sábado, 25 de dezembro de 2010

FOGÃO DE LENHA - A TAL RABANADA...

Amigas e Amigos!

          Festa de Natal sempre deveria lembrar do aniversariante do dia - Jesus Menino - e algumas vezes lembramos das guloseimas, que deveriam ocupar um plano bem mais abaixo. Talvez, desculpável seja a lembrança da rabanada que, quando bem preparada, deixa sempre a expectativa de que haverá uma repetição no próximo ano (mas não esqueça que será servida no dia do nascimento de Jesus também no próximo ano).

          Mas você já pensou de onde veio essa delícia aqui para o Brasil? Como um docê aparentemente tão simples faz tanto sucesso no período natalino?

          Pois veio das terras de além-mar, como pode se constatar na Enciclopédia Livre (http://www.widipedia.com.br/), ao declarar que rabanada é:
uma fatia de pão de trigo (pão-de-forma ou baguete) que, depois de molhada em leite, vinho (no Minho usa-se Vinho Verde tinto ou branco) ou calda de açúcar, é passada por ovos e frita. As rabanadas fazem parte de muitas mesas da consoada em Portugal, e em várias ceias do Brasil também. Servem-se polvilhadas com açúcar e canela ou regadas com calda de açúcar ou mel. Outrora, a palavra rabanada era apenas utilizada para norte do rio Mondego e à mesma sobremesa atribuía-se, a partir da margem sul do referido rio, o nome de fatia-dourada, ou fatia-de-parida.
         Na definição acima, surge uma palavra que pode nos causar alguma estranheza – caso não estejamos familiarizados com as festas portuguesas – mas que, ao tomarmos conhecimento do seu sentido, descobrimos o quanto essa influência de Portugal se faz presente em nosso tempo de Natal. Segundo a mesma Enciclopédia Livre, a Consoada é uma celebração portuguesa que acontece:
no dia 24 de Dezembro de cada ano, o dia de véspera de Natal. Esta tradição leva as famílias a reunirem-se à volta da mesa de jantar, comendo uma refeição reforçada. [...] Na tradição católica os crentes participavam, ao final da noite, na Missa do Galo. [...] A refeição da Consoada consiste, sobretudo, no bacalhau cozido, e termina com os doces, que são diferentes de região para região do país. Algumas destas sobremesas são a aletria, as rabanadas (no Norte do País), as filhoses, as filhó, o arroz doce (no Sul do País) [..] Em Portugal, depois da Consoada, é tradição fazer a distribuição dos presentes de Natal.
         Para o Fogão de Lenha de hoje, sugiro preparar uma rabanada muito especial. Confira a receita logo abaixo.
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Rabanadas

Ingredientes:

• 8 pães franceses amanhecidos;

• 1 litro de leite;

• 1 lata de leite condensado;

• 8 ovos;

• 4 colheres (sopa) de maisena;

• 4 pitadas de sal;

• Manteiga light e óleo de soja;

• Canela;

• 5 colheres (sopa) de açúcar.



Modo de preparar:

1. Corte os pães em fatias de aproximadamente um centímetro.


2. Junte o leite ao leite condensado e mergulhe o pão nessa mistura para amolecer.

3. Bata as claras em ponto de neve, adicione as gemas e continue batendo até obter uma mistura homogênea.

4. Acrescente a maisena e o sal e bata até ficar cremosa.

5. Envolva as fatias de pão nesse creme e, numa frigideira com um pouco de manteiga e óleo, frite-as, virando para dourar dos dois lados.

6. Junte canela ao açúcar até ganhar cor de chocolate e passe nele as rabanadas.

7. Após, empilhe numa vasilha as rabanadas em forma de pirâmide (para ficar bonito) e decore com algumas frutas secas ou castanhas (a gosto) por cima das rodelas das rabanadas.

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           Para saborear as rabanadas, vamos ouvir Sérgio Reis cantando "Então é Natal".


          Um Santo e Abençoado Natal para todos! Que a Paz de Cristo permaneça conosco!

Wilmar Machado

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

GALERIA SERTANEJA - PELO MENOS OS ANJOS...

Amigas e Amigos!

        O Natal está cada dia mais próximo. O que é muito natural. O que não é nenhum pouco natural é a angústia vivida pelos que ainda não viajaram e esperam passa o Natal com familiares ou amigos distantes. Se por um lado a greve dos aeroviários e aero-sei-lá-o-quê foi adiada, por outro lado a confusão nos aeroportos tem sido muito grande.
 
