segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

ABRINDO A PORTEIRA - AI, SATIAGRAHA, AI, AI...



O valor de um ser humano reside na capacidade de ir além de ele próprio,
de sair de dentro de si próprio, de existir dentro de si próprio e para as outras pessoas.
(Milan Kundera)




Amigas e Amigos,

         Ao abrir a porteira para mais uma semana, deparo-me com manifestações de rigoroso (des)controle do dinheiro público por parte dos poderes constituídos em terras brasileiras.

         A primeira notícia relacionada ao assunto diz respeito a devolução das 27 fazendas, com 450 mil cabeças de gado, ao banqueiro Daniel Dantas (investigado por crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas), alvo da operação Satiagraha (que não tem qualquer relação com o "se eu pego", do M. Teló), da Polícia Federal contra o desvio de verbas públicas, corrupção e lavagem de dinheiro. Essa operação foi desqualificada pelo Superior Tribunal de Justiça.

         A outra decisão judicial de grande repercussão foi a que determinou a reintegração de posse de um terreno (1,3 milhão de metros quadrados), na comunidade Pinheirinho, em São José dos Campos-SP, da massa falida da empresa Selecta S.A., do empresário Naji Nahas, também alvo da operação Satiagraha, que deu origem a uma verdadeira batalha campal na região, conforme se percebe na foto abaixo.



         Para reavivar a memória, recorri a uma matéria do jornal O Globo (http://oglobo.globo.com), de 8/07/2008, sobre uma entrevista coletiva do procurador da República Rodrigo de Grandis esclarecendo que “Daniel Dantas e Nahi Nahas comandavam duas organizações distintas, porém ambas voltadas a crimes no mercado financeiro”. Nesta mesma matéria, o delegado Protógenes Queiroz afirmava que essa situação era “perniciosa para o nosso país” e acrescentava: “Ficamos assustados com a estruturação das duas organizações e o nível de intimidação e poder de corromper delas [...] as investigações levaram a um desdobramento mostrando que eles também teriam participação no Mensalão”.

         Na página “Terra Magazine” (http://terramagazine.terra.com.br), de 11/07/2008, foi registrada uma declaração interessante de Daniel Dantas, logo após serem liberados – habeas corpus do presidente do Supremo, Gilmar Mendes – outros dois presos na mesma operação, o megainvestidor Naji Nahas e o ex-prefeito, de São Paulo, Celso Pita. O banqueiro teria dito ao delegado Protógenes que iria contar tudo, com as seguintes palavras: “...vou contar tudo sobre todos. Como paguei um milhão e meio para não ser preso pela Polícia Federal em 2004... tudo sobre minhas relações com a política, com os partidos, com os políticos, com os candidatos, com o Congresso... tudo sobre minhas relações com a Justiça, sobre como corrompi juízes, desembargadores, sobre quem foi comprado na imprensa...”.

         Coincidência, ou não, após os solavancos provocados pela declaração acima, as “melancias” foram se acomodando nos “caminhões” dos Poderes. E essa acomodação – que culmina com essa “devolução” de bens, talvez não devidos, ao banqueiro e ao megainvestidor, com ações violentas – começou já na primeira semana após a publicação da declaração acima, conforme se pode encontrar em matéria da Folha de São Paulo (http://www.folha.uol.com.br), de 17/07/2008, dando conta que:
Apesar de ter dito publicamente que Protógenes Queiroz devia continuar na Operação Satiagraha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalizou na segunda-feira o afastamento do delegado da investigação sobre o banqueiro Daniel Dantas [...] Segundo reportagem, mesmo com o esforço para aplacá-la, a crise acabou chegando à ante-sala do presidente, com conversas gravadas do advogado e petista Luiz Eduardo Greenhalgh com o chefe-de-gabinete de Lula, Gilberto Carvalho. A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, também teria manifestado irritação com a exposição de seu nome no caso. Em conversa com o presidente, o ministro Tarso Genro (Justiça) afirmou que ele e o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, consideravam "insustentável" a permanência de Queiroz, apesar da eficiência técnica do inquérito que culminou na prisão de Dantas.

         Fica a vontade de que o propalado “ordenamento legal” e que as “decisões revestidas de densa fundamentação jurídica” não se percam por falácias. Fica, também, a expectativa de que todo o impacto provocado nos cofres públicos e nas divisas brasileiras sejam, devidamente, recuperados. E que tudo seja apenas uma coincidência de fatos dentro de uma ordenação temporal histórica. Mas, como se diria no linguajar gaúcho: Que baita coincidência, tchê!
  
Para acompanhar esse início de semana, a música escolhida, para não esquecermos a imensa diferença existentes entre as classes sociais de nosso país, é “Operário, Vida, Viola”, de Antônio Victor, com a interpretação de Chico Rey & Paraná.
     
  

Um grande abraço e até a próxima!


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