terça-feira, 21 de junho de 2011

ORATÓRIO CAMPEIRO - SÃO LUÍS GONZAGA E A JUVENTUDE

Com a sua intuição a juventude sabe que o mundo está cheio de forças;
mas não chega a entender qual o papel que a fraqueza, nas suas diversas formas, desempenha no mundo.
(Hugo von Hofmannsthal)


Amigas e Amigos,

               Neste Oratório Campeiro de hoje, reparto com vocês um artigo do Padre Alfredinho (Alfredo J. Gonçalves), que há muitos anos desenvolve trabalhos junto a Pastorais Sociais. Pe. Alfredinho, na “Adital – Notícias da América Latina e Caribe” (http://www.adital.com.br), inicia seu texto com a transcrição de “De frente pro crime” – de Aldir Blanc e João Bosco – e diz que esta canção:
...sugere uma leitura, ao mesmo tempo, polifônica e polissêmica da violência no universo urbano. Polifônica, na medida em que estão em jogo linguagens sobrepostas [...] Polissêmica, porque os símbolos expressam significados e enfoques diversos, de acordo com o olhar de cada protagonista... [...] Corpos estendidos no chão, círculo de curiosos e de policiais, sirenes de ambulância, comentários diversificados e contraditórios, holofotes e câmeras, repórteres e microfones, familiares em cabisbaixos, mães em desespero, peritos da criminologia... Tudo isso forma um cenário bem conhecido não apenas de São Paulo e Rio de Janeiro, mas também, atualmente, de todas as capitais brasileiras e de não poucas cidades médias e até pequenas. [...] ...grande parte dos corpos estendidos pelo chão pertencem a pessoas entre os 15 e 25 anos, ou seja, são adolescentes e jovens. [...] Quanto aos que são assassinados no confronto direto com as forças policiais, ou por estas eliminados antes de chegar à delegacia, uma série de perguntas se levantam. Por que são tão facilmente aliciados para a violência, o narcotráfico, o crime e o consumo de drogas? Boa parte estaria na escola, se as famílias de onde se originam não vivessem em condições tão precárias. Outros, concluídos os estudos e devidamente capacitados, poderiam já estar empregados, não fossem as empresas tão rígidas quanto à necessidade de experiência prévia. De uma forma ou de outra, um fundo de exclusão social explica os males da superfície. [...] A verdade é que a sociedade moderna ou pós-moderna retirou da família o direito e o dever de impor limites às crianças, adolescentes e jovens. Instituições como a escola, as igrejas, os diversos tipos de esporte, as associações e movimentos sociais não conseguem tomar a si essa tarefa. Sobra para a polícia impor limites, mas aí já é tarde demais! No fundo, o conceito de liberdade se reduz a fazer o que se quer, não o que constrói. Some-se agora, de um lado, a vulnerabilidade de grande parte da população, o desemprego e subemprego, a dificuldade de estabelecer limites no processo formativo e, de outro lado, a facilidade de acesso às armas e drogas, os apelos e a permissividade solta, resulta o fácil aliciamento para o crime organizado. Numa palavra, por que estudar e trabalhar se há vias mais curtas para a riqueza e o sucesso? Por que seguir pela estrada legítima se os atalhos encurtam caminho?

                Em um tempo não muito distante, não se via esses “corpos estendidos”, pois o chão em que caiam não estavam próximos. Hoje, não cabem mais rótulos como capitais, cidades grandes ou bairros violentos, pois eles podem cair em nossos caminhos ou, até, na frente de nossas casas.

               Somos convidados a permissividade, disfarçada de pseudodireitos humanos ou de discutível liberdade individual, por nossos (nem tão) legítimos representantes ou pelos jurisconsultos (cada qual mais “-mor” que seus pares). E aí, como salientado no artigo, limites são entraves – que segundo os “pensadores” contemporâneos – que não combinam mais com a sociedade desses novos tempos. Provavelmente – e facilmente – explicarão a morte dos adolescentes e jovens citados como opção pessoal. E talvez seja... Ou, talvez  não seja...


               A conversa até aqui serve para preparar a apresentação do Santo festejado hoje: São Luís Gonzaga, que – conforme o portal da Irmãs Paulinas (http://www.paulinas.org.br) - nasceu em 9 de março de 1568, na Itália, e morreu, com apenas vinte e três anos, no dia 21 de junho de 1591. Na biografia deste Santo, no referido portal, pode-se encontrar que:
Com doze anos, recebeu a primeira comunhão diretamente das mãos de Carlos Borromeu, hoje santo da Igreja. [...] ...tinha quatorze anos quando venceu as resistências do pai, renunciou ao título a que tinha direito por descendência e à herança da família e entrou para o noviciado romano dos jesuítas, sob a direção de Roberto Belarmino, o qual, depois, também foi canonizado. [...] A igreja de Santo Inácio, em Roma, guarda as suas relíquias, que são veneradas no dia de sua morte. Enquanto a capa que são Luís Gonzaga usava encontra-se na belíssima basílica dedicada a ele, em Castiglione delle Stiviere, sua cidade natal.

               A morte dos adolescentes e jovens abordadas por Pe. Alfredinho, na Adital, me fez lembrar que São Luis Gonzaga, canonizado em 1726, pelo papa Bento XIII, foi proclamado “Padroeiro da Juventude”. Recomendo, então, que se ore esta semana pelos jovens, com uma oração proposta pelo bem-aventurado papa João Paulo II a juventude reunida em Toronto, Canadá.

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ORAÇÃO PELOS JOVENS

 Senhor Jesus Cristo, guarda os jovens no Teu Amor.
Permite que eles ouçam a tua voz e acreditem no que lhes dizes
Porque só Tu tens palavras de vida eterna.
Ensina-lhes como professar a sua fé,
Como fazer dom do seu amor,
Como comunicar a sua esperança aos outros.
Faz deles testemunhas credíveis do teu Evangelho,
Num mundo que tem tanta necessidade da tua graça que salva.
Faz deles o novo povo das Bem-aventuranças,
Para que sejam o sal da terra e a luz do mundo
No início do 3º milénio  cristão.
Maria, Mãe da Igreja,
Nossa Senhora do Rosário,
Protege e guia
estes jovens homens e estas jovens mulheres do século XXI,
Aperta-os contra o teu maternal coração. 
Amém!

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               São Luiz Gonzaga é, também, denominação de um município gaúcho. Para a parte musical desse nosso Oratório, escolhi a música que presta uma homenagem a esta cidade que leva o nome de seu padroeiro "São Luiz Gonzaga", de Kinei Borba Prado, na interpretação de Celso Oliveria & Os Guitarreiros.



               Um grande abraço e que a Paz de Cristo permaneça conosco!

Wilmar Machado

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