        Essa confusão dos aeroportos foi, e é, muito grande para as pessoas que estão tentando embarcar nos aeroportos desse nosso Brasil. É claro que para a ANAC, uma agência que não diz a que veio ("cabide de emprego???") tudo está dentro do previsto (previsto por quem???) e a expectativa é amanhã (alguém sabe quando é o amanhã que nunca chega) estar tudo normalizado (o que é normal para eles - ou elas?). Depois, só teremos problemas quando a greve dos aéreos-aeros for deflagrada.

        Pelos menos os Anjos continuam voando, como sempre voaram em missões especiais, como Gabriel há mais de 2000 anos ao anunciar a vinda do Salvador. E a nossa Galeria de hoje traz uma música conhecida por "Anjo Gabriel", intgerpretada pela dupla Caçula & Marinheiro, tio e pai do maestro Caçulinha, que conhecemos de diversos programas de televisão.



        Logo abaixo, está a letra da música para os que ainda não a conhecem.

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ANJO GABRIEL
(Caçula & Marinheiro)


Quatro mil e quatro da era mosaica

Na terra judaica que Deus escolheu

O lar de Maria e seu companheiro,

José Carpinteiro, velho plebeu.

Enquanto em coro, os anjos cantavam,

As glórias louvavam ao Filho de Deus,

No mês de Dezembro, ao clarear do dia,

No lar de Maria, um Anjo desceu.

Dia de Natal, a mando do céu,

O Anjo Gabriel contente anuncia

Que vinha ao mundo, Jesus querido,

Deus tinha escolhido aquela moradia.

O casal feliz de joelhos no chão,

Com dedicação do Anjo dizia

Foi Deus quem mandou eu vir lhes dizer,

Jesus vai nascer nesta estrebaria.

E a meia-noite, um galo cantou,

No céu apontou um grande clarão,

Os sinos tocando ao mundo anuncia

A estrela da guia na imensidão.

Para noticiar aos santos pastores

Que o Criador da geração

Que lá em Belém já tinha nascido

O Eterno querido Jesus da Salvação.
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          Com a letra publicada, podemos ouvir, e cantar juntos, a música de nossa Galeria Sertaneja de hoje. Caçula & Marinheiro neste blog do programa Canto da Terra.

 
         Um grande abraço e até a nossa próxima Galeria Sertaneja.
 
Wilmar Machado

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

TERTÚLIA NATIVA - O NATAL EM UM GALPÃO

Amigas e Amigos!

          A semana do Natal faz com que se acredite que o mundo vai mudar a partir de agora. E o Ano que vem, nessa mesma época, estaremos com esse mesmo pensamento porque acreditamos que a mudança deva ser feita pelos outros: pelos governantes, pelos legisladores, pelos magistrados, pelos...

          A pergunta a ser respondida é sobre quem são essas pessoas a quem atribuímos a possibilidade de transformar nosso mundo, às vezes, tão sofrido. Se conseguirmos fechar o escopo a ser trabalhado para essa resposta, se tivermos uma noção exata (ou muito próxima) do contexto que devemos utilizar, possivelmente percebermos que a resposta está no espelho colocado à nossa frente. Só nós mesmos podemos iniciar essa mudança e agora pode ser o melhor momento para esse início.

          Por isso, nossa Tertúlia de hoje traz um poema que muito representa a mensagem do Natal. É do payador Jayme Caetano Braun, saudoso poeta da Bossoroca-RS (acredito que a época de seu nascimento ainda era São Luiz Gonzaga-RS), a poesia "Natal Galponeiro", que tive oportunidade de declamar na Rádio Aliança FM, de Porto Alegre-RS, quando seu autor ainda vivia, e de homenageá-lo, algum tempo depois, declamando no programa Canto da Terra, em Brasília-DF.



          Espero que vocês apreciem tanto quanto eu - e se emocionem também como eu me emociono a cada vez tenho oportunidade de ler ou recitar essa poesia.

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NATAL GALPONEIRO
                                                              Jayme Caetano Braun

A cuia do chimarrão,

É o cálice do ritual,

E o galpão é a Catedral

Maior da terra pampeana,

Que de luzes se engalana,

Para esperar o NATAL.



A cuia aquece na palma

Da mão da indiada campeira,

Dentro da sua maneira,

Rezando e chairando a alma,

Para recuperar a calma,

Que fugiu do mundo inteiro.

Enquanto o estrelão viajeiro,

Já vem rasgando caminho,

para anunciar o "Piazinho",

A Virgem e o Carpinteiro.



Em nome do Pai,

Do Filho e do Espírito Santo,

É o chimarrão que levanto,

E o vento faz estribilho,

A prece do andarilho,

Ao Piazito Salvador,

Filho de Nosso Senhor,

Do Espírito e do Pai,

De volta a terra aonde vai,

Falar de novo em amor!



Tem sido assim - dois mil anos,

Ninguém sabe - mais ou menos,

Vem conviver com os pequenos,

De todos os meridianos,

E repetir aos humanos,

As preces de bem querer.

Quem sabe até - pode ser,

Que um dia seja atendido,

E o mundo velho perdido,

Encontre paz para viver.



Ele sabe da apertura,

Em que vive o pobrerio,

A fome - a miséria - o frio,

Porque passa a criatura,

Mas que - inda restam - ternura,

Amizade e esperança,

É que pode, a cada andança,

Mesmo nos ranchos sem pão,

Aliviar o coração,

Num sorriso de criança!



Pra mim - que ouvi na missões,

Causos de campo e rodeio,

Do "Negro do Pastoreio",

Cruzando pelos rincões,

Das lendas de assombrações,

E cobras queimando luz.

Foste - Menino Jesus,

O meu sinuelo de fé,

Juntando ao índio Sepé,

O Nazareno da Cruz!



E a Santa Virgem Maria,

Madrinha dos que não tem,

Fez parte - sempre - também,

Da minha filosofia,

Eu que fiz de Sacristia,

Os ranchos de chão batido,

E que hoje - encanecido,

Sou sempre o mesmo guri,

A bendizer por aí,

O pago que fui parido!



E o Nazareno que vem,

Das bandas de Nazaré,

Chasque divino da fé,

Rastreando a luz de Belém,

Ele que vai morrer também,

Pra cumprir as profecias.

É Natal - nasce o MESSIAS,

Salve o Menino Jesus!

Mas o que fogem da luz,

O matam todos os dias.



Presentes - "Papais Noéis",

Um ano esperando um dia,

Quando a grande maioria,

Sofre destinos cruéis.

O amor pesado a "mil-réis",

E mortos vivos que andam,

Instituições que desandam,

Porque esqueceram JESUS,

O que precisa, é mais luz,

No coração dos que mandam!



Que os anjos digam amém,

Para completar a prece,

Do gaúcho que conhece,

As manhas que o tigre tem.

Não jogo nenhum vintém,

Mesmo sendo carpeteiro,

Mas rezo um Te-Déum campeiro,

Nessa Catedral selvagem,

Pra que faça Boa Viagem,

O enteado do Carpinteiro!
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          Quem conhece a obra do Jayme sabe da qualidade de tudo que esse grande representante da poesia gaúcha produziu. Mas, na minha opinião de admirador dessa obra, deseja boa viagem para "o enteado do Carpinteiro" é o ponto máximo. É aquele trecho que todo o escritor lê - ou ouve - e reflete silenciosamente: "Como não pensei nisso antes?".

          Para fazer par com a poesia de hoje, escolhi a música do saudoso compositor e cantor nativista Leonado (Jader Moreci Teixeira), que tem por título "O Homem do Pala Branco", na interpretação do próprio Leonardo.


          Na esperança de que o clima de Natal nos acompanhe ao longo do próximo Ano, e em todos os dias de nossa vida, deixo um grande abraço para vocês e até nossa próxima Tertúlia!

Wilmar Machado

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

ORATÓRIO CAMPEIRO - POEMA DE NATAL

Amigas e Amigo!

          Na semana do Natal que estamos experimentando, nada melhor que orarmos com a lembrança dessa data tão marcante para todos nós que acreditamos em Cristo. É tempo de perdoarmos as ofensas que porventura tenham nos incomodado no decorrer de 2010 e tempo, também, de renovarmos nossas vidas. É o momento de acolhermos o menino que está prestes a nascer e, com nosso coração livre, aproveitemo-nos desse evento para nascermos novamente para uma vida nova.

          Encontrei, recentemente, uma poesia do autor italiano David Maria Turoldo (1916-1992), que era teólogo, poeta e padre dos Servitas de Maria, que tem por título "Poema de Natal". E é esse poema que trago-lhes, hoje, como sugestão para nossa Oração desta semana.

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POEMA DE NATAL

Vem de noite,

Sabes bem que em nosso coração sempre é de noite;

Vem, portanto, sempre e não deixes nunca de vir, Senhor!

Vem no silêncio,

Pois já não sabemos sequer o que dizer;

Vem, portanto, sempre e não deixes nunca de vir, Senhor!

