quarta-feira, 3 de novembro de 2010

TERTÚLIA NATIVA - Caboclo roceiro

     Em um dos programas do mês de outubro, tive oportunidade de declamar uma poesia de Patativa do Assaré, com o título “Caboclo roceiro”, após assistir, no http://www.youbube.com/, o próprio Patativa declamando. Gostei demais e resolvi partilha-la com os ouvintes. Hoje, partilho com vocês, leitores e seguidores do blog, esperando que também gostem.

     Mas antes, quero falar um pouco para vocês do autor dessa obra, conforme consta em http://www.tanto.com.br/Patativa.htm. 

     Patativa do Assaré – seu nome verdadeiro é Antônio Gonçalves da Silva - nasceu a 5 de março de 1909, em uma pequena propriedade rural, no município de Assaré, ao sul do Ceará. Cresceu ouvindo histórias, os ponteios da viola e folhetos de cordel. Com oito anos, trocou uma ovelha do pai por uma viola. Para chegar onde chegou, tinha uma receita prosaica: dizia que para ser poeta não era preciso ser professor. 'Basta, no mês de maio, recolher um poema em cada flor brotada nas árvores do seu sertão'. Patativa só passou seis meses na escola. Isso não o impediu de ser Doutor Honoris Causa de pelo menos três universidades. Desde os 91 anos de idade, com a saúde abalada por uma queda e a memória começando a faltar, Patativa não escrevia mais porque ao longo de sua vida “já disse tudo que tinha de dizer”. Patativa morreu em 08 de julho de 2002, na cidade que lhe emprestava o nome.


CABOCLO ROCEIRO

Caboclo roceiro, das plagas do Norte
Que vive sem sorte, sem teto e sem lar,
A tua desdita é tristonho que canto,
Se escuto o teu pranto me ponho a chorar.


Ninguém te oferece um feliz lenitivo
És rude e cativo, não tens liberdade.
A roça é teu mundo e também tua escola.
Teu braço é a mola que move a cidade


De noite, tu vives na tua palhoça
De dia na roça, de enxada na mão.
Julgando que Deus é um pai vingativo,
Não vês o motivo da tua opressão


Tu pensas, amigo, que a vida que levas
De dores e trevas debaixo da cruz
E as crises cortantes, quais finas espadas
São penas mandadas por nosso Jesus


Tu és nesta vida o fiel penitente
Um pobre inocente no banco do réu.
Caboclo não guarda contigo esta crença
A tua sentença não parte do céu.


O mestre divino, que é sábio profundo,
Não fez neste mundo teu fardo infeliz
As tuas desgraças, com tuas desordens,
Não nascem das ordens do eterno juiz


A lua se apaga sem ter empecilho,
O sol, o seu brilho jamais te negou
Porém os ingratos, com ódio e com guerra,
Tomaram-te a terra que Deus te entregou.

De noite tu vives na tua palhoça
De dia na roça, de enxada na mão
Caboclo roceiro, sem lar, sem abrigo,
Tu és meu amigo, tu és meu irmão.


    Para não perdermos o momento propiciado pela poesia do Patativa do Assaré, vamos ouvir Léo Canhoto e Robertinho, cantando de Léo Canhoto, “Meu irmão da roça”.




E por aqui, encerramos nossa Tertúlia Nativa desta semana. Até a próxima!



Wilmar Machado.

Nenhum comentário:

Postar um comentário