taxações e impostos exorbitantes para sustentar uma massa de corrupção de proporções descabidas.

               Em algumas situações, acredito que os impostos em patamares elevadíssimos se tornem necessários para manter uma “máquina” (aparentemente funcionando com alguma forma de energia rudimentar) governamental quase emperrada.

               Aqui no Brasil, por exemplo, não costumamos questionar porque o custo médio de nossos deputados e senadores atingem patamares superiores a R$ 10 milhões por ano, enquanto nosso salário mínimo (R$ 545,00) mal passa do R$ 6,5 mil por ano, ou seja, cada deputado custa cerca de 1.560 salário mínimos por mês ou mais de 18.700 salários mínimos por ano.

               Na França, as informações indicam que o custo anual de um parlamentar é R$ 2,8 milhões para um salário mínimo superior a R$ 3 mil, o que resulta em menos de 880 salários mínimos por ano. E se a França é muito distante, observe-se a vizinha Argentina, onde o custo anual de um parlamentar é de R$ 1,3 milhões contra um salário mínimo superior a R$ 700, resultando em pouco mais de 1.800 salário mínimos por ano. Portando, aproximadamente 10% do custo dos nossos (cada vez mais inoperantes e cada vez mais inoportunos) parlamentares. E olhem que não estou nem mencionando a decorativa Câmara Distrital que, até hoje, não descobri a razão da existência.

               E para marcar o retorno, a música escolhida é de um tempo em que os enganos eram bem menores que os “mensalões”, de PT, DEM e outros parceiros, quando tudo podia até ser mais divertido: o saudoso Luiz “Lua” Gonzaga canta “Dezessete e setecentos”, do próprio Gonzaga em parceria com Miguel Lima.


               Até o próximo encontro e um grande abraço!

Wilmar Machado.