Vem na solidão,

Pois cada vez estamos mais sós;

Vem, portanto, sempre e não deixes nunca de vir, Senhor!

Vem, Filho da paz;

Pois não sabemos o que é a paz;

Vem, portanto, sempre e não deixes nunca de vir, Senhor!

Vem consolar-nos,

Pois cada vez estamos mais tristes;

Vem, portanto, sempre e não deixes nunca de vir, Senhor!

Estamos longe, desencaminhados,

Não sabemos o que somos nem o que queremos;

Vem, portanto, sempre e não deixes nunca de vir, Senhor!

 
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          Para que nossa Oração em forma de Poema fique ainda mais bonita, vamos escutar (enquanto recitamos o Poema de Natal) a música "Natal Gaúcho", de Eduardo Monteiro Marques e Wilson Paim, na interpretação de Wilson Paim.


          Meus votos de um Santo e Abençoado Natal. Que a Paz de Cristo permaneça conosco!

          Um grande abraço e até o próximo Oratório,

Wilmar Machado

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

ABRINDO A PORTEIRA - NATAL

Amigas e Amigos!

          Estamos na semana do Natal. Por curiosidade, hoje, percorri um bom número de portais de notícias e jornais, na Internet, buscando alguma lembrança dessa data. Li, em número não muito significativo, alguma referência a Papai Noel (nem sempre positivas) e, em maior número, muitos convites ao exercício comercial propiciado pela época.

          Até que - grata surpresa - encontrei no Jornal do Brasil (http://www.jb.com.br/), do Rio de Janeiro-RJ, um artigo da professora e téologa Maria Clara Bingemer, publicado hoje, com o título "Serão chamados filhos de Deus". Abaixo, transcrevo alguns trechos desse artigo, por acreditar que mereçam nossa atenção:
Natal não é ponto de partida, mas de chegada.  O povo que esperava o Salvador teve seu desejo atendido! Recebeu o que esperava. [...] Avesso ao caos, à desordem, à balbúrdia, o ser humano anseia pela paz. Seu mais profundo desejo é que finalmente essa paz venha e se instale em seu coração, em sua cidade, em suas relações, em seu país. Desejo adiado, adiado, e às vezes tão pisoteado. Parece que a má notícia da paz e da desordem teima em ocupar espaço, fazer barulho, bloquear a boa-nova de que a paz é possível. E que se encontra entre nós alguém capaz de fazê-la acontecer. E, no entanto, em meio a essa situação de desavença, ousamos celebrar o Natal. E assim proclamamos que nossa espera foi plenificada. Recebemos o que tanto desejávamos e esperávamos. “ Nasceu-nos um menino – disse o profeta Isaías ao rei que tinha ao lado a esposa grávida... e ele se chamará... Príncipe da Paz”. [...] No Natal celebramos o nascimento do Príncipe da Paz.  Ele é o único que pode nos dar aquilo que mais desejamos e esperamos.  Mas nós somos responsáveis pela construção e consolidação dessa paz por ele dada, tão cara e fundamental para a vida.

          A responsabilidade pela construção e consolidação da paz, conforme citado no texto, não está entre as tarefas mais simples. Talvez pela dificuldade de exercermos essa responsabilidade, nos entregamos mais facilmente a um Papai Noel, vestido para baixas temperaturas enquanto passamos por momentos de temperaturas elevadíssimas em todo país. E esse "velhinho camarada" nos propõe atividades bem mais simples do que construir e consolidar a Paz. Ele nos convida a comprarmos e trocarmos presentes na noite de Natal, esquecendo que nasce, mais uma vez com poucos "pastores" próximos, o Principe da Paz.

         Não vejo como ruim a troca de presentes. Presentear alegra quem recebe e, na maioria das vezes, alegra muito quem oferece o presente. A troca de presentes sem qualquer sentido é que não consigo considerar razoável. Então, que se troque presentes, mas não nos esqueçamos de homenagear o Senhor de nossas vidas, o Príncipe da Paz que não pede muito para nascer novamente: quer apenas encontrar corações abertos para acolhê-Lo.

          Vamos ouvir a canção "Dádiva de Lã", de Luiz Carlos Borges (que no sábado se apresentou lá em Pelotas-RS, onde eu estava, e não tive tempo para assistir esse show), interpretada pelo próprio Borges, acompanhado por Renato Borghetti.


          Por aqui, deixo a porteira do Canto da Terra aberta e um grande abraço para todos!
 
Wilmar Machado