segunda-feira, 22 de novembro de 2010

ABRINDO A PORTEIRA - Artistas fora das ruas

Amigas e amigos,

        Já na hora do café da manhã desta segunda-feira, deparo-me com uma daquelas notícias sujeitas a talhar o leite, esfriar o café, endurecer o pão, azedar a manteiga e deixar o suco com gosto amargo. Nas noticias do portal UOL (http://noticias.uol.com.br/) encontrei que:
Avenida mais famosa da cidade de São Paulo, a Paulista é conhecida por ser o centro financeiro da capital, e também por ser um tradicional reduto de artistas de rua. Esse cenário, porém, vem mudando. Enquanto os prédios de empresas e bancos permanecem na paisagem, a classe artística vem minguando no local com a chegada da Operação Delegada, iniciada em dezembro do ano passado pela Polícia Militar, após a assinatura de um convênio com a prefeitura paulistana e o governo do Estado. Estátuas vivas, palhaços, saxofonistas, guitarristas e malabaristas: todos eles agora estão sujeitos à ação policial, cujo objetivo principal é coibir e enquadrar o comércio ambulante ilegal nas principais vias do município. Para o jurista Luiz Flávio Gomes, a ação é um "ato nazista". "A atividade deles é lícita. Expressão artística você pode fazer quando quiser. Eles serem proibidos é uma ilegalidade, um abuso patente", diz. "Se houver prisão então é crime: abuso de autoridade", afirma [...] Cidadãos ouvidos pelo UOL Notícias criticaram a medida. "Deixa os caras trabalharem, eles animam a cidade", disse o segurança Rogério Alexandre. "A arte sempre tem que ter lugar, misturada com a cidade", afirmou o publicitário Lucas Lamenha. "É um jeito do povo ganhar a vida", concordou Stephanie de Souza, analista de atendimento. "Isso só prejudica os caras, eles querem trabalhar", afirmou o gari Edson da Silva. "Não tem do que reclamar dos artistas. Eles não atrapalham ninguém e, na verdade, estão trabalhando", disse o Jerônimo dos Reis, jornaleiro de uma banca em frente ao Parque Trianon. "Não tem nada a ver. Isso aqui é a av. Paulista, tem que deixar eles trabalharem", finalizou a comerciante Julia Delácio [...] a Polícia Militar, por meio de nota oficial, afirmou que os artistas se incluem no critério comercial. "As manifestações culturais podem ser exercidas em qualquer lugar e a Polícia Militar respeita e garante os termos constitucionais. Contudo, é preciso separar manifestação cultural da comercialização do talento. Quando há qualquer tipo de exploração comercial, caracteriza-se um evento e há a necessidade de autorização da Prefeitura, que é competente para disciplinar o uso e a ocupação do solo. No caso de artistas e pessoas que aproveitam para divulgar seu trabalho e comercializar CDs e DVDs, ou ainda 'estátuas vivas' que sugiram algum pagamento em dinheiro, são situações que descaracterizam a manifestação cultural e se classificam como um evento", afirma a nota oficial da PM.

       O pior desse tipo de coisa é que não estraga só o café, pois até agora me sinto um pouco "azedo", pensando nesses "bandidos" que estão sendo perseguidos pela polícia por tentarem disseminar um pouco de cultura, levar um pouco de alegria as pessoas presas nos "engarrafamentos", por semearem alegria e divertirem adultos e crianças. Como alguém pode imaginar ser possível deixar solta e perturbando a ordem pública esse tipo de gente que ainda acredita em felicidade.

       Ainda bem que nossos policiais estão preparados para enfrentarem violentos palhaços, truculentos malabaristas, agressivos músicos e desalmados atores. Se nossos motoristas (e nossa população) tivesse de ficar a merce desses marginais, provavelmente, sucumbiria aos maus tratos provocados, conforme se pode observar na "revolta" manifestada pelos cidadãos ouvidos pela equipe de reportagem acima.

       O pior é que esse tipo de bobagem não é uma exclusividade do prefeito e da polícia da capital de São Paulo. Outras cidades já passaram por situações ridículas semelhantes. E não estamos livres delas acontecerem sempre que esses "senhores da verdade" se alvorarem de paladinos da lei e da ordem.

       Vamos ouvir, com a saudosa dupla Alvarenga & Ranchinho, a melodia "Rimando Nome", de Alvarenga, que tanto sucesso fizeram nos circos de antigamente e que hoje estariam sujeito a serem barrados por "certos" políticos com apoio de "certos" policiais.


        E vou encerrando esta, desejando um boa semana e até a próxima segunda-feira, com mais um "Abrindo a Porteira"! Um grande abraço!

Wilmar Machado 

 